Julio Gomes opina sobre a volta do Carnaval organizado pela Prefeitura de Ilhéus || Foto PMI
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Não há como comparar a quantidade de foliões de Carnavais passados com os gatos pingados que neste ano fizeram o Carnaval de Ilhéus parecer uma festa de largo melhorada.

 

 

 

 

Julio Gomes

Voltamos a ter Carnaval em nosso município de Ilhéus neste ano de 2024, após alguns anos sem que tal festividade ocorresse ou sendo ela relegada ao mínimo do mínimo. Mas neste ano teremos eleições para prefeito e vereadores, e isso explica o porquê de aquilo que deveria ser comum voltar como se fosse uma grande novidade.

Vamos à análise do Carnaval.

Primeiro, vale destacar a força e presença da festividade momesca no imaginário popular, mesmo sendo propositalmente esquecida pelos gestores municipais durante anos. Apesar de todas as influências culturais estrangeiras, da condenação por parte de setores religiosos diversos, da violência onipresente e crescente em nossa sociedade, o brasileiro, e especialmente o baiano, ainda é o Carnaval!

Assim, blocos como as Muringuetes e o Zé Pereira contaram com ampla e admirável participação popular, o primeiro turbinado por um palco onde se apresentaram artistas contratados pelo Poder Público estadual e/ou municipal e o segundo lamentavelmente atingido por uma chuva forte que, neste ano, esvaziou um pouco o evento, que mesmo assim não deixou de acontecer com o brilho, a alegria e a paz dos antigos Carnavais.

Também merece destaque o empenho do município/estado da Bahia em patrocinar atrações para turbinar o Carnaval na ainda pacata Olivença, que mantém os ares da estância hidromineral que foi um dia, como se fosse uma mulher do interior, de bela origem mestiça e indígena e que consegue preservar os encantos da sua mocidade.

Quanto ao Centro de Ilhéus, mais especificamente na parte da Avenida Soares Lopes, onde as festividades ocorrem com mais foco, há uma coletânea de acertos e erros a ser considerada, ficando os primeiros por conta da redução do circuito que assim teve um tamanho proporcionalmente mais adequado; da eficaz presença de policiais e bombeiros militares, da Guarda Municipal e da Polícia Civil, que em conjunto proporcionaram uma boa segurança; e do horário também reduzido das festividades, algo em torno das 18h à 00h, quando as atrações e as forças de segurança se retiravam e, consequentemente, o público também, evitando os episódios de maior violência que costumam ocorrer a partir da meia-noite e pela madrugada.

Entretanto, como ponto mais negativo a ser anotado no que diz respeito a nossos administradores locais, destaco a ausência dos blocos afros, afoxés e congêneres; e o notório enfraquecimento do Carnaval de Ilhéus como fruto direto de anos sem Carnavais, com Carnavais muito fracos e também sem a definição antecipada acerca da ocorrência ou não da festa, o que prejudica muito sua realização e a vinda de turistas.

O povo de Ilhéus como que se acostumou a não ter Carnavais, a não ter São João, ou a só desfrutar de festividades exclusivamente quando convém ao prefeito, como ocorreu neste ano eleitoral de 2024.

O resultado é que, embora se façam presentes, não há como comparar a quantidade de foliões de Carnavais passados com os gatos pingados que neste ano fizeram o Carnaval de Ilhéus parecer uma festa de largo melhorada.

Para terminar, lembro o patético encontro de dois mini trios elétricos ocorrido na noite de segunda-feira (12), na parte central do circuito. Apesar dos visíveis esforços dos artistas para dar o melhor de si aos presentes, os dois pequenos trios rodeados de apenas algumas dezenas de pessoas foi o retrato vivo de uma tradição que a administração municipal, por incrível que pareça, aos poucos está conseguindo matar.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

Pé de cacau no sistema cabruca || Foto Ana Lee
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Nossos dirigentes parecem esquecer que, em nossa tradição local, o cacau floresce na sombra da mata, e que a preservação de outras espécies é fundamental! Adotemos essa sábia lição da natureza na execução das políticas públicas municipais.

 

Paulo Mesquita Magalhães || paulomagalhaes80@gmail.com

Toda monocultura é nociva! Desequilibra a diversidade da natureza, diminui a fauna e a flora, empobrece o solo e a alimentação humana. A cultura do cacau parece ter sido uma honrosa exceção: a cabruca, sistema de plantação em que o cacaueiro cresce à sombra de árvores nativas, preservou parte da riqueza da nossa Mata Atlântica.

O mesmo não pode ser dito no campo das relações econômicas e sociais: a riqueza do cacau, em seus tempos de fruto de ouro, se concentrou nas mãos de fazendeiros que dilapidaram fora da região grande parte de sua renda, ostentando luxo e riqueza, grilando terra e assassinando pequenos proprietários, enquanto trabalhadores rurais viviam em condições análogas à escravidão.

Pois bem, em um momento em que a cidade celebra parte de sua memória através do remake de uma novela televisiva global, nos deparamos novamente com a monocultura, dessa vez no Carnaval. O intitulado “Carnaval Cultural de Ilhéus” não pode ser acusado de não ser cultural, o que seria um contrassenso, dado que todas as relações humanas estão no campo da cultura. Ele parece, entretanto, ser quase monotemático: com poucas exceções, as contratações públicas se resumem a paredão, arrocha, pagode e axé. A maior parte da programação é feita pelas próprias comunidades e os blocos afro foram chamados de última hora, a uma semana da realização do evento, inviabilizando a produção de novas fantasias e o longo processo de ensaios que envolve suas comunidades.

Nada contra os ritmos acima citados! São legítimos e merecem respeito. Mas, parece haver uma simplificação populista do gosto popular: “é disso que o povo gosta, é isso que o turista quer ver”, como se a população da cidade e os nossos visitantes não fossem muitos, diversos, plurais. O Carnaval de Salvador é a maior festa de rua do mundo porque abraça a diversidade: além de axé, pagode, samba, guitarra baiana, frevo, se pode ouvir reggae, rap, rock, MPB e outros ritmos presentes na rica produção cultural baiana e nacional. E cadê os artistas de Ilhéus, de vários ritmos dançantes, que têm público durante todo o ano e movimentam o cenário local?

A programação do Carnaval monocultural reflete um impasse da política municipal: a total falta de articulação entre cultura e turismo. A Secretaria de Cultura parece ser o primo pobre e se restringe a gerenciar as verbas federais (Aldir Blanc, Paulo Gustavo) e o esquálido fundo de cultura. A esmagadora maioria dos eventos promovidos pela administração é promovida pela Secretaria de Turismo, e os critérios de contratação dos artistas, a curadoria, a concepção, não dialogam com o Conselho Municipal de Cultura, composto pela sociedade civil organizada.

Ou seja, Carnaval Cultural, Viva Ilhéus, Festival da Primavera, Novembro Negro, os principais eventos realizados com verba pública chegam prontos, são despejados como um pacotão fechado, sem qualquer participação da classe artística da cidade. Sabemos que a política é um campo de disputas, mas nessa briga de secretarias, quem perde é a cultura e seus protagonistas, impossibilitados de opinar, ajudar a construir, participar do processo.

Nossos dirigentes parecem esquecer que, em nossa tradição local, o cacau floresce na sombra da mata, e que a preservação de outras espécies é fundamental! Adotemos essa sábia lição da natureza na execução das políticas públicas municipais.

Paulo Mesquita Magalhães é jornalista, cientista social e membro dos conselhos municipais de Cultura de Ilhéus e de Itabuna, e do Conselho Gestor da Salvaguarda da Capoeira na Bahia.

Formação atual do 'Paroano Sai Milhó", que completa 60 Carnavais
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Imaginar que a Cidade de Salvador, com suas imensas e contínuas dificuldades em querer ser metrópole, se organiza, se enfeita e se ilumina para permitir que Afoxés, Trios Elétricos, Blocos, “pipocas” e a nossa roda de palhaços cumpram a benfazeja sina de colorir e alegrá-la!

 

Archibaldo Daltro Barreto Filho

Não chegamos ao apogeu. Estamos fazendo apenas 60 anos. Nosso apogeu está, como já nos indicou Eduardo Galeano, no horizonte onde se mantém viva a esperança que nossas coloridas e maviosas vozes perseguem, sem insistência, mas com consistência e tenacidade. Sem atalhos e sem patrocínios, seguimos com os que nos seguem. Com os que se afinam com o bom gosto, com nossa energia em produzir alegria com pretensões simples, como atingir corações.

Creiam: isso não resulta de mágicas nem de estratégias bem elaboradas. Nesses 60 anos o roteiro permanece: reunir Paroaneiros, escolher repertório, providenciar arranjos, organizar encontros e ensaiar, ensaiar, ensaiar… cantar, cantar, cantar… Imaginar que o Paroano Sai Milhó fez e faz isso ao longo da sua existência pode gerar perplexidade. Mas, voltando ao “como tudo começou”, pode-se imaginar Antônio Carlos Queiroz Mascarenhas, o Janjão, em 1964 a nutrir esforços pessoais para articular e organizar os resultados coletivos das tranças de vozes!

Imaginar que cerca de 100 Paroaneiros, até então (neste Carnaval são 18), já embarcaram na roda musical que todos os anos avisa “Eu te prometo Paroano Sai Milhó / Vou a lua, viro a Terra / Paroano Sai Milhó”! Imaginar que tudo tem sido feito com os mecanismos humanos de reunir, dar opiniões, trocar ideias, exacerbar egos e idiossincrasias, concluir a última apresentação entoando a Marcha da Quarta Feira de Cinzas e cumprir os agradecimentos com abraços e beijos do “até logo mais”!

Imaginar que a Cidade de Salvador, com suas imensas e contínuas dificuldades em querer ser metrópole, se organiza, se enfeita e se ilumina para permitir que Afoxés, Trios Elétricos, Blocos, “pipocas” e a nossa roda de palhaços cumpram a benfazeja sina de colorir e alegrá-la!

Imaginar que, por trás desse cenário de “loucura coletiva”, encontram-se músicos, compositores, abnegados e amantes dirigentes, coordenadores de blocos e organizadores dos espaços onde rolam concepções, preparativos e trabalho para que aconteçam, vale enfatizar, as expressões coletivas frutos das ideias e inspirações pessoais!

Imaginá-los implica em homenageá-los com reverências. Algumas belas figuras: João Jorge, capitaneando o Olodum, Vovô na frente do Ylê Ayê, Carlinhos Brow sacolejando a Timbalada, Margareth agitando com Os Mascarados, Rubinho e sua turma inventando Os Internacionais, o apaixonado carnavalesco e poeta Walter Queiroz, a Banda Eva puxada por Ivete Sangalo. Imaginar os que dão suporte aos foliões, nativos e visitantes: vendedores ambulantes, bares e restaurantes, que não são poucos, e se espalham pela cidade toda.

Imaginar tudo é saber que integrar as histórias do Carnaval da Bahia nos últimos 60 anos é motivação para imensa satisfação, pessoal e coletiva. Imaginar que isso não nos conduz a pensar em nosso longínquo apogeu, mas a seguir adiante sem se importar quando chegaremos no horizonte onde está a esperança. Assim, é possível afirmar: o canto do Paroano Sai Milhó permanecerá. Chi lo sa, per omnia saecula saeculorum… VIVA A VIDA!

Archibaldo Daltro Barreto Filho é integrante do grupo musical Paroano Sai Milhó.

Gérson Souza presidindo o Legislativo de Itabuna
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Gérson Souza é daquelas personalidades que nascem de 100 em 100 anos e que vêm à terra com a finalidade de servir, tornar o mundo melhor com sua colaboração e dos amigos que o cercam.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Walmir Rosário

Tabelião do Cartório do 1º Ofício de Itabuna (registro de pessoas e casamentos), Gérson Souza era uma das pessoas mais influentes nas instituições da cidade, pela dedicação com que tratava as obrigações assumidas. E no futebol não era diferente. Na seleção de Itabuna era considerado um dirigente insubstituível e que conduziu o selecionado ao hexacampeonato baiano de amadores.

Gérson Souza era homem de aceitar desafios, inclusive no futebol. Em 1947, época de poucas estradas e veículos, chefiou a delegação da Seleção de Itabuna na partida contra a Seleção de Valença. E não era fácil, pois as estradas eram péssimas e o transporte disponível era a carroceria de caminhão. Após 12 horas de viagem venceram, e a partida seguinte seria contra Santo Amaro, em Salvador, porém o campeonato foi cancelado.

Daí pra frente Gérson Souza não deixou mais a Seleção de Itabuna e foi um partícipe importante na criação do Itabuna Esporte Clube, o primeiro time profissional da cidade, em 1967. Mas até chegar lá, o “Marechal do Hexa” esteve presente em todos os momentos, simplesmente apoiando ou coordenando a seleção amadora, bem como a equipe de profissionais, sempre com bastante sucesso e determinação.

Com a bondade que fazia o afago quando necessário, era capaz de tomar decisões mais duras que o momento exigisse. E não precisava alteração, bastava uma conversa de pé de ouvido que tudo se acertava. Sua argumentação convencia, mesmo nos momentos mais cruciais. Sabia como ninguém motivar diretores, jogadores e comissão técnica, com palavras simples, porém bem colocadas.

Na última partida para a conquista do hexacampeonato, Gérson Souza não titubeou ao suspender uma das maiores estrelas da seleção, o ponteiro-esquerdo Fernando Riela, por não ter permanecido concentrado com os demais jogadores. Numa conversa franca entre ele, o técnico Gil Nery e Fernando, expôs os prejuízos do comportamento e os riscos de sua atitude. Resolveu arriscar e os itabunenses comemoraram o título.

Provavelmente, o sucesso da Seleção de Itabuna tenha sido a convocação de uma base permanente, com substitutos à altura. Craques não faltavam em Itabuna e muitos ainda ficavam de fora desta super equipe. Porém Gérson Souza não conseguia ver um craque de outra cidade jogar, que não o convencesse a vir fazer carreira no brilhante futebol de Itabuna. Na maioria das vezes dava certo.

Um desses “convocados” por Gérson Souza foi Albertino Pereira da Silva, o goleiro Betinho, que trouxe – junto com Zelito Fontes – de São Félix para Itabuna, primeiro para o Janízaros, e depois para o Itabuna Esporte Clube. Betinho se notabilizou ao participar de uma partida jogando pela Seleção de Ilhéus contra o Santos. Pela sua atuação, foi levado por Pelé para o time da Vila Belmiro, mas devido ao seu comportamento não fechou um vantajoso contrato.

Em 1970, com a renúncia do presidente do Itabuna Esporte Clube, o time entrou em decadência, e mais uma vez Gérson Souza se dispõe a colaborar com o amigo Gabriel Nunes, que condicionou presidir o Itabuna com a sua participação. Das cinzas, o Itabuna ressurge com um plantel sem grandes estrelas, mas conscientes do que poderiam fazer para dar a volta por cima.

Apesar do descrédito de muitos, o Itabuna ganhou o segundo turno e se sagrou vice-campeão baiano. Não fossem as forças poderosas do extracampo, por certo teriam alcançado o primeiro lugar. Graças à união e credibilidade dos dirigentes junto aos torcedores, o time conseguiu os recursos necessários para participar dos jogos, com o apoio pessoal da torcida, mesmo nas partidas mais distantes.

Gérson Souza é daquelas personalidades que nascem de 100 em 100 anos e que vêm à terra com a finalidade de servir, tornar o mundo melhor com sua colaboração e dos amigos que o cercam. Encarar os desafios era uma de suas especialidades. Desprendido, coordenava e secretariava instituições com a maior naturalidade, debatendo e assumindo responsabilidades para si e o seu grupo.

E a responsabilidade com que traçava planos e projetos transmitia segurança em todos os segmentos da sociedade civil, que abraçavam suas ideias, tornando uma causa em comum de Itabuna. Era impossível a ausência de Gérson Souza nos projetos sociais. Sempre procurado pelo Executivo, Legislativo – do qual foi presidente –, Judiciário e líderes da sociedade, solicitando seus experientes conselhos para novos empreendimentos.

Sabia encarar os compromissos com muita seriedade sem ser sisudo. Ao contrário, a alegria de Gérson Souza era inebriante e contagiava os que conviviam com ele. Daí, trabalhavam com afinco até atingir os objetivos em plenitude e comemoravam as vitórias com a mesma intensidade. Gérson Souza é daquelas figuras ímpares, sempre lembradas com carinho pelo que fez em vida, deixando saudosos os que ainda choram seu desaparecimento.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e autor d´Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

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Para o problema que a pessoa possa identificar, há sempre caminhos de soluções. Não é fácil, mas é possível e extraordinário.

 

Rava Midlej Duque

Há dias em que eu me sinto vulnerável. Há dias em que eu foco no que não tenho. Há dias em que eu sinto o vazio como um problema, confundo solitude com solidão. Há dias em que eu alimento pensamentos que só sabotam e enfraquecem o meu processo. Há dias em que eu choro sem motivos aparentes.

Dar espaço para sentir e reconhecer esses padrões é o que me transforma. A gente não aprende sobre o amor, sem amar, a gente não aprende sobre paciência, sem viver momentos que nos exijam paciência.

Ninguém passa ileso pela vida. Somos desafiados o tempo todo, de certa forma acredito que é tudo com propósito. Somos seres espirituais vivendo uma experiência física e material, não o contrário. Estamos todos aqui para aprender a viver neste plano terreno: aprender, ensinar, se relacionar, evoluir diante às adversidades e às circunstâncias. Por mais cruéis que possam nos parecer à primeira vista, a dor muitas vezes, nos torna pessoas melhores. Aqui não faço apologia à dor, não a desejo! Mas quando ela inevitavelmente nos encontra, há algo nesse acontecimento que podemos aprender. A dor é o incômodo que impulsiona a ostra a produzir pérolas. Diante das adversidades e situações dolorosas que viveu, quais pérolas você conseguiu produzir até aqui? Pense nisso.

Os desafios fazem parte da nossa existência, sobretudo, a oportunidade de aprender com eles. Os problemas existem e vão continuar a existir, só terão nomes diferentes: uma hora é dinheiro, outra é saúde, outra vez é a autoestima ou o relacionamento que não vai bem. Independente se é Ano Novo ou não, se é Verão ou Inverno, se é carnaval ou São João, problemas existem. Pode parecer um tanto utópico, mas a questão não é sobre ter ou não problemas. Uma pessoa bem resolvida consigo mesma, ela é próspera em seus pensamentos, comportamentos, tem brilho nos olhos, passa confiança na fala, suas atitudes são coerentes e elevadas. Ela transborda!

Mas atenção, essa pessoa também tem seus problemas e desafios, mas a postura dela faz toda diferença, é a forma como essa pessoa investe tempo, energia e dinheiro para encontrar recursos, ferramentas de autoconhecimento que lhe dê sustentação e autonomia para enfrentar e solucionar esses problemas e dificuldades. Então o que estou falando aqui é: não é sobre o que a vida faz de você ou para você, mas o que você faz com aquilo que recebe dela.

A intenção da evolução aqui na terra nada mais é do que evoluir a consciência. Não adianta Sermos se não formos na direção de encontrar Quem Somos. A questão humana é ser e existir de maneira coerente. E existir exige que tenhamos consciência de quem somos. Alguma vez na vida você já se fez a pergunta: Quem sou eu? Se ainda não fez essa pergunta, chegará a hora. E quando essa hora chega para você, o seu entendimento sobre a vida começa! Sábios e Mestres durante toda a história da humanidade apontaram um caminho para obtermos respostas sobre a vida: Conhecer a si mesmo e dominar a si mesmo. Aristóteles, filósofo da Grécia Antiga, em seus escritos uma vez disse: “Conhecer a si mesmo é o começo de toda a sabedoria”. Lao Tzu, filósofo chinês, disse algo semelhante: “Conhecer os outros é inteligência; conhecer a si mesmo é a verdadeira sabedoria. Dominar os outros é força; dominar a si mesmo é o verdadeiro poder”,

Existe algo para o qual somos todos convidados: A revolução interna!

Não é algo linear: você levanta, cai, levanta, depois cai de novo e levanta mais forte, depois vem algo que te mata, apaga, suga, aí você morre e depois de algum tempo, renasce. Depois cai de novo, rasteja, até que aprende a voar. E aprender a voar é algo empoderador! Você precisa experimentar. Eu sei que não é um caminho fácil, mas é possível. É por isso que existem profissionais como eu, Terapeutas, Psicólogos, profissionais de diversas áreas do Desenvolvimento Humano, capacitados a conduzir e ajudar efetivamente às pessoas que buscam conhecer a si mesmas, que buscam mudanças nas suas vidas.

Durante os atendimentos que realizo é recorrente eu receber pessoas que querem melhorar suas vidas de fora para dentro. Querem que as condições externas melhorem, independente da mudança interior. Mas as mudanças externas só acontecem depois da interna. Isso eu aprendi na prática! A minha função enquanto educadora, terapeuta e especialista na área de desenvolvimento humano, precisa ser mais do que cumprir um protocolo de atendimento e dar a receita de um bolo que nem existe. O meu compromisso é dar à pessoa que me procura, o acesso às forças necessárias para que ela sinta-se capaz de resolver o problema que lhe é prioritário. Ensino a reconhecer a capacidade que todo ser humano tem de mudar a sua vida. Para o problema que a pessoa possa identificar, há sempre caminhos de soluções. Não é fácil, mas é possível e extraordinário.

Rava Midlej Duque é comunicadora, mestra, terapeuta sistêmica, consteladora familiar e especialista em Psicologia Perinatal.

Na charge de Marcos Maurício, o encontro imaginário de Galdino e Nega Pataxó
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Quando eu cantei essa música num encontro de povos indígenas em Brasília, em 2023, não imaginei que era uma premonição.

 

Daniel Thame

“Como esquecer daquela madrugada gelada em Brasília? Eu estava numa terra estranha, cercada de gente estranha, uns homens bem vestidos, que se diziam autoridades, mas, eu sabia, aqueles sorrisos todos eram falsos, porque eles prometiam demarcar terras que eram nossas e que foram invadidas por fazendeiros, mas assim que a gente voltava para o sul da Bahia, eles até esqueciam que a gente esteve lá.

As nossas terras em Pau Brasil e Itaju do Colônia tinham sido doadas a fazendeiros em troca de apoio político e o governador da Bahia naquela época que eu fui a Brasilia era dono de tudo, acho que até da Justiça. E nada de sair a demarcação.

Mas a gente era de luta, uma força que vinha dos nossos ancestrais e que eu sabia, iria ser mantida pelos nossos descendentes.

O que eu não sabia é que a maldade dos homens poderia ser tão grande, e olha que ao longo dos séculos nós sempre sofremos com a maldade daqueles que invadiram as nossas terras e tentaram matar a nossa identidade.

Como eu disse, fazia muito frio naquela madrugada em Brasília e eu estava dormindo na rua, porque a gente não tinha dinheiro nem pra pagar hotel, quando, de repente, eu senti um calor no corpo, achei que alguma alma boa tinha me oferecido um cobertor.

Mas não era um cobertor, era fogo. Isso mesmo, quatro meninos ricos, para se divertir, haviam ateado fogo no meu corpo. Eu senti uma dor imensa, até ver a lua se tingir de vermelho e aí eu não senti mais nada.

Quando meu espírito chegou aqui no ybaca, eu sabia que a nossa luta não iria parar.

De certa forma, minhas chamas seriam o fogo da esperança de que a gente pudesse produzir e viver em paz nas terras que, por direito, eram nossas”.

Índio pataxó Galdino de Jesus, queimado vivo no dia 19 de abril de 1997.

´Eu sou guerreira, mas meu trabalho é pra combater, eu entrego meu peito à lança, nossa batalha temos que vencer’.

“Quando eu cantei essa música num encontro de povos indígenas em Brasília, em 2023, não imaginei que era uma premonição.

A gente avançou muito nos últimos anos. Conseguimos a demarcação de várias áreas, nosso irmãos tupinambás hoje têm suas terras ainda que vivam sofrendo ameaças, mas mesmo assim é preciso lutar, porque existem muitas áreas indígenas que são ocupadas irregularmente pelos fazendeiros.

Dizem que o Brasil nasceu aqui no sul da Bahia em 1500. Às vezes, penso que quando o tal de Brasil nasceu o nosso povo começou a morrer.

E que só não fomos dizimados porque somos forjados na luta, não temos medo da batalha e porque nossa causa é justa.

Quando meu irmão Cacique Nailton Pataxó me chamou pra gente retomar uma área que, por direito, é nossa, lá perto do imenso Rio Pardo, eu aceitei, porque nunca fugi da luta e como eu mesmo já contei aqui, não tenho medo das lanças.

Eu só não esperava nem contava com as balas.

A brutalidade dos homens não tem mesmo limite. Em vez do diálogo, eles dispararam tiros.

Muitos tiros. E naquela explosão de violência, em meio aos gritos de medo, só lembro de uma coisa me atingindo, uma dor no corpo e o sol se tingindo de vermelho de sangue.

E me lembro que quando meu espírito chegou aqui no ybaca o companheiro Galdino veio me receber.

Lá embaixo, na terra, nesse solo que pra nós é sagrado, eu sei que nem o fogo nem as balas vão calar a nossa voz.

Porque nós somos e seremos semente e sempre vamos germinar em cada indígena e em cada pessoa que ainda consegue se indignar e combater as injustiças”.

Maria de Fátima Muniz, Nega Pataxó, foi assassinada no dia 21 de janeiro de 2024 por um grupo de fazendeiros em Potiraguá, centro-sul da Bahia.

Daniel Thame é escritor e jornalista.

Clóvis Aquino (à direita, embaixo) e família
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Após muitos anos, torcedores e adversários se mostram saudosos com o futebol praticado pela Associação, um elenco digno de respeito e que se perpetuou na história do esporte itabunense.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Walmir Rosário 

A cada dia o futebol contagiava os itabunenses e crescia em bons jogadores e torcida. No final da década de 1930, surge a equipe Associação Athletica Itabunense (AAI), considerado o “bicho-papão” do futebol. A proposta era apresentar um futebol amador de forma organizada, com técnica suficiente para ganhar partidas e campeonatos seguidos, com um elenco de fazer inveja aos adversários.

E a Associação, como carinhosamente era chamada, aterrorizava os adversários, principalmente pelo nível dos jogadores, em que titulares e reservas possuíam o mesmo potencial. Saía um entrava o outro e o time não caia de produção. Para isso, escolhiam uma zaga vigorosa, um meio de campo técnico e um ataque arisco, composto por jogadores que se movimentavam muito, sempre em direção do gol adversário.

A contratação de um jogador se baseava não apenas no talento com a bola. Eles tinham que primar pelo coletivo, fazer se respeitar dentro e fora de campo e cumprir as determinações técnicas para manter a tática imposta pelo técnico, entre eles, Costa e Silva. No período compreendido entre 1939 e 1946 a Associação Athletica se impôs no futebol de Itabuna e região se tornando pentacampeã.

Certa feita, numa entrevista concedida aos jornalistas José Adervan, Ramiro Aquino, Antônio Lopes e Walmir Rosário, no Jornal Agora, um dos remanescentes da Associação, o engenheiro agrônomo e produtor rural Clóvis Nunes de Aquino, lembrou sua passagem pela equipe. E ele apresentou algumas cadernetas, nas quais registrava, fielmente, todos os dados das partidas da Associação.

E Clóvis Aquino era um jogador fenomenal, um centroavante com talento e vigor suficiente para marcar os gols nas vitórias da Associação. Os seus predicados futebolísticos foram descobertos quando ainda estudante de agronomia na conceituada Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba (SP). Mesmo assim, amargava jogar no segundo quadro da Associação e ser reserva do também craque Juca Alfaiate.

Embora não gostasse da reserva, mostrava seu futebol ao entrar em campo, no primeiro ou segundo quadro, encantando os torcedores. E Clóvis Aquino recordava com alegria sua participação como titular da equipe principal em 1946, ano em que disputou o campeonato como dono da posição, o que lhe valeu o título de pentacampeão itabunense. Tudo registrado em suas cadernetas.

E as notícias do escrete “matador” chegam à capital baiana e a diretoria dos times de Salvador se interessam em excursionar no Sul da Bahia, notadamente para jogar contra a famosa Associação Athletica Itabunense. No campo da Desportiva jogavam de igual para igual, e na maioria das vezes, a Associação mostrava o seu magistral futebol, ganhando as partidas, sem se importar com os adversários.

Mais experta foi a Associação Desportiva Guarany, que veio ver de perto os propalados craques de Itabuna e resolveu levar o time inteiro para Salvador. Dos titulares, apenas Juca Alfaiate não aceitou a proposta e continuou na Associação. Mesmo assim, o Guarany contratou o segundo reserva de Juca, Elísio Peito de Pomba. Pela primeira vez, a equipe do Guarany se sagrou campeã baiana em 1946, único de sua história.

Alguns torcedores da Associação creditam o declínio da Associação à perda dos jogadores contratados pelo Guarany, a exemplo de Tombinha, Nivaldino, Amaral, Bolívar, Bacamarte, Quiba, Elísio Peito de Pomba, Elvécio, Tuta, Mangabeira, Juca e Zezé, sendo que estes três últimos se transferiram para o Flamengo local. Elísio Peito de Pomba foi o artilheiro do Guarany com 12 gols marcados no campeonato.

A Associação Athletica Itabunense possui uma história gloriosa, o que é inegável até pelos adversários. Se chegava a notícia de um grande jogador, a diretoria não media esforços para contratá-lo e assim formou a equipe mais temida do interior da Bahia. De início, um time de elite, no qual só jogavam atletas brancos; com o passar do tempo, passaram a aceitar pessoas de cor negra, sendo o primeiro deles, o zagueiro Ruído, de Jequié.

Nas cadernetas de Clóvis Aquino estão anotados jogadores famosos da Associação Athlética Itabunense (AAI) como Balancê, Niraldo, Mota e Victório na posição de goleiros, Bolivar, Álvaro, Bacamarte, Dircinho, na posição de zagueiros, na chamada linha intermediária Amaral, Mangabeira, Zecão, Helvécio e ainda os atacantes Tombinha, Puruca, Juca, Clóvis, Nivaldino, Tuta, Zezé e Nandinho.

E após muitos anos, torcedores e adversários se mostram saudosos com o futebol praticado pela Associação, um elenco digno de respeito e que se perpetuou na história do esporte itabunense. Alguns remanescentes daquela época não pensam duas vezes em escalar as equipes da Associação, com titulares e reservas, além dos gols e momentos importante de cada partidas que jogavam.

E a Associação permanece na saudade dos itabunenses.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e autor d´Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Jerberson Josué escreve sobre a novela da política em Ilhéus
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O poder da máquina é fundamental para que o nome ungido tenha êxito, porém não garante nada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jerberson Josué

Iniciamos, enfim, o tão desejado 2024 para o mundo político, focado na eleição municipal que se aproxima. Uma nova janela de possibilidades para quem deseja conduzir os rumos administrativos da terra de Gabriela e seu Nacib. Quem se habilita? Esta é a pergunta da hora. Diversos candidatos em vários partidos estão na estrada da sucessão na terra onde a novela Renascer é gravada pela segunda vez, agora com novos atores em cena, mas contando também com alguns experientes artistas da primeira edição.

Assim como o remake global, as eleições de Ilhéus têm novos atores, mas conta com antigos protagonistas do poder local. O ator Marcos Palmeiras, que fez parte da primeira edição da novela, em 1993, está no remake de 2024. Na política, o professor Jabes Ribeiro, prefeito de Ilhéus por quatro mandatos, sendo o primeiro de 1983 a 1988, se apresenta, agora, como pré-candidato. Uma quinta vitória poderia transformá-lo em um dos mais vitoriosos e longevos políticos baianos. Na primeira, Jabes tinha 28 anos. Hoje, 72. Ele é o último representante competitivo de uma geração de políticos que marcou época na Bahia, com estilo próprio de governar.

Representante da geração seguinte é o vice-prefeito Bebeto Galvão (PSB), que, em 1993, era um dos protagonistas do Poder Legislativo ilheense. Hoje, o ex-deputado federal também é suplente do senador Jacques Wagner (PT) e conselheiro da República. O vereador Augustão, a exemplo de Bebeto, forjou-se no movimento sindical. Além da cadeira na Câmara, preside o Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral do Sul e Extremo Sul da Bahia (SintraSul), é empresário e palestrante.

Um dos homens fortes do governo Mário Alexandre ou, na verdade, o homem forte do governo, é o secretário Bento Lima. Ele goza da total confiança do prefeito. É um nome com todas as condições para dar seguimento aos projetos e ações do atual gestor. Tem o respeito da classe política por seu poder de articulação e dialoga bem com o Governo do Estado. Também é visto com bons olhos por segmentos empresariais. Muitos o apontam como candidato ideal, depois da deputada Soane Galvão.

Sobre a parlamentar, o prefeito a tem como porto seguro de sua continuidade política e não pretende mudar sua posição nesse tabuleiro. Até porque, a partir de janeiro de 2025, ao lado da deputada, Marão poderá continuar tendo acesso às atividades e articulações políticas, mesmo sem o mandato de prefeito. Ele não seria atingido pelo famoso estado de político sem mandato ninguém encosta.

Ainda no entorno do grupo do prefeito, dizem que o ex-secretário municipal de Saúde André Cesário ainda sonha com a chance de ter o seu nome escolhido, pois segue prestigiado. Resta-nos saber se o Dr. André Cesário terá vontade e ímpeto de se colocar como opção real do gestor. A secretária de Educação, Eliane Oliveira, popularmente conhecida como “Lôra”, tem sido citada no governo como um nome apto, por também ser de muita confiança de Marão.

O fato de o prefeito não ser candidato abre espaço para todos sonharem. Assim como o remake de Renascer, que deu oportunidade a novos protagonismos, o tabuleiro da eleição de 2024 pode trazer novidades.

O ex-vereador Marcos Flávio é filho do saudoso ex-prefeito de Ilhéus Antônio Olímpio, que rivalizava na época da primeira edição de Renascer com o professor Jabes Ribeiro. O advogado Marcos Flávio foi presidente da OAB em Ilhéus e é o secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação do município. Herdeiro de um dos últimos “coronéis” da política ilheense, é sempre lembrado na disputa eleitoral.

Moisés Bohana Neto tem sobrenome na sociedade ilheense e goza da amizade e confiança do protagonista político da cidade. Atualmente, ocupa o cargo de secretário de Pesca e Agricultura. Conhecido pela alcunha de “100%”,  tenta ser postulante ungido por seu primo e diretor-geral, o prefeito Mário Alexandre.

O jovem empresário Valderico Reis Junior é outro postulante desta pré-campanha e faz parte da nova geração de políticos de Ilhéus. Quando da primeira edição do folhetim, tinha apenas 7 anos. Nas suas veias pulsam o sangue do “coronel” dos ônibus, o controverso e popular Valderico Reis, que, além de ex-proprietário de empresas de ônibus, elegeu-se prefeito de Ilhéus em 2005, 12 anos após a estreia de Renascer.

O médico Francisco Sampaio foi eleito vereador várias vezes na década da primeira edição de Renascer, inclusive, presidiu a Casa Legislativa ilheense. É um ator que teve protagonismo e se afastou das urnas por um bom tempo, mas está empolgado com a nova edição eleitoral e se coloca como pré-candidato.

O vereador Aldemir Almeida é um pré-candidato que, apesar de ser da geração de cidadãos que à época da primeira Renascer já tinha condições de atuar, só se apresentou anos depois e conquistou quatro mandatos na Câmara. É médico, assim como Francisco Sampaio e Paulo Medauar, que tem sido visto rondando a cidade também como pré-candidato a prefeito. Com longa experiência em gestão desde a década de 90, consta do currículo de Medauar o cargo de secretário municipal de Saúde.

Outro ex-vereador e ex-presidente da Casa Legislativa ilheense que se coloca aos quatro cantos como pré-candidato a prefeito é Dinho do Gás. O boa praça que teve uma atuação protagonista meteórica na Casa das Leis, agora se lança ao Executivo, ao menos na pré-campanha. Outro ex-presidente do Palácio Teodolindo Ferreira que se apresenta na pré-campanha para o Centro Administrativo é o edil Jerbson Moraes. Do mesmo partido do prefeito Mário Alexandre, o PSD, o vereador busca protagonismo e é um ator da nova geração de políticos na cidade.

O ex-vereador Makrisi, também ator da nova geração, que à época da primeira edição de Renascer, estava nos movimentos juvenis de estudantes, agora se apresenta para o Executivo e tem como referência a excelente atuação do mandato como vereador, de atividades sociais e sindical, e no seu currículo consta a função de servidor público. Ednaldo Azevedo é um experiente profissional e ativista social que se apresenta na pré-campanha, inclusive, com passagens por gestões em outros municípios, e sua carteira de apresentação tem como base a luta por justiça social.

Com larga experiência acadêmica e profissional de saúde, além de ocupar a terceira pasta no palco da administração estadual, a médica e professora Adélia Pinheiro, que foi por oito anos reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz, a nossa Uesc, se apresenta pela primeira vez como possível candidata a um cargo eletivo no meio político. A professora, que já passou pelas secretarias de Ciência e Tecnologia e de Saúde do Estado, é secretária estadual de Educação e, até o momento, a única mulher na pré-campanha ao Executivo ilheense.

Reeleito recentemente, o reitor da Universidade Estadual de Santa Cruz, professor Alessandro Fernandes, tem o seu nome citado em qualquer conversa sobre sucessão, seja em Ilhéus ou Itabuna. Isso é óbvio por sua capacidade administrativa e pelo protagonismo que tem como reitor de uma das melhores universidades do País, inclusive, por esse status quo já tivemos o remake de pré-candidaturas de reitores desde Soane Nazaré de Andrade, Renée Albagli e Joaquim Bastos. Justo protagonismo para quem ocupa um cargo com tamanha relevância. A saber quem seguirá os passos do saudoso reitor Soane Nazaré. Normalmente, todos os reitores se tornam prefeituráveis. Vale ressaltar que a fundação da Uesc é dos idos dos anos 90, pouco antes da primeira Renascer.

Um ator de bastidores que tem externado o desejo de ser protagonista é o consagrado empresário Nilton Cruz. Ele quer repetir na política o sucesso da vida empresarial. Tem como padrinhos figuras proeminentes do PT, como o líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia, o deputado Rosemberg Pinto, com quem nutre amizade pessoal e fraterna relação. A importância de Nilton se faz presente e reconhecida a ponto de o líder maior da nação se hospedar em sua residência, como fez Luiz Inácio Lula da Silva. Resta saber se o nobre empresário conseguirá transformar o prestígio e gabarito político pessoal em articulações e votos. Nos bastidores, a estreia de Nilton Cruz no cenário eleitoral sempre é cogitada.

Reivindicando ser o representante do bolsonarismo na sucessão municipal de Ilhéus, o Coronel Resende se apresentou com as mesmas pautas do ex-presidente. O militar busca captar na campanha os seus seguidores e defensores, como única opção de contraponto aos demais e aos governos estadual e federal.

Porém, ainda falta saber quem será uma personagem de relevância fundamental, quem será o candidato do protagonista atual da política ilheense, o prefeito Mário Alexandre, e se terá o apoio do ator principal do estado, governador Jerônimo Rodrigues. Mário e o governadora ainda não definiram quem eles vão ungir. Se fosse no estúdio da novela, é como se faltasse o grito de “ação” do diretor.

O poder da máquina é fundamental para que o nome ungido tenha êxito, porém não garante nada, principalmente, porque temos uma eleição bem complexa, em que o elenco precisa estar afiado, seja na sucursal local, ou na estadual. Como o ano está apenas começando, muitas cenas veremos no decorrer da novela eleitoral 2024. Eu serei um atento telespectador.

E você, que lê este humilde texto, qual será seu papel no remake eleitoral de 2024? Participe!

Posso ter omitido outros possíveis pré-candidatos, aos quais peço desculpas por não os conhecer, por enquanto. Prometo citá-los num próximo capítulo.

Jerberson Josué é ativista social.

Propaganda do BC exalta disseminação do PIX || Foto Reprodução
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Preciso me atualizar, passando pelo Artigos para Beber e o ABC da Noite, para saber se José Eduardo e o Caboclo Alencar já aderiram ao PIX.

 

 

 

 

 

 

 

Walmir Rosário

Se tem uns serviços prestados aos brasileiros que temos que tirar o chapéu são os bancários, mas somente em termos de avanço tecnológicos, que fiquem bem claro, para que eu não tenha problemas no futuro com bate-bocas inexplicáveis. Longe de mim perder tempo e gastar meus nervos com altercações que não levam a nada a não ser no desgaste físico e emocional com bobagens.

Dadas as devidas explicações, leio sempre que o Brasil – ou melhor, os bancos brasileiros – estão na vanguarda internacional quando o assunto é informática e segurança bancária na prestação de serviços aos clientes. Não poderia deixar de esclarecer, de pronto, que custam os olhos da cara – do cliente, é claro – para o gáudio dos riquíssimos banqueiros, sempre ávidos pelo nosso escasso dinheiro.

E aí, de forma desavisada, vem o Banco Central e cria o PIX, meio de transferência rápida, imediata, na mudança de t

itularidade dos nossos reais, desde que se encontrem dormitando nas contas bancárias. Melhor de tudo, de graça, sem as pesadas taxas e prazos decretados pelos bancos, sob a complacência do Banco Central, um aliado de todas as horas do sistema bancário, antes de sua autonomia.

E o PIX caiu em cheio no gosto do povo, apesar dos golpes aplicados pelos larápios cibernéticos. Uma ameaça aqui, outra acolá e o PIX seguiu seu caminho, mesmo a contragosto dos banqueiros, que não viam a hora de começar a cobrar pesadas taxas. Como o Banco Central não se amofinou, os banqueiros trataram logo de inventar serviços agregados ao PIX, oferendo dinheiro emprestado para quem não tinha a essencial provisão de fundo para a transferência.

Pela primeira vez os clientes aplicaram e encaixaram socos certeiros no queixo do sistema bancário. Se o pagador gostou do serviço, mais ainda os donos de estabelecimentos comerciais, que poderiam receber o pagamento sem destinar uma polpuda parte aos cartões, com a vantagem imediata de ter o resultado da venda creditado na sua conta bancária, ampliando o saldo bancário.

O PIX caminhou com suas próprias pernas (?) e podemos ver as plaquinhas de “aceitamos PIX” não só nos estabelecimentos comerciais, sejam qual o tamanho, mas e também nos empreendedores pelas diversas ruas e cruzamentos da cidade. Dando uma busca pela internet, consegui ver – até mesmo – pedintes exibindo suas placas de adesão ao serviço de transferência criado pelo Banco Central, com a finalidade de evitar a desculpa de “não tenho trocado”.

No mês passado, em Florianópolis, uma senhora de idade bastante avançada nos abordou no carro oferecendo uns docinhos, por três reais, cada. Agradecemos e recusamos a compra e ela não se deu por vencida: “Se não tem trocado, não tem problema, eu recebo pelo PIX”. Mas eis que chega nosso filho e partimos para outra avenida sem completarmos a relação de negócio com a empreendedora.

Não é comum eu circular por aí com dinheiro no bolso, a depender de onde vou e o que vou fazer. De acordo com minhas visitas, levo alguns trocados no bolso para o devido pagamento em dinheiro, reais em espécie. E um desses locais sempre foi o ABC da Noite, para minha satisfação e gozo das conceituadas batidas elaboradas pelo alquimista do Beco do Fuxico, Caboclo Alencar.

Como não tenho ido com frequência a Itabuna e, consequentemente, ao Beco do Fuxico, para o devido reconhecimento, preciso me atualizar, passando pelo Artigos para Beber e o ABC da Noite, para saber se José Eduardo e o Caboclo Alencar já aderiram ao PIX. Somente a título de lembrança, o Caboclo já frequentou escola de informática, em busca de conhecimentos cibernéticos. Daí para o PIX é um pulo.

Outra pesquisa que pretendia fazer – também in loco – seria na Confraria d’O Berimbau, onde o assunto ganhou destaque anos passados em relação aos cartões de crédito, isso, ainda, na administração de Neném de Argemiro e que ganhou destaque no jornal Tabu. De início, Neném não disse que sim nem que não, o que resultou numa assembleia, na qual nada ficou definida.

Com o fechamento d’O Berimbau, perdemos uma ótima fonte de pesquisa para saber da satisfação do cliente e do comerciante sobre o PIX como meio eficiente no pagamento de cachaças, cervejas e outras iguarias etílicas. Mesmo com minha pesquisa incompleta, poderei ter uma base da aceitação pelos donos de botequins, que hoje simplesmente deixaram de ouvir aquele sonoro aviso do cliente ao ir embora: “Some minha conta e tome no assento”.

Traduzindo: “Veja quanto devo e anote no caderno que pago depois, quando Deus mandar um bom tempo”. Com o PIX os cadernos de fiado vão deixando de existir e cairá por terra mais uma cultura popular. Dia desse cheguei num tradicional bar em Canavieiras e na hora de acertar a conta, o proprietário me apresentou uma folha de papel-ofício com um desenho chamado “QR code” e mandou que apontasse a câmera do celular para pagar com o competente PIX.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e autor d´Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

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Uma das coisas que mais gosto no programa é sua capacidade de otimizar recursos já existentes na máquina pública em benefício da comunidade.

 

Jerônimo Rodrigues

As férias escolares na Bahia estão ganhando um novo significado com o lançamento do projeto “Férias na Escola com mais Sabor e Saber”, uma iniciativa do Governo do Estado, realizada pela Secretaria de Educação (SEC).

Famílias, comunidades do entorno escolar, voluntários e equipes técnicas envolvidas com o propósito de enriquecer o dia a dia dos estudantes da rede pública durante esse período. Entre os dias 10 e 31 de janeiro, será oferecida a milhares de jovens uma combinação de diversão, aprendizado e descontração, além de um mergulho nas manifestações culturais tradicionais de cada região da Bahia. As atividades ocorrerão nas unidades da rede estadual de educação.

Todos os inscritos poderão fazer duas refeições diárias na escola. Para que a participação dos alunos seja ampla, garantindo inclusão e acessibilidade ao programa, serão disponibilizados também ônibus de transporte escolar. A expectativa é que mais de 120 mil estudantes de 27 Núcleos Territoriais de Educação (NTEs) sejam beneficiados com esta iniciativa. É um programa que não parte do zero. Na realidade, é uma expansão do bem-sucedido “Educa Mais Bahia”, que realiza oficinas educativas durante o ano letivo.

O “Férias na Escola com mais Sabor e Saber” oferece oficinas em cinco eixos principais: Cultura Corporal, Arte e Cultura, Saúde e Bem-Estar, Esporte e Lazer e Recomposição de Aprendizagem. Cada uma dessas áreas é projetada para não só entreter, mas também educar e inspirar. Os estudantes terão a oportunidade de participar de uma variedade de atividades, desde esportes e jogos até formas de arte como dança, teatro, artesanato e cinema, refletindo as ricas tradições culturais da Bahia.

O programa tem a intenção de ocupar o tempo ocioso dos jovens com atividades artísticas, esportivas e científicas. Esse acolhimento do estado contribui para o fortalecimento de uma cultura de paz, favorecida pelo envolvimento das famílias, da comunidade e dos mais de quatro mil voluntários participantes. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) também se integrará com atenção especial no entorno das cerca de 500 unidades escolares que farão parte do projeto.

É importante ressaltar que este modelo de projeto só é possível, hoje, devido à requalificação da estrutura física das escolas públicas baianas, na qual o governo vem fazendo um dos seus maiores investimentos. Os novos colégios são espaços muito mais atrativos para os estudantes com seus teatros, bibliotecas, laboratórios, quadras poliesportivas, campos de futebol, entre outros equipamentos.

A importância desse projeto vai além da simples oferta de atividades de férias. Representa um investimento na formação integral dos jovens, oferecendo-lhes oportunidades de aprender e crescer de maneira divertida e intensa. Ao promover a recuperação de aprendizados em áreas acadêmicas essenciais e ao mesmo tempo enfatizar o bem-estar físico e emocional, o “Férias na Escola com mais Sabor e Saber” surge como uma medida educacional inovadora e útil na vida escolar dos jovens.

Ao fazer a inscrição, os estudantes têm a liberdade de escolher as atividades que mais lhes interessam, garantindo que cada participante tenha uma experiência única e enriquecedora. A iniciativa não só mantém os jovens engajados e ativos durante as férias, mas também os conecta com sua comunidade e herança cultural de maneira profunda e duradoura.

Uma das coisas que mais gosto no programa é sua capacidade de otimizar recursos já existentes na máquina pública em benefício da comunidade.

É assim, priorizando o bem-estar das pessoas, que estamos construindo a nova Bahia do presente e também para o futuro.

Jerônimo Rodrigues é governador da Bahia e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana.

Mark Wilson recorda passagem do Velho Lobo por Itabuna, na década de 70
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Fiquei muito feliz por aquilo e, durante algum tempo, falava com meus amiguinhos que meu pai era amigo de Zagallo.

Mark Wilson Teixeira

Vi Zagallo quando eu era criança, aqui em Itabuna. Sei que foi depois da Copa de 74, da Alemanha, mas não me lembro do ano. Acho que foi em 75. Ele era técnico do Botafogo, que veio jogar em Itabuna contra o Vitória de Salvador. O Vitória ganhou por 1 x 0, gol de pênalti batido pelo baixinho Osni, grande craque da época.

No final do jogo, meu pai, que era titular de cadeiras cativas do estádio, tinha direito de acesso ao gramado do Itabunão e foi conversar com Mario Jorge Lobo Zagallo. Os dois conversando e eu, na mais pura e ingênua atitude da minha infância, de meus talvez 10 anos, peguei no braço de Zagallo, como que puxando para chamar-lhe a atenção, olhando para cima direto em seus olhos e perguntei: “seu Zagallo, seu Zagallo, o senhor é amigo de meu pai?”. Ele se virou para mim e respondeu: “sou sim”.

Fiquei muito feliz por aquilo e, durante algum tempo, falava com meus amiguinhos que meu pai era amigo de Zagallo. Jamais me esquecerei disso em minha vida.

Mark Wilson Teixeira é formado em Administração de Empresas.

Fuxicaria, do zap da Confraria do Alto Beco do Fuxico || Foto Blog Walmir Rosário
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E nesse momento os que têm simpatia ou militam nos partidos de direita, se entreolham assustados, desconversam sobre a preferência dos visitantes e exaltam as qualidades da Stella Artois, cujo paladar apreciam.

 

 

Walmir Rosário

Como prevíamos, a frequência do Beco do Fuxico vem aumentando assustadoramente. A cada sábado, novos frequentadores chegam aos magotes, deixando perplexos os participantes dos grupos assíduos do ABC da Noite e Fuxicaria. Desses, pelos que deixam a transparecer, muitos neófitos e que jamais chegarão a noviços, uns poucos alunos repetentes do Caboclo Alencar em busca de renovar suas matrículas.

Pelas fotos que recebo no grupo de WhatsApp da Confraria do Alto Beco do Fuxico, muitas das caras que me são conhecidas são totalmente alheias às obrigações de sábado num beco que aloja, há dezenas de anos, o que existe na mais fina-flor da boemia itabunense. Deixo aqui o necessário reparo que até protestantes, que detestam as bebidas alcoólicas, aparecem nas fotos, todos eles se comportando como peixe fora d’água.

Nunca conversa rápida com o oftalmologista Wandick Rosa, nossas dúvidas foram decifradas com o olhar atento de médico especializado em enxergar bem. Olho de Lince, diria o saudoso amigo Iram Marques, o famoso Cacifão, este expert nas artes do Beco do Fuxico e da política. Pois, bem, ao revermos os arquivos de fotos, algumas figurinhas carimbadas foram detectadas.

Foi a partir daí que descobrimos as datas das fotos, todas com mais frequência em anos pares e algumas incursões nos meses que finalizam os anos ímpares. Aí ficou fácil, são os políticos – pré-candidatos – e seus cabos eleitorais, atualmente renomeados pomposamente de assessores. Ao chegarem ao Beco do Fuxico a recepção não poderia ser diferente, com os cumprimentos de praxe:

– Mas rapaz, há quanto tempo, por onde tem andado? Seja bem-vindo, não faça cerimônia, pega uma cadeira e se sente –.

Diante de um convite fagueiro como esse muitos não resistem, e sem qualquer cerimônia tomam assento numa mesa, enquanto outros revelam sua condição de abstêmio, explicando que não é nada com a saúde, que se encontra boa, tinindo como disse o médico no último checape. Mas o problema é de ordem religiosa, que abomina o álcool e outros bons prazeres da vida.

Até aí, tudo bem. O problema maior reside nos assessores do pré-candidatos, aqueles que somente aparecem de dois em dois anos, nos meses em que começam as campanhas eleitorais. Os pré-candidatos ditos de esquerda são os mais exaltados e sequer olham para as marcas de cerveja que os anfitriões das mesas estão bebendo e pedem logo a bebida de suas preferências: a Heineken, aquela que ostenta uma estrela vermelha na garrafa.

E nesse momento os que têm simpatia ou militam nos partidos de direita, se entreolham assustados, desconversam sobre a preferência dos visitantes e exaltam as qualidades da Stella Artois, cujo paladar apreciam. E as discordâncias vão pululando entre os participantes daquela mesa e as que os cercam. Um amigo meu que não é afeito às brigas políticas me confidenciou que, por vezes, coloca um rótulo de um refrigerante tapando a estrela vermelha da Heineken, para evitar novos problemas, mas não deu certo.

Meu amigo e colega Pedro Carlos Nunes de Almeida (Pepê), que há décadas possui banca advocatícia no Beco do Fuxico, portanto, conhecedor de cada palmo daquele chão, me revelou apreensivo:

– Rosário, o Beco do Fuxico está se transformando numa bomba atômica prestes a explodir! Imagine na mesma mesa esquerda e direita tentando passar o Brasil a limpo? Não estou vendo com bons olhos essa aproximação, devido ao temperamento explosivo de alguns militantes, ainda mais exaltados pelas deliciosas batidas do Caboclo Alencar e as cervejas do Fuxicaria – explicou sua temeridade o amigo Pepê.

Ainda bem que José d’Almeida Senna – hoje com cadeira cativa nos pubs soteropolitanos da Pituba – raramente frequenta o Beco do Fuxico, pois poderia, a qualquer momento, tocar fogo no estopim e incendiar o Beco e botar alguns esquerdistas para correr, após seu famoso grito de guerra. Bastariam uns três gritos de “vão tomar n… c… car…”, para colocar ordem no lugar, sem maiores delongas.

Mas meu amigo Wandick Rosa, como um homem de ciência, portanto, grande observador, apesar de se mostrar receoso com os diferentes – politicamente falando – juntos, me conta um fato digno de nos manter calmos, longe de ser o Beco do Fuxico uma Faixa de Gaza. Pelo que viu, com seus próprios olhos, lá para as tantas, a direita sorvia grandes goles de Heineken, sem se importar com a estrela vermelha, enquanto a esquerda deixava de lado os defeitos da cerveja Stella Artois, a preferida dos imperialistas.

Mas lá no Beco do Fuxico é assim mesmo, alguns aparecem em dias festivos somente para gozarem dos seus 15 minutos de fama, mesmo que não pertençam à fauna local. Já as batidas elaboradas pelo alquimista Caboclo Alencar não passou por nenhum questionamento quanto à preferência. Seriam as batidas do ABC da Noite, de centro, que todos as querem bem coladinhas neles? E ainda dizem que toda a unanimidade é burra…

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e autor d´Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Rosivaldo Pinheiro deixa Seplan para assumir Secretaria de Governo
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Deixemos pulsar o amor, cair chuva em nossos desertos e fluir. Viver a vida como se não houvesse amanhã: dizer eu te amo hoje! “E no fim tudo dá certo, e se ainda não deu certo é porque não chegou ao fim”.

 

Rosivaldo Pinheiro

Mais um ano encerra o seu ciclo. Segue o rito do calendário e um novo chega para também cumprir seu roteiro. É apenas uma medida humana para estabelecer um planejamento na organização da sociedade, registro matemático que quantifica o tempo criando variáveis para facilitar a nossa vivência, tornando-a menos pesada, se assim podemos classificar.

Separar o tempo por ano traz para o nosso imaginário a ideia de constante renascimento, ressignificação e construção de possibilidades novas. Na verdade, é uma sábia invenção de buscar energias novas e eliminar as cargas das energias vencidas. É a feliz criatividade humana de “cortar o tempo em fatias…”. Diante dessa máxima, é preciso que que saibamos “compreender a marcha e seguir em frente”, separando sempre “o sabor das massas e das maçãs…”.

Deixemos pulsar o amor, cair chuva em nossos desertos e fluir. Viver a vida como se não houvesse amanhã: dizer eu te amo hoje! “E no fim tudo dá certo, e se ainda não deu certo é porque não chegou ao fim”.

É tempo de agradecer e refletir, de replanejar a rota. De ficar com a resposta das crianças… “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”.

Vamos cantar a beleza de ser um eterno aprendiz.

Seja bem-vindo, 2024!

Rosivaldo Pinheiro é comunicador, economista, especialista em Planejamento de Cidades e secretário de Governo de Itabuna.

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Foi assim que, em tempo recorde, conseguimos produzir vacinas e estancar a crise.

 

Rosivaldo Pinheiro

Mais um ano se encerra e, neste período, as frases e falas sempre trazem fraternidade, alegria e energia positiva. O ideal seria se esse clima permanecesse durante todos os dias do ano. É a máxima: se queremos um mundo melhor, primeiro, precisaremos ser melhores indivíduos.

Esse 2023 foi o ano da volta à vida normal, após as incertezas provocadas pela Covid a partir de 2020. Naquele período, vivemos dias terríveis, um enredo extremamente difícil, de muitas despedidas. Importante fazermos essa lembrança para observarmos que, passado o ponto fulcral do vírus, muita gente parece não ter lembrança do quão sofríveis foram aqueles dias, de incertezas em relação ao futuro da nossa vida em sociedade.

Umas das grandes lições que podemos tirar dessa crise de saúde é o fato de que soluções para um grande problema exigem compartilhamento de conhecimento e concentração de esforços. Foi assim que, em tempo recorde, conseguimos produzir vacinas e estancar a crise.

Essa reflexão nos desafia a melhorar a nossa relação com o meio ambiente, com o combate à fome e outras chagas humanas. Que possamos manter viva a chama da esperança na busca pela superação das mazelas humanas, bem como que a energia do pedido de Natal e Ano Novo possa se estender por todo o ano de 2024. Saúde, amor e paz!

Rosivaldo Pinheiro é comunicador, economista, especialista em Planejamento de Cidades e secretário municipal de Governo.

A Prefeitura de Canavieiras foi uma excelente anfitriã || Foto Walmir Rosário
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Seria realizada uma recepção digna das promovidas pelo Itamaraty aos chefes de Estados estrangeiros e seus representantes, sem esquecer os mínimos detalhes.

 

Walmir Rosário

O Brasil passou por grandes mudanças com a eleição de Tancredo Neves e a chegada de José Sarney à Presidência da República. E o PMDB começa a atuar para impor o ideário do partido conforme vinha prometendo por anos a fio. A proposta era transferir os recursos do Estado Brasileiro para a promoção do desenvolvimento. E as torneiras financeiras de Brasília começaram a jorrar com força total.

Eleito com uma expressiva votação, o médico ilheense Jorge Viana se mostra um deputado federal atuante e, de forma incansável, consegue transferir recursos federais para as cidades do sul da Bahia. Os parcos recursos para custeio e investimentos de antes mudaram da água para o vinho e os mais diversos setores da economia começaram a receber dinheiro para fazer a roda da economia girar.

E a ação do deputado federal peemedebista Jorge Viana de destrancar o cofre federal se transformou numa fertilização constante para e economia do agro, principalmente a cacauicultura e a dendeicultura, dentre outras. Esforços e recursos não faltariam para o soerguimento da agricultura. De início, Canavieiras e Una foram contempladas para dar o famoso pontapé na industrialização do dendê.

Na direção da Ceplac, Joaquim Cardozo não media esforços para diminuir o tamanho da instituição e promovia o emagrecimento das atividades, prometendo privilegiar apenas agricultura, transferindo as demais para outros órgãos estatais. E um forte aparato na comunicação para acompanhar as atividades políticas na economia foi implantada, no sentido de mostrar o “novo Brasil”.

E num desses sábados uma grande comitiva do Ministério da Agricultura, capitaneada pelo deputado Jorge Viana e Joaquim Cardozo se deslocam para as cidades de Una e Canavieiras para a solenidade de transferência desses recursos. Com a inflação galopante daquela época não consigo lembrar o valor exato dos recursos, só lembro que era múltiplo de 5 (50, 500,?) nem se eram milhões ou bilhões de cruzados.

Porém minha memória não esquecerá – jamais – as solenidades realizadas para repassar os recursos aos municípios contemplados. Por obra do destino, Tyrone Perrucho exercia a chefia do Núcleo de Comunicação (ex-Dicom) e seu pai Wallace Mutti Perrucho era o atual prefeito de Canavieiras, o anfitrião principal dessa grande festividade que poderia dar uma guinada na cultura do dendê.

E uma efeméride dessa magnitude não poderia passar em branco, deixar de ser realizada com todos os requintes para atender e ressaltar o trabalho dos benfeitores da economia regional, que a partir de então olhavam com bons olhos o antes desprezado sul da Bahia. Seria realizada uma recepção digna das promovidas pelo Itamaraty aos chefes de Estados estrangeiros e seus representantes, sem esquecer os mínimos detalhes.

Para prestar um serviço de primeiro mundo, o jornalista Tyrone Perrucho assessorou o prefeito Wallace Perrucho, contratando a equipe de garçons da Ceplac, comandada pelo maitre Mário, com as recomendações de que deveria ser um serviço perfeito. Outra equipe ficou responsável para decoração do Clube Social, bem ao estilo do Baile da Ilha Fiscal, o último dado pelo Imperador Pedro II, no que se refere ao luxo e ostentação.

No cardápio, somente frutos do mar (o que não era do paladar de Tyrone Perrucho), com ostras gratinadas, de moqueca e cruas, servidas ao azeite português e suco de limão; patinhas de caranguejos a milanesa, a famosíssima cabeça de robalo, que era a mais nova atração da gastronomia canavieirense; moquecas de robalos; polvos e lulas defumados, em vinagrete; mexilhões, lambretas e outras refinadas iguarias da rica costa marinha brasileira.

Não me sai da memória a carta de vinhos e os vários tipos de whisky, como Chivas Regal e Old Parr, todas acima de 12 anos, e cervejas extras. Assim que entramos no clube, uma mesa localizada em frente a saída da cozinha estava reservada para a equipe da comunicação da Ceplac. Deve ter sido escolha pessoal do nosso chefe Tyrone Perrucho, no intuito de privilegiar seus comandados, entre eles, eu.

Confesso que fiquei surpreso com tamanho requinte e sofisticação em Canavieiras, mas não economizei esforços para demonstrar minha elevada satisfação aos anfitriões, que não mediram esforços em receber os visitantes e benfeitores. E como dizem Deus escreve certo por linhas tortas, pois seu Perrucho, como chamávamos Wallace, até pouco tempo era apenas vereador, quem sabe, vice-presidente da Câmara. Ainda bem que se tornou alcaide.

E foi um golpe de sorte, como dizem: O prefeito Boinha Cavalcante não ia bem na administração e estaria ameaçado de cassação. Porém, quis o destino que ele sofresse dois acidentes: vítima de capotamento de veículo na praia e outro ao mergulhar no rio, o que lhe afetou a coluna. Como o seu vice-prefeito Holmes Humberto de Almeida (do então distrito de Santa Luzia) tinha morrido recentemente, o substituto sairia do Legislativo.

E aí Wallace Mutti Perrucho tira a sorte grande, com a desistência do presidente do Legislativo em assumir à Prefeitura, pois reconheceu que não estaria preparado para uma empreitada desta magnitude. Abdicou do cargo de presidente e, por maioria, os vereadores fizeram valer o regulamento, escolhendo e dando posse a Perrucho como presidente da Câmara e, subsequentemente, ao cargo maior do Executivo canavieirense.

Voltando à nababesca recepção, logo após, vozes descontentes da oposição tentaram desqualificar a sublime festa, sobre o pretexto de que o evento teria custado mais do que os recursos transferidos pelo Governo Federal ao município de Canavieiras. Não cheguei a fazer os cálculos, até porque a matemática não é meu forte, mas acredito mesmo que se tratava apenas de uma ação política para tentar desqualificar a qualidade da festa promovida com muito esmero por seu Perrucho.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e autor d´Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.