O bom relacionamento entre os clientes d'O Berimbau || Foto Walmir Rosário
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Como dizia o velho técnico de futebol espanhol e hoteleiro Sotero Montero: “conheço o bom jogador pelo arriar das malas”. É assim a mística do boteco.

 

 

 

Walmir Rosário 

Não há nada melhor do que acordar de bem com a vida. Numa sexta-feira, então, é essencial. E afirmo isso por experiência própria. Tenho me dado muito bem com esse costume. A sexta-feira, apesar de ser malvista por alguns, é o dia “ponto de corte” para iniciar um final de semana relaxando, recompondo as energias para enfrentar o batente na semana seguinte.

E é justamente às sextas-feiras que todos os órgãos do corpo humano pedem uma mudança de comportamento, o que é prenúncio de bem-estar. A depender da atividade exercida, a partir do meio-dia, o cidadão já pode desfrutar tranquilamente dos prazeres do fim de semana. Um almoço com amigos é ótimo antídoto para expulsar o mal-estar e o estresse acumulado na semana.

Mas é preciso ter em mente que nem todos os locais são apropriados para o relaxamento das tensões. Também não é preciso recorrer à harmonização de ambientes com decorações milenares, o que não vem ao caso. Deve ser tudo muito simples, bastando apenas os bons fluidos emanados pelos amigos que lhe rodeiam. O chamado bom astral é tiro e queda. Soluciona todos os problemas.

E nada melhor do que um boteco onde o bate-papo corra solto, livre entre seus parceiros de mesa e os vizinhos de outras mesas. É o sinal de que você está num lugar seguro e rodeado de pessoas bem chegadas. Para completar, faça uma pesquisa anterior e se certifique se o dono do estabelecimento é um verdadeiro personal boteco. Sim, eles existem e são figuras humanas afáveis, capazes de compreender o prazer que você busca, mesmo sendo desconhecido. Basta um olhar aprofundado, penetra no seu mundo interior e pode atender seus desejos. Como dizia o velho técnico de futebol espanhol e hoteleiro Sotero Montero: “conheço o bom jogador pelo arriar das malas”. É assim a mística do boteco.

Mas não se incomode ou leve a sério se o dono do boteco for do tipo que se vende como um personagem grosseiro. É que ele quer ser o centro das atenções em sua casa. São nesses locais onde a variedade e qualidade das cachaças são top, as cervejas se apresentam no ponto certo de refrigeração, os tira-gostos são divinos, os clientes fidelíssimos.

Nada melhor do que chegar num determinado ambiente etílico e encontrar as mesas lotadas (o que é um bom sinal) e o seu personal boteco ir buscar outra nos fundos do bar e colocar à disposição de seu cliente. Caso não existam mesas reservas, não tem problema, você será bem acomodado numa mesa já ocupada por colegas do boteco.

Para chegar a um status de alto nível, ser bem chegado, basta ter um comportamento adequado, ser gentil, ter boa conversa e ser bem informado sobre os temas em debate no local. Futebol, economia, política e notícias sociais diversas. Discuta com ênfase, sempre de acordo com padrões aceitáveis de educação e cortesia.

Como nesses locais – geralmente – antiguidade é posto, você poderá ocupar um local nos dois lados do balcão, para o desgosto do personal boteco, que aceitará sua localização inoportuna a contragosto. Essa postura, entretanto, não deverá ser adequada aos clientes novatos, ainda na fase de análise, para não ser rebaixado a uma categoria inferior, a dos chatos e folgados.

Lembro bem que no Bar do Itiel, no Alto Beco do Fuxico, para se tornar um cliente premium, em sua primeira frequência deveria ser apresentado por outro de patente superior, ou sequer cruzaria os umbrais daquela porta. Após a fase de observação, poderia desfrutar das honras e ser visto como um deles em qualquer situação.

Um bom cliente de boteco não deve ter receio de chegar com um violão em baixo do braço, desde que toque com maestria e não atrapalhe as conversas entre os colegas. Tenha um bom repertório, a exemplo de Caroba e Pinguim, e entre na gandaia com bons modos. Um bom frequentador de boteco é conhecido desde sua chegada, com efusivos cumprimentos.

Seja sempre um gentleman, afinal, você frequenta o seu segundo lar e terá mais liberdade do que na sua casa. É uma questão de estilo.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Comemoração de gol do Botafogo contra o Peñarol || Foto Vitor Silva/Botafogo
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Como não conhecer o poderio futebolístico do Botafogo? Ora, deveriam ter dado graças a Deus por não ter tomado uma goleada de nove, dez a zero, daquelas que o Botafogo aplicava contra o Flamengo. O pecado cometido pelos cisplatinos foi querer comparar o Botafogo com o Flamengo que eles despacharam.

 

Walmir Rosário

O futebol é um esporte que sempre mexeu com emoções. Da equipe de um simples time de várzea ao do selecionado de um país, torcedores dão a vida – se preciso – pela sua agremiação. Mesmo hoje, que o futebol é um esporte que mexe com bilhões, as torcidas seguem seus times, apesar dos ingressos com preços estratosféricos e a falta do amor à camisa, como dantes.

De há muito o futebol é um esporte apaixonante em praticamente todos os países deste mundo e, quem sabe, dia desses consegue ultrapassar o futebol americano, beisebol e o basquete, nos Estados Unidos, e o críquete, nos países de descendência e influência inglesa. Mesmo sendo um dos apaixonados pelo futebol, não sei a influência dele sobre nosso emocional.

Também pouco importa. O que quero mesmo é ver meu time ganhar, ser campeão. Sinto bastante quando minguam as vitórias, escapam as classificações, ficamos de fora da final de um campeonato. E vou avisando: não tolero ser vice, apesar de muitos elogiarem a segunda posição. E ainda por cima afirmarem que é o melhor depois do primeiro. Não concordo.

Pelo dito até agora, os que passaram os olhos por essas mal traçadas linhas já devem ter desconfiado que sou torcedor do Botafogo. Botafoguense com muito orgulho, persistente até não acabar mais. Não posso deixar de lado o bordão “tem coisas que só acontecem com Botafogo”, pois é verdade aqui e no Uruguai, mesmo sem termos culpa no cartório.

Imaginem o Brasil declarar guerra ao nosso vizinho do Sul, que já foi nosso, e sempre se rebela contra nós. Pelo tamanho do seu território não suportaria um confronto armado, mas que sempre provoca. Pelas minhas especulações, esses uruguaios acreditam que como ganharam de nós em 1950, ainda num Maracanã cheirando a tinta, teriam a obrigação de nos massacrar até hoje.

Tenho certeza que a culpa de tudo isso é do nosso ordeiro povo brasileiro, que não os repeliu com veemência naquela copa do mundo. Em 1950, os uruguaios venceram apenas uma copa, não uma guerra, mas queriam o “botim”, como nos bons tempos da Roma antiga, fazendo dos vencidos escravos, serviçais. Se estou certo nas minhas convicções estudaram a história de forma errada.

Gosto muito do Uruguai, dos seus vinhos, carnes maravilhosas preparadas nos braseiros, das cidades tranquilas, incluindo Montevidéu. Mas não gostei nada da guerra particular que tentaram empreender contra o Botafogo. Costumo ouvir dizer que os cisplatinos têm sangue quente, não toleram perder, ainda mais no futebol. E por 5X0, então, queimou o churrasco na Libertadores da América.

Não tenho certeza, mas ao que me parece, esses uruguaios são desinformados. Como não conhecer o poderio futebolístico do Botafogo? Ora, deveriam ter dado graças a Deus por não ter tomado uma goleada de nove, dez a zero, daquelas que o Botafogo aplicava contra o Flamengo. O pecado cometido pelos cisplatinos foi querer comparar o Botafogo com o Flamengo que eles despacharam.

Mas nada do que fizeram se justifica. Um papelão horrendo! Sabiam que não seriam punidos por ameaçar os brasileiros – torcedores do Botafogo – que como turistas costumam encher o Uruguai de dólares todos os anos. Confiavam no ombro amigo da Conmebol, onde choraram suas pitangas e ganharam amparo e afagos.

Como botafoguense não sou torcedor de reclamar de pouca coisa. Tenho o couro cascudo desde a velha rivalidade entre as seleções de Ilhéus e Itabuna, ainda nos tempos em que reclamávamos dos paus e pedras jogados contra nós quando passávamos em baixo do viaduto Catalão ou no estádio. Também íamos à busca da forra, dentro e fora de campo.

Não posso esquecer que no futebol também se faz amigos, e muitos. Um caso clássico é o que aconteceu na África, em 1969, quando o Congo e a República Democrática do Congo silenciaram as armas durante uma guerra, para que o Santos de Pelé pudesse cruzar o país para jogar nos dois lados da fronteira. E não foi só isso.

No mesmo ano, durante a guerra entre a Nigéria e a separatista Biafra, o Santos jogou em Benin. Para que isto acontecesse, os dois antagonistas decretaram feriado, bem como o cessar fogo, para que o Santos de Pelé se apresentasse. Acredito que os uruguaios faltaram essa aula de história das guerras africanas e deixaram o professor na sala falando sozinho.

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A Lagoa Encantada, em Ilhéus || Foto Bahia Terra
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Preparada para consolidar sua liderança no turismo brasileiro, a Bahia segue avançando com novos investimentos em infraestrutura e qualificação de mão e obra.

 

André Curvello

A Bahia segue em ritmo acelerado e consolida sua posição como um dos principais destinos turísticos do Brasil projetando-se no cenário global. Apostando em uma variedade de paisagens e expressões culturais, o estado vem implementando estratégias que atraem visitantes e movimentam a economia.

O governador Jerônimo Rodrigues cumpre seus compromissos de campanha. Os investimentos se concentram na expansão da malha aérea, na modernização de aeroportos e em incentivos fiscais, reafirmando o turismo como um motor de progresso econômico e social.

Entre os destaques desse movimento está a inauguração do voo direto Paris-Salvador-Paris, operado pela Air France, em 28 de outubro. A nova rota, operada com moderníssima aeronave, oferece três frequências semanais e transforma Salvador em um ponto de convergência para conexões globais, ligando o Brasil a mais de 180 destinos na Europa, Ásia e África. Esta conexão internacional é um convite para que turistas do mundo todo vivenciem as experiências únicas da Bahia, que combinam paisagens exuberantes e manifestações culturais singulares.

No âmbito doméstico, a partir de 2025, a malha aérea regional será reforçada com novos voos da Azul para cidades como Lençóis, Guanambi e Barreiras. Essa ampliação integra o projeto Conheça o Brasil Voando, realizado em parceria com o Ministério do Turismo, cujo objetivo é descentralizar o turismo e conectar regiões menos exploradas ao fluxo nacional, fomentando o desenvolvimento do interior.

A Bahia oferece 13 zonas turísticas com atrações que vão além das praias e do patrimônio histórico. A promoção desse mosaico turístico em feiras internacionais e roadshows pela Europa vem ampliando a visibilidade do estado e fortalecendo parcerias e novas rotas.

Esses esforços já trazem resultados expressivos. De janeiro a setembro de 2024, o número de turistas internacionais cresceu 58,5%, em contraste com a média nacional de 12%. No total, 94.703 turistas estrangeiros desembarcaram na Bahia nesse período, 33 mil a mais que o Ceará, o segundo colocado no Nordeste. A ampliação de voos internacionais, como os de Buenos Aires, Montevidéu, Lisboa e Paris, além da nova temporada de voos fretados de Varsóvia, reforça o protagonismo da Bahia no turismo internacional.

Infraestrutura é outro pilar essencial dessa estratégia. Com investimentos de R$ 418,8 milhões, o estado moderniza aeroportos e aeródromos em diversas cidades, assegurando operações eficientes e seguras. O governo também investe na participação em eventos importantes como o Salão do Chocolate, que acontece até o início de novembro, em Paris, com potencial de atrair visitantes de várias partes do mundo, além de facilitar a realização de um grande número de negócios, valorizando a produção de chocolate artesanal do sul da Bahia. E ainda teremos, agora no fim de outubro, o início da temporada de cruzeiros marítimos, que trará milhares de turistas de outros estados e países.

Mais do que crescimento econômico, o turismo é uma ferramenta eficaz na promoção da inclusão social e na redução de desigualdades. Essa dinâmica promove uma redistribuição de renda que beneficia tanto os centros urbanos quanto o interior, criando novas perspectivas para a juventude e consolidando o turismo como um eixo estruturante do desenvolvimento regional.

Os números refletem o sucesso dessa abordagem integrada. Entre abril e junho de 2024, a arrecadação de ICMS no setor alcançou R$ 1,2 bilhão, um aumento de 23,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Sem falar no significativo crescimento na geração de emprego e renda.

A Bahia não é apenas um destino, mas uma experiência para todas as estações do ano. Das praias paradisíacas às trilhas ecológicas da Chapada, passando pelo Rio São Francisco, pela culinária admirada internacionalmente e pelas tradições religiosas vibrantes, cada canto do estado oferece um convite irresistível ao viajante. Preparada para consolidar sua liderança no turismo brasileiro, a Bahia segue avançando com novos investimentos em infraestrutura e qualificação de mão e obra. Vem muito mais por aí.

André Curvello é secretário de Comunicação Social do Estado da Bahia.

O bancário aposentado Tolé faleceu ontem (27)
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Quem lê essas linhas não tem a ideia do Tolé pai de família extremado, amigos à mancheia e que deixa saudades.

 

Walmir Rosário 

Domingo (27-10) em Canavieiras, dia de pleno sol, próprio para a praia, a cerveja com os amigos, as partidas de futebol, e o mais importante: as discussões entre os torcedores. Meu velho amigo Antônio Amorim Tolentino, Tolé, para todos, não participou de nada disso, preferiu viajar e tomou o caminho sem avisar a ninguém, nem aos amigos mais chegados e familiares. Simplesmente partiu.

Eu fui surpreendido pelo amigo em comum Luiz Sena, que aos prantos me pedia para confirmar ser verdade o passamento de Tolé. Eu ainda nem sabia deste triste acontecimento. Tolé era uma espécie de tutor de Sena, que chegou ainda rapazinho no Banco do Brasil em Canavieiras.

Pelo visto, deve ter sido interpelado por São Pedro, ao bater à porta do Céu, para prestar contas de sua passagem por esse mundo. E foi preparado, vestindo uma vistosa camisa do Flamengo, seu time de coração. Desconheço se São Pedro gosta de futebol, mas Tolé deve ter dito que empreendeu a viagem para assistir de cima a disputa da Copa Brasil, com uma visão privilegiada.

Por certo, após os santos questionamentos, saberá convencer o chaveiro do Céu. Apesar de não ser um católico praticante e se considerar amigo chegado de São Boaventura, pois morava ao lado da Igreja, sabia como ninguém o que se passava no templo, sem precisar subir os degraus da matriz. Ouvia tudo pelo rádio ou por meio dos amigos.

Em sua defesa deve constar nos livros de São Pedro suas ações pró São Boaventura, desde as discussões sobre o verdadeiro dia da homenagem ao Santo-Doutor da Igreja Católica, passando pelas comemorações profanas. Deve estar lá anotado, quando em plena pandemia, Matriz fechada, ele se encarregou, junto aos vizinhos, de promover a lavagem das escadarias, portando baldes com água, vassouras e água de cheiro.

Tolé era (acredito que ainda é) uma daquelas figuras que nunca se esquece. Quando ainda fazia parte da alta boemia canavieirense, se tornou um colega de farra imprescindível em qualquer festejo. Um dos fundadores da Confraria d’O Berimbau, lavrava as atas semanais e ainda se atinha ao caixa nos devaneios de Neném de Argemiro, para não permitir que, por pressa ou esquecimento, alguém saísse sem proceder ao devido pagamento.

Membro da Galeota Ouro, Tolé era figura de proa na organização do maior evento turístico etílico e gastronômico de Canavieiras. Uma esculhambação devidamente organizada. Acredito que lá em cima já deve ter se reunido com os amigos Tyrone Perrucho, Neném de Argemiro e muitos outros que partiram antes dele. Acredito que já planejam coisas do tipo lá em cima, se é que permitido.

Mas o zeloso funcionário da Caixa Econômica Federal amava sua Canavieiras, tanto assim que trocou de emprego, ingressando no Banco do Brasil, para voltar à sua terra. Bancário conceituado, também foi secretário municipal em Camacan e Canavieiras, esta por diversas vezes. Em todo esse tempo sempre foi visto como uma reserva moral (como todos deveriam ser) no serviço público.

Tolé também era dono de uma “pena” afiada. Foi um dos fundadores do jornal Tabu, ao lado de Tyrone Perrucho, Durval França Filho, Almir Nonato, Raymundo José dos Santos e Lindinberg Hermes. Sabia escrever um texto “apimentado”, porém devidamente terno e educado. Era pródigo em panfletos eleitorais, elaborados com o fino humor e sarcasmo.

Mas, com o tempo, Tolé mudou, para o desespero dos seus colegas. De uma hora pra outra passou a autointitular-se abstêmio. Mas não seria um abstêmio qualquer, moderado, e declarou guerra às bebidas alcoólicas. Essa sua decisão causou um terremoto entre os amigos que passaram a considerá-lo um vira-casaca, traidor da causa boêmia. Não arredou o pé e manteve sua decisão pra sempre.

Mas, neste sábado (26), conversávamos – Raimundo Tedesco, Alberto Fiscal e eu – sobre as peripécias de Tolé, a exemplo da viagem que fez com Tyrone a Salvador sob o pretexto de comprar um carro. Arrebanharam mais dois colegas e partiram para a capital. Carro pronto, partiram numa viagem que levou quase 15 dias no percurso de volta até Canavieiras.

De outra feita, Tolé se organizou com os colegas do Banco do Brasil para participarem da inauguração do Estádio Luiz Viana Filho (hoje Fernando Gomes), em Itabuna. Na caravana, o dito cujo, Raimundo Tedesco, Fred e Jovaldo. Ao raiar do dia embarcaram e fizeram a primeira parada em Panelinha, para o café da manhã, melhor seria cerveja da manhã.

E eles tocam o “barco” até Buerarema, a segunda parada, sendo recebidos pelo colega do BB, Jolison Rosário. No início da tarde saem para Itabuna, que seria o destino. Mas o colega Jovaldo, pernambucano do agreste, queria conhecer Ilhéus, resolveram partir para dar uma voltinha na vizinha cidade e retornarem para o jogo.

Deram uma volta pela cidade até descobrirem um bar do jeito deles e por lá ficaram até o cair da noite. Resultado, o turismo esportivo ficou pra nova oportunidade, e Tolé somente foi conhecer o estádio de Itabuna 12 anos depois. Quem lê essas linhas não tem a ideia do Tolé pai de família extremado, amigos à mancheia e que deixa saudades.

Pelo que eu soube – confidencialmente –, assim que chegou, bateu à porta do Céu, prontamente aberta por São Pedro, que fez mesuras ao convidá-lo:

– Entra, Tolé, seus amigos já estão lhe esperando!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

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Suas propagandas faziam parte das conversas e seus bordões faziam parte do nosso dia a dia. E era mais que um publicitário, era um popstar. No modo de se vestir, no modo de falar e até no modo de viver.

 

 

Afonso Dantas

Para nós, era uma espécie de guru, praticamente um mago, ou uma espécie de deus. Um deus da criatividade. Um deus da propaganda. Assim era Washington Olivetto para quem é de publicidade, a profissão que eu abracei, e que já foi a mais glamourizada das profissões pelos jovens, inclusive com sua concorrência no vestibular, sendo mais requisitada que a da tradicional medicina.

Eu tive o prazer de encontrá-lo e conversar com ele, em um festival de publicidade no Rio de Janeiro, o Wave Festival, no ano de 2008, em um dos locais mais icônicos do Rio, o Copacabana Palace.

Chegamos para o inesquecível café da manhã na charmosa varanda do Copa, com vista para a praia e para a bela paisagem do Rio, antes do evento, e fui fazer meu prato, maravilhado com as delícias que o buffet exibia, quando minha esposa, Tiana, sentou-se a uma grande mesa e alguns minutos depois, um senhor elegante, sentou-se, perguntando se tinha alguém ali. Ela disse que ele poderia sentar e ela o reconheceu, mas conversou amigavelmente, sem tietagem. Eu cheguei alguns minutos depois e, com uma mistura de surpresa e admiração pela presença do ídolo da propaganda, fui cumprimentá-lo, sentei à mesa e começamos a conversar sobre um assunto que não poderia ser outro em um festival de propaganda: Futebol.

Pois é. Não sei se por que, mas ao invés de perguntar alguma coisa sobre propaganda ao mestre, perguntei: – E aí, e esse seu Corinthians, hem? E ele desandou a falar do seu Timão e eu também a falar do meu, o Bahia (BBMP!), onde ele me passou várias ideias, do potencial que o Bahia teria se fizesse algumas coisas que valorizassem sua origem e sobretudo sua torcida. E papo vai, papo vem, acabei nem pedindo foto ou coisa parecida para não o incomodar. Terminado o café, fomos todos para a palestra de nada mais, nada menos do que do próprio. Uma palestra, para variar, muito bacana e inspiradora.

Olivetto era genial. Descrever sua obra era descrever a história contemporânea do Brasil, nas décadas de 70, 80, 90 e começo dos anos 2000. Suas propagandas faziam parte das conversas e seus bordões faziam parte do nosso dia a dia. E era mais que um publicitário, era um popstar. No modo de se vestir, no modo de falar e até no modo de viver. Uma vida de causar inveja e desejo de pertencer àquele mundo. E isso, em todo o mundo.

E, para mostrar seu reconhecimento mundial, os únicos dois comerciais brasileiros que foram incluídos na lista dos 100 maiores do mundo foram o Primeiro Sutiã e Hitler, todos os dois disponíveis na internet, junto com vários outros fantásticos e inesquecíveis, como os estrelados pelo talentoso Carlos Moreno, o “Garoto Bombril”. Além disso, Olivetto entrou para o Hall da Fama da publicidade mundial, único brasileiro a conseguir essa façanha, sem contar com a conquista de mais de 50 leões em Cannes, o maior prêmio de propaganda do mundo, dentre tantas outras conquistas..

Agora, com a sua perda, parece até que perdemos um parente, como também senti na perda do grande Duda Mendonça, pois cada trabalho em propaganda que fazia, cada movimento da W/Brasil era acompanhado com afinco, principalmente em um tempo em que a propaganda era mais recheada de ideias do que de métricas (Cadê a criatividade?).

Perdemos um gênio. Perdemos um artista, um artesão da comunicação, que com seu talento moldou a propaganda e também alguns costumes do brasileiro. Quase que enveredou para a indústria musical, mas mesmo assim acabou influenciando muito a cena musical brasileira. (- Alô, alô, W/Brasil!). Foi- se o gênio, mas fica o legado e o exemplo a ser seguido. E nossa gratidão por compartilhar conosco sua criatividade. Que surjam outros Olivettos para revolucionar o mundo com suas ideias. Viva a criatividade! Viva Washington Olivetto!

Afonso Dantas é publicitário, sócio e diretor de criação da Camará Comunicação Total, CEO da Lá ele! Camisas e Coisas, Especialista em Gestão Cultural, torcedor do Bahia e pai de Maria.

Casa do fundador de Itabuna, no centro da cidade, é demolida na surdina || Reprodução
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Sociedade civil itabunense organizada, representantes dos poderes executivo, legislativo e judiciário, todos calados, todos coniventes com a demolição da casa do fundador de Itabuna, um dos poucos prédios históricos da cidade, até então, sobreviventes. Mais uma vez a estratégia foi a de demolição na surdina. 

 

Janete Ruiz de Macêdo

A cidade de Itabuna, mais uma vez, foi obrigada a se confrontar com perdas irreparáveis. Perdas que levam à melancolia e ao enfraquecimento da memória, do sentimento de si, da sua identidade. Alguém se importa? Após os acontecimentos deste 19 de outubro de 2024, a demolição do sobrado do comendador José Firmino Alves, construído no final do século XIX, local onde foi pensado e gestado o processo emancipatório da cidade, centro social e político da vila da Tabocas e da cidade de Itabuna, a impressão que fica é de que não. Lá se processaram duros debates para escolha do primeiro Intendente, planos para prover a novel cidade dos aparatos urbanísticos e culturais necessários.

De onde veio mesmo essa cidade? Que imagem queremos construir? Estamos dispostos a apagar a imagem que a cidade adquiriu ao longo da sua trajetória, a imagem que lhe foi construída e que tem sido apresentada aos outros e a si própria?

A ideia de uma identidade cultural coletiva pautada em referentes materiais parece ser uma impossibilidade para os governantes municipais. Da mesma forma, é impossível encontrar quem se identifique com a ideia de patrimônio cultural. Nietzsche, em sua obra Para além do bem e do mal: prelúdio a uma filosofia do futuro, afirma que os seres humanos precisam ter futuro, “estabelecer-se como garantia de si mesmo como futuro”, por isso desenvolveram uma vontade ativa de guardar impressões, apreender o acontecimento necessário, antecipar-se ao possível no tempo com segurança. Para tanto, foi preciso, pois, criar a responsabilidade. E esta seria algo vazio se a promessa de ontem caísse no esquecimento.

Dentro dessa perspectiva, onde está a nossa responsabilidade? Sociedade civil itabunense organizada, representantes dos poderes executivo, legislativo e judiciário, todos calados, todos coniventes com a demolição da casa do fundador de Itabuna, um dos poucos prédios históricos da cidade, até então, sobreviventes. Mais uma vez a estratégia foi a de demolição na surdina. Diante do seu susto e indignação, alguém escreveu ao memorialista Moacyr Garcia: “calma, foi a família que vendeu e não foi tombada a pedido dela própria”. Assim foi também com o Castelinho, casa de Aurea Alves Brandão Freire, localizada no canto norte da praça Olinto Leone, construída entre os anos de 1919 a 1924 e demolida em 1989. Deixo aqui registrado fragmentos do texto de Helena Borborema Era uma Vez um Castelo:

“Era uma vez… muito tempo atrás, bem no início da década de vinte, um rico senhor de terras e cacauais[…] desejou dar a uma de suas filhas noivas, como presente de casamento, uma bela mansão. Mas, como realizar o seu sonho numa terra onde tudo faltava, onde as coisas belas do espírito nem eram cogitadas… Queria uma bonita vivenda, algo que embelezasse a sua cidade… era aquela construção o testemunho de uma época endinheirada, monumento de amor à terra que tanto prodigalizou as benesses aos que a ela se dedicaram, nela fizeram fortuna e souberam retribuir a sua dadivosidade. Era ele o símbolo, a expressão da crença de um homem, Firmino Alves, no futuro de uma cidade. E num triste dia, silenciosamente, na calada da noite, impiedosamente, sem protestos, sem o menor respeito […] sem nenhuma causa justificável, o Castelinho foi jogado abaixo, como se com ele jogassem no lixo as relíquias do passado de um povo, de uma cidade”.

Renegamos esse passado? Que memória queremos construir? Para que conservar o que nada significava de amor para elas?

A memória de pedra e cal da cidade é praticamente inexiste: já não existe o teatrinho ABC, o prédio de Martinho Luiz Conceição, o casarão de Tertuliano Guedes de Pinho, a casa pertencente a Carlos Maron e o mesmo destino, em breve, terá a Cadeia Pública Municipal de Itabuna, o Museu Casa Verde e o pouco que resta do sobrado do médico Moisés Hage. Se quisermos ir um pouco adiante, por que não falar da deformação do prédio da Maçonaria Areópago Itabunense e o da Associação Comercial de Itabuna?

É certo que a memória coletiva itabunense não é um baú de tesouros depositados democraticamente, ao longo do tempo por razões afetivas, por todos os cidadãos da cidade. Sabemos que é uma memória exercitada por poucos, uma memória pouco ensinada, e a derrubada da casa de Firmino Alves, atesta, mais uma vez, a falta de efetividade da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), e do Conselho Municipal de Cultura, órgãos que deveriam ser guardiões do nosso patrimônio histórico e cultural.

Parece só restar, então, a escriturística da saudade, buscando soluções na memória para oferecer uma sensação de identidade sólida apesar dos efeitos do tempo, pois por meio dela, como afirma Joel Candau em sua obra Memória e Identidade, “o que passou não está definitivamente inacessível, pois é possível fazê-lo reviver graças à lembrança. Juntando os pedaços do que foi numa nova imagem que poderá talvez ajudá-lo a encarar sua vida presente”. É isso que alguns memorialistas itabunenses têm realizado incessantemente, buscando soluções na memória para manter viva a história da cidade como um legado para o tempo presente.

A escriturística da saudade busca impedir que no fluxo temporal o esquecimento engula as memórias e a história de um povo e de um lugar, mas para uma memória forte e uma consciência viva sobre seu passado, é necessário a preservação de referentes materiais que lhe deem suporte. Para tanto, se faz necessário o exercício da Responsabilidade que tem faltado de forma profunda a grande parte dos agentes sociais que, direta ou indiretamente, labutam no campo da história e daqueles que ocupam cargos estratégicos no campo da política e da cultura.

Janete Ruiz de Macêdo é professora, doutora em História, fundadora do Centro de Documentação e Memória (Cedoc) da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e curadora do Centro Cultural Teosópolis.

Reprodução: MundoEducação
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O então presidente da República, Venceslau Brás, depois de várias tentativas para a cura de uma doença na perna, decidiu mandar chamá-la. Foi curado. Neste período o samba era proibido por lei e perseguido pela polícia. Ela pediu ao presidente pra sua casa não mais ser importunada. Foi atendida.

 

Marival Guedes

A polêmica acontece nas rodas de conversa, veículos de comunicação e nas artes. Na década 50 a composição A voz do morro ecoava pelo Brasil no filme Rio 40 graus, dirigido por Nelson Pereira dos Santos com interpretação do próprio autor, Zé Keti. Os versos comemoravam: “Eu sou o samba/sou natural aqui do Rio de Janeiro/Sou eu que levo a alegria/Para milhões de corações brasileiros.

Na literatura, o autor de Desde que o samba é samba, o carioca Paulo Lins (também autor de Cidade de Deus) afirmou em entrevista à revista Veja em 2012 que o Samba nasceu no Rio. E acrescentou: “Quem fala que nasceu na Bahia não tem conhecimento da história. ”

Já o escritor e jornalista cearense Lira Neto, autor da famosa trilogia biográfica Getúlio, depois de cinco anos de intensa pesquisa, lançou o livro O Samba – Suas origens, primeiro volume de uma trilogia.

Ele afirma que “o samba carioca nasceu no início do século XX a partir da gradativa adaptação do samba rural do Recôncavo baiano ao ambiente urbano da então capital federal. Descendente das batidas afro-brasileiras, mas igualmente devedor da polca dançante, o gênero encontrou terreno fértil nos festejos do Carnaval de rua”.

TIA CIATA

Dentre as pessoas do Recôncavo que levaram o ritmo ao Rio, se destaca Hilária Batista, a Tia Ciata, que morreu há exatamente um século, aos 70 anos. Ela recebia em sua casa, Terreiro de Candomblé, dentre outros (as) a chamada santíssima trindade do samba, composta por Donga, Pixinguinha e João da Baiana. A região no centro do Rio passou a ser chamada de pequena África.

Era conhecedora das ervas medicinais. O então presidente da República, Venceslau Brás, depois de várias tentativas para a cura de uma doença na perna, decidiu mandar chamá-la. Foi curado. Neste período o samba era proibido por lei e perseguido pela polícia. Ela pediu ao presidente pra sua casa não mais ser importunada. Foi atendida.

Voltando à área musical cito versos de Vinicius em Samba da Bênção: “Porque o samba nasceu lá na Bahia/E se hoje ele é branco na poesia/Se hoje ele é branco na poesia/Ele é negro demais no coração”

O baiano Caymmi criou O Samba da minha terra. E os santamarenses Jorge Portugal e Roberto Mendes compuseram O samba antes do samba:

“O Samba já existia antes do samba/Lá no Recôncavo onde tudo começou/Passaram-se muito anos em muitas rodas de bamba/Só bem depois o telefone tocou”.

O último verso é referência ao samba Pelo Telefone, oficialmente o primeiro a ser gravado.

Sobre este gênero musical, encerro com uma frase do jornalista Chico Pinheiro, que também afirma que o samba nasceu no Recôncavo: “ Me apaixonei pelo samba porque é a crônica da vida de um povo”.

Marival Guedes é jornalista.

Orlando Cardoso, de azul e na foto com Jorge Braga e Silmara Souza, foi dirigido por Lourival Ferreira
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De volta a Itabuna, Lourival Ferreira soube por ouvintes a falha humorística e pegou o rolo da fita do programa para ouvir a gravação. Para não deixar de graça, deu um esporro em cada um.

 

Walmir Rosário

Lourival de Jesus Ferreira era um técnico em eletricidade e eletrônica que montou as três emissoras de rádio AM de Itabuna – Clube, Difusora e Jornal, nas décadas de 1950 e 60. Também foi redator, apresentador de programas e diretor de emissoras, um faz tudo conceituado e suas criações e produções eram respeitadas. Todas campeãs de audiência.

Apesar de pessoa de bom trato, educado, Lourival era muito exigente e cobrava qualidade dos colegas que dirigia. Na Rádio Difusora Sul da Bahia, do empresário e deputado estadual Paulo Nunes, tinha o aval dos filhos do parlamentar, sobretudo Paulo Nunes Filho e Hercílio Nunes, este o administrador da emissora.

Lourival Ferreira era o “homem de sete instrumentos” e suas recomendações deveriam ser cumpridas à risca, sob pena de um olhar mais duro, reclamação, suspensão e até demissão. Com o passar do tempo, Lourival estudou direito, advogou em Itabuna, prestou concurso para a magistratura, foi juiz em Una, Itabuna, Salvador e chegou ao cargo de desembargador.

Assim que foi trabalhar no setor esportivo na Rádio Difusora, o “olhar clínico” de Lourival Ferreira identificou outras qualidades no narrador Orlando Cardoso, como apresentador de programas e noticiarista. De início, passou a trabalhar em parceria com Romilton (Teles dos) Santos, já “cascudo” no microfone e que encarnava o personagem “Martelo”, no programa Martelo e Martelinho (Eurípedes).

Como Orlando Cardoso já tinha ganhado a confiança, numa de suas muitas viagens, Lourival Ferreira indica Orlando para substituí-lo na apresentação da Resenha Esportiva que ia ao ar das 18h45min às 19 horas. Na produção o sisudo Raimundo Galvão, e na apresentação Romilton Santos e Orlando. Antes da viagem, as recomendações de praxe: “Era um programa em que as brincadeiras não eram toleradas, daí a escolha”.

E a Resenha Esportiva continuou no padrão de antes, até que um dia, ao noticiar sobre o novo material esportivo do Itabuna amador (ainda o amarelo e preto), Orlando abre o microfone e diz: O Itabuna acabou de receber o seu novo material esportivo, vindo de Santa Catarina. E Romilton complementa: O material do Itabuna consta de maiôs, camisas e chuteiras.

Diante da falha de Romilton, que trocou a palavra meiões por maiôs, Orlando Cardoso não se contém, cai na gargalhada e não consegue se recompor. Aí Romilton empurra Orlando da cadeira e toma a frente, tentando consertar: Aliás, quer dizer, meiões, camisas e chuteiras. Em seguida pede um comercial e lembra o que Lourival Ferreira teria recomendado: “Nada de brincadeiras”. Recompostos, os dois disseram que imaginaram os pesados atletas do Itabuna com as genitálias dentro de um maiô.

De volta a Itabuna, Lourival Ferreira soube por ouvintes a falha humorística e pegou o rolo da fita do programa para ouvir a gravação. Para não deixar de graça, deu um esporro em cada um. Depois caíram na gargalhada. Tapinhas nas costas de Romilton e Orlando, o que seria a recomendação de continuarem, porém sempre observando os textos com atenção.

Outro grande locutor e apresentador da Rádio Difusora foi Germano da Silva. Crooner do Lord Ritmos (se não me engano o nome) e que culminou no Lordão anos depois, Germano foi locutor comercial e apresentador de programas e shows de auditório e praças. Dono de um vozeirão impecável, o locutor gostava sempre de falar palavras difíceis e com sotaque carioca.

Numa manhã, enquanto Germano faz a locução de um texto comercial, ressalta a palavra gratuito por “gratuíto”, em alto e bom som, caprichando na separação do ditongo “ui”, pronunciando “gra-tu-í-to”. E isso justamente quando Lourival Ferreira ia chegando à sala da técnica de som. Pela cara que fez, deu a impressão que tinham estourados os tímpanos do diretor.

Imediatamente, chamou Germano da Silva em sua sala e impôs como castigo ao apresentador Germano da Silva a compra imediata de um caderno de 100 folhas e que escrevesse a frase “a palavra correta é gratuita”, por três mil vezes. Germano tentava se explicar, mas não sabia como consertar. E Lourival Ferreira foi categórico: “Só me volte aqui quando tiver escrito tudo e aprendido a pronúncia correta”.

E assim foi feito. Como era uma sexta-feira, deixou a sede da emissora, passou numa papelaria, adquiriu o caderno recomendado, e passou o fim de semana escrevendo. Na segunda-feira se apresentou, mostrou a escrita e pronunciou a frase por diversas vez, por exigência do diretor. Foi reconduzido ao programa e continuou o showman no microfone.

Germano da Silva passou a atuar também na política, foi assessor de imprensa da Prefeitura de Itabuna por vários anos e apresentador de shows. Cursou Direito e passou a advogar em toda a região, atuando em várias áreas da advocacia. Germano Lopes da Silva é Patrono da Cadeira nº 11 da Academia de Letras Jurídicas do Sul da Bahia.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

José Carlos Teixeira, uma das principais referências do jornalismo baiano || Foto Reprodução
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Adorava ouvi-lo falar sobre MPB, campanhas eleitorais, as situações engraçadas pelas quais passou nas diversas redações em que trabalhou e principalmente ler e reler seus textos.

 

 

Cláudio Rodrigues

Não sei se minha vida seria a mesma se não tivesse cruzado com José Carlos Teixeira. Era fim dos anos de 1980, trabalhava na recém-criada Secretaria Extraordinária de Comunicação Social, da Prefeitura de Feira de Santana.

Teixeira chegou para ser o diretor de redação e chefiar uma equipe que reunia ótimos profissionais. Era época do telex e das máquinas de datilografia Olivetti, que, operadas ao mesmo tempo, produziam um delicioso barulho, e das fumaças dos cigarros na redação. Quase todos fumavam.

Ele fazia o tipo chefe durão. Chegava, entrava em seu “aquário” e gritava: “tem matéria nessa porra, não?!”. Em seguida, abria um lindo sorriso e começavam a chegar as laudas em papel jornal com os textos.

Cada um esperava Teixeira “pentear a matéria”, como aluno que entregava o dever de casa ao professor. Se o texto estivesse bom, poderia ir embora. Caso contrário, era chamado para reescrever.

Depois que ele editava os textos, eu fazia uma cópia e seguia para operar o telex. Através desse aparelho, que as novas gerações não conhecem, as matérias eram enviadas aos jornais da capital.

Além de mestre, Teixeira foi um pai para todos que tiveram a oportunidade de trabalhar com ele. Em dezembro de 1992, ele me chamou e disse: “estou com um projeto para a cidade de Itabuna, se der certo, você está dentro, topa?” Respondi na lata: “com você vou até para ‘os quintos’”

Dois anos depois, ele deixou Itabuna e eu continuo trabalhando e morando em terras grapiúnas. Teixeira me deu a régua e o compasso, com o qual eu tracei o meu destino. Não seria quem sou sem ele.

Adorava ouvi-lo falar sobre MPB, campanhas eleitorais, as situações engraçadas pelas quais passou nas diversas redações em que trabalhou e principalmente ler e reler seus textos.

Sua partida repentina deixou uma fissura no meu coração, tão grande como o iceberg que rasgou o casco do Titanic.

Segue em paz, meu mentor.

A saudade será eterna, assim como o seu legado.

Cláudio Rodrigues é jornalista e consultor em marketing.

Advogado e doutor em Direito Efson Lima
Tempo de leitura: 3 minutos

 

A disputa é pragmática e, agora, interessa converter toda a estratégia em voto. Ontem o artista foi de direita, hoje, dialoga com os interesses da esquerda e vice- versa.

 

Efson Lima

No Brasil, geralmente, não é um nascido na periferia que ocupa o “poder”, especialmente, o Executivo. Mas, é pouco provável alguém alcançar a função executiva sem um apoio das camadas mais populares. As eleições municipais de 2024 chamam bastante a nossa atenção. Os acenos para as periferias são constantes e demarcam o perfil do eleitorado brasileiro. As periferias no Brasil não são uniformes. As novelas, programas prediletos de milhões de brasileiros, já tinham sido produzidas com lastro nesse perfil e as periferias algum tempo já contribuem enormemente para o PIB brasileiro, inclusive, com uma classe média que cresceu nesse ambiente e “prefere” lá permanecer.

Segundo o IBGE, o Brasil tem mais de 10 mil aglomerados urbanos, representando aproximadamente 8% da população, em números absolutos, 16,6 milhões de habitantes. O sul da Bahia, como Ilhéus e Itabuna, as duas maiores cidades da região, possui diversas periferias e mostra o enorme tecido social. Núcleos urbanos que cresceram em decorrência da lavoura do cacau e que até hoje reclama uma solução.

Em Itabuna, determinado candidato, parece ter sua base nesse ambiente e consegue aglutinar diversos formadores de opinião em favor de seu nome.  Não sem razão, inúmeras pessoas declaram a partir desse lugar de origem e raça.  Outros tantos enxergam a oportunidade de uma pessoa com cunho mais popular alcançar a cúpula da gestão municipal.  Em Ilhéus, cidade demarcada por seus morros, muitos deles habitados pelas camadas populares, depara-se com candidatos de classe média, mas que esses cientes do desafio de receber o apoio do eleitorado, buscam os mais diferentes estratagemas para alcançar o eleitorado e converter em voto no domingo. A Princesa do Sul, uma cidade com enorme contingente periférico, padece com candidaturas, historicamente, aventureiras. E muitas delas sempre fazem apelo ao populismo. O eleitorado periférico precisa confrontar as propostas de programas de governo e verificar quais ações estão sendo pensadas para esse grupo.

Portanto, as estratégias para atingir esse eleitorado são as mais distintas, algumas delas surgem dentro de um contexto assertivo, logo, conseguimos verificar na proposta do programa de governo; outras buscam o voto do eleitor e recorrem aos artistas, preferencialmente, aqueles com apelo popular e conectado com essa massa. A disputa é pragmática e, agora, interessa converter toda a estratégia em voto. Ontem o artista foi de direita, hoje, dialoga com os interesses da esquerda e vice- versa.

As periferias brasileiras sempre instigaram pesquisas e reflexões. Algumas delas indicam que as periferias não são homogêneas; existe uma forte presença de igrejas evangélicas. As mortes violentas e as que decorrem pelo não acesso ao tratamento adequado dos problemas de saúde são constantes. Estas últimas são materializadas pela violência do Estado e, às vezes, do racismo estrutural.

As periferias são espaços urbanos, que constituídos pela omissão estatal ou articulados por agentes do Estado, refletem habitações muitas vezes desordenadas, ruas apertadas e uma gama de problemas que reunidos constituem ambientes singulares e que carecem de uma ação efetiva do Estado. Nem sempre a periferia está na borda de uma cidade, ela pode estar do lado de um bairro nobre.

As periferias possuem uma série de demandas: regularização fundiária, esgotamento sanitário e uma efetiva coletiva seletiva de resíduos sólidos; geração de trabalho; escolas e acesso ao ensino superior, preferencialmente, gratuita e pública e com qualidade; as diversas formas de acesso à cultura e de fomento, sem juízo de valor das elites. A segurança pública não pode ser repressiva, mas que dialogue com as diversas dificuldades locais e que seja acompanhada do conjunto de direitos: saúde, transporte público efetivo. As crianças e adolescentes precisam de apoio permanente.

Após as eleições, espera-se que os gestores e os legisladores eleitos para o âmbito municipal não se esqueçam desse conjunto de cidadãos que, diuturnamente, constroem a nação brasileira a partir de cada cidade. Por fim, a periferia merece ser representada por seus sujeitos de direito e de fato. A periferia não deseja ter príncipe e nem chefe de gueto, mas gestores comprometidos com o fazer pleno e permanente da cidadania.

Efson Lima é advogado e doutor em Direito pela Ufba.

Tempo de leitura: 3 minutos

 

Espero que as informações contidas na ata não tenham refletido o alto teor dos debates, animados por cerveja bem gelada e de reduzido teor alcoólico, mantendo incólume o relatório com ares de ciência.

 

Walmir Rosário

Com a eleição na reta final, muita gente ainda não escolheu seu candidato, na maioria das vezes por falta de informações. É que eles ficam entocados durante quatro anos, aguardando apenas a largada para uma boa colocação numa câmara municipal qualquer, também chamada de câmara de vereadores. E aí falta tempo suficiente ao eleitor conhecê-los de perto.

Confesso que pensei em analisar esses candidatos, mas com o passar do tempo esqueci completamente da minha promessa. Ainda bem que tenho amigos que sabem cuidar das questões dos amigos, reparando algumas falhas cometidas ao longo do tempo. E foi providencial o convite de Valdemar Broxinha para nos dedicarmos à análise dos candidatos durante um dia inteiro.

E o local escolhido foi o Bar Laranjeiras, de Bené, no centro da cidade, perto de todos os interessados. Imediatamente surgiu outro pretexto: reeditar uma das reuniões do Clube dos Rolas Cansadas, no local mais apropriado. Bastou uma ligação de Valdemar Broxinha, Bené cuidou de gelar cerveja, preparar uma boa quantidade de almôndegas caseiras para saciar a sede e fomes dos associados.

A proposta seria passar em pente fino a vida dos candidatos a prefeito e vereador, sem qualquer favorecimento aos amigos ou injustiça aos menos chegados. Telefonemas e mensagens via whatsapp disparados, pelo menos 10 associados confirmaram presença ao meio-dia em pino da quarta-feira passada, com sua relação de candidatos.

Apesar de aposentados, os associados do vetusto Clube dos Rolas Cansadas “deram um cano” no encontro, alegando os mais diversos compromissos surgidos de última hora, com explicações nada convincentes. Fora desse time ficou Zé do Gás, que se envolveu num acidente ao atropelar um cão em plena avenida. Depois de prestados os socorros, ele não mais reunia condições emocionais para a reunião.

Como Valdemar Broxinha não é homem de perder a viagem, ainda mais para um debate de elevada importância cívica, resolveu abrir o encontro com os presentes. É certo que eram poucos, eu, o italiano Alessandro, Bené, e mais uns dois gatos pingados que resolveram ir dar suas desculpas in loco, e aproveitaram para assinar a ata e dar dois ou três pitacos.

Bom mesmo e fez valer a pena a reunião foi o nível de conhecimento de Valdemar Broxinha, de Alessandro Italiano e Bené, que apenas utilizando a boa memória, fizeram relatos detalhados da vida pregressa dos políticos. De cara, a maioria foi reprovada por comportamento inadequado, sobrando umas três dúzias de concorrentes.

Entre os goles de cerveja e garfadas nas almôndegas, o relatório (ou ata) já contava com pelo menos umas cinco páginas, escritas em letras vermelhas para nominar os reprovados e quase duas páginas, em letras azuis com os considerados aptos ao voto. Juro que as análises foram feitas de forma honesta e democrática, justificando os adjetivos.

Pelo menos de meia em meia hora éramos importunados por cabos eleitorais e até candidatos em busca dos incautos eleitores. Nunca vi tanta gente escolada na arte de pedir votos e fazer promessas, estas que serão devidamente cumpridas após a posse. A garantia oferecida eram seus vastos conhecimentos da política, praticada há mais de 20 anos. Ganhou, emprego garantido!

E a análise era iniciada com o comportamento dos candidatos ao longo dos anos, desde sua mocidade, passando pela vida profissional, amizades, e familiar, se casado fosse. Fiquei deveras surpreso com a quantidade de informações armazenadas por Valdemar Broxinha, o italiano Alessandro e Bené, que passaram em revista a política de Canavieiras nos últimos 50 anos.

Ata aprovada e assinada, foi imediatamente fotografada e transmitida pelo whatsapp aos demais participantes do Clube dos Rolas Cansadas para o conhecimento e uso patriótico das informações. Agora, de posse de importantes informações, vamos aguardar a abertura das urnas e estudar o comportamento detalhado do eleitor canavieirense sobre os escolhidos.

Espero que as informações contidas na ata não tenham refletido o alto teor dos debates, animados por cerveja bem gelada e de reduzido teor alcoólico, mantendo incólume o relatório com ares de ciência. Por tudo que foi posto, nos resta certificar que o lugar correto para discutir sociologia, filosofia e outros “ias” é mesmo numa mesa de bar.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Estátua de Jorge Amado em Ilhéus em frente à Casa de Cultura, no Centro Histórico || Foto Divulgação
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Diante da veracidade do documento, assentado em 11 de março de 1931, rogo aos ilheenses de boa índole, que se abstenham da apropriação de Jorge Amado, que por direito pertence a Itabuna. Por outro lado, de papel passado, os verdadeiros conterrâneos passarão a admiti-lo como um deles, uma homenagem pra lá de interessante e muito justa.

 

Walmir Rosário

Há dias passados me encontrava em Itabuna visitando amigos nos bares mais frequentados da cidade, oportunidade que tive de rever o amigo e vereador Ronaldo Geraldo dos Santos, o Ronaldão. Após os cumprimentos de praxe, me prometeu um presente: a garantia de que Jorge Amado nasceu em Itabuna, mimo esse de papel passado, assinado em cartório.

Por si só, a notícia não teria nada de interessante, pois o próprio Jorge Amado garantiu e jurou de pés juntos que era itabunense, declarando em todas as entrevistas ser um Papa-jaca autêntico. Mas isso aconteceu muitos anos após Ilhéus ter se apropriado, não só do escritor, como também da figura humana e seus personagens, sem qualquer documento comprobatório.

Para os ilheenses, o que importava era o tempo em que Jorge Amado morou em Ilhéus, escreveu sobre a cidade, suas figuras humanas, muitas das quais estereotipadas, a exemplo dos cacauicultores, tudo registrado em livros. Foi uma expropriação violenta, sem respeitar os documentos oficiais, a exemplo da certidão de nascimento guardada em livro apropriado em cartório.

Eu até tenho a impressão que o próprio Jorge Amado tenha “surfado nessa onda”, motivadora da celeuma entre ilheenses e itabunenses, agravada com a publicação do livro Terras do Sem-fim, em que sugeria adjetivos não condizentes com os itabunenses. Sem querer meter minha colher em prato alheio, diria até sinônimos desairosos.

Embora sempre respeitado pelos itabunenses, os fatos levam a crer que Jorge Amado não era um amigo bem chegado, daqueles que convidamos pra ir à nossa casa fazer uma farra, devidamente forrada com uma farta feijoada, um churrasco. Alguns mais afoitos não mediam as palavras em considerá-lo um vira-casaca, por se tornar um Papa-caranguejo empedernido, como dito àquela época.

Uma rusga atoa, sem pé nem cabeça, de uma população com um ilustre conterrâneo. Tanto era assim que nunca foi desmerecido e sempre reconhecido pelas suas obras. Mas o nó górdio da questão estava na naturalidade ensovacada pelos ilheenses, sem qualquer razão, pois no ato do nascimento de Jorge Amado, Itabuna já se encontrava emancipada há longos dois anos e livre de qualquer amarra.

Dias depois, meu amigo e testemunha da promessa do vereador Ronaldão, o advogado José Augusto Ferreira Filho, me liga informando que enviara para o meu WhatsApp a certidão passada em cartório e assinada pelo Tabelião Ottoni José da Silva. E isso em 02 de março de 1944, afirmando que Jorge Amado nasceu na Fazenda Auricídia, em Ferradas (Itabuna), em 10-08-1912.

As diferenças entre os itabunenses e seu laureado conterrâneo já chegaram à delegacia quando um busto de Jorge Amado foi depredado em Ferradas, no século passado. Em outra feita mais recente, uma estátua do escritor foi alvo de tiros, além de pedradas, na calada da noite, por pessoas embriagadas, apenas pelo fito de danificar um equipamento público. Coisas do passado!

Lembro-me que no século passado, por volta do início da década de 1990, cheguei a elaborar reportagens para o Correio da Bahia, sobre a possível renomeação da principal avenida de Itabuna, a Cinquentenário, que passaria a ser nomeada Jorge Amado. A campanha encetada pelo jornalista e escritor Hélio Pólvora, não ganhou ampla adesão por ser ano de eleições municipais.

Acredito que essa homenagem teria selado, definitivamente, a paz, a amizade entre os itabunense e seu filho ilustre, mas não chegou a sair do papel. Em 1994, Jorge Amado lança A Descoberta da América Pelos Turcos, uma verdadeira homenagem a Itabuna. O livro foi considerado bem-vindo pelos itabunenses, entretanto faltaram eventos dignos no lançamento da obra na cidade.

A Certidão de Nascimento para eliminar a dúvida

Se antes essas diferenças eram levadas a “ferro e fogo” hoje provocam apenas bons debates. E não é pra menos, pois no livro 1-B destinado aos registros de nascimento, à folha 231, consta o termo nº 516, do nascimento de Jorge Amado, com toda a filiação, acompanhados dos nomes dos avós paternos, maternos além de testemunhas.

Diante da veracidade do documento, assentado em 11 de março de 1931, rogo aos ilheenses de boa índole, que se abstenham da apropriação de Jorge Amado, que por direito pertence a Itabuna. Por outro lado, de papel passado, os verdadeiros conterrâneos passarão a admiti-lo como um deles, uma homenagem pra lá de interessante e muito justa.

De minha parte, prometo adquirir um kit Papa-Caranguejo completo (camisa, caneca e protetor de lata de cerveja), junto às organizações “Lá ele!”. E para tanto deixo registrado o meu pedido a Afonso Dantas, convocando, ainda, o vereador Ronaldão, Augusto Ferreira, José Carlos (Beca) e outros parceiros de mesa de bar para selarmos o armistício definitivo entre Papa-Jacas e Papa-Caranguejos.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Lanns Almeida, engenheiro agrônomo e superintendente da Bahiater || Foto Divulgação
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O nosso trabalho, meu e de toda a minha equipe, é pela altivez dessa gente que planta e que colhe. A nós, não importa o tamanho de suas terras ou quanto produzem, porque nós entendemos que cada cultivo é valioso, alimenta e mata a fome.

 

Lanns

Não posso começar esse texto sem falar do principal, que é da nossa gente: somos mais de 14 milhões de baianos, possuímos uma vasta extensão territorial e, por isso quatro grandes biomas: cerrado, caatinga, mata atlântica e todo o bioma marinho. A Bahia é um estado gigantesco, rico em diversidade e perseverança, sobretudo do homem e da mulher do meio rural.

À frente da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), o nosso trabalho, meu e de toda a minha equipe, é pela altivez dessa gente que planta e que colhe. A nós, não importa o tamanho de suas terras ou quanto produzem, porque nós entendemos que cada cultivo é valioso, alimenta e mata a fome.

Nas andanças por dentro de cada cidade e meio rural do nosso estado, volto para casa entusiasmado para fomentar ainda mais, e conto com um Governador que empurra, que manda fazer, que cobra e acompanha resultados. O Fundo Estadual de Combate à Pobreza, por exemplo, bateu recorde de aplicação em 2023, destinado a ações de combate à fome e à insegurança alimentar, saneamento básico e moradia, no qual atuamos com agricultores familiares.

Não me canso de repetir uma frase de Paulo Freire que diz que “a cabeça pensa onde os pés pisam”, e também não me canso de ir pessoalmente a cada território do nosso estado. A nossa principal missão é honrar a dignidade do homem e da mulher do campo. Avancemos!

Lanns Almeida é engenheiro agrônomo e superintendente da Bahiater.

Comida de "sustança", apropriada para um domingo || Foto Walmir Rosário
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Além do mais, as quantidades podem ser encontradas facilmente em site especializado na internet. O que valerá, mesmo, será a criatividade, inclusive em me convidar.

 

Walmir Rosário

Uma recomendação que sempre dou a um amigo é que procure comer bem, se a comida for gostosa, não perca tempo, coma muito. Essa é uma receita que deve ser repetida pelo mundo afora pelo que apreciam uma boa mesa, se acompanhada de uma boa bebida ainda melhor. Aconselho aos que por acaso assim nunca procederam, que o faça, pois é pro seu bem.

Sem mais delongas passo a descrever uma pequena aventura que vivi neste último fim de semana, durante uma pequena estadia em Campo Formoso (BA), visitando parentes. E tudo começou ao passar num supermercado, ao me deparar com uma carne de jabá bem vistosa, daquelas de encher os olhos e encher a boca d’água, com o perdão dos leitores.

Não deu outra, pedi ao funcionário do mercado para descer a faca de cima a baixo e acrescentei às compras, um quilo de linguiça levemente apimentada, bacon, arroz, além de alguns temperos. Na minha mente já aparecia uma panelada de arroz carreteiro, prato de substância para o movimentado fim de semana. Foi só passar na gôndola de cerveja e me encaminhar para o caixa.

No sábado, dia de feira, a pretensão era acrescentar uma boa tapioca, e o fubá, essencial para a farofa de cuscuz com linguiça. Logo cedo eu e minha mulher nos dirigimos à feira com o objetivo de comprar outros produtos da terra, diferentes do que encontramos em Canavieiras. De cara, nos deparamos com uns maxixes bonitos e fomos juntando ao andu e às favas. Saímos com pesados embrulhos.

Dizem os mais experientes que “o que os olhos não veem o coração não sente” e essa foi nossa perdição, no sentido estrito da gula. Além do arroz a carreteiro, em minha cabeça fervilhavam a farofa de cuscuz com linguiça e uma moqueca de maxixe, devidamente enriquecida com a jabá, bacon, linguiça, tomates, pimentões, cebolas, leite de coco apurado manualmente na hora e azeite de dendê.

Não sei os que porventura leem esse texto, o façam preferencialmente de barriga vazia e que seja um grande apreciador da boa comida de “sustança”, e em dia de domingo, sem qualquer compromisso no período da tarde, assim como eu. Confesso que a preparação dos pratos não meu muito trabalho, mesmo sendo num dia dedicado ao descanso.

E não deu outra, iniciamos – eu e minha mulher – com a moqueca de maxixe, o arroz a carreteiro, e por últimos a farofa, nesta ordem, com a degustação da boa e velha cerveja, que prazerosamente nos acompanha nessas providenciais ocasiões. E, metodicamente, fomos dando forma aos pratos, especialmente no arroz a carreteiro, preparado numa majestosa panela de barro.

Pelos meus cálculos 12 pessoas estavam inscritas ao almoço, com lugares já reservados à mesa, sem contar os visitantes de última hora, já previstos no planejamento de qualquer almoço domingueiro. Finalmente, perto das 14 horas, mesa posta, convidados devidamente sentados e apossados de pratos e talheres para iniciar a comilança.

Fora do planejado, minha irmã Iracy me apresenta um produto divino elaborado na Gameleira, no povoado do Brejão da Caatinga, em Campo Formoso: um vinho de laranja, que apresentava no seu rótulo ser “o vinho do momento” de produção caseira. E mais, produzido artesanalmente a partir de laranjas. Embora do Brejão da Caatinga, possuía todos os sotaques lusitanos do vinho do Porto.

Confesso que aqui não falo como especialista em vinho, por não possuir tais credenciais, mas digo com certeza que meu paladar nunca me falseou. Após o silêncio sepulcral (linguagem chula para um almoço…) dos refinados paladares, fiquei corado com os elogios. Ainda bem que detectei serem sinceros, pelo que vi na repetição dos pratos.

E para finalizar a comilança domingueira nada melhor dos doces (a escolher) de groselha e carambola, retirados dos devidos pés no quintal e elaborados um pouco antes para nosso deleite. Tenho que finalizar com o que preguei no início dessa crônica: todos comeram bem e muito, porque gostoso, digo sem pretender ser alvo do elogio fácil, pois juro que não tenho interesse de caitituar prestígio em campanha de marketing.

Deixarei de oferecer a competente receita para não me estender no texto, pois como já forneci os insumos, prefiro que cada um que se atreva a elaborar um banquete deste tipo use sua imaginação. Além do mais, as quantidades podem ser encontradas facilmente em site especializado na internet. O que valerá, mesmo, será a criatividade, inclusive em me convidar.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Datena e Marçal brigam em debate da TV Cultura em São Paulo || Reprodução
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A verdadeira mudança ocorre quando os eleitores se tornam conscientes do jogo insidioso que está sendo jogado.

 

 

Juliana Soledade

Na grande arena das eleições, onde ideais e promessas se confrontam, a política muitas vezes se assemelha a um espetáculo sangrento em que os leões devoram aqueles que ousam se colocar no caminho do poder. O cenário é marcado por estratégias cruéis, ataques implacáveis e uma luta constante pela sobrevivência política.

As campanhas eleitorais, em sua essência, deveriam ser um espaço de diálogo e defesa de propostas. No entanto, frequentemente se transformam em um combate feroz, onde os candidatos, como leões famintos, utilizam de todos os recursos disponíveis para avançar frente ao completo desequilíbrio emocional. Nesse ambiente hostil, as críticas são afiadas, as calúnias circulam como flechas e os ataques pessoais se tornam as armas preferidas. O objetivo é claro: eliminar a concorrência e conquistar a aprovação do eleitorado a qualquer custo.

E se, na arena, os leões são os políticos em busca de votos, os espectadores — os cidadãos-contribuintes-eleitores [por OBRIGAÇÃO!]— muitas vezes se tornam as vítimas desse confronto. Presos entre as promessas grandiosas e os ataques ferozes, eles podem se sentir desorientados, incapazes de discernir a verdade em meio ao caos. O clima de desconfiança e medo se instala, e a desinformação se espalha como um incêndio incontrolável, alimentando a animosidade entre os diversos grupos sociais.

O papel da mídia nesse circo político também não pode ser ignorado. As manchetes sensacionalistas e a cobertura tendenciosa muitas vezes exacerba a luta, transformando a política em um espetáculo a ser assistido, em vez de um processo democrático a ser respeitado. O foco na audiência e na espetacularização se sobrepõe ao debate saudável, levando os espectadores a se tornarem meros torcedores, em vez de cidadãos críticos.

Entretanto, é possível vislumbrar uma saída dessa arena infernal. A verdadeira mudança ocorre quando os eleitores se tornam conscientes do jogo insidioso que está sendo jogado. Ao invés de se deixar levar pelas emoções e pelas narrativas polarizadoras, eles podem exigir uma política mais ética, centrada no diálogo e na colaboração.

Se todos nós, como cidadãos, formos leões que defendem a integridade de nossas escolhas e exigirmos responsabilidade dos nossos representantes, é possível transformar a arena do medo e da manipulação em um espaço para ideias construtivas, onde as políticas públicas realmente atendam aos interesses da sociedade.

Assim, em vez de devorar uns aos outros, que possamos nos unir em busca de um futuro mais justo e consciente, onde o respeito e a empatia sejam os verdadeiros conquistadores nessa batalha política.

Juliana Soledade é advogada.