Orlando Cardoso está no ar há 64 anos, ininterruptos
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Os locais destinados aos visitantes eram em espaços exíguos e junto às torcidas adversárias, intimidando-os o jogo inteiro. Algumas vezes foi obrigado a transmitir os jogos em cima do teto da Kombi da Rádio Difusora.

 

Walmir Rosário 

Sem sombras de dúvida, o radialista Orlando Cardoso é um ícone da comunicação radiofônica de Itabuna. Não apenas pelos 64 anos ininterruptos à frente do microfone, mas pelo conceito adquirido junto aos ouvintes da região cacaueira. É preciso competência, carisma e credibilidade junto ao público – cativo – por longos anos.

E uma das marcas de Orlando Cardoso é ter responsabilidade em tudo que leva ao ouvinte, com o apoio de boa música e os comentários dos fatos no dia a dia de seus programas. E não é pra menos, pois a credibilidade do comunicador garante uma audiência cativa, com reflexos positivos na área comercial, com anúncios nos programas.

E a simplicidade de Orlando Cardoso não permite que ele fale sobre a publicidade no seu programa diário (matinal) Panorama 640 (meia quatro zero), sem espaços vazios na grade de comerciais. E cheios de orgulho, alguns colegas e amigos dizem que é o único programa a recusar novas publicidades, por um fator inédito: não existe espaço disponível.

Com toda a tranquilidade Orlando revela que o rádio lhe deu muita experiência de vida, a chance de conhecer parte do país, o que jamais teria em outras profissões. E não economiza elogios ao dizer que o rádio sempre foi tudo pra ele, depois de Deus e a família. E em seguida emenda que nunca foi metido a besta, o que lhe ajudou também na política.

Orlando Cardoso trabalhou nas três emissoras AMs de Itabuna – Difusora, Clube e Jornal – sempre disputando o primeiro lugar em audiência, com a mesma tranquilidade, focando sempre na sua comunicação. Numa conversa nossa há algum tempo ele disse que tem muita gente boa de audiência no rádio, mas que não conseguiu se eleger na política por não ser popular, simpático, e que a política não perdoa.

Mas os ouvintes não têm a menor ideia da trabalheira que é ser líder de audiência. E pra começo de conversa, exige um projeto que caia no gosto do ouvinte, acompanhado de músicas e boas informações. No esporte não é diferente e ele mesmo já passou muitos dissabores em estádios onde transmitia jogos da Seleção de Itabuna, a Hexacampeã Baiana de Amadores.

Em muitos desses jogos, os radialistas eram também tratados como adversários e tinham que ter muito jogo de cintura para realizar uma transmissão de qualidade. Os locais destinados aos visitantes eram em espaços exíguos e junto às torcidas adversárias, intimidando-os o jogo inteiro. Algumas vezes foi obrigado a transmitir os jogos em cima do teto da Kombi da Rádio Difusora.

E Orlando Cardoso não nega que era um apaixonado pela Seleção de Itabuna, e os torcedores apaixonados por ele. Nas transmissões sua vibração era transmitida pelo rádio e a torcida acompanhava, a exemplo do gol do Hexacampeonato, em Alagoinhas, quando ele narrou com toda a força dos pulmões o bordão: “É gol Itabunense, torcida grapiúna!”.

E nessa hora balançaram tanto a Kombi que ele não pode ver quem teria marcado o gol, muito menos ouvir o repórter Ramiro Aquino dar os detalhes do gol de cabeça do centroavante Pinga. “Acabou o jogo, entramos na Kombi e voltamos para Itabuna, e somente aí é que fui informado que o gol teria sido de Pinga, mas pouco importava, pois já éramos Hexacampeões”, ainda comemora Orlando.

A primeira participação de Orlando Cardoso no microfone foi na Rádio Clube de Itabuna, indicado pelo radialista e publicitário Cristóvão Colombo Crispim de Carvalho, por volta de 1960, quando narrou um jogo imaginário. Em seguida narrou outro jogo, este de verdade, no Campo da Desportiva, mas não continuou. Em seguida narra outro jogo imaginário na Rádio Difusora, a pedido de Romilton Teles, e é chamado para um teste na emissora, a qual trabalha.

E prestes a chegar aos 83 anos continua firme e forte na condução do Programa Panorama 640 (meia quatro zero) para a alegria de milhares de ouvintes. Vida longa na existência física e radiofônica, Orlando Cardoso!

Walmir Rosário é  radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Os ex-governadores e ex-ministros Waldir Pires e Antônio Carlos Magalhães
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O que Waldir ainda não sabia é que Sarney fazia parte do jogo. Antes da conversa com Waldir, Roberto Marinho e ACM já tinham se reunido com Sarney, exposto o plano e este não se opôs. A Globo tinha autonomia no governo para fazer o que quisesse.

 

José Cássio Varjão

 

Após as eleições de 1962, ainda se recuperando da derrota para Lomanto Júnior, Waldir voltou a Brasília para concluir seu mandato de deputado federal. Perder a eleição por meros 33.623 votos, sabendo que a Igreja Católica foi preponderante para sua derrota, era seu calvário, teria que aceitar, era fato consumado. Numa circunstância eleitoral, até então, inédita, mesmo com a derrota, os dois senadores eleitos para aquela legislatura, Antônio Balbino e Josaphat Marinho, eram da chapa de Waldir Pires.

Os primeiros anos da convivência entre Waldir Pires e Antônio Carlos Magalhães, dois deputados estaduais de primeiro mandato, eram cordiais, principalmente, porque ambos apoiavam o governador Antônio Balbino. ACM sabia da ligação próxima entre Waldir e o governador. O Diário da Assembleia, de 19 de junho de 1955, relata debate acalorado, ocorrido na tribuna da Casa, entre os deputados Adelmário Pinheiro e Josaphat Marinho, ambos da oposição, contra Waldir Pires, sobre a sua presença no governo de Régis Pacheco.

Aspas para Waldir: “Deixei a secretaria em fins de 1953, por imperativos de fidelidade pessoal e política ao hoje governador Antônio Balbino. E deixei as melhores relações pessoais com S. Excia., senhor governador Régis Pacheco. Deixei a secretaria pobre, como hoje o sou. Não tenho coisa nenhuma, absolutamente coisa nenhuma, e vivo exclusivamente dos meus subsídios. Não tenho títulos, nem imóveis ou bens pessoais”. Num aparte, o deputado Antônio Carlos Magalhães, emendou: “mas tem um grande patrimônio moral”. Os dois conviviam civilizadamente.

Em outro momento, conforme discurso publicado no Diário Oficial da ALBA, dia 21 de fevereiro de 1957, ACM fez importante intervenção em defesa do veto do governador a um aumento dos subsídios para os deputados. Foi um pronunciamento firme e contundente contra um acréscimo de 12 mil cruzeiros nos vencimentos dos parlamentares: “um escândalo contra a maioria dos assalariados baianos”, bradou ACM.

Enquanto a maioria dos deputados fazia apartes defendendo a majoração dos seus vencimentos, Waldir interveio afirmando que “a verba pretendida pelos seus pares, era inconveniente na essência, na substância”. Antônio Carlos agradeceu de imediato a manifestação de Waldir: “Eminente líder, agradeço o aparte de V. Excia., – e quando digo eminente líder, digo-o conscientemente por que em qualquer posição que V. Excia. se encontre, nesse plenário, V. Excia. é um líder da moralidade, um líder da boa causa! Consequentemente, tenho somente que agradecer o aparte de V. Excia. que vem em auxílio aos meus argumentos, e isso fulmina a todos quantos queiram sofismar a respeito de um assunto tão importante”.

Foram várias as oportunidades que os apartes, vindos de lado a lado, aconteceram com deferência mútua, sem os entraves da formação política, sobretudo por estarem em posições diametralmente opostas. Para aquele momento, exclusivamente o que os unia era a defesa do governo de Antônio Balbino. Waldir, por sua formação no PSD e rigorosa coerência democrática, não se encontrará na sua trajetória política quaisquer ligações com o campo da direita. Já Antônio Carlos, oriundo da UDN, foi peça chave para sustentação da ditadura militar no estado da Bahia, sendo nomeado pelos militares prefeito biônico em 1967 e, governador em duas oportunidades, em 1970 e 1978, pelos militares.

Em 1963, Waldir Pires é nomeado por João Goulart, presidente da República, e João Mangabeira, ministro da Justiça, para o cargo de consultor-geral da República, que hoje equivale a Advogado-Geral da União. Nessa época, ACM era deputado federal. Com o golpe militar de 1964 e a deposição do presidente João Goulart, Waldir Pires deixa o Palácio do Planalto, direto para o exílio no Uruguai. Waldir e Darcy Ribeiro foram os últimos a deixar o Palácio do Planalto, no momento em que Auro de Moura Andrade declarou vago o cargo de presidente da República, convocando o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzili, para assumir o cargo.

A reação de revolta de Tancredo Neves entrou para a história da política brasileira, com a célebre frase “Canalha! Canalha! Canalha”. Após quase dois anos no Uruguai, sem possibilidades de se manter financeiramente, Waldir desembarca no aeroporto de Orly, era o dia 18 de dezembro de 1965. A escolha por Paris se dava pelo conhecimento da língua e pela presença dos amigos Max da Costa, Raul Riff, Celso Furtado e Josué de Castro.

Lecionou, com destaque, na Universidade de Dijon, na área de Direito Constitucional Comparado. Sua aula inaugural sobre “Grandes Problemas Contemporâneos”, que revelava o clima político, econômico e social vivido pela América Latina, com a implantação de ditaduras, contou com a presença de quase 200 alunos e diversos professores, todos curiosos em conhecer aquele professor estrangeiro. Waldir tinha provocado grande entusiasmo nos presentes, pelo seu conhecimento de Direito Constitucional. Ao final, com o auditório em suas mãos e todos impressionados com sua oratória, ele se sentiu como “o conquistador do mundo”. Por um período, o sustento da sua família estava garantido.

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“Paris, nunca mais te esquecerei, mas a minha luta é no meu país”.

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Apesar de estabelecido na França, no final de 1969, Waldir decidiu, junto com Yolanda, que após concluir seus trabalhos em Dijon, voltariam ao Brasil. Não queria que os filhos fossem criados longe da sua pátria. “Paris, nunca mais te esquecerei, mas a minha luta é no meu país”. No início de 1970, decidiram voltar, mas para o Rio de Janeiro. Era impossível viver numa Bahia sob a dominação de Antônio Carlos Magalhães, com a tutela do AI-5. Após 12 dias de viagem, Waldir viu uma lancha da Polícia Federal se aproximando no navio, que parou a uns 500m do porto. Um sujeito de terno e gravata o interpelou, para que o acompanhasse. Chegaram à PF antes das 10h da manhã e o interrogatório durou todo o dia. Por que o senhor está voltando para o Brasil? O que o senhor pretende fazer aqui? O senhor volta para a subversão? Qual a organização subversiva o senhor pertence? Vai viver com qual renda? E a luta armada? Mesmo após todas as explicações, de que voltava para o Brasil para criar os filhos no país deles, a PF o liberou, dizendo que sabiam onde ele iria morar e que não poderia sair do Rio de Janeiro sem permissão policial.

Com a aprovação da Lei da Anistia, em 1979, Waldir mais uma vez arruma as malas. Era chegada a hora de voltar para a sua amada Bahia, enfrentar quem quer que seja, reestruturar o PMDB e cumprir o que o povo baiano delegasse. Sua chegada a Salvador, em 12 de janeiro de 1979, foi apoteótica, com mais de 200 pessoas o aguardando no Aeroporto Dois de Julho. Eram dirigentes partidários, deputados, amigos e parentes.

Aquele não foi um acontecimento qualquer. Antônio Carlos não podia ignorar esse evento, tinha que demonstrar receptividade. Então, pediu a Clériston Andrade, que era o presidente do Baneb e ex-colega de Waldir na Faculdade de Direito, que, por sua vez, procurou Gerbaldo Avena, cunhado de Waldir, para sondar sobre o encontro entre os dois. A proposta era Waldir ir ao encontro de ACM. A resposta foi positiva, porém, com ACM indo ao encontro de Waldir. “Pode mandar dizer a Antônio Carlos que o recebo na minha casa. Ele sabe que sou um sujeito educado”, disse Waldir.

O encontro se deu na casa de Gerbaldo, irmão de Yolanda. Foi breve, ameno, com gentilezas e amabilidades entre os dois casais. ACM estava acompanhado de D. Arlete e, ao se despedirem, Waldir foi incisivo, dizendo que agradecia a visita, mas não poderia fazer o mesmo, pois ACM era um representante daqueles que oprimiam o Brasil e a Bahia, que exercia a ditadura no Estado, de modo que não poderia retribuir a visita. Com essa atitude, Waldir marca terreno na política do estado da Bahia, cortando os laços com quem governava com um chicote numa mão e uma mala de dinheiro na outra. Tinha retornado para resgatar o PMDB, que ainda era adesista, e dessa missão ele não abriria mão.

Em 1985, entre as atividades do ministério e a campanha para o governo do estado, a saúde de Waldir sentiu o esforço. No dia 27 de julho, após o encerramento da convenção do PMDB, um comício seria realizado na Praça da Sé, centro de Salvador. Com a aglomeração de pessoas nas ruas, o carro não pôde chegar ao local do evento, ficando estacionado da Rua da Ajuda. Waldir seguiu a pé com outros correligionários, quando se sentiu mal na Rua do Tira Chapéu, ao lado da Câmara de Vereadores. Tinha asma, que foi sendo agravada pelas andanças pelo interior do estado. Os adversários, cientes da sua enfermidade, faziam poeira aonde ele chegava para os comícios. Após esse incidente, Waldir foi para o Rio de Janeiro para a realização de exames mais apurados, tinha vivido na cidade por 9 anos. Preferiu fazer os exames no Hospital dos Servidores do Estado, se recusando a usar instituições privadas. Nessa internação, só foi permitida a presença de familiares ou de médicos. ACM, com seu diploma de médico, esteve no hospital para visitá-lo, talvez como um sinal de aproximação. Porém, foi enfaticamente barrado pela filha Ana Cristina, que não admitiu a presença dele.

Em 1986, durante um ato em alusão aos 100 dias do seu governo, Waldir e Yolanda Pires recebem a notícia do suicídio de Ana Lúcia Magalhães, de 28 anos, filha de Antônio Carlos. Mesmo sendo membro da família do seu principal adversário, o ato foi suspenso em respeito à dor da família Peixoto de Magalhães. Waldir e Yolanda passaram pela mesma tragédia, na morte de Waldemir Pires, filho do casal.

Enquanto Waldir estava no exílio, ACM já tinha sido nomeado prefeito de Salvador, governador do estado e seria empossado novamente como governador, em 15 de março daquele ano, 1979 – na mesma época que solicitou aquela visita, via Clériston Andrade. Com o término do seu primeiro mandato como governador, em 15 de março de 1975, Roberto Santos foi indicado para o cargo, escolha que contrariava ACM, que desejava a indicação de Clériston Andrade. Mário Kertész, ex-prefeito de Salvador, num documentário realizado pela Rádio Metrópole, de sua propriedade, disse que “após deixar o Palácio de Ondina, Antônio Carlos passava o dia de pijama, caminhando de um lado para o outro na varanda da sua casa, na Graça. Andava meio depressivo”. Concluiu. ACM entrava no ostracismo.

Em novembro de 1975, o ministro das Minas e Energia do governo de Ernesto Geisel, Shigeaki Ueki, resolveu demitir o presidente da Eletrobrás, Mário Bhering. Ueki e Golbery do Couto e Silva, chefe da Casa Civil, convenceram o Alemão, como era chamado Geisel, a nomear ACM para o cargo. Ligaram para ACM e adiantaram que ele seria nomeado para a Eletrobrás: “o presidente vai lhe chamar”. Antônio Carlos, que não sabia bulhufas sobre a função que deveria assumir, voou para o Rio de Janeiro, se trancou num quarto, por um fim de semana, para aprender o que fosse possível, com o intuito de impressionar o presidente. Fingindo não saber de nada, Geisel lhe fez o convite, e ACM verteu conhecimento sobre o desafio que iria assumir. ACM foi salvo pelo gongo, por Ueki e por Golbery. Esse momento da vida de ACM, foi preponderante para seu futuro político, pois, ao ser alçado a um cargo no governo federal, com dimensão nacional, ele passa a ter maior relevância dentro do grupo, que já foi comandado por Juracy Magalhães.

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Com a interferência do amigo Roberto Marinho, dono da Rede Globo, ACM foi indicado para o Ministério das Comunicações. A amizade dos dois foi construída no período em que esteve na Eletrobrás.

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Entusiasta da candidatura de Mário Andreazza para suceder a João Figueiredo, ACM fez forte oposição à Paulo Maluf na convenção nacional do PDS, em 1984. Maluf venceu Andreazza por 493 a 350 votos. Antônio Carlos mudou de lado e compôs a Aliança Democrática que elegeu, em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves. Com a interferência do amigo Roberto Marinho, dono da Rede Globo, ACM foi indicado para o Ministério das Comunicações. A amizade dos dois foi construída no período em que esteve na Eletrobrás. A influência de Marinho para a formação do governo era tão grande que Tancredo dizia: “eu brigo com o ministro de Exército, mas não com Roberto Marinho”. Quando o nome de ACM foi ventilado para compor o ministério, Tancredo disse a ACM, com o intuito de agradar ao dono da Globo: “o senhor se incomoda de Roberto Marinho lhe fizer o convite para ser ministro”? ACM respondeu: “não, não me incomodo, ele é meu amigo”. O detalhe dessa negociação de cargo é que Roberto Marinho não aceitou que ele fizesse a indicação, afirmando que “se o convite fosse dele, estaria enfraquecendo Antônio Carlos, que deveria ser visto como um ministro do presidente, e não da Globo”. Antônio Carlos Magalhães foi o único ministro a ficar na pasta por todo o governo Sarney.

O ápice da disputa política entre Waldir e ACM aconteceu quando a transmissão da Rede Globo, na Bahia, que era feita pela TV Aratu, desde 1969, tinha na família de Luiz Vianna uma das suas proprietárias. Já a TV Bahia, fundada em 10 de março de 1985, era afiliada à Rede Manchete e tinha como seus donos ACM Júnior e César Mata Pires, genro de ACM. No final de 1986, a Rede Globo oficializa à TV Aratu a não renovação do contrato de transmissão.

Waldir Pires estava atormentado com essa situação desde o final de 1986, ou seja, o fato foi consumado antes dele tomar posse como governador. Definitivamente, ACM se municiou de todas as condições favoráveis pela condição de Ministro das Comunicações para golpear a família Vianna e dominar a comunicação do estado, visto que já era o dono do jornal Correio da Bahia, fundado em 1978. Waldir procurou o presidente Sarney, ainda em novembro de 1986, informando sobre os impactos que aquela decisão teria para o PMDB e para seu governo. Como seria possível aparelhar o seu adversário, derrotado de forma humilhante, semanas antes, premiando-o com poder fogo suficiente para criar sérios problemas ao seu governo? O que Waldir ainda não sabia é que Sarney fazia parte do jogo. Antes da conversa com Waldir, Roberto Marinho e ACM já tinham se reunido com Sarney, exposto o plano e este não se opôs. A Globo tinha autonomia no governo para fazer o que quisesse. Coincidência ou não, a TV Mirante, do Maranhão, foi fundada em 1987, por Fernando Sarney, filho de José Sarney, como transmissora dos canais SBT e, em 1991, passa a ser a transmissora da Rede Globo.

Em 1987, a bancada federal do PMDB baiano, denunciou a Sarney o escândalo das concessões de estações de rádio FM praticadas por ACM, em benefício de pessoas ligadas a ele. À época, o ministro admitiu que pudesse ter beneficiado algumas pessoas, corroborando que tais concessões eram feitas de acordo com interesses do governo. De acordo com o Ministério das Comunicações e do Diário Oficial da União, entre 1985 e 1988, durante todo o governo Sarney, foram outorgadas 632 emissoras de rádio FM, 314 de rádio OM e, 82 concessões de TVs, totalizando 1.028 concessões e permissões.

O Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (EPCOM) ilustrou como se estruturou o chamado, “coronelismo eletrônico”, baseado no domínio de emissoras de televisão. O jornalista Sérgio Murillo, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) avaliou, que “ACM ajudou a formar a imagem do ministério como um cartório de grupos de rádio e TV do país. Ele era o agente político desses grupos que controlam a mídia no Brasil. E foi um dos mais competentes neste sentido, nessa tradição de misturar os interesses públicos com interesses privados”.

Na caminhada para 1986, em determinado momento, ainda na fase das articulações, ventilou-se a possibilidade de composição com o PDS, incluindo ACM, nos moldes do que Tancredo Neves construiu em 1985. Era um novo momento do país, era a Nova República, a ditadura derrotada, existiam novas possibilidades e desafios. Era a hora da abrangência, não da exclusão. ACM também não descartou essa aliança, não tinha interesse em disputar o governo da Bahia, mas queria uma vaga no Senado. Nessa discussão, os dois lados sabiam que existia um risco calculado, pois os anos passados deixavam as pontes bastante avariadas e atravessá-las seria um alto risco. Waldir experimentou o exílio, as dificuldades para sobreviver, sentira a violência da ditadura, consigo e com vários companheiros de caminhada. Antônio Carlos fez o caminho oposto, participou de tudo no golpe de 1964, era um dos homens fortes do regime militar, governou em três oportunidades indicado pelos militares. ACM só foi consagrado pelo escrutínio popular nas eleições de 1990, na sucessão de Nilo Coelho. “Os homens fazem a sua história. Porém, não a fazem como querem, sob circunstâncias de sua escolha, e, sim, sob aqueles com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas do passado”. Karl Marx. As circunstâncias históricas e o legado do passado não permitiram que selassem a aliança.

Como prometido durante a publicação da primeira parte sobre a vida e as controvérsias da carreira política de Waldir Pires, essa segunda parte tratou da convivência entre WP e ACM. Como essa narrativa se estendeu um pouco mais do que imaginei, será necessário descrever, em outro texto, sobre o poder de ACM em interferir, via governo federal, para dificultar as ações do governo Waldir Pires e, consequentemente, sua renúncia para concorrer, junto com Ulisses Guimarães, nas eleições presidenciais de 1989.

José Cássio Varjão é cientista político com MBA em Cooperação Internacional e Políticas Públicas e pós-graduado em Administração Municipal e Desenvolvimento Local; Administração Pública e Gestão de Cidades Inteligentes; e Gestão de Negócios Inovadores.

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Em Itabuna, Tasso Castro lança livro sobre a Copa Rio de 1952
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 Tasso Castro deixa clara a mudança no Fluminense, que do pejorativo timinho de 1951 se transformou no campeão Carioca do mesmo ano e continuou com seu poderio em campo, se sagrando campeão Mundial de Clubes, no ano seguinte.

 

Walmir Rosário

 

 

 

 

 

Um livro para ficar na história dos torcedores do Fluminense carioca, ou das Laranjeiras, como queiram, estará à disposição dos tricolores de todo o Brasil, contando a história da 2ª Copa Rio, conquistada pelo Fluminense, em 1952, data do seu cinquentenário. E a obra do escritor Tasso Castro – 1952, A maior conquista do futebol tricolor – será lançada nesta segunda-feira (10 de fevereiro), às 18h30min, no Shopping Jequitibá, em Itabuna.

De pronto, vale avisar aos tricolores mais moços, que a Copa Rio foi o primeiro Campeonato Mundial de Clubes, realizado pela então Confederação Brasileira de Desportos (CBD), a CBF da época, com licença da Federação Internacional de Futebol (Fifa). Os jogos eram realizados no Rio de Janeiro e São Paulo, por equipes da Europa e da América Latina, duas delas brasileiras.

E o texto cirúrgico e preciso é o resultado de pesquisa realizada por Tasso Castro, que conta em detalhes o futebol da época, ressaltando o grande feito do Fluminense, desde a participação do Campeonato Carioca de 1951, considerado um timinho pela mídia. Além de faturar o Carioca de 51, os dirigentes ainda convenceram a CBD e a Fifa a realizarem a Copa Rio um ano antes, já que seria realizada de dois em dois anos, portanto, em 1953.

No livro, o Autor também mostra que o Fluminense foi o primeiro time brasileiro a vingar a nossa derrota de 1950 para a Seleção do Uruguai, que ficou conhecida como o “Maracanazo”. Isto porque o Fluminense jogou contra o Peñarol e aplicou um “chocolate” de 3X0, e nem tomou conhecimento dos carrascos Ghiggia, Schiaffino, dentre outros. Obdúlio Varela não jogou por estar contundido.

A cada jogo o Fluminense de Castilho, Píndaro, Pinheiro, Jair, Édson, Bigode, Lino, Telé, Orlando, Vilalobos, Marinho, Didi, Robson, Quincas, Carlyle, Simões e cia., foi derrotando seus adversários, apesar dos susto inicial no 0X0 contra o Sporting português. Aos poucos se firmou e não tomou conhecimento do Grasshopper (suíço); Peñarol (uruguaio); Áustria Wien; e o Corinthians (dois jogos nas finais). O 1º venceu por 2X0, e empatou o segundo em 2X2.

Os leitores não perdem por esperar, pois além das informações gerais sobre cada uma das partidas, ainda poderão conferir as análises realizadas pelos jornalistas das maiores publicações esportivas. Nelas, cada atleta é estudado em cada partida, e nem mesmo Didi, que viria a ser conhecido como o “Senhor Futebol” escapou das críticas, apesar de considerado o craque da competição.

No texto, Tasso Castro deixa clara a mudança no Fluminense, que do pejorativo timinho de 1951 se transformou no campeão Carioca do mesmo ano e continuou com seu poderio em campo, se sagrando campeão Mundial de Clubes, no ano seguinte. “Com certeza, vencer a Copa Rio de forma invicta demonstra um Fluminense Espetacular”, ressalta o Autor.

O livro 1952 – A maior conquista do futebol tricolor, é formatado em 5 capítulos: I – Copa Rio, 1951, II – Campeonato Carioca 1951, III – Copa Rio 1952, IV – O mundial da Fifa 2000; e o V – Testemunhos de tricolores, além de prefácio, a extinção da Copa Rio e posfácio. Em cada um dos depoimentos os tricolores demonstram a paixão pelo Fluminense, que vão desde a transferência do amor aos filhos até a participação nos jogos em cidades distantes.

Sobre o autor, Alexandre Berwanger escreveu: “Se não bastasse o Fluminense Football Club ostentar entre os seus torcedores Nelson Rodrigues, o “Shakespeare brasileiro”, Paulo-Roberto Andel, o “João do Rio do Século XXI”, também tem Tasso Castro, o “Novo Jorge Amado”, escritor baiano talentoso radicado em Itabuna que publicou outros três livros sobre o Tricolor:

* “Fluminense, memórias de uma paixão” (2011).

* “Oxente, Somos Flu!” (2018).

* “Doces Vitórias” (2022).

Esse seu quarto livro, como o nome indica, aborda a conquista da Copa Rio de 1952, o primeiro título internacional oficial do Fluminense, competição organizada pela CBD, autorizada e acompanhada pela FIFA para a qual segundo o seu Estatuto toda a competição acompanhada por ela tem o caráter de oficial.

Em 1928 o Fluminense conquistou as suas primeiras taças internacionais, amistosas, mas essa é outra época, outra história, embora também muito retumbante.

Além de escrever algumas linhas no excelente livro tenho a satisfação de ter contribuído com a imagem da capa, a do troféu tão significativo para nós tricolores”, finalizou.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

Caboclo Alencar serve a mais famosa batida de Itabuna
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Prometo que daqui pra frente somente participarei de eventos em que a falta seja injustificável, tomando todas as precauções com o estado físico. Aguarda-me, por exemplo, o sábado (15 de fevereiro), no conceituado Mac Vita, quando será apresentado à sociedade mundana canavieirense o livro Tyrone Perrucho – o homem que colecionava amigos, de minha autoria.

 

Walmir Rosário

Afirma o ditado que Deus escreve certo por linhas tortas. Concordo em gênero, número e grau e por tudo que há de mais sagrado, pois as confirmações sempre me são mostradas e com rigor, digamos, científico, ou quase. Este fim de semana, por exemplo, fui impedido de comparecer a uma série de eventos, já programados com bastante antecedência.

E o motivo foi pra lá de justo, aqueles incômodos nem tão inesperados, causados pelo nervo ciático e as imperfeições na velha coluna cansada de guerra. E o veredito foi dado de forma brusca pelo meu team de personal trainer, os professores Vilma e João José, que também carregam o sobrenome Rosário, proibindo qualquer estripulia.

Resignado, deixei de ir a Campo Formoso para comemorar, ao vivo e em cores, os 94 anos de minha mãe, neste dia 1º. No mesmo dia ainda tentei que me liberassem para um pulinho em Itabuna, pois participaria dos festejos antecipados dos 94 anos do Caboclo Alencar, que reina absoluto no ABC da Noite, no Beco do Fuxico, e ainda daria os parabéns ao amigo e colega Gabriel Nunes e Paulo (Índio) Lima (todos no dia 2, junto com Yemanjá).

Todos os meus sonhos foram por água abaixo e me contentei em parabenizá-los por meio de mensagens no Whatsapp, sem um aperto de mão, um abraço apertado e, sequer, desejar tudo de bom nesta vida brindando com uns dois ou três goles de batida. Todo o meu planejamento seguiu água abaixo, ou como diriam os mais exaltados, o meu castelo ruiu, sem mais nem menos.

Ainda bem que alcancei a dádiva de comemorar recentemente os 80 anos do Almirante Nélson, numa festividade que deu o que falar em toda a Canavieiras, devido ao brilho dos serviços e ao número e qualidade dos convidados. É por isso que tenho a convicção de que nada mais correto do que “o que tiver que fazer hoje não deixe para o amanhã”.

Minha grande preocupação seria carregar a pecha de desidioso, por não comparecer a tão importante e qualificado evento, em que tinha a obrigação da presença, na qualidade de vice-presidente da Alambique (Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopias, Etc.). Ainda bem que o zeloso presidente, o jornalista Daniel Thame fez a entrega solene da placa em homenagem às 94 “primaveras” do Caboclo Alencar, fixada na parede externa.

Placa em homenagem a quase um século de vida do nobre Caboclo Alencar

Mas não tive outro jeito senão acompanhar toda a movimentação do Beco do Fuxico pelas redes sociais e alguns telefonemas de amigos cobrando a minha presença. Deitado eternamente em minha rede esplêndida acompanhava com bastante atenção os presentes, todos bebericando as riquíssimas batidas elaboradas pelo mestre alquimista Caboclo Alencar.

Para os que pensam ter sido apenas comemorações de aniversários, posso afirmar que se tratou de uma festa de trabalho (pode?), pois já se debatia a tradicional Lavagem do Beco do Fuxico, na abertura do Carnaval do Itabuna. E este ano a folia será ampliada com a Lavagem da Cantina Tico-Tico e do bloco que leva o mesmo nome.

Mas nem só de Carnaval vive o Beco do Fuxico! O planejamento chegou ao mês de julho, quando será comemorado o aniversário dos 115 anos de emancipação de Itabuna, mais precisamente no dia 28 de Julho. Por coincidência, nesta mesma data se festeja aniversário do ABC da Noite, que atinge a marca de 63 anos de existência, no mesmo local e o mesmo proprietário.

Essas datas festivas são como um bálsamo para meus incômodos nevrálgicos, que espero solucioná-los em tempo recorde para não tomar falta na chamada da lavagem carnavalesca, bem como no aniversário do ABC da Noite, do qual sou aluno repetente dos mais antigos. Já encomendei ao colega de ABC, Cláudio da Luz, que em suas andanças por Itajuípe consiga algum remédio da flora nativa, criado por algum raizeiro juramentado.

Prometo que daqui pra frente somente participarei de eventos em que a falta seja injustificável, tomando todas as precauções com o estado físico. Aguarda-me, por exemplo, o sábado (15 de fevereiro), no conceituado Mac Vita, quando será apresentado à sociedade mundana canavieirense o livro Tyrone Perrucho – o homem que colecionava amigos, de minha autoria.

Garanto que serei bastante comedido.

Walmir Rosário é  radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Caixeral de 1957 e seleção regional || Foto Arquivo de Walmir Rosário
Tempo de leitura: 3 minutos

O número de jogadores era tão abundante, que os “cartolas” ainda se “davam ao luxo” de formar uma seleção regional, tendo como base os jogadores do bairro da Conceição.

 

Walmir Rosário

 

 

 

 

 

Mas qual eram os segredos para Itabuna formar tantos craques? De cara posso garantir que para um atleta atuar no Campo da Desportiva Itabunense era preciso passar por um verdadeiro vestibular, nos “babas” disputados em campinhos dos bairros ou escolinhas de futebol. Aprovado, a partir daí poderia tentar uma vaga nos times amadores.

Tínhamos, por exemplo, a Academia de Futebol Grapiúna, dirigida pelo cirurgião-dentista Demóstenes Carvalho, e os times de Adonias da Mangabinha, de Tim do bairro da Conceição, dentre outros. E os que mais se destacavam eram convidados a jogar nas diversas equipes aspirantes até chegar ao time de cima das agremiações amadoras.

E os campinhos de bairro não eram raridades, como hoje! Bastava um terreno baldio mais ou menos plano, sem muitas pedras, e duas traves. Era assim na Borboleta (hoje rodoviária); banca do peixe, Escola de Celina Braga Bacelar, Maravalha, (centro); São Judas Tadeu; campo do Tênis, torre da Rádio Difusora, Malícia, Brasilgás, Vila Zara, Eucaliptos (bairro da Conceição); Cortume (Banco Raso) para se submeterem aos olheiros e indicarem futuros craques.

O América da Vila Zara, comandado por Adonias, em 1963, era um dos times de camisa que forneceu jogadores para várias equipes. Em 1972, o mesmo América mantinha praticamente a mesma formação, mesclado com jogadores mais novos. João Garrincha, Dema, Betinho Contador, Zé Nito, Luiz Fotógrafo, e tantos outros.

Lembrados até hoje nos papos de saudosismo, os craques do passado têm nome, sobrenome e história a ser contada pelas jogadas memoráveis, tanto nos campos de pelada como na velha Desportiva. Um desses exemplos são as escalações da Seleção de Itabuna de 1958 a 1965, quando reinou absoluta no cenário amador do estado da Bahia. Fora essa saga vencedora, as equipes de bairros (ou várzea, como queiram), ainda reinam absolutas na memória dos torcedores.

Eu costumo usar uma frase dita pelos veterinários: “de mamando a caducando”, que se encaixa bem na velha prática do futebol, quando os escolhidos para formar o time (ainda na base do par ou ímpar, para escalar primeiro) eram pela eficiência, meritocracia. Pouco importava se menino ou homem-feito, tinham que ter as qualidades para jogar em determinado campo e decidir a partida. Isso era fundamental para jogar num time de camisa.

Enquanto nos campinhos o jogo era na “paeta” (descalço), nos times de camisa se jogava de chuteiras, fabricadas por sapateiros especializados, como Lauzinho, ali na rua Silveira Moura, no bairro da Conceição, ex-jogador do Botafogo de Rodrigo e exímio profissional, dentre outros que competiam para fabricar os melhores produtos.

E jogar de chuteiras era preciso uma adaptação, pois elas eram feitas de acordo com a posição em o futuro dono jogava: macia para atacantes e rígidas para zagueiros. Já as travas poderiam ser de sola grossa ou alumínio, a depender do tipo de jogo, mais alta ou mais baixam de acordo com o clima e a característica do jogador – ou de maldade, segundo os comentários da época.

Uma coisa era certa: todas as chuteiras eram pretas, algumas com uma ou duas listras brancas, porém jamais cor-de-rosa rosa choque, amarelo alaranjado, pois eram feitas para proteger o pé e aumentar a potência do chute, nunca para aparecer. O mesmo acontecia com o corte dos cabelos, em maioria o de “soldado americano” e, de quando em vez, um maracanã para o encanto das moçoilas casadoiras. Definitivamente, não era o tempo de Neymar!

Mas, trejeitos e modas à parte, o que valia era pisar no gramado e dar conta do recado. Jogador bom era o eficiente e produtivo. Não podia ser “manioso” ou “vedete”, para não cair em desgraça e ser olhado de soslaio pelos “cartolas”. Assim era no Flamengo de José Baliza, ou no Botafogo do bairro da Conceição de 1976, que mesclava atletas mais experientes como Neném, à garotada do tipo de Bilo e Paulo Roberto. No mesmo time jogavam Danielzão, Pelé Cotó, Romualdo Cunha e os garotos João Garrincha, Beguinho, Alterivo e Douglas.

Naquela época, o número de jogadores era tão abundante, que os “cartolas” ainda se “davam ao luxo” de formar uma seleção regional, tendo como base os jogadores do bairro da Conceição. Essa seleção excursionava pelas cidades vizinhas, acumulava vitórias e títulos, dada a altíssima qualidade dos jogadores como: (em pé, a partir da esquerda) Faruk, Vitor Baú, Sílvio Sepúlveda, Pedro Mangabeira, Lauzinho e Guaraí; agachados Lane, Pedrinha, Juca Alfaiate, Macaquinho e Diocleciano (foto acima).

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

Imigrantes ilegais são deportados dos Estados Unidos || Foto Casa Branca/Divulgação
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Nesse momento de extrema tensão em que o sujeito sai de casa para trabalhar sem saber se vai voltar para rever os filhos, a minoria, que já está estabelecida, documentada e legalizada, indo e vindo, contribui muito pouco para amenizar o sofrimento daqueles com os quais um dia, ambos ainda indocumentados, dividiam moradia, dificuldades e preocupações. É cada um por si e Deus por todos.

 

José Cássio Varjão

Talvez o assunto mais comentado em todas as mídias dos países da América Latina, nos últimos dias, foram as deportações prometidas e cumpridas por Donald Trump. O momento atual, político e social, em que o mundo vive, com a construção genérica de narrativas ao gosto do cliente, requer que façamos algumas ponderações sobre a realidade dos fatos. Para desnudar factoides, as deportações sempre existiram nos EUA. Ponto. O que acontece nesse momento é um espetáculo midiático por parte da Casa Branca, com o intuito de efetivar promessa de campanha com grupos supremacistas e humilhar pessoas, com o objetivo de frear novas entradas ilegais em território americano.

Com os atentados de 11 de setembro de 2001, contra o World Trade Center e o Pentágono, o presidente George W. Bush criou o United States Departament of Homeland Security – DHS ou Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, com a missão de proteger o território americano, na esfera civil, em casos de ataques terroristas e desastres naturais, incluindo detectar, investigar e corrigir as vulnerabilidades relacionadas às fronteiras americanas, como a do México, do Canadá e a fronteira marítima com o Golfo do México.

Nesse contexto, como órgão subordinado ao DHS, passou a existir a agência policial U.S. Imigration and Customer Enforcement – ICE ou Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, com sede em Washington D.C., dirigida por Diretor nomeado pelo Presidente dos Estados Unidos, que se reporta diretamente ao Secretário de Segurança Interna, sendo a segunda maior agência de investigação do país e ficando, em número de efetivos, somente atrás do FBI.

De acordo com informações da Agência Brasil, durante o ano fiscal americano, que terminou em 30 de setembro de 2024, o governo Biden deportou 271 mil imigrantes, de várias nacionalidades, sendo o maior nível de deportações desde o ano fiscal de 2014. A informação oficial foi divulgada pelo relatório de fiscalização da ICE, que também estima a presença de 11 milhões de imigrantes sem status legal em território americano. Alguns órgãos de defesa de imigrantes aumentam esse número para 13 milhões ou 14 milhões de indocumentados. Fato esse, ocorrido sem mediatismo.

Morei nos EUA entre 2002 e 2012, na região de Boston, Massachussets. Em 2004, esse número de imigrantes, sem status legal, já foi superior a 15 milhões de pessoas, sendo que na Nova Inglaterra ou New England, que é composta pelos estados de Massachussets, New Hampshire, Connecticut, Maine, Rhode Island e Vermont, estimava-se a presença de 500 mil brasileiros, a maioria em Massachussets. Atualmente cidade de Framingham/MA, com 75 mil habitantes, calcula-se que 20% da população seja brasileira.

Importante salientar que existem regras e procedimentos durante o processo de deportação, iniciando-se com detenção do imigrante, podendo este permanecer encarcerado até o final do processo, ou, em alguns casos, pagar fiança com a obrigatoriedade de comparecimento às audiências seguintes. O governo Trump, numa das suas novas determinações para agilizar as deportações, expandiu o procedimento de “remoção acelerada”, principalmente nos casos de pessoas detidas nos centros de custódia da fronteira com o México, portanto, pessoas que não chegaram a entrar em território americano, dando poder às autoridades imigratórias para expulsar uma pessoa sem a necessidade de audiência perante um juiz de imigração.

É essencial evidenciar que, em alguns casos, como crimes não violentos ou ter filhos americanos, o imigrante detido é solto, com um prazo para sair do país autonomamente, inclusive custeando seu retorno, num acordo prévio com o juiz de imigração. Portanto, até aqui, não se pode generalizar o processo de deportação de imigrantes do solo americano. São casos distintos, analisados individualmente, obedecendo determinações das leis de imigração.

As especificidades para abertura de um processo de deportação obedecem a critérios que se baseiam na forma como o imigrante entrou em solo americano. Todos aqueles que adentraram o país por meio de visto de turista, emitido por embaixada ou consulado no seu país de origem, passará por audiências com um juiz de imigração, podendo inclusive solicitar alteração do seu status de turista, para estudante, por exemplo, se comprovar estar estudando. Aqueles que ingressaram nos EUA, oriundos de países que fazem parte do Programa de Isenção de Vistos (VWP), quando o visto de entrada não é obrigatório, após ser detida, a pessoa fica reclusa em centro de custódia para imigrantes, aguardando oportunidade de ser deportada sumariamente, sem direito a apelação. Os que atravessaram as fronteiras americanas ilegalmente, uma vez detidos, podem em alguns casos, em que fica comprovado o risco de vida no retorno ao seu país de origem, solicitar asilo nos EUA. Na maioria das ocorrências, a deportação ocorre de forma sumária.

Num país essencialmente composto por imigrantes, porquanto somente os nativos nasceram em território americano, a imigração, inicialmente europeia, que ajudou a construir o império norte-americano, se tornou uma adversidade de dimensões incontroláveis, de dificílima resolução, a não ser com a possibilidade de legalização da maior parte daqueles que vivem há muitos anos e construíram o tão propagado sonho americano honestamente, com muito suor e trabalho.

Com 10 anos vividos nas Terras do Tio Sam, sempre tive a consciência e a certeza de que é impossível deportar todos os imigrantes sem status legal, que vivem nos EUA, principalmente porque não há espaço físico para acomodar nem 10% dessas pessoas detidas. Depois, não há efetivo de pessoal suficiente no Departamento de Imigração para dar encaminhamento a essa quantidade colossal de processos de deportação, e os custos com a detenção, alimentação e deportação desses indivíduos, seriam estratosféricos. De acordo com o American Immigration Council, entidade que atua na defesa de imigrantes, deportar todos aqueles que estão com status ilegal, vivendo nos EUA, custaria U$ 315 bilhões de dólares. Finalmente, porque, sem grande parte dos imigrantes que desempenham as tarefas que os americanos se rejeitam a fazer, como funcionarão alguns setores da economia, principalmente a área de serviços?

Essa seria uma questão que teria fortes impactos nos negócios como limpezas em geral, construção civil, lanchonetes/cafeterias, restaurantes etc. Nos últimos dias, por exemplo, algumas igrejas evangélicas americanas estão realizando seus cultos com menos fiéis, pois o clima é de apreensão e medo. Em New York, uma igreja colocou aviso na porta, alertando a ICE que só poderiam entrar com autorização judicial. Estabelecimentos comerciais, também estão lidando com a falta dos funcionários, receosos em ir trabalhar e sofrer com batidas da ICE. O pânico é geral, principalmente em estados com menor aceitação de imigrantes, como Arizona, Alabama, Geórgia, Indiana e Carolina do Sul, que já lutaram em tribunais para implementar leis estaduais anti-imigrantes. Trata-se de um imbróglio que trará menos ganhos e mais perdas, para os diversos setores da economia americana.

Vivendo esse problema de dimensões colossais, os EUA promoveram o último grande ato para legalização de imigrantes em 06 de novembro de 1986, com a Lei de Reforma e Controle de Imigração (IRCA), realizada pelo governo Ronald Reagan, dando oportunidade de quase 2,7 milhões de legalizações, em um montante de 5 milhões de imigrantes ilegais, naquele momento do país. O maior programa de legalização na história dos EUA já completou 38 anos. Em 2000, nos últimos meses do governo de Bill Clinton, a lei criada por Reagan foi reaberta por 4 meses, contemplando somente trabalhadores em áreas específicas, como restaurantes, padarias, pizzarias etc., legalizando um número muito pequeno dos imigrantes da época, que já batiam na casa dos 10 milhões de indocumentados.

A questão imigratória nunca encontrou consenso entre Democratas e Republicanos para ser discutida, em comum acordo, na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos ou Câmara dos Deputados. Pelosi Nancy, ex-presidente da Casa, tentou em algumas oportunidades, principalmente durante parte do primeiro mandato do governo de Barack Obama, incluir o assunto numa discussão mais aprofundada, sem sucesso. Nos bastidores da política americana há enorme rejeição, principalmente por parte dos Republicanos, em discutir e resolver esse assunto. A visão do partidário republicano é que, uma vez cometido o erro da entrada irregular no país, essa pessoa deve ser punida sumariamente com deportação, sem a possibilidade, inclusive, de pagar multa pelo seu crime contra a imigração americana. Em algumas oportunidades desse período, entidades que representam grupos pró-imigrantes trouxeram a possibilidade de pagamento de multa de 1 mil dólares por cada imigrante, além de arcarem com custas processuais, pagamento de Imposto de Renda dos últimos 5 anos, e de não terem ficha criminal, numa eventual legalização.

Onde há trigo, o joio também estará presente. Todos os imigrantes que estão sem os documentos essenciais para viver nos EUA cometeram crimes contra as leis migratórias. A prioridade do departamento de imigração sempre foi a de buscar aquele imigrante com problemas criminais, porém, a possibilidade de estar no lugar errado, na hora errada, é latente. O sujeito honesto e trabalhador pagará o mesmo preço do desonesto e oportunista.

O processo de migração internacional, forçado ou não, pode ser desencadeado em consequência de diversos fatores, como desastres naturais, guerras, perseguições políticas, religiosas, étnicas e culturais, porém, a principal causa é a econômica, aquela em que o sujeito migra forçadamente, em busca de melhores condições de vida para sua família. Nesse diapasão, as medidas propostas e implementadas pelo Consenso de Washington, em novembro de 1989, capitaneado pelos EUA e pela Inglaterra, tendo como foco os países da América Latina, com a imposição de propostas neoliberais, mostram o colapso nas economias desses países, fato preponderante para o alto índice de migração rumo ao norte do continente americano.

O economista coreano Ha-Joon Chang, professor da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, afirma que “o Consenso de Washigton foi uma armadilha criada pelos países desenvolvidos para impedir que os países subdesenvolvidos conseguissem atingir os mesmos níveis de desenvolvimento do Primeiro Mundo.” O economista coreano criou o termo “chutando a escada”, demonstrando a forma que os países desenvolvidos usaram para impedir que os países do chamado terceiro mundo fossem impedidos de alcançar o mesmo sucesso deles.

No país de Rosa Parks, que em dezembro de 1955 se recusou a ceder seu lugar num ônibus em Montgomery, no Alabama, que ainda atualmente segrega minorias, que separa bairros como de brancos, de negros e de latinos, obter o visto de residência permanente, o Green Card, não livra o imigrante das discriminações, humilhações e xenofobias. Uma vez imigrante, sempre imigrante. Você resolve sua questão legal com o governo, não com a cultura racista americana, que credita a entrada de doenças virais no país à imigração latina. Para parte desses americanos, os radicais, quem está abaixo dos Estados Unidos geograficamente fala espanhol e a capital do Brasil é Buenos Aires.

Num universo de centenas de milhares de imigrantes brasileiros que vivem nos EUA, não chegam a 10% dessa população os portadores de Green Card ou até mesmo da cidadania americana. Assim como qualquer região do mundo que se torna um El Dorado, a combinação de pessoas, com motivações, culturas, credos e posições sociais diferentes, forma uma população disforme e heterogênea. A maioria saindo do seu mundo para habitar outro completamente desconhecido, que foge da sua realidade, para ir em busca daquilo que nunca vivenciou e não conhece, não tem conhecimento da língua, da localização geográfica, se está acima ou abaixo da Linha do Equador, se está no Ocidente ou no Oriente. Nesse momento de extrema tensão em que o sujeito sai de casa para trabalhar sem saber se vai voltar para rever os filhos, a minoria, que já está estabelecida, documentada e legalizada, indo e vindo, contribui muito pouco para amenizar o sofrimento daqueles com os quais um dia, ambos ainda indocumentados, dividiam moradia, dificuldades e preocupações. É cada um por si e Deus por todos.

José Cássio Varjão é cientista político.

Os irmãos Deroaldo e Ronaldo na Cantina Tico-Tico || Foto Enault Freitas
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Raimundo Pereira Borges, o Zinho, ou o Tico-Tico, nasceu em 7 de maio de 1930 e faleceu em 18 de janeiro de 2011, deixando um legado para a família, que soube perpetuar um empreendimento que, embora pequeno, alcançou e soube se manter no patamar do sucesso. Além de Ronaldo Deroaldo e Deroaldo Ronaldo, Zinho deixou as filhas Cássia, Clélia, Hélia e Alcimar.

 

Walmir Rosário

No nosso tempo de menino em Itabuna uma das maiores diversões era assistir ou participar dos jogos de futebol. Era a nossa mania municipal. Campinhos não faltavam nos bairros e até no centro da cidade. Bastava uma bola, a marcação das traves, muitas vezes com pedras, e a meninada com vontade de brincar. Sobravam muitos, geralmente os sem habilidade.

Agora, bom mesmo, era assistir aos jogos e treinos dos times amadores, principalmente da invencível Seleção de Itabuna. Como nem sempre estávamos providos de recursos para o ingresso, recorríamos aos jogadores amadores que possuíam a carteirinha da Liga de Desportos Atléticos (Lida), e entrávamos com eles. Claro, sem pagar nada.

E existiam os funcionários que dificultavam nosso ingresso, enquanto outros facilitavam. E uma dessas figurinhas carimbadas era Raimundo Pereira Borges, um multifuncional no Campo da Desportiva, pois “jogava nas 11”, era bandeirinha, árbitro, goleiro, diretor da Lida e dono do bar interno da Desportiva. Uma figura alegre, brincalhona, afável, mas que sabia ser sisudo quando o assunto requeria.

Zinho (Tico-Tico) e a esposa, Miralva || Foto Arquivo Walmir Rosário

Raimundo Pereira Borges era pouco conhecido. Para nós era Zinho – só os mais velhos –, depois Tico-Tico, novo apelido que ganhou quando em 27 de janeiro de 1950 inaugurou, junto com sua esposa, Miralva, a Cantina Tico-Tico, bem próximo do Campo da Desportiva, na rua Almirante Tamandaré, ao lado do conhecido Jardim do Ó, local em que funciona até os dias de hoje.

E a escolha do nome foi pra lá de inusitado: um dia Zinho informa a seu irmão Antônio, conhecido como Tote, dono do Bar dos Operários, que iria abrir uma cantina e aproveita para pedir uma sugestão quanto ao nome que daria. Nesse momento, Tote saía de detrás do balcão e se dirigia ao banheiro com um rolo de papel higiênico, e mostrou ao irmão: “Bota o nome de Tico-Tico, como essa marca de papel higiênico”. E imediatamente foi aprovado o nome.

O local era pequeno, mas abrigava a todos, principalmente quando as empresas próximas liberavam os empregados para a “merenda” da manhã e da tarde. Bem em frente, onde hoje existe a Igreja Universal, funcionava uma revenda Volkswagen, com cerca de 50 funcionários, muito deles com o lanche anotado no caderno.

Refrigerantes, sucos e refrescos, pastéis bem recheados de carne, banana real, bolos de milho, tapioca e aipim, além das batidas de gengibre e maracujá fazem o maior sucesso. Com o passar dos anos a Cantina Tico-Tico ganhou conceito e frequência diversificada, com mecânicos, radialistas, jornalistas, bancários, advogados, comerciários, muitos dos quais buscavam o lanche fora da hora de grande movimento.

Os filhos de Zinho mantêm a obra: Deroaldo e Ronaldo no balcão do Tico-Tico || Foto Enault Freitas

Eu mesmo fui cliente assíduo da Cantina Tico-Tico quando a redação do Jornal Agora ficava do outro lado do Jardim do Ó. Todos os dias, eu, o saudoso colega Euclides Batista (Zoca) e o diagramador Paulo Fumaça dávamos uma paradinha nas “Olivetes” para o lanche sagrado. Barrigas abastecidas, trocávamos uns dois dedos de prosa com Zinho e os filhos Ronaldo Deroaldo (Peu) e Deroaldo Ronaldo.

E aos poucos o nome Zinho foi sendo transferido para Tico-Tico, um expert na área de lidar com o público e que soube repassar esse conhecimento aos filhos. Lembro-me, ainda menino, de quando ele dirigia o bar do Campo da Desportiva e num domingo o presidente da Lida o proibiu de vender cachaça, só cerveja e refrigerante. Foi uma revolta geral, mas Zinho soube tirar de letra e apaziguar.

E todo esse sucesso do Tico-Tico não subiu à cabeça da família que soube se dedicar a servir bem aos fregueses, com bebidas e comidas de boa qualidade, muitas delas fabricadas em casa. Um dos filhos, Deroaldo Ronaldo, optou pelo trabalho na cantina e deu adeus à advocacia, num tempo em que os despachos e sentenças eram raridades, pela falta de juízes e promotores.

As memórias: Zinho Tico-Tico nas páginas vibrantes do Jornal Agora

E por todo o sucesso dessa família à frente da Cantina Tico-Tico ao longo de 75 anos ininterruptos, o Serviço Brasil de Motivação e Marketing (Simmbra), liderado pelo empresário Valdir Ribeiro, prestará, nesta segunda-feira, 27, às 11 horas, uma homenagem à Cantina Tico-Tico, com um Certificado de Excelência. E Valdir Ribeiro ressalta que uma empresa familiar dificilmente consegue sobreviver no mercado por todo esse tempo.

Raimundo Pereira Borges, o Zinho, ou o Tico-Tico, nasceu em 7 de maio de 1930 e faleceu em 18 de janeiro de 2011, deixando um legado para a família, que soube perpetuar um empreendimento que, embora pequeno, alcançou e soube se manter no patamar do sucesso. Além de Ronaldo Deroaldo e Deroaldo Ronaldo, Zinho deixou as filhas Cássia, Clélia, Hélia e Alcimar.

Vida longa à família Tico-Tico.

Walmir Rosário é  radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

 

"Ainda estamos aqui", diz faixa do povo tupinambá de Olivença || Foto Lucas Santos
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Com a paráfrase, os tupinambá reafirmam sua presença, aqui e agora, sem metáfora, em carne, osso e urucum.

 

Thiago Dias

 

 

 

 

 

A foto de Lucas Santos nasceu antológica. A imagem que ilustra este comentário é da Festa da Puxada do Mastro de São Sebastião e foi capturada no domingo (12), em Olivença. O distrito ilheense é parte do território dos tupinambá de Olivença, que se estende por 47 mil hectares, nos limites dos municípios de Ilhéus, Una e Buerarema, no sul da Bahia.

São tantas camadas. De saída, o registro mostra guerreiros de um povo que, há cinco séculos, resiste ao projeto de extermínio da colonização europeia, ainda em movimento por ação e omissão do Estado brasileiro. Nos últimos 15 anos, mais de 30 lideranças tupinambá foram assassinadas.

As lentes de Lucas Santos também capturaram uma ressurgência do gesto antropofágico em sua expressão metafórica, consagrada pelos modernistas brasileiros. Obra de sagacidade política, o hipertexto tupinambá devora o hype do filme Ainda Estou Aqui, baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, e aproveita a visibilidade de um festejo tradicional. Com a paráfrase, os tupinambá reafirmam sua presença, aqui e agora, sem metáfora, em carne, osso e urucum.

Noutra camada, a flexão precisa da frase título no plural reivindica a existência coletiva, elemento básico para a compreensão dos levantes dos povos tradicionais e da demarcação de sua alteridade frente aos modos de ser do capitalismo tardio, que sacralizam o indivíduo.

A imagem ganha mais uma camada pelo fato de Eunice Paiva, a viúva de Rubens, ter retomado o curso de Direito após o assassinato do marido, tornando-se das maiores referências da advocacia em defesa dos direitos dos povos indígenas no Brasil.

Desde 2009, sucessivos ministros da Justiça se negaram a publicar a portaria declaratória do território reconhecido como indígena pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas, com base em estudo antropológico da portuguesa Suzana de Matos Viegas, autora do livro Terra Calada: Os Tupinambá da Mata Atlântica do Sul da Bahia, lançado pela editora 7 Letras, em 2008.

A longa batalha dos tupinambá pela demarcação de seu território abrange quatro governos do PT, incluindo o segundo e o terceiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em curso.

A luta desse povo também remonta ao Caboclo Marcelino. Dos primeiros a se levantar pela demarcação do território indígena e contra o avanço dos coronéis do cacau em direção ao sul de Ilhéus, ele desapareceu há quase 100 anos, vítima do terror varguista.

Assim como Marcelino, o ex-deputado Rubens Paiva foi assassinado por um estado terrorista, ambos acusados de colaboração com forças subversivas. Ao arrepio da violência do projeto de seu desaparecimento, os tupinambá e a memória dos que tombaram na luta contra o terrorismo de estado ainda estão aqui.

Em tempo, a foto sem edição, como extraída do Instagram de Lucas Santos (@lucasayinyang):

Thiago Dias é jornalista do PIMENTA e da Morena FM 98,7.

Althemar Lima faz apelo por pagamento a agentes culturais || Foto Redes Sociais
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Reiteramos nosso apelo por um posicionamento imediato, que reconheça a importância da cultura como um pilar essencial para o progresso social e econômico de Ilhéus.

 

Althemar Lima

O Conselho Municipal de Cultura de Ilhéus (CMC) tem atuado incansavelmente, sem medir esforços, para assegurar a execução das políticas públicas de cultura, com destaque para a efetivação do pagamento das verbas previstas na Lei Complementar nº 195/2022 (Lei Paulo Gustavo).

Ontem, 10 de janeiro de 2025, protocolamos no Gabinete do Prefeito Valdeiro Reis Júnior e na Secretaria Municipal de Cultura do Município de Ilhéus um documento que apresenta esclarecimentos sobre as tratativas deste colegiado com o Ministério da Cultura, visando obter informações sobre as possibilidades para a liberação dos recursos da Lei Paulo Gustavo.

Adicionalmente, enviamos o mesmo documento, de forma virtual, à Vice-Prefeita Wanessa Gedeon, na tentativa de ampliar o alcance e o entendimento sobre a situação.

Ressaltamos que, conforme estabelece a legislação, a decisão final sobre a efetivação do pagamento das verbas cabe exclusivamente à atual gestão municipal. Contudo, até o presente momento, permanecemos sem respostas concretas, enquanto enfrentamos o risco iminente de devolver mais de R$ 1,6 milhão ao Tesouro Nacional.

É profundamente lamentável que nós, fazedores de cultura, sejamos relegados à margem deste processo, como se o patrimônio cultural de Ilhéus dependesse apenas de nossos esforços individuais. A falta de apoio e diálogo por parte da gestão municipal enfraquece não apenas a valorização da cultura local, mas também compromete a missão coletiva de promover o desenvolvimento cultural em nossa cidade.

Diante deste cenário, reiteramos nosso apelo por um posicionamento imediato, que reconheça a importância da cultura como um pilar essencial para o progresso social e econômico de Ilhéus. Não podemos permitir que recursos e oportunidades sejam desperdiçados por falta de comprometimento e ação.

Althemar Lima é presidente do Conselho Municipal de Cultura de Ilhéus.

O prefeito Valderico Junior e parte do secretariado || Foto Nadson Carvalho
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Ao contrário do que fez e tristemente ainda faz boa parte da direita radical e bolsonarista, não ficarei torcendo para que aqueles que ganharam a eleição governem mal. Não torcerei para dar errado, não desejarei o mal para nenhum integrante do novo governo. Não terei expressões de ódio nem de menosprezo, mas sim de respeito.

 

Julio Gomes

 

Grande parte do Brasil fez ontem uma reflexão sobre o significado do que ocorreu em 08 de janeiro de 2023, quando centenas de pessoas invadiram, depredaram e tentaram um golpe de Estado logo após a posse do Presidente Lula, ocorrida em 1º de janeiro daquele ano. E digo grande parte e não todos, porque há aqueles que se tornaram absolutamente incapazes de fazer qualquer reflexão racional, com base em fatos, e que jamais fizeram a autocrítica que em outros tempos tanto cobraram das demais pessoas.

Em todo o país a data é lembrada sobretudo para que extremistas não tentem novamente golpear nossa democracia por meio do uso de violência, de invasões, de criminoso vandalismo em afronta à soberania popular e às nossas leis.

Penso que nesta data seja importante fazer um paralelo entre o que aconteceu no Brasil e o que vivemos hoje em Ilhéus.

Todos que me conhecem sabem que votei para prefeito na candidata que ficou em segundo lugar na corrida eleitoral, obtendo 38.928 votos contra 41.567 votos recebidos pelo vencedor. Fico a imaginar como seria se nós, da esquerda, que perdemos as eleições em Ilhéus, tivéssemos ido, ontem, invadir a sede da Prefeitura e a Câmara de Vereadores para quebrar tudo, como fez a direita golpista em Brasília há dois anos.

O que a polícia e o Poder Judiciário deveriam fazer conosco se fizéssemos isso? A resposta é tão óbvia que deixo por conta de cada leitor.

Faço essa reflexão para ressaltar o quanto é fundamental e imprescindível respeitar o resultado das urnas, e também para ir adiante em nossas reflexões.

Vemos hoje em Ilhéus um governo que se inicia e que acredito sinceramente que tenha vontade de trabalhar na pessoa do gestor e dos secretários já nomeados.

Ao contrário do que fez e tristemente ainda faz boa parte da direita radical e bolsonarista, não ficarei torcendo para que aqueles que ganharam a eleição governem mal. Não torcerei para dar errado, não desejarei o mal para nenhum integrante do novo governo. Não terei expressões de ódio nem de menosprezo, mas sim de respeito.

Também não ficarei buscando em sites, blogs ou em grupos de WhatsApp de oposição notícias contrárias ao novo governo, alimentando a desesperança, o rancor e o ressentimento, muitas vezes com base em mentiras, em fake news.

Nada disso! Torcerei sinceramente para que a gestão municipal que ora se inicia trabalhe, acerte, cuide da cidade e da área rural, para que realize um bom governo. Farei isso porque não vou torcer contra a população de minha cidade, embora muitos ainda torçam contra o povo brasileiro.

É preciso colocar na política um sentimento de amor ao próximo, de solidariedade ou, se não formos capazes disso, ao menos uma atitude de respeito.

Por isso, além de lembrar que tentativa de golpe de Estado é crime, é preciso ir além e contrapor ao ódio o sentimento de amor ao próximo que consiste em desejar que se faça o bem, que se caminhe na direção do bem, e que se queira o bem das pessoas mesmo quando são nossos adversários políticos, desejando que acertem em seu trabalho e que suas ações sejam benéficas para todos, sem exceções.

Chega de ódio. Que o amor vença em todas as instâncias da vida!

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

Advogado e integrante do movimento maçônico José Carlos Oliveira
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Como foi gratificante ver suas ações, ouvir seus ensinamentos. Sua semente foi plantada e, com certeza, dará bons frutos.

 

José de Carvalho Peixoto

A Loja Vigilância e Resistência estava lotada em um dia de sábado, às 9h da manhã, onde sabemos que um número grande de irmãos estão viajando em um repouso merecido, comemorando o ano novo que acaba de chegar.

Graças a Deus tinha muitos maçons para a despedida ao irmão José Carlos Oliveira. Também ele fez por merecer.

Quando iniciei nos altos corpos, precisava ligar para um, para outro, pedi ajuda a irmãos de outros orientes para formar a loja de perfeição. O trabalho árduo do nosso inspetor litúrgico foi magnífico. Hoje os graus filosóficos apresentam uma realidade bem diferente, está forte em nossa região.

Essa realidade devemos ao esforço e ao empenho do querido irmão José Carlos Oliveira, nunca mais veremos alguém com tanta determinação e conhecimento maçônico em prol da nossa instituição, esse irmão jamais será esquecido, os irmãos de Camacan fizeram a homenagem certa, colocando o nome do nosso irmão José Carlos Oliveira na loja de perfeição .

Adeus meu querido irmão, José Carlos Oliveira. Agora você está nos braços do nosso Pai Celestial, a sua jornada foi concluída.

Como foi gratificante ver suas ações, ouvir seus ensinamentos. Sua semente foi plantada e, com certeza, dará bons frutos.

Obrigado, grande guerreiro, obrigado meu querido irmão José Carlos Oliveira.
Seu legado será passado de geração a geração .

Obrigado, meu Mestre.

Nosso agradecimento ao nosso irmão inspetor litúrgico Jose Carlos Oliveira!

Gratidão!

José de Carvalho Peixoto é empresário.

Santos de Pelé jogou em Ilhéus em 1965 || Foto Acervo Santos
Tempo de leitura: 4 minutos

 

Tomaram um café e partiram, passaram por Feira de Santana, e tocaram pela famosa Rio-Bahia. Madrugada pela frente, muitos caminhões e ônibus na estrada tornavam intenso o movimento. Lá pelas tantas, um caminhão tenta ultrapassar outro e dá de cara com o jipe que conduzia nossos torcedores que voltavam pra casa.

 

Walmir Rosário

O brasileiro sempre foi apaixonado pelo futebol. Não conheço nenhuma pesquisa que nos coloque no topo da pirâmide entre os vários países do mundo, mas nem precisa, somos nós e pronto. Nenhum povo alcançou os nossos feitos em copas do mundo, temos resultados fantásticos nos campeonatos mundiais de clubes e mais que o valham.

E nos apaixonamos por um clube, devotando a ele toda a nossa paixão. Pra cada um de nós o meu time é o melhor e só não ganhou o campeonato por fatores extracampo, como as decisões dos árbitros de futebol, cujas coitadas das mães são xingadas por qualquer motivo fútil. Pouco interessa se os diretores não contrataram os melhores jogadores e sim pernas de pau.

Mais que torcer por um time, alguns se apaixonam – no bom sentido – pelos craques, e isso tenho como provar desde meus tempos de menino lá pras bandas do ainda bucólico bairro da Conceição, em Itabuna. Tínhamos os nossos craques, jogadores dos times amadores e da imbatível Seleção Amadora de Itabuna, mas também devotávamos nosso amor pelos craques do Rio de Janeiro e São Paulo.

E um desses era o Tio Coló, que não era bom de bola, mas gostava de jogar com estilo. Estilo, aliás, era com o próprio: não dispensava uma calça de linho passada a ferro com goma, um sapato do tipo mocassim branco, camisa esporte listrada, fino violonista. No máximo se permitia andar com sandália japonesa, a legítima, nas cores preto e branco, como do Santos de Pelé.

E ele era um exímio motorista, escolhido a dedo por grandes empresários para viagens, muita delas voltadas para jogos de futebol. Segurança total com o Tio Coló ao volante. E quando o assunto versava sobre futebol ele cortava qualquer conversa e dizia em alto e bom som: “Só morrerei depois de ver Pelé jogar”. Já era um mantra incorporado ao tema futebol.

Pois bem, lá pros idos de 1964, se não me engano, chega a grande oportunidade para o Tio Coló realizar seu eterno desejo, com a notícia dada na resenha esportiva da Rádio Bandeirantes de São Paulo, informando que o imbatível Santos viria a Salvador enfrentar o Bahia. Foi um alvoroço no salão de sinuca de Ismael. Seria agora ou nunca para Tio Coló.

Na mesma hora começaram a planejar a viagem entre os presentes. Tio Coló, o mestre de obras da prefeitura, Antônio Cruz, o comerciante Nicanor Conceição, o dono de bar Teles, o comerciante de leite e cana Nivaldo (Cacau). O próximo passo seria alugar um carro e embarcarem para a capital baiana e assistir ao jogo com o Rei do Futebol, Pelé.

E no próprio bairro da Conceição alugaram um carro de praça (táxi), o jipe de Eliseu, também interessado em assistir à partida. Na data marcada partiram para Salvador onde realizariam o sonho, antes considerado impossível. E as estradas daquela época eram horríveis, de terra batida até Jequié, e daí pra frente o asfalto da Rio-Bahia e da BA- 324 até a capital.

Chegaram um pouco antes do início do jogo, e torceram por Pelé, que marcou os dois gols do time santista. Partida encerrada, eles tomaram a estrada de volta e ao chegar a Feira de Santana Eliseu se sentia cansado. O jeito era passar o volante para o colega Tio Coló. E esse era um gesto ímpar, pois o jipe de Eliseu ninguém dirigia. E Tio Coló seria o primeiro a ter o privilégio.

Tomaram um café e partiram, passaram por Feira de Santana, e tocaram pela famosa Rio-Bahia. Madrugada pela frente, muitos caminhões e ônibus na estrada tornavam intenso o movimento. Lá pelas tantas, um caminhão tenta ultrapassar outro e dá de cara com o jipe que conduzia nossos torcedores que voltavam pra casa.

O choque foi inevitável e o caminhão atingiu o jipe do lado esquerdo. Rodovia interditada por causa do acidente os passantes iniciaram o atendimento aos seis ocupantes do jipe, todos bastante machucados e iam sendo levados para o hospital mais próximo. Na realidade, somente quatro puderam ser atendidos: Antônio Cruz, Teles, Nicanor e Nivaldo Cacau.

Na direção Tio Coló não resistiu ao impacto da colisão e morreu no local. Mesmo destino teve Eliseu, o proprietário do jipe, que se encontrava sentado logo atrás do banco do motorista. Assim que a notícia chega a Itabuna, se instala um clamor no bairro da Conceição, que passa a chorar seus mortos e feridos.

Acredito que, em relação ao Tio Coló, a profecia foi feita: morreu exatamente após ter assistido jogar o seu grande ídolo, Pelé, o Rei do Futebol. Nunca mais um solo de violão do Tio Coló, que sempre era lembrado quando o assunto no salão de sinuca de Ismael era o futebol. É triste entrar para a história por sua morte, pois todos queriam que ele ressaltasse sua alegria ao ver Pelé jogar. E logo mais, em 1965, Pelé jogou em Ilhéus, pertinho de casa.

Walmir Rosário é  radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

O presépio é a representação do nascimento de Jesus
Tempo de leitura: 3 minutos

 

 

Acredito que a representação natalina de presentear seja mais que justa e que entre os cristãos e os povos que professam outras religiões a bondade possa durar o ano inteiro e não apenas um dia.

 

 

Walmir Rosário

Sou fascinado pelo Natal, sua beleza plástica, as formações de presépios (bem escassas atualmente), o colorido das roupas, as músicas que abrem nossos espíritos e que nos deixa transbordando de alegria. Mais, ainda, pela transformação das pessoas, notadamente aquelas que transpiram bondade, alegria, crença na salvação da humanidade.

Neste período do ano irradiamos de felicidade com a presença dos motivos natalinos nas pessoas do Deus Menino, nascido numa manjedoura, tendo ao seu lado as figuras de Maria, sua Mãe, e São José, o pai humano. Pelo aspecto local, como não poderia deixar de ser, a presença de animais (bois, vacas, bezerros, carneiros, etc.).

É uma representação bem singela para um Deus que se fez carne e veio habitar entre nós, o que deveria ser comemorado com muita festa, não fosse ser nomeado o Rei dos Judeus. Belém deveria estar em êxtase! Mas não, o seu reino era o do Céu, não o da terra, cercado de suntuosidade e riquezas dos componentes da Corte.

Nasce o herdeiro do Rei Davi numa manjedoura, sem as pompas devidas e o conhecimento dos judeus, mas a história nos mostra que três Reis Magos – Melchior, Gaspar e Baltazar – vêm de longe para homenagear e adorar o Deus Menino e presenteá-lo com ouro, incenso e mirra. Guiaram-se na viagem pela estrela do oriente, a estrela de Belém.

E os Reis Magos vão buscar notícias do Deus Menino, o Rei dos Judeus, justamente com o Rei Herodes, que passou a temer a perda do seu status e poder. De forma dissimulada, solicitou aos Reis Magos que assim o encontrassem, passassem a informações para que ele também pudesse ir adorar o Rei recém-nascido.

Não encontrando Jesus, que por orientação de um anjo em sonho a São José fugiram para o Egito. Temendo pela perda do poder real, Herodes manda matar todas as crianças nascidas recentemente em Belém. Passado o perigo, a família de Jesus retornar a Israel, indo morar em Nazaré, conforme nova orientação de um anjo em sonho a São José.

Até hoje não sabemos ao certo de onde vieram os três Reis Magos, se do oriente (mais consistente), se do continente europeu, se do africano. O que conhecemos são os presentes que trouxeram para o Deus Menino. Ouro, Incenso e Mirra, que representam o poder real do Rei dos Judeus; a divindade de Jesus Cristo; e o remédio para os males do corpo sofrido por Jesus e ressurreição do nosso Salvador.

Acredito que a representação natalina de presentear seja mais que justa e que entre os cristãos e os povos que professam outras religiões a bondade possa durar o ano inteiro e não apenas um dia. Não quero condenar a forma profana de comemoração, a comercial, desde que acompanhadas dos mais puros sentimentos, como os que motivaram os Reis Magos.

Se no Natal somos inundados por cartões com mensagens positivas e incentivadoras, sempre voltadas para a esperança, e os sentimentos religiosos geralmente estendidos ao Ano Novo. Esperamos que possamos fechar tudo de ruim do ano que passou e que possamos renovar nossos corações com o ano que se anuncia, pedindo muita paz ao Salvador.

Um Natal por ano é muito pouco para uma humanidade que caminha a passos largos para o materialismo, a falta de atenção ao próximo, à brutalidade, hoje tão comum entre os seres ditos racionais. Peço que possamos nos guiar pelo sentimento espiritual e assim possamos nos irmanar, consagrando ao Senhor tudo o que fazemos para que nossos planos sejam bem-sucedidos.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Na Maternidade da Mãe Pobre não tinha burocracia || Foto Waldyr Gomes/PMI
Tempo de leitura: 3 minutos

 

 

 

E essa foi a grande sacada do marketing da Maternidade Ester Gomes, que passou a receber inclusive algumas parturientes oriundas da high society itabunense.

 

Walmir Rosário

Fernando Gomes Oliveira, prefeito de Itabuna por cinco mandatos e deputado federal por outros três, contados aí, o deputado constituinte, sempre foi considerado um dos maiores líderes políticos de Itabuna. Volta e meia elaborava algumas frases de efeito de fazer inveja a qualquer marqueteiro, embora tenha amargado ter dito outras, a exemplo de uma dita na pandemia.

A mais famosa foi a “Morra quem morrer”, trecho de uma explicação sua sobre a abertura do comércio durante a pandemia, que somente foi aproveitada pela mídia e oposição esse pedacinho polêmico. Outras frases de Fernando Gomes também ganharam o mundo e hoje se encontram esquecidas, principalmente as de efeitos positivo no marketing político.

Muito do que Fernando Gomes falava era de difícil compreensão, já que havia um descompasso na sua maneira de pensar e de se expressar, cujo nome não sei explicar. Deixo isso para os prendados em ciências médicas. Fernando Gomes, que para muitos não era letrado, completou os estudos até o ensino médio (científico) e estudou Direito por uns três meses, por acreditar que melhor seria ganhar dinheiro e administrar seus bens e os públicos.

Como prefeito conhecia todos os detalhes da administração municipal e era ele, e só ele, quem decidia o que fazer e o que pagar. Nas datas em que entravam os repasses estadual e federal (ICMS e FPM), se reunia com o secretário de Finanças para elaborar a relação dos pagamentos a serem feitos. Conhecia tudo nos mínimos detalhes.

Mesmo os oposicionistas que conheciam essa realidade, espalhavam que Fernando Gomes não era uma pessoa letrada, que não possuía habilidade com a matemática, principalmente a financeira. Ledo Engano. Num debate sobre a administração pública deixava os debatedores sem ação, de bocas abertas, pelas respostas que dava, bem como pelas perguntas que faziam.

Saúde e educação eram duas preocupações em seus governos e muito fez nessas áreas por Itabuna. E nos seus mandatos de deputado federal muito aprendeu como buscar os recursos para implantar seus projetos. Também se aliava a um determinado grupo político, como fez com se ferrenho adversário, ACM, para construir o Hospital de Base de Itabuna, batizado de Deputado Federal Luiz Eduardo Magalhães.

Assim que encerrou seu primeiro mandato na prefeitura de Itabuna, era deputado eleito com uma avalanche de votos. Em Brasília aprendeu como buscar recursos, mesmo sem ocupar ou ter um liderado na prefeitura. Montou a Fundação Fernando Gomes, que mesmo sem apresentar um bem qualquer passou a arrecadar recursos.

E entre as primeiras ações da Fundação Fernando Gomes foi a criação da “Maternidade da Mãe Pobre”, com a proposta de desburocratizar o atendimento, facilitando o internamento das grávidas. Assim que assumiu o segundo mandato na Prefeitura de Itabuna anunciou seu projeto número um, destinado ao atendimento da população mais humilde.

No dia da apresentação apresentou a Maternidade Ester Gomes (em homenagem a sua mãe), que prestaria atendimento médico-hospitalar gratuito à população de baixa renda e ainda doaria o enxoval dos recém-nascidos. E explicou que a maternidade seria uma referência nas áreas de ginecologia e obstetrícia da Bahia.

E na apresentação, o prefeito Fernando Gomes passou a destacar o planejamento da Maternidade Ester Gomes, dotada de 56 leitos e deveria realizar mais de 300 internações mensais. E ressaltou que após receber alta, a parturiente seria levada em casa por um serviço de ambulância próprio sem nenhum custo.

E antes que apareçam um repórter ou cabo eleitoral atrasado na coletiva de imprensa e queira mostrar serviço fazendo perguntas repisadas, a exemplo de como fazer e os documentos que precisaria para internar uma parturiente, Fernando Gomes foi logo avisando: “Olha, na maternidade é bem diferente do INPS, sem qualquer burocracia”. E arrematou em alto e bom som.

– Já disse e repito. Na Maternidade da Mãe Pobre não terá papelório: Aqui o único documento é a barriga!

E essa foi a grande sacada do marketing da Maternidade Ester Gomes, que passou a receber inclusive algumas parturientes oriundas da high society itabunense.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

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Pensemos na perspectiva de melhorar o que nos cerca, façamos dessa ação a nossa oração.

 

Rosivaldo Pinheiro

Mais um ano se aproximando do final e outro chegando. Com eles, novamente a sensação de que tudo se renovará, que seremos melhores do que fomos. Que o próximo ano trará o melhor para cada um de nós e que num passe de mágica provocará uma melhoria no nosso viver coletivo.

Primeiramente, o Natal, período em que de fato é possível perceber uma mudança em uma significativa parcela dos indivíduos. Uma predisposição mais acentuada na prática do bem comum: a solidariedade fica mais aparente. Parece se instalar, ainda que de forma transitória, uma nuvem de bonança. Os corações se permitem serem tocados a exercer a espiritualidade e acolher o outro com um toque de irmão.

Nesse período, as músicas, as decorações, o comércio tendem a construir uma sinergia que, inevitavelmente, além da nuance de melhoria das relações sociais, também impacta no consumo através do ato de presentear, selando, assim, essa atmosfera dos abraços e sorrisos. Um estado de alegria e contentamento.

No aspecto das redes sociais e do WhatsApp, ainda assistimos um ambiente polarizado com o componente ideológico ainda tensionado, e todos os temas acabam desembocando em uma agenda provocativa e pouco humanizada.

Não farei desse espaço um momento de solução de problemas, apenas de uma pontual reflexão, afinal, logo mais o novo ano chega, e só será um novo ano se cada um entender que o melhor, coletivamente falando, só virá quando, individualmente, agirmos com sensatez no trânsito, nas ruas, nas redes e em família. Essa será a chave da mudança para a construção de um mundo melhor.

Então, sejamos a mudança que desejamos ver no outro, afinal, você colherá sempre os frutos que plantou. Pensemos na perspectiva de melhorar o que nos cerca, façamos dessa ação a nossa oração. Trabalhemos as nossas limitações buscando a superação. Que a vida nos permita entender que saberes e sabores dependerão sempre de todos, portanto, feliz plantio, e que a colheita seja abundante durante o próximo ano.

A todos nós, um Feliz Natal e um próspero Ano Novo!

Rosivaldo Pinheiro é economista, especialista em Planejamento de Cidades e secretário de Governo.