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Paulo de Freitas
Lembra-me sempre um espirituoso amigo, daqueles que afirma perder o amigo, mas não perder a piada, que a verdade é algo deveras importante para ser dita a todo o momento e por qualquer um. Se assim ocorresse, ela – a verdade -, não teria valor algum.
Sou obrigado a reconhecer que a máxima, quando transportada para certo microcosmo da realidade social, sobretudo em época de Comissão Especial de Inquérito (CEI) vivida pela nossa Câmara Municipal e de campanha eleitoral majoritária, parece ser cada vez mais correta.
Não me tomem, senhores leitores, por puritano, cabeçudo, intransigente ou qualquer outro adjetivo dos que se atribuem a alguém quando querem lhe diminuir ou arrefecer as convicções. Afinal, quem nunca contou uma mentira? Mesmo que “inocente”, como dizem por aí.
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Daniela Galdino

Ao lado das candidaturas hereditárias, as nada discretas candidaturas de alcova despontam no cenário político baiano. Com a diferença de que essa segunda modalidade é mais, digamos, “democrática”.

Há poucos dias fiz circular um texto no qual apresentava o meu primeiro critério para a eliminação de candidatos nas eleições de 03 de outubro. Na oportunidade, fui categórica ao afirmar que abomino as candidaturas hereditárias. Agora volto à cena não para negar o já dito, mas para apresentar o meu segundo critério de eliminação: abaixo as candidaturas conjugais!
Poderia ser uma piada, mas não é. Ao lado das candidaturas hereditárias, as nada discretas candidaturas de alcova despontam no cenário político baiano. Com a diferença de que essa segunda modalidade é mais, digamos, “democrática”. Afinal, pode ser encontrada em coligações diferentes, unificando, em torno da estratégia do “vote em meu cônjuge/minha consorte”, figuras políticas da direita, da pseudoesquerda e do centro (se é que ainda se pode trabalhar com essas categorias separadamente).
No âmbito dos partidos com histórico de enfrentamento à direita, muitos quadros já foram limados em nome da imposição conjugal. Quando isso começou a ocorrer – claro, ao lado de outras posturas antidemocráticas –, a pseudoesquerdice floresceu.
Ditas essas coisas é bom prestar atenção que, na modalidade das candidaturas conjugais, por vezes o mote é o investimento no “novo” associado ao discurso de gênero, “potencializando” a participação da mulher na política.
No entanto, basta uma rápida análise para que o (e)leitor perceba o engodo discursivo, até porque muitas dessas candidatas encenam uma fala sem voz, já que a apresentação de propostas e justificativa para a candidatura é verbalizada por seus esposos, maridos, cônjuges, “companheiros”.

Bonecas/os e ventríloquos esperam que o eleitor não reclame, afinal, tem-se o dito popular para ensinar que “em briga de marido e mulher não se mete a colher.

Nesse emaranhado político acho desnecessário citar nomes. Com os nomes ofuscados e a provocação do debate, a nossa curiosidade fica acentuada e, inevitavelmente, como (e)leitores – condição que ultrapassa o caráter de meros votantes -, passamos à identificação das candidaturas que se enquadram em tal perfil.
Nas candidaturas conjugais o (e)leitor atento também irá perceber uma estratégia de “ventriloquia” protagonizada por experientes lobos cinzentos para se perpetuar no poder e imaginário eleitoral. O caráter “inovador” e mais útil, obviamente, reside na utilização da fidelidade conjugal em substituição à fidelidade partidária.
E se após o pleito, já com a eleição garantida, houver algum desentendimento entre as partes, bonecas/os e ventríloquos esperam que o eleitor não reclame, afinal, tem-se o dito popular para ensinar que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”.
Eu defendo que nós, (e)leitores, passemos a combater o desenvolvimento desses tentáculos conjugais na política. Até porque, com a ascensão das candidaturas de alcova, os  lobos cinzentos experimentam a sensação de ocupar vários espaços ao mesmo tempo, utilizando as figuras (sem autonomia) dos cônjuges como suas devidas extensões.
Isso nada tem a ver com militância política, mas com o desejo de conter adversários dentro das próprias legendas e, como não poderia deixar de ser, a necessidade e o incontrolável desejo de reter o poder. Psicanálise pouca é bobagem…
Daniela Galdino é doutoranda em Estudos Étnicos e Africanos – UFBA, professora da rede pública e professora visitante da Uneb.

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Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br
Já se vão alguns anos que o município de Itabuna, em articulação com os governos do estado e federal, firmou compromisso com o Projeto de Humanização de Cidades. Em resumo, compreendia uma série de ações para tornar esta urbe mais aprazível, organizada, menos opressora e desagradável aos sentidos.  Emfim, mais humana.
A despeito dos compromissos, reconheço com inevitável tristeza que a nossa centenária Itabuna continua profundamente desumana. As ruas são sujas e maltratadas, o patrimônio histórico é desprezado, a cidadania é achincalhada, o rio é poluído, o som ultrapassa os decibéis permitidos em qualquer local e horário. Às favas o respeito!
Itabuna é uma cidade onde se buzina muito e se pensa pouco no coletivo. Cada um acha que tem mais direito que o outro, seja no trânsito, nas filas ou nas repartições. O poder público não organiza nem planeja. Ao contrário, executa suas ações em resposta às demandas imediatas, de afogadilho, no grito.
O resultado é uma cidade que não garante o bem-estar das pessoas. Não existem boas áreas de lazer, as praças são poucas e abandonadas. Nota-se claramente que não há um tratamento prioritário para a questão da qualidade de vida, expressão usada a três por dois nos discursos e publicações oficiais.
A desatenção com algo tão importante atinge as famílias, principalmente aquelas que têm crianças. Sou obrigado a mencionar novamente o guri aqui de casa, que protesta todos os finais de semana contra a falta de diversão. Quer sair para a rua, correr num parque, se sentir livre como toda criança deseja. Mas onde?
Numa tarde de domingo, combinamos sair para um passeio de bicicleta, eu e ele. A cidade tem um trecho ridículo de “ciclovia” em somente uma avenida, de modo que a voltinha se transforma em temível aventura na mesma pista em que circulam carros e motos. Confesso que, após 10 minutos de pedalada apreensiva, desisti do passeio e ordenei meia-volta, preocupado com o risco de um acidente. Nessas horas a criança, que não tem a exata noção do perigo, fica indignada.
É uma pena que o “governar pensando nas pessoas” nunca tenha passado de promessa vazia em Itabuna. Administrá-la com foco no ser humano implicaria em proporcionar espaços públicos de lazer e convivência, como existem em tantas outras cidades. Algumas até menores, mas certamente mais aprazíveis.
Não é à toa que num feriado prolongado, como esse de 7 de setembro,  muitos itabunenses procuram se refugiar em outros lugares para reduzir seus níveis de stress. Quem fica é obrigado a suportar a incômoda companhia do tédio.
A todos, um bom feriado!

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Walmir Rosário | ciadanoticia@ciadanoticia.com.br
Aos poucos vou me acostumando com as propostas apresentadas pelos candidatos no rádio e na TV. Não preciso nem mesmo prestar atenção nos cargos para os quais pretendem se eleger. Nem precisa, não vou mesmo votar neles, mas, pelo menos, vou anotando os absurdos “vomitados” durante o horário eleitoral gratuito, “herança maldita” que nos foi deixada pelo regime militar, num rompante de abertura.
Só que, naquela época, um dos ministros, mais precisamente o da Justiça, dizia, no rádio, jornal e na TV, não ter nada a declarar. E não tinha mesmo, quer dizer, pelo menos para que pudéssemos ouvir. Caso teimasse em dizer, não seria conteúdo para todos; teríamos que tirar os menores e as mulheres da sala, por serem impublicáveis os assuntos.
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Daniela Galdino

As velhas raposas afirmam contribuir com a formação de novos quadros, mas, para isso, lançam mão de “alianças genéticas”, delegando aos seus filhos e netos a tarefa de levar à frente o cajado do seu “legado político”.

Na Bahia das eleições de 2010, para um (e)leitor atento, ao serem analisados os materiais de campanha, provavelmente a máxima que impera, seja: “em nome de meu pai”. Obviamente eu não me refiro aos candidatos vinculados a grupos cristãos neopentecostais.
Basta um mínimo de esforço, uma gota do exercício de leitura crítica dessa enxurrada de imagens eleitorais, para que se perceba o investimento no “novo”, estratégia experimentada por velhas raposas do cenário político.
Bem, essa aparente oxigenação do quadro político esconde, em verdade, uma estratégia de se manter no poder. Trocando em miúdos, estou fazendo referencia à profusão de “juniores” e “netos” que caracteriza o atual cenário eleitoral e se espraia pelas candidaturas a Deputado Federal, Deputado Estadual e – é preciso prestar muita atenção – à Suplência do Senado.
Em nome de uma atuação política a longo prazo, as velhas raposas afirmam contribuir com a formação de novos quadros, mas, para isso, lançam mão de “alianças genéticas”, delegando aos seus filhos e netos a tarefa de levar à frente o cajado do seu “legado político”.
As “alianças genéticas” são úteis em dois sentidos: podem desviar a atenção dos possíveis candidatos com ficha suja, e também podem servir para caracterizar os bonecos de luxo que irão encenar com base nos comandos de ventríloquos altamente experientes.
Resta a nós, (e)leitores, o exercício de rememoração. Afinal, algumas raposas, agora transmutadas na “ventriloquia”, já protagonizaram, em passado recente, manobras radicais nos quesitos desvio de verbas públicas, sucateamento da educação, esquemas de propina e outros fatores antidemocráticos.
Mas, como disse, o investimento no “novo” contribui também para alimentar o cidadão com imagens pretensamente revigorantes, provavelmente para, como sobremesa, servir, em taças delicadas e porções adequadas, o esquecimento. Esquecimento esse que, claro, vai permitir às raposas a permanência no imaginário eleitoral – tudo regado a campanhas caríssimas, e com o toque de “qualidade” dos marketeiros.
Considerando essas questões todas já tenho uma certeza para o dia 03 de outubro: vou utilizar critérios para a eliminação de candidatos. E o meu primeiro critério será: não às candidaturas hereditárias. Quem conhece a história política baiana entende bem o que estou dizendo…
Daniela Galdino é doutoranda em Estudos Étnicos e Africanos – UFBA, professora da rede pública e professora visitante da Uneb.

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Allah Góes | allah.goes@hotmail.com
Grande confusão se vê hoje em Itabuna por conta da descoberta “tardia”, pela comunidade, de que a Câmara de Vereadores, quanto à antecipação da eleição de sua Mesa Diretora para o biênio 2011/2012, cometeu, por conta da pressa, uma verdadeira “barbeiragem jurídica”.
No primeiro semestre do ano de 2009, o vereador Milton Cerqueira participava de um Congresso de Vereadores onde, numa das palestras, foi aventada a possibilidade de, alterando-se a legislação do município, antecipar a eleição para a escolha da Mesa Diretora da Câmara.
Animado com a notícia, o edil foi logo falar da “descoberta” com o vereador Roberto de Souza que de imediato acionou “Kleber Ferreira & Cia Ltda.” A partir daí, foi realizada tão somente a alteração do Regimento Interno da Casa e se deu o sinal verde para o início das negociações com vistas à formação da nova Mesa Diretora.
Negociações feitas, Regimento alterado, Mesa “fechada”, marcou-se para o mês de junho de 2009 a sessão para eleição da nova Mesa Diretora, oportunidade em que o Vereador Roberto de Souza, há vários mandatos como primeiro-secretário daquela Casa de Leis, foi finalmente escolhido presidente.
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A princípio, nada de mais com a existência de 195 cargos comissionados na Câmara de Vereadores, não fosse a perversa distorção quando esse número é confrontado com o onze, que é a quantidade de servidores públicos efetivos e concursados da Câmara Municipal.

Paulo de Freitas
A descoberta dos denominados “atos secretos”, produzidos há algum tempo nos porões do Senado Federal, chamou a atenção da população brasileira para uma prática mais comum do que se imaginava: a nomeação de servidores para ocupar diversos cargos públicos sem a divulgação em diário oficial de seus nomes, negando aos mesmos a publicidade que a lei exige.
A garantia de publicidade dos atos administrativos, ainda que não seja plenamente reconhecida como condição absoluta de validade dos mesmos, é comando que a chamada Lei Maior, a Constituição Federal de 1988, fez inserir em seu artigo 37, determinando que a administração pública, seja ela direta ou indireta, de qualquer dos Poderes (Executivo, Legislativo ou Judiciário) da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: “… obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, …”.
Pretendeu o legislador constituinte, acertadamente, logo no primeiro artigo do capítulo VII, que dispõe sobre a Administração Pública, garantir e propiciar a todos os cidadãos o conhecimento e, via de consequência, a fiscalização e o controle sobre todos os atos praticados pela administração. E aqui não se trata apenas da nomeação de servidores, mas uma centena de outros atos que deixam transparecer como se comportam nossos servidores públicos, principalmente aqueles que ocupam postos que trazem em si a vontade da “caneta pública” sob seu controle.
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Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br
Meu filho tem oito anos e adquiriu o estranho hábito (para alguém dessa idade) de assistir ao horário eleitoral na TV. Você pode pensar que o interesse seja pelos candidatos exóticos, alguns até engraçados ou ridículos mesmo, e vá lá que também tenha esse lado e às vezes chegamos a dar boas risadas com as figuras que se apresentam para resolver os graves problemas como a desigualdade, a falta de segurança, saúde, emprego e infraestrutura. Verdadeiros heróis.
Lado a lado na sala, eu e o moleque assistimos ao desfilar de promessas e é incrível como ele já manifesta desconfiança total e absoluta com relação aos políticos e à política. Mesmo com sua pouca idade, observa que a mentira permeia os programas eleitorais como uma sombra e já começa a perceber o quanto a eleição revela o verdadeiro caráter de quem se elege.
O guri andou tendo aulas de cidadania em sua turma de segunda série e aprendeu umas noções básicas sobre os serviços públicos, impostos e coisas do gênero. Já sabe, por exemplo, que nós pagamos vários tributos e o governo devolve uma ninharia em serviços. E estes, além de poucos, ainda são ruins.
Cheio de si, o novo cidadão interpela: “pai, aquela rua em que nós vamos morar está cheia de buracos”… E faz a pergunta caceteira: “os moradores não pagam o IPTU?”. Eu digo que sim e, claro, o moleque fica com aquela sensação de que tem alguém sendo roubado. Geração esperta essa de hoje. Esperta até demais.
Outro dia, candidatos externando seu bolodório, vem ele de novo: “pai, criança pode se candidatar?”. Eu digo que não, que criança não pode nem votar nem ser votada, mas resolvo dar uma de sabido: “só que você pode ser o prefeito de seu quarto e deixá-lo sempre arrumado”. A resposta: “que bom, então vou ser prefeito do meu quarto, mas como prefeito não faz nada mesmo…”.
Confesso que dei risada (pô, o moleque só tem oito anos). Mas pedi réplica e disse que ele teria que ser um bom prefeito, pois senão os seus eleitores (eu e a mãe dele) iríamos cassar o seu mandato. Não sei se a advertência o amedrontou, mas vamos ficar de olho.

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Um veículo desgovernado e descendo a ladeira. É essa a impressão que se tem da Câmara de Vereadores de Itabuna, e isso não é de hoje. O que mudou foi a velocidade da descida, que nunca foi tão grande.
Loiola, o presidente tardio, só agora descobriu que tem poder, mas ainda não teve tempo de entender que o poder sem sabedoria nunca leva a um final feliz. Se antes ele era um bobo nas mãos das “águias” do legislativo municipal, continua o sendo, porém em outras mãos.
Sem habilidade, com a chamada sutileza de elefante em loja de cristais, Loiola vai promovendo não uma reforma, mas a demolição administrativa da Câmara. A estrutura anterior talvez não fosse das melhores, mas o que é mesmo esse monstrengo que vai surgindo naquele prédio em forma de pizza?
Por enquanto, a guinada napoleônica de Loiola não passa de uma pseudo-engenharia, que pode ter trocado seis por meia dúzia ou nem isso. As manobras, pensadas em consórcio pela soma das inteligências do presidente da Câmara com a do capitão-prefeito, visaram tirar os amigos de Roberto de Souza dos cargos de influência no legislativo. Mas quem são os novos titulares? Claro, os amigos de Loiola.
E quem é amigo do povo nessa briga de panelinha contra panelinha? Ora, e o que é o povo, esse ente abstrato, sem rosto e sem forma, que só nas campanhas se transforma em Dona Maria, Seu João e outras milhares de pessoas às quais os políticos somente procuram no momento que lhes interessa? Depois, voltam-lhes as costas e tapam todas as frestas para que ninguém veja o desenrolar das negociatas.
Enquanto incorpora o presidente-canetada, Loiola espalha insegurança e confusão na Câmara. Hoje à tarde, funcionários de empresas terceirizadas invadiram as dependências da casa e reclamaram de que os cheques recebidos do legislativo eram legítimos borrachudos. Em vários setores, surgiu um clima de apreensão, já que ha notícias de novas exonerações sendo preparadas.
E Loiola, o que diz? Absolutamente nada! O presidente não explica seus atos nem dá sequer uma pista do que pretende construir após a demolição. Pelo jeito, esse arroubo de poder deverá produzir muita bagunça, mas está longe de resolver a grave crise do legislativo itabunense.

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Allah Góes | allah.goes@gmail.com
A nossa cidade é realmente bastante estranha, pois nem bem completamos 100 anos, oportunidade em que poderíamos festejar a data relembrando os feitos daqueles que desbravaram esta terra e fizeram de Itabuna uma das maiores cidades de nosso Estado, constatamos que, por aqui, não se respeita o nosso passado e se destrói o nosso futuro.
Sim, pois nesta cidade, que hoje se vangloria de ser o berço de Jorge Amado, onde se exalta a herança recebida das raças que compõem a “nação grapiúna”, se vem, bem devagarzinho, esquecendo-se dos símbolos que tornam Itabuna tão diferente e ao mesmo tempo especial.
Em Itabuna, por ser grande a memória afetiva, mesmo possuindo mais de 200 mil habitantes, ainda se tem o costume de: tomar um “café da manhã” no Tico-tico ou um mingau nas imediações da Rodoviária; de se refrescar na “Danúbio Azul” ou bebericar um “mate com limão” no, hoje recém-salvo, Café Pomar, e de, mesmo com a modernidade, ainda poder se sentar com alguma segurança nas praças, à sombra das árvores.
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Álvaro Degas | degas@oi.com.br
Uma vez a mente aguda e veloz, embora nem sempre muito gentil, de Roberto Campos produziu uma frase que, para mim, é uma verdadeira pérola. Disse Robertão: “numa democracia o direito à liberdade de expressão não garante o direito de ser levado a sério”.
Antes de ser agressiva, e o é, a frase possui uma singeleza lapidar porque há muitos contextos diferentes em que a expressão “não ser levado a sério” pode ser utilizada. Pode ser o caso óbvio de alguém estar falando algo ridículo ou absurdo, e então não deverá mesmo ser levado a sério. Mas o contrário também pode se dar: o ridículo ou absurdo pode estar na compreensão das pessoas, que não levam a sério o que é dito por alguém.
Por exemplo, as eleições municipais de 2004 foram, para os eleitores de Ilhéus, uma excelente oportunidade perdida de se levar a sério algumas advertências. Mas a escolha, naquela oportunidade, foi exercer o direito democrático de não levar a sério o que alguns setores diziam.
Pleno exercício da Democracia. Embora de maneira lamentável.
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Adylson Machado | www.otrombone.com.br

Noticiam que – mais uma vez – o complexo hospitalar da Santa Casa ameaça suspender atendimento de pronto socorro se não atendidas suas reivindicações financeiras junto ao gestor público. Pronto socorro – não precisa muito explicar – é o mais imediato dos socorros de que depende a população.
Debruçamo-nos sobre o tema não somente pela temerária ameaça, quase um moto perpétuo nestes anos (inclusive consumada em tempos não tão distantes no Calixto Midlej), mas por ela esconder um jogo secreto não percebido pelo vil mortal: o que faz um pronto socorro funcionando, se – como buscam demonstrar – traria somente ônus?
Um dos mais competentes secretários de saúde do município de Itabuna que conhecemos, Dr. Paulo Bicalho, enfrentou com altivez e domínio técnico a ameaça da Santa Casa de cerrar as portas do pronto socorro do Calixto Midlej propondo-se a atender, de imediato, as reivindicações do hospital: a Prefeitura de Itabuna assumiria inteiramente o ônus do Pronto Socorro!
Para espanto, a aceitação pelo município foi recusada. Porque Dr. Bicalho só admitia a assunção se a triagem que ali se efetivasse fosse transferida para o Hospital de Base! Ou seja, a cirurgia, por exemplo, que decorresse de um atendimento no pronto socorro do Calixto seria realizada no HBLEM e não no próprio Calixto.
Não precisa dizer que a paz reinou e enquanto Dr. Bicalho foi Secretário de Saúde de Itabuna ninguém na Santa Casa mais falou ou ameaçou de fechar o pronto socorro.
Desdobrando e explicando: é através do pronto socorro que o profissional da Medicina percebe considerável parcela dos recursos dos procedimentos de média e alta complexidade.
Ou seja, a cirurgia decorrente do acidente de carro, moto, queda etc., assim como outros atendimentos mais complexos (cardíacos, renais, neurológicos etc.), ou mesmo um parto em caráter de urgência, está vinculada ao primeiro atendimento, prestado no pronto socorro, e se desdobra em trabalho para muitos: do médico cirurgião aos enfermeiros, passando pelo ortopedista, o anestesista, o cardiologista, o instrumentista etc. E, naturalmente, tudo remunerado pelo SUS.
Em suma, ainda que pareça grosseiro o exemplo, o pronto socorro é uma vitrine para a percepção de melhores remunerações por procedimentos que “rendem” mais.
Quanto ao que dissemos acima, de alguém estar escondendo o jogo – ainda que os recursos estatais para a saúde não sejam o “sonho” perfeito – que tal aproveitar o exemplo do Portal da Transparência do Governo Federal e abrir a caixa dos recursos do SUS recebidos pela Santa Casa e pagos aos seus profissionais?
Não há necessidade de citar pessoas. Basta o nome da atividade. Por exemplo: cirurgião 1, recebe X, cirurgião 2, Y, neurologista 1… e assim por diante. Muito válido, até porque os recursos sob comento são públicos e, portanto, do povo. Depois é só convocar o povo para ajudar a pressionar os Governos.
Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de Amendoeiras de outono e O ABC do Cabôco, editados pela Via Litterarum.

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Walmir Rosário | wallaw2008@hotmail.com
Do site Cia da Notícia
A cada dia que passa os problemas urbanos das cidades do Sul da Bahia – como de todo o Brasil – vão se avolumando, causados pela falta de investimentos históricos na área de infraestrutura. Descasos como esses são imperdoáveis numa cidade de vocação turística e que pode se destacar como polo regional de indústria, comércio e serviços.
E não está longe desse crescimento se tornar realidade com a implantação do Complexo Intermodal, composto de um porto, uma ferrovia e um aeroporto. Para ampliar esse complexo, também bate às portas a implantação da Zona de Processamento e Exportação (ZPE).
Nunca tantos investimentos foram alocados para uma só região e de uma só vez. Esses investimentos “mães” trazem em seu bojo uma série de outros, as chamadas empresas satélites que gravitam em torno das grandes corporações.
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Eliane Oliveira recebeu Francisco Paulo Lins da Silva, vindo  não se sabe de onde, com a generosidade das mulheres apaixonadas.
Deu-lhe amor, uma família e até um emprego na instituição em que trabalhava.
Quando se descobriu que  Francisco viera das trevas, Eliane estava morta, covardemente assassinada pelo homem a quem amara e acolhera.
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Domingos Matos |  matos.domingos@gmail.com
Interessante a notícia que recebo no email, oriunda da assessoria de imprensa da prefeitura de Itabuna. Em letras destacadas em negrito, o título anuncia que “Profissionais de imprensa e comerciários terão acesso a Programa Habitacional”.
Maravilha, penso. Lendo com mais cuidado, porém, descubro que o “convênio assinado na tarde da última sexta-feira (30) entre Prefeitura de Itabuna, Caixa Econômica Federal (CEF), e a FM Construtora está assegurando o acesso de jornalistas e radialistas sindicalizados ao Programa de Financiamento Habitacional “Minha Casa, Minha Vida”. (grifo meu).
Ou seja, não é pra qualquer um jornalista. Tem que ser sindicalizado – nem é bom perguntar o que eles têm para blogueiro, visto que nosso Trombone tem classificação ‘livre’. Mas vamos nos ater ao caso dos jornalistas e radialistas “tradicionais”. Melhor, vamos ficar apenas com o caso dos jornalistas, uma vez que identifico maior facilidade para os companheiros do microfone na seara em que quero meter o bedelho.
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