Ailton Silva
Fiquei mais impressionado ainda com a quantidade de gente que acredita no que é espalhado pela internet sem saber de quem ou de onde partiu a “informação”.
Nos últimos dois meses, tornei-me um “cidadão muito importante”. Não ganhei um prêmio ou fiquei milionário (olha que tenho tentado a sorte quase toda a semana!). Ah, também não pense que fui promovido a qualquer coisa. A verdade é que os simpatizantes dos candidatos me descobriram. Ainda não descobriram você?
Tenho recebido uma média de 25 spams por dia. Praticamente todas as mensagens são de partidários de alguns candidatos atacando outros.
São “informações” sobre os presidenciáveis e políticos de Pernambuco a Rio Grande do Sul, dentre alguns estados que só conheço pelo noticiário e graças às aulas de Geografia e História.
Porém, o que me surpreendeu não foi essa descoberta de que sou um “cidadão importante”, mas as idiotices, imbecilidades e baixarias que os simpatizantes de algumas candidaturas são capazes de produzir.
Fiquei mais impressionado ainda com a quantidade de gente que acredita no que é espalhado pela internet sem saber de quem ou de onde partiu. Muitas pessoas com as quais tenho contato vendem as “informações” sem nenhuma contestação, como se elas fossem verdades absolutas.
As “informações” ganham força até em alguns veículos de partidários regionais. Na terça-feira, 28, fui a uma vidraçaria para fazer orçamento de um box, quando, de repente, o gerente da loja comentou comigo sobre uma frase que um dos candidatos (as) à presidência da República teria dito e foi publicado em um jornal local.
Disse para ele que eu era jornalista, estava acostumado com campanhas eleitorais e que seria um absurdo alguém ter dito aquilo, por mais arrogante e burro que fosse. Ele e outras pessoas que estavam no local, começaram a achar que eu era partidário do dito candidato (a) que falou a suposta frase.
Mais tarde, conversando sobre eleições, um amigo meu (universitário) puxou conversa: “você leu o que fulano de tal afirmou?”. Eu, dissimulando para ter certeza de que iria ouvir aquela bobagem dele, respondi não. “Fulano (a) de tal disse que nem Jesus (a) o faz perder as eleições”.
Então, perguntei onde ele leu aquilo. “Vi há pouco na televisão”, foi a resposta do meu interlocutor. Perguntei em qual canal. Ele acabou confessando que alguém tinha lhe dito aquilo.
À noite, estava eu assistindo ao telejornal quando uma amiga minha liga e disparou: “Você viu como candidato (a) tal está arrogante?” Eu, que já estava esquecido dos embates anteriores, respondi: “estou sabendo não”.
Minha amiga mandou: recebi um e-mail dizendo que meu candidato (a) disse que nem Deus tira a vitória dele (a). “Só por isso, vou mudar o meu voto”. E assim bateu o martelo para o próximo domingo.
E eu, que achava que muitos universitários que conheço valorizassem a palavra ceticismo e fossem votar baseado nas suas convicções, já estou pensado em reler todas as teorias sobre campanhas eleitorais e enquadramento da mídia que estudei na faculdade e no período pós-formatura.
Mas só penso em fazer isso depois da leitura legal sobre os spams que não param de chegar no meu e-mail. Ah, eles não vão influenciar meu voto. Nem o (a) candidato (a), em momento algum, falou aquela asneira publicada em jornal local e também reverberada pela internet.
Ailton Silva é jornalista, produtor e redator do Jornal das Sete e editor de A Região.












No dia da eleição, o Ibope fez pesquisa de boca de urna e o resultado foi Wagner com 49% dos votos válidos e Paulo Souto com 43% dos votos válidos. Átila Brandão (PSC) apareceu com 4%, Rosana Vedovato (PSL), com 1%, Antônio Albino (PSDC), com 1%, Hilton Coelho (PSOL), com 1%, Antônio Eduardo (PCO) com 1% e Tereza Serra (Prona), com 0% dos votos válidos.
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