Pelo último levantamento do instituto Vox Populi, entre 8 e 13 de maio de 2010, a pré-candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, ultrapassa o tucano José Serra pela primeira vez.
Na estimulada, Dilma aparece com 37% e Serra 34% (38% a 35% em cenário só com Dilma, Serra e Marina). É bom lembrar, para o desespero do PSDB, que a pesquisa de intenção de votos foi realizada antes do programa nacional do PT na televisão.
A preocupação maior do tucanato, principalmente dos tucanos da famosa e atraente Avenida Paulista, é com a consulta espontânea, quando a ex-ministra coloca uma frente de quatro pontos (19 versus 15) sobre Serra.
A “menina” do Lula fica cada vez mais conhecida como a candidata do “cara”.
A tática da oposição de tentar evitar na Justiça a participação do presidente Lula na pré-campanha da ex-ministra Dilma Rousseff, do PT, não vem produzindo o resultado satisfatório.
Dilma vem assumindo a dianteira no Nordeste e vem crescendo na região Sudeste, base do PSDB/DEM nos últimos anos, e tende a crescer ainda mais quando começar a campanha plebiscitária que visa comparar os governos de Lula/Dilma X FHC/Serra, nos seus respectivos mandatos.
Recorrer sempre à Justiça para evitar o crescimento de Dilma tem sido uma prática comum por parte da oposição. Mas tal estratégia parece ter chegado ao seu limite.
A recente pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi antes do último programa do PT, que foi ao ar no rádio e na TV dia 13/05, apresenta pela primeira vez a ex-minista à frente do pré-candidato José Serra.
Na última eleição a oposição recorreu ao artifício do denuncismo e foi derrotada. Nesta pré-campanha recorre à judicialização e não tem surtido efeito.
Em decorrência disso, surge uma pergunta: o que a oposição deverá fazer pra impedir a eleição de Dilma Rousseff à Presidência da República? O próprio PT tem a resposta: apresentando um programa alternativo para contrapor ao do governo Lula.
Mas, será que a oposição tem algo diferente para apresentar à nação?
O medo do debate plebiscitário e da participação do presidente Lula na campanha de Dilma mostra que a oposição não tem coisa alguma de diferente do que está aí para oferecer ao povo brasileiro. Se a entrada do presidente na campanha assusta os opositores, é indicativo de que o governo está no caminho certo.
Conclusão: o tapetão não é a solução.
Ailson Oliveira é professor de Filosofia (Uneb) e da rede municipal de Itabuna.
Finalmente acabou a expectativa quanto à convocação de Neymar, Ganso e Ronaldinho Gaúcho, pelo técnico Dunga, da seleção brasileira.
Agora os comentários mais comuns são: “Dunga foi conservador”, “Dunga foi coerente”, “só tem Kaká de criativo no meio campo”, “teria que ter chamado Ganso” e “a surpresa foi Grafite”.
Que Dunga foi conservador, a lista comprova isso. Concordo com o comentarista Neto de que o Kaká é um jogador de velocidade e muito importante para o Brasil, mas não é criativo.
Nesse caso, acho que um jogador com a característica do Ganso cairia muito bem no meio de campo da seleção, junto com Kaká ou na ausência dele. Trata-se de um jogador criativo, que sabe segurar a bola, cadenciar o jogo em alguns momentos da partida. Enfim, um jogador moderno.
Grafite de fato foi uma surpresa na lista, mas não foi a única. Kleberson, que é reserva no Flamengo, foi menos testado do que Carlos Eduardo (opção de criação para a meia que se saiu muito bem na seleção, inclusive reconhecido por Dunga) e mesmo assim foi um dos escolhidos para a copa.
Dunga sempre disse que ficaria na seleção quem estivesse jogando bem. As convocações negam esse discurso.
Dunga sempre disse que ficaria na seleção quem estivesse jogando bem. As convocações negam esse discurso. Chamou alguns jogadores que são reservas nos seus times. Ganso e Neymar estão fora da lista.
O que me impressiona é que a imprensa critica agora a convocação de jogadores que são reservas no time de Dunga, para justificar o descontamento pela não-convocação de Ganso, Neymar ou Ronaldinho Gaúcho. Antes, o mais criticado era Gilberto Silva.
Acho injusta criticar jogadores que têm uma história de boas atuações na seleção, como Josué e Júlio Baptista, principalmente nos momentos críticos, e blindar jogadores que conseguem jogar muitas partidas ruins, como Ronaldinho Gaúcho e Robinho.
Se considerarmos o elogio de Dunga pelo futebol apresentado por Carlos Eduardo quando foi convocado, penso que o técnico não foi coerente na escolha de Kleberson.
E se considerarmos que a seleção tem Luís Fabiano e Nilmar como jogadores de área e que Grafite será reserva, o fenômeno, mesmo gordinho, seria uma alternativa para entrar e resolver uma partida no segundo tempo.
A seleção tem jogadores experientes, mas não é, na minha opinião, a favorita ao título. Mas isso pouco conta agora. Nem sempre ganha quem tem melhor elenco e joga melhor futebol. Então, vamos ao hexa.
O movimento das pessoas com deficiência tem apresentado propostas para modificações no Beneficio de Prestação Continuada, o BPC, baseadas no paradigma da inclusão da pessoa com deficiência. Essas propostas buscam remover os entraves que o BPC, tal como é hoje instituído, representa para a inclusão no mercado formal de trabalho dessas pessoas.
A proposta central, apresentada em conferência, seminário é mudar a concepção do BPC, para que atenda a quem tem deficiência e esteja momentaneamente desempregado e tenha renda familiar per capita inferior a ¼ de salário mínimo. Assim, uma vez em um emprego de carteira assinada, a pessoa com deficiência teria seu benefício apenas suspenso (e não mais cancelado), sendo restabelecido automaticamente em caso de demissão.
Por outro lado, a própria existência do BPC, tal como é hoje instituído, potencialmente se coloca como uma barreira significativa ao próprio processo de inclusão. Isso, ao menos, para o contingente de pessoas com deficiência e baixa qualificação profissional, para quem a alternativa de emprego formal pode significar remuneração idêntica ou muito próxima ao valor do benefício assistencial e assim não compensar o risco de trocar o que é líquido e certo para toda a vida pelo duvidoso ao passar a ser assalariado sujeito ao risco de não-continuidade, numa possível demissão.
Portanto, são urgentes as transformações profunda na sociedade e em seus mecanismos de amparo a esse segmento social para que de fato aconteça sua integração de forma ampla.
É evidente que novos tempos permeiam a vida das pessoas com deficiência, que esta mais consciente quando exige que seja da sociedade a obrigação de se adaptar à diversidade, ao invés de ser o indivíduo quem deva adaptar suas especificidades a um padrão do “homem ideal” para ter acesso ao que a sociedade oferece.
É absolutamente compreensível que, diante de acidentes terríveis como o que ocorreu na tarde de sexta-feira na rodovia Ilhéus-Itabuna, em que um casal e o filho recém-nascido morreram presos entre as ferragens de um carro atingido de frente por um caminhão-guincho; a indignação das pessoas se volte contra as autoridades.
Afinal, há pelo menos duas décadas que se fala na duplicação da rodovia que une as duas maiores cidades do Sul da Bahia e que, além de ter em suas margens a Ceplac e a Universidade Estadual de Santa Cruz, é uma das portas de entrada para o crescente movimento turístico nas áreas litorâneas e possui um intenso fluxo de veículos entre municípios que se completam nas áreas de comércio, saúde, educação superior, prestação de serviços e lazer.
A duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna é, portanto, mais do que necessária e existem motivos para acreditar que, finalmente, a obra sairá do pantanoso terreno da promessa. Os recursos para a duplicação da rodovia estão disponíveis no PAC e o projeto final está em vias de aprovação.
A partir daí é, literalmente, colocar as mãos à obra.
Corria o ano de 1956, e, sem pieguice, eu não podia correr.
Uma tuberculose ganglionar quase tinha me matado, e eu andava fraco.
Já fora de perigo, me mandaram passar uns dias em Ilhéus, na Bahia, na casa de parentes.
Tio Pacheco era médico, dono do hospital da cidade, e um figuraço, casado com tia Esther, irmã de minha avó.
Estava lá eu em franca recuperação quando foi anunciada a presença do Fluminense em Itabuna, ali perto.
Foi então que tio Pacheco chegou em casa no fim de uma bela quinta-feira com dois ingressos na mão e prometeu que iríamos ao jogo.
Havia dias que eu não tinha febre, mas, sei lá se a excitação mexeu demais comigo, fato é que na sexta-feira amanheci febril.
Assim foi durante todo o dia, 38, 39 graus de febre, e, quando o tio Pacheco chegou e soube, nem pestanejou: sentou-se ao meu lado e disse que era melhor esquecer o jogo, mas que de todo modo me faria uma surpresa no domingo. Desnecessário contar o tamanho da frustração, e, na verdade, não havia surpresa possível que me interessasse ou consolasse.
Passei o sábado bem jururu e fui acordado no domingo com o anúncio de que tinha uma surpresa para mim na sala.
Lavei o rosto, escovei os dentes, fui para a sala e dei de cara com um bando de gente que eu não sabia bem quem era.
Era o time do Fluminense!
Tio Pacheco havia conseguido levar o time do Flu à casa dele, para visitar o sobrinho doente.
Ganhei autógrafos do Castilho, do Pinheiro, do Telê Santana, do Escurinho, uma beleza!
Muitos anos depois, às vésperas da Copa de 82, perguntei a Telê se ele se lembrava do episódio, e ele disse que sim, vagamente. E, sempre que de alguma maneira divergíamos, ele me ameaçava: “Vou espalhar para todo mundo que você já sentou no meu colo”.
Mas foi em 1984 que essa história teve seu fecho de ouro.
Num programa de tv, com Castilho, o maior goleiro da história do Flu, e Telê, perguntei a eles, piscando o olho para Telê, se guardavam alguma lembrança de visitas a crianças doentes em excursões do Flu.
E Castilho imediatamente se virou para Telê e disse: “Sim, é claro. Você se lembra, Telê, de um menino paulista que fomos visitar na Bahia, estava com uma doença grave, bem fraquinho, acho até que morreu?”
Antes que Telê falasse qualquer coisa, eu disse a Castilho que o garoto era eu.
O velho e sensível goleiro se emocionou às lágrimas.
Foi a última vez que o vi.
Três anos depois, deprimido, Castilho suicidou-se.
Deixou saudade.
Extraído do livro “Meninos, eu vi”, de Juca Kfouri.
A presidenta do Partido dos Democratas (DEM) de Itabuna, Maria Alice, está disposta a mostrar que o anzol do instituto da fidelidade partidária não é só para fisgar os peixes miúdos.
O ex-prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, sabe que Alice, sua histórica e fiel aliada, é uma implacável defensora da coerência política. Portanto, para evitar qualquer tipo de atrito com a ex-dama de ferro, o agora neogeddelista vai pedir sua desfiliação do DEM.
O ex-governador Paulo Souto, pré-candidato do democratas ao cobiçado Palácio de Ondina, hoje o segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, não vai contar com o importante apoio do fernandismo.
Entre os vários acertos com Fernando Gomes, incluindo até a possibilidade do ex-alcaide ser o candidato do PMDB na sucessão municipal de 2012, o ex-ministro Geddel pediu ao ainda democrata que olhasse com carinho o nome de Renato Costa.
O médico Renato Costa, pré-candidato a deputado estadual pelo PMDB, sabe que a inusitada e surpreendente aproximação com o ex-alcaide pode provocar a perda de centenas de votos, mas acredita que o ganho vai ser bem maior que a perda.
Coisas da política: Fernando Gomes politicamente afastado de Maria Alice e Renato Costa se aproximando.
Algumas mães, de tão devotadas, costumam dar a vida pelos filhos.
O instinto maternal se manifesta de forma tão intensa que eles não hesitam em submeter-se ao sacrifício para preservar aqueles a quem, numa das mais sublimes manifestações da natureza, deram a vida.
Mães, invariavelmente, sonham que seus filhos e filhas se tornarão homens e mulheres respeitáveis e levarão uma vida digna.
Mães, se pudessem, teriam seus filhos e filhas junto delas, como se fossem eternamente crianças necessitando de afeto e proteção, como se o ciclo da vida ficasse paralisado, quando na verdade segue seu curso natural.
É de se imaginar, portanto, a dor de uma mãe quando um filho se desvia do caminho que ela idealizou.
Mais do que isso, quando o filho se transforma em ameaça.
Foi isso que o aconteceu num episódio ocorrido em Itabuna, exemplar pela desagregação que a droga, especialmente o crack, vem provocando como fator de desestrutura familiar.
Primeiro, a mãe percebeu que o filho, até então um dedicado estudante de uma das mais rigorosas escolas públicas de Itabuna, estava mudando de comportamento.
O menino carinhoso se tornara ausente e até agressivo com ela.
Abandonou a escola e passou a andar naquilo que mães zelosas costumam definir vagamente como “más companhias”.
Não demorou muito para ela descobrir que o filho, de 17 anos, estava viciado em crack e, pior, acumulando dívidas com traficantes, que têm o hábito nada ortodoxo de quitar esse tipo de débito com a execução do devedor. Por “execução”, entenda-se assassinato.
A mãe fez um imenso sacrifício e pagou um débito de R$ 800,00 que o filho tinha com o tráfico, mas novas dívidas foram contraídas.
Quando os apelos para que largasse o vício se tornaram inúteis, a mãe, num gesto de desespero, avisou que iria procurar a polícia.
“Se você fizer isso, eu te dou um tiro na cara”, foi a resposta do filho.
O rapaz não estava blefando.
Ao encontrar um revólver no quarto do filho, ela constatou que ele havia subido mais um perigoso degrau na escala natural do vício: ele provavelmente estava cometendo assaltos para conseguir dinheiro ou qualquer objeto (relógios, celulares, tênis, etc.) para trocar pelas pedras de crack.
Deve ter percebido também que a expressão “eu te dou um tiro na cara” não era apenas um desabafo de quem já perdeu qualquer respeito pele mãe.
Era uma ameaça real.
Tão real que, ao dar pela falta do revólver, que a mãe havia escondido, o rapaz passou a quebrar objetos da casa e a agredi-la fisicamente.
Solução: a mãe chamou a polícia e entregou o próprio filho. Como é menor e não pode ficar preso, ela pediu que ele seja internado num centro de reabilitação, instituição de efeito duvidoso, mas que se apresenta como única alternativa.
“É melhor ver meu filho preso do que ver ele morto”, desabafou a mãe, incapaz de admitir (de novo pelo instinto maternal) de que nessa história havia grandes chances de que poderia morrer pelas mãos do filho a quem deu a vida.
Essa história da vida real, que se repete à exaustão, só terá fim quando as autoridades (in)competentes e a sociedade (des)organizada se derem conta de que o crack é um caso de calamidade pública.
Uma imensa, ameaçadora, e devastadora calamidade.
Daniel Thame é jornalista, blogueiro e autor de “Vassoura”, que será lançado em breve.
O Gasene é o primeiro dos macros-vetores de desenvolvimento que chegam à nossa região. A construção desse gasoduto faz parte da estratégia de dotar o país de infra-estrutura para permitir a integração das regiões. Com essa integração das malhas de dutos, o Brasil cria condições para que os fluxos de capitais possam se deslocar em toda espacialidade nacional.
Cumpre o papel de integrar as economias do Nordeste às economias das Regiões Sul e Sudeste, dando a esta parte do Brasil as mesmas oportunidades que o Sul e Sudeste tiveram ao longo dos anos sob a proteção do estado brasileiro.
Em nível regional, o início de operação do Gasene permite a chegada do gás natural, representando uma nova fonte de energia, comercializado pela a Bahiagás. Esta alternativa energética significa um poderoso fator para a atração de novas indústrias, bem como o fortalecimento das já existentes.
A Ferrovia Oeste-Leste também faz parte desse esforço e representa o nascimento de um grande corredor de escoamento da produção de grãos e de minérios, ligando Ilhéus, na Bahia, a Fernandinópolis, no Tocantins, possibilitando a redução de custos de transporte dos produtos agrícolas e, propiciando aos produtores abastecer o mercado interno e externo com maior agilidade e melhor lucratividade.
Sua implantação ajudará o desempenho brasileiro na produção de alimentos, além de contribuir para que o Brasil atinja novos patamares no comércio internacional de minérios.
O porto, o aeroporto e a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) são ações complementares necessárias para viabilizar a integração entre produção e consumo, além de criar condicionantes para elevar a economia da região sul, para além do modelo agrário exportador centrado na produção de cacau.
Num artigo em tom emocional, publicado na edição de ontem (20) do jornal A Tarde, o deputado federal ACM Neto (DEM) sustenta que, a despeito das vozes contrárias, o carlismo vive. Argumenta o parlamentar e herdeiro do clã que a ação – no seu modo de ver, desastrada – do governo baiano ajuda a manter fortes os ideais do velho babalorixá.
O que se convencionou chamar de carlismo na Bahia foi um modo de fazer política duro, com pouca ou nenhuma margem para o diálogo, o tempo do “para os amigos tudo e para os inimigos os rigores da lei”. Antônio Carlos encarnou o poder, amou o poder, viveu do e para o poder. Foi um político ousado, mas não se pode esquecer que suas décadas de mandonismo não tiraram a Bahia do atraso.
Não é de hoje que a Bahia encabeça as listas de analfabetismo, mortalidade infantil, falta de saneamento básico, ausência de infraestrutura. De certa forma, o carlismo ainda vive nessa miséria toda que assola o Estado e não pode deixar de ser considerada como herança de quem passou 40 anos no comando. De fato, o carlismo vive…
Neto acredita que o debate comparativo pode ser favorável ao Democratas, mas ele está equivocado. É possível até dizer que o governo atual poderia ter avançado mais, sido mais arrojado, mas daí a entender que seria bom se copiasse o do passado vai uma enorme distância. Não dá para afirmar que a Bahia estava boa e hoje está ruim, porque boa jamais esteve.
Quando o carlismo vivia mesmo, o grupo controlava trezentas e tantas prefeituras com um poder incontrastável. Hoje tem só uns 70 prefeitos, aqueles que não debandaram para os lados do PT ou do PMDB.
O carlismo não vive em ACM Neto, que sem dúvida é um bom deputado. É inteligente, assim como o patriarca era. É equilibrado, ponderado, respeitoso na divergência… O que o avô não era. Portanto, nem ACM Neto é carlista. O carlismo não vive também em Paulo Souto, em José Carlos Aleluia nem no tucano Antônio Imbassahy.
Quem mais se assemelha ao velho líder, embora fuja da comparação, é o peemedebista Geddel Vieira Lima, que já pertenceu ao time e depois virou seu inimigo.
Então, é forçoso concluir que o carlismo só vive na memória de alguns. Para uns com saudade e para outros com o alívio de quem se lembra como era difícil querer respirar e não poder.
Em alguns momentos da primeira metade do século passado as imensas riquezas geradas pela produção de cacau criaram todas as condições para que uma parte desses recursos fosse aplicada em projetos de diversificação, permitindo um duradouro processo de desenvolvimento e bem estar social, algo impossível de ocorrer quando se vive da monocultura, por mais lucrativo que o produto seja.
Ou aparente ser.
O fato é que, por falta de visão ou pela ilusão de que aquelas riquezas seriam eternas, aliadas a uma notória ausência de espírito coletivo, as raras iniciativas no sentido de se evitar a extrema dependência do cacau se mostraram ineficientes.
O resultado é que quando a crise provocada pela vassoura-de-bruxa se revelou mais devastadora do que todas as outras crises, o Sul da Bahia mergulhou num abismo e viu sua economia reduzida a frangalhos.
As conseqüências foram e ainda são visíveis: produtores descapitalizados, centenas de propriedades rurais relegadas ao abandono, desemprego em larga escala, empobrecimento das pequenas e médias cidades e criação de bolsões de miséria nas periferias, cada vez mais carentes e violentas, de Ilhéus e Itabuna.
Mesmo com um processo de recuperação a partir dos primeiros anos deste século, com a expansão do turismo e de um incipiente pólo de informática em Ilhéus e da consolidação dos pólos de comércio, prestação de serviços, saúde e ensino superior em Itabuna, ainda existe uma imensa demanda por empregos, que resultariam numa vida mais digna para milhares de pessoas.
E eis que o Sul da Bahia se vê diante de uma segunda chance de encontrar o caminho do desenvolvimento, com a implantação de projetos importantes como o Porto Sul e a Ferrovia Oeste Leste, cujos benefícios não se limitarão apenas a Ilhéus, mas se estenderão aos demais municípios do Sul da Bahia.
O porto e a ferrovia vão fazer da região um pólo industrial, além de aquecer outros setores da economia, criando as bases para um novo ciclo de desenvolvimento. São obras capazes de ter, para o Sul da Bahia, o mesmo impacto que o Pólo Petroquímico teve para a Região Metropolitana de Salvador.
Mas eis que, em vez de gerar uma ampla mobilização de todos os segmentos regionais, em função das múltiplas oportunidades que oferecem, a Ferrovia Oeste-Leste e o Porto Sul enfrentam a resistência de alguns setores, a exemplo dos ambientalistas e alguns hoteleiros, que num misto de má fé, desinformação e interesses inconfessáveis, tentam transformar o porto e a ferrovia numa versão grapiuna do apocalipse, como se em vez de progresso e desenvolvimento, eles fossem trazer destruição.
Em nome de uma causa justa, a conservação ambiental, esses setores estão usando todos os artifícios para barrar os projetos, como se fosse possível, em função das rígidas leis ambientais de hoje, realizar obras de tamanha envergadura sem os necessários estudos e as compensações por eventuais danos, mínimos se comparados aos benefícios que o Porto Sul e a Ferrovia Oeste Leste proporcionarão.
O debate é necessário, salutar e contribui para que sejam dadas todas as garantias para que os impactos ambientais sejam mínimos e compensáveis.
Já a radicalização em nome de uma causa (será que é apenas isso?) é condenável, numa região que não pode se dar um luxo de desperdiçar essa segunda e talvez derradeira chance, em nome de uns poucos caranguejos, uma penca de guaiamuns, meia dúzia de siris e um pedaço de mata.
Ou será que eles são mais importantes do que os milhares de pais de família que estão aí, a espera de um emprego que lhes permita viver com dignidade e quem sabe, num domingo de sol, desfrutar com os amigos as decantadas praias e as maravilhas naturais de Ilhéus?
Daniel Thame é jornalista, blogueiro e prepara lançamento do livro “Vassoura”.
Luiz Inácio Lula da Silva, em conversas reservadas, restritas a pessoas de sua inteira confiança, não cansa de dizer que só se elegeu presidente da República depois que conseguiu se livrar da ala do PT contrária a qualquer tipo de aliança.
O governador Jaques Wagner também se queixa dos petistas que só pensam no próprio umbigo, deixando o projeto maior – sua reeleição para o Palácio de Ondina – em segundo plano.
O grande perdedor do definitivo acordo do PMDB de Geddel com o PR do senador César Borges é, sem dúvida, o governador Jaques Wagner. Quem “ganha” são os petistas que fizeram de tudo para evitar uma coligação do PT com o PR.
Agora, com o PMDB e o PR unidos, junto com o PTB, PSC e o PRTB, a possibilidade de Wagner ser reeleito logo no primeiro turno fica mais difícil. A expectativa em torno de uma nova pesquisa de intenção de voto é grande.
Uma coisa é certa: o governador Jaques Wagner tem que assumir pessoalmente o comando das negociações políticas em torno da sua reeleição, sob pena de ressuscitar a hipótese de um segundo turno com Souto e Geddel.
É o PT versus PT, para o desespero do presidente Lula e do governador Jaques Wagner.
PS – O ex-prefeito de Itabuna, Geraldo Simões, foi o principal protagonista do movimento “Fora César Borges”.
RENATO COSTA
O bom médico Renato Costa, pré-candidato a deputado estadual, pode, mais uma vez, ser prejudicado pelo partido pelo qual tenta retornar ao Parlamento estadual.
Na eleição passada foi prejudicado pelo PSB de Lídice da Mata. Agora, com a coligação na proporcional do PMDB com o PR, corre o risco de não se eleger, o que seria uma grande perda para a Região, principalmente para o sul da Bahia.
Vale ressaltar que Renato, que é o presidente do diretório do PMDB de Itabuna, já foi eleito o melhor deputado estadual pela imprensa baiana.
Às 11h56min – A assessoria da presidenta do PSB, Lídice da Mata, entrou em contato com o Pimenta e nega que a coligação PMDB-PSB tenha prejudicado o ex-deputado Renato Costa. “Ele já concorreu pelo PMDB”, observou a assessoria.
A eleição a deputado federal em 2010 deverá apresentar um quadro bastante diferente da eleição anterior. Isto na correlação de forças políticas, pois os nomes apenas mudaram de lado. O PT e o PMDB terão a maior renovação, o PP a menor. Neste ano, o quociente eleitoral estará entre 175 e 179 mil votos.
As três grandes coligações deverão eleger a totalidade dos deputados. São 39 vagas em jogo. O PRB deverá eleger 01 candidato onde se coligar, e o PMN poderá eleger 01 candidato dependendo da coligação que fizer.
PSOL, PSTU, PCB e os pequenos partidos não devem eleger deputados federais. O PV que terá candidatura própria à eleição majoritária, deverá torcer por um crescimento importante da candidatura de Marina a presidente para tentar eleger um representante com o voto de legenda.
As coligações que propomos são aquelas que se apresentam como possíveis diante do quadro macro das forças políticas da Bahia e, ocorrendo estas coligações, apostamos nos seguintes números:
Coligação
PT/ PP/ PDT/ PR/ PCdo B/ PSB
Fará entre 22 e 24 deputados federais
Coligação
DEM PSDB PPS
fará entre 09 e 10 deputados
Coligação
PMDB PSC PTB
Fará entre 06 e 08 deputados federais
Coligação
PRB
Fará 01 candidato onde se coligar
Coligação
PMN
Poderá fazer 01 candidato, dependendo da coligação que venha integrar.
Os candidatos que considero eleitos por coligação são:
Os ventos do progresso que sopram na direção da região sul trazem consigo a energia da esperança. É a oportunidade que esta região tem para vencer a crise instalada há quase três décadas.
Suas causas são conhecidas: a inércia do governo baiano que privilegiou ao longo do tempo a Região Metropolitana de Salvador em detrimento das demais regiões do Estado; a introdução do paradigma neoliberal no Brasil e o advento da vassoura-de-bruxa, ocorridos a partir do meado da década de oitenta.
O modelo econômico adotado na Bahia utilizou o produto financeiro gerado pela região do cacau para financiar a infraestrutura da capital baiana e do seu entorno. As receitas geradas aqui foram a principal fonte utilizada para construir o Centro Industrial de Aratu e o Polo Petroquímico de Camaçari.
Com a mudança do centro dinâmico da acumulação de capital para o setor industrial, a economia baiana, especialmente na área química e petroquímica, ganhou destaque nacional e internacional. Em contrapartida, o cacau perdeu importância como fator gerador de riquezas e passou a ter pouca relevância na pauta de exportação brasileira.
Além da desatenção do Estado, a região cacaueira enfrentou a partir de meados da década de oitenta a implantação do “modelo neoliberal” no Brasil e o advento da vassoura-de-bruxa.
O pensamento econômico da corrente política que dominava a Bahia e o Brasil defendia um modelo de desenvolvimento baseado no esvaziamento da presença do “Estado na economia”, e na “soberania do mercado”.
Para vencer a crise, adotou um receituário tímido, tendo como principal ação a concessão de empréstimos para os cacauicultores.
A falta de planejamento e orientação adequada; os critérios para concessão de financiamentos; a falta de responsabilidade solidária entre financiadores e financiados endividou ainda mais o setor agrícola, funcionando, portanto, como mais um elemento complicador.
Esses feitos produziram em nossa região uma profunda crise, sem, em contrapartida, termos por parte dos governantes do estado, e da união, medidas compensatórias que levassem em conta nossa contribuição para a estruturação do parque industrial baiano, e as potencialidades locais.
Os defensores do neoliberalismo, “estado mínimo”, tinham seu modelo de desenvolvimento centrado em dois pilares básicos: as privatizações (transferência das empresas públicas para a iniciativa privada), sob o argumento de que na estrutura do Estado estas empresas atuariam de forma ineficiente; e a soberania do mercado, que funcionaria sob a tutela e competência do capital financeiro internacional.
O mercado seria o fio condutor do desenvolvimento, assumindo o papel de protagonista do processo de fortalecimento econômico do país.
Os instrumentos que começam a se materializar agora vão em direção contrária ao “pensamento neoliberal”, que se instalou no Brasil no fim da década de 80 com a eleição de Collor de Melo e, atingiu seu ápice na década de 90 com os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso.
Fazem parte de um conjunto de ações que compõem o “modelo de desenvolvimento” que só é e será possível via a presença do estado como “impulsionador e ordenador do processo econômico”.
O impulso esperado por estes instrumentos é a tentativa do Estado e da União saldar uma dívida histórica com esta “região-estado” que, ao logo dos anos, produziu riquezas e que, ao enfrentar sua maior crise, não recebeu de volta ações compatíveis à sua contribuição.
O funcionamento do Gasene, o Complexo Intermodal (Ferrovia/Porto/Aeroporto) e Zona de Processamento de Exportação (ZPE) representam o lançamento das bases para rompermos com o modelo da monocultura cacaueira, possibilitando desbravarmos nossas potencialidades para além do cultivo do fruto dourado.
Rosivaldo Pinheiro é economista e pós-graduado em gestão de cidades.
A história e a literatura são repletas de exemplos de que sempre foi mais fácil alimentar o antagonismo e a desconfiança que abrir o diálogo e a cooperação.
Diante disto, muitos se perguntam, de que vale dialogar e reduzir as distâncias? Alguém responderá: o inimigo nos mantém unido.
Defenderão identidade, cultura, pureza ideológica. Dirão que água e óleo não se misturam! Eles não se importam se a intolerância vai dividir e enfraquecer a sociedade, drenando energia que poderia ser canalizada para a luta pelo desenvolvimento comum.
“Dirão que água e óleo não se misturam! Eles não se importam se a intolerância vai dividir e enfraquecer a sociedade”
Diante dessas dificuldades, por que então um governador e um senador que estão em margens opostas do rio deveriam arriscar suas posições políticas confortáveis para dialogar entre si? Não posso falar pelo governador Jaques Wagner, mas, de minha parte, acredito, francamente, que todo diálogo leva à maturidade e sabedoria. A cooperação entre as forças políticas pode ajudar a Bahia a ser mais forte no plano nacional, enquanto instiga debate franco e transparente, sem que ninguém seja subjugado ou tenha que abdicar da história pessoal. Esta é a nova política que defendo para a Bahia.
Os frutos desse diálogo, que se faz à luz do sol, ajudaram muito nosso Estado. Conjuntamente, atuamos no Senado e no governo federal para garantir o trecho baiano da Ferrovia Oeste-Leste, que esteve ameaçado por uma emenda parlamentar de Minas Gerais.
Também foi trabalho comum trazer para a Bahia recursos de recuperação de estradas, através de um ministério comandado pelo meu partido, o PR. Outro exemplo é a renovação dos benefícios da Ford, um esforço do governador junto ao presidente Lula que relatei no Senado, aprovada agora.
Foi uma cooperação responsável e republicana.
Isto não quer dizer que vá ocorrer uma aliança política para as eleições de 2010.
Estamos analisando o convite do governador, mas há outros fatores que precisam ser levados em conta e é isto que estou fazendo: dialogando com todas as forças, para que o PR não seja caudatário de nenhum partido, mas seja um parceiro, porque tem sua própria contribuição a dar aos projetos que estão em debate, fruto da experiência de seus membros.
Por isto, converso também com o PMDB do ministro Geddel Vieira Lima, sem esquecer meus antigos companheiros, porque política não se faz com exclusão ou isolamento.
Entretanto, agora que se aproxima a eleição, querem interditar o diálogo e nos fazer reféns do passado. Aprendi com o senador Antonio Carlos Magalhães que a Bahia vem em primeiro lugar e que os baianos exigem isto; com Luís Eduardo, que o diálogo pode reduzir as diferenças políticas. O próprio Luís Eduardo buscou uma ampla coalizão para governar a Bahia, projeto que Deus não quis que ele concluísse e que me coube tentar implementar. Os três candidatos a governador também querem ampliar suas alianças, porque sabem que a tarefa de governar a Bahia exige parcerias.
Esta semana, assisti ao filme Invictus, que conta um episódio inspirador na vida de Nelson Mandela. Eleito para presidir a África do Sul, ele arriscou o prestígio para unir o país em torno da seleção de rúgbi, identificada com o antigo regime. Mandela poderia ter recuado, mas superou a desconfiança dos brancos e negros, e hoje temos uma democracia multirracial na África. Foi uma união simbólica que deu suporte à conciliação do país. Mandela explicou aos companheiros: “Se eu não posso mudar diante de uma nova circunstância, como posso querer que os outros mudem?” Modestamente, me associo ao líder sul-africano.
Quando deixei meu antigo partido e me filiei ao PR, em 2007, disse que não queria ser prisioneiro do ressentimento. “Meu partido é a Bahia”, afirmei. Compreendi que fui eleito para uma realidade que mudou, e que não era correto tentar refazer a decisão do eleitor, salvo no momento próprio, que é agora, na eleição. Desse modo, ouvindo Geddel, Paulo Souto, Wagner, com respeito e atenção, vamos encontrar afinidade com a melhor agenda para os baianos. Um novo modo de fazer política toma forma na Bahia, mesmo sob combate dos radicais; independente de quem o PR vir a apoiar, a política baiana já não é mais a mesma.
César Borges é senador da Bahia e presidente do PR-BA.
Artigo extraído da edição de hoje do jornal A Tarde.