Diante de minha surpresa, o menino foi logo falando: “ele matou muita gente, aí levou um tiro na cabeça”.
Rafael não sabe que este domingo é o Dia das Mães e suspeito que ele não conheça a existência de tal efeméride no calendário. Eu menciono a data e ele responde “eu vou, você vai?”, como se se tratasse de um evento. Percebi a confusão e procurei simplificar: “no domingo, você vai dar um abraço bem forte em sua mãe e dizer que a ama”. Ele achou graça e deu uma risadinha cujo sentido a princípio não consegui decifrar muito bem.
Quando lhe perguntei a idade, Rafael mostrou a mão esquerda espalmada e a direita com o indicador erguido. Enquanto mostrava “seis”, com a boca dizia que tem dois anos e falou que faria aniversário “amanhã”, mas imagino que ele não tenha muita ideia do que seja esse mistério. O menino da periferia de Itabuna me disse que estuda, mas não sabe o nome da escola.
Pode não parecer, mas Rafael é um menino esperto, com um olhar vivo e bom contador de histórias. Contou-me uma espantosa, quando lhe indaguei sobre seus pais. Me disse, do seu jeito, que a mãe está bem e cuida dele e de mais dois irmãos. Já o pai foi assassinado.
Diante de minha surpresa, o menino foi logo falando: “ele matou muita gente, aí levou um tiro na cabeça”. Soltou isso com total naturalidade, sem nenhuma emoção, como se fosse um fato banal. Deu a impressão de que narrava a cena de um filme
É assustador ouvir isso da boca de uma criança, mas Rafael infelizmente não é caso isolado e fiquei lamentando como sua infância está terrivelmente comprometida. A realidade desse menino, negro, da periferia de Itabuna, é igual a de tantos outros que nem dá pra contar. Crianças que deveriam ter o direito de ouvir histórias inspiradoras, que lhes estimulassem a imaginação e as fizessem se encantar pela vida. Em vez disso, convivem diariamente com a crueza da violência, na rua e em casa.
Rafael não é uma criança inventada, mas um moleque de verdade, desses que andam por aí e a gente nem liga. Vale muito a pena lhes dar atenção, e antes que seja tarde, como tem sido para tantos outros. Acima de tudo, é preciso quebrar a engrenagem que transforma meninos bacanas como ele em monstros que a sociedade só deseja exterminar.
Infelizmente, aquele sorriso enigmático de Rafael indica que sua inocência tem prazo de validade. E ele é curto!
Há casos de quem não consiga separar-se do celular sequer para ir ao banheiro. Duas ou mais pessoas chegam a conversar pelo “Whats” estando numa mesma casa.
O bloqueio do WhatsApp durante 24 horas esta semana – um terço do tempo inicialmente determinado pela Justiça – levanta uma série de questões para serem pensadas pelos 100 milhões de usuários do aplicativo no Brasil. A primeira diz respeito ao comportamento das pessoas diante das redes sociais, sendo o “zap” (como é carinhosamente apelidado) o mais usado.
Por mais que se reconheçam as vantagens de uma comunicação instantânea, nessa era da velocidade, e o uso do programa até para fins profissionais, é impossível negar que muitos estejam nutrindo certa dependência. A ponto de, muitas vezes, deixarem de perceber o ambiente real em volta, para alimentar primeiro as relações virtuais.
É possível conviver com gente já incapaz de travar um diálogo “cara a cara” por cinco minutos, sem abaixar as vistas para olhar o celular – leia-se WhatsApp. Também se tornou comum ver grupos de amigos (e até casais!) reunidos em bares e restaurantes, estando cada um em seu respectivo aparelho telefônico. Tem, ainda, os encontros – e reencontros – presenciais em que a maior parte do tempo é consumida na postagem de fotos nas redes.
Há os casos de quem não consiga separar-se do celular sequer para ir ao banheiro. Outra estranha, mas frequente rotina: Duas ou mais pessoas chegam a conversar pelo “Whats” estando numa mesma casa. Sem falar, já que o assunto é a residência, no quanto as famílias deixam de bater papo e de “compartilhar” a vida no sentido não virtual da palavra.
São muitos os exemplos que poderiam traduzir uma nociva realidade envolvendo todos nós: existe uma legião de presentes-ausentes. Estamos tratando de uma multidão solitária, pois há um embarque no mundo virtual, muitas vezes em detrimento do real. A manhã que prenunciou a “despedida” temporária do WhatsApp refletiu o desespero de usuários que se diziam viciados no aplicativo. Certamente foi um dia que pareceu mais longo para a maioria dos citados 100 milhões.
Resta saber qual é o caminho de volta, quando o sujeito se der conta de que tem deixado o tempo passar estando um tanto anestesiado diante da tela touch screen do smartphone. O episódio da segunda suspensão do “zap” merece uma ponderação sobre a forma como lidamos com as redes. Ou se, ao contrário, estamos sendo apenas “pescados” por elas, sem a autonomia apontada como trunfo do internauta desde que a web se popularizou.
Uma ressalva: para além do comportamento, é mesmo inadmissível que a empresa se negue a contribuir com investigações de crimes que utilizam o WhatsApp como instrumento. Obviamente, a privacidade dos usuários precisa ser preservada – mas a exceção é mais do que legítima se tal pessoa estiver se valendo dessa tecnologia para afetar a coletividade. No caso do crime em questão – o tráfico de drogas –, todos sabem o quanto ele alimenta a violência, evidente no alto índice de assassinatos Brasil afora.
Celina Santos é pós-graduada em Jornalismo e Mídia e Chefe de Redação do Diário Bahia.
Tão importante quanto a descoberta de novas tecnologias é saber “vendê-las” a um mercado ávido para “comprá-las”. E aí é que reside o nosso “calcanhar de Aquiles”.
Em meio à inundação de notícias desconstitutivas sobre o Brasil como um todo, começamos a vislumbrar que a região do cacau, finalmente, começa a nos mostrar alguma coisa de boa, útil e produtiva. Trata-se da implantação da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) na área Ceplac, às margens da Rodovia Jorge Amado.
Finalmente, a razão, a inteligência e o bom senso conseguiram superar o atraso, o corporativismo maléfico, o provincianismo, as ideias retrógradas, a pequenez e o atraso. E essa tomada de atitude posso credenciar, principalmente, ao então Superintendente de Desenvolvimento da Região da Cacaueira do Estado da Bahia (Sueba), Juvenal Cunha Maynart, e o Magnífico Reitor da UFSB, Naomar Monteiro de Almeida Filho.
É a produção de ciência, de conhecimento, implantada no mesmo local que, por décadas, pesquisou e entregou à Nação Grapiúna todo um pacote tecnológico de desenvolvimento. Concebida num tripé de pesquisa, extensão e ensino, a Ceplac foi além de sua proposta inicial de prestar serviços financeiros aos cacauicultores e transformou a socioeconomia regional numa das mais eficientes do Brasil.
Não se conhecia no final da década de 50, toda a década de 60 e 70 região com uma infraestrutura igual ao Sul e Extremo Sul da Bahia. De repente, da luz do candeeiro passamos à energia elétrica; do transporte ao lombo de burros às boas estradas; das demoradas cartas ao telefone e telex; da economia precária à retomada do crescimento agropecuário e comercial.
Tudo isso foi possível com o trabalho eficiente dos técnicos da Ceplac, liderados por Carlos Brandão e José Haroldo Castro Vieira, Paulo Alvim, dentre outros. Com o passar dos anos, a Ceplac se consolida como instituição científica, muda conceitos e costumes. Como toda grande instituição, sofre com as ingerências, seu técnicos se acomodam. Um novo despertar chega com a terrível descoberta na vassoura-de-bruxa nos cacauais do Sul da Bahia.
A partir desta época, a região já carecia de lideranças capazes de aglutinar os segmentos políticos e produtores em torno de uma projeto inovador eficiente. Mesmo assim a região soube sobreviver, agora com a capacidade da iniciativa privada, formada por um novo perfil de cacauicultores, preocupados com os investimentos realizados.
Essa dicotomia permaneceu até a chegada de Juvenal Maynart à Superintendência Regional, apresentando propostas inovadoras, o que causou um certo desconforto em um grupo de servidores e a sensação de alívio para os produtores de cacau. Nada que não fosse possível administrar com o aparecimento dos novos resultados positivos.
A proposta do novo superintendente era bem simples e se calcava em premissas conhecidas no agribusiness internacional que pretende produzir com eficiência, conviver pacificamente com o meio ambiente e agregar valores ao seu produto. Essa inovação aqui já é considerada uma prática vitoriosa em grande parte do mundo.
Preserva-se o que tem, amplia-se a produção com produtividade, evita-se o ataque de pragas e doenças e promove uma defesa fitossanitária eficiente para o aparecimento de novas endemias. Entretanto, essas ações somente serão possíveis a partir do momento em que a agricultura e a ciência caminharem juntas para oferecer um produto inovador ao mercado.
E essa moderna concepção de produção só conseguirá atingir o seu alvo a partir do momento em que a ciência possuir todos os meios de transferir esse conhecimento ao produtor. Tão importante quanto a descoberta de novas tecnologias é saber “vendê-las” a um mercado ávido para “comprá-las”. E aí é que reside o nosso “calcanhar de Aquiles”.
Mesmo com toda a transferência de tecnologia já feita por instituições como Ceplac, Uesc e empresas privadas, os nossos agricultores ainda carecem, e muito, dessas ferramentas para trabalhar. Uns não têm capacidade de contratar recursos, outros não acreditam nessas inovações, e um grupo maior sequer tem conhecimento das novidades.
Daí que acredito ter sido o magistral o salto de qualidade da gestão de Juvenal Maynart na Ceplac ao abraçar e propor parceria à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Outras existem, mas a UFSB apresenta uma proposta inovadora, que não basta fazer ciência, mas apresentar o conhecimento para todos, com uma metodologia diferente.
A UFSB, nos moldes pensados sob a liderança do professor doutor Naomar Monteiro de Almeida Filho, oferece o conhecimento e a ciência para todos, mas prima pela formação de acadêmicos entre a população das várias cidades onde atua. Isto, sim, é a universalização do conhecimento, mudando o conceito de cidade dormitórios para estudantes.
Alguns policiais adoecidos são transferidos para outras cidades, outras funções, mas não são tratados de forma correta, ou seja, com profissionais da área de saúde mental.
Você já deve ter ouvido alguns psicólogos se referirem ao acompanhamento/tratamento psicológico como terapia, ou análise. Bem, os psicólogos comportamentais ou humanistas chamam de terapia, os psicólogos com embasamento teórico na Psicanálise ou com formação psicanalítica o chamam de análise. Tem-se também a psicoterapia, que é outro tipo de terapia, porém ela pode ser uma psicoterapia breve, ou seja, com tempo de tratamento estipulado e focado na situação emergencial do paciente naquele momento. Contudo, todas têm o mesmo objetivo: trabalhar as questões ou demandas psicológicas do paciente.
Freud, grande psicanalista austríaco precursor da Psicanálise, em 1905, publica o caso “Dora”, onde descreve um caso clínico de uma jovem de 18 anos, com estrutura histérica, acometida por diversos sintomas psíquicos, e que provocavam sintomas orgânicos, como a afonia e paralisias. Porém, a histeria surpreende Freud pelo sofrimento no corpo sem causas orgânicas.
Foi o que chamou de “Talking Cure” – a cura pela fala. Freud percebeu que, ao falar de suas demandas psíquicas pelo método da “Associação Livre” (sem o analista delimitar tempo, ordem cronológica e por onde o paciente deva começar a falar), Dora conseguia elaborar suas demandas psíquicas. Assim o precursor da Psicanálise percebe que quando o paciente fala de suas angústias, consegue elaborar e lidar com suas amarras.
É no setting terapêutico (termo usado para designar o momento da análise) que o paciente fala de suas angústias, de seus nós, suas demandas, enfim é lá que ele se escuta. O analista/terapeuta escuta o analisando/paciente sem juízo de valor, sem moralismo e sem julgá-lo. Vale lembrar que esta escuta é totalmente técnica. Não se trata aqui de uma conversa entre amigos ou conhecidos, quando se dará conselhos, mas de uma relação terapêutica diferenciada.
A expressão parecia traduzir o desalento de quem sofre com uma cidade que não tem água pra beber, mas mata um rio com seu esgoto.
O que aquelas pessoas olhavam com tanta curiosidade? Era um bolo de gente na ponte, todo mundo mirando o rio quase morto, todos ávidos diante de algum espetáculo, provavelmente bizarro.
Ainda vendo a cena de longe, pensava no que poderia ser o foco de tanta atenção. Algum corpo, talvez. De repente, um viciado que escolheu aquelas pedras do rio para se acabar com outras pedras. Ou, quem sabe, mais uma daquelas famílias de capivaras que chegam às dezenas para assistir ao velório do Cachoeira…
Não, não era nada disso.
Cheguei mais perto e juntei-me aos curiosos. O que lhes tomava o tempo era um desesperado cardume de bagres africanos, que se debatiam, bloqueados entre as pedras e um amontoado de baronesas. As bocas abriam e fechavam, em um compasso de morte. E os passantes interrompiam a caminhada para observar o triste fim daqueles bagres.
Não faltou quem desconsiderasse a podridão do rio, com seus ameaçadores coliformes, e imaginasse os peixes convertidos em moqueca. Alguém com inegável tino comercial previu que logo aqueles condenados estariam na feira livre mais próxima, confirmando o adágio de que morre o boi para a alegria do urubu…
Mas tinha também gente olhando tudo com espanto e certa tristeza. A expressão parecia traduzir o desalento de quem sofre com uma cidade que não tem água pra beber, mas mata um rio com seu esgoto, de quem lamenta a falta de perspectiva, as falsas mudanças e, acima de tudo, as velhas novidades.
Olhei mais uma vez aqueles pobres peixes no leito do rio, o seu fétido e lamacento leito de morte. Como a cena agonizante remetia à própria cidade e às suas dores!
Aparentemente sem rumo e sem saídas, sedenta, asfixiada e triste, Itabuna é como uma poça em um rio moribundo, com um povo desiludido, que clama por socorro. Nessa lamentável e preocupante situação, só nos resta pedir que Deus a livre das redes dos velhos pescadores de águas turvas!
Por falar em casta, o esquema de roubo (sem eufemismos!) bilionário da Petrobras é apenas uma ponta das antigas irregularidades que elevam à enésima potência o patrimônio dos “escolhidos”.
O trabalhador brasileiro, contando cada centavo para garantir a cesta básica, o transporte e o remédio contra dor de cabeça, sequer tem tempo para pensar que saem do bolso dele os recursos para manter a megaestrutura da República. Embora o discurso oficial sustente que vivemos numa democracia, o tão propalado “governo do povo” é muito mais “pró-forma”. Para começar, o eleitor não escolhe seus representantes de maneira voluntária; é obrigado a votar.
Enquanto isso, é bombardeado com informações sobre escândalos de corrupção cujos montantes vão muito além do que ganharia após uma vida inteira de labuta. O volume de notícias, decorrente das investigações capitaneadas pela Polícia Federal, sugere que os desvios do dinheiro público são recentes (???). Entretanto, até mesmo o cidadão menos escolarizado, teoricamente com menor senso crítico, sabe que grande parcela da “casta” dos políticos comete seus “deslizes” desde sempre. A novidade, talvez, seja um esboço de punição.
Por falar em casta, o esquema de roubo (sem eufemismos!) bilionário da Petrobras é apenas uma ponta das antigas irregularidades que elevam à enésima potência o patrimônio dos “escolhidos”. Como revelou a jornalista Lilian Witte Fibe, ela presenciou na sauna de um hotel, na década de 90, uma conversa entre diretores da estatal. Eles mencionavam a lucratividade de seus cargos por meio de vantagens indevidas. O grupo, ao saber que havia ali uma profissional da comunicação, tratou de escapulir logo da temperatura a que o ambiente poderia chegar.
Naquele período, os contratos na Petrobras ainda eram submetidos ao processo de licitação – que, em tese, impõe regras às movimentações financeiras em órgãos públicos. No governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, porém, tal procedimento deixou de ser obrigatório. Ou seja, tornou-se legal comprar e vender conforme o entendimento das diretorias. Mas por que houve uma liberação do tipo? Não teria se agigantado com aquela decisão o mau uso dos cofres da empresa? Possivelmente, nunca saberemos.
Agora, com a famosa Operação Laja Jato, multiplicam-se as “delações premiadas”; as acusações que envolvem políticos de quase todos os partidos, bem como seus indicados; empreiteiros vão para a prisão; em contrapartida, algumas denúncias são arquivadas, mas parece espalhada a sujeira que sempre esteve por aqui. Boa parte dos deputados apontados na investigação votou pela admissibilidade de um pedido de impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff.
E a comissão encarregada de dar prosseguimento ao processo no Senado tem (pasmem!) mais de um terço dos integrantes respondendo a inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Figuram como suspeitos de desvios, irregularidades, malfeitos e outros sinônimos que enojam o eleitor. Este último, vale lembrar, é o mesmo que não tem poder de decisão sobre os assuntos relevantes para a coletividade; aquele que é obrigado a votar, independentemente de concordar ou não com as opções a ele ofertadas, sob pena de sofrer uma série de sanções.
Nesse espetáculo da tentativa de impeachment, com personagens da oposição, do governo, ex-aliados (que se tornaram adversários de última hora, após saborear o farto banquete do poder), frequentemente vem à memória uma frase da então candidata à Presidência, Luciana Genro: “É o sujo falando do mal lavado”.
Então, no Dia do Trabalho, mundialmente celebrado no 1º de maio, ao povo brasileiro só resta esperar por reformas para mudar a antiga máquina de eleger. Principalmente, no que se refere aos requisitos ($$$) ainda considerados cruciais para definir quem toma posse nos cargos eletivos.
Celina Santos é pós-graduada em Jornalismo e Mídia e chefe de redação do Diário Bahia.
Tempo de leitura: < 1minutoAdutora que se rompeu tem diâmetro semelhante a este da foto (Foto Emasa/Arquivo).
O abastecimento de água em Itabuna está suspenso desde a madrugada desta quinta-feira (28), quando adutora de Castelo Novo se rompeu. O incidente ocorreu na região conhecida como Manoel Chinês.
A adutora que se rompeu tem 550 milímetros. Desde a forte estiagem, no segundo semestre do ano passado, Castelo Novo se tornou a principal estação de captação de água para o município. Por estar no nível do mar, a água tem alto nível de concentração de cloreto de sódio, deixando a água salgada e imprópria para ingestão humano e animal.
A expectativa da Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa) é de que o reparo na rede seja concluído nesta tarde. Ainda de acordo com a empresa, o bombeamento de água a partir da estação de Castelo Novo deve ser retomado à noite. “A Emasa espera contar com a compreensão de todos e pede desculpas pelos eventuais transtornos causados à população”, informa a nota da diretoria da empresa.
No ano de 2015, conforme reconheceu o Sindicato de Agentes de Endemias, Itabuna ficou cerca de cinco meses recebendo apenas 20% do larvicida usado para dizimar os focos do “Aedes”.
Caem as folhas no poético outono, vem aí o aconchego do inverno, mas uma pergunta inquieta o cidadão itabunense, após uma epidemia de proporções inimagináveis do trio de doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti: o que nos espera no próximo verão? O “QG” montado no centro da cidade conseguiu registrar mais de 36 mil pacientes com suspeita de dengue, zika ou chikungunya.
Mas é certo que o número pode ser duas – quiçá, três– vezes maior. Afinal, muitos não procuraram atendimento médico. E apesar de a epidemia estar sendo dada como vencida, fica uma série de interrogações. As dúvidas vão muito além das mortes decorrentes de complicações, das recaídas em forma de dor (principalmente, nos casos da tal chikungunya) e da insegurança a rondar as mulheres que querem ser mães.
Pelos quatro cantos de Itabuna e do Brasil veem-se campanhas contra as referidas patologias. Quanto ao combate ao mosquito, é cobrado, sempre, à população o cumprimento da responsabilidade de não acumular água parada e tomar até o cuidado de fiscalizar a vizinhança. Entretanto, sabemos que não basta!
Ao passo que aquela Casa representa a sociedade, também não representa, eis a explicação para tal paradoxo: para desespero de muitos brasileiros, dos 513 deputados federais, apenas 36 foram eleitos pelos seus próprios votos.
Quatro assuntos esta semana tomaram conta de boa parte da atenção na web e nos encontros sociais: os deputados bobos-da-corte, a saudação fascista, os cuspes e a Veja Coluna Social Retrô. Em tempos de metades e amizades à prova de palavras atiradas, houve quem defendesse e quem repudiasse essas situações.
No show à parte que os deputados-por-ocasião protagonizaram durante a votação da abertura do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, choveram faces rubras de vergonha na plateia que assistia de casa, e ainda hoje, ao recordar.
Foram dedicatórias e asneiras demais para conhecimento de menos sobre a matéria que votavam. Até uma saudação fascista, feita por Jair Bolsonaro, tivemos que, impotentes e tristes, assistir. Eu e milhões de brasileiros esperamos que o processo da OAB sobre sua cassação vá adiante.
Também teve cuspe de Jean Wyllys no mesmo Bolsonaro após insultos, segundo ele, e cuspe de Eduardo Bolsonaro em Wyllys, em “defesa” do pai, segundo o outro. Um espetáculo que muitos não pagaram (ou votaram) para ver.
Ao passo que aquela Casa representa a sociedade, também não representa, eis a explicação para tal paradoxo: para desespero de muitos brasileiros, dos 513 deputados federais, apenas 36 foram eleitos pelos seus próprios votos. Embora não seja permitido generalizar, já que alguns de fato sabem representar bem a população.
Para alívio da região cacaueira, o deputado Davidson Magalhães sabe aproveitar inteligentemente as oportunidades para levar as questões que nos afligem ao cenário nacional, mesmo tendo um voto sobre o impeachment que nem de longe é pacífico, em sentido amplo da palavra. E, para isso, é preciso coragem.
Para finalizar a semana nacional da dor de cabeça, uma matéria na revista Veja sobre o modelo de mulher a ser prestigiado, o da quase-primeira-dama, Marcela Temer. Seu jeito de ser não compete a ninguém, nem mesmo é demérito, mas o discurso por trás da publicação incomodou muitas mulheres do ano 2016, que não se cabem mais no conceito anos 1940 de ser – o “recato” e a dedicação exclusiva ao lar que à época definiam quem era a “mulher para casar”, aquela que não seguia uma carreira e vivia à sombra do seu esposo, portanto um “homem de sorte”.
Mariana Ferreira é jornalista e autora do documentário A contrapartida.
Entre os votos vendidos e os votos comprados, tenho a leve impressão de que todo mundo estava mesmo era aguardando o palhaço Tiririca avisar que pior do que está, ainda fica!
O país parou para assistir a mais um espetáculo circense filmado na Capital. Da Câmara dos Deputados, lugar criado e pensado para abrigar representantes do povo, um teatro de horror foi transmitido por quase todas as emissoras do país. Centenas de homens agradecendo a Deus por estarem ali em uma data tão especial para a democracia brasileira, e a grande maioria dedicando seu voto às famílias. Pelo sim, pelo não, se gritar “pega o comprometido com o povo” não fica um, meu irmão!
Os nossos representes viraram a piada de um país inteiro. Seria cômico se não fosse tráfico, claro. Em tempos de Whatsapp e a astúcia do povo sendo mais ágil que os passos dados por eles para concentrarem suas bocas sujas naquele microfone, o que não faltou foram bordões e imagens difamatórias circulando entre a população.
Personagens desacreditados: é assim que eles são vistos. Como se não bastasse aquilo tudo, a notícia de que o marido de uma Deputada, que teria dedicado o seu voto à honestidade dele naquela tarde-noite, teria acordado com representantes da Polícia Federal na porta de sua residência ainda nas primeiras horas da manhã da segunda. Seria lamentável se não fosse tão imundo.
Parece que o alto escalão do PC do B no governo municipal está fazendo a “cabeça” do prefeito Claudevane Leite para entregar a Emasa à iniciativa privada. Apesar de negar em público, o prefeito já teria decidido lançar edital para concessão privada dos serviços de água e esgoto no começo de maio.
Na transação, a nova empresa de saneamento estaria livre de débitos da Emasa, sendo deslocada para a fazer outros serviços públicos no âmbito da prefeitura. Ou seja, limpar a área para a nova empresa e dar um “golpe” nos fornecedores, clientes e funcionários da Emasa, pois não contaria mais com a sua arrecadação e passaria a depender de recurso do orçamento municipal.
Os que comandam esse processo de privatização acreditam fielmente que essa transação pode render bons frutos ainda esse ano. Faltando poucos meses para eleição municipal e fim do próprio governo, as negociações estão a todo vapor. Esquecem, contudo, que isso é de uma irresponsabilidade e de uma incoerência extrema, justamente daqueles que historicamente lutaram contra a privatização da água no município.
É bom destacar que essa não é a posição do partido PC do B, que já indicou ser contra e até sugeriu que o município fizesse uma parceria com o governo do estado, através da Embasa, proposta considerada controversa que precisa de maior aprofundamento.
Vivíamos anos de chumbo, depois de mais uma quartelada no país em nome do combate à corrupção e do comunismo e em defesa da família e de Deus! Mas o “santinho” com a foto do então candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) fazia referências à sua insana luta em favor do direito das pessoas a uma vida digna e à Democracia que a todos iguala, sem privilégios.
Ainda bestializado com a pândega sessão da Câmara dos Deputados de 17 de abril de 2016, Dia da Infâmia da Democracia brasileira, que aprovou por mais de dois terços dos votos – 367 favoráveis, 137 contrários e 7 abstenções – a abertura de procedimento para interrupção de mandado da Presidenta da República, Dilma Rousseff, não me deixei corromper pelo sentimento afrontoso do medo. Antes de me deprimir com tão vergonhoso resultado da votação, procurei avaliar a que nível de representação chegamos em parte do parlamento!
Imerso nas lembranças de lutas de inúmeros brasileiros, muitos cuja vida foi de perseguição, massacres e mortes, lembrei-me do primeiro voto em uma eleição proporcional a um Deputado Federal, em 1978. Não entendia como um candidato sertanejo, destemido e corajoso poderia pleitear votos, 14 anos depois de ter sido encarcerado 50 dias, no Quartel do Barbalho, em Salvador. E também vítima do escarnio dos seus detratores da então conhecida direita.
Não o conhecia, é verdade. Mas a estrondosa votação que obteve – 120 mil votos – demonstrou o acerto daquela opção. Mesmo que nada soubesse de política partidária. Aliás, vivíamos anos de chumbo, depois de mais uma quartelada no país em nome do combate à corrupção e do comunismo e em defesa da família e de Deus! Mas o “santinho” com a foto do então candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) fazia referências à sua insana luta em favor do direito das pessoas a uma vida digna e à Democracia que a todos iguala, sem privilégios.
Nascido em Feira de Santana, o brasileiro Francisco José Pinto dos Santos, mais conhecido como Chico Pinto, continua vivo e proferindo inflamados discursos na memória daqueles que defendem o atual Estado de Democrático de Direito e no coração de muita gente que odeia a traição e os traidores desse ideal. Certamente, o parlamentar irrequieto e autêntico, teria morrido novamente, mas dessa vez sem a glória que viveu no seu tempo, depois que a legenda e os políticos que o sucederam fizeram tombar as bandeiras que sempre defendeu.
Que pena que a juventude, os estudantes e as pessoas que foram às ruas protestar contra o descalabro do golpe institucional contra a Democracia não lhe conheçam a História. Senão, saberiam como se comporta um líder de massas, um democrata por excelência e um Cidadão de honestidade à toda prova.
De qualquer maneira, a sessão da tarde/noite de domingo foi um momento educativo, uma oportunidade rara na qual expressiva audiência teve a chance de conhecer melhor o esgoto da política.
De que matéria certos políticos são feitos? De que planeta eles são? Uma análise séria precisa ser realizada para se entender comportamentos como o de grande parte do parlamento brasileiro, tão “bem” representado pelo Sr. Eduardo Messias Cunha.
No comando da sessão que julgou a admissibilidade do processo de impeachment, Cunha foi chamado de ladrão, golpista, gângster, bandido e outros adjetivos vexatórios para quem sabe o que é passar vexame. Não para ele, que assimilava impávido cada ofensa, como se fosse dotado de um conversor mental que abrandasse o sentido de cada palavra.
Cunha é, definitivamente, um caso de estudo. Não só ele, mas – como se viu no domingo – boa parte da patuleia que ocupa a Câmara dos Deputados. Gente que vive em outra dimensão, alheia aos problemas reais, ao mundo de verdade. Elementos que parecem não se preocupar com a opinião pública nem se importar com o papel ridículo que representam.
Como não têm vergonha própria, resta-nos a vergonha alheia ao constatar quem são nossos representantes. Eles detêm mandato outorgado pelo povo para legislar e tratar de assuntos cruciais para o país, mas nem de longe demonstram o mínimo estofo moral para desempenhar tal papel.
De qualquer maneira, a sessão da tarde/noite de domingo foi um momento educativo, uma oportunidade rara na qual expressiva audiência teve a chance de conhecer melhor o esgoto da política. Antes, o desinteresse da plateia deixava os mequetrefes à vontade para cometer barbaridades.
Que o asco geral despertado no domingo não desestimule novos recordes de audiência para sessões do Parlamento. Só assim, expostos à luz do sol, submetidos ao crivo popular e ao escárnio, é possível que aqueles seres um dia sintam despertar um sentimento que ainda desconhecem. De repente, no dia em que eles descobrirem o gosto amargo da vergonha, aí sim o Brasil dará um passo de verdade no caminho da mudança.
Muitos, a exemplo da Globo, Cunha, Moro, Temer e outros abutres, estão conscientes do desserviço que prestam à Nação, mas alguns pequeno-burgueses desavisados embarcam nessa onda por pura ignorância de não conhecer a história de como se deram os Golpes Militares aqui na América Latina.
A tentativa de Golpe, disfarçado num processo de impeachment sem base legal, longe de configurar-se na irresignação das elites derrotadas pela quarta vez consecutiva nas urnas, tem um claro interesse da principal potência internacional em barrar uma alternativa de alteração da correlação de forças na ordem geopolítica mundial.
Se fizermos uma breve análise dos últimos acontecimentos no mundo – as guerras pelo controle da produção de petróleo e controle da economia, a reação política da “nova direita” à consolidação de alternativas de modelos adotados nos países emergentes que destoam da receita neoliberal prescrita pelo FMI e a perspectiva de consolidação dos BRICS como um novo órgão internacional -, perceberemos que a ação do juiz Sergio Moro, da Rede Globo e das elites entreguistas brasileiras faz parte de um novo plano de dominação norte-americana.
Alguns podem afirmar que “isso é discurso de comunista”, mas demorei bastante a escrever esta contribuição para o debate, pois tenho responsabilidade acadêmica e jamais faria um discurso panfletário ante um tema tão importante para o futuro da nação.
O Encontro dos BRICS no ano de 2014, em Fortaleza, é um marco importante para a reação norte-americana. Nele, além de assinar acordos bilaterais sobre cooperação nas áreas cientifico-tecnológica, da educação, militar e comercial, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul tomaram uma decisão que feriu de morte e ameaçou a hegemonia dos EUA na esfera mundial: a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).
O banco nasceu com capital de US$ 50 bilhões para financiar obras de infraestrutura em países em desenvolvimento, e, mais recentemente, o Arranjo de Contingência de Reservas (ACR), com recursos na ordem de US$ 100 bilhões, com o objetivo de socorrer os países emergentes em “risco de quebrar”.
Essas iniciativas libertariam, de uma vez, esses países das garras do FMI e outros órgãos de financiamento hegemonizados pelos EUA, que impõem aos países que têm negócios como eles uma receita de política macroeconômica que, na maioria das vezes, vão de encontro aos interesses destes próprios países. Como exemplo, o receituário neoliberal e a ideia de estado mínimo imposta por décadas aos países da América Latina e de outros continentes que eles insistem em tratar como colônias.
Outro aspecto importante que moveu a gana dos americanos foi a descoberta do pré-sal. Não tenham dúvidas de que esse ataque destrutivo à imagem da empresa, com o pretexto de combater a corrupção que todos sabem que existe há muito tempo, teve como objetivo real a destruição das grandes empresas brasileiras que desenvolveram expertise nas áreas das engenharias, abrindo mercado para as multinacionais que, inclusive, sofreram derrotas em disputas comerciais com várias empresas genuinamente brasileiras.
Os avanços das ideias conservadoras em vários países da América Latina, a exemplo da Argentina, Equador, Peru, Venezuela, entre outros, as sanções aplicadas pelos EUA à Russia em virtude do caso da Ucrânia e as guerras aparentemente por causa de intolerância religiosa no oriente médio têm, todos esses fatos, o dedo podre e maldito daqueles que hoje representam para o mundo o que já representou o Império Romano, a jornada de Napoleão e o Nazi-fascismo conduzido por Hitler e Mussolini.
Barrar o Golpe travestido de impeachment não significa apenas manter a ordem democrática, o respeito à vontade dos 54 milhões de brasileiros que votaram em Dilma, mas, sobretudo, barrar as garras das ave de rapina norte-americana, que nunca aceitou a ideia de que nós, latino-americanos, temos a capacidade de sermos donos do nosso próprio destino.
Muitos, a exemplo da Globo, Cunha, Moro, Temer e outros abutres, estão conscientes do desserviço que prestam à Nação, mas alguns pequeno-burgueses desavisados embarcam nessa onda por pura ignorância de não conhecer a história de como se deram os Golpes Militares aqui na América Latina.
O buraco é muito mais embaixo do que os inocentes, massa de manobra, que induzidos pela mídia, pensam que combatem a corrupção, mas se aliam ao maior corrupto que a República já viu, para derrubar uma presidenta que nunca cometeu crime ou respondeu a um processo sequer.
Não vai ter golpe!
Wenceslau Júnior é vice-prefeito de Itabuna e professor de Direito da Uesb.
O poder só pode ser transferido pelo voto universal e direto e não por tentativas torpes e execráveis. Chega de a classe política transformar o processo legislativo em uma cafua.
A despolitização de parte de nossos concidadãos, a negativa da Política por outra parte imaginando que, distante, vive no Eden, o analfabetismo político e a avidez descarada pelo poder da maioria dos políticos nos levou a esse labirinto digno de um conto de Machado de Assis, se vivo estivesse. Desde o nascimento da República, fato tão bem narrado pelo jornalista e escritor Laurentino Gomes, no livro 1889, o povo brasileiro continua bestializado com os rumos do país. Não participa diretamente e apenas assiste.
Parece que o tsunami que vivemos na política nacional, acontece do outro lado do globo, no sudeste asiático. É preciso que as pessoas acordem para a pantomina engendrada maliciosamente no Congresso Nacional, cujo desfecho para o bem ou para o mal teremos no horário nobre da TV. Aliás, a mídia brasileira beira o ridículo, para dizer o mínimo, ao desbordar da neutralidade jornalística e se bandear quase que inteiramente para o lado contrário à sensatez. Poder político se ganha no voto! Aos olhos do mundo, o Brasil passa vergonha!
A partir de frágil e politiqueira denúncia para abertura de um pedido de impeachment, que completa a irracionalidade dos que não souberam perder com altivez a eleição presidencial de 2014, há duas semanas se vive um Big Brother, onde a TV não mostra o que acontece sob edredons. A vingar a desforra, passaremos mais tempo ainda com essa sensação nefasta que nos aprisiona. A sociedade como um todo está apreensiva, temerosa de que oportunistas acedam a chama que pode incendiar o país, tido e havido como de um povo ordeiro e pacifico.
Como insculpido na Constituição Cidadã de 1988, no parágrafo único, do artigo 1º, todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. Portanto, o poder só pode ser transferido pelo voto universal e direto e não por tentativas torpes e execráveis. Chega de a classe política transformar o processo legislativo em uma cafua, onde os mais espertos fazem tratativas em benefício próprio ou de grupos, sem votos, em desrespeito à maioria que nas urnas fez sua opção política soberana. Não se pode defenestrar o governante por subjetividades e gostos pessoais.