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ricardo artigosRicardo Ribeiro | ricardorib@outlook.com
 

A esperança passa a ser depositada no exercício da cidadania além do voto para forçar os gestores a sair da inércia.

 
Itabuna é uma cidade com tantas urgências, que chega a ser complicado falar de certas demandas. Muitos irão considerar adiável, por exemplo, a oferta de áreas de lazer e esporte, parques, quadras, ciclovias etc. No entanto, estas são necessidades que governo após governo têm negligenciado, enquanto a comunidade segue cada vez mais aprisionada, os filhos reféns de computadores e videogames; e os pais, dadas as circunstâncias, até aliviados pelos guris estarem em casa e não na rua.
O fenômeno dos “rolezinhos”, principalmente em São Paulo, foi sintoma de que a juventude da periferia clama por opções públicas de lazer. Esse sentimento não é peculiar à garotada de ermos bairros paulistanos. Um dia, fatalmente, tais sinais irão se manifestar em outros lugares, como Itabuna, uma cidade que, como todos estão cansados e entediados de saber, cresceu sem planejamento e qualquer preocupação com o bem-estar de seus moradores. E assim continua porque os governantes de plantão preferem olhar para trás, não por gostar de história, mas por uma crônica incapacidade de focar no futuro e planejar uma cidade decente.
O governo sempre dirá que precisa primeiro tapar os buracos, das contas públicas e das ruas, organizar as escolas e os postos de saúde, para depois, se der tempo e sobrar dinheiro, pensar no lazer da população. Seria uma forma de reproduzir a máxima de que “primeiro a obrigação, depois a diversão”, mas – à vera – o que pensar, se nem mesmo da “obrigação” se cuida a contento?!
Nesse ritmo, passam-se o tempo e os governos numa estagnação desesperadora, sem que o quadro se altere. E a cidade continua a crescer desorganizada, sufocada, travada, suja, desumana. Até a próxima campanha eleitoral, em que os prefeituráveis voltarão a prometer realizar o sonho de uma Itabuna melhor para todos.
Faz bem renovar a esperança e, de tempos em tempos, voltar a apostar no futuro. Porém, quando a frustração sucede a expectativa o resultado é a descrença. E não é outro o motivo que leva tanta gente às ruas para protestar, senão a convicção cada vez mais evidente de que os governos têm se mostrado incapazes de atender às aspirações dos governados.
A esperança passa a ser depositada no exercício da cidadania além do voto para forçar os gestores a sair da inércia.
Ricardo Ribeiro é advogado.

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ricardo artigosRicardo Ribeiro | ricardorib.adv@gmail.com
 

Na Bahia, a população feminina é maioria e elas representam 52% do total de eleitores. No último pleito municipal, em 2012, o número de mulheres escolhidas para governar municípios baianos cresceu 36% em comparação com as eleições de 2008.

 
Não é tão pequena a possibilidade de que o segundo posto na chapa a ser encabeçada pelo petista Rui Costa para o Governo da Bahia seja destinado a uma mulher. Há diversos motivos para que se faça tal opção, a começar pelo reconhecimento do notável papel feminino em postos de destaque na sociedade nos dias atuais. A reboque dessa constatação, vem uma série de outras razões que dizem respeito especificamente ao pleito que se anuncia.
Primeiramente, há que se considerar a existência de uma chapa de relevância considerável, liderada pela senadora Lídice da Mata (PSB) como pré-candidata ao governo, tendo ainda a ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça e ex-corregedora nacional de justiça, Eliana Calmon, como postulante ao Senado. Chapa eminentemente feminina, e não são quaisquer as fêmeas que a integram.
Outro ponto a ser considerado é que a utilização do critério de gênero tira de foco o fatiamento meramente partidário da chapa majoritária. Não seria uma saída pela tangente, mas um bom argumento para esgrimir com os caciques pedetistas e pepistas, ávidos pela vice. Que tal serem bons cavalheiros e darem preferência a uma dama?
Se alguns já imaginam Marcelo Nilo (PDT) ou Mário Negromonte (PDT) ao lado de Rui Costa nas fotos de campanha, a quebra de expectativa com o “fator novo” pode gerar um bom efeito para o grupo. A sintonia com o protagonismo feminino, que tem a presidente – ou presidenta – Dilma Rousseff como paradigma nacional, certamente faria bem a Rui.
Talvez valha a pena para o grupo enfrentar os obstáculos que se colocam diante dessa opção, principalmente porque a resistência está firmada em projetos pessoais. Por outro lado, a conjuntura política e o desenho da disputa indicam que uma mulher na vice é uma boa pedida.
Na Bahia, a população feminina é maioria e elas representam 52% do total de eleitores. No último pleito municipal, em 2012, o número de mulheres escolhidas para governar municípios baianos cresceu 36% em comparação com as eleições de 2008.
Ou seja, elas vêm com tudo. E diante desse cenário uma chapa 100% masculina já nasce em desvantagem.
Ricardo Ribeiro é advogado.
 

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Karoline Vital | karolinevital@gmail.com
 

Já faz parte do senso comum, virou até ladainha,  que o povo precisa de mais cultura. Mas que tipo? A do cair na gandaia, encher a cara e esquecer os problemas?

 
Aí o patrocinador, seja ele público ou privado, enche o peito para mostrar que investiu trocentos mil ou milhões na cultura. Mas como? Da maneira mais óbvia: eventos! Carnaval, Micareta, São João, Festa do Padroeiro (a parte profana, claro!), e por aí vai. Tudo com a logomarca do governo ou da empresa para aparecer bem bonito na televisão e nos anúncios em jornais e internet. Tudo colorido, estampado em tamanho generoso!
Infelizmente, a realidade dos investimentos no setor cultural é a política dos eventos. Não há política organizada como um conjunto de ações voltadas para a promoção dos segmentos culturais. Muitas vezes, impera a politicagem míope do pão e circo. Os artistas e grupos por mais organizados que estejam ainda são vistos pelos possíveis patrocinadores como pedintes indesejáveis. Afinal, o que vale mesmo para promover a imagem é disponibilizar os recursos na mão de quem já tem dinheiro, como grandes astros industrializados.
Por mais que os agentes culturais arquitetem projetos permanentes, possíveis de serem executados a um custo relativamente baixo, quando tentam apresentar os planos a potenciais investidores, ganham o mesmo tratamento de uma criança ao mostrar seu desenho para o pai que assiste futebol:
– Que lindo, muito bom! Agora chega pra lá que eu estou muito ocupado! – diz, educadamente, dando um tapinha na cabeça e um discreto empurrão nas costas para o incômodo sumir logo de sua frente.
Já faz parte do senso comum, virou até ladainha,  que o povo precisa de mais cultura. Mas que tipo? A do cair na gandaia, encher a cara e esquecer os problemas? Às vezes, dão a entender de que os artistas (não as mega-estrelas!) fizeram voto de pobreza. E um maná divino desce dos céus para produzir CD, filmar, montar espetáculo, organizar exposições, publicar livros, ministrar cursos e oficinas artísticas, pesquisar e registrar manifestações populares, manter um espaço cultural como cinema, biblioteca, museu, teatro ou galeria.
Confiar em bilheteria não paga conta alguma. É impossível se manter com a venda de ingressos, ainda mais com tantas pessoas exigindo cortesias e convites por achar um absurdo pagar para ver “gente daqui”. Talvez uma grande estreia, bem produzida, divulgada, em um local de alto nível… Só que tudo isso depende do que? Do “vil metal”, oras!
É inegável que, nos últimos anos, os governos federal e estadual, ampliaram o acesso a recursos para diversos segmentos culturais, através de leis de incentivo e abertura de editais. Algumas empresas também seguem a mesma linha, realizando seleções para projetos que se enquadrem em seus parâmetros e objetivos. Mas ainda é muito pouco diante da vasta produção cultural.
Claro que os grandes eventos merecem patrocínios. Porém, por que despejar um enorme montante em algo sazonal? É preciso empregar recursos pensando nos benefícios para a sociedade como um todo. Os investimentos devem ser contínuos, contemplando diferentes segmentos culturais, uma vez que a criatividade é perene. Não é empregar dinheiro com a intenção de ajudar os artistas. Afinal, eles são trabalhadores, como arquitetos e engenheiros voltados para construção do pensamento crítico.
Karoline Vital é jornalista.

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ricardo artigosRicardo Ribeiro | ricardorib.adv@gmail.com
 

Quase todos trazemos hábitos e costumes das velhas aldeias: palavras de nosso vocabulário, nomes de cidades etc. Entretanto, só um número reduzido optou por autodeclarar-se índio, naturalmente em momento oportuno. Não foi o caso de Juraci Santana, que sofreu coação para se afirmar tupinambá, recusou-se e acabou assassinado.

 
Realmente, o exército era só o que faltava para que a guerra fosse oficialmente declarada no sul da Bahia. O aparato militar despachado pelo governo espanca essa dúvida, mas cria outras: essa turma que profere os despachos está de fato ciente do que precisa ser feito? Qual será o papel do exército na região? O que as Forças Armadas farão além do que já vinha sendo feito pela dispensada Força de Segurança Nacional?
Não é novidade no Brasil o fato de que, em muitos casos, o governo só responde sob pressão. A imprensa sabe bem disso, como se vê pela repercussão da morte do cinegrafista Santiago Andrade, numa ação de “black blocs” em protesto no Rio de Janeiro. Da capital carioca para o Assentamento Ipiranga, a distância é menor do que parece.
Juraci Santana, pequeno agricultor, líder da sua comunidade, tornou-se símbolo da resistência às ocupações de terras por índios ou pseudo-índios na região. Um processo que se intensificou a partir do decreto da Funai, que, de uma canetada, determinou que 47 mil hectares, de uma área que inclui porções significativas dos municípios de Una, Ilhéus e Buerarema, pertencem tradicionalmente à etnia Tupinambá.
Como é a autodeclaração que determina quem é ou não índio, fala-se que “autodeclarados” caciques arregimentaram forças nas periferias das cidades para formar sua milícia de autodeclarados filhos de tupã. Certamente, autodeclarados ou não, a maioria de nosso povo tem DNA indígena, dado o histórico processo de miscigenação que nestas terras se deflagrou desde Cabral.
Quase todos trazemos hábitos e costumes das velhas aldeias: palavras de nosso vocabulário, nomes de cidades etc. Entretanto, só um número reduzido de almas deste rincão baiano optou por autodeclarar-se índio, naturalmente em momento oportuno. Não foi o caso de Juraci Santana, que sofreu coação para se afirmar tupinambá, recusou-se e acabou assassinado.
Na seção “Carta ao Leitor” do jornal A Tarde, edição deste sábado (15), publicou-se a seguinte mensagem, assinada por Alírio Souza: “O conflito indígena na Bahia é de difícil solução. Até meados da década de 1920, havia no sul da Bahia tribos nômades que vagavam pelas florestas. Em 1926, o governo estadual autorizou fazendeiros a plantarem cacau nas terras onde só havia índios. Daquela data em diante, as tribos fugiram ou foram dizimadas, a exemplo de uma tribo que havia no rio do Ouro, em Itapitanga. Hoje, os índios estão sem as terras e os fazendeiros, por causa da vassoura-de-bruxa, estão sem cacau. ‘E agora, José…?’”.
Como se vê, o problema é antigo, mas, pelas respostas oficiais, a solução parece distante. Enquanto o governo não se dispuser a rever os critérios da demarcação de terras na região, inclusive levando em conta que boa parte da área abrangida pelo decreto da Funai é ocupada por pequenas propriedades e assentados, o conflito vai perdurar. Quantas vítimas serão necessárias para que uma providência efetiva seja adotada?
Ricardo Ribeiro é advogado.

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manuela berbert3Manuela Berbert | manuelaberbert@hotmail.com
 

Embora amedrontada com essa onda de violência que assola o nosso país, ainda tenho receio dessa sede de vingança que cega o ser humano.

 
Que me perdoem os estudiosos do comportamento humano, mas como mera observadora dos tempos modernos, a sensação que tenho é de que estamos retrocedendo, marchando em sentido contrário ao do progresso. Estamos nos nivelando a Hamurabi, rei da Babilônia no século XVIII, não coincidentemente, antes de Cristo. Para governar, baseava leis na lei de talião, onde a vingança era a base de qualquer justiça: olho por olho e dente por dente.
Domingo o Fantástico mostrou um grupo de justiceiros que age fazendo rondas nos bairros de classe média do Rio de Janeiro. Em um dos tantos episódios da matéria, um grupo cercou e imobilizou um menor de idade usando uma trava de bicicleta e prendeu o mesmo ao poste pelo pescoço. Depois, tiraram sua roupa e o deixaram nu, numa cena que se assemelhava àquelas estudadas sobre a Idade Média, quando as pessoas eram apedrejadas em praça pública. A que ponto chegamos?
Porém, essas práticas não crescem apenas nas cidades grandes. Circula nas redes sociais, por exemplo, um vídeo de um jovem estirado no chão, no Centro de Itabuna, após um assalto frustrado e troca de tiros com um policial. O que me assusta é poder escutar a população ao redor do deliquente bradando frases como Menos um, Deixem ele morrer e Bem feito para esse marginal. Embora amedrontada com essa onda de violência que assola o nosso país, ainda tenho receio dessa sede de vingança que cega o ser humano.
Entre tantos questionamentos sobre motivos e soluções, são muitas perguntas e poucas respostas para esse assunto. Ainda assim, duas sobressaem na discussão que me proponho a fazer: Falta justiça? Que consequências esse tipo de reação da população pode trazer?
Manuela Berbert é publicitária e colunista do Diário Bahia.

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marco wense1Marco Wense

 Tucanos e democratas andam assustados. Não sabem o que passa pela cabeça do temperamental Geddel Vieira Lima. O PT comemora e o PSB fica na expectativa de um “seja bem-vindo”.

O esperneio do ex-ministro Geddel Vieira Lima vai ficar para depois. Não é hora de tornar público o descontentamento com os democratas (DEM).
O presidente estadual do PMDB teve uma conduta irrepreensível durante todo processo de discussão no staff oposicionista. Jogou limpo, sem subterfúgios.
Geddel Vieira Lima não tergiversou. Desde o início escancarou sua vontade de disputar o Palácio de Ondina e ser o nome da oposição na sucessão do governador Jaques Wagner.
Por ter o entendimento e a consciência de que não poderia peitar Paulo Souto, duas vezes governador da Bahia, o peemedebista fazia a ressalva de que apoiaria o democrata caso fosse candidato.
O tempo passou. E nada de Souto dizer alguma coisa, se queria ser candidato ou não. Sequer algum sinal ou indício. O sepulcral silêncio incomodava democratas, tucanos e peemedebistas.
Geddel, com toda razão, fez chegar ao DEM sua preocupação com a frieza marmoriana de Paulo Souto. O democrata, como diria minha saudosa vovó Nair, não fazia aquilo e nem desocupava a moita.
O prefeito ACM Neto, o condutor-mor do oposicionismo, mandou dizer a Geddel que ainda estava cedo para qualquer definição, que sua cobrança era intempestiva.
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Felipe de PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

“Mais importante do que aquilo que você sabe é aquilo que você é capaz de fazer com o que você sabe. Uma escola livresca, de ensino uniformizador, não tem mais a capacidade de oferecer atrativos para as novas gerações”.

O mundo contemporâneo oferece uma multiplicidade de alternativas tecnológicas. Vivemos na sociedade da informação. Podemos buscar qualquer informação que desejemos, basta que nos apropriemos dos mecanismos e técnicas adequadas. Na educação formal não é diferente. Trabalhamos na lógica do conhecimento compartilhado, da produção coletiva, do exercício da criação, na lógica das redes. O aluno de hoje não precisa – e não deve – aceitar passivamente o que lhe é oferecido em sala de aula. Ele busca outras fontes, ele se capacita além da sala de aula.
Recentemente, em salas de aula de uma universidade federal, encontrei cartazes colados nos quadros com as seguintes palavras: PARA UM MELHOR APROVEITAMENTO DA AULA, POR FAVOR, MANTENHA O CELULAR DESLIGADO. TODOS/AS AGRADECEM!
Aquilo me incomodou. A atitude institucional vai contra o que se espera de uma universidade adequada aos tempos hodiernos. A imagem de um docente centralizador, “dono” do conhecimento diante de mentes menos capacitadas, tem perdido poder. O estudante atual tem ao seu dispor uma série de fontes de informação. A universidade é só mais uma destas. Tentar controlar o uso de tecnologias em sala sugere que o docente é o único meio que o aluno pode encontrar para obter conhecimento naquele espaço.
A Universidade Federal do Sul da Bahia, que receberá seus primeiros alunos no segundo semestre de 2014, vem sendo planejada levando em plena consideração a presença das tecnologias em sala de aula. Desmistifica-se o professor “estrela” e se constrói um sistema de ensino e de aprendizagem coletiva, colaborativa. E, por consequência, mais eficiente diante das demandas formativas atuais.
O referencial dessa reflexão tomado pelas matrizes teóricas da UFSB está em Pierre Lévy. Para ele, nessa realidade, surgem espaços abertos e não lineares, onde cada indivíduo preenche um papel específico, único. E, segundo Lévy, torna-se urgente uma profunda reforma no sistema educacional no que diz respeito a reconhecer as experiências adquiridas por cada personagem do jogo educativo. Para ele, escolas e universidades deixam de ter exclusividade na criação e transmissão do conhecimento. A ideia agora é orientar os caminhos individuais, reconhecendo os saberes de cada pessoa, os diferentes olhares.
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Allah GóesAllah Muniz de Góes | allah.goes@hotmail.com
 

Sempre combativo e disposto ao embate, chegou a nossa região na década de 60 do século passado, procurando por aqui “uma nova trincheira” onde pudesse continuar a sua luta.

 
“Falando Francamente”. Quem de minha geração, ou que viveu a Itabuna dos anos 80/90, não ouviu aquela voz inconfundível no início das tardes da Difusora? Em nossa casa, sempre que chegava da escola, religiosamente pegava meu pai almoçando, mas não com os olhos na televisão, pois estava com os ouvidos e a atenção no rádio, e isto porque lá estava, analisando os principais fatos e acontecimentos do dia, o sempre polêmico Lucílio Miranda Bastos.
Você poderia até não concordar com o posicionamento externado pelo radialista Lucílio Bastos, mas, com toda a certeza, admirava sua coragem e eloquência, o que acabava por transformar o conteúdo apresentado em seu programa no assunto mais comentado do dia em todas as rodas dos ditos “formadores de opinião”.
Sempre combativo e disposto ao embate, chegou a nossa região na década de 60 do século passado, procurando por aqui “uma nova trincheira” onde pudesse continuar a sua luta, pois em sua terra natal, Feira de Santana, já não lhe eram dadas condições para que continuasse seu trabalho sem a perseguição dos militares. Eram os anos de chumbo.
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claudio_rodriguesCláudio Rodrigues | aclaudiors@gmail.com

Sua história na Região Cacaueira é conhecida por boa parte da população. Suas críticas desagradavam muita gente, principalmente os poderosos.

O rádio baiano – principalmente o rádio itabunense – amanheceu triste com a notícia do falecimento de Lucílio Bastos. Conheci Lucílio Bastos logo quando cheguei a Itabuna, há exatos 20 anos, apresentado por José Carlos Teixeira. Dali nasceu nossa amizade, que se consolidou no período em que trabalhamos juntos na assessoria de comunicação da Prefeitura de Itabuna.
A polêmica sempre foi o forte de Lucílio. Os editoriais de seus programas sempre batiam pesado nas mazelas que nos cercam.
Quando atuava na rádio Cultura de Feira de Santana, na década de 70, Bastos realizou uma entrevista com o então deputado federal e líder da oposição ao regime militar Chico Pinto.
Nessa entrevista Pinto, fez duras criticas ao ditador-general chileno Augusto Pinochet. No dia seguinte logo após a entrevista ir ao ar, prepostos do Exército chegaram à rádio, levaram Lucílio e a gravação. Diante do militar, ele negou em seu depoimento que a entrevista tivesse sido feita na residência do deputado, mas no estúdio da emissora, mesmo com vozes de criança ao fundo, isso para livrar a rádio e seu diretor Oscar Marques dos rigores do regime.
Não teve jeito, esse fato rendeu o fechamento da emissora por mais de dez anos e as portas de outras emissoras da “Terra de Lucas” se fecharam também para Lucílio Bastos, que acabou migrando para a Itabuna. Sua história na Região Cacaueira é conhecida por boa parte da população. Suas críticas desagradavam muita gente, principalmente os poderosos.
Certo dia, véspera de São João, após o sepultamento de Zé Poli, onde Lucílio discursou falando das qualidades do saudoso, fomos eu, ele e Daniel Thame até Ferradas comprar licor. Depois de degustar quase todo licor das casas que comercializavam a bebida, brinquei com Lucílio de que faria o discurso em seu sepultamento. Ele respondeu dizendo que tinha que ver o texto antes, caso contrário vinha puxar meu pé. Rimos e voltamos para nossas casas com alguns litros de licor e mais pra lá do que pra cá.
Infelizmente não farei essa homenagem ao amigo, por estar fora de Itabuna, mas deixo aqui, nas páginas do Pimenta, essa singela homenagem ao conterrâneo feirense que me deu o prazer de desfrutar de sua amizade, suas polêmicas e sua inteligência.
Vai com Deus amigo, junte-se ao seu irmão Marivaldo, a Manoel Leal e Eduardo Anunciação e criem um jornal e um programa de rádio, mesmo sem a autorização de São Pedro, e “toque o pau” daí de cima. Esse é a minha sugestão, Falando Francamente!
Cláudio Rodrigues é empresário.

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manuela berbert3Manuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br

Enquanto as praias mais simples de Barra Grande e Porto Seguro oferecem cadeiras e até poltronas confortáveis, artesanais ou de design arrojado, a maioria das barracas de praia de Ilhéus ainda oferece uma estrutura física de deixar qualquer cidadão entristecido

#novantagem Recebo emails com promoções de passagens o dia todo, todos os dias, e quase nunca vejo Ilhéus na parada. Dificilmente uma companhia aérea inclui Ilhéus nas suas listinhas promocionais. A conta é simples: se é mais fácil e mais barato sair do estado ou do país por Salvador, chegar também é. Comuniquem-se com o mundo, autoridades!
#noatração Se o Batuba Beach não produzisse aquelas festinhas de final de ano, com atrações conhecidas nacionalmente, o que seria do verão de Ilhéus? Chega meado de janeiro e fevereiro e não há o que fazer por lá. Em dias normais, às 23 horas não há onde gastar a energia que a gente guarda durante o ano para gastar nas férias. Apenas uma casa noturna lotadíssima faz a alegria da galera. Nos demais bares, restaurantes e pizzarias chegam ao ponto de apagar as luzes para que o cliente “entenda” que está na hora de tirar a soneca. Invistam, autoridades!
#noconforto Se o turista ilheense quiser conforto nas belíssimas praias, que leve sua cadeirinha de casa. Enquanto as praias mais simples de Barra Grande, Morro de São Paulo e Porto Seguro oferecem cadeiras e até poltronas confortáveis, artesanais ou de design arrojado, a maioria das barracas de praia de Ilhéus ainda oferece uma estrutura física de deixar qualquer cidadão entristecido, com cadeiras de plástico emprestadas das cervejarias, muitas danificadas. Isso, claro, quando não somos surpreendidos com banquinhos de madeira com um preguinho enferrujado aparente. Organizem a parada, autoridades!
#noinvestimento Se o turista ilheense, hospedado no centro da cidade, tiver vontade de praticar algum esporte ao ar livre, ele que se organize para fazê-lo antes das 17h. A Avenida Soares Lopes, dona de uma área belíssima e aconchegante para caminhadas e corridas, fica completamente escura ao anoitecer. Acendam a luz do progresso, Autoridades!
Manu Berbert é publicitária e colunista do Diário Bahia.

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Fernando VolpiFernando Volpi
 

A ciranda das ONGs devoradoras de verbas (nem todas, felizmente) está chegando ao fim. Surgem os empreendedores sociais, com a missão de causar impacto social e ambiental como jamais seria conduzido pelos governos.

 
Em meio a tantas denúncias de má aplicação de generosas verbas para as chamadas “organizações não governamentais” com foco na inclusão social, passando pela doação disso ou daquilo, cestas básicas e outras não tão básicas, auxílio sem controle algum e benesses que beiram o desperdício, além de formação escolar ou profissional que termina exatamente onde devia começar a sua missão (dar ao assistido condições de se manter com o que aprendeu e não simplesmente torná-lo orgulhoso ou vaidoso com o que faz sem faturar absolutamente coisa alguma e sem nenhuma perspectiva de crescimento), em meio a tudo isso e muito mais, vemos surgir uma nova corrente – felizmente e graças a Deus – que nada tem de ONG: são os empreendedores sociais.
Muitas empresas assim identificadas, notadamente no exterior e ainda timidamente no Brasil, já começam a ter mais impacto do que as ONGs e tendem a ganhar mais notoriedade pela eficaz contribuição aos setores da sociedade em que o poder se retirou (ou nunca esteve) ou não conseguiu atuar de modo eficiente enquanto terceirizava para ONGs criadas em cima da hora e no “jeitinho” certo para abocanhar estratosféricas verbas oficiais ou do setor privado desavisado. Para isso, já efervescia até um comércio de CNPJ com mais de três anos de registro, conforme a legislação exige para as dotações fermentadas na ganância e na corrupção.
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aldenesAldenes Meira
 

Apesar dos problemas que afetam a qualidade do serviço, alguns dos quais fogem à competência das empresas, é impressionante a reação diante de qualquer tentativa de favorecer a parte mais vulnerável nessa relação, que é o usuário.

 
As manifestações que ocorreram em todo o Brasil em meados de 2013 tiveram como principal mote a luta por um transporte público eficiente e com preço justo. Encabeçada pela juventude, aquela mobilização reflete o anseio geral de uma camada significativa da população que utiliza o ônibus e outros meios coletivos para se deslocar, mas sofre historicamente com a precariedade do serviço.
Basta conversar com os moradores de bairros periféricos de Itabuna sobre o transporte público para se ouvir relatos lamentáveis. Para muitos, o que se oferece são ônibus em péssimo estado de conservação, pelos quais se tem que esperar às vezes mais de uma hora, algo que atormenta e humilha cidadãos e cidadãs diariamente. Isto sem falar nas condições ruins de muitas vias de acesso, além da falta ou precariedade dos abrigos destinados aos passageiros.
Apesar dos problemas que afetam a qualidade do serviço, alguns dos quais fogem à competência das empresas, é impressionante a reação diante de qualquer tentativa de favorecer a parte mais vulnerável nessa relação, que é o usuário. Em junho, foi somente à base de muita pressão popular que essa equação injusta começou a ser modificada, mas um espírito de retrocesso ainda paira no ar.
Foi esse espírito que infelizmente levou o prefeito de Itabuna, Claudevane Leite, a vetar o projeto de nossa autoria que institui o direito à meia passagem no transporte coletivo, para todos, aos domingos e feriados. O prefeito apoiou-se em dois argumentos básicos, porém equivocados: o de que a proposta atinge o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos e o de que a matéria é da competência privativa do Executivo.
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Karoline VitalKaroline Vital | karolinevital@gmail.com

Com toda propaganda ostensiva do FIES – inclusive no boleto das mensalidades – a instituição demonstra total desinteresse em manter os alunos.

O setor era um grande vão, organizado por divisórias de MDF. A maior parte dos funcionários pareciam clones das cunhadas gêmeas do Homer Simpson, mas sem os cigarros pendendo no canto da boca. Olhar vitrificado, expressão facial de como se tivessem acabado de engolir um remédio amargo.  A fala no ambiente era baixa, com poucas inflexões. E, ao redor, o contraste de toda alegria dos jovens estampados nos cartazes, na celebração de terem alcançado o grande triunfo do nível superior, pagando os juros colossais do Financiamento Estudantil.
Aguardava na fila a minha vez de pegar o reembolso da minha matrícula. Tinha sido aprovada em primeiro lugar para o curso de psicologia. Quando prestei o vestibular, fui criticada por familiares e amigos, que julgavam bobagem eu enfrentar outra graduação. “Você deve tentar um mestrado ou um concurso público”, ouvi de alguns. Mas psicologia era algo que sempre me empolgou. Sou fascinada pelo comportamento humano, como somos bichinhos pretensiosamente mais espertos que os outros, mas primitivamente tão previsíveis.
A gente faz planos para a vida, mas o destino às vezes disponibiliza rumos totalmente diferentes dos idealizados, acabei não tendo condições para arcar com os compromissos financeiros para entrar no curso logo no primeiro semestre. Assim, na primeira semana do ano, procurei a secretaria acadêmica para solicitar a manutenção da minha vaga para o segundo semestre, explicando todas as minhas razões.
As moças que me atenderam até foram simpáticas e me deram o prazo de 72 horas para uma resposta via email. O tempo passou e nada. Eu ligava para pedir algum posicionamento e nada. Fui à faculdade duas vezes e nada. Passaram-se duas semanas e a única resposta que obtive é que meu requerimento estava sendo analisado. E mais nada.
Com a proximidade do início das aulas próximas e a falta de qualquer parecer, decidi cancelar minha matrícula. Foi algo dolorido, contudo o mais racional. Pedi outro requerimento e fui ao setor financeiro. Quando entreguei o papel, o funcionário sequer me perguntou o motivo pelo qual eu pedia o meu desligamento prematuro. Explicou-me os procedimentos com naturalidade e, no prazo estabelecido, enviou-me um email comunicando que o meu reembolso já estava disponível.
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GabrielGabriel Nascimento | gabrielnasciment.eagle@hotmail.com

Uma polícia bem treinada é aquela que atira na perna, na mão que está o revólver, ou que não atira porque aquele contexto não era o seu de trabalho. Não se trata aí de um membro bem treinado da polícia.

A quem serve uma polícia militarizada? Seja a civil ou a militar, a quem serve um aparelho arcaico, herdeiro de governos militares? A polícia militarizada só serve a um Estado autoritário, que tem políticas compensatórias e enxerga na violência o caminho para acabar com a violência.
A polícia militarizada é uma polícia de guerra, responde por vinculação ideológica como membro das forças armadas do país. Só aí duas incoerências: não estamos em guerra, ao menos expressa, e nem as forças armadas do país servem para combater “inimigos internos”.
Trocando em miúdos, mesmo que a violência civil chegue a rumos tão assustadores, não estamos em guerra civil. Aliás, acreditar nisso é jogar nas mãos do Estado privateiro e autoritário a necessidade falsa de investir em políticas compensatórias e em aparatos de violência, o que sempre foi o salmo de nossas elites atrasadas e provincianas. Matar, matar e matar o inimigo interno. Não há inimigo interno e o cidadão brasileiro não pode ser visto como inimigo. Mesmo que seja traficante, que esteja assaltando ou que troque tiros com a polícia.
Na última semana, no centro de Itabuna, um policial à paisana deflagrou vários tiros em um adolescente que assaltava. No contexto, uma polícia de guerra. Um policial fora do seu serviço comum agindo como um soldado a eliminar um inimigo. Uma polícia bem treinada e não militarizada jamais faria isso. Uma polícia bem treinada é aquela que atira na perna, na mão que está o revólver, ou que não atira porque aquele contexto não era o seu de trabalho. Não se trata aí de um membro bem treinado da polícia.
O lamentável é que essa é uma ação corrente da polícia fardada e militarizada das terras brasileiras do Sem-fim. Em todo território nacional, essa vergonha que tem a mesma ideologia do DOPS/DOI-CODI da Ditadura militar que durante 21 anos causou estrago na vida pública brasileira (perseguindo e matando arbitrariamente quem se opusesse a ela), usa táticas de guerra e trata o cidadão marginalizado como alienígena. Tudo isso sob a tutela de um Estado autoritário que investe cada vez mais nessas medidas atrasadas de segurança.
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Ederivaldo Benedito | ederivaldo.benedito@gmail.com
Ederivaldo Benedito-foto.

Itabuna não suporta mais lamentações. Chegou a hora de dar adeus ao provincianismo e amadurecer politicamente, discutir suas questões no atacado.

Acabou a novela do Carnaval Antecipado. Espera-se agora que tocado pelo Espírito Santo, movido pelos sentimentos de cidadania, irmandade, amor ao próximo e de solidariedade, o itabunense venha, de forma organizada, ajudar Claudevane Leite a colocar o Bloco da Mudança na rua.
Itabuna não suporta mais lamentações. Chegou a hora de dar adeus ao provincianismo e amadurecer politicamente, discutir suas questões no atacado. Buscar soluções para os eternos problemas. Apresentar sugestões no papel e na prática, ao invés de apenas se queixar que as coisas estão ruins e culpar as autoridades.
Ora, o problema não é simplesmente discutir se a Prefeitura deveria ou não patrocinar a festa momesca, ou quem apoia ou não a sua realização. O desafio é: já que o prefeito, de maneira claudicante, vacilante, decidiu não promover oficialmente o Carnaval Antecipado, ele e os itabunenses que concordam a sua decisão têm a obrigação de pensar com grandeza e apresentar projetos para os eternos problemas infraestruturais de Itabuna.
O Ministério Público, por exemplo, com apoio de grupos evangélicos, líderes partidários, blogueiros e radialistas, deve apresentar urgentemente propostas para, quem sabe, intensificar o combate à violência e criar mecanismos para o enfrentamento da criminalidade no município.
Os que se manifestaram publicamente contra a festa deveriam começar a fazer mutirões para ajudar as famílias desabrigadas e campanhas de solidariedade ajudar as populações ribeirinhas e periferias, que diariamente clamam por socorro nos programas policiais das Rádios e TVs. Poderiam, também, cruzar a cidade, do São Pedro ao Jorge Amado, do Maria Pinheiro ao Santa Inês, “conscientizando à população” e alertando-a para a iminência de um “novo surto epidêmico de dengue”. Nesses bairros, cultos seriam celebrados, em memória dos nossos irmãos-conterrâneos, vítimas da violência cotidiana.
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