Tempo de leitura: 2 minutosA Bahia ganhou instrumento para enfrentar uma das lacunas históricas das políticas públicas: o trabalho dos cuidados. Foi lançada em Ilhéus a plataforma Bahia Cuida – Observatório dos Cuidados, disponível em bahiacuida.org, que organiza e integra dados sobre demandas e serviços ligados aos Cuidados, como saúde, educação, assistência social, gênero e raça. A ferramenta foi desenvolvida pela Agência de Desenvolvimento Regional Sul da Bahia (ADR), Instituto Foz e Instituto Ori:Oro. A iniciativa chega dias antes de o Governo Federal anunciar um conjunto de ações que estruturam o Plano Nacional de Cuidados, política pública que contará com investimento de R$ 25 bilhões até 2027.
O Observatório Bahia Cuida ataca uma lacuna histórica. O trabalho dos cuidados — apoiar crianças, idosos, pessoas doentes, garantir alimentação, limpeza e rotina — sustenta a vida social, mas nunca entrou de forma estruturada nas contas públicas. A ausência de dados deixou o tema invisível na formulação de políticas. A nova plataforma aposta no contrário: informação qualificada como ponto de partida para planejamento.
Ilhéus foi escolhida para o lançamento por integrar o projeto piloto de territorialização dos dados. No município, o Bahia Cuida já dialoga com a implementação da Política Nacional de Cuidados, iniciativa do governo federal que busca reconhecer o trabalho do cuidado e reorganizar responsabilidades entre Estado, famílias, mercado e sociedade civil. A cerimônia reuniu a vice-prefeita e secretária de Políticas para Mulheres, Wanessa Gedeon (Partido Novo), e titulares das pastas de Saúde, Educação, Cultura e Promoção Social.
Apoiado pelo edital Mover-se na Web, voltado a tecnologias sociais, o Observatório reúne indicadores intersetoriais e inicia o mapeamento — com georreferenciamento — de equipamentos públicos e privados relacionados ao cuidado, como creches, lares para idosos, abrigos, espaços culturais e unidades de saúde. A proposta é dar às gestões municipais uma base técnica estável para decisões e permitir que a sociedade civil acompanhe a oferta dos serviços.
Para Mariana Sales, secretária-executiva da ADR Sul da Bahia, a inovação está no método. “O Observatório nos permite enxergar o cuidado com mais precisão, a partir de dados comparáveis e atentos às realidades locais. Isso fortalece municípios e estado na formulação de políticas que respondem às necessidades concretas de meninas e mulheres”, afirmou durante a cerimônia de lançamento do projeto, no últim o dia 10.
Os dados secundários, exclusivos dos municípios, estão sendo levantados com apoio das organizações parceiras e serão incorporados ao Bahia Cuida, que opera em código aberto e linguagem simples para facilitar o uso por gestoras e gestores públicos, pesquisadores, organizações sociais e sociedade civil.
DADOS
Alguns dados já disponíveis no Bahia Cuida ajudam a dimensionar o cenário: 80% do trabalho de cuidado não remunerado na Bahia é realizado por mulheres negras. O estado tem 1.903.719 pessoas com deficiência, das quais 79% são negras; e, no conjunto total de pessoas com deficiência, 44% são idosas.
O projeto prevê ainda formação técnica — com trilhas específicas para gestoras, sociedade civil e academia — e articulação de especialistas e núcleos de pesquisa para compor uma governança colaborativa da agenda do cuidado.