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Uma obra particular nos fundos da Câmara de Vereadores de Itabuna chama atenção por não ter placa do Crea nem indicação de engenheiro responsável, mas não é só isso. O terreno onde paredes são levantadas pertence, segundo informações obtidas pelo PIMENTA, ao poder público municipal.

Fonte ouvida pelo blog informa que a área foi desapropriada no início da década de 80, pelo então prefeito Ubaldo Dantas. Sabe-se que a Câmara não autorizou nenhuma doação, o que significa tratar-se de uma invasão em terreno público.

Curioso é que no setor de fiscalização da Prefeitura, nem se fala autuar o invasor. A Câmara de Vereadores, que certamente tem assuntos “mais importantes” para resolver, também não dá uma palavra… Mas o Ministério Público está de olho.

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O ex-deputado federal Raymundo Veloso (PMDB) está na mira da Polícia Federal. Uma investigação descobriu fortes indícios de ligação do político com um esquema denominado “Golpe da Creche”.

De acordo com a PF, a quadrilha envolvida com o esquema aliciava famílias pobres, residentes no entorno do Distrito Federal, com a promessa de lhes conseguir o benefício da Bolsa Família. As pessoas eram induzidas a entregar documentos pessoais que a quadrilha usava para formalizar contratos de trabalho com a Câmara dos Deputados. Os salários, pagos com o dinheiro do contribuinte, iam para o bolso dos larápios.

A informação é de que o golpe tenha dado um prejuízo de R$ 2 milhões aos cofres públicos.

Veloso alegou que sua assinatura nos documentos que autorizaram as contratações ilegais foram falsificadas. O Instituto Nacional de Criminalística realizará um exame grafotécnico para saber se o ex-deputado está falando a verdade.

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A morosidade da Procuradoria-Geral do Município de Itabuna para cumprir um mandado numa ação judicial de reintegração de servidor por pouco não fez o prefeito José Nilton Azevedo ser preso por desobediência. A história foi revelada pelo site Cia da Notícia, que atribui o vacilo à procuradora Juliana Burgos.

Segundo o site, o mandado judicial expedido pela Vara da Fazenda Pública ficou “adormecido” na gaveta da procuradora por quatro meses. O oficial de justiça já teria recebido ordem para conduzir o prefeito, caso o mandado não fosse cumprido. Na iminência do vexame, logo providenciaram o “desengavetamento”.

Como se diz, se não fosse o quase…

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O deputado estadual Coronel Gilberto Santana (PTN), que integra a Comissão de Assuntos Territoriais e Emancipação da Assembleia Legislativa da Bahia, pôs fogo na disputa entre Itabuna e Ilhéus pelas terras onde estão os supermercados Makro e Atacadão.

Santana defende não somente que o território de Itabuna seja ampliado para a área ocupada pelas duas empresas, mas também que chegue até o bairro ilheense do Salobrinho, onde fica o campus da Universidade Estadual de Santa Cruz.

Na opinião do parlamentar, Ilhéus ainda precisa ceder outras áreas. Os distritos de Inema e Pimenteira, por exemplo, deveriam ser incorporados ao município de Coaraci, de cuja sede estão mais próximos.

É mais combustível para a “Batalha de Quiricós”…

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Mortes se repetem em locais previsíveis nas rodovias

 

Da Folha de São Paulo:

 

ALENCAR IZIDORO
ENVIADO ESPECIAL A MG E ES

Às vezes tortas, sujas, amassadas ou encobertas pelo matagal, placas anunciam ao longo das BRs 101 e 262, no Espírito Santo, e na 381, em Minas: “Atenção, trecho com alto índice de acidentes”.

Assim como nessas estradas, no restante do país há conhecimento do poder público sobre pontos de risco.

Mesmo assim, os acidentes se repetem nos mesmos lugares -como ocorreu no Carnaval sangrento de 2011 na malha rodoviária federal.

A Folha mapeou 98% dos pontos onde 213 pessoas morreram no último feriado (com recorde de vítimas em nove anos) e verificou que praticamente metade das colisões se deu em locais “concentradores de acidentes”.

São trechos que, ao longo de cinco anos, já foram listados pelo governo devido à alta incidência de casos como batidas ou atropelamentos.

Clique AQUI para ler o texto completo (se for assinante da Folha ou UOL)

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O Itabuna bateu a Jacuipense, por 3 a 2, passou a quatro pontos e lidera o Grupo 2 da Série B do Campeonato Baiano.  Joãozinho, da Jacuipense, abriu o placar no estádio Luiz Viana Filho, em Itabuna, e Wagner empatou. O atleta foi o destaque do Itabuna ao fazer os três gols do clube, mas acabou expulso aos 30 minutos do segundo tempo. Joãozinho fez os dois da Jacuipense.

O Azulino volta a jogar na próxima quinta (21), às 15h, contra o Poções. Apenas 610 torcedores pagaram ingresso nesta partida, gerando renda de apenas R$ 6.610,00. O clube espera ainda nesta semana fechar apoio da Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa). O apoio, no entanto, depende do prefeito Capitão Azevedo (DEM), que não garantiu nenhum apoio ao clube.

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As polícias civil e Rodoviária Federal prenderam ontem três suspeitos de assaltar a agência do Banco do Brasil em Uruçuca, no sul da Bahia, e já sabem que a quadrilha havia alugado uma casa em Buerarema para funcionar como “base operacional”. Dois homens foram presos na caçada e entregaram um terceiro, que estava na casa alugada.

Sob o comando do delegado regional Moisés Damasceno, as polícias civil e militar continuam a caça ao restante da quadrilha composta por 12 homens. A quadrilha se dispersou na fuga após o assalto ao BB de Uruçuca, ontem de madrugada.

Os presos foram identificados como Flávio Elias de Souza, o Gogó, Adenilton Ribeiro Rodrigues, o Negão, e Joilson Pereira Silva, “Primo”. Ainda ontem, a Polícia Rodoviária Estadual localizou um Ford Ecosport com placa fria. A polícia chegou no sistema de informações e observou que a placa JPP-1042, licença de Salvador, pertence a um Fiat Pálio.

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Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br

 

Valdelice Amaral foi presa por ser uma espécie de Jorgina de Freitas das selvas.

 

Centro de uma disputa entre índios e produtores rurais, a cidade de Ilhéus assistiu na última semana a uma operação da Polícia Federal que levou à prisão da cacique Valdelice Amaral, da tribo tupinambá de Olivença. Na verdade, ela cumpre recolhimento domiciliar, já que foi alegada fragilidade de sua saúde.

O crime cometido pela cacique não tem a ver com a disputa pelos 47 mil hectares que, além de Ilhéus, pode tirar um bom pedaço de terra dos municípios de Una e Buerarema. Este conflito tem mobilizado atenções dos governos da Bahia e federal, que receiam uma guerra entre indígenas e proprietários rurais. Recentemente, houve confronto na área conhecida como Jairi, onde tupinambás estariam cobrando pedágio de areeiros. Um índio, de facão em punho, foi pra cima de um policial e acabou levando um tiro na perna. O clima é tenso.

Valdelice Amaral, entretanto, não foi presa por causa dessa disputa, mas sim por ser uma espécie de Jorgina de Freitas das selvas. Segundo investigação da Polícia Federal, que contou com o apoio do setor de inteligência do Ministério da Previdência Social, Valdelice faz parte de uma quadrilha que falsificava documentos e inseria dados fictícios nos computadores do INSS, a fim de viabilizar benefícios  indevidos de auxílio-doença e pensão por morte. Uma maracutaia que subtraiu cerca de R$ 500 mil da seguridade.

Informações  dão conta de que a índia também cometia fraudes em contratos do Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf), além de ser ela a coordenadora do esquema de pedágio na região do Jairi.

Os que negam aos tupinambás de Olivença a condição de índios “autênticos” devem estar se regozijando. Muitos devem ter dito: “onde já se viu índio corrupto?”. Pois tem e o homem branco não pode se queixar, pois a corrupção da cacique é a prova cabal de que o índio está em avançado processo de integração à nossa sociedade.

Nas terras reivindicadas pelos índios em Olivença, existe índio advogado, blogueiro, cinegrafista. E tem também índio malandro e corrupto, igualzinho à selva de pedra. Isso não lhes tira a condição de índio, mas confirma o quanto seus costumes se contaminaram com a influência do colonizador e surpreende apenas aos que ainda permanecem aferrados à ideia do bom selvagem.

 

Ricardo Ribeiro é um dos blogueiros do Pimenta na Muqueca e também escreve no Política Et Cetera.

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A presidenta Dilma Rousseff “chamará na regulagem” os governadores dos estados que sediarão jogos da Copa do Mundo de 2014. Assim que retornar da China, ela dirá que nenhuma sede está garantida enquanto não forem concluídas as obras nos estádios.

Portanto, sebo nas canelas!

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Mortes se repetem em locais previsíveis nas rodovias

 

Da Folha de São Paulo:

 

ALENCAR IZIDORO
ENVIADO ESPECIAL A MG E ES

Às vezes tortas, sujas, amassadas ou encobertas pelo matagal, placas anunciam ao longo das BRs 101 e 262, no Espírito Santo, e na 381, em Minas: “Atenção, trecho com alto índice de acidentes”.

Assim como nessas estradas, no restante do país há conhecimento do poder público sobre pontos de risco.

Mesmo assim, os acidentes se repetem nos mesmos lugares -como ocorreu no Carnaval sangrento de 2011 na malha rodoviária federal.

A Folha mapeou 98% dos pontos onde 213 pessoas morreram no último feriado (com recorde de vítimas em nove anos) e verificou que praticamente metade das colisões se deu em locais “concentradores de acidentes”.

São trechos que, ao longo de cinco anos, já foram listados pelo governo devido à alta incidência de casos como batidas ou atropelamentos.

Clique AQUI para ler o texto completo (se for assinante da Folha ou UOL)

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Um gaiato disparou convocação de greve a partir desta terça-feira, 19, para celulares de trabalhadores da empresa RM, que presta serviços à companhia telefônica Oi. Ao final da mensagem, o autor assinou “Sinttel”, o sindicato dos trabalhadores em empresas de telefonia.

Há pouco, o sindicato (real) enviou mensagem – não por SMS, mas por email – informando que a convocação de greve foi um trote. A diretoria da entidade acredita que a ação seja mais que uma brincadeira e teria o objetivo de “tentar tumultuar as eleições sindicais que irão acontecer nos próximos dias 4, 5 e 6 de maio”.

O Sinttel esclarece ainda que dispõe de meios oficiais para divulgar todas as suas atividades.

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Da Folha

O número de homicídios dolosos –com intenção– registrados no Estado de São Paulo caiu 19% nos primeiros três meses deste ano em comparação ao mesmo período de 2010.

De acordo com dados revelados pela Secretaria da Segurança Pública nesta sexta-feira, de janeiro a março foram registrados 992 casos no Estado, contra 1.224 no ano passado.

Com os 232 casos a menos, diz a secretaria, é a primeira vez desde 1996, quando começou a série histórica, que um ano começa com uma taxa de homicídios abaixo do patamar considerado não epidêmico pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

A taxa chegou a 9,52 homicídios por grupo de 100 mil habitantes, abaixo dos 10 por 100 mil preconizados pela OMS. Ainda segundo a secretaria, os dados também representam a menor quantidade de crimes contra a vida registrada num primeiro trimestre.

A redução dos homicídios foi maior na capital paulista, conforme anunciado pela manhã pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Foram 376 assassinatos nos primeiros três meses de 2010 contra 220 neste ano –queda de 41%.

Nos demais municípios da Grande São Paulo, os homicídios recuaram 11%, de 284 para 253 –31 casos a menos. No interior a queda foi mais tímida, 8%, com menos 45 homicídios.

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FICAR DIANTE DA TEVÊ É LEVAR “PEDRADA”

Ousarme Citoaian

“Com a bandeira a meio mastro…” – assim a repórter da Globo iniciou, no Jornal Nacional do dia 29 de março, a matéria sobre a morte do ex-vice-presidente José  Alencar. É impressionante como não posso permanecer uns poucos minutos diante da tevê sem levar alguma pedrada: a expressão “a meio mastro” inexiste na língua portuguesa ou na fala brasileira, seja no coloquial, seja abrigada na dita norma culta. É invenção descabida, artificial, dispensável, ociosa, inútil.  A velha expressão, consagrada em todos os níveis da linguagem (para indicar que a bandeira, em sinal de luto, foi hasteada pela metade) é “a meio pau”. Que o digam os dicionários.

SANDICE QUE JÁ VAI COMPLETAR SETE ANOS

Antigos ou modernos, os dicionários da língua portuguesa anotam, para a situação referida, “a meio pau” (no verbete pau), nunca “a meio mastro” (que deveria guardar-se no verbete mastro). A sandice foi ouvida pela primeira em 11 de novembro de 2004 (Marcos de Castro – A imprensa e o caos na ortografia), quando o correspondente da Globo em Jerusalém, a propósito do luto pela morte de Arafat, falou em bandeira hasteada “a meio mastro”. Quase sete anos depois (abril de 2011), percebo que a agressão se mantém – certamente sob a justificativa de que “a meio mastro” é expressão mais bonita do que “a meio pau” (isto é usado para récorde e recorde).

FALTA DE LEITURA, EXCESSO DE REPETIÇÃO

Todo professor de cursinho intensivo de redação aprendeu a fórmula que deve ser passada aos alunos: “”Leiam, leiam, leiam…” – mas que pouco resultado dá. O leitor sem maior conhecimento da área de comunicação tende a pensar que os operadores do setor lemos muito. Pura falácia. Nas redações, lê-se pouco, tendo como motivo a falta de tempo, não sendo raros os casos de indivíduos que abriram o último livro há alguns anos, ainda na escola, por insistência de um professor chato. Em consequência,  não se pensa, repete-se muito, sobretudo asneiras avalizadas pela Globo – a exemplo dessa injustificável “bandeira a meio mastro”, já a caminho da consagração.

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PISTOLEIROS NÃO ENXERGAM BEM NO ESCURO

Vejo em jornal de Itabuna, com referência a improvável embate nas urnas entre os ex-prefeitos Geraldo Simões e Fernando Gomes, a expressão “duelo ao pôr do sol”. Frases feitas e expressões consagradas (bebidas em literatura, cinema, música ou no seio do povo), desde que não resvalem para o lugar-comum, são de grande utilidade. Se é válido o cotejo, digo que elas adornam o texto como um colar de pérolas no colo de uma dama. Mas houve, parece-me, um equívoco: duelos não ocorrem “ao pôr do sol”, hora em que o atirador não enxerga bem, mas “ao sol”. Por certo versado em cinema, o redator parece ter embaralhados na memória Duelo ao sol/1946 e O último pôr do sol/1961.

TRAGÉDIA GREGA NAS PRADARIAS DO OESTE

Os dois têm pontos comuns (além da presença de Joseph Cotten): diferentes do faroeste habitual, melodramáticos e com clima de tragédia. Tanto em Duelo ao sol/King Vidor quanto em O último pôr do sol/Robert Aldrich há uma pitada de Shakespeare (Romeu e Julieta), enquanto o segundo nos remete também a Eurípedes (Electra). Um final trágico, de formas diferentes, aguarda os protagonistas em ambos os filmes. As direções e elencos são de primeira: em Duelo…, Vidor trabalha com Jennifer Jones, Gregory Peck, Joseph Cotten e Lillian Gish; Aldrich, em O último…, comanda Kirk Douglas, Rock Hudson, Dorothy Malone e o mesmo Joseph Cotte.

UM GÊNERO FEITO DE GRANDEZA E HEROÍSMO

 

Diante desse aparente empate, eu me volto para O último pôr do sol, que os críticos apontam como um filme menor de Aldrich, talvez um nota 7 entre seus mais de 30 trabalhos, alguns nota dez,  como Os doze condenados/1967. Já se vê que minha opinião é pessoal, intransferível e nada técnica. O western é feito de tipos impregnados de grandeza e heroísmo, ética, bravura e nobreza; o caráter dos personagens de Jones e Peck me desagrada, a sordidez do mocinho bandido não me atrai: não vejo cinema como reflexo do real, mas como fuga, uma forma de escapismo romântico. Talvez seja por isso que Tropa de elite não me empolga. De cruel já me basta o dia a dia.

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A BAHIA E NOSSAS “VOCALISTAS ANÔNIMAS”

Dia desses, um crítico mal informado lamentava-se da falta de grandes vocalistas negras na MPB. Sua comparação lacrimosa era com os Estados Unidos, o que, à primeira vista, lhe dá razão. Mas só à primeira vista.  É claro que não temos Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Nina Simone, Billie Holiday, Dinah Washington e Carmen McRae (que são patrimônio dos estadunidenses), mas somos a terra de Rosa Passos, Virgínia Rodrigues, Márcia Short e da ilheense Clécia Queiroz. Se a Bahia e o Brasil não apóiam essas artistas – cujo mercado está mais no exterior do que entre nós – é outra história.

TERRA DO GARAGEM E DO CAMISA DE VÊNUS

A visão de que a Bahia pós Caymmis, Caetano, Gil e Tom Zé só produz submúsica de trio elétrico é outro equívoco. Aqui foram registradas poderosas incursões no instrumental e no pop brasileiro: no primeiro, destaque para o jazz do grupo Garagem (em atividade há mais de trinta anos); o segundo tem como principal representante o Camisa de Vênus (com quase igual longevidade, apesar de alguns períodos de saída e regresso aos palcos). E mesmo quem, como eu, não é especialista, sabe que, além das deusas eleitas pela mídia, aqui se faz arte, arte baiana e negra, sobretudo.

ALOBÊNED, O FURACÃO NEGRO DE ITABUNA

E para dizer que não falei de flores itabunenses, afirmo me faltar engenho e arte para saber se Alobêned é ou não uma grande cantora (dúvida que mantenho quanto a Maria Betânia, mas nunca tive a respeito de Gal). Sei é que esse furacão negro (assim como Betânia é uma estrela acima de qualquer suspeita) é uma força da natureza, uma rainha além da preferência de meros mortais como este colunista. Se querem compará-la, não sugiro as três cantoras brancas xodó da mídia, mas outra monarca africana: Margareth Menezes. Findo meu espaço, provoco: Quem sabe a razão do nome Alobêned?

NA POLÊMICA, VOU DE VIRGÍNIA RODRIGUES

Quando o Carnaval da Bahia entra em discussão, vou de Virgínia Rodrigues, uma das grandes vocalistas baianas “malditas”: lançou seu primeiro CD em 1997 (Sol negro), tendo as bênçãos de Caetano Veloso (direção), Gilberto Gil, Milton Nascimento e Djavan (participações) – e ainda assim se mantém quase “ilustre desconhecida”. É “uma das mais impressionantes cantoras que surgiram no Brasil nos últimos anos” – isto não foi dito pela crítica brasileira, mas pelo The New York Times. Na minha modesta cedeteca há ainda Mares profundos (com temas de Baden Powell) – “importado”, évidemment. Clique.

 

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(O.C.)

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FICAR DIANTE DA TEVÊ É LEVAR “PEDRADA”

Ousarme Citoaian

“Com a bandeira a meio mastro…” – assim a repórter da Globo iniciou, no Jornal Nacional do dia 29 de março, a matéria sobre a morte do ex-vice-presidente José  Alencar. É impressionante como não posso permanecer uns poucos minutos diante da tevê sem levar alguma pedrada: a expressão “a meio mastro” inexiste na língua portuguesa ou na fala brasileira, seja no coloquial, seja abrigada na dita norma culta. É invenção descabida, artificial, dispensável, ociosa, inútil.  A velha expressão, consagrada em todos os níveis da linguagem (para indicar que a bandeira, em sinal de luto, foi hasteada pela metade) é “a meio pau”. Que o digam os dicionários.

SANDICE QUE JÁ VAI COMPLETAR SETE ANOS

Antigos ou modernos, os dicionários da língua portuguesa anotam, para a situação referida, “a meio pau” (no verbete pau), nunca “a meio mastro” (que deveria guardar-se no verbete mastro). A sandice foi ouvida pela primeira em 11 de novembro de 2004 (Marcos de Castro – A imprensa e o caos na ortografia), quando o correspondente da Globo em Jerusalém, a propósito do luto pela morte de Arafat, falou em bandeira hasteada “a meio mastro”. Quase sete anos depois (abril de 2011), percebo que a agressão se mantém – certamente sob a justificativa de que “a meio mastro” é expressão mais bonita do que “a meio pau” (isto é usado para récorde e recorde).

FALTA DE LEITURA, EXCESSO DE REPETIÇÃO

Todo professor de cursinho intensivo de redação aprendeu a fórmula que deve ser passada aos alunos: “”Leiam, leiam, leiam…” – mas que pouco resultado dá. O leitor sem maior conhecimento da área de comunicação tende a pensar que os operadores do setor lemos muito. Pura falácia. Nas redações, lê-se pouco, tendo como motivo a falta de tempo, não sendo raros os casos de indivíduos que abriram o último livro há alguns anos, ainda na escola, por insistência de um professor chato. Em consequência,  não se pensa, repete-se muito, sobretudo asneiras avalizadas pela Globo – a exemplo dessa injustificável “bandeira a meio mastro”, já a caminho da consagração.

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PISTOLEIROS NÃO ENXERGAM BEM NO ESCURO

Vejo em jornal de Itabuna, com referência a improvável embate nas urnas entre os ex-prefeitos Geraldo Simões e Fernando Gomes, a expressão “duelo ao pôr do sol”. Frases feitas e expressões consagradas (bebidas em literatura, cinema, música ou no seio do povo), desde que não resvalem para o lugar-comum, são de grande utilidade. Se é válido o cotejo, digo que elas adornam o texto como um colar de pérolas no colo de uma dama. Mas houve, parece-me, um equívoco: duelos não ocorrem “ao pôr do sol”, hora em que o atirador não enxerga bem, mas “ao sol”. Por certo versado em cinema, o redator parece ter embaralhados na memória Duelo ao sol/1946 e O último pôr do sol/1961.

TRAGÉDIA GREGA NAS PRADARIAS DO OESTE

Os dois têm pontos comuns (além da presença de Joseph Cotten): diferentes do faroeste habitual, melodramáticos e com clima de tragédia. Tanto em Duelo ao sol/King Vidor quanto em O último pôr do sol/Robert Aldrich há uma pitada de Shakespeare (Romeu e Julieta), enquanto o segundo nos remete também a Eurípedes (Electra). Um final trágico, de formas diferentes, aguarda os protagonistas em ambos os filmes. As direções e elencos são de primeira: em Duelo…, Vidor trabalha com Jennifer Jones, Gregory Peck, Joseph Cotten e Lillian Gish; Aldrich, em O último…, comanda Kirk Douglas, Rock Hudson, Dorothy Malone e o mesmo Joseph Cotte.

UM GÊNERO FEITO DE GRANDEZA E HEROÍSMO

 

Diante desse aparente empate, eu me volto para O último pôr do sol, que os críticos apontam como um filme menor de Aldrich, talvez um nota 7 entre seus mais de 30 trabalhos, alguns nota dez,  como Os doze condenados/1967. Já se vê que minha opinião é pessoal, intransferível e nada técnica. O western é feito de tipos impregnados de grandeza e heroísmo, ética, bravura e nobreza; o caráter dos personagens de Jones e Peck me desagrada, a sordidez do mocinho bandido não me atrai: não vejo cinema como reflexo do real, mas como fuga, uma forma de escapismo romântico. Talvez seja por isso que Tropa de elite não me empolga. De cruel já me basta o dia a dia.

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A BAHIA E NOSSAS “VOCALISTAS ANÔNIMAS”

Dia desses, um crítico mal informado lamentava-se da falta de grandes vocalistas negras na MPB. Sua comparação lacrimosa era com os Estados Unidos, o que, à primeira vista, lhe dá razão. Mas só à primeira vista.  É claro que não temos Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Nina Simone, Billie Holiday, Dinah Washington e Carmen McRae (que são patrimônio dos estadunidenses), mas somos a terra de Rosa Passos, Virgínia Rodrigues, Márcia Short e da ilheense Clécia Queiroz. Se a Bahia e o Brasil não apóiam essas artistas – cujo mercado está mais no exterior do que entre nós – é outra história.

TERRA DO GARAGEM E DO CAMISA DE VÊNUS

A visão de que a Bahia pós Caymmis, Caetano, Gil e Tom Zé só produz submúsica de trio elétrico é outro equívoco. Aqui foram registradas poderosas incursões no instrumental e no pop brasileiro: no primeiro, destaque para o jazz do grupo Garagem (em atividade há mais de trinta anos); o segundo tem como principal representante o Camisa de Vênus (com quase igual longevidade, apesar de alguns períodos de saída e regresso aos palcos). E mesmo quem, como eu, não é especialista, sabe que, além das deusas eleitas pela mídia, aqui se faz arte, arte baiana e negra, sobretudo.

ALOBÊNED, O FURACÃO NEGRO DE ITABUNA

E para dizer que não falei de flores itabunenses, afirmo me faltar engenho e arte para saber se Alobêned é ou não uma grande cantora (dúvida que mantenho quanto a Maria Betânia, mas nunca tive a respeito de Gal). Sei é que esse furacão negro (assim como Betânia é uma estrela acima de qualquer suspeita) é uma força da natureza, uma rainha além da preferência de meros mortais como este colunista. Se querem compará-la, não sugiro as três cantoras brancas xodó da mídia, mas outra monarca africana: Margareth Menezes. Findo meu espaço, provoco: Quem sabe a razão do nome Alobêned?

NA POLÊMICA, VOU DE VIRGÍNIA RODRIGUES

Quando o Carnaval da Bahia entra em discussão, vou de Virgínia Rodrigues, uma das grandes vocalistas baianas “malditas”: lançou seu primeiro CD em 1997 (Sol negro), tendo as bênçãos de Caetano Veloso (direção), Gilberto Gil, Milton Nascimento e Djavan (participações) – e ainda assim se mantém quase “ilustre desconhecida”. É “uma das mais impressionantes cantoras que surgiram no Brasil nos últimos anos” – isto não foi dito pela crítica brasileira, mas pelo The New York Times. Na minha modesta cedeteca há ainda Mares profundos (com temas de Baden Powell) – “importado”, évidemment. Clique.

 

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(O.C.)

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Itabuna é dos primeiros municípios do interior da Bahia onde o SUS custeará cirurgias de redução de estômago (bariátrica) para pessoas obesas. O assunto é tema de capa da revista Contudo, que destaca o esforço da ONG Casa do Obeso para que o procedimento fosse realizado no município. A instituição reúne cerca de 600 associados.

Desde o ano passado, o Hospital Calixto Midlej Filho, da Santa Casa de Misericórdia, está autorizado a realizar cirurgias custeadas pelo SUS. O Hospital de Base também poderá ser credenciado. Além do esforço da ONG, a edição da Contudo também traz uma entrevista com a psicóloga Samara Pitombo, que fala sobre a crise na (e os problemas da) adolescência. A edição desta semana já está nas bancas.