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Cinco traficantes que participavam de orgia sexual em Canavieiras foram parar atrás das grades, nesta segunda-feira (14). A bacanal no bairro Tancredão foi interrompida quando investigadores adentraram a casa de Carolaine Rana Santana, 19. De acordo com o delegado Nilton Bastos de Almeida, Carolaine é a líder do bando.

A orgia era regada a crack e maconha, segundo os investigadores. Foram presos Josias Teixeira, Ana Paula da Silva, Carolaine e Nivalto Souza da Silva. Um menor de 16 anos e que participava da orgia foi encaminhado para o Ministério Público estadual.

Nivalto, o Tintinho estava com um revólver calibre 38. Todo o material apreendido passará por perícia. De acordo com a assessoria da Polícia Civil, os quatro adultos foram autuados em flagrante por porte ilegal de armas e tráfico de drogas.

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Situação das mais constrangedoras – e deprimentes – vive o ex-todo poderoso Carlos Burgos, antes secretário das Finanças e hoje titular da Secretaria de Assuntos Governamentais e Comunicação Social.

Desde quando assumiu a nova pasta, Burgos ainda não deu expediente. Não foi culpa dele.

Na semana passada, o advogado foi ao gabinete, mas não havia nem mesa nem cadeira. Ficou em pé e zanzando entre uma sala e outra.

A situação se repetiu nesta segunda-feira, 14. Burgos, pra lá dos 60 anos de idade, pensa em evocar o Estatuto do Idoso contra o prefeito Capitão Azevedo (DEM).

O cenário seria inimaginável há quatro, três meses, quando o advogado era quem dava as cartas na prefeitura e possuía a chave do cofre.

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Os moradores do Núcleo Habitacional da Ceplac, em Itabuna, receberão uma boa notícia dentro de três meses. De acordo com o deputado federal Geraldo Simões (PT-BA), os 150 imóveis serão doados, definitivamente, aos atuais moradores por meio de cessão de direito real de uso. O núcleo fica situado na região do São Caetano, em Itabuna.

“Foi uma decisão do ex-presidente Lula e que será concretizada agora, na gestão da companheira Dilma [Rousseff]”, afirma. A demora é a área jurídica da superintendência baiana do Patrimônio da União concluir o levantamento, transferindo-os da União para os residentes.

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Dinho Gás diz que governo ilheense tenta desestabilizar a oposição

O vereador Dinho Gás, presidente da Câmara de Ilhéus, vê o dedo do governo local em notas publicadas pela imprensa sobre a investigação de membros do legislativo pela Operação Vassoura de Bruxa, da PF, além de denúncias relativas a fraudes em processos licitatórios.

Para o presidente, tudo não passa de uma estratégia oficial para desestabilizar a bancada de oposição, da qual ele faz parte. Dinho Gás não explicou, entretanto, como um jornal local publicou notas cifradas, informando quais seriam as empresas vencedoras de licitações anunciadas pela Câmara. Ele se limitou a declarar que as empresas participantes dos processos atenderam aos critérios dos editais.

O vereador também afirmou que o governo vem tentando cooptar a oposição com a oferta de uma secretaria.

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Informações dos bastidores do Centro Administrativo Firmino Alves dão conta de que o prefeito José Nilton Azevedo enfim tomou coragem e está em busca de um substituto para a procuradora Juliana Burgos. Na Prefeitura, a filha do secretário Carlos Burgos é vista como um problema em função de sua inexperiência e por estar atrapalhando certos encaminhamentos.

Na mesa da procuradora, há uma lista de nomeações aguardando parecer. Uma delas é de ninguém menos que a presidente do DEM, Maria Alice Pereira, que teria entrado em rota de colisão com os Burgos. A má-vontade da Procuradoria irritou o prefeito José Nilton Azevedo.

O prefeito, aliás, há tempos decidiu afastar os Burgos da administração, mas a tarefa é árdua. Além de Juliana na Procuradoria, tem ainda o pai Carlos Burgos na Secretaria de Governo e o irmão Otaviano na diretoria administrativa da Emasa.

Azevedo quase conseguiu se livrar do patriarca no mês passado, depois de meses tentando emplacar Geraldo Pedrassoli na Secretaria da Fazenda (então ocupada por Burgos). O homem resistiu até não poder mais e o prefeito lhe ofereceu a Procuradoria (para despachar logo a filha). Burgos não aceitou desalojar a pupila e ficou com a Secretaria de Assuntos Governamentais, alijada do Departamento de Comunicação. Passou a ter menos poder, mas não largou o osso.

Com a saída da procuradora, o prefeito espera resolver diversos problemas, eliminar entraves e impedir barbeiragens, como a que levou a sucessivos bloqueios de repasses para o município pelo INSS. O erro, nesse caso, foi inteiramente atribuído ao setor jurídico do governo.

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A Amurc (Associação dos Municípios do Sul, Extremo-Sul e Sudoeste da Bahia) reúne prefeitos em sua sede, nesta sexta-feira, 18, a partir das 9 horas da manhã. Uma das intenções é fazer o planejamento institucional da entidade para o biênio 2011-2012. A outra é colher sugestões para o planejamento integrado da UPB (União dos Municípios da Bahia).

Segundo o presidente da associação, o prefeito de Ibicuí, Cláudio Dourado, o planejamento tem como meta criar estratégias e organizar ações que resultem no fortalecimento do municipalismo.

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Olímpio e Marcos Flávio querem fazer uma "muqueca" com Zé Neguinho

A onda de expulsões no PPS, que já levou o vereador itabunense Clóvis Loiola, ameaça chegar a Ilhéus e tragar o também vereador “Zé Neguinho”. Ele é acusado de traição ao colega de legislativo e correligionário Marcos Flávio Rehem, e quem jogou a sujeira no ventilador foi o pai do traído, o ex-prefeito ilheense Antônio Olímpio, também membro do PPS e presidente da Fundação Maramata.

Em entrevista concedida nesta manhã ao programa Alerta Geral, apresentado por Gil Gomes na Rádio Santa Cruz, Olímpio revelou o episódio da traição, que está relacionado à recente eleição da mesa diretora da Câmara Municipal.

Marcus Flávio seria candidato a presidente da mesa e contava com o apoio de Zé Neguinho. Este, por sua vez, disse não ao companheiro de legenda, alegando de que seria ele próprio o candidato. Desejo justo, mas não foi o que ocorreu.

Zé Neguinho, sem autorização do PPS, decidiu apoiar a eleição do vereador Edvaldo Nascimento, o “Dinho Gás”, que acabou – como se sabe – eleito presidente. O caso extra-conjugal (ou melhor, extra-partidário) agora ameaça o “traíra” (na visão de Olímpio e do filho).

Na mesma entrevista ao Alerta Geral, Olímpio também afirmou que a pulada de cerca de Zé Neguinho terá outro preço, além da possível expulsão do PPS. É que o vereador seria indicado pelo partido para assumir a Secretaria da Agricultura de Ilhéus, o que a crise deflagrada tornou improvável.

Zé Neguinho se encontra num evento com pescadores em Salvador e ainda não se manifestou. Mas ele deverá falar já na manhã desta terça-feira.

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A Câmara de Vereadores de Itabuna inicia nesta terça-feira, 15, às 14 horas, os trabalhos ordinários da atual legislatura. A sessão será comandada pelo novo presidente da Casa, Ruy Machado (PRP). A nova gestão terá como principal desafio superar a mancha provocada pela administração de Clovis Loiola (PPS), acusado de desvios que superam a casa dos R$ 4 milhões.

Na próxima sexta, 18, o Ministério Público estadual ouvirá o ex-diretor de Recursos Humanos da Câmara, Kléber Ferreira. O ex-diretor promete abrir o bico e revelar como o ex-presidente manejava o dinheiro da Casa. Até agora, já foram ouvidos os vereadores Clovis Loiola (PPS), Roberto de Souza (PR) e Ricardo Bacelar (PSB), que integravam a Mesa Diretora, e os ex-diretores Alisson Cerqueira e Eduardo Freire.

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"Eu doei minha vida ao futebol", diz Ronaldo na despedida.

O atacante Ronaldo concede entrevista coletiva neste momento para anunciar o fim da carreira no futebol profissional. O maior artilheiro de todas as copas do mundo e principal nome da conquista do pentacampeonato mundial brasileiro se despede em 2011, após jogar quatro vezes na temporada e não marcar um golzinho e ser contestado (e ameaçado) pela torcida do Corinthians, clube que o contratou em 2009. Ele atribuiu ao hipotireoidismo a sua aposentadoria.

Na entrevista, ele agradece a amigos, atletas com os quais jogou, clubes, treinadores… e chora ao falar de sacrifícios na carreira, das dores sofrida numa sequência de contusões e aos resultados na carreira. Sobre a despedida no futebol, cravou: “foi a minha primeira morte”. Ronaldinho foi campeão de copa do mundo por duas vezes e escolhido o melhor do mundo por outras três.

Acompanhe no vídeo abaixo os 15 gols de Ronaldo em copas do mundo

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Maikon Santos Dantas, 27, morreu em um acidente no trecho Almadina-Coarai, da BA-262, ontem à noite. Ele retornava de Almadina quando perdeu o controle da direção da picape Toyota Hilux e o carro capotou.

Maikon era sobrinho do prefeito de Itajuípe, Marcos Dantas. O jovem chegou a ser socorrido por populares, segundo o site Sport News, e levado para o Hospital de Base de Itabuna, onde chegou sem vida. O corpo foi levado para o DPT itabunense.

VELÓRIO E SEPULTAMENTO

Às 12h25min – A família de Maikon Dantas informa que o velório acontece na casa dos pais do jovem, na rua Firmino Elói de Almeida, em Itajuípe. O corpo será enterrado no cemitério local, às 17h.

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A diretoria do Iate Clube de Ilhéus promete apresentar, ainda nesta segunda-feira, 14, esclarecimentos sobre as causas do acidente ocorrido na madrugada do último sábado, 12, quando parte do deck do clube desabou com 21 pessoas, inclusive um bebê de oito meses, que sofreu traumatismo craniano. O acidente aconteceu durante um baile de formatura.

De acordo com a diretoria, o Corpo de Bombeiros, o Crea e a Polícia Técnica estão apurando as causas do desabamento do deck. A área onde ocorreu a queda foi isolada.

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Editorial do Jornal Bahia Online:

Fazemos jornalismo. Não pertencemos a nenhum grupo político nem estamos no bolso daqueles que esbravejam comprar qualquer coisa ou qualquer pessoa.

Vendemos espaços publicitários. Mas jamais negociaremos os nossos ideais.

Em nosso site valerá sempre a velha máxima “Pau que dá em Chico, dá em Francisco” por que este pensamento nos permite promover, todos os dias, o exercício democrático da informação. É claro, também, que não somos donos da verdade. E nem queremos ser. Mas o nosso compromisso tem sido – e continuará a ser – com os princípios básicos do jornalismo e com a visão focada no debate permanente por uma política transparente, ética e de respeito à sociedade.

Doa a quem doer.

Sofrerão críticas, aqueles que por certo, sob a ótica cidadã, as merecerem.

Serão elogiados também aqueles quando acertarem.

Não temos medo do que podemos enfrentar.

Está registrado aqui no site um editorial publicado no primeiro dia do mandato do presidente Edvaldo Nascimento (clique aqui e leia), uma defesa ao seu direito de ser comandante do Legislativo e passar a ser uma das influentes personalidades políticas de Ilhéus. Reagimos, àquela oportunidade, contra a opinião daqueles que achavam que, por ser um homem simples, de poucas letras, ele não pudesse ocupar o cargo em que hoje está.

Achar que não, é uma atitude preconceituosa, com a qual não coadunamos. Dinho Gás – como é popularmente conhecido – tem direito a ser presidente da Câmara pelo fato de que, para sê-lo, precisaria apenas ser vereador (e é) e ter os votos da maioria dos seus pares para se eleger (ele teve). Conseguiu os dois.

Por isso temos a convicção de que podemos fazer algumas cobranças que julgamos necessárias aqui mesmo neste espaço.

As denúncias contra possíveis vícios em licitações (leia mais clicando aqui) do Legislativo têm que ser apuradas. Não se espera outra coisa de um líder que, nos primeiros dias do seu mandato como presidente, ganhou espaço nos jornais por abrir mão de uma verba de representação e garantir que sua “principal meta” no exercício da presidência seria, ao final de dois anos, ter a aprovação das suas contas (leia aqui).

A questão é que enquanto jogava para a torcida, Edvaldo Nascimento fazia caminhar pelas salas da Câmara, uma série de licitações, uma delas para a reforma do Palácio Teodolino Ferreira.

Isso mesmo.

Reformar um prédio recentemente construído pelo seu antecessor e ainda em perfeitas condições de abrigar o Poder Legislativo Municipal.

Primeiro, em nossa modéstia opinião, ao agir assim, o presidente demonstra não ter foco nas prioridades que o Legislativo tanto precisa.

Segundo, é um acinte a uma cidade entregue às moscas onde nada funciona. A saúde pública está na UTI, a educação vivenciando um quadro negro, o funcionalismo entregue à própria sorte e secretários que antes de olhar para a cidade e a coletividade, olham para o espelho e gritam sem o mínimo de vergonha “Eu tenho a força, eu posso mais!”

Se o presidente da Câmara, Dinho Gás, não vê tanta coincidência que coloquem sob suspeição as licitações até agora feitas e o fato de ter como fornecedores, parcerias pra lá de conhecidas, que pelo menos tenha vergonha de anunciar uma reforma numa Câmara novinha em folha, enquanto postos de saúde estão em ruínas e estudantes estão sem salas de aula, sem telhado, sem teto e sem esperança.

Para concluir, pedimos que os nossos leitores façam uma análise crítica a respeito do tema.

Olhem bem para a foto ao lado, onde as primeiras pinceladas mostram que a pintura vermelha muito em breve será trocada pelo verde, operação que o cidadão mais crítico já está amarelo de saber porque tudo isso acontece.

A pergunta é: Esse prédio precisaria mesmo de uma reforma?

Apontem-me, pelo menos, uma sujeira que justifique isso.

Pelo menos uma sujeira visível aos olhos do povo.

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Um traficante de drogas conhecido como “Bode” levou terror e determinou toque de recolher na noite deste sábado, 12, na rua Marquês de Pombal, bairro Santo Antônio, em Itabuna. Acompanhado de outros dois bandidos, todos armados com revólveres, Bode exigiu dinheiro dos donos de bares existentes no local.

Intimidados, alguns comerciantes fecharam seus estabelecimentos, mas os três delinquentes arrombaram as portas e levaram diversos produtos.

A polícia foi acionada, mas Bode e seus comparsas não deram sopa. Fugiram antes da chegada dos policiais.

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NÃO FALTA DEFENSOR PARA A ARTOCARPUS

Ousarme Citoaian
A jaca volta às manchetes, saída de onde menos se esperava, o Fórum Rui Barbosa, de Itabuna. E avisamos a quem interessar possa que se esta construção parece pleonástica, não o é, entretanto, pois há fóruns Rui Barbosa em todas as esquinas da Bahia – e com picilone na grafia, obviamente). Dito o que, vamos à jaca, propriamente dita. Volta e meia, a expressão papa-jaca (que é antônima de papa-caranguejo) ressurge, sempre em tom de ofensa, talvez pelo preconceito existente em torno dessa fruta. Mas a artocarpus integra, se bem me lembro, teve dois importantes defensores públicos (antes de Marival Guedes, há dias, aqui no Pimenta): Euclides Neto e Paulo Kruschewsky, que nos fazem muita falta.

NA JAQUEIRA, A RIMA DE NOBREZA E REALEZA

Euclides (foto), advogado e político engajado no compromisso da ascensão social de sua gente, prefeito de Ipiaú, cassado e preso pela ditadura militar, defendeu jaca e jaqueira – o fruto como alimento, a árvore como matéria de marcenaria, principalmente na fabricação de móveis em que nobreza rima com beleza.  Paulo, para quem a criatividade era uma espécie de segunda natureza, pregou, ao microfone, que jaqueiras fossem plantadas pelo prefeito ao longo das ruas de Itabuna, tornando nossa urbe verde e cheirosa. Antônio Lopes, papa-jaca lá das bandas de Macuco, viu com humor a opinião do ilheense Paulo Kruschewsky e a reproduziu no livro de crônicas Luz sobre a memória (Agora Editoria Gráfica/1999).

“JAQUEIRIZAR” É PRECISO, SEGUNDO PAULO

“Acredita o inventivo Paulo que com esse procedimento inesperado, o prefeito recuperaria a marca ´papa-jaca´, muito cara a todos nós, jogaria um bocado de oxigênio sobre esta paróquia irrespirável, faria as pazes com o Ibama em particular e com os ambientalistas em geral, ofereceria sombra e comida a caminhantes, viajantes e pedintes.”  – diz o cronista, e segue:  “É bem verdade que Paulo não explicou como fazer com as jacas imensas, maduras e cheirosas que vão despencar sobre os carros, quebrar para-brisas e atrair mosquitos, transformando a Cinquentenário num estranho lamaçal e a vida de algumas pessoas num inferno. Mas quem lá se preocupa com esse pequeno custo, diante de tantos benefícios?”

DISTÂNCIA ENTRE HÁBITO E PRECONCEITO

Leitor (a) nos recomenda cuidado quanto ao emprego da expressão língua culta (ou semelhante), que tangencia o preconceito. Nos arquivos implacáveis do Pimenta encontrei, em pouco mais de um ano desta coluna, oito menções: língua culta, linguagem culta, norma culta etc. Não se trata, no caso, de preconceito, mas da forma habitual de dizer as coisas. Em certo momento, escrevi, por minha conta e risco, “cultura livresca”, também sem preconceito contra quem lê. Os linguistas criaram a expressão “norma culta” sem querer humilhar ninguém (veja o incontestável Celso Luft!).  Mas concordo que a expressão dá o que pensar.

CONCEITO DE CULTURA PARA A SÉTIMA SÉRIE

Cultura – se me permitem um pouco de marxismo para crianças inteligentes da 7ª série – é o antagonismo entre o homem e a natureza. Tudo aquilo que acrescentamos ao ambiente é “cultura”. Assim, uma árvore não é elemento cultural (talvez seja agricultural!), mas um banco que é feito dessa árvore, sim. Da mesma forma que um berimbau ou uma palmatória. Aliás, usei muito o exemplo do berimbau, como elemento de cultura: nas casas da dita elite branca ele é pendurado na parede, como uma exótica peça de decoração; já entre pobres e negros tem forte valor histórico e até financeiro. Penso que um colar indígena guarde o mesmo duplo significado.

EIS AQUI O TIPO FACEIRO E DARWINIANO

Foram as práticas, tensões e rupturas com a natureza que formaram esse tipo faceiro e darwiniano que desfila pela ruas e becos, uns engravatados, outros sem camisa, mulheres e homens se rebolando ao som contagiante do arrocha, outros achando que depois de Mozart e Beethoven não se fez música que valesse o preço da pauta em que foi registrada. E há os que (a piada é anciã) consideram Brahms e Chopin apenas mal pronunciados nomes de bebida, sendo Bach o local onde as consomem. É a fauna um tanto patética chamada homo sapiens. O analfabeto tem cultura, sim, mas num sentido em que me é difícil fazer entender por alguns leitores.

O AMOR NÃO NOS AVISA, APENAS ACONTECE

“Aconteceu um novo amor”, cantou Caymmi, em Não tem solução/1952 (com Carlos Guinle), também ouvido com Nana, Betânia, Dick Farney (foto), Zizi Possi e outras vozes. O amor surgiu, emergiu do nada, em momento talvez inoportuno. Aconteceu. Feito uma virose, que pega de surpresa o infeliz portador. “Concurso de professor da rede estadual acontece hoje”, equivoca-se em manchete mais de meio século depois, o maior jornal da Bahia. Só “acontece” o que não está planejado, não se espera, vem atrapalhar nossos planos, como está no velho baiano: “Eu que esperava nunca mais amar/ não sei o que faça com este amor demais”. Grande Dorival.

SÓ “ACONTECE” O QUE NÃO FOI PLANEJADO

Redatores que tratam bem a língua costumam usar o verbo acontecer com o sentido principal registrado pelo dicionário Aurélio (“suceder ou realizar-se inopinadamente”). Machado de Assis, em Várias histórias, abona a definição: “Aconteceume uma aventura extraordinária”. Entre nós, um exemplo simples, porém recidivante, até que as autoridades policiem nossas estradas: ”Grave acidente aconteceu na Ilhéus-Itabuna”. Neste caso, o Caldas Aulete tem entendimento semelhante ao Aurélio – acontecer é “realizar-se algum fato inesperadamente”. Logo, como o concurso estava programado, ele não acontece. Mas “acidentes acontecem”, diz o adágio.

COLUNA SOCIAL COM CRIATIVDADE E GRAÇA

“Estou acontecendo no café soçaite”, brincava Miguel Gustavo, na voz fanhosa de Jorge Veiga (Betânia regravou Café soçaite/1953 no começo dos anos setenta). Era só uma sátira bem-humorada ao colunismo social da época, um tempo em que por lá existiam Ibrahim Sued, Jacintho de Thormes, criatividade e graça. Mais tarde, a indigência vocabular dos redatores fez com que o verbo acontecer fosse utilizado a torto e a direito, nos lugares mais escusos, sem nem sombra do charme que lhe dera o jornalista carioca Maneco Müller, famoso como o colunista mundano Jacintho de Thormes.

JORNALISMO GOSTA DE VERBOS NO PRESENTE

Na acepção que encontramos por aí, o maltratado acontecer se refere a algum evento que “ocorre”, ou que “se realiza”. Há dias, uma instituição cultural distribuiu convite para uma solenidade que acontecerá no dia tal, a horas tantas. Bobagem. Solenidades não acontecem, mas se realizam, ocorrem etc. E no caso da manchete citada lá em cima, como ficamos? Ficamos no bom senso, que recomenda o mais simples: em vez de dizer que  ”… o concurso acontece hoje”, diga-se “… será hoje” ou, como a linguagem jornalística gosta do tempo presente, “… é hoje”. Voltaremos ao tema. Antes, Nana Caymmi e Não tem solução.

(O.C.)