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Reunião com o bispo Dom Ceslau (ao centro) com lideranças políticas e rurais em café da manhã (Foto Divulgação).
Reunião com o bispo (ao centro) com lideranças políticas e rurais no ano passado.

Os produtores rurais atingidos pela disputa de terras com índios e autodeclarados tupinambás terão café da manhã com o bispo da Diocese de Itabuna, Dom Ceslau Stanula, neste sábado (26), às 7h30min, na casa paroquial em Buerarema.
A reunião será com representantes dos agricultores, comandos do Exército e da Força Nacional e autoridades municipais. O encontro se dá dois dias após a prisão do cacique Rosivaldo Ferreira da Silva (Babau), em Brasília. A prisão foi motivo de festa no município, ontem, com intensa queima de fogos. Para hoje, estava programada uma carreata.
O bispo diocesano itabunense quer ouvir os relatos dos maiores prejudicados pela disputa de terras na área de 47,3 mil hectares, mas pediu reuniu com, no máximo, 30 pessoas. Ano passado, o bispo já havia se reunido com agricultores. Também há a intenção dos produtores de questionar o posicionamento do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

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A Prefeitura de Buerarema fará seleção pública simplificada para preencher 110 vagas voltadas a profissionais de todos os níveis de escolaridade. Os salários variam de R$ 724,00 a R$ 7,5 mil.
O prazo de inscrição encerra-se no dia 25. A empresa responsável pela seleção é a S&R Concursos e Pesquisas. A inscrição deverá ser feita no site da empresa (www.srconcursosepesquisas.com.br).
Apesar de ser seleção simplificada, a prefeitura decidiu cobrar taxa dos interessados. Para os cargos de nível fundamental, a taxa será R$ 15,00. Já as vagas de nível médio, R$ 20,00. A taxa de inscrição para cargos que exigem nível superior está fixada em R$ 30,00.

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Comboio ExércitoTropas do Exército começaram a retornar para a zona do conflito entre agricultores e autodeclarados tupinambás no sul da Bahia, após retirada iniciada na última segunda (10). A informação foi confirmada há pouco pelo presidente da Associação dos Pequenos Produtores de Ilhéus, Una e Buerarema (Aspaiub), Abiel Silva.
Anteontem, o governador Jaques Wagner havia pedido a prorrogação do estado de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na área de 47,3 mil hectares reivindicada pelos autodeclarados indígenas. A área foi definida de acordo com estudo da Fundação Nacional do Índio (Funai).
Ontem, o deputado federal Geraldo Simões disse que o estudo contém “vícios”. O parlamentar defende a manutenção dos produtores na região, assim como a permanência das tropas do Exército. Geraldo é favorável aos pequenos produtores. Mais de 20 mil pessoas residem na área do conflito.
ÍNDIOS PRESSIONAM EM BRASÍLIA
Ontem, cerca de 40 índios do sul da Bahia foram à Brasília pressionar o governo para que agilize o processo de demarcação. Enquanto Geraldo defende dos produtores e assentados da região, outro petista, o deputado federal Valmir Assunção, defende a demarcação da área que abrange os municípios de Ilhéus, Una e Buerarema, e daria apoio aos indígenas na capital federal.
Valmir é criticado pelos produtores e agricultores familiares, parte deles oriunda do movimento sem-terra, a exemplo de Juraci Santana, assassinado em 11 de fevereiro, no Assentamento Ipiranga, em Una. “Não entendemos a posição dúbia de Valmir, que surgiu no movimento sem-terra”, critica um produtor.

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Geraldo defende anulação de estudo da Funai e permanência do Exército.
Geraldo defende anulação de estudo da Funai e permanência do Exército.

O deputado federal Geraldo Simões disse que a permanência do Exército, no sul da Bahia, é fundamental para a pacificação na área de conflito entre produtores rurais e índios e autodeclarados tupinambás. As tropas foram retiradas das bases de pacificação desde a tarde da segunda (10).
– Defendo que [o Exército] continue até o fim do processo de demarcação das terras – disse o parlamentar ao PIMENTA, que considera a região pacificada desde a chegada do Exército.
Há relatos, no entanto, de constantes ameaças de invasões e depredações a propriedades na área em litígio. Algumas das ameaças são direcionadas a pequenos produtores da região de Olivença, em Ilhéus.
O governador Jaques Wagner apresentou ontem (11) pedido para que o governo federal mantenha as tropas do Exército na região. A decisão deve sair até amanhã (13).
ANULAÇÃO DE ESTUDO DA FUNAI
Para Geraldo, a anulação do decreto de demarcação dos 47,3 mil hectares entre os municípios de Una, Buerarema e Ilhéus é parte da solução para o conflito. O estudo favorável aos tupinambás, segundo Geraldo, “está cheio de vícios”.
O parlamentar ainda fala da tragédia social que seria, na opinião dele, a retirada de mais de 20 mil famílias das terras em disputa no sul do estado. “Como retirar mais de 20 mil famílias para assentar sei lá quantos índios?”, questiona.
CASO JURACI: CRÍTICAS À POLÍCIA CIVIL
O deputado petista fez críticas, ainda, à atuação da polícia civil na investigação da morte do pequeno produtor rural Juraci Santana, assassinado na madrugada de 11 de fevereiro deste ano, no Assentamento Ipiranga.
– Na região, todos sabem os nomes dos autores, mas ninguém até agora foi preso – afirmou, complementando que a Polícia Civil precisa esclarecer o crime e concluir logo o inquérito.

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Tropa com mais de 600 homens está no sul da Bahia desde fevereiro (Foto Pimenta).
Tropa com mais de 600 homens está no sul da Bahia desde fevereiro (Foto Pimenta).

Exército e Marinha deixaram a região de conflito entre produtores rurais e índios e autodeclarados tupinambás, na região que envolve Ilhéus, Una e Buerarema. De acordo com as primeiras informações, as três bases de segurança (pacificação) instaladas na área de 47,3 mil hectares foram desmontadas entre ontem e hoje (11).
As Forças Armadas estavam no sul da Bahia desde o dia 14 de fevereiro, após o governador Jaques Wagner recorrer à Garantia da Lei e Ordem (GLO) e passar ao governo federal a responsabilidade pela segurança pública na área do conflito.
ASSASSINATO DE AGRICULTOR
Hoje faz um mês que o agricultor Juraci Santana foi executado a tiros, no Assentamento Ipiranga, no Maroim, em Una. Até o momento, ninguém foi preso. A retirada das tropas do Exército é considerada uma vitória para os tupinambás, que estariam planejando uma caminhada ecológica na área do conflito.

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O conflito entre agricultores e autodeclarados tupinambás foi tema de reportagem especial do Jornal da Band, ontem à noite (25). Valteno de Oliveira ouviu produtores e governo federal.
Agricultores vítimas da violência na região são mostrados em cima da cama, paralíticos, após serem alvos de tiros. O drama da família do agricultor Juraci Santana abre a reportagem. Confira:
 

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Juraci, de boné, ao lado do ministro Cardozo: crime continua impune.
Juraci, de boné, ao lado do ministro Cardozo: crime continua impune.

A morte do agricultor Juraci Santana completou duas semanas sem que a polícia civil consiga prender os autores do crime. O produtor foi assassinado a tiros na madrugada da terça (11), no Assentamento Ipiranga, na Região do Maroim, em Una.
Testemunhas do crime informaram à polícia as características – e os nomes – dos três homens que executaram Juraci, que havia denunciado ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e prestou duas queixas à Polícia Federal sobre as ameaças de morte sofridas por ele. Os acusados são supostos caciques tupinambás.
Era final de noite, início de madrugada, quando três homens invadiram o assentamento à procura de Juraci. Os assassinos não se importaram com a presença da esposa e da filha da vítima. Cercaram a propriedade, aproximaram-se da vítima e desferiram vários tiros.
15 DIAS DE IMPUNIDADE
Um líder do movimento de agricultores da área do conflito disse ao PIMENTA que bilhetes anônimos foram entregues à polícia civil. Neles, informações sobre a localização dos executores de Juraci:
– Há um clima de revolta por causa dessa impunidade. Eles nos sufocaram, nos calaram com polícia, Força Nacional e Exército. Parece que tudo isso é pra gente, por que até as reintegrações de posse eles suspenderam, enquanto os assassinos continuam gozando de liberdade – disse a liderança que, temendo represálias, pediu anonimato.
Ele próprio explica o porquê do anonimato:
– A polícia não nos protege e os tupinambá ou sei lá o que continuaram aprontando depois do crime, retaliando as pessoas. Até a casa de uma agricultora de mais de 90 anos eles tocaram fogo, destruíram, porque ela participou do velório e do enterro de Juraci. Estamos sem proteção. Protegidos estão os supostos índios.
CONFLITO ATINGE 3 MUNICÍPIOS
Região viveu intenso confronto no dia da morte de Juraci (Foto Gilvan Martins/Pimenta).
Região viveu intenso confronto no dia da morte de Juraci (Foto Gilvan Martins/Pimenta).

O conflito envolve produtores e autodeclarados tupinambás. A disputa ocorre em uma área de 47,3 mil hectares entre os municípios de Una, Buerarema e Ilhéus onde estão cerca de 800 pequenas propriedades, 100 das quais já invadidas, segundo a Associação dos Pequenos Produtores de Ilhéus, Una e Buerarema (Aspaiub).
A disputa ficou ainda mais acirrada após a Fundação Nacional do Índio (Funai) apresentar um relatório de demarcação estabelecendo a área que, supostamente, pertenceria aos tupinambás. O relatório foi entregue ao Ministério da Justiça. O documento foi devolvido à Funai por ser considerado “inconsistente”.
Apesar da violência e do clima de instabilidade que afeta propriedades rurais e turísticas, os prefeitos dos três municípios permanecem em silêncio – Jabes Ribeiro (Ilhéus), Diane Rusciolelli (Una) e Guima Barreto (Buerarema), o que provoca revolta dos produtores.

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ACISO_Camuflagem

Fuzileiro camufla rosto de criança durante final de semana de ação social em Buerarema, onde parte da tropa do Exército está desde o último dia 14. No sábado e domingo (22 e 23), população teve acesso a serviços em saúde e oficinas de camuflagem e desenho para crianças. Houve também atendimento a animais, com vacinação antirrábica. As atividades servem para aproximar população e tropas.

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Novos protestos são programados por produtores (Foto Gilvan Martins/Pimenta).
Novos protestos são programados por produtores (Foto Gilvan Martins/Pimenta).

Os produtores rurais da área do conflito com índios e autodeclarados tupinambás estão ainda mais irritados com o governo federal. Após prometer que as reintegrações programadas seriam cumpridas, o Ministério da Justiça deu zignal nos agricultores. Somente para hoje (20) estavam programadas quatro reintegrações. Todas foram suspensas.
A promessa de que as liminares de reintegração seriam respeitadas foi feita aos produtores pelo assessor da Secretaria-Geral da Presidência da República, Nilton Godoy, em audiência com os pequenos produtores em Ilhéus, no final da semana passada.
A suspensão reforça a suspeita de produtores rurais de que a chegada do Exército seria mais para proteção aos índios do que para o restabelecimento da “lei e da ordem”.
A Associação dos Pequenos Produtores de Ilhéus, Una e Buerearema (Aspiub) entrou em contato com a Polícia Federal, Justiça Federal e Força Nacional de Segurança (FNS), confirmando que houve ordem de Brasília para que as reintegrações não ocorressem.
As reintegrações são cumpridas com o acompanhamento da Força Nacional, que foi impedida de cumpri-las pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), órgão do Ministério da Justiça.

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abiel-silva-santos

O presidente da Associação dos Pequenos Agricultores de Ilhéus, Una e Buerarema-Aspaiub, Abiel Silva Santos, está em Brasilia onde se reúne com representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Ministério da Justiça.
No CNJ, ele trata da questão da segurança jurídica dos produtores que vem tendo suas terras invadidas por supostos índios tupinambás. Segundo ele, “a polícia cumpre as reintegrações de posse determinadas pela Justiça, mas logo em seguida as fazendas são novamente invadidas e nada acontece”.
No Ministério da Justiça, ele pretende obter uma cópia que confirma a devolução à Funai do processo de uma área de 47 mil metros quadrados no Sul da Bahia. “Temos a confirmação de que o processo, repleto de irregularidades, foi devolvido, mas queremos ter isso documentado, porque só assim teremos garantia de que as invasões estão fora de lei”, afirma.
Confira a íntegra no Blog do Thame

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Confrontos no município serão tema de sessão (Foto Gilvan Martins)
Confrontos no município serão tema de sessão (Foto Gilvan Martins)

Os vereadores de Buerarema iniciam hoje (18) os trabalhos legislativos ordinários.
A pauta está recheada. Vai desde a prisão do vereador Ariosvaldo Vieira ao conflito que envolve produtores e tupinambás, além da ação do Exército na área urbana do município.
A sessão está programada para as 20h.

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ricardo artigosRicardo Ribeiro | ricardorib.adv@gmail.com
 

Quase todos trazemos hábitos e costumes das velhas aldeias: palavras de nosso vocabulário, nomes de cidades etc. Entretanto, só um número reduzido optou por autodeclarar-se índio, naturalmente em momento oportuno. Não foi o caso de Juraci Santana, que sofreu coação para se afirmar tupinambá, recusou-se e acabou assassinado.

 
Realmente, o exército era só o que faltava para que a guerra fosse oficialmente declarada no sul da Bahia. O aparato militar despachado pelo governo espanca essa dúvida, mas cria outras: essa turma que profere os despachos está de fato ciente do que precisa ser feito? Qual será o papel do exército na região? O que as Forças Armadas farão além do que já vinha sendo feito pela dispensada Força de Segurança Nacional?
Não é novidade no Brasil o fato de que, em muitos casos, o governo só responde sob pressão. A imprensa sabe bem disso, como se vê pela repercussão da morte do cinegrafista Santiago Andrade, numa ação de “black blocs” em protesto no Rio de Janeiro. Da capital carioca para o Assentamento Ipiranga, a distância é menor do que parece.
Juraci Santana, pequeno agricultor, líder da sua comunidade, tornou-se símbolo da resistência às ocupações de terras por índios ou pseudo-índios na região. Um processo que se intensificou a partir do decreto da Funai, que, de uma canetada, determinou que 47 mil hectares, de uma área que inclui porções significativas dos municípios de Una, Ilhéus e Buerarema, pertencem tradicionalmente à etnia Tupinambá.
Como é a autodeclaração que determina quem é ou não índio, fala-se que “autodeclarados” caciques arregimentaram forças nas periferias das cidades para formar sua milícia de autodeclarados filhos de tupã. Certamente, autodeclarados ou não, a maioria de nosso povo tem DNA indígena, dado o histórico processo de miscigenação que nestas terras se deflagrou desde Cabral.
Quase todos trazemos hábitos e costumes das velhas aldeias: palavras de nosso vocabulário, nomes de cidades etc. Entretanto, só um número reduzido de almas deste rincão baiano optou por autodeclarar-se índio, naturalmente em momento oportuno. Não foi o caso de Juraci Santana, que sofreu coação para se afirmar tupinambá, recusou-se e acabou assassinado.
Na seção “Carta ao Leitor” do jornal A Tarde, edição deste sábado (15), publicou-se a seguinte mensagem, assinada por Alírio Souza: “O conflito indígena na Bahia é de difícil solução. Até meados da década de 1920, havia no sul da Bahia tribos nômades que vagavam pelas florestas. Em 1926, o governo estadual autorizou fazendeiros a plantarem cacau nas terras onde só havia índios. Daquela data em diante, as tribos fugiram ou foram dizimadas, a exemplo de uma tribo que havia no rio do Ouro, em Itapitanga. Hoje, os índios estão sem as terras e os fazendeiros, por causa da vassoura-de-bruxa, estão sem cacau. ‘E agora, José…?’”.
Como se vê, o problema é antigo, mas, pelas respostas oficiais, a solução parece distante. Enquanto o governo não se dispuser a rever os critérios da demarcação de terras na região, inclusive levando em conta que boa parte da área abrangida pelo decreto da Funai é ocupada por pequenas propriedades e assentados, o conflito vai perdurar. Quantas vítimas serão necessárias para que uma providência efetiva seja adotada?
Ricardo Ribeiro é advogado.

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Juraci Santana com o vice-presidente da República, Michel Temmer.
Juraci Santana (seta à esquerda) com o vice-presidente da República, Michel Temer.

A polícia ainda não conseguiu prender os três homens que invadiram o Assentamento Ipiranga e mataram o agricultor Juraci Santana, de 44 anos, na madrugada da última terça (11). Juraci foi executado na frente da esposa, Elisângela Oliveira, e da filha de 17 anos, Tailane de Oliveira. Ele resistia à ordem de tupinambás para que se cadastrasse como índio.
O crime está sendo investigado pela polícia civil e tem colaboração da Polícia Militar, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública. No inquérito, foram colhidos depoimentos que envolvem, pelo menos, três supostos índios, dois deles identificados pelos prenomes Cleilton e Pascoal. Ambos são caciques tupinambás e foram denunciados por Juraci por terem feito ameaças após o produtor se negar a a declarar-se tupinambá.
Juraci denunciou as ameaças a autoridades federais. Além do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o agricultor também fez a denúncia ao vice-presidente da República, Michel Temer, em uma audiência no início de setembro do ano passado, em Brasília.
Temer estava na presidência da República no período da audiência devido a uma viagem internacional da presidente Dilma Rousseff. A foto acima é da audiência da qual participaram o então vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa, Geddel Vieira Lima, políticos e lideranças rurais da área do conflito.
Tropa do Exército em exercício nas ruas de Ilhéus (Foto Danilo Matos/Blog Ilhéus24h).
Tropa do Exército em exercício nas ruas de Ilhéus (Foto Danilo Matos/Blog Ilhéus24h).

EXÉRCITO ASSUME SEGURANÇA HOJE

O Exército deve assumir ainda hoje a segurança pública na região em conflito. A presidente Dilma Rousseff assinaria o decreto autorizativo ainda nesta manhã de sexta (14), após o governador Jaques Wagner recorrer ao instrumento de Garantia da Lei e Ordem (GLO) e apresentar pedido formal.
Cerca de seiscentos homens do Exército estão em Ilhéus, para onde também foram deslocados mais de 90 veículos, dentre eles alguns para socorro a vítimas. Desde a quarta-feira (12) que helicópteros do Exército fazem voo de reconhecimento na área de 47,3 mil hectares.

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Além de prestar homenagem ao líder camponês Juraci Santana e prestar solidariedade à família do agricultor, o deputado federal Geraldo Simões (PT-BA) denunciou ontem, na Câmara dos Deputados, que houve descaso federal na proteção a Juraci Santana.
Segundo Geraldo, Juraci relatou as ameaças aos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Gleisi Hoffmann (então ministra da Casa Civil) e, por três vezes, à Polícia Federal, além do Incra. Mesmo assim, não obteve proteção. O petista também comentou sobre o processo de demarcação no sul da Bahia.
– A nossa região tem um processo de demarcação de terras equivocado, que joga filhos contra pais, irmãos contra irmãos e companheiros de assentamento contra companheiros de assentamento – observou o deputado.
Ele ainda enfatizou a ação violenta dos supostos tupinambás e que a Força Nacional de Segurança foi escorraçada da área do conflito. “Recolheram as armas, botaram mochila nas costas e se retiraram”. Menos de quatro dias depois da retirada da Força Nacional, o produtor foi executado. Confira o vídeo do pronunciamento.

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Do Blog do Thame

Abiel: "Queremos justiça".
Abiel: “Queremos justiça”.

O Ministério da Justiça está devolvendo à Funai o processo de demarcação da área de 47 mil hectares nos municípios de Ilhéus/Olivença, Una e Buerarema, palco de um conflito entre produtores rurais e supostos índios tupinambás, que na segunda-feira resultou no assassinato do líder do Assentamento Ipiranga, Juraci Santana.
A devolução do relatório, que embora sem poder de decisão porque defendia da sanção do Ministério da Justiça, estava sendo utilizado como pretexto para as invasões, foi comunicada  ao presidente da Associação dos Pequenos Agricultores de Ilhéus, Una e Buerarema-Aspaiub, Abiel Silva Santos, durante reunião realizada hoje (13) na Associação Comercial de Ilhéus.
A reunião contou  com a participação de autoridades municipais, estaduais e federais e representantes das polícias e Exército . “Com a devolução do processo à Funai, os processos de reintegração de posse se tornam automáticos, porque as invasões, que já eram irregulares, agora se tornam ilegais”, afirma Abiel.
“Com isso esperamos que todas as reintegrações de posse determinadas pela Justiça sejam cumpridas imediatamente e as demais áreas invadidas também sejam devolvidas a seus legítimos donos”, disse o presidente da Aspaiub.
Confira a íntegra da matéria no Blog do Thame