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Yrerê lança nova linha de produtos no Salon du Chcolat, em Paris || Foto Divulgação
Yrerê lança nova linha de produtos no Salon du Chcolat, em Paris || Foto Divulgação

A Fazenda Yrerê lançou nova linha chocolates e derivados do cacau (nibs e amêndoas caramelizadas) durante o Salão do Chocolate, em Paris, no último final de semana.

A nova linha da Yrerê conta agora com seis produtos, que vão de chocolates com 55% e 72% de cacau, em formatos de oitenta e trinta gramas e caixas de duzentos gramas de amêndoas de cacau caramelizadas com açúcar demerara orgânico e nibs de cacau.

Os produtos da Fazenda Yrerê são feitos com cacau colhidos na fazenda, elaborados no sistema cacau fino de pós-colheita e fabricados da Bahia Cacau. Além de produtora da chocolates e derivados, a Fazenda Yrerê trabalha também com turismo rural e está localizada na Rodovia Jorge Amado (BR-415), em Ilhéus, no sul da Bahia.

A participação da fazenda Yrerê no Salão do Chocolate em Paris, segundo Gerson Marques, é resultado da parceria da Associação dos Produtores de Chocolates do Sul da Bahia (Chocosul) com a Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR) e Federação da Indústria do Estado da Bahia (Fieb).

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Ceplac busca recursos externos e recuperar autonomia || Foto Divulgação
Ceplac busca recursos externos e recuperar autonomia || Foto Divulgação

Do Valor

A Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), que atualmente responde à secretaria-executiva do Ministério da Agricultura, está dando os primeiros passos para recuperar sua autonomia de gestão e de financiamento. O objetivo da Ceplac é acessar recursos externos ao orçamento federal, como de fundos internacionais de fomento.

Em pouco mais de um mês, uma consultoria será contratada por licitação para definir o novo modelo jurídico da Ceplac para permitir que ela receba esse tipo de recursos. A expectativa dentro do órgão é que a consultoria elabore esse modelo até fevereiro ou março.

Ainda não estão definidas quais fontes de financiamento a comissão poderá acessar, mas já foi sinalizada a possibilidade de buscar doações internacionais através dos projetos Fundo Verde para o Clima – submetido às Nações Unidas – e World Cocoa Foundation (WCF) – financiado pelas maiores companhias que atuam na produção de chocolate, tais como a suíça Nestlé e a americana Mars. Os detalhes constam de um relatório produzido por um grupo de trabalho do Ministério da Agricultura e que foi obtido pelo Valor.

A autonomia administrativa e financeira já foi uma realidade para a Ceplac, mas em setembro de 2016 ela foi subordinada ao Ministério da Agricultura, e desde então passou a ser financiada diretamente pelo orçamento da Pasta.

Juvenal Maynart, diretor geral da Ceplac
Juvenal Maynart, diretor geral da Ceplac

A restrição orçamentária da Ceplac, porém, data de mais tempo. Há quase 30 anos, o órgão não realiza concurso público para contratar novos funcionários. Nesse meio tempo, a comissão enfrentou a pior crise do setor cacauicultor, provocada pela vassoura-de-bruxa no sul da Bahia.

A Ceplac já chegou a ter 4,2 mil funcionários, mas hoje o quadro tem 1,7 mil, sendo que 1,2 mil já têm idade e tempo de serviço suficientes para se aposentar. A falta de novos concursos também impediu a entrada das novas gerações, mais familiarizadas com ferramentas digitais.

O enxugamento do orçamento aprofundou-se nos últimos anos. Em 2012, foi fixado um orçamento de R$ 25,2 milhões para a comissão, mas a execução ficou em R$ 22,2 milhões. No ano passado, o valor orçado foi de R$ 22,7 milhões, mas somente R$ 17,3 milhões foi empenhado. Para este ano, o orçamento caiu para R$ 17,1 milhões.

Uma fonte externa de financiamento é vista dentro do órgão como uma saída para garantir o apoio da Ceplac para o fomento do cultivo de cacau pelo sistema agroflorestal. Nesse sistema, os cacaueiros são plantados junto à floresta nativa, um modelo que já é adotado no Pará.Leia Mais

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IBGE aponta queda na produção de cacau
IBGE aponta queda na produção de cacau

A produção de cacau em setembro foi de 213,5 mil toneladas, 4,8% menor em relação a agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A área plantada e a área a ser colhida diminuíram 2,8% e 3,2%, respectivamente, enquanto que o rendimento médio, de 356 kg/ha, foi 1,7% menor.

Os técnicos do IBGE informaram que os dados foram influenciados pelas estimativas da Bahia de setembro, que apresentou quedas de 4,4% na área a ser colhida, de 7,1% no rendimento médio e de 11,3% na produção esperada no mês anterior.

MANDIOCA

A pesquisa do IBGE indica que a produção da mandioca foi de 20,8 milhões toneladas, que representou aumento de 3,3% em relação ao ano anterior. Os dados foram influenciados pelos aumentos da produção na Bahia e no Paraná. As estatísticas da mandioca foram reajustadas na Bahia, com aumento de 21,6% da área a ser colhida e em 19,5% da produção, que deve alcançar 2,1 milhões toneladas.

Produção de mandioca cresce 19% na Bahia
Produção de mandioca cresce 19,5% na Bahia

A produção nacional de feijão alcançou 3,4 milhões toneladas, um aumento de 1,4%. Foi registrado ainda crescimento de 2,3% da área plantada. Os maiores produtores de feijão do país são Paraná (21,2%), Minas Gerais (16,6%) e Goiás (10,9%).

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rosivaldo-pinheiroRosivaldo Pinheiro | rpmvida@yahoo.com.br

 

Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.

 

Vivemos numa região que possui um dos biomas mais importantes do Brasil, a mata atlântica – muito rica em fauna e flora. Essa conservação só foi possível devido ao sistema de produção cabruca, que consiste em consorciar exploração econômica e conservação ambiental.

A produção do cacau permitiu reconhecimento social e poder político-econômico para os produtores do fruto. Se cacau era sinônimo de dinheiro, proprietário rural nessa região ganhava destaque social em qualquer lugar do país e até internacionalmente. As obras de Jorge Amado trazem esse retrato histórico.

A quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, afetou o comércio mundial e estabeleceu dificuldades na nossa economia até o final da década de 1950. Nesse período, após uma intensa luta junto aos poderes da República, a região viu nascer a Ceplac, em 1957, e recebeu uma atenção diferenciada a partir de 1961, quando foi implantada a taxa de retenção de exportação do cacau que formou o orçamento da Ceplac, o que permitiu que a instituição implantasse a extensão rural e investisse no escoamento da produção. A taxa era de 15% sobre a amêndoa e 5% sobre os derivados de cacau.

Em 1970, o cacau representou 60% da arrecadação estadual. Financiou, inclusive, a folha de pagamento do estado da Bahia e fomentou a construção do Centro Industrial de Aratu e do Polo Petroquímico de Camaçari. A partir de 1972, a taxa de retenção foi unificada em 10% – tanto amêndoas como derivados. Em 1980, uma série de fatores influenciaram negativamente na cadeia produtiva do cacau: perdemos importância na pauta de arrecadação do estado frente aos produtos de alta tecnologia produzidos no Polo Petroquímico de Camaçari, o fortalecimento da concorrência dos países africanos e nosso peso na pauta de exportação brasileira foi reduzido.

Todos esses acontecimentos propiciaram ao governo brasileiro cortar a taxa de retenção. Além disso, tivemos uma superprodução de cacau na safra 1984/1985, forçando ainda mais a queda dos preços e empurrando os produtores de cacau para a crise. Como se não bastasse tudo isso, em 1989 surgia em Uruçuca um fungo capaz de dizimar a lavoura, a vassoura-de-bruxa. Diante daquelas circunstâncias, e após muitas cobranças e críticas por parte da comunidade da região sul, o governo estadual, em resposta, criou o Instituto Biofábrica de Cacau em 1997. O IBC nasceu com o objetivo de produzir mudas melhoradas geneticamente e servir de estrutura de apoio permanente à lavoura.

Chegamos a 1990, década em que a região cacaueira conheceu a sua maior queda econômica: mergulhamos num estado de penúria, o que gerou o quase abandono das propriedades por parte dos fazendeiros e demissão em massa dos trabalhadores rurais. Estima-se que mais de 250 mil trabalhadores trocaram o campo pelas cidades. Um grande contingente de homens, mulheres e crianças chegaram sem perspectivas às cidades, buscando sobreviver àquele estado de caos social. As cidades não estavam preparadas, principalmente Itabuna, Ilhéus e Porto Seguro: saúde, educação, segurança, mobilidade e urbanização foram afetados.

Não existia capacidade de atendimento do fluxo, nem capacidade financeira para prover ações de acolhimento para essas pessoas. Esse contingente humano ficou à margem e teve que se estabelecer nas periferias das cidades. Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.

Nos últimos anos, uma articulação dos governos estadual e federal trouxe a esperança de entrarmos num novo ciclo econômico. A construção da barragem do Rio Colônia, um novo hospital regional, prestes a ser inaugurado, a Ferrovia Oeste-Leste, que está parada com quase 70% concluída, o Porto Sul – ainda travado por questões burocráticas, um novo aeroporto, que está para ter obras iniciadas, uma universidade federal já em funcionamento e a duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna, cuja ordem de serviço será assinada na próxima segunda-feira pelo governador Rui Costa, um sonho que a região espera há quase 50 anos. O governo Rui vem se esforçando e realizando as obras que estavam na expectativa da região.

Como tudo na vida, a crise, apesar de negativa, também deixou legados importantes: uma região mais forte para enfrentar as turbulências, a estadualização da UESC – sem a crise econômica o estado não absorveria a instituição no seu orçamento, e o acesso à terra, algo antes difícil e que trouxe à tona o movimento da agricultura familiar nessa região. A produção de chocolate surge como um novo pensar, fruto da chegada de novos agricultores para a cadeia do cacau, o incremento de novos modos de produção e beneficiamento do cacau, e o uso de tecnologias através do melhoramento genético fazem parte dessa mudança.

Precisamos estruturar novas lutas: ampliar e melhorar a nossa representação política em nível estadual e federal, fortalecer a Ceplac, fazer o governo do estado dotar a Biofábrica de condições financeiras para a manutenção do seu quadro técnico e do cumprimento do seu papel de fortalecimento da agropecuária do Sul e Extremo Sul da Bahia. Um novo ciclo está por vir, dele, depende a nossa energia e luta. Nossa região irá se superar e os seus filhos vencerão o dilema identificado pelo saudoso professor Selem Rachid: “a pobre região rica”. Avante!

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.

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Sede regional da Ceplac, na rodovia Ilhéus-Itabuna.
Sede regional da Ceplac, na rodovia Ilhéus-Itabuna.
Juvenal Maynart, diretor geral da Ceplac
Juvenal Maynart, diretor geral da Ceplac

O ministro em exercício da Agricultura, Eumar Novacki, assinou portaria que acelera a contratação de consultoria especializada para formatar o novo modelo organizacional da Ceplac. Edital para contratar a consultoria será definido, conforme a Portaria 2.088, pela comissão de implantação de grupo de trabalho.

A comissão será composta pela Coordenação-Geral de Desenvolvimento Institucional (CGDI) e diretoria da Ceplac, tendo 45 dias para conclusão dos trabalhos, conforme a Portaria assinada pelo ministro.

O plano está sendo definido dentro de um acordo de cooperação técnica do governo com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

“Vai pintar uma modelagem bacana para a Ceplac”, afirma o diretor geral do Departamento, Juvenal Maynart, em entrevista ao PIMENTA.

A formatação jurídica da Ceplac é um dos dez pontos de relatório do Grupo de Trabalho da Ceplac. Dentre os outros pontos, o relatório aponta como urgências a pesquisa da situação do Banco de Germoplasmas do Departamento e detalhamento do Plano de Crescimento Sustentável da cadeia produtiva do cacau.

O relatório também toca em pontos importantes para o órgão e para a lavoura cacaueira, a exemplo da adequação do planejamento estratégico da Ceplac 2012-2022 e o estudo para reedição do Fungecacau, com a finalidade de financiar programa de biossegurança para a cadeia produtiva.

Juvenal acredita que a criação do grupo de trabalho e contratação de consultoria especializada são passos importantes na definição do futuro da Ceplac. “É uma virada para a região, para a Ceplac, pois define um novo modelo [para o departamento]”, reforça.

MAIOR PRODUÇÃO DE CACAU E CHOCOLATE

Ainda na entrevista ao PIMENTA, o diretor geral do Departamento ressalta a importância da lavoura cacaueira para a economia, principalmente com estudos apontando que pode faltar cacau no mundo. Um dos seus derivados, o chocolate, registrou alta produção em 2016, alcançando 13%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab).

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Chocolate produzido por cooperativa da agricultura familiar em Ibicaraí || Fotos Daniel Thame
Chocolate produzido por cooperativa da agricultura familiar em Ibicaraí || Fotos Daniel Thame

Do cacau ao chocolate. Essa é a nova realidade do sul da Bahia, após décadas como região produtora de amêndoas. A cada dia, novos empreendedores passam a investir na produção de chocolates finos, apostando num mercado consumidor em expansão no Brasil e no exterior.

O Chocolat Bahia 2017, Festival Internacional do Chocolate e Cacau, que está sendo realizado em Ilhéus, com o apoio do Governo da Bahia, é uma oportunidade de apresentar novos produtos, adquirir e trocar conhecimentos e ampliar os negócios. São cerca de 40 marcas de chocolates regionais em exibição, tendo como característica o cacau de qualidade, resultado de investimentos na modernização da lavoura.

Hans Schaeppi é um pioneiro. Há 32 anos, ele implantou a primeira fábrica de chocolate caseiro do Nordeste. “Foi um grande desafio, porque havia uma cultura de produzir amêndoas e percebi que era preciso investir no produto final. Hoje vejo com alegria a região partindo para a verticalizado e se tornando a terra do cacau e do chocolate”, afirma. Atualmente, Hans produz cerca de duas mil toneladas por ano, comercializa os produtos em todo o país e busca atingir o mercado chinês.

Hans foi o pioneiro na produção de chocolate em escala industrial no sul da Bahia.
Hans foi o pioneiro na produção de chocolate em escala industrial no sul da Bahia.

SETOR CRESCE 10% AO ANO

O setor de chocolates premium cresce cerca de 10% ao ano no Brasil, enquanto o mercado tradicional cresce apenas 2%. Henrique Almeida é outro exemplo de produtor de cacau que apostou no chocolate. Da terceira geração de uma família de produtores de cacau, ele começou a produzir chocolate há cinco anos. Investiu em amêndoas de qualidade, cursos de capacitação e hoje comercializa o chocolate premium em grandes redes da Bahia e do Sul/Sudeste do país.

O próximo passo é o mercado árabe e os Estados Unidos. “Cacau é alimento e também prazer. Nosso foco é a qualidade. Esse é o caminho da região. O negócio cacau só é viável se atrelado ao chocolate”, destaca

Maia
Maia diz que potencial a ser explorado é grande.

O mercado de chocolate atrai jovens empreendedores como Leonardo Maia. Com pós-graduação em Gestão de Negócios em Cacau e Chocolate, ele está produzindo chocolates finos com 50% e 70% de cacau.

– Na infância, sempre tive muito contato com fazendas de cacau e sempre que podia acompanhava os trabalhadores nos tratos e colheita do cacau. Em minhas viagens para outros países, tive a oportunidade de experimentar diversos tipos de chocolates e percebi que o nosso cacau do sul da Bahia tem um potencial grande a ser explorado – ressalta.

AGRICULTURA FAMILIAR

A produção de chocolate também é incentivada na agricultura familiar, que responde por 90% da produção de cacau no Sul da Bahia. A Cooperativa de Serviços Sustentáveis da Bahia possui 300 associados e produz chocolates caseiros e achocolatado com 30% de cacau.

Beneficiados com recursos do Programa Bahia Produtiva, do Governo do Estado, os agricultores familiares pretendem investir na produção de cacau orgânico, que agrega valor ao chocolate e derivados. “Nossos produtos já são consumidos na merenda escolar. Com o chocolate de origem, vamos buscar novos mercados, gerando mais renda no setor rural”, explica Carine Assunção, coordenadora da cooperativa.

Com 420 associados, a Cooperativa de Agricultores Familiares do Sul da Bahia (Coofasulba), também atendida pelo Bahia Produtiva, produz chocolates finos e achocolatados e está criando uma linha exclusiva para os supermercados. “Com assistência técnica e capacitação, vamos melhorar cada vez mais a qualidade e criar novos canais de comercialização” , diz o diretor da Coofasulba, Gildeon Farias.

MODELO SUPERADO

Gerson: "modelo antigo está superado"
Gerson: “modelo antigo está superado”

Gerson Marques, presidente da Chocosul comenta que a produção de chocolate é uma alternativa viável, num processo que está se consolidando. “Dos 40 produtores, 38 produzem o próprio cacau. São empreendedores que foram para as fazendas, reorganizaram a produção, com uma nova mentalidade, investindo em amêndoas de qualidade superior”, DIZ.

Segundo Marques, essa é uma estratégia que terá impactos positivos na economia regional, com a melhoria da produtividade e, consequentemente, do preço final. “O modelo antigo, de mero fornecedor de matéria-prima, está superado. Hoje o caminho é a verticalização, valorizando principalmente a produção de chocolates fino e de cacau orgânico, que tem alto valor agregado”.

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Projeto estabelece teor mínimo de cacau no chocolate no país || Reprodução
Projeto estabelece teor mínimo de cacau no chocolate no país || Reprodução

A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços, da Câmara dos Deputados, aprovou projeto de lei que determina percentual mínimo de massa de cacau no chocolate. O chocolate deverá ter mínimo de 27% de cacau, de acordo com o aprovado na comissão, nesta quarta (5). Já o chocolate amargo, deverá ter percentual de 35%, no mínimo. Hoje, na média, o chocolate brasileiro é vendido com teor de cacau até menor que 5%.

Os percentuais valem para chocolate e derivados, de acordo com o autor do projeto, Bebeto Galvão (PSB-BA). A matéria agora será discutida na Comissão de Defesa do Consumidor. Os percentuais devem ser aplicados também para importados a serem comercializados no país. Porém, para valer, precisará ser aprovado pelo legislativo e sancionado pela Presidência da República.

Bebeto, autor do projeto de lei.
Bebeto, autor do projeto de lei.

Para o parlamentar baiano, o aumento de massa de cacau no chocolate beneficiará, diretamente, agricultores, comerciantes, indústria e, principalmente, consumidores. “Estabelece um nível de competitividade para a indústria, que oferecerá um chocolate de qualidade à população brasileira”, observa Bebeto.

O deputado baiano disse que deseja um mínimo de 35% para todos os chocolates. “Mas esse foi o relatório possível”. Para chegar a este índice, apontou, foi necessário negociar “com a indústria, os produtores e sobretudo com esta casa (a Câmara dos Deputados) que é plural, em que tivemos que construir um entendimento”.

Bebeto diz acreditar que a aprovação do índice mínimo melhora o desenvolvimento sustentável da produção de cacau. “Incidirá [em] mais cacau para a produção de chocolate e vai garantir também mais qualidade aos consumidores” com menor teor de açúcares e mais massa de cacau no chocolate”.

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Juvenal festeja crédito para a lavoura.
Juvenal: crédito para a lavoura.
Governo assegura mais crédito para o cacau.
Governo: dinheiro para plantio.

A partir de 1º de julho, os cacauicultores poderão contar com R$ 2,13 bilhões em crédito de investimento para a implantação, melhoramento e manutenção de suas lavouras em sistemas florestais ou agroflorestais. O anúncio foi feito pelo governo federal.

Os recursos fazem parte do Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC). Antes, o plantio com incentivo do ABC só era permitido na Amazônia. Com o novo PAP, foi ampliado para as outras regiões do país, principalmente Bahia e Espírito Santo.

De acordo com o diretor da Ceplac, Juvenal Maynart, financiar o incremento da produção do cacau no sistema de Agricultura de Baixo Carbono é uma visão inovadora. O cacau, reforça, é uma árvore nativa da Floresta Amazônica e de boa convivência com as florestas nativas.

Juvenal também ressalta o papel da Ceplac, hoje departamento do Ministério da Agricultura. “A Ceplac é detentora da ciência e extensão rural na inserção produtiva, tanto na Floresta Amazônica quanto na Mata Atlântica – ressalta o diretor.

Os projetos apresentados com essas finalidades às instituições financeiras terão limite de financiamento de até R$ 2,2 milhões por produtor de cacau a taxas de juros de 7,5% ao ano e com prazo de pagamento de até 12 anos. Além do cacau, também estão contempladas as plantações de açaí, oliveira e nogueira no Programa ABC.

DESAFIO É AUMENTAR PRODUÇÃO

O Brasil é o sétimo produtor de cacau do mundo, atrás da Costa do Marfim, Gana, Indonésia, Equador, Camarões e Nigéria. Em 2017, o país importará 60 mil toneladas de amêndoas. “O grande desafio é deixar de ser importador de amêndoas africanas, para melhor atender a indústria nacional, até mesmo pelos riscos fitossanitários”, destaca Maynart.

Segundo Maynart, o governo está implementando medidas que propiciem novos investimentos para a revitalização da economia cacaueira. O Brasil tem toda a cadeia produtiva de cacau e chocolate instalada no país, estando previsto para este ano negócios da ordem de R$ 22 bilhões.

De acordo o IBGE, em 2016, a produção brasileira ultrapassou 214,7 mil toneladas de amêndoas secas de cacau, em uma área de 707,2 mil hectares. Os principais estados produtores são Bahia (116,1 mil toneladas), Pará (85,8 mil), Espírito Santo (5,5 mil) e Rondônia (5,2 mil). Atualmente, o consumo interno é de cerca de 190 mil toneladas de derivados de cacau.

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Lanns Almeida, à esquerda, mostra a João Leão muda produzida na Biofábrica (Foto Mariana Fereira).
Lanns Almeida, à esquerda, mostra a João Leão muda produzida na Biofábrica.

O vice-governador João Leão visitou as instalações do Instituto Biofábrica de Cacau (IBC), em Banco do Pedro, Ilhéus, para conhecer o processo de produção implantado em 2016. Segundo ele, o estado irá “organizar ainda mais” a participação na Biofábrica. João Leão citou a Agenda de Desenvolvimento Territorial nos Territórios de Identidade da Bahia.

“Por ele, nós vamos fazer um trabalho com a Biofábrica, com o Sebrae e as universidades, de dar condições ao homem do campo, principalmente aquele mais pobre, o pequeno produtor. Então, nós temos todo interesse que a Biofábrica passe a funcionar no máximo da sua capacidade”, disse. A visita de Leão também foi acompanhada pelos secretários estaduais Vítor Bonfim (Agricultura) e José Vivaldo Mendonça (Ciências, Tecnologia e Inovação).

PRODUÇÃO

A Biofábrica produz aproximadamente 490 mil mudas de cacaueiros, bananeiras, abacaxizeiros, goiabeiras, açaizeiros, entre outras fruteiras, além de mandioqueiras, essências florestais e orquídeas. Parte dessas mudas é micropropagada em laboratório. Os cacaueiros, que são multiplicados por enxertia ou enraizamento com as novas tecnologias implantadas no IBC alcançaram o inédito índice de até 95% de sobrevivência.

“Fizemos uma visita para que o vice-governador, João Leão, pudesse conhecer de perto a estrutura da Biofábrica e o que já foi feito pela nova gestão nesses últimos 14 meses. A Secretaria de Agricultura tem feito uma participação com o instituto, a partir da direção de Lanns Almeida, e a parte de estruturação física já foi iniciada”, disse Vítor Bonfim

Novas tecnologias foram implantadas na Biofábrica, diz Bonfim, com aumento da produção, melhora significativa da resistência das mudas e diminuição do número de perdas. “Isso nos orgulha”, declarou o secretário Vítor Bonfim. De acordo com ele, o objetivo do estado é que o instituto atinja sua capacidade máxima de produção.

“BIOFÁBRICA DA BAHIA”

“Nós sabemos que é preciso, sobretudo, a regularidade nos repasses para que a Biofábrica possa funcionar em sua capacidade plena, quase quadruplicando a sua produção atual. Então, nós esperamos que, a partir dessa visita do nosso vice-governador, o governo do estado melhore a participação nessa interface com a Biofábrica e possamos trazer investidores externos, principalmente na agroindustrialização, e, a partir daí, a Biofábrica se tornar a Biofábrica da Bahia”, completou.

O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Vivaldo Mendonça, disse que a visita de Leão busca mostrar todo o potencial da região e integrar a Biofábrica como instrumento de desenvolvimento. “Isso, naturalmente, envolve a estruturação das condições de execução orçamentária, ampliação da capacidade técnica instalada e, sobretudo, o reconhecimento da Biofábrica como patrimônio do estado da Bahia e vai ser integrado ao desenvolvimento”, disse.

O diretor da Biofábrica, Lanns Almeida, ressaltou que o vice-governador e os secretários estaduais puderam ver, de perto, os avanços obtidos desde 2016. “Com o aumento do índice de sobrevivência das nossas mudas, as tecnologias que implantamos e o retorno positivo que temos dado aos produtores e agricultores familiares, temos a certeza de que a tendência é contribuirmos para elevar o nível de desenvolvimento socioeconômico da região sul da Bahia e do estado como um todo”, avaliou o diretor-geral da Biofábica, Lanns Almeida.

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Secretário e mulheres que produzem o chocolate Ouro do Vale (Foto Divulgação).
Secretário Jerônimo Rodrigues e produtores do chocolate Ouro do Vale (Foto Divulgação).

O público que visitar a 2ª edição do Festival de Chocolate e 4º Agrocacau, que segue até o próximo domingo (09), na Praça Ruy Barbosa, em Ipiaú, terá a oportunidade de conhecer chocolates produzidos pela agricultura familiar da Bahia. Dos 13 empreendimentos que expõem os produtos, seis são da agricultura familiar.

Entre os chocolates em exposição, estão o Ouro do Vale, produzido no Vale do Jiquiriçá e Terra Vista, Embaúda e Bahia Cacau, do Território Litoral Sul.

A Associação de Mulheres das Duas Barras do Fojo, do município de Mutuípe, que está lançando a linha de chocolates finos Ouro do Vale, produzidos no Vale do Jiquiriçá, participa pela primeira vez do festival.

– O evento é importante para dar visibilidade aos produtos da agricultura familiar, pois ela produz para além das hortaliças e raízes, também é capaz de transformar as raízes e os frutos – afirma Damiana Martins, agricultora associada e membro do Conselho Fiscal da instituição.

O evento visa dar visibilidade à industrialização, agregando valor, fomentando negócios para os produtores empreendedores, e também apresentação de tecnologias do setor, bem como os diversos cenários mercadológicos.

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Agromais não tem cacau...
Agromais não tem cacau…

Quem consulta a aba Agro +, no site do Ministério da Agricultura, não vê nenhuma linha referente ao cacau, produto que continua na pauta de exportações do país, apesar da crise de quase 30 anos, após a eclosão da vassoura-de-bruxa e da reação da produção nos últimos cinco anos.

O Agro +, que se parece com aquele comercial de uma rede de TV, – apenas parece… – seria conjunto de medidas e ações para a agropecuária brasileira alcançar ganhos expressivos de produtividade nos próximos anos. A ideia é competir melhor no mercado internacional, ampliando a sua contribuição com a economia do país e a vida dos brasileiros.

E o cacau… Bem, o cacau fica de fora.

Será que o governo federal, que já torpedeou a Ceplac, rebaixando-a de órgão singular de 60 anos a departamento do Ministério da Agricultura, cumpre vaticínio do escritor e pensador brasileiro Caio Prado Junior, publicado em História Econômica do Brasil e editada há 72 anos?

Será a pá de cal na outrora pujante lavoura cacaueira…

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Audiência na Assembleia Legislativa debateu desmonte da Ceplac.
Audiência na Assembleia Legislativa debateu desmonte da Ceplac.

A crise e o desmonte institucional da Ceplac foram debatidos na Assembleia Legislativa, na manhã desta quinta-feira (6). A redução em quase 50% do orçamento para este ano, o rebaixamento institucional, tornando o órgão departamento da Secretaria de Mobilidade Social do Produtor Rural e Cooperativismo do Ministério da Agricultura e o enxugamento dos setores de pesquisa e extensão estão entre os problemas apontados como centrais no desmonte promovido pelo governo federal, a partir de abril de 2016.

Os assuntos foram debatidos em audiência pública proposta pelo coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista da Bahia, Marcelino Galo (PT). Ainda como causas do desmonte estão, na análise de parlamentares e ceplaqueanos, a não realização de concurso público há 30 anos. Isto, observam, contribui com o agravamento do quadro da instituição dedicada à pesquisa, assistência técnica e extensão rural da lavoura cacaueira no país, que já teve 4 mil funcionários, mas atualmente conta com 1.722 servidores, sendo que 65% já estão aptos a se aposentar.

Para o deputado Marcelino Galo, a Ceplac tem sido tratada de forma desrespeitosa por quem não compreende o papel desenvolvido pelo órgão na assistência, na pesquisa, no desenvolvimento regional e na proteção da biodiversidade do bioma Mata Atlântica, que engloba a maior parte do território Litoral sul da Bahia.

“Ouvimos relatos de pessoas que se empenharam e contribuíram ao longo de sua vida com a construção desse patrimônio que deve ser preservado, revitalizado e fortalecido por ser fundamental para o desenvolvimento regional da Bahia. Para além da estrutura física, a Ceplac tem o patrimônio científico, intelectual e cultural que tem que ser preservado e potencializado”, disse o deputado Marcelino Galo.Leia Mais

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Na arte de Eduardo Libra, o chocolate é tema de maior mural do planeta.
Na arte de Kobra, o chocolate é tema de maior mural do planeta (Imagem César Tralli).

Um dos maiores nomes da arte urbana brasileira, Eduardo Kobra criou o que é considerado o maior mural do planeta, com 5.742 metros quadrados. A obra é parte da fachada de uma fábrica de chocolate em São Paulo. Leva o doce nome de Magia do Cacau. Bela sacada em tempos de Páscoa.

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Chocolate será tema de discussão na Uesc.
Chocolate será tema de discussão na Uesc.

A Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus Bahia, promove, de 17 a 19 deste mês, a  I Jornada de Saberes sobre o Cacau: da Árvore ao Chocolate. O evento multidisciplinar busca promover o debate com atores da cadeia produtiva no Mundo, Brasil e interações junto ao Território Litoral Sul da Bahia.

As palestras serão no auditório do Jorge Amado, na Uesc. A programação contará com a presença de empreendedores e pesquisadores da Holanda, Equador, Rio de Janeiro, São Paulo, Pará, Salvador e do Território Litoral Sul da Bahia.

Os participantes debaterão temas relacionados ao processo de construção e inovação dos mercados de qualidade do cacau e chocolates sob as perspectivas técnicas, econômicas, culturais, socioambientais e mercadológicas. As discussões são estimuladas por departamentos afins da Uesc, tendo o Centro de Inovação do Cacau (CIC) como parceiro.

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Biofábrica incentivará a plantação de cacaueiro.
Biofábrica incentivará a plantação de cacaueiro.

O Instituto Biofábrica de Cacau (IBC) deu início a uma série de ações da campanha Cacau: Fruto do Bem”. Durante maio, a campanha promoverá o plantio de cacaueiros em espaços públicos de Ilhéus e Itabuna, como escolas e áreas abertas.

Ao longo da última semana, em alusão ao Dia do Cacau, no domingo (26), a Biofábrica realizou diversas atividades, entre elas, uma audiência pública da Frente Parlamentar Ambientalista, presidida pelo deputado Marcelino Galo (PT), no parque fabril do instituto, em Banco do Pedro, Ilhéus. O evento, que ocorreu no dia 24, contou com as presenças de diversas autoridades.

“Aqui mostramos o impacto direto que a Biofábrica promove na reestruturação da base produtiva, principalmente do estado da Bahia. Ela é um equipamento público do estado e temos a certeza de que essa e outras ações são importantes para chamar a atenção para a representatividade da Biofábrica”, ressalta o diretor-geral do IBC, Lanns Almeida.

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