Evento terá mais de 60 estandes e caravanas de produtores de cinco estados || Foto Divulgação
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Mais de 2 mil produtores rurais devem participar de caravanas com destino a Ilhéus para a ExpoCacau 2026. A organização estima receber 8 mil visitantes durante os três dias do evento, com representantes da Bahia, Pará, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. A segunda edição da feira será de 25 a 27 de agosto, das 9h às 19h, no Centro de Convenções Luís Eduardo Magalhães. A programação reunirá negócios, tecnologia, capacitação e debates sobre os desafios da cadeia produtiva do cacau.

A área comercial contará com mais de 60 estandes de insumos, equipamentos e serviços. Produtores encontrarão soluções de irrigação, nutrição vegetal, proteção de cultivos, produção de mudas, mecanização, drones, crédito rural e certificação.

Uma das novidades será a Arena do Conhecimento, instalada perto dos estandes. O espaço receberá palestras técnicas e apresentações sobre manejo, produtividade, inovação e novas tecnologias aplicadas à lavoura cacaueira.

O auditório principal, com capacidade para 1.200 pessoas, sediará o 8º Fórum Anual do Cacau, o 5º Encontro Nacional de Viveiristas de Cacau e a 14ª Semana de Agronomia da Uesc. Especialistas, empresas, organizações e produtores discutirão práticas agrícolas, experiências bem-sucedidas, tendências de mercado e perspectivas para o setor.

OFICINA GRATUITA

A programação inclui uma oficina gratuita da Ceplac sobre prevenção, manejo e monitoramento da monilíase e de outras pragas e doenças do cacaueiro. A Secretaria de Inspeção do Trabalho abordará contratos de parceria, formas de contratação no meio rural, saúde e segurança no trabalho.

Também serão oferecidos cursos pagos sobre gestão econômica da cacauicultura, classificação e fermentação de amêndoas. As inscrições estão disponíveis no site do evento.

A primeira edição, promovida em 2025, reuniu 6 mil participantes de 24 estados e do Distrito Federal. Segundo a organização, a feira movimentou aproximadamente R$ 240 milhões em negócios. A ExpoCacau é promovida pelo CocoaAction Brasil, em parceria com o Governo da Bahia e a Prefeitura de Ilhéus.

Quase 900 quilos de cocaína são apreendidos no porto de Salvador || Foto SSP-BA
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Policiais militares da Bahia e federais apreenderam, na madrugada deste domingo (2), no Porto de Salvador, no bairro do Comércio, 856 quilos de cocaína e prendeu nove pessoas suspeitas de participar de uma rede internacional de tráfico de drogas. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), a droga seria enviada para a Europa.

Os presos em flagrante estavam encapuzados. Eles usaram dois caminhões para transportar a cocaína para o porto de Salvador. Não foi informado a origem da droga. Os criminosos foram flagrados no momento em que transferiam a carga. Os traficantes foram conduzidos à Superintendência Regional da Polícia Federal em Salvador, onde estão sendo ouvidos e devem seguir detidos.

Nove homens foram presos em flagrante || Foto SSP-BA

A droga e dois caminhões apreendidos foram encaminhados para os procedimentos periciais complementares, conforme informou a Polícia Federal. A ação de hoje contou com equipes da Polícia Federal e da Polícia Militar, por meio do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e do Comando de Policiamento da Região Metropolitana de Salvador (CPME), além da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) Bahia.

Conexão Bahia-Pará reúne guitarrada, carimbó, percussão afro-baiana e cantos das roças de cacau
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A música das roças de cacau do sul da Bahia ganhou a companhia do carimbó e da guitarrada paraense no projeto Conexão Bahia-Pará. A parceria reúne a banda ilheense Mulheres em Domínio Público e o guitarrista, percussionista, pesquisador e produtor Félix Robatto, de Belém. Os artistas lançaram duas releituras de obras em domínio público, já disponíveis nas principais plataformas digitais.

A primeira faixa, Ó Abre Alas/Corta-jaca, junta duas composições de Chiquinha Gonzaga e incorpora ritmos paraenses, guitarrada e elementos da percussão afro-baiana. A segunda, Cacau é Boa Lavra, leva o carimbó a um canto tradicionalmente entoado sem acompanhamento instrumental por trabalhadores da lavoura cacaueira.

A aproximação conecta dois territórios ligados à produção de cacau. Bahia e Pará ocupam as primeiras posições no cultivo do fruto no Brasil, embora tenham formações musicais distintas. A Mata Atlântica, a Amazônia, os batuques baianos e os ritmos paraenses servem de matéria-prima para os novos arranjos.

ENCONTRO

Criada em Ilhéus em 2011, a Mulheres em Domínio Público pesquisa cantos ligados ao trabalho e à memória feminina. O repertório inclui músicas entoadas durante a colheita, a quebra e a pisa do cacau, além de cantos de lavadeiras e carpideiras. Em 2024, a produção do remake da novela Renascer, da TV Globo, consultou o trabalho da banda durante a pesquisa musical para cenas da trama.

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Fabrício Berton Zanchi é o novo reitor da UFSB || Foto Malu Silva Carvalho
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O futuro do cacau baiano não depende apenas da qualidade de seus frutos, mas também da capacidade de integrar ciência, educação, inovação e sustentabilidade. Essa é a nova era do cacau baiano. E a UFSB está pronta para contribuir com sua construção.

 

Fabrício Berton Zanchi

Ilhéus recebe, entre os dias 23 e 26 deste mês, mais uma edição do Chocolat Bahia. O festival nasceu na cidade em 2009 com pouco mais de uma dezena de estandes e hoje se consolidou como o maior evento do setor na América Latina, reunindo dezenas de milhares de visitantes e centenas de expositores no Centro de Convenções. É difícil pensar em uma vitrine mais simbólica para discutir o papel da universidade pública no desenvolvimento regional. Como reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), escrevo este texto convencido de que o festival não é apenas uma celebração do chocolate, mas também uma oportunidade para refletirmos sobre como ciência, educação e inovação podem transformar vocações históricas em desenvolvimento sustentável para toda a sociedade.

A relação entre Ilhéus, Itabuna e o cacau é uma história de prosperidade, identidade cultural e capacidade de reinvenção. Durante grande parte do século XX, o cacau estruturou a economia regional, impulsionando a ocupação do território, a formação das cidades e a inserção do sul da Bahia nos mercados nacionais e internacionais. A crise provocada pela vassoura-de-bruxa, a partir do final dos anos 1980, trouxe enormes desafios sociais e econômicos, mas também abriu caminho para uma profunda transformação da cadeia produtiva. Foi nesse contexto que a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) consolidou-se como uma referência internacional em pesquisa e inovação, desenvolvendo materiais genéticos resistentes, preservando um dos maiores bancos de germoplasma de cacau do mundo e aperfeiçoando tecnologias de manejo e controle biológico. Hoje, a região é reconhecida não apenas pela produção agrícola, mas também pelo protagonismo na construção de um modelo que associa conservação da Mata Atlântica, Sistemas Agroflorestais como a cabruca, produção sustentável, agregação de valor e valorização dos chocolates de origem.

A UFSB não nasceu à margem dessa trajetória. Pelo contrário. Foi criada para dialogar com os desafios e potencialidades de um território onde a produção de conhecimento aplicado ao desenvolvimento regional sempre esteve presente. É nesse contexto que se insere a parceria histórica com a CEPLAC e o compromisso da universidade com a formação de profissionais capazes de atuar em uma cadeia produtiva cada vez mais sofisticada, sustentável e conectada aos mercados globais.

Em 2022, o Conselho Universitário aprovou a criação do Curso Superior de Tecnologia em Produção de Cacau e Chocolate, sediado no Campus Jorge Amado, em Ilhéus. O curso oferece cinquenta vagas anuais e uma formação inovadora atendendo as necessidades dos diferentes sistemas de cultivo – da cabruca ao pleno sol, quanto aquelas dos processos industriais de transformação do cacau em chocolate. A iniciativa foi construída em estreita cooperação com a CEPLAC e concebida como um itinerário formativo integrado, permitindo que estudantes oriundos do curso técnico em Agroindústria do Centro Estadual Nelson Schaun tenham continuidade em sua formação acadêmica. O objetivo é formar profissionais preparados para atuar em toda a cadeia produtiva, da produção agrícola à indústria, passando pela gestão, inovação, qualidade, rastreabilidade e desenvolvimento de novos produtos.

Os resultados dessa escolha institucional já começam a se materializar. Estudantes e professores do curso participam de projetos de extensão, pesquisa e inovação voltados para produtores, empreendedores e demais agentes da cadeia produtiva cacaueira. Um exemplo é o projeto Oficineiros do Cacau, que promove ações de capacitação e transferência de conhecimento para diferentes públicos do setor. Recentemente, a UFSB e a CEPLAC realizaram conjuntamente o primeiro Simpósio Baiano em Tecnologias de Cacau e Chocolate (SIBATEC), reunindo pesquisadores, estudantes, produtores e empresas em um ambiente de intercâmbio técnico-científico de alto nível.

Essas iniciativas refletem uma transformação mais ampla em curso no sul da Bahia. A região vem ampliando sua participação nos segmentos de maior valor agregado da cadeia produtiva. Sem abandonar sua tradição agrícola, passou também a investir na transformação local da matéria-prima, no fortalecimento das marcas regionais, no turismo de experiência, na certificação de origem e na produção de chocolates finos reconhecidos nacional e internacionalmente. O reconhecimento de Ilhéus como Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate fortalece esse movimento, que tem na Estrada do Chocolate e em diversas experiências de turismo rural e gastronômico exemplos concretos da capacidade de inovação do território.

Foto Tárek Roveran

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O sul da Bahia deixou de ser apenas uma região produtora de matéria-prima para se afirmar como um território produtor de conhecimento, inovação e chocolate de origem.

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O que observamos hoje é o surgimento de uma nova economia baseada não apenas na produção do cacau, mas também no conhecimento, na identidade territorial e na sustentabilidade. O sul da Bahia deixou de ser apenas uma região produtora de matéria-prima para se afirmar como um território produtor de conhecimento, inovação e chocolate de origem. Esse processo exige profissionais qualificados, pesquisa aplicada, inovação tecnológica e instituições comprometidas com o desenvolvimento regional. É exatamente nesse espaço que a UFSB busca contribuir.

Essa contribuição dialoga ainda com um debate mais amplo que temos desenvolvido na universidade: o da Economia Azul. A UFSB forma e produz conhecimento sobre os ecossistemas costeiros e marinhos, contribuindo para a gestão sustentável do litoral. Em Ilhéus e nas terras grapiúnas, formamos especialistas e tecnólogos que desenvolvem pesquisas voltadas ao fortalecimento de uma cadeia produtiva que historicamente se conectou aos portos e ao comércio marítimo para alcançar mercados em todo o mundo. Mar e terra nunca estiveram dissociados na história desta região. A mesma vocação que fez de Ilhéus um importante centro exportador é a que hoje impulsiona o turismo de experiência, a valorização dos produtos locais e a inserção competitiva dos chocolates de origem nos mercados nacionais e internacionais.

Por isso, quando falamos do Chocolat Bahia como uma vitrine, falamos também de responsabilidade. Uma universidade federal instalada no coração da região cacaueira tem o dever de ser mais do que espectadora desse processo. Deve atuar como parceira ativa na pesquisa que ajuda a superar desafios produtivos, na formação de profissionais qualificados, na extensão que chega aos agricultores familiares e no diálogo permanente com instituições como a CEPLAC, cooperativas, associações e empresas do setor.

A UFSB assumiu esse compromisso ao investir na formação de recursos humanos, na produção de conhecimento e na inovação voltada para o fortalecimento da cadeia do cacau e do chocolate. Cabe agora a todos nós, universidades, instituições de pesquisa, setor produtivo e poder público, transformar esse potencial em oportunidades concretas para a população. O futuro do cacau baiano não depende apenas da qualidade de seus frutos, mas também da capacidade de integrar ciência, educação, inovação e sustentabilidade. Essa é a nova era do cacau baiano. E a UFSB está pronta para contribuir com sua construção.

Fabrício Berton Zanchi é reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

FAEB decide entrar na briga de produtores baianos contra moageiras || Foto Seagri/Divulgação
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Os produtores de cacau da Bahia, que há mais de um ano se dizem vítimas do deságio nos preços do cacau provocado pelas três indústrias moageiras que atuam no estado, a Cargill, a Barry Callebaut e a OFI, ganharam um aliado para comprar a briga, a Federação da Agricultura da Bahia (Faeb).

A pedido dos sindicatos de produtores da região do cacau o presidente da entidade, Humberto Miranda, protocolou um documento no governo do Estado solicitando a Jerônimo que retire as três moageiras, responsáveis pelo processamento de 95% do cacau baiano, do programa Desenvolve.

A questão é que o tal programa dá incentivos a empresas que contribuem com o desenvolvimento socioeconômico das regiões onde atuam, e os produtores dizem que elas estão fazendo exatamente o contrário.

IRONIA

Dizem os produtores que as três empresas abarrotaram os estoques com cacau importado e montaram um artifício para driblar até a Bolsa de Nova York, que sempre fez a cotação do produto.

Um exemplo: na sexta-feira passada, por exemplo, enquanto a Bolsa de Nova York estabelecia a tonelada do cacau a US$ 470, as moageiras botaram US$ 320, o que resultou na perda para o produtor da ordem de R$ 600 por arroba.

O mais irônico, segundo um produtor, é que a Cargill é norte-americana e recebe incentivos do governo baiano, justamente no momento em que Donald Trump, presidente do EUA, ameaça o Brasil com o tarifaço. Confira a íntegra na coluna de Levi Vasconcelos, n´A Tarde.

Produto esboçou recuperação, mas voltou a perder valor nos mercados interno e internacional || Foto Helene Santos/GovCE
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O preço da amêndoa do cacau esboçou recuperação na primeira quinzena de maio, quando chegou a subir mais de 10% no último dia 11 (relembre). Passada uma semana, a commodity voltou ao viés de baixa e já perdeu 6% de seu valor nesta segunda-feira (18), na Bolsa de Nova York, onde a tonelada do produto é negociada a 3.756 dólares, equivalente R$ 18.870,89 na cotação atual, a poucos minutos do fechamento do mercado.

Já nas praças do sul da Bahia a arroba de cacau deve fechar o dia a R$ 220, 12% a menos que o valor registrado há uma semana, R$ 250.

O movimento se deve à expectativa de aumento da oferta do produto, segundo o site especializado Mercado do Cacau. Essa prognóstico tem superado os impactos da elevação do preço do petróleo e as ameaças climáticas atreladas aos riscos de que o fenômeno El Niño ganhe versão ainda mais severa neste ano.

Docentes afirmam que não são recebidos pela gestão estadual desde julho de 2025 || Foto Adusc
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Professores da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, aprovaram, por unanimidade, a paralisação das atividades na próxima quarta-feira (20). A categoria cobra a retomada das negociações com o Governo da Bahia.

Segundo o movimento docente, o estado deixou de cumprir direitos previstos no Estatuto do Magistério Superior. Representantes do governo não recebem o Fórum das Associações Docentes desde julho de 2025, ainda conforme a categoria.

Os docentes também aprovaram uma mobilização para esta terça-feira (19), véspera da paralisação. A programação inclui panfletagem e carro de som dentro da Uesc para dialogar com estudantes, servidores técnicos e professores sobre as reivindicações da categoria.

Coopermata ajuda cacauicultores a diversificar produção || Foto Reprodução
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A queda no preço do cacau levou produtores do baixo-sul da Bahia a buscar novas formas de renda fora do mercado tradicional da commodity. A Coopermata, em Ituberá, aposta no mel de cacau, líquido extraído da polpa do fruto, como alternativa para enfrentar a retração da lavoura.

Segundo a cooperativa, o preço da arroba da amêndoa de cacau despencou 53% no primeiro trimestre deste ano, chegando a R$ 165. A redução provocou perdas de até 90% na lucratividade de produtores da região, conforme estimativa do grupo. A estratégia da Coopermata mira um mercado diferente do sistema tradicional de bolsas de commodities, voltado para bares, restaurantes, pousadas e chefs de cozinha.

PRATIGI SUSTENTÁVEL 

O mel de cacau é apresentado como um produto 100% vegano e com apelo gastronômico crescente. A produção integra o Projeto Pratigi Sustentável, criado em 2025 e financiado por instituições como BNDES, Instituto Votorantim e Aipê.

A iniciativa atende agricultores familiares e comunidades quilombolas. O projeto distribui freezers de 540 litros e prensas de inox para substituir equipamentos de madeira usados na extração do produto. A proposta inclui ainda a entrega de composteiras para produção de húmus de minhoca.

De acordo com a Coopermata, mais de 40 produtores são beneficiados diretamente, além de associações e coletivos informais. A vigência do projeto segue até 2027.

O diretor executivo da Coopermata, Josué Castro, informou que a cooperativa mantém um empório próprio, uma marca de chocolate fino chamada Pratigi e linhas de microcrédito para os associados. Segundo o gestor, a entidade também pesquisa formas de ampliar a conservação do mel de cacau, atualmente comercializado congelado.

Presidente Lula e Adélia, que comemora sanção presidencial favorável à cacauicultura || Fotomontagem
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A nova legislação sancionada pelo presidente Lula fortalece a cadeia produtiva do cacau e amplia a proteção ao consumidor brasileiro., avalia a professora, médica e ex-reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Adélia Pinheiro. Publicada na edição de ontem (11) do Diário Oficial da União, a Lei nº 15.404/2026 estabelece percentuais mínimos de cacau para produtos comercializados como chocolate no país e cria novas regras para rotulagem (confira mais abaixo).

– Lula demonstra compromisso com os produtores de cacau, especialmente em estados como a Bahia, que têm uma relação histórica com essa cultura e dependem dela para geração de emprego e renda – afirmou Adélia, que também é ex-reitora e ex-secretária estadual de pastas como a Educação e a Saúde.

A nova norma determina que os fabricantes informem de forma clara o percentual de cacau presente nos produtos, com destaque na parte frontal das embalagens. A legislação também fixa critérios mínimos de composição para categorias como chocolate ao leite, chocolate branco, chocolate em pó e achocolatados.

VALORIZA PRODUÇÃO NACIONAL

Para Adélia, a medida contribui para valorizar a produção nacional, especialmente no sul da Bahia, e fortalecer a qualidade dos produtos derivados do cacau. “A lei ajuda a proteger o consumidor e também reconhece a importância econômica e ecológica da cacauicultura para o desenvolvimento regional”, disse.

O texto ainda proíbe práticas que possam induzir o consumidor ao erro sobre a composição dos produtos. As empresas terão prazo de 360 dias para adaptação às novas exigências previstas na legislação.

CONFIRA OS PERCENTUAIS MÍNIMOS

    • Cacau em pó – mínimo de 10% de manteiga de cacau;
    • Chocolate em pó – mínimo de 32% de sólidos totais de cacau;
    • Chocolate ao leite – mínimo 25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos totais de leite ou derivados;
    • Chocolate branco: mínimo 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite;
    • Achocolatado ou cobertura: mínimo de 15% de sólidos de cacau ou 15% de manteiga de cacau.
Guerra no Oriente Médio e clima na África elevam valor do cacau || Foto Helene Santos/GovCE
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Nesta segunda-feira (11), na Bolsa de Nova York, a tonelada da amêndoa de cacau foi negociada a 4.675 dólares, o equivalente a R$ 22.953,32 na cotação atual. O valor é 10,21% maior que o de sexta-feira (8). Já nas praças do sul da Bahia, a arroba fechou o dia a R$ 250, um aumento de 8,7%, conforme levantamento do PIMENTA.

São os maiores valores do produto nos últimos três meses. De acordo com o jornalista Claudemir Zafalon, do site Mercado do Cacau, a elevação se deve ao aumento das tensões no Oriente Médio, onde a República Islâmica do Irã resiste às agressões militares e diplomáticas dos Estados Unidos da América (EUA) e do Estado confessional de Israel.

As incertezas sobre o clima nos países africanos produtores de cacau também pressionam o preço da commodity, segundo o analista:

– Além do fator geopolítico, persistem preocupações com o clima na África Ocidental. As chuvas seguem irregulares em importantes regiões produtoras da Costa do Marfim e de Gana, enquanto o mercado monitora com atenção o risco de retorno do fenômeno El Niño nos próximos meses. A combinação entre instabilidade climática e custos crescentes de produção mantém elevada a percepção de risco para a oferta global de cacau.

Lula sancionou novas regras para produção e rotulagem de chocolates no Brasil || Foto Ricardo Stuckert/PR
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Chocolates comercializados no Brasil terão de seguir percentuais mínimos de cacau na composição, previstos por lei. Além disso, os fabricantes precisarão informar, de forma clara, a quantidade do ingrediente nos rótulos dos produtos vendidos no país, sejam eles nacionais ou importados.

A Lei nº 15.404/2026, que define critérios para a produção, classificação e rotulagem de produtos derivados de cacau no Brasil, está publicada na edição desta segunda-feira (11) do Diário Oficial da União, após sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A norma passa a vigorar em 360 dias, período em que a indústria deverá se adaptar às novas exigências.

Um dos principais avanços previstos é a obrigatoriedade de informar nos rótulos o percentual total de cacau do produto. De acordo com a lei, a indicação deverá aparecer na parte frontal da embalagem, ocupando pelo menos 15% da área e com destaque suficiente para facilitar a leitura.

A informação será apresentada no formato “Contém X% de cacau”, de acordo com os percentuais a seguir:

    • Cacau em pó – mínimo de 10% de manteiga de cacau;
    • Chocolate em pó – mínimo de 32% de sólidos totais de cacau;
    • Chocolate ao leite – mínimo 25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos totais de leite ou derivados;
    • Chocolate branco: mínimo 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite;
    • Achocolatado ou cobertura: mínimo de 15% de sólidos de cacau ou 15% de manteiga de cacau.

O texto também proíbe práticas que possam induzir o consumidor ao erro, como o uso de imagens, cores ou expressões que sugiram tratar-se de chocolate quando o produto não atende aos critérios estabelecidos. Em caso de descumprimento das regras, os responsáveis estarão sujeitos às sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor, além de outras penalidades sanitárias e legais cabíveis. Informações da Agência Brasil.

Representantes de Ceplac e Biofábrica discutem inclusão de novos materiais genéticos em portifólio || Foto Divulgação
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O Instituto Biofábrica da Bahia e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) avançam nas discussões para ampliar o acordo de cooperação técnica entre as instituições. A agenda foi tratada pelo diretor-geral da Biofábrica, Thiago Guedes, e pela coordenadora de pesquisa da Ceplac, Monaliza Sales, e o diretor-geral da Biofábrica, Valdemir José.

Como parte desse alinhamento, o chefe do Serviço Regional de Bioeconomia e Tecnologia de Processamento do Cacau da Ceplac (Sebit), Ronaldo Cosme dos Santos Júnior, fez visita técnica às instalações da Biofábrica, na última quinta-feira (30), acompanhado do superintendente da Bahiater, Lanns Almeida, representante do Governo do Estado da Bahia. O objetivo foi avaliar a inclusão de novos materiais genéticos no portfólio para multiplicação de mudas clonais.

– Essa aproximação técnica ainda maior com a Ceplac é estratégica para fortalecer a cadeia do cacau no Sul da Bahia. Levar genética superior ao campo significa mais renda para o produtor e mais competitividade para o chocolate brasileiro – destacou o diretor-geral da Biofábrica, Valdemir José.

ESTRATÉGICO

A presença do Governo do Estado, por meio da Bahiater, reforça o caráter estratégico da ação para a agricultura familiar e a bioeconomia regional. Durante a visita, Ronaldo Cosme dos Santos Júnior e Lanns Almeida caminharam pela estrutura, laboratórios e casas de vegetação da instituição. Os próximos passos incluem a definição dos clones prioritários e o cronograma de introdução do novo material genético na rotina de produção de mudas.

Colisão provoca sete mortes na Chapada Diamantina, na Bahia || Foto Achei Sudoeste
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Sete pessoas morreram após uma batida entre dois carros na noite de domingo (19), na BA-148, em um trecho que liga as cidades de Boninal e Seabra, na Chapada Diamantina.

De acordo com a Polícia Civil, ainda não há informações sobre as causas do acidente. Os dois veículos colidiram de frente.

Os corpos das vítimas foram levados para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) da região. Os nomes ainda não foram divulgados.

O caso foi registrado na 1ª Delegacia Territorial (DT) de Seabra.

Nas redes sociais, a Prefeitura de Seabra lamentou o ocorrido, se solidarizou com os familiares das vítimas e informou que está à disposição para prestar apoio às famílias. Com informações do G1-BA.

Aprovada lei que estabelece percentual mínimo de cacau em chocolates
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O Senado aprovou, nesta quarta-feira (15), em regime de urgência, o projeto de lei que estabelece percentuais mínimos de cacau em produtos como chocolates e cacau em pó. A matéria agora será encaminhada à sanção presidencial. As mudanças entrarão em vigor 360 dias depois da publicação da lei.

A proposta estabelece parâmetros, definições e características a serem observados na produção de derivados de cacau; determina o percentual mínimo de cacau nos chocolates; e exige que os rótulos desses produtos, tanto nacionais quanto importados, e embalagens e peças publicitárias informem o percentual total de cacau.

O projeto distingue a massa, pasta ou licor de cacau — produto obtido com a moagem das amêndoas de cacau torradas — da manteiga de cacau, que é a fração de gordura extraída dessa massa, e dos “sólidos totais de cacau”, a soma da manteiga de cacau, da massa de cacau e do cacau em pó.

PERCENTUAIS DE CACAU

Cacau em pó: mínimo de 10% de manteiga de cacau, em relação à matéria seca, e, no máximo, 9% de umidade cacau solúvel: produto obtido do cacau em pó adicionado de ingredientes para solubilidade; chocolate em pó: mínimo de 32% de sólidos totais de cacau; e chocolate ao leite: no mínimo 25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos totais de leite ou derivados.

Estabelece ainda percentuais para o chocolate branco: no mínimo 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite achocolatado, chocolate fantasia, chocolate composto, cobertura sabor chocolate ou cobertura sabor chocolate branco: mínimo de 15% de sólidos de cacau ou 15% de manteiga de cacau.

A definição dos critérios técnicos para indicação do percentual de cacau será disciplinada por ato do Poder Executivo, dentro dos limites e requisitos fixados na lei. Caso seja sancionado, as empresas que descumprirem as normas estarão sujeitas às sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor e na legislação sanitária.

Dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) indicam que o Brasil é o sexto maior produtor de cacau do mundo. Bahia e Pará respondem por mais de 90% da produção brasileira.

Diretor-Geral da Ceplac, Thiago Guedes lança projeto na sede regional do órgão, em Ilhéus || Foto Águido Ferreira/Ceplac
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Lucas França

A Ceplac colocou a cacauicultura do sul da Bahia no centro da agenda da economia verde ao lançar, na última quarta-feira (8), em Ilhéus, o projeto Conservação da Mata Atlântica por meio do manejo sustentável das paisagens agroflorestais cacaueiras. A iniciativa, que tem apoio técnico da FAO, financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente, mira recuperar áreas degradadas e reposicionar o sistema cabruca como eixo estratégico de produção sustentável.

No centro da proposta está o fortalecimento da cabruca, modelo tradicional que cultiva cacau sob a sombra de árvores nativas, como resposta concreta à perda de biodiversidade na Mata Atlântica. A lógica é simples: produzir com a floresta em pé, gerando renda e, ao mesmo tempo, restaurando funções ecológicas essenciais, como regulação hídrica e formação de corredores biológicos.

A iniciativa deve alcançar 3 mil produtores organizados em consórcios regionais, com prioridade para inclusão: pelo menos 50% dos beneficiários serão mulheres e jovens. O foco é combinar assistência técnica, acesso a mercados e aumento de produtividade, sem romper com o modelo agroflorestal.

METAS AMBICIOSAS

O projeto nasce com números que chamam atenção:
– 12 mil hectares de cacau cabruca a serem restaurados;
– 203 mil hectares de áreas protegidas com gestão aprimorada;
– 3,72 milhões de toneladas de gases de efeito estufa a serem mitigadas.

No campo econômico, a expectativa é triplicar a produtividade média e elevar em até 30% a renda das famílias atendidas, com foco em mercados de maior valor agregado.

Para o diretor-geral da Ceplac, Thiago Guedes, a proposta representa uma mudança de chave. “O que estamos lançando na Bahia vai além de um projeto ambiental ou produtivo: é um modelo concreto de inovação no campo, baseado na cabruca e na conservação produtiva, que concilia produção de alimentos, conservação da biodiversidade e enfrentamento das mudanças climáticas”, disse. “Estamos posicionando a cacauicultura agroflorestal como um ativo estratégico para o futuro da agricultura mundial, considerando o grande ativo que é a agricultura familiar e a nossa juventude”, completa.

INOVAÇÃO E CRÉDITO

Além da recuperação produtiva, o projeto incorpora ferramentas de inovação. Entre elas, o uso de blockchain para rastreabilidade do cacau, a criação de uma Escola do Cacau para formação de técnicos e produtores e a implantação de um Centro de Inteligência Territorial (CIT), voltado ao monitoramento em tempo real da paisagem.

Outro eixo importante é o acesso a financiamento. A iniciativa prevê mecanismos de crédito sustentável e o fortalecimento de redes de comercialização, ampliando a inserção do cacau cabruca em mercados nacionais e internacionais.

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