Biofábrica e Cappacitah promovem capacitação em cacauicultura || Foto Divulgação
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A capacitação técnica surge como uma das principais estratégias para garantir produtividade, qualidade e sustentabilidade no campo ao produtor de cacau em tempos de preços cada vez mais baixos e importação de amêndoas. Dados recentes apontam que a cadeia produtiva vem exigindo dos agricultores maior eficiência na produção. investir em formação técnica não é mais um diferencial, mas uma necessidade, e o domínio de técnicas modernas — como produção de mudas de alto valor agronômico, manejo adequado e uso de tecnologias — permite ao produtor reduzir custos, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade do cacau.

Instituições como o Instituto Biofábrica da Bahia e o Instituto Cappacitah têm desempenhado papel fundamental nesse processo, promovendo cursos voltados à transferência de conhecimento e inovação no campo. A Biofábrica, reconhecida nacionalmente pela excelência na produção de mudas clonais, vem ampliando sua atuação na formação de produtores e técnicos rurais.

As capacitações oferecidas combinam teoria e prática, permitindo que os participantes vivenciem todas as etapas do processo produtivo — desde o preparo até o manejo das mudas em campo. Essa abordagem tem sido essencial para garantir a aplicação efetiva do conhecimento nas propriedades rurais.

– Iniciativas desse tipo ajudam não apenas a melhorar a produção individual, mas também fortalecem toda a cadeia produtiva do cacau, promovendo desenvolvimento regional e sustentabilidade – explica Valdemir José, Diretor da Biofábrica.

CURSOS EM ABRIL

O Instituto Biofábrica da Bahia e o Instituto Cappacitah promoverão, no próximo dia 17 de abril, a Capacitação em Produção de Mudas de Cacau por Enraizamento, ministrado por Kaleandra Sena, especialista reconhecida na área e responsável técnica da instituição, com ampla experiência em genética, biotecnologia e produção vegetal.

A formação é voltada para produtores, técnicos e profissionais do setor que desejam aprimorar seus conhecimentos e aplicar técnicas modernas na produção de mudas, e as informações e inscrições podem ser acessadas através do site www.cappacitah.com.br/enraizadas.

Espaço Dengo, em Rio do Braço, pode ser acessado pela Estrada de Mutuns ou por Banco do Pedro || Foto Divulgação
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Arte, música, gastronomia e chocolate serão os ingredientes da primeira edição do Cabrucarte, sábado e domingo (21 e 22), no Espaço Dengo Origem, em Rio do Braço, Ilhéus. Aberta ao público, a programação inclui exposição de artistas locais, estandes de economia criativa e visitação gratuita ao circuito da cabruca, com degustação de chocolates ao final do passeio.

Durante os dois dias, das 13h às 19h, os visitantes poderão conferir obras de artistas da região, além de produtos autorais, gastronomia e chocolates produzidos no sul da Bahia. A proposta é ter um espaço dedicado à experiência do cacau e chocolate, unindo cultura, natureza e a tradição cacaueira do território.

A programação musical também faz parte da experiência. No sábado (21), o som fica por conta do DJ F Rock. Já no domingo (22), a discotecagem será comandada pelo DJ Orixafricano.

Outro destaque do Cabrucarte será a abertura do circuito de visitação com tour guiado pela cabruca — sistema tradicional de cultivo do cacau sob a sombra da Mata Atlântica. O passeio inclui caminhada pelo plantio e termina com degustação de chocolates da Dengo, conectando o público às etapas da produção, da colheita do fruto ao produto final.

Serão oferecidos três horários de visitação por dia, com participação mediante reserva prévia, já que as vagas são limitadas.

“Este espaço está no centro da história cacaueira da Bahia. O que queremos é que o público se sinta em um museu a céu aberto, vivenciando parte desta história. Os visitantes poderão passar um tempo de qualidade desfrutando tudo o que temos a oferecer”, afirma a chef Déia Lopes, do restaurante Toca Cabruca e idealizadora do evento.

Espaço Dengo mostra as várias etapas da produção, inclusive a secagem de cacau || Foto Divulgação

TOUR GRATUITO

Durante o Cabrucarte, o espaço também anunciará uma nova iniciativa voltada à aproximação do público com a cultura do cacau: a realização de tours gratuitos todas as quintas-feiras, em dois horários diferentes. A proposta é ampliar o acesso de moradores e visitantes à experiência da cabruca e ao processo que conecta o cacau produzido na região ao chocolate.

“A cabruca é parte da identidade do sul da Bahia. Abrir esse tour gratuito é uma forma de compartilhar essa história, e dividir a experiência de sensações com um número maior de pessoas. Precisamos valorizar a cultura baiana e sua tradição cacaueira. Queremos mostrar como essa história está conectada com conservação ambiental e com o trabalho de gerações de produtores locais”, afirma André Leal.

Às quartas, sextas e sábados, o tradicional tour Dengo Origem ocorre às 10h e às 14h. Aos domingos, o passeio acontece somente às 10h. Os ingressos custam R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia). Crianças de 4 a 12 anos pagam R$ 60, e menores de 4 anos têm entrada gratuita.

SERVIÇO
Cabrucarte – arte, natureza e gastronomia
Quando: 21 e 22 de março
Horário: das 13h às 19h
Local: Espaço Dengo Origem – Ilhéus (BA)
Entrada: Gratuita
Reservas e informações: WhatsApp (73) 99846-8882.

Chocolate produzido no Brasil deverá ter maior percentual de cacau || Foto Daniel Thame/GovBA
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O governo baiano celebrou a aprovação de projeto, na Câmara dos Deputados, que regulamenta percentuais mínimos de cacau em seus derivados, a exemplo de chocolates e o produto em pó produzidos no país. A medida, na avaliação da gestão estadual, responde a uma demanda antiga de quem produz cacau e convive, há anos, com a distorção provocada pela presença, no mercado, de produtos com baixo teor do fruto vendidos como se fossem chocolate.

A nova regulamentação (confira aqui) é vista como um passo importante para dar mais transparência ao consumidor e reconhecer melhor o trabalho de agricultores e agricultoras e de toda a cadeia produtiva.

O impacto positivo do projeto é compartilhado por representantes do setor. “A aprovação desse projeto demonstra que a união entre governo, entidades ligadas à lavoura e produtores traz resultados positivos. O aumento do teor de cacau em produtos que se denominam chocolate é um incentivo à produção de cacau e vai valorizar as amêndoas sulbaianas”, afirma Erlon Botelho, diretor do Instituto Chocolate e um dos coordenadores do projeto Cacau +500 Sustentável.

CHOCOLATE DE ORIGEM

O entendimento também é reforçado por quem acompanha de perto a expansão do chocolate de origem no estado. Para Marco Lessa, organizador do Chocolat Festival, além de ampliar o teor de cacau que as indústrias chocolateiras devem utilizar, esse projeto também vai incentivar o consumo de chocolates de origem. “O sul da Bahia possui cerca de 200 marcas, muitas delas premiadas internacionalmente, que, além do sabor único, trazem a história de uma região celebrizada por Jorge Amado”, afirma Marco.

O projeto aprovado na Câmara ajuda a organizar o mercado, dá mais transparência ao consumidor e faz justiça com quem produz cacau de verdade, na avaliação de Jeandro Ribeiro, da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR).

“Para a Bahia, que tem uma relação histórica com essa cultura e vem trabalhando junto aos produtores, às entidades e aos sindicatos, é um avanço importante, porque valoriza a nossa produção e abre espaço para agregar mais renda no campo”, afirmou Jeandro.

A votação ocorreu ontem (17). O texto aprovado é um substitutivo do deputado Daniel Almeida (PCdoB) ao Projeto de Lei 1769/19, de autoria do Senado. Como a Câmara promoveu alterações no texto original, a matéria retorna agora para nova análise dos senadores.

Regra exige destaque do teor de cacau na embalagem || Foto Daniel Thame/GovBA
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A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que estabelece regras para a quantidade mínima de cacau em produtos como chocolate e cacau em pó, além de obrigar a informação do percentual de cacau na parte frontal das embalagens. O texto determina que esse dado seja exibido em área de destaque, ocupando pelo menos 15% da embalagem, com caracteres legíveis para facilitar a visualização pelo consumidor.

A proposta também define critérios técnicos para os derivados do cacau. A massa ou liquor de cacau passa a ser considerada o produto obtido da moagem das amêndoas torradas, enquanto a manteiga de cacau corresponde à gordura extraída desse processo. Já os sólidos totais de cacau resultam da soma da manteiga com os sólidos secos desengordurados.

Para o chocolate em geral, o texto estabelece um mínimo de 35% de sólidos totais de cacau, com exigência específica de percentuais de gordura e de partes isentas de gordura, além de limitar em até 5% o uso de outras gorduras vegetais.

No caso do chocolate ao leite, o projeto mantém o mínimo de 25% de sólidos de cacau, além de exigir pelo menos 14% de sólidos de leite ou derivados, alinhando-se a normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Já o cacau em pó deverá conter no mínimo 10% de manteiga de cacau e apresentar até 9% de umidade. O texto ainda cria a categoria “chocolate doce”, com parâmetros próprios de composição.

ESTUDO

Estudo do Centro de Energia Nuclear na Agricultura identificou inconsistências na rotulagem de chocolates vendidos no país, apontando que produtos classificados como meio amargo podem ter proporções semelhantes às de chocolates ao leite ou branco.

As empresas que descumprirem as regras estarão sujeitas a sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor e na legislação sanitária. As novas normas devem entrar em vigor 360 dias após a publicação da lei, caso o texto seja confirmado em nova análise pelo Senado.

Evento será nesta quarta (18), às 9h, na Ceplac || Foto André Frutuôso
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O impacto do mercado financeiro internacional sobre o preço do cacau será tema de um encontro técnico nesta quarta-feira (18), a partir das 9h, no auditório da sede regional da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), no quilômetro 22 da Ilhéus-Itabuna. O evento terá palestra do engenheiro agrônomo Antônio Cesar Costa Zugaib, professor do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Santa Cruz, com o tema Presente e Futuro da Cacauicultura Brasileira.

A palestra vai abordar a influência de contratos futuros vinculados ao Bloomberg Commodity Index na formação do preço do cacau. A proposta é explicar como essas operações afetam produtores, pesquisadores e empresas da cadeia do chocolate, além de apresentar análises e possíveis caminhos para o setor.

Antônio Zugaib atua na área de agronegócio e possui formação em Comércio Exterior, Economia Rural e Cooperativismo, além de experiência técnica em instituições ligadas à produção agrícola.

O encontro tem apoio de diversas entidades, entre elas a Associação Nacional dos Produtores de Cacau, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural e a Associação dos Municípios do Sul, Extremo-Sul e Sudoeste da Bahia, além da Prefeitura de Ilhéus. A atividade será aberta a produtores, estudantes e profissionais interessados no futuro da cacauicultura.

Projeto incorpora sugestões do setor cacaueiro baiano || Foto André Frutuôso
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A articulação liderada pelo Governo da Bahia para enfrentar desafios da cadeia produtiva do cacau começou a apresentar resultados no Congresso Nacional. O Projeto de Lei nº 1769/2019, que estabelece regras para a composição e a rotulagem de chocolates e derivados de cacau no Brasil, passou a incorporar sugestões apresentadas por uma comissão formada por representantes do setor produtivo, parlamentares e entidades ligadas à cacauicultura.

A inclusão das propostas ocorreu após diálogo conduzido pelo deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA) com o Senado Federal e com entidades representativas do setor. Três pontos do texto original foram ajustados para atender demandas apresentadas pelo grupo baiano, aproximando o conteúdo da proposta da realidade da produção de cacau no país.

Entre as alterações está a definição mais precisa do conceito de “sólidos totais de cacau”, parâmetro considerado essencial para estabelecer critérios técnicos na composição dos chocolates comercializados no Brasil. O texto também substitui o termo “chocolate amargo” pela denominação “chocolate intenso”, classificação entendida como mais adequada para produtos com maior concentração de cacau.

Outro ponto incluído no projeto prevê prazo de 360 dias para que a nova legislação passe a valer após eventual sanção presidencial. O período permitirá que a indústria se adapte às exigências, com mudanças em embalagens, rótulos e demais adequações necessárias às novas regras.

Diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Jeandro Ribeiro afirmou que o avanço da proposta reflete o esforço de articulação institucional. Segundo ele, a iniciativa foi construída a partir de agenda promovida pelo governador Jerônimo Rodrigues com representantes do setor e parlamentares, e contou também com a atuação da deputada federal Lídice da Mata e do senador Zequinha Marinho no diálogo no Congresso Nacional.

AIPC emite nota sobre medida do Ministério da Agricultura e Pecuária || Foto André Frutuoso/CAR
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A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) afirmou que a suspensão da importação de cacau da Costa do Marfim resulta do erro que, segundo a entidade, atribui a responsabilidade pela queda nos preços da commodity à indústria instalada no Brasil.

“É fundamental esclarecer que o preço da amêndoa de cacau é definido no mercado internacional, a partir das bolsas globais e das condições de oferta e demanda mundiais e local. Por isso, constitui um equívoco atribuir à indústria brasileira — grande parte dela instalada na Bahia — a responsabilidade pela formação ou fixação desses preços”, argumentou a Associação, em nota. Produtores de cacau acusam as grandes processadoras de cartel (veja aqui).

Sem mencionar diretamente a suspensão da última terça-feira (24), a AIPC  acrescentou que medidas restritivas não enfrentam a causa do problema e podem prejudicar o funcionamento da indústria. “Podem produzir efeitos indesejados, como redução da moagem, paralisação de unidades produtivas, perda de empregos e diminuição da arrecadação estadual, além de comprometer a competitividade das exportações brasileiras de derivados de cacau”, alegou.

“INTERVENCIONISTA”

A Associação classificou a medida do governo como “intervencionista” e ineficaz diante de desequilíbrios produtivos ou de preços, que podem agravar as dificuldades do setor que se pretende proteger. Também defendeu a instalação imediata de uma mesa técnica reunindo indústria, produtores e governo.

Ao determinar a suspensão da importação de cacau da Costa do Marfim, o Ministério da Agricultura e Pecuária citou risco fitossanitário associações à triangulação das amêndoas que vêm do país africano para o Brasil. A suspeita é de que o cacau produzido em outros países estariam vindo junto com o marfinense, de forma irregular (relembre). A nota da AIPC não aborda o risco fitossanitário. Abaixo, leia a íntegra.

Leia Mais

Ministério da Agricultura determina suspensão de importação de cacau africano
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O Ministério da Agricultura e Pecuária determinou a suspensão imediata e temporária das importações de amêndoas fermentadas e secas de cacau provenientes da República da Costa do Marfim. A decisão foi publicada nesta terça-feira (24) no Diário Oficial da União, por meio do Despacho Decisório nº 456, de 23 de fevereiro de 2026.

A medida foi assinada pelo ministro substituto da Agricultura, Irajá Lacerda, e está vinculada ao Processo nº 21000.040258/2018-56. Segundo o texto, a suspensão ocorre em razão de risco fitossanitário relacionado ao elevado fluxo de grãos de países vizinhos para o território marfinense. Essa movimentação pode possibilitar a mistura de amêndoas nas cargas destinadas ao Brasil, gerando incertezas quanto à origem e às condições sanitárias do produto.

De acordo com o despacho, a preocupação central é a eventual entrada de amêndoas produzidas em países cujo status fitossanitário é desconhecido ou cuja exportação ao Brasil não está autorizada. O governo brasileiro considera que essa triangulação pode representar ameaça à sanidade da cacauicultura nacional.

Além da suspensão, o Ministério determinou que a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais e a Secretaria de Defesa Agropecuária adotem os procedimentos necessários para apurar possíveis casos de triangulação comercial envolvendo o produto oriundo da Costa do Marfim.

A importação permanecerá suspensa até que haja manifestação formal do governo marfinense, acompanhada de garantias de que os envios ao Brasil não apresentam risco fitossanitário nem incluem amêndoas de origem não autorizada. Com informações do Mercado do Cacau.

Protesto de cacauicultores, na quarta-feira (18), em Ibirapitanga || Foto Redes Sociais
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Do PIMENTA

Na tarde de 17 de dezembro de 2024, uma terça-feira, a arroba de cacau bateu R$ 1.029,00 na praça de Ilhéus. Foi o preço nominal mais alto da história do produto. Nesta sexta-feira (20), os mesmos 15 quilos de amêndoas do fruto de ouro valiam R$ 155. Desvalorização de 84,94% em um ano e dois meses.

Nesse intervalo, o mercado saiu de um choque de oferta – provocado pela redução da produção em países como Gana e Costa do Marfim – para a conjuntura atual, de diminuição da demanda associada ao alto nível de estoques reabastecidos pela retomada de produtividade da lavoura na África.

Além dos fatores que depreciam a commodity no mercado internacional, produtores brasileiros acusam as grandes empresas compradoras de cacau de atuarem, de forma coordenada, para reduzir ainda mais o preço do produto no país. Segundo eles, haveria uma cartelização para, artificialmente, diminuir a cotação do cacau no Brasil em relação à bolsa de valores de Nova Iorque, impondo deságio ao preço da mercadoria nacional.

A cotação no mercado futuro de Nova Iorque fechou a sexta-feira (20) a 3.174 dólares por tonelada, algo próximo de R$ 16.570. Por esse valor, o quilo do cacau seria cotado a R$ 16,57 e a arroba, R$ 248. Sem considerar as mediações implicadas na conversão desses valores, o preço em Ilhéus (R$ 155) representa um deságio de 37,5% em relação à cotação internacional.

Os produtores brasileiros também acusam as grandes indústrias moageiras de usarem as importações de cacau para baratear a mercadoria no Brasil, valendo-se do sistema chamado de drawback, que isenta o importador de impostos sobre insumos usados na fabricação de produtos para a exportação.

OUTRO LADO

As multinacionais Cargill, Olam e Barry Callebaut respondem por mais de 90% das compras de cacau no país e dominam o processamento industrial do produto no Brasil. Juntas, compõem a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), que nega a existência de cartel na compra do produto.

A Associação afirma que não interfere nos preços praticados no mercado. Segundo a entidade, as empresas negociam de forma autônoma com os produtores, de acordo com suas políticas comerciais, e eventuais bonificações por qualidade dependem da relação individual com os fornecedores.

A AIPC também defendeu as importações como essenciais para manter as linhas de produção, citando déficit de quase 40 mil toneladas entre moagem e recebimento no primeiro semestre de 2025, o que poderia levar à paralisação das fábricas sem o complemento externo.

A entidade criticou a possível suspensão do regime de drawback, alegando que a medida prejudicaria as exportações de derivados e a geração de divisas, além de comprometer o atendimento ao mercado interno e externo.

O QUE DIZ O GOVERNO FEDERAL

Durante agenda em Gandu, no baixo-sul da Bahia, no final de janeiro, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, anunciou que a sua Pasta, o Ministério da Agricultura e a Advocacia-Geral da União vão acionar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), solicitando investigação da denúncia de suposto cartel.

Preço do cacau despencou cerca de 80% em pouco mais de um ano || Foto Helene Santos/GovCE
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A forte queda no preço do cacau no sul da Bahia abre o calendário de 2026 das Câmaras Setoriais do estado. Atualmente, a arroba do produto é vendida a cerca de R$ 165, após ter superado R$ 1.000 em 2024, o que representa uma desvalorização superior a 80% em pouco mais de um ano. O cenário pressiona produtores e mobiliza o setor público e entidades produtivas.

A primeira reunião ocorre na terça-feira (24), das 9h às 12h, em formato virtual, com foco na cadeia do cacau. O ciclo segue com debates sobre sisal na quarta (25), dendê na quinta (26) e citrus na sexta (27). Os encontros reúnem governo, produtores, entidades setoriais e sociedade civil para definir estratégias de fortalecimento dessas cadeias produtivas.

Entre os temas em pauta estão controle de pragas, adoção de novas tecnologias e valorização dos produtos nos mercados nacional e internacional. A proposta é orientar políticas públicas e ações para reduzir impactos da crise de preços e ampliar a competitividade do agronegócio baiano.

O secretário da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura, Pablo Barrozo, afirmou que o fortalecimento das Câmaras Setoriais decorre de um termo de cooperação com a Fundação Luís Eduardo Magalhães (FLEM), que prevê a revitalização e implantação de até 22 fóruns no estado. Coordenadas pela Seagri, as Câmaras funcionam como espaços permanentes de diálogo entre produtores, governo e entidades, com foco na construção de soluções para o setor ao longo de 2026.

Manifestantes cobram medidas contra preço baixo do cacau || Foto Redes Sociais
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Produtores de cacau bloquearam a BR-101 nesta quarta-feira (18), no distrito de Itamarati, em Ibirapitanga, no sul da Bahia, em protesto contra a queda no preço do produto e a importação de cacau estrangeiro. A manifestação reuniu agricultores de diferentes portes e interrompeu o tráfego na rodovia federal.

No centro das reivindicações está o valor da arroba do cacau, que, segundo os manifestantes, caiu de cerca de R$ 1.000 para aproximadamente R$ 170, em um ano e meio. Para os produtores, o patamar atual inviabiliza a atividade e compromete a sustentabilidade da cadeia produtiva, especialmente para pequenos agricultores.

As lideranças do movimento criticaram a política de importação e afirmaram que o cacau estrangeiro estaria entrando no país sem taxação adequada, pressionando os preços internos. Também houve denúncias sobre possíveis irregularidades sociais na origem do produto importado, apontadas como fator de concorrência desleal com a produção baiana.

Durante o protesto, os cacauicultores cobraram ações do governo federal, do Governo da Bahia e de parlamentares, citando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Jerônimo Rodrigues. Os manifestantes afirmaram que podem fazer novas interdições caso não haja avanços nas negociações e medidas concretas para enfrentar a crise no setor.

Banana de Bom Jesus da Lapa conquista certificação || Foto Divulgação
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A banana produzida na região de Bom Jesus da Lapa, no oeste da Bahia, conquistou o selo de Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Publicada na terça-feira (11), a certificação reconhece a notoriedade da produção no Perímetro de Irrigação Formoso.

Certificada pelo INPI, na categoria Indicação de Procedência, a “banana clarinha da Bahia” apresenta características únicas ligadas ao Perímetro de Irrigação Formoso. A fruta é reconhecida pela coloração amarelo-ouro clara, doçura elevada e baixa acidez, resultado do manejo em clima semiárido. As variedades Nanica e Prata da região têm qualidade nacionalmente reconhecida.

“A IG deve agregar valor ao produto e ampliar acesso a mercados nacionais e internacionais, promovendo organização produtiva, associativismo e práticas sustentáveis”, destacou a assessora técnica da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), Jorgete Oliveira. De acordo com Jorgete, o Fórum Baiano aparece como um espaço estratégico de articulação com os atores envolvidos no processo de reconhecimento junto ao INPI. A certificação deve abrir novos canais de exportação, especialmente para mercados europeus.

Com a banana de Bom Jesus da Lapa, a Bahia passa a contar com seis Indicações Geográficas, todas na modalidade Indicação de Procedência. As demais são Sul da Bahia (cacau), Oeste da Bahia (café), Microrregião Abaíra (cachaça), Vale Submédio São Francisco (uvas e mangas) e Vale do São Francisco (vinhos e espumantes).

VALOR AGREGADO

A região certificada representa cerca de 8,7 mil hectares dedicados à banana em uma área total irrigada de 19,5 mil hectares. O Perímetro de Irrigação Formoso, localizado às margens do rio Corrente, afluente do São Francisco, é impulsionado pela Codevasf desde 1988 e gerido pelo Distrito de Irrigação de Formoso, consolidando-se como um dos maiores polos de produção de banana do país.

Inicialmente voltado à produção de banana-nanica para exportação, o projeto estruturou a cadeia produtiva local, desde a importação e adaptação de mudas até a criação de viveiros e cooperativas. Entre as organizações que ampliaram o alcance da banana produzida na região para mercados de todo o país e também para o exterior está a Cooperativa dos Produtores de Bom Jesus da Lapa.

Além da dimensão econômica, a produção de banana na região carrega valor histórico e cultural. A atividade está associada à trajetória das famílias produtoras e à construção da identidade local, que projetou o território nacionalmente como referência na produção da fruta mais consumida pelos brasileiros.

O economista e professor Alessandro Fernandes, reitor da Uesc || Foto Uesc
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Quem sabe, todo esse acervo de comunicação poderá ser reunido num grande projeto disponibilizado à sociedade após a digitalização, tratamento gráfico com o que existe de mais moderno na informática.

 

 

Walmir Rosário

Agora em Itabuna, estou mais perto da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), respirando os ares da sabedoria emanados daquele centro de conhecimento, que vem acumulando troféus e títulos de excelência. Felizmente a Uesc tomou um caminho bem diferente de outras instituições de ensino superior, que descem ladeira abaixo neste Brasil contemporâneo.

De pronto, dou pleno conhecimento público que não estou alisando os bancos de nenhum curso superior, o que me faria bem, mas tão somente bisbilhotando o Centro de Documentação (Cedoc). Quase todos os dias, munido de máscara contra a poeira e ácaros, e luvas para me livrar das velhas tintas gráficas, estou espreitando, conferindo as páginas dos jornais antigos de Ilhéus e Itabuna.

São edições incompletas em determinados anos, mas permite pesquisar o que acontecia em épocas passadas. As minhas visitas seriam apenas (não são mais) para rever as glórias do futebol de Itabuna, por meio dos seus times e da eterna vencedora Seleção de Itabuna, assuntos para futuros livros, com a missão de informar aos que não tiveram a felicidade de viver àquela época.

Com a mão nas páginas, relembro fatos tantos vividos pela sociedade pretérita em Itabuna, Ilhéus e região sobre a economia, as agruras sofridas pela cacauicultura, bem como os bons tempos em que a tonelada de cacau era vendida nas bolsas de Nova Iorque e Londres a preços compensadores, coisa de US$ 4,5 mil até US$ 5 mil, tudo contado em dólares.

A sociedade mantinha um padrão de vida bem confortável e Itabuna se dava ao luxo de tocar os discos em LPs e compactos (poucos sabem o que é isso) em lançamentos simultâneos com o Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Mas como nem tudo são flores, os protestos e reclamações apareciam estampados nas páginas de nossos jornais sem a menor cerimônia.

O que acontecia na política ganhava destaque, inclusive os aumentos de impostos que pesavam sobre o cacau, figurinha carimbada nos tempos ruins, a salvação da lavoura do governo do estado para pagar os gastos feitos em outras regiões. A conta não era nossa, mas o governador jurava que deveria ser paga por todos. E como o cacau faturava, sentava-se à cabeceira da mesa.

E a Uesc vem assumindo uma responsabilidade com a sociedade sul-baiana ao guardar, manter intacto, catalogar e disponibilizar toda a produção dos meios de comunicação de épocas passadas, mantendo viva a história do povo grapiúna. Além de jornais, a Uesc também registra em seu acervo a história do Poder Judiciário em Ilhéus e milhares de documentos históricos importantes. Se tornou a guardiã da nossa história.

No Centro de Documentação estão disponíveis, por exemplo, os jornais Diário da Tarde, de Ilhéus; o Tabu, de Canavieiras; o Diário de Itabuna e o Agora, de Itabuna, este através de um esforço recíproco da sociedade. E o Reitor Alessandro Fernandes de Santana acolheu o pleito, sensível que é aos reclames da sociedade, sobretudo do que diz respeito às questões sociais, sobretudo à educação.

Sei que a Uesc muito ainda tem que caminhar, mas os louros obtidos nesse trajeto são sinal bastante positivo, o que nos leva a crer e vislumbrar uma universidade “coladinha” com a sociedade. A Uesc pode e deve ser o carro-chefe do pensamento regional, com poderes para influir na renovação da tecnologia e nas mudanças que levem ao desenvolvimento.

O Magnífico Reitor Alessandro Fernandes tem ao seu lado cabeças pensantes capazes de elaborar e tocar projetos em todas as áreas do conhecimento, notadamente na comunicação. Se a Uesc tem gente à disposição, também possui prédios herdados do Instituto de Cacau da Bahia (ICB) que podem abrigar esses novos serviços à sociedade.

Quem sabe, todo esse acervo de comunicação poderá ser reunido num grande projeto disponibilizado à sociedade após a digitalização, tratamento gráfico com o que existe de mais moderno na informática. De casa, do escritório, aqui no Sul da Bahia, Estados Unidos ou Japão estará disponível em apenas alguns cliques. Afinal, uma universidade é um centro de sabedoria com a missão de tornar as pessoas mais inteligentes. E a hora é agora.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Prefeito Augusto Castro se manifesta em defesa dos produtores de cacau da Bahia || Foto Secom Itabuna
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O prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), manifestou apoio aos produtores da lavoura cacaueira diante da forte queda no preço do cacau e da importação de 10 mil toneladas de amêndoas africanas pela indústria processadora instalada em Ilhéus. Segundo ele, o cenário agrava a crise enfrentada pelo setor no sul da Bahia, tema de protesto nesta quarta-feira (28), na Terra da Gabriela (saiba mais aqui).

Augusto Castro apontou preocupação com os efeitos da Instrução Normativa nº 125, editada em 2021 pelo Ministério da Agricultura, que flexibilizou as regras fitossanitárias para a importação de cacau. Para o prefeito, a medida representa risco direto à produção nacional.

O gestor também criticou o desequilíbrio histórico na relação entre produtores e indústria moageira. “Nas últimas três décadas, é fato recorrente a alegação das moageiras de que não há cacau brasileiro capaz de atender às suas necessidades de processamento. Mas o produtor também sofre por não contar com o amparo necessário”, afirmou, ao citar a falta de assistência técnica, extensão rural e crédito, apesar dos esforços do setor na melhoria genética das lavouras e na adoção de novas tecnologias.

Como encaminhamento, o prefeito defendeu a união de forças para pressionar o Governo Federal. “Para preservar a sanidade da lavoura cacaueira, junto minha voz para que sejamos ouvidos pelos deputados federais e senadores, a Frente Parlamentar da Agropecuária e o Governo Federal. É hora de união”, declarou. Augusto Castro também apoia a articulação com entidades do setor agropecuário e consórcios regionais para exigir critérios mais rígidos na importação de amêndoas.

Importação de cacau foi tema de plenária da Associação Comercial da Bahia || Foto Divulgação
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A Associação Comercial da Bahia (ACB) encerrou o calendário anual com a 4ª Sessão da Reunião da Diretoria Plenária, que debate os impactos da Instrução Normativa 125 (IN125) sobre a cadeia produtiva do cacau. A relevância da pauta levou o secretário estadual de Agricultura, Pablo Barroso, a acompanhar a discussão.

A IN125, publicada em 2021 pelo Ministério da Agricultura, flexibilizou regras fitossanitárias para a importação de amêndoas de cacau de países africanos, especialmente da Costa do Marfim. A norma retirou exigências consideradas essenciais pelos produtores brasileiros — entre elas o tratamento obrigatório com brometo de metila, usado para impedir a entrada de pragas quarentenárias ausentes no Brasil.

Entidades do setor afirmam que essa mudança abriu espaço para uma importação mais agressiva e com risco potencial à segurança fitossanitária, além de aumentar a pressão competitiva sobre a cacauicultura nacional, já fragilizada pela falta de previsibilidade de safra e por custos de produção mais elevados.

A presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), Vanuza Barroso, apresentou diagnóstico do setor e fez alerta sobre os riscos que a IN125 representa para os produtores brasileiros, sobretudo os baianos. “Moro em Minas Gerais, mas sou baiana. Vivi em Itabuna e acompanhei de perto o período da vassoura de bruxa. Este é um setor extremamente importante e não tem, ainda, políticas públicas. Não temos previsão de safras e ainda contamos com uma importação predatória”, disse, durante a sessão da última terça (9), em Salvador.

O debate foi proposto pelo empresário Ademar Lemos Júnior, associado da ACB há dois anos. Ele ressaltou a desigualdade de força entre produtores e grandes indústrias. “Acompanhei de perto a luta dos produtores, que não têm a mesma força da indústria, e vejo como determinadas práticas acabam prejudicando quem produz e não tem como reagir. Esse problema não atinge apenas a Bahia, envolve o Pará, Espírito Santo, Rondônia e outros estados.”

Ao conduzir a plenária, a presidente da ACB, Isabela Suarez, reforçou o papel estratégico da instituição na mediação de temas que impactam o desenvolvimento econômico do estado. “A discussão sobre o cacau ultrapassa o interesse setorial. Diz respeito à economia da Bahia, ao futuro dos nossos produtores de cacau e à preservação de um patrimônio que marca nossa identidade”.