Bahia retoma liderança na produção de cacau, segundo IBGE || Foto André Frutuôso/CAR
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A agricultura familiar foi o grande motor por trás do retorno da Bahia à liderança nacional na produção de cacau, superando o estado do Pará, com uma produção, em 2023, de 139.011 das 296.145 toneladas de amêndoas produzidas no Brasil no último ano, segundo a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), feita pelo IBGE. Ultrapassado por pequena margem pela Bahia, o Pará produziu 138.471 toneladas no ano passado.

O segmento da agricultura familiar responde por 80% dos estabelecimentos rurais dedicados ao cultivo do cacau na Bahia. Para o diretor presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Jeandro Ribeiro, esse avanço  foi impulsionado por mais de R$ 100 milhões em investimentos do Governo do Estado, aliado a intervenções estratégicas.

– A Bahia se destaca na produção de cacau, e isso é fruto de um entendimento da nova realidade fundiária, em que 80% dos estabelecimentos rurais pertencem à agricultura familiar. Investir nesse setor trouxe um novo cenário para a Bahia, ampliando a produção, a produtividade e a qualidade do cacau – afirmou Jeandro.

CACAU +

Uma das iniciativas que têm sido fundamentais nesse processo, aponta, é o Cacau +, implantado no baixo-sul da Bahia. Executada pela CAR, em parceria com o consórcio público Ciapra, elevou a renda de mais de 2.400 agricultores familiares. O reconhecimento internacional dessa ação ocorreu no evento Partnership Meeting 2024, da World Cocoa Foundation, evento onde a iniciativa foi apresentada como um exemplo de sucesso de colaboração entre setor público e privado.

Além do Cacau +, o estado investiu fortemente em cooperativas como as que trazem as marcas Bahia Cacau e Natucoa, impulsionando a produção e comercialização de chocolates produzidos por agricultores familiares. A Bahia Cacau, da Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba), por exemplo, inaugurou recentemente sua terceira loja, desta vez, em Vitória da Conquista, fortalecendo ainda mais a presença dos chocolates baianos no mercado. Já a Natucoa, da Cooperativa de Serviços Sustentáveis da Bahia (Coopessba), destaca-se pela produção de chocolates veganos e de alta qualidade produzido na agroindústria que foi totalmente equipada pela CAR.

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Chocolat Festival de 2024 atraiu 65 mil pessoas, segundo organização || Foto Divulgação
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O Festival de Cacau e Chocolate de Ilhéus chegou ao fim batendo recordes de edições anteriores ao movimentar cerca de R$ 25 milhões em negócios e atrair público de 65 mil pessoas desde a noite de quinta-feira (18) até ontem (21). Com projeção nacional e internacional e a marca Chocolat Festival, o evento reuniu mais de 200 expositores no Centro de Convenções Luís Eduardo Magalhães, na Avenida Soares Lopes.

Lessa festeja resultados da 15ª edição do Festival em Ilhéus

“É motivo de orgulho constatar que, há 15 anos, começamos com duas marcas de chocolates caseiros e poucos expositores e hoje são mais de 200 marcas de chocolates de origem, cem dessas marcas no sul da Bahia, expansão do ecoturismo e impacto positivo em vários setores da economia regional – assinalou Marco Lessa, idealizador e coordenador do Chocolat Festival.

Lessa revelou conversas da organização do evento com o principal patrocinador do Festival, o Governo da Bahia, para a construção de pavilhão de feiras no Centro de Convenções de Ilhéus, onde poderá ser implantado o Museu do Cacau e do Chocolate.

DEGUSTAÇÃO E NEGÓCIOS

Nos quatro dias, o público pode adquirir e degustar produtos de cacau e derivados. Houve, ainda, cursos de capacitação para 6.500 pessoas e seis toneladas de alimentos arrecadadas para doação a famílias carentes, através de uma parceria com o Rotary Clube e o Lions Clube de Ilhéus.

Gerson: negócios fechados e olho na Bolsa de Valores

Segundo Gerson Marques, presidente da Associação dos Produtores de Chocolate do Sul da Bahia (Chocosul), apesar da alta do preço do cacau neste ano, afetando os preços dos chocolates de origem, as marcas presentes estão fechando negócios no Festival.

“As nossas empresas estão fazendo negócios e consolidando o projeto do polo chocolateiro, além de elevar a autoestima da região, que se orgulha de ter um produto que além da qualidade, traz em si toda a magia que cerca o mundo do cacau”.

CONQUISTA DE NOVOS MERCADOS

Carine: evento atrai consumidores de outros países

Dirigente da Natucoa, Carine Assunção revela a comercialização de produtos para consumidores também de outros países, “além de abrir novos mercados na rodada de negócios com dezenas de empresários”.

Para Osaná Crisóstomo, da Bahia Cacau, primeira fábrica de chocolate da agricultura familiar do Brasil, “o sul da Bahia vive um novo momento” e o Festival abre as portas para divulgação dos produtos da região, “que hoje são comercializados em vários estados brasileiros e brevemente chegaremos ao mercado internacional”.

FÁBRICAS-ESCOLA DO CHOCOLATE

O Governo da Bahia, principal apoiador do Chocolat Festival, marcou presença com participação da secretarias de Turismo (Setur), da Cultura, de Desenvolvimento Rural, da Agricultura, da Educação e do Trabalho, Emprego e Renda em estandes como Empório da Agricultura Familiar, Centro Público de Economia Solidária, Feira de Artesanato, Espaço do Turismo e Fábricas-Escolas do Chocolate.

O estande com as quatro fábricas-escolas dos centros estaduais de Educação Profissional de Ilhéus, Arataca, Gandu e Ipiaú reuniu estudantes e professores, que mostraram a produção de um projeto do Governo do Estado que valoriza o processo de ensino-aprendizagem e incentiva o empreendedorismo.

Flávia: artesanato obteve ótimas vendas

O estudante Ruaferson Calazans, do CEEP do Chocolate Nelson Schuan, em Ilhéus, disse que “além de mostrar o nosso trabalho para milhares de visitantes, essa é oportunidade de trocar experiências com colegas de outros colégios”. Ruaferson está concluindo o ensino médio e afirma que pretende fazer curso superior e se especializar na área de chocolates “e atuar num mercado cada vez mais promissor”.

O Chocolat Festival também impacta positivamente o turismo, com a divulgação da Estrada do Chocolate, primeira estrada temática da Bahia, que inclui fazendas centenárias de cacau, fábricas de chocolate e áreas de mata atlântica preservada.

ARTESANATO

A arte e a cultura regional foram destaque, com o Palco Cacau e o Pavilhão Cultural, que incluiu apresentações de artistas regionais, teatro, literatura e artesanato. Flávia Oliveira, que integra uma das cinco associações com cerca de 200 artesãos no evento, festejou a participação e resultados. “Conseguimos realizar ótimas vendas e tivemos uma excelente vitrine para divulgar o nosso trabalho”.

Festival de Cacau e Chocolate começa hoje em Ilhéus
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O Chocolat Festival retorna ao município onde tudo começou, em Ilhéus, com a promessa de ser a maior edição de todos os tempos. Cerca de 200 expositores, dos quais mais de 100 marcas de cacau e chocolate de origem e de alta qualidade, participam do evento no município sul-baiano, na 15ª edição local e 38ª quando contabilizados os festivais produzidos pela MVU no Brasil e na Europa.

A abertura do Festival do Cacau e Chocolate de Ilhéus, nome original do evento em 2009, será às 19h desta quinta-feira (18), no Centro de Convenções de Ilhéus, na Avenida Soares Lopes, com a presença do governador Jerônimo Rodrigues. A edição deste ano, que vai até o próximo domingo (21), terá atrações degustação de chocolates, Cozinha Kids, Cozinha Show, palestras, shows musicais, rodada de negócios,  workshops e o Chocoday.

NEGÓCIOS COM A ENERGIA BAIANA

– Vamos fazer um festival incrível com muita discussão sobre negócios do cacau e do chocolate, pratos deliciosos na Cozinha Show, tudo  com a energia que só o povo baiano tem – afirma Marco Lessa, idealizador do Chocolat Festival e presidente da MVU, promotora da Chocolat Festival no país e em Portugal, onde hoje reside.

O projeto tem apoio financeiro do Governo do Estado, por meio do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia, conta com as parcerias do Governo do Estado da Bahia, via Secretaria de Turismo (Setur), Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e Bahiater, dentre outros.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO EVENTO

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Cacau, da delícia do chocolate à riqueza do agronegócio || Foto Águido Ferreira/Ceplac
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Não é por acaso que o agro brasileiro nada de braçadas e consegue se manter na dianteira da produção brasileira vendida para o nosso consumo e o mundial, alimentando pessoas com produtos de qualidade.

 

Walmir Rosário

Muito cuspe e giz já foi gasto para explicar as nuances do cultivo do cacau e a cultura dos cacauicultores do Sul da Bahia. O cacauicultor era odiado e amado em livros, reportagens de jornais, rádios, televisões, passando pelos workshops e congressos, com os prós e contras explícitos em acalorados e exaustivos debates. Ora os produtores eram elogiados pela proteção da Mata Atlântica, outras vezes execrados pela monocultura e destruição.

Em cada um desses debates era comum alguém citar trechos de livros do itabunense Jorge Amado, mostrando o cacauicultor como um criminoso contumaz na eliminação da floresta, acredito que por desconhecer o tema. Agora se descobre ser a cacauicultura a avalista na manutenção da nossa rica Mata Atlântica. Que ninguém leve isso a sério, pois os pioneiros não sabiam que os pés de cacau também produziam a pleno sol.

Hoje, passado muito tempo dedicado à pesquisa, o cacau brasileiro pode ser plantado de norte a sul, leste a oeste, independente de clima e altitude, com comprovações científicas e a recomendações técnicas pertinentes. Há alguns anos, era considerado impossível, e seria considerado louco quem tentasse plantar cacau já nas chamadas áreas de transição. Muitos se aventuraram e colheram bons resultados. Os 100 milímetros de chuvas mensais foram solucionados com a irrigação e fertirrigação.

Em meados da década de 1960, com a erradicação do café na região de Ubaíra, Santa Inês, Mutuípe e boa parte do Recôncavo, a Ceplac, de forma corajosa, substituiu muitas dessas áreas com o plantio de cacau. Renovou as esperanças dos produtores rurais em fazendas de apenas terras nuas. Era a ciência rural chegando na hora certa para iniciar, na Bahia, o Brasil do agro vencedor de hoje.

Em tempos atuais, lemos, ouvimos e vemos reportagens sobre a cacauicultura pedindo espaço e ultrapassando novas fronteiras nunca antes imagináveis para receber os pés de cacau. E não são mais aqueles plantados em sementes, na ponta do facão, como faziam os pioneiros das “terras do sem fim”. Nem pensar! Eles utilizam o que de mais modernos saem dos laboratórios: clones altamente produtivos, tolerantes às doenças, com alto teor de gordura conforme manda a engenharia genética.

Na conjuntura atual do cacau não mais nos desesperamos com o preço de manutenção do estoque regulador e os acordos da Organização Internacional do Cacau. A demanda está aquecida e a oferta em déficit, o que faz aumentar o preço. E o cacauicultor brasileiro aproveita para vender o produto a preço mais que justo e investir na lavoura utilizando as mais modernas técnicas do mundo. Ele tem meios de influir na política econômica, exportando e produzindo chocolate para o mercado interno.

Agora, grande parte da produção brasileira tradicional está sob os cuidados de agricultores, filhos e netos dos pioneiros, que deixaram as grandes cidades e capitais para enfrentar o dia a dia na fazenda, na busca de erradicar ou minorar os efeitos devastadores da vassoura de bruxa no capital familiar. Repovoaram a lavoura com material genético adequado e produzem chocolate de qualidade, ao contrário de antes, quando o cacau era uma simples commoditie.

Pesava contra a cacauicultura o espírito empreendedor do cacauicultor sem disposição de ganhar novos mercados com produtos de alta qualidade, embora tivesse coragem de implantar a cacauicultura em todo o Sul da Bahia, numa área compreendendo mais de 100 municípios. E não apenas plantou cacau, implantou uma cultura, a cacaueira, por meio do “visgo do cacau”, e que resistiu a todo o tipo de intempérie, inclusive a vassoura de bruxa.

Infelizmente, o cacauicultor de antes não teve o devido preparo, e dependia da ajuda de mecanismos governamentais para convencer os empresários chocolateiros dos países europeus, extremamente colonialistas, a comparem o cacau brasileiro, de melhor qualidade, do que o africano e asiático. Se os pais não tiveram essa ousadia comercial, seus filhos e netos fazem isso sem qualquer cerimônia, conquistando novos mercados.

Lembro-me de uma reportagem que fiz com um dos grandes produtores e sindicalista da cacauicultura, Weldon Setenta, que ganhou o Brasil e o mundo. Quando perguntei se não teria sido mais viável ao produtor diversificar a produção, ele me deu a seguinte resposta:

– Como produtor rural não posso descuidar ou diminuir os investimentos na produção de cacau em que o mercado me paga US$ 5 mil a tonelada, para produzir outros, vendidos a preços bem menores. O que falta é uma política de governo para a agricultura – revelou.

Essa entrevista foi feita há muitas décadas e agora o preço do cacau em amêndoas dobrou, chegando a US$ 10 mil. Podemos afirmar que o cacau continua sendo uma excelente commoditie, desde que produzido com qualidade, sem falarmos na verticalização da produção, incluindo desde o cacau fino ao produto final, do simples chocolate caseiro aos chocolates especiais que ganham prêmios em todo o mundo.

Se antes dizíamos que os cacauicultores tinham problemas insolúveis, tanto da porteira pra dentro como da porteira pra fora, acredito que esses percalços foram reduzidos e as novas oportunidades aproveitadas. Não é por acaso que o agro brasileiro nada de braçadas e consegue se manter na dianteira da produção brasileira vendida para o nosso consumo e o mundial, alimentando pessoas com produtos de qualidade.

Só posso desejar sucesso aos novos cacauicultores do cerrado aos dos estados nordestinos, inclusive beirando à caatinga pelo espírito inovador; aos da Amazônia, que conseguiram vencer o estigma de cacau de baixa qualidade e hoje são premiados; e aos paulistas da região de Registro, que viram no cacau uma excelente oportunidade em dar ênfase ao cultivo do cacau. Já os do Sul da Bahia nos dão demonstração de que acreditar na ciência é uma atitude inteligente, mesmo que demorem gerações.

O cacau foi, é, e sempre será, o manjar dos deuses!

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Matilde Reymão é Cacau, a protagonista da novela ambientada em Itacaré
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Sucesso de audiência na TV portuguesa, a novela Cacau será exibida em um segundo país europeu. A TVI fechou acordo com a Mediaset, um dos maiores grupos de comunicação, para que a obra vá ao ar no canal Divinity, na Espanha, informou a Delas.

Ambientada em fazendas de cacau de Itacaré, no sul da Bahia, a novela conquistou o público português. A protagonista tem o nome da novela e do fruto que marcará a vida da jovem sonhadora que tem como meta fazer o curso de pastelaria e artes de chocolate.

Por meio de comunicado, a emissora portuguesa se posicionou sobre a transação. “Esta venda para o mercado espanhol representa não apenas um reconhecimento do talento e da qualidade da produção portuguesa, mas também uma oportunidade emocionante de compartilhar a riqueza da cultura televisiva portuguesa com uma audiência internacional ainda mais ampla”.

A bela Itacaré, no sul da Bahia, é uma das locações da novela “Cacau”

ITACARÉ NA VITRINE

O anúncio provocou entusiasmo em Itacaré. O município já colhe frutos da exibição de Cacau na TV portuguesa, com atração de turistas e de negócios do Velho Continente. Há pouco mais de um mês, o secretário de Turismo de Itacaré, Marcos Japu, empresários participou da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), quando prospectou negócios, reuniu-se com parte do elenco da novela Cacau e diretores da TVI (relembre aqui).

Secretário de Turismo de Itacaré, Marcus Japu

Marcos Japu observa que a exibição na Espanha será em canal temático, o Divinity, o que aumenta ainda mais a expectativa para atração de turistas espanhóis para Itacaré. “A cidade já recebe turistas vindos da Espanha. Com a exibição da novela, que é ambientada em nosso município, a perspectiva é de aumento de fluxo vindo daquele país europeu”.

Preço do fruto de ouro bate novo recorde histórico || Reprodução/TV Brasil
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No mercado futuro de Nova York, a tonelada da amêndoa de cacau fechou o dia a US$ 8,553, equivalente a R$ 42.559 na cotação desta quinta-feira (21). Novo recorde da série histórica de quase cinco décadas, o preço é 137% maior que os US$ 3.596 de 21 de setembro de 2023, há exatos seis meses. A matéria-prima do chocolate chegou a ser vendida a US$ 8.643 (confira no gráfico da investing.com, abaixo).

 

Gráfico mostra alta do cacau entre setembro de 2023 e março de 2024 || Fonte investing.com

OFERTA E DEMANDA

Parte da explicação da alta acelerada é o choque de oferta provocado pela queda brusca na produção de países africanos, a exemplo da Costa do Marfim, responsável por abastecer 60% do mercado mundial. Na safra 2022/2023, o país colheu 2,88 milhões de toneladas, um recuo de 36% em comparação com a anterior.

As ultimas três safras globais foram menores do que a demanda global. A última sequência de três anos com déficit da lavoura cacaueira em relação à demanda da indústria processadora de chocolate ocorreu em 1969, informa a AGFeed. A oferta em queda livre estimula uma verdadeira corrida pelo cacau mundo a fora, o que retroalimenta a pressão nos preços.

ELE AVISOU

Dos maiores especialistas do segmento e editor do site Mercado do Cacau, o analista Adilson Reis disse ao PIMENTA que a tendência de alta da commodity é duradoura. Falou isso em 5 de fevereiro passado, quando a tonelada do cacau chegava a US$ 5.121, quebrando recorde de 47 anos (relembre). Se o ritmo atual de valorização se mantiver, o céu é o limite.

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Até o próximo domingo (3), o destino sul da Bahia é das principais atrações da segunda maior feira da indústria de viagem do mundo, a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL). O evento começou ontem (28) com a Costa do Cacau chamando a atenção do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.

O presidente português escolheu o estande da Bahia para dar entrevista coletiva à imprensa nativa e mundial. No papo com os secretários de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar, e de Itacaré, Marcos Japu, o chefe do Executivo do país europeu e sede do evento contou de sua viagem à Bahia antes de chegar ao poder.

O professor e presidente de Portugal fez elogios às belezas naturais de Itacaré, onde esteve na década de 90. Não deixou de degustar um chocolate fino e uma legítima “branquinha” (aguardente) aberta “no dente” pelo secretário Marcos Japu.

A Bahia é representada no evento pela Setur-BA, com divulgação dos destinos turísticos do Estado. As novelas Renascer, na Globo, e Cacau, na TVI de Portugal, completam os motivos do estado e região cacaueira brilharem na BTL. Dos municípios, apenas Itacaré está presente no evento internacional.

Além do secretário municipal de Turismo, Marcos Japu, as empresárias Cida Aquilar, do Conselho de Turismo de Itacaré, e Liane Reis, presidente do Sindicato Patronal de Hotelaria e Alimentação (SPHA), e Patrícia Veras, diretora de Turismo de Itacaré, fazem a divulgação do município e os contatos com empresas e investidores estrangeiros. “Viemos para divulgar e captar negócios. A receptividade é maravilhosa e o interesse pelo destino supera todas as nossas expectativas”, acrescenta Japu.

TELEDRAMATURGIA INSTIGA

Maurício Bacelar, secretário Estadual de Turismo, reforça a condição da Bahia no evento. O destino chama a atenção no evento em um momento em que a novela Cacau, ambientada em Itacaré e exibida pela TVI, lidera a audiência da TV portuguesa na faixa das 21h. “Neste ano, a Bahia vem com ainda mais força por conta da novela [Cacau]. Temos o chocolate associado à novela e às riquezas naturais do estado”, afirmou o secretário em entrevista ao PIMENTA.

A Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) é oportunidade não apenas para atrair turistas, mas investimento do país europeu. “Portugal é dos principais emissores de turistas para o nosso estado. Em paralelo, estamos captando mais investimentos e novos voos para o estado”, diz Maurício Bacelar, reforçando que há frequência diária de voo ligando o país europeu e o estado.

Destino Itacaré divulgado na maior feira da indústria de viagem na Europa

Secretário de Turismo de Itacaré, Marcos Japu vê este como momento ímpar para o sul da Bahia e Itacaré. “Este é o principal evento da indústria de viagem na Europa e as atenções e curiosidades do setor e de turistas de Portugal e do continente se voltam para Itacaré com a mídia espontânea gerada pela novela Cacau”, afirma.

A BTL é visitada, diariamente, por cerca de 30 mil pessoas, média que deverá ser ainda maior a partir desta sexta-feira (1º), quando o evento será aberto ao público. Para aproveitar todo esse fluxo e divulgar o destino sul-baiano, Japu disse que há distribuição de material promocional da cidade, incluindo gráfico e exibição de vídeos. “Fizemos articulação com todo o trade de Itacaré. Não divulgamos apenas nossos materiais, mas também de hotéis e outras empresas do município”.

Material promocional da Bahia e de Itacaré usa apelos espontâneos de mídia

TURISMO BAIANO EM ALTA

Na entrevista ao PIMENTA, Maurício Bacelar comemorou os números conquistados pelo turismo baiano em 2023. “Recebemos 6 milhões de turistas na Bahia em 2023. É a maior movimentação da história. Por nossos aeroportos, passaram 10,3 milhões de passageiros no ano passado”, revelou.

No ano passado, o turismo brasileiro cresceu 6,9%. Quando o recorte é baiano, o crescimento do setor no estado atingiu 11,4%. Na temporada de verão 23/24, Maurício também aponta percentuais importantes. “A ocupação hoteleira em Itacaré, por exemplo, esteve próximo de 100% em todo o verão”, acrescenta.

Cerimônia de premiação em Amsterdã, Holanda, nesta quinta-feira (8) || Foto Divulgação
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O produtor de cacau Luciano Ramos de Lima, que cultiva o fruto em Ilhéus, sul da Bahia, conquistou a medalha de ouro no Cacao of Excellence 2023, o prêmio mais prestigiado do mundo do chocolate. A premiação foi entregue nesta quinta-feira, dia 8 de fevereiro, em Amsterdã, na Holanda.

Além de produtores de outros países, Luciano competiu com os paraenses Miriam Federicci Vieira, que também levou medalha de ouro, e Robson Brogni, que ficou com a prata. Amêndoas baianas já figuraram no topo do ranking outras vezes, como em 2010, 2011 e 2021.

A amêndoa de Luciano, da variedade BN 34, tem sido presença constante em pódios, como na 4ª edição do Concurso Nacional de Qualidade de Cacau, em 2022, quando levou o segundo lugar. Ele cultiva o fruto na Fazenda São Sebastião, seguindo os padrões de excelência que fazem de Ilhéus um polo de produção de cacau de alta qualidade, capaz de gerar chocolates igualmente aclamados pelo público especialista e consumidores em geral.

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Commodity atinge maior preço dos últimos 47 anos, segundo especialista
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A tonelada de cacau é vendida a US$ 5.121 (R$ 25.509,80), nesta segunda-feira (5), em Nova York. Ao PIMENTA, o analista de mercado Adilson Reis, do site Mercado do Cacau, informa que esse é o maior preço da commodity nos últimos 47 anos. Segundo o especialista, o produto está se valorizando no bojo das crises que atingiram a lavoura dos países da África Ocidental, como Costa do Marfim e Gana.

“O continente africano produz, hoje, 72% do cacau consumido no mundo”, destaca. No ano passado, a região sofreu com chuvas torrenciais. Depois, veio a seca do El Nino. Os eventos extremos diminuíram a expectativa de oferta de cacau no mercado futuro e inflacionaram os preços, acrescenta Adilson Reis.

Adilson Reis: preço deve continuar a subir || Imagem Mercado do Cacau

Além disso, a lavoura africana enfrenta uma praga, o vírus do broto inchado, que também dificulta a produção. Ele já se espalhou pelas plantações de Gana e de Costa do Marfim. Os gestores dos grandes fundos de investimento perceberam que o preço do cacau vai continuar em alta e partiram às compras, explica Adilson. Há quem aposte que a tonelada do fruto de ouro beire a casa dos US$ 6 mil.

Nos últimos doze meses, o cacau se valorizou 94% na bolsa de Nova York. Também subiu na Bahia, onde a arroba fechou a R$ 394,00 hoje (5). Adilson recorda que, no século passado, a produção brasileira de cacau já bateu mais de 400 mil toneladas por ano. Já a safra 2021-2022 atingiu 220 mil toneladas.

Luciano disputa o Oscar da produção de cacau || Foto Divulgação
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O cacauicultor Luciano Ramos de Lima, de Ilhéus, no sul da Bahia, é um dos três brasileiros na disputa pelo título do Cacau of Excellence. O vencedor será conhecido em 8 de fevereiro, em Amsterdã, na Holanda. Miriam Aparecida Federrici e Robson Brogni, do Pará, são os outros dois brasileiros que concorrem ao título de melhor cacau do mundo.

Luciano tem grandes chances de vencer, pois sua amêndoa, classificada como varietal BN 34 (considerada uma boa variedade para a produção de chocolate), já foi reconhecida como a segunda melhor do Brasil, na 4ª edição do Concurso Nacional de Qualidade de Cacau, em 2022. Esse prêmio lhe abriu as portas para a competição internacional. Ele é o único representante da Bahia, o estado que é sinônimo de cacau no Brasil.

O baiano cultiva o fruto na Fazenda São Sebastião, seguindo os padrões de excelência que fazem de Ilhéus um polo de produção de cacau de alta qualidade. “Estou muito feliz em participar da competição Cacao of Excellence, pois é o reconhecimento de todo o meu trabalho e dedicação ao cacau. É uma honra representar a Bahia e Ilhéus, a cidade que me ensinou a amar o fruto de ouro. Espero trazer o título de melhor cacau do mundo para o Brasil, e mostrar ao mundo a qualidade e a paixão do nosso fruto”, destaca o cacauicultor.

EXCELÊNCIA

O Cacau de Excelência é um prêmio internacional que reconhece os produtores de cacau de alta qualidade. Para participar, os produtores enviam suas amostras de amêndoas para serem avaliadas por um comitê técnico e um júri de especialistas em cacau e chocolate.

Amêndoas de cacau produzido na Fazenda São Sebastião, de Luciano Ramos de Lima

As amostras são processadas em licor e em chocolate amargo, seguindo uma receita padrão, e analisadas sensorialmente às cegas. As 50 melhores amostras são selecionadas para a final. O objetivo do prêmio é valorizar a diversidade e a qualidade do cacau, e educar os consumidores sobre a origem e o sabor do chocolate.

INOVAÇÃO

Lançado em dezembro de 2023, o Plano Inova Cacau 2030, uma estratégia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da CocoaAction Brasil, iniciativa da Fundação Mundial do Cacau (WCF), com articulação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri).

O Plano traça metas estratégicas que visam não apenas aumentar a eficiência produtiva da cacauicultura brasileira, mas também aumentar a renda dos produtores. Com a ambição de superar a marca de 400 mil toneladas de amêndoas ao ano até 2030, o plano prioriza a promoção do uso sustentável dos recursos naturais nas regiões produtoras, utilizando tecnologias eficientes e de baixo impacto ambiental.

O secretário estadual da Agricultura, Wallison Tum, enfatizou a importância dos projetos para o setor: “Estamos comprometidos em contribuir para a produção de cacau de forma sustentável e inovadora, garantindo a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico. Os planos lançados aqui hoje representam passos significativos para o futuro da agricultura na Bahia”.

"Cacau" consolida audiência da TVI Portugal || Reprodução
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A novela Cacau, que tem grande parte do enredo ambientado em Itacaré, no sul da Bahia, estreou na segunda-feira (15), na TVI, de Portugal, na liderança de audiência no país, com 9,0 de média e 19,5% de share, atingindo cerca de 862 mil espectadores. No segundo episódio, a novela marcou 10,0 de audiência média e 20,9% de share, consolidando a liderança no horário.

O enredo conta a vida de Cacau, uma jovem de 22 anos, bonita, destemida e irreverente. Vive numa fazenda, onde os seus pais, portugueses, Joaquim e Filomena, que começaram ali como caseiros, são as pessoas de confiança do rico proprietário Justino Vaz Pereira, também português, que hoje, envelhecido pela doença, acompanha o negócio de Portugal à distância.

A bela Itacaré, no sul da Bahia, é uma das locações da novela “Cacau”

Cacau trabalha na fábrica de chocolate da propriedade, mas sempre que pode aproveita as suas folgas para se perder no mar paradisíaco de Itacaré, onde adora fazer surf, uma das atrações da cidade sul-baiana. Cacau uma talentosa chocolateira e o seu maior sonho é um dia conseguir um diploma internacional em Pastelaria e Artes de Chocolate. mas acredita não tem recursos para isso, porque desconhece que é uma das herdeiras de Justino.

Secretário de Turismo de Itacaré, Marcus Japu cita impacto de novela, para Itacaré, na Europa

VITRINE

Além de Portugal, a novela, produzida pela Plural Entertainment deve ser exibida em outros países europeus. “Essa nova dará uma grande visibilidade a Itacaré nos principais  mercados emissores de turistas na Europa, já que além existem grande colônias de portugueses na França, Inglaterra, Alemanha e Espanha”, afirma o secretário de Turismo de Itacaré, Marcus Japu.

O secretário diz estar articulando ações conjuntas com a Secretaria de Turismo da Bahia para,” ancorados no sucesso na novela, promovermos uma ampla divulgação da cidade em Portugal e outros países”. Japu faz questão de destacar o apoio do prefeito Antônio de Anízio na consolidação de Itacaré como um dos principais destinos turísticos do Brasil e do Exterior. Do site Cacau&Chocholate.

Marcos Palmeira e Humberto Carrão vão interpretar José Inocêncio no remake || Reprodução TV Globo
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A Rede Globo veiculou o primeiro teaser do remake da novela Renascer. O vídeo foi ao ar na noite desta quarta-feira (20), a cerca de um mês da estreia do folhetim gravado em Ilhéus, no sul da Bahia.

O trabalho de apresentação da obra traz os atores Humberto Carrão e Marcos Palmeira, que vão interpretar o personagem José Inocêncio nas fases jovem e mais adulta. Nas primeiras imagens, Humberto Carrão se depara com um exemplar do Jequitibá-Rei. É a chegada ao solo ilheense e a promessa de ali ‘plantar’ destino e vida.

– Enquanto meu facão estiver encravado aos seus pés, nem eu nem você haveremos de morrer. Nem de morte matada nem de morte morrida – fala um José Inocêncio ainda novo, interpretado por Carrão, em solo fértil para plantação de cacau, e adubado com sangue.

A sequência do teaser de Renascer revela as primeiras imagens com o personagem na fase mais adulta, já sendo interpretado por Marco Palmeira, que, em 1993, na versão original, também foi protagonista, mas como José Pedro, filho de José Inocêncio.

A HISTÓRIA

A novela escrita por Benedito Ruy Barbosa ganha remake comandado pelo seu neto, Bruno Luperi. Ambientada em Ilhéus, Renascer narrou a saga de José Inocêncio, produtor rural de relação conflituosa com o filho João Pedro. A esposa de Zé Inocêncio morre ao dar à luz João Pedro, o caçula do casal. O que era relação conflituosa se torna ódio, quando o filho começa a namorar Mariana e por ela o patriarca da família se apaixona.

Assim como na versão original, o remake terá atores sul-baianos, a exemplo do ilheense Fábio Lago, dos maiores artistas do audiovisual dos últimos 30 anos na região. Na trama, nomes como Juliana Paes, Juan Paiva, Duda Santos, Antonio Calloni, Jackson Antunes, Chico Diaz e Maria Fernanda Cândido integram o elenco principal.

Confira o teaser completo.

Cacau, da amêndoa ao chocolate || Foto Águido Ferreira/Ceplac
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Os tempos mudaram e a cacauicultura não sobrevive mais do choro por preços melhores nos mercados interno e internacional, tampouco de financiamentos subsidiados e dívidas perdoadas.

 

 

Walmir Rosário

Por muitos e longos anos o cacau produzido na Amazônia era visto como de qualidade inferior. E realmente foi. Mas essa realidade faz parte do passado e a cada dia a lavoura cacaueira amazonense nos surpreende, principalmente nos estados do Pará e Rondônia. E o chocolate produzido lá pelas bandas do norte brasileiro vem ganhando prêmios e mais prêmios nos eventos internacionais.

E essa mudança não surpreende os que veem a cacauicultura brasileira com um olho no padre e outro na missa, como se diz. É verdade que ainda existe aquele cacau nativo e de qualidade inferior, cercado de vassoura de bruxa por todos os lados, mas estamos falando das novas plantações, incentivadas pela Ceplac e tão combatida pelos cacauicultores do Sul da Bahia.

Pra começo de conversa, o pé de cacau plantado na ponta do facão hoje só pode ser visto nos livros do conterrâneo Jorge Amado e essa nova cultura é cercada de conhecimento científico. A genética foi revirada pelo avesso, a clonagem é o assunto do momento, a produtividade é a marca a ser batida. Porém, a qualidade do produto final, o chocolate, é a galinha dos ovos de ouro dos bons produtores.

Quem é do negócio chocolate não se surpreendeu quando a revista Forbes estampou que Rondônia produz o melhor e mais espetacular cacau especial do Brasil. E o anúncio foi feito justamente em Ilhéus, por ocasião do Concurso Nacional de Cacau Especial do Brasil – Sustentabilidade e Qualidade, nesta sexta-feira (24). Na terra do maior concorrente.

Um dos prêmios foi concedido ao produtor Robson Tomaz de Castro Calandrelli, do sítio Três Irmãos, no município de Nova União, em Rondônia, vencedor na categoria mistura. Já na categoria varietal (única variedade genética de cacau), o vencedor foi Deoclides Pires da Silva, da Chácara Tiengo, em Jaru, em Rondônia, cuja lavoura foi implantada pelos seus pais em 1970.

Outros produtores de Rondônia e do Pará também foram premiados. Da Bahia, especificamente, Ilhéus, subiu ao pódio, como disse a Forbes, a produtora Marina Paraíso. Ao que parece, na cacauicultura, o sol já nasce para todos, desde que o produtor busque o seu lugar com os conhecimentos científicos disponíveis e os que ainda estão por vir.

Não encaro esse concurso como uma derrota dos cacauicultores baianos, mas como um alerta de que não basta cair, anualmente, cerca de mil e quinhentos milímetros de chuvas bem distribuídas; a sombra da Mata Atlântica; os solos excepcionais do Sul da Bahia; a melhor fermentação e os notáveis barcaceiros. Há anos o cacau está sendo produzido a pleno sol, com irrigação e o conhecimento dos produtores do cerrado, tudo isso sem os inimigos naturais.

Além da pretendida alta produtividade, como chegar a mil arrobas por hectare, é preciso que o cacauicultor tenha em vista produzir cacau de qualidade, como muitos vêm fazendo com “os cacaus finos” no sul da Bahia. Para o cacauicultor, a premiação não é um afago ao ego, mas o consequente sobrepreço no seu produto, em amêndoas ou em chocolate pronto. Mais dinheiro no bolso.

Por se tratar a cacauicultura iniciativa privada, sem gozar das antigos benesses dos subsídios governamentais, poderemos assistir a uma disputa mais acirrada no próximo ano. E garanto que será páreo cada vez mais duríssimo com a entrada do cacau do cerrado. Essa competição nos mostra, ainda, a especialização dos produtores de cacau in natura (amêndoas) e em produto final, o chocolate.

Não poderia deixar de dar um testemunho sobre a melhoria da qualidade da cacauicultura da Amazônia, desde os anos 1990, quando assistimos aos mais diversos experimentos. E eles sempre visavam um produto de qualidade e mais dinheiro na sua conta bancária, a exemplo do sombreamento de cacaueiros com mogno e outras espécies de madeira de lei. Um consórcio que unia o útil ao agradável.

E registramos esse incremento da cacauicultura nos estados de Rondônia e no Pará, especialmente às margens da rodovia Transamazônica, locais que estão recebendo os “louros” pelo excelente tipo de investimento e administração. E mais, os cacauicultores da Amazônia, de cerca de 40 anos pra cá, somente foram conhecer o cacau assim que chegaram do sul do país à Amazônia.

Lembro-me, que nesta época, os bancos do sul da Bahia queriam distância dos produtores de cacau, enquanto os da Amazônia visitavam os cacauicultores com tentadoras propostas de financiamento à lavoura. As agências bancárias disputavam as exposições da Ceplac como forma de atrair os agricultores, o que chamou a nossa atenção (eu, que editava a revista Ceplac, um bom caminho, o jornalista Odilon Pinto, e o fotógrafo Águido Ferreira).

O certo é que os tempos mudaram e a cacauicultura não sobrevive mais do choro por preços melhores nos mercados interno e internacional, tampouco de financiamentos subsidiados e dívidas perdoadas. A realidade atual é oferecer ao exigente mercado cacau em amêndoas e/ou chocolate de qualidade superior. Quem oferece o melhor produto recebe, em troca, preços especiais.

São as leis do mercado.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e autor d´Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Concurso elege a melhor amêndoa do Brasil || Foto Ana Lee/Divulgação
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Lívia Cabral

A quinta edição do Concurso Nacional de Cacau Especial do Brasil – Sustentabilidade e Qualidade registrou número recorde de inscrições. Foram 98 amostras oriundas de seis estados, sendo o Amazonas e o Tocantins estreantes na disputa pelo título de melhor amêndoa de cacau do país.

Após a primeira fase de avaliação, 20 amostras foram classificadas para as etapas finais da competição. Agora, produtores dos estados do Pará, Bahia e Rondônia buscam a colocação nas categorias varietal (uma única variedade genética de cacau) e mistura (blend de variedades).

O Concurso Nacional de Cacau Especial tem o objetivo de incentivar a melhoria da qualidade e da sustentabilidade na produção de cacau no Brasil, divulgando o fruto a partir dos chocolates especiais e promovendo este segmento junto ao consumidor. Os prêmios desta edição somam R$ 60 mil. O montante será dividido entre primeiro, segundo e terceiro colocados nas duas categorias.

A participação dos estados do Amazonas e do Tocantins nas inscrições deste ano permitiram que o setor tivesse um recorte mais amplo sobre o perfil de qualidade de cacau entre os produtores brasileiros. “Quanto mais estados aderirem ao projeto do Concurso Nacional, mais a gente consegue contribuir com a pauta de colocar o Brasil como referência internacional de cacau de qualidade”, destaca Cristiano Villela.

Cristiano é diretor científico do Centro de Inovação do Cacau (CIC), entidade organizadora do evento, juntamente com a Ceplac, a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) e a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab).

Graças ao arranjo entre CIC e Ceplac na elaboração do Concurso Nacional, este ano três cacauicultores brasileiros figuram entre as 50 melhores amêndoas de cacau do mundo. Os vencedores nacionais da edição nacional passada foram automaticamente classificados para disputar o título de melhor cacau do mundo no Cacao of Excellence Awards, a mais prestigiada competição global de cacau.

Representando o Brasil, Luciano Ramos de Lima, de Ilhéus-BA, Miriam Aparecida Federrici Vieira e Robson Brogni, de Medicilândia-PA, concorrem agora ao prêmio máximo. Os vencedores do certame internacional serão conhecidos em Amsterdã, durante cerimônia que acontecerá em fevereiro no evento Chocoa 2024, na capital holandesa.

“Pelo segundo ano consecutivo conseguimos emplacar três brasileiros entre os finalistas mundiais. Isso mostra a importância do Concurso Nacional de Cacau Especial, ressalta a relevância do nosso trabalho, ao mesmo tempo que impulsiona aprimoramentos na qualidade do cacau brasileiro, elevando o Brasil ao patamar internacional como um produtor de cacau de qualidade superior”, analisa Cristiano.

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Preço do cacau registra nova alta || Foto Agência Brasil
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A cotação do cacau segue em disparada. A tonelada chegou, nesta sexta-feira (10), a 3.529 libras no mercado de Londres. Ontem (9), fechou o dia a 3.484 libras, valor mais alto desde o início da negociação de futuros da commodity, em 1920.

A expectativa é de que novo recorde seja estabelecido no fechamento de hoje. As compras mantêm a trajetória de alta intensificada em julho de 2023, como é possível verificar na tabela do site Br.Investing.

Trajetória do preço do cacau em Londres || Fonte Br.investing.com

O mercado interno também está aquecido. Nas praças de Ilhéus e Itabuna, a arroba do cacau chegou a ser vendida a R$ 300,00 no final de outubro, maior preço do ano (relembre).

DEMANDA GLOBAL

O engenheiro agrônomo Thiago Guedes, diretor da Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri), informa que o aumento do valor do cacau, em 2023, se deve ao crescente apetite da indústria de chocolate em escala global. Segundo ele, o setor prevê mercados aquecidos em busca dos derivados da amêndoa. Outro fator de pressão, explica, vem das safras menores na África Ocidental.

A cultura cacaueira ocupa mais de 430 mil hectares no sul da Bahia, sendo cerca de 60% cultivada no sistema Cabruca, que preserva as maiores árvores da Mata Atlântica. O segmento respondeu, em 2021, por 5% (R$ 1,8 bilhão) do Valor Bruto da Produção (VBP) das lavouras da Bahia. De acordo com a Seagri, o estado abriga cerca de 72.000 estabelecimentos produtores, com 70% de propriedades da agricultura familiar.