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Mesmo não valorizado e devidamente protegido, o patrimônio histórico e cultural da cidade é vasto.

 

Efson Lima | efsonlima@gmail.com

O município de Ilhéus será reconhecido, em breve, como a Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate. No Congresso Nacional tramita o Projeto de Lei nº 4.402/2023, de autoria da deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA). Na Câmara Federal, o projeto recebeu parecer favorável do deputado Bacelar e, no Senado Federal, o senador Ângelo Coronel, relator da matéria, destacou a experiência da economia solidária, arranjo de agricultores familiares em torno da fábrica–escola Chocosol, implantada pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia na Uesc.

Na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, no Senado Federal, houve aprovação à unanimidade do projeto, e o prazo para recurso encerrou em 19/11/25, não havendo objeção de senadores. Agora, segue para a sanção presidencial. Portanto, a cidade de Ilhéus será contemplada com o título.

Não se pode negar que a existência de uma Rota do Cacau e do Chocolate permitiu a concessão do título a Ilhéus, mas o próprio nome evidencia que é uma estratégia coletiva da região que muito poderá favorecer a consolidação do turismo, especialmente, ao longo da BA 262 – “Estrada do Chocolate”, que liga Ilhéus a Uruçuca, uma rodovia que possui diversas fazendas de cacau e ainda parte de mata atlântica exuberante. Essas fazendas têm aberto suas porteiras para receberem turistas e visitantes.

Elas evidenciam o passado, mas também sinalizam para a produção de chocolate crescente na região, inclusive, reunindo mais de cem pequenas unidades produtivas e alcançando diversos municípios. Sendo assim, o Título de Capital da Rota do Cacau e do Chocolate põe em relevo a trajetória exitosa de uma rede de pessoas, empresas e instituições que enxergaram no cacau e nos seus derivados, como o chocolate de origem, um caminho criativo, sustentável e transformador para toda a Região, que durante anos produz e cada vez com mais profissionalismo e expertise, conforme aponta Alderacy Pereira da Silva Júnior, jornalista e filho do proprietário da Fazenda Esperança.

A concessão desse título impõe à necessidade de colocar em pleno funcionamento o Museu do Cacau, no centro de Ilhéus. Nele se fazem imprescindíveis investimentos dos governos estadual e federal para que o equipamento possa servir de atração turística e ser um espaço de estudo e valorização da identidade regional.

Ainda na “Estrada do Chocolate” se encontra- a Biofábrica de Cacau, que é símbolo de revitalização da lavoura do cacau, servindo de produção de mudas resistentes ao fungo da vassoura de bruxa. Por sinal, foi a primeira experiência no mundo voltada para a produção contínua e em larga escala de clones de cacaueiros. O Festival de Chocolate promovido anualmente na Princesa do Sul, no mês de julho, também se tornou um atrativo importante. Espera-se também um museu do chocolate que muito colaborará para o ecossistema turístico da região.

A Praça do Cacau, no bairro Cidade Nova, em Ilhéus, inclusive, tem uma plantação de cacau, precisa urgentemente ser recuperada. Quiçá, reproduzir nela, em miniatura, uma fazenda de cacau, como anteriormente havia e para onde diversos turistas eram levados pelas agências de viagens. Não se pode também deixar de citar as fazendas às margens da BR–415, inclusive, com a Uesc e a Ceplac. Essa última, como luta para sobreviver, poderia ser um espaço de constante visitação. Afinal, já foi um dos espaços de referência para a lavoura do cacau.

Ilhéus, internacionalmente, é conhecida como a cidade do cacau, cuja fama foi alargada e projetada pela vasta produção literária de Jorge Amado, que colaborou para internacionalizar o modo de produção da lavoura do cacau, o cultivo, as lutas pelas ocupações das terras e o progresso do sul da Bahia, especialmente, da Princesinha do Sul. Mesmo não valorizado e devidamente protegido, o patrimônio histórico e cultural da cidade é vasto, é possível visitar estruturas coloniais, como a Igreja Matriz de São Jorge, a Capela de Santana no Rio do Engenho e a Igreja de Nossa Senhora da Escada em Olivença. A cidade foi abençoada pela natureza: rios, praias e matas.

É importante destacar a luta do povo Tupinambá pela demarcação, que fez aparecer nos livros de história essa comunidade remanescente de povos originários, cujos apagamentos foram por diversas vezes tentados contra eles. Somam-se ainda comunidades quilombolas e terreiros de candomblé, respectivamente, Morro do Miriqui e o Matamba Tombeci Neto, de 1885; ou o abandonado Terreiro de Odé, no alto do Basílio, que possui quase dois hectares de mata no meio urbano. Então, Ilhéus tem uma vasto conjunto de elementos que podem ser explorados turisticamente, sem perder de vista a sustentabilidade e o respeito aos moradores.

Tudo isso permite reconhecer a cidade de Ilhéus, que, ao longo do século XX, foi a maior produtora de cacau do Brasil. Talvez, somente agora, esteja atenta para o que defendeu Milton Santos, no seu livro “Zona do Cacau”, em 1957: “A Bahia ainda não soube compreender a riqueza que tem e como poderia multiplicá-la, se convenientemente explorada.”

A Zona do Cacau respondia por mais da metade das receitas do Estado da Bahia e foi uma região agroexportadora, entretanto, a partir de 1995, precisou importar amêndoas de cacau para subsidiar a produção industrial local, e o Porto do Malhado se tornou um canal de importação. Infelizmente, a lavoura foi atacada pelo fungo da vassoura de bruxa, impactando negativamente no cultivo de cacau.

Efson Lima é doutor em Direito pela UFBA e membro da Academia de Letras de Ilhéus e da Academia Grapiúna de Artes e Letras.

Retirada das taxas foi negociada entre os governos brasileiro e Norte-Americano || Foto Ricardo Stuckert/PR
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Os Estados Unidos anunciaram, nesta quinta-feira (21), a retirada da tarifa extra de 40% de mais de 200 produtos brasileiros. Dentre os itens livres do tarifaço de Donald Trump estão na lista carne bovina, café, açaí, cacau, tomate, coco, castanha de caju, mate, pimenta, canela, baunilha, cravo e noz-moscada.

De acordo com documento assinado pelo governo Norte-Americano, a decisão anunciada hoje é válida para produtos que entraram nos Estados Unidos a partir de 13 de novembro. Esta foi a data da reunião entre o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que negociaram a retirada das tarifas extras.

Ao anunciar a decisão, Donald Trump destacou a conversa que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início de outubro. Trump escreveu que a retirada das tarifas é consequência das negociações entre o governo brasileiro e o norte-americano.

“Em 6 de outubro de 2025, participei de uma conversa telefônica com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as preocupações identificadas no Decreto Executivo 14323. Essas negociações estão em andamento”.

O Estados Unidos divulgaram, em um anexo, a lista de produtos que deixam de ser afetados pela alíquota de 40%. “Especificamente, determinei que certos produtos agrícolas não estarão sujeitos à alíquota adicional de imposto ad valorem imposta pelo Decreto Executivo 14.323”.

Cláudia Sá se emociona durante premiação da etapa nacional do concurso || Foto Carlos Borges
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Pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil garantiu presença de três produtores de cacau na lista dos 50 melhores do mundo na principal competição global de qualidade da amêndoa. Os finalistas foram escolhidos entre 191 amostras de 45 origens diferentes, reconhecidas pela excelência e complexidade de sabores. O anúncio ocorreu na noite da última segunda-feira (22) pelo Cacao of Excellence (CoEx),

As amêndoas brasileiras classificadas no CoEx 2025 têm origem direta da 6ª edição do Concurso Nacional de Cacau Especial, em 2024, que selecionou as nove amostras enviadas à etapa internacional. Dessas, três conquistaram espaço entre as 50 melhores do planeta e agora concorrem a medalhas de ouro, prata e bronze no 10º Prêmio Cacao of Excellence, que será entregue em fevereiro de 2026, em Amsterdã (Holanda).

“GRANDE FELICIDADE”

Entre os finalistas está um blend de cacau produzido em Itacaré, no sul da Bahia, por Cláudia Sá, campeã da categoria Mistura do concurso nacional.  “Estar entre os 50 melhores do mundo é uma honra e uma grande felicidade para mim e para minha equipe. Essa conquista, fruto do blend vencedor do concurso nacional, mostra que o Brasil produz cacau de qualidade e tem potencial para se tornar referência mundial”, celebra Cláudia.

A produtora entra na lista do CoEx com uma mistura composta principalmente com a variedade PS1319, que a produtora carinhosamente chama de Encantada. “Sonho com o dia em que o cacau brasileiro será o mais desejado do mundo, pela qualidade e pela responsabilidade social e ambiental”.

Os outros dois selecionados são do Pará, estado que rivaliza com a Bahia no posto de maiores produtores de cacau do Brasil. Avançaram um blend cultivado por Gilmar Batista de Souza, de Uruará, e uma amêndoa da variedade Alvorada01 do agricultor Leomar Silva Vieira, de Medicilândia, região reconhecida pela tradição no cacau amazônico.

DIVERSIDADE E EXCELÊNCIA

Para Adriana Reis, especialista em análise sensorial e gerente de qualidade do Centro de Inovação do Cacau (CIC), na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus (BA), a seleção brasileira consolida a posição estratégica do país no cenário internacional.

“O CoEx reconhece a diversidade, dedicação e excelência que transformam o cacau em uma joia rara. É uma vitrine mundial para o produtor que domina cada etapa – do cultivo ao beneficiamento – e entrega amêndoas de altíssima qualidade.”

Confira aqui a lista completa dos 50 produtores das melhores amêndoas de cacau do mundo.

CONCURSO NACIONAL

O Concurso Nacional de Cacau Especial – Qualidade e Sustentabilidade é promovido anualmente e já se tornou o maior certame de qualidade de cacau do país. A cada dois anos, o evento integra o Comitê de Organizadores Nacionais e funciona como etapa classificatória para o Cacao of Excellence. Em 2025, a disputa chega à sua 7ª edição, reunindo 108 amostras de cinco estados brasileiros: Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Pará e Rondônia.

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Diretor-presidente da Biofábrica, Valdemir fala do Cacau Sul e da nova fase do Instituto || Foto Divulgação
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O Instituto Biofábrica da Bahia promoverá o seu primeiro grande evento, o Cacau Sul 26, programado para o período de 5 a 7 de março de 2026. De acordo com o diretor-presidente do Instituto, Valdemir José, “Val”, o objetivo é fortalecer a cadeia produtiva do cacau.

– Nós estamos vivendo uma fase de verdadeira transformação na Biofábrica, com reformas estruturais nas nossas dependências físicas, as capacitações técnicas para o público externo, a ampliação de projetos de melhorias internas, e agora lançamos o nosso primeiro grande evento, o Cacau Sul 26, que chega para fortalecer a cadeia produtiva do cacau do sul da Bahia – afirmou Val.

O evento contará com mesas redondas de discussões sobre a cacauicultora, especialmente sobre o sistema de produção cacau cabruca, que corresponde a 60% da área de cacau da Bahia. Também haverá visitas técnicas e feira agrícola, ambiente pensado para networking.

O Cacau Sul 2026 é promovido pela Biofábrica Bahia e Cappacitah, com produção da Manu Berbert Produções. Todas as informações sobre o evento serão disponibilizadas no instagram oficial do evento, instagram.com/cacausul26.

Plataforma online, Escola do Cacau oferta cursos de capacitação || Reprodução
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A interpretação de análises de solo e a recomendação de adubação como ferramentas para o aumento da produtividade e da rentabilidade no cultivo do cacau são o foco do primeiro curso oferecido pela Escola do Cacau, nova plataforma online de educação profissional desenvolvida pelo Centro de Inovação do Cacau (CIC). A iniciativa tem como objetivo fortalecer a base de conhecimento técnico da cadeia produtiva cacaueira.

A Escola do Cacau foi lançada oficialmente durante a ExpoCacau, maior feira agrícola e de negócios do setor, que se encerra hoje (28) em Ilhéus, no sul-baiano. Voltada a produtores rurais, técnicos agrícolas, agrônomos e demais interessados, a plataforma estreia com um curso ministrado pelo engenheiro agrônomo Edson França, mestre em Produção Vegetal e consultor do Sebrae e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). O conteúdo está sendo disponibilizado com valor promocional de lançamento.

Os cursos terão de seis a oito horas de carga horária e permanecerão disponíveis em formato gravado, permitindo acesso remoto a qualquer momento. Em breve, a Escola do Cacau ampliará sua grade com temas como

  • Manejo integrado de pragas do cacaueiro;
  • Produção de cacau em sistemas orgânicos e outros aspectos técnicos e de qualidade ligados à produção de cacau e chocolate.

As inscrições e demais informações podem ser acessadas pelo site www.escoladocacau.com.

O CENTRO DE INOVAÇÃO

Reconhecido como uma das principais referências em pesquisa e desenvolvimento da cadeia cacaueira no Brasil e no mundo, o CIC foi inaugurado em 2017 no campus da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus (BA). A instituição atua na difusão de conhecimento, na realização de análises laboratoriais e na promoção de tecnologias que visam aprimorar a qualidade e a sustentabilidade da cacauicultura brasileira.

O Centro de Inovação do Cacau integra o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul) e tem como missão gerar e disseminar conhecimento voltado à excelência na produção de cacau e chocolate.

A Bahia pode registrar queda de R$ 1,8 bilhão nas exportações com tarifaço dos EUA || Foto Jean Vagner/SEI
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A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) divulgou, nesta segunda-feira (14), nota técnica com análise sobre os possíveis impactos para a economia baiana com a nova tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Anunciada pelo presidente Donald Trump, com vigência a partir do próximo dia 1º de agosto, a medida representará um desafio significativo. A equipe de economistas da SEI sinaliza que a imposição da tarifa tornará as exportações baianas menos competitivas no mercado norte-americano, levando a uma redução no volume exportado e, consequentemente, na produção e na geração de emprego e renda.

A SEI estima uma queda de U$ 643,5 milhões (redução de 5,4%) no volume total de exportações da Bahia – o total exportado em 2024 foi U$ 11,9 bilhões. Considerando não haver compensação com outros mercados internacionais, a queda impactaria a cadeia dos setores exportadores, tendo como resultado a redução no Produto Interno Bruto (PIB) do estado da ordem de R$ 1,8 bilhão (-0,38% do PIB baiano).

o diretor de Indicadores e Estatística da SEI, Armando Castro, afirma que a Bahia possui uma pauta comercial diversificada com os Estados Unidos, que figura como um dos principais destinos de suas exportações, atingindo 8,3% do total comercializado internacionalmente pelo estado no primeiro semestre de 2025.

A CHINA É O MAIOR PARCEIRO COMERCIAL

A Bahia tem a China como principal parceiro comercial desde 2012, mas os Estados Unidos ocupam a importante terceira posição. Em 2024, a China representou 28,2% das vendas externas do estado, enquanto no primeiro semestre de 2025 esse percentual foi de 23,6%. Já os EUA responderam com 7,4% do destino total das exportações baianas em 2024 e com 8,3% no primeiro semestre de 2025.

Os principais setores exportadores para os Estados Unidos são: Papel e Celulose com 25,3% de participação, Químicos e Petroquímicos com 23,5%, Borracha e suas Obras (inclui pneus) com 11,8%, Metalúrgicos com 8,2%, Frutas com 8,1%, Cacau e derivados com 7,1% e Petróleo com 5%. Estes segmentos respondem juntos por 89% das exportações da Bahia para os EUA.

O aumento dos preços impostos pela nova tarifação reduzirá, na média, em 13,2% as exportações dos produtos básicos e em 85,7% as exportações dos produtos industrializados. Considerando os valores das exportações no ano de 2024, o impacto da tarifação seria de uma redução de US$ 643,5 milhões nas exportações baianas para os EUA, sendo de US$ 20,3 milhões nas exportações de produtos básicos e de U$ 623,2 milhões nas exportações de produtos industrializados.

CELULOSE

Em 2024, a Bahia exportou US$ 223,2 milhões no segmento papel e celulose para os EUA, o setor mais importante da pauta estadual, respondendo por 25,3% de participação no total vendido pelo estado ao País Norte-Americano. As perdas estimadas para as exportações do setor no primeiro ano, a contar de 1º de agosto de 2025, chegariam a cerca de US$ 191 milhões.

Em segundo lugar, o setor com maiores perdas seria o de produtos químicos/petroquímicos, com US$ 177 milhões. Em seguida, aparece o setor de borracha, representado majoritariamente pelo setor de pneumáticos, com perdas estimadas em US$ 89,3 milhões.

Há outros setores com estimativa de perdas expressivas como o de alimentos, representado pelos segmentos de derivados de cacau, café e frutas, com perdas que chegariam a US$ 77,5 milhões, considerando as vendas de US$ 156 milhões no ano passado. Seguem-se os setores metalúrgico, com perdas de US$ 62,2 milhões, e o têxtil, com perdas de US$ 18,4 milhões.

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Da próxima segunda-feira (7) até 18 de abril, 50 jovens angolanos participarão de um treinamento especializado na cadeia produtiva do cacau em Ilhéus, no sul da Bahia. A capacitação faz parte do Youth Technical Training Program, numa tradução livre Programa de Treinamento Técnico para Jovens (YTTP), numa iniciativa do Instituto Brasil África (IBRAF) para fortalecimento de competências técnicas de jovens africanos.

A iniciativa oferece abordagem integrada de conhecimento técnico e vivência em campo para qualificar os participantes na modernização da cadeia produtiva do cacau em Angola. O curso inclui módulos sobre produção de viveiros de mudas de cacau, poda de cacaueiros, tecnologia e inovação no cultivo, manejo de pragas e doenças, processos de clonagem, entre outros temas. As atividades ocorrerão nas instalações do Instituto de Fomento e Desenvolvimento Agro-Sócio-Ambiental da Bahia (Biofábrica da Bahia) e na Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).

“O YTTP adota estratégias de formação profissional adaptadas às necessidades dos países africanos. Ao aproveitar a expertise brasileira em setores estratégicos, garantimos que os participantes adquiram não apenas conhecimento técnico, mas também habilidades práticas que geram impacto real em suas comunidades”, ressalta João Bosco Monte, fundador e presidente do Ibraf.

A iniciativa reforça o compromisso da instituição com o desenvolvimento sustentável por meio da capacitação, proporcionando aos jovens as ferramentas necessárias para transformar as economias locais.

Para avançar na implementação da primeira turma de 2025, o presidente do IBRAF esteve em Luanda, Angola, onde se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Teté António, e o ministro da Agricultura e Florestas, Isaac Francisco Maria dos Anjos, em janeiro. Os encontros tiveram como objetivo alinhar a estruturação do programa e garantir que a iniciativa esteja em sintonia com as estratégias de desenvolvimento agrícola do país.

O ministro Teté António destacou a importância da capacitação para os objetivos agrícolas de longo prazo de Angola, ressaltando o papel das parcerias internacionais na promoção do desenvolvimento sustentável. “Este projeto está alinhado com a estratégia do governo angolano para garantir segurança alimentar e soberania, ao mesmo tempo que atende a demandas mais amplas de desenvolvimento por meio da agricultura.”

O cacau encerrou 2024 como a commodity mais valorizada do ano, atingindo um preço recorde de US$ 12.646,00 por tonelada, na Bolsa de Nova York, um aumento anual de aproximadamente 300%. Países africanos, especialmente da costa ocidental do continente, lideram a produção mundial, e Angola tem grande potencial para expandir sua participação no mercado internacional.

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O oeste da Bahia, por exemplo, uma região já super desenvolvida economicamente, segue buscando inovar, evoluir em plantios e colheitas, numa tentativa acirrada de protagonismo, e a pergunta que me faço é: a quem interessa o ostracismo do cacau do sul da Bahia?

 

Manu Berbert

Após um longo período dedicado à gestão de comunicação na área de saúde e, na sequência, dedicada a eventos privados, voltei à minha profissão e caí de paraquedas (ou não) na gestão de comunicação e eventos na área de agricultura, agricultura familiar e, claro, do cacau. Já tinha participado, lá atrás, de alguns projetos, mas confesso que não com o olhar e a vontade de hoje. E, talvez, seja esta maturidade que esteja me fazendo enxergar tudo com outros olhos…

Há um ano venho participando de missões técnicas e, assim, escutando discussões de todos os tipos sobre o cacau, as novas e inúmeras fábricas de chocolate daqui, o desenvolvimento do trade turístico etc. Existem muitas coisas boas acontecendo, especialmente com a demanda altíssima do fruto, mas, ao mesmo tempo, há um silêncio ensurdecedor pairando no ar da nossa região.

Na última semana, por exemplo, o Instituto Federal Baiano (IF Baiano), campus Uruçuca, comemorou o Dia do Cacau com uma mesa riquíssima de discussões. Não vi deputados estaduais da região por lá, como nenhum outro gestor municipal. Procurei nas redes e não encontrei nada além de cards marcando a data.

O que vivencio hoje, circulando neste universo, me dá a sensação de que o mundo está de olho nas nossas novas formas de fazer vindo estudar, aprender, copiar, mas a nossa região segue com os olhos vendados, sem se apropriar de fato deste sentimento de pertencimento.

O oeste da Bahia, por exemplo, uma região já super desenvolvida economicamente, segue buscando inovar, evoluir em plantios e colheitas, numa tentativa acirrada de protagonismo, e a pergunta que me faço é: a quem interessa o ostracismo do cacau do sul da Bahia?

Manu Berbert é publicitária.

Fundo prevê investimento de R$ 1 bilhão na cacauicultura até 2030 || Foto CAR/Divulgação
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Auxiliar no desenvolvimento de um ecossistema de agricultura familiar e regenerativa da cultura do cacau é o objetivo do Kawá, fundo de investimento voltado para pequenas propriedades do país. A iniciativa, lançada esta semana, pretende levantar R$ 1 bilhão até 2030 para investir em projetos ligados à cadeia produtiva da fruta na Bahia e no Pará.

O projeto é uma parceria do Instituto Arapyaú, organização voltada para desenvolvimento justo, inclusivo e de baixo carbono do país, e da ONG Tabôa Fortalecimento Comunitário, que atua para fomentar acesso a recursos financeiros e estímulo à cooperação, para projetos de sustentabilidade e justiça socioambiental.

Para o gerente de bioeconomia do Instituto Arapyaú, Vinicius Ahmar, o projeto vai contribuir para melhorar as condições de vida de pequenos produtores, de baixa renda e com baixa produtividade na produção.

“Com o Kawá, queremos ampliar a escala de impactos econômicos, sociais e ambientais positivos, atraindo investidores de maior porte para destravar modelos produtivos que façam uso sustentável do solo e gerem renda para quem mais precisa e quem conserva a floresta”, disse.

Diversas organizações integram a iniciativa que pretende beneficiar, na primeira fase, 1,2 mil agricultores dos dois estados, com cerca de R$ 30 milhões.

O nome Kawá faz referência à forma como o cacau era chamado nas civilizações pré-colombianas, quando era conhecido como kakawa. A iniciativa mescla recursos concessionais e filantrópicos com capital público e privado.

O Kawá é classificado como um Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro). A metodologia de concessão de crédito é mais simplificada e acessível.

Ao receber o crédito, o produtor tem até 45 dias para realizar o investimento. Após esse período, são 36 meses de prazo para pagá-lo, com uma média de seis meses de carência.

Os recursos têm como destino o custeio da adubação, irrigação, mão de obra, compra de equipamento e adensamento com mudas.

Além disso, o Kawá prevê a possibilidade de comércio de créditos de carbono de conservação por parte dos produtores. A iniciativa tem ainda parceria da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), que sinalizou a possibilidade da compra do cacau dos produtores beneficiados.

A assistência técnica ficará a cargo Consórcio Intermunicipal do Mosaico das Apas do Baixo Sul da Bahia (Ciapra), da Fundação Solidariedade e da Polímatas Soluções Agrícolas e Ambientais. Da Agência Brasil.

Preço da tonelada do cacau tem queda de mais de 30% em 4 meses || Foto Site Cacau, Chocolate e Turismo
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Depois de atingir cotação recorde de 12.646,00 dólares a tonelada em dezembro do ano passado, o preço do cacau sofreu uma queda de 35% agora em março. Hoje, Quarta-feira de Cinzas (5), o produto fechou a 8.218,00 dólares a tonelada, na Bolsa de Nova York.

A queda ocorre em momento em que especialistas apostavam em alta, principalmente devido a problemas na Costa do Marfim e Gana, como informa o site Cacau Chocolate & Turismo.

Provocada por mudanças climáticas e doenças como a swollen shoot, a produção na África desabou, provocando escassez num mercado em expansão, beneficiando diretamente os agricultores brasileiros, que, durante anos, sofreram com preços que mal cobriam os custos e desestimulavam investimentos na lavoura.

Em março de 2024, a arroba de cacau estava na casa dos R$ 300,00. Já em novembro, cruzou a barreira dos R$ 1.000,00. Nesta Quarta-Feira de Cinzas estava sendo comercializado a R$ 750,00 o certificado tipo 1.

“Especialistas do mercado do cacau entendem que essa queda de preços não irá se sustentar em 2025 e apontam especulação por parte das grandes multinacionais processados, forçando artificialmente a cotação para baixo”, anota o site Cacau e Chocolate.

ECONOMIA

Para a presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), Vanuza Barroso, o Brasil tem condições de assumir o protagonismo na produção de cacau. “Para isso, o apoio do governo é fundamental, seja através de programas de financiamento a juros compatíveis, seja no controle de cacau importado da África, que traz grandes riscos de doenças que não estamos preparados para combater”, afirma Vanuza ao Cacau Chocolate & Turismo.

Especialista em mercado de cacau, Adilson Reis diz que o cacau no sul da Bahia gerou receita de R$ 1,88 bilhão em 2023 com a arroba do produto a R$ 266,24. No ano passado, a receita subiu para R$ 5,5 bilhões. Essa receita pode escalar para R$ 17 bilhões, segundo Adilson, caso a produção alcance 50 arrobas por hectare. Há esforço nesse sentido, como o projeto Cacau 500@ + Sustentável, cita.

Produtores de cacau faturam mais com dólar em alta || Foto Divulgação
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A Bahia registrou, em 2024, crescimento tanto no valor quanto no volume exportado de cacau. No ano passado, o estado exportou 434 milhões de dólares em cacau, um aumento de 119% em relação aos 198 milhões de dólares de 2023. O volume do produto exportado também cresceu, passando de 45,4 mil toneladas em 2023 para 46 mil toneladas em 2024, um aumento de 1,3%, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

O aumento no valor das exportações pode ser atribuído principalmente à alta na cotação do cacau no mercado internacional. Em 2024, o preço da amêndoa atingiu níveis recordes, com um aumento de até 150% em relação ao ano anterior. Esse salto foi impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo a alta demanda global e a redução na oferta devido a problemas climáticos e fitossanitários em importantes regiões produtoras, como na Costa do Marfim ,conforme Secretaria Estadual da Agricultura (Seagri).

A Seagri destacou que a cotação do cacau em 2024 apresentou uma trajetória ascendente, com picos significativos ao longo do ano. Em abril de 2024, por exemplo, o preço do cacau atingiu um recorde de 12.261 dólares por tonelada. Esse cenário favorável contribuiu diretamente para o aumento do valor exportado pela Bahia, consolidando mais a posição do estado como líder no setor.

De acordo com o secretário da Agricultura da Bahia, Wallison Tum, existe um esforço contínuo para fortalecer a cadeia produtiva do cacau. “A Bahia reafirma sua liderança no setor cacaueiro com esses resultados expressivos. Estamos investindo em projetos como o ‘Parceiros da Mata’, a retomada da Câmara Setorial do Cacau e o ‘Inova Cacau’, todos com forte articulação da Seagri, para fomentar ainda mais a produção e a qualidade do nosso cacau”, afirmou Tum.

Arroba do produto passa de R$ 1 mil e atinge cotação histórica em Nova York || Foto Helene Santos/GovCE
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Do PIMENTA

A cotação da tonelada de cacau no Bolsa de Nova York disparou em um ano e aproximou-se, hoje (17), de 200% de alta em espaço de 52 semanas. A tonelada da amêndoa cada vez mais dourada alcançava ali US$ 4.003,00.

Nesta terça-feira (17), ficou pertinho dos US$ 12.000,00 pela primeira vez. Atingiu exatos US$ 11.974,50, segundo dados da consultoria Investing, e fechou a US$ 11.933,00 para contratos com liquidação em 13 de março do próximo ano.

No mercado interno, a arroba era negociada a R$ 1.029,00, na praça de Ilhéus, às 15h30min desta terça-feira, segundo consulta feita pelo PIMENTA à Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri).

ESCALADA

A escalada de preço ocorre devido a um “combo” de escassez do produto e a incidência maior de pragas como podridão, vassoura de bruxa e monilíase no mundo na lavoura cacaueira, aliado à grande demanda da indústria processadora.

Há relatos de produtores com perdas superiores a 40% na Bahia, estado que, por ora, não tem propriedades sob incidência de monilíase, oficialmente.

Em alta, cacau se aproxima de R$ 1 mil a arroba || Foto CAR/Divulgação
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Do PIMENTA

A escassez do cacau no mercado externo levou a nova alta de quase 200% apenas neste ano. A arroba do produto alcançou R$ 963,00 na praça de Ilhéus por volta das 15h30min nesta quarta-feira (27). É alta constante e sucessiva desde a última segunda-feira (25).

O cacau abriu 2024 valendo R$ 327,00 a arroba, de acordo com cruzamento de dados obtidos pelo PIMENTA junto à Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri). Era a cotação da arroba do produto em 2 de janeiro.

A maior alta já registrada ocorreu em julho, quando a arroba do produto disparou até atingir R$ 896,10, conforme registrado pela Pasta. Em outubro, a arroba do cacau escalou de R$ 600,00 a R$ 720,00 e entrou novembro em nova e forte alta, passando a barreira dos R$ 900,00. Agora, aproxima-se de R$ 1.000,00.

BOLSA DE LONDRES

O produto hoje estava sendo negociado a 7.714 libras, a tonelada, na Bolsa de Londres, por volta das 9h30min (horário de Brasília), conforme a Investing.com. Não é o valor mais elevado do ano. Na bolsa londrina, a tonelada chegou a fechar a 10.137 libras em 17 de abril deste ano.

A baixa de estoque nos Estados Unidos é uma das respostas para a alta recente. Claudemir Zafalon, do site especializado Mercado do Cacau, explica:

– Embora os fundamentos apontem para um mercado aquecido, a falta de notícias significativas e a proximidade das férias de fim de ano estão diminuindo a liquidez e o interesse dos investidores. Isso cria um cenário de estabilidade de preços, mas com volumes de negociação reduzidos – informou o articulista, que ainda aponta um rali nas bolsas que vem surpreendendo até os mais experientes analistas do setor.

Fausto Pinheiro escreve sobre a cadeia cacau-chocolate || Foto Daniel Thame
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É um setor que movimenta a economia de forma significativa, com uma dinâmica própria, gerando emprego e renda, contribuindo para a produção conservativa e de alto valor agregado.

 

Fausto Pinheiro

O setor Cacau-Chocolate no Brasil, na atualidade, reúne verdadeiras condições de retomar e firmar-se como referência mundial de desenvolvimento da cadeia produtiva.

O forte espírito empreendedor de seus atores, a existência de diferentes modelos de produção, sejam eles grandes, médios e ou familiares, e a presença de infraestrutura de grande moagem e de transformação de amêndoa em chocolate em associações e iniciativas individuais, demonstram a pujança da cadeia e um dos elementos de força da área.

O franco desenvolvimento do mercado consumidor de cacau-chocolate de qualidade, orgânico, fino ou especial, agregando valor ao produto caracteriza mais um significativo segmento a ser explorado e ampliado.

As condições de clima, solo, desenvolvimento de novas tecnologias através de pesquisas públicas e privadas, plantio em regiões tradicionais e não tradicionais, a exemplo do oeste baiano, São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Tocantins, conferem à cacauicultura nacional potencial de aumento de produtividade e competitividade na produção de matéria-prima e de chocolate.

A geopolítica da produção mundial de cacau nos leva a considerar que os maiores países produtores do mundo, concentrados no continente africano, a exemplo da Costa do Marfim e Nigéria, enfrentam dificuldades nas questões climáticas, no pouco cuidado com o meio ambiente, aspectos sociais com forte impacto sobre a produção e problemas com pragas e doenças. Ainda, com um modelo expansionista com fronteiras limitadas e baixa incorporação de tecnologias e pequena produtividade, que sinaliza um cenário de escassez do produto dessas origens e abre uma grande oportunidade para o Brasil.

Recentes e motivadoras notícias de novos mercados compradores conquistados em mais cinco países do leste Europeu e da Ásia (Rússia, Belarus, Armênia, Cazaquistão e Quirguistão) só aumentam nossas reais oportunidades de crescimento do setor. Os países tradicionalmente conhecidos como consumidores também demonstram disposição e resiliência para o aumento do consumo, apesar da alta recente dos preços. A ampliação também dos produtos derivados de cacau e suas diversas utilizações, tais como maquiagem, hidratantes, gastronomia, medicamentos, além do valor adicionado como alimento promotor de saúde e bem-estar, consolidam novas formas de consumo.

O estado da Bahia detém a liderança nacional na produção de cacau, com 60% do volume produzido no Brasil e adiciona um aumento no volume produzido em amêndoas de qualidade para produção de chocolates finos, já reunindo 100 marcas em fase comercial. Reúne também pujante estrutura científica e tecnológica instalada no que denominamos de Estrada do Conhecimento, dispondo de universidades e centros de pesquisa como Uesc, Ceplac, Centro de Inovação do Cacau (CIC), IFBaiano, Ifba e UFRB, conferindo ao estado protagonismo e liderança para acreditar em novo e continuado modelo de desenvolvimento da cadeia produtiva.

Estes fatores dão sinais ao Brasil e destacam a Bahia em particular junto a outros estados, trazendo estímulo e mostrando que vivenciamos um momento singular e estratégico para dar assistência a tais requerimentos.

É um setor que movimenta a economia de forma significativa, com uma dinâmica própria, gerando emprego e renda, contribuindo para a produção conservativa e de alto valor agregado. Representa faturamento estimado de R$ 24 bilhões e exige atitude proativa dos entes envolvidos na busca contínua de produção de conhecimento e concertação de políticas para o setor, que possam fazer o enfrentamento dos novos desafios em nossos caminhos.

Isto posto, há de se retomar o fôlego, aumentar o investimento público e privado em pesquisa, recuperar o crédito e financiamento para a lavoura (em particular na Bahia), investir no aumento de produtividade, ampliar o diálogo com os setores e entes envolvidos fortalecendo a governança do setor, acreditar que estamos estruturando um modelo viável de desenvolvimento e que caminhamos para um novo ciclo de sucesso. Necessário ser breve na decisão, pois trata-se de uma cadeia geradora de emprego, renda, tecnologias e divisas para os estados produtores de amêndoas e de chocolate, fazendo frente à nova realidade.

Fausto Pinheiro é produtor rural e presidente da Câmara Setorial de Cacau da Bahia.

Preço do cacau registra nova alta || Foto Agência Brasil
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O cacau teve semana de valorização dentro e fora do Brasil. Depois de um período com o preço na casa dos R$ 600,00 a arroba, o produto fechou a semana com valorização de 20%.

Nas praças do sul da Bahia, a arroba estava sendo comercializada a R$ 600,00 no último dia 7. Já na última sexta-feira (11) saltou para R$ 720,00, conforme cruzamento de dados feitos pelo PIMENTA.

Para o produtor, a valorização rende um “extra” de 480,00 por saca na comparação de preços nas datas 7 e 11 de outubro.

Valorização também na Bolsa de Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde o produto registrou quatro altas consecutivas. A tonelada era comercializada a US$ 7.529,00 na quinta. Um dia depois, nova valorização, a US$ 7.806,00 para contratos para dezembro.

Apesar da alta interna e na Bolsa de Nova Iorque, a tendência é de queda mais à frente, com a previsão de safra com maior oferta no mercado internacional, principalmente entre os líderes na produção da amêndoa.