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O prefeito de Itabuna, Capitão Azevedo (DEM), fez um discurso de improviso e, ao final, entregou ao presidente Lula uma carta dos produtores de cacau que pedem a anulação das dívidas das duas primeiras etapas do programa de recuperação da lavoura. A dívida seria de, aproximadamente, R$ 350 milhões. Lula recebeu a carta, mas antes de vir a Itabuna, concedeu entrevista a emissoras de rádio locais e disse que não aceitará a tentativa de “calote” dos produtores. Admite negociar.

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Azevedo, secretários municipais e o deputado Argôlo participaram de reunião com os produtores (foto Pedro Augusto)

Um grupo formado por 14 cacauicultores fez ontem (dia 19) um pedido especial ao prefeito de Itabuna, Capitão Azevedo. Eles querem que o chefe do executivo municipal entregue ao presidente Lula uma carta, relatando os erros cometidos pela Ceplac nas duas primeiras fases do Plano de Recupração da Lavoura Cacaueira.

Como se sabe, o órgão do Ministério da Agricultura recomendou medidas de combate à vassoura-de-bruxa que se reveleram ineficazes. E os cacacuicultores assumiram dívidas para implementar as más providências. Por isso, lutam para que os débitos sejam anulados.

Caberá a Azevedo e ao deputado estadual Luiz Argôlo, que também entrou na roda, passar a carta às mãos do presidente Lula. Será na próxima sexta-feira (26), quando o presidente virá a Itabuna inaugurar a base de distribuição do Gasene.

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Félix: reformulação do PAC do Cacau.

O deputado federal Félix Mendonça (DEM-BA) defendeu, em discurso na Câmara, a reformulação do PAC do Cacau, lançado pelo presidente Lula em maio de 2008 e que até agora não deslanchou – ou desempacou. “Precisamos estar imbuídos do espírito federativo para dar celeridade e eficácia, reformulando os programas de recuperação em andamento, como o PAC do Cacau”.

Félix conclama a área econômica do governo a redobrar esforços para debelar o “grave problema socioeconômico” e “reparar os que sofreram e ainda sofrem” com a crise que se abateu sobre a economia cacaueira baiana após a vassoura-de-bruxa.

O parlamentar defendeu a reformulação do programa ao relembrar o drama vivido no sul da Bahia desde os fins da década de 80, quando aproximadamente 250 mil trabalhadores ficaram desempregados.

“[Os trabalhadores rurais não ouviam o estalar do chicote, mas sentiram no estômago a dor da fome. Suas famílias desgarradas, com baixa escolaridade, foram acomodadas como empregados domésticos, nos subempregos degradantes ou até nos prostíbulos”.

Na outra ponta, enfatizou o deputado, muitos dos produtores de cacau “foram do desespero ao suicídio”, devido à crise causada pela vassoura-de-bruxa. “Ainda é tempo de convocar os trabalhadores para os seus postos de trabalho, os produtores para cuidar de suas fazendas”.

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Daniel Thame | www.danielthame.blogspot.com

O cacau deu sorte para a escola de samba Rosas de Ouro, que foi campeã do Carnaval de São Paulo.

O samba “O cacau é show”, que de propaganda tão explicita de uma empresa de chocolates teve que ser adaptado para um esdrúxulo “O cacau chegou”, por exigência da Rede Globo, é um passeio pela história do fruto que, transformado em chocolate, faz as delícias de gente do mundo inteiro.

O que poderia ser uma notícia auspiciosa para o Sul da Bahia, principal produtor de cacau do Brasil, não mereceu qualquer tipo de comemoração por estas plagas. Até porque, isso não faria o menor sentido.

O enredo da Rosas de Ouro e os carros alegóricos que encantaram e agitaram o Sambódromo do Anhembi (ao contrário do que provocou o imortal Vinicius de Moraes, São Paulo pode não ter a tradição e a qualidade musical do Rio de Janeiro, mas está longe ser o túmulo do samba), não fazem a mais remota menção à Região Cacaueira.

Nada de Ilhéus, de Jorge Amado, das fazendas de cacau, dos coronéis e das gabrielas, mistura de realidade, ficção e estereótipos que fizeram a fama da região.

Apenas merchandising mal disfarçado de uma empresa que produz chocolate e que bancou a Rosas de Ouro.

Fossem outros os tempos, com a Ceplac de orçamento gordo e generoso e poderia ter pingado ouro nas rosas para a inclusão do Sul da Bahia no samba enredo e nas alegorias.

Como os tempos não são aqueles, sem aporte de capital no cofrinho da escola, não ganhamos nem uma mísera estrofe no samba enredo e nem um fusquinha alegórico para nos inflar o ego.

O show foi deles, a festa foi deles e ficamos aqui a choramingar o chocolate derramado.

Chorar?

Não seria o caso de fazer com que o cacau, ou melhor, o chocolate, se transforme num show aqui mesmo no Sul da Bahia, através de uma política efetiva de industrialização que faça a matéria prima valer ouro?

Sair da produção quase artesanal para uma produção em alta escala, explorando o consumo das pessoas que estão ascendendo à classe média e também nichos de mercado em que o preço do chocolate bate na estratosfera.

O que não dá mais é para, feito uma Carolina de Chico Buarque, ficar vendo o tempo e as oportunidades passarem na janela, contentando-se com as migalhas do suculento e lucrativo bolo de chocolate, enquanto outros se empanturram e se divertem no ritmo do show do cacau.

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Daniel Thame é jornalista e blogueiro

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Ellen Roche foi madrinha da bateria campeã da Rosas de Ouro

A escola de samba Rosas de Ouro foi a campeã do carnaval de São Paulo, com um samba-enredo sobre o chocolate. O samba “O cacau é show”, chegou a ser censurado – virou ‘O cacau chegou’ – pela rede Globo, que transmitiu os desfiles e não aceitou a menção ao nome de uma empresa em sua programação sem que lhe caísse nenhuma merreca. Foi a Cacau Show que patrocinou a escola.

Mas nem é isso o que mais chama a atenção. Conforme já havia sido alertado pelo jornalista Daniel Thame, em texto publicado em seu blog em 14 de janeiro, o show foi apenas para o chocolate, o que não nos diz quase nada, como região produtora de cacau que somos, mas capenga em industrialização e beneficiamento das amêndoas. Ou seja, os primos pobres da história.

O velho DT escreveu que a nós, região cacaueira, não sobraria nada dessa super-exposição na mídia, e mostrou, em números, o quanto estamos distantes do espetáculo que são os lucros dos fabricantes de chocolate. Que sirva de alerta para governantes, parlamentares, produtores e a nós, população.

Clique aqui e leia o texto do jornalista paulista que mais entende de região cacaueira. Aqui, na home page da Rosas de Ouro, você pode conferir a letra e o som originais do samba-enredo, da forma como voltará a ser entoado, sem a censura da Globo, segundo a presidente da agremiação, Angelina Basílio.

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A TVE Bahia exibe, nesta quinta-feira (14), às 23h30, o documentário Os Magníficos, do diretor francês radicado em Salvador Bernard Attal. Produzido pela Ondina Filmes, o documentário retrata a ascensão, queda e superação da lavoura cacaueira do sul da Bahia por meio do drama de três personagens, que tiveram uma queda vertiginosa em seu padrão social e precisaram se adaptar e reconstruir suas vidas a partir de uma nova realidade.

Os Magníficos foi um dos projetos baianos selecionados pela quarta edição do Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro (DocTV), parceria do Ministério da Cultura com TVs públicas de todo o país e a produção audiovisual independente. Informações da Agecom/BA.

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Henrique Almeida é presidente da Associação de Produtores de Cacau e diretor do Instituto Biofábrica de Cacau. Henrique participou ontem da reunião da Câmara Setorial do Cacau, na Ceplac, que serviu como marco do primeiro grande impulso pela adesão dos produtores ao PAC do Cacau.

O que chamou a atenção foi que Henrique preferiu assentar-se à mesa como presidente da APC, e não como dirigente da Biofábrica. Só pra lembrar, a Biofábrica só sobrevive graças aos milhões de reais injetados pelo governo do estado, que compra da empresa mudas de plantas para distribuição entre agricultores familiares e pequenos produtores.

Mas o que deixou muita gente com a pulga atrás da orelha foi uma declaração do diretor. “Na Biofábrica não vai estar Henrique Almeida diretor mas, sim, Henrique Almeida produtor de cacau”. O pessoal das seringueiras e das fruteiras já começa a se preocupar.

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Uma reunião a portas fechadas com o secretário da Agricultura, Roberto Muniz, deixou desolado o presidente do Sindicato Rural de Itabuna, Wallace Setenta. A decepção foi motivada pelo que o dirigente classificou como “opinião formada sobre a cacauicultura”.

Traduzindo: o secretário acredita que tudo está às mil maravilhas ou, pelo menos, sendo resolvido, a partir do PAC e da inclusão do cacau no FNE Verde. “Eu disse a ele que não se trata de crédito. O cacau é muito mais complexo. Mas ele já tem opinião formada, ele ouve pessoas que pensam dessa forma”, desabafou Setenta.

Ele diz agora que espera uma reunião “de verdade” com o secretário, já que a de hoje, no estande da Seagri na Expofenita, não avançou um milímetro. “Essas autoridades estão acostumadas a vir aqui para ouvir os elogios, ouvir que a festa está bonita. Mas queremos discutir a realidade da região”.

Quem presenciou a conversa diz que Muniz perdeu o chão quando se viu contestado em suas certezas… Em tempo, uma das ‘vozes no ouvido’ do secretário é a do novo diretor da Biofábrica, Henrique Almeida.