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O sul da Bahia está a pouco mais de um mês de dar um passo histórico em sua economia. Após mais de 200 anos de cultivo do cacau, finalmente a região deixará de ser uma exclusiva produtora da matéria-prima para ingressar no bem sucedido time dos fabricantes de chocolate.
A fábrica, financiada com recursos do BNDES, Governo do Estado (via CAR) e Prefeitura de Ibicaraí, irá funcionar neste município a partir de setembro. Segundo o prefeito Lenildo Santana, as máquinas chegam hoje e está projetada uma produção de 600 quilos de chocolate por dia.
Pequenos produtores de Ibicaraí, Floresta Azul e Coaraci serão diretamente beneficiados, com a possibilidade de ampliar seu faturamento em 300%. Santana comemora o fato de que o produtor, finalmente, “deixa de ser apenas exportador de matéria-prima”. Ele salienta que, somando-se ao incremento da renda, a produção de chocolate “significa uma mudança de cultura em nossa região”.
Na administração da fábrica, estará a Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Almada e Adjacências (Cooafba). Além do chocolate, haverá produção de outros derivados do cacau, como liquor e manteiga.

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Depois de mais de 20 anos em Itabuna, a Nestlé decidiu ampliar a sua produção na indústria que mantém com a Delfi no município sul-baiano. Além do Leite Ninho, produzirá no município três diferentes achocolatados. O pedido foi apresentado à Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri).
Quem está gostando do incremento na produção da planta local é a prefeitura de Itabuna. O investimento significa mais dindin nos cofres do municípios, com o retorno do ICMS. A Nestlé já respondeu por até metade do que Itabuna arrecadava nesse tipo de imposto.

Nem tão longe de Itabuna, o prefeito Lenildo Santana, de Ibicaraí, vê no investimento da Nestlé uma guinada na cadeia produtiva regional.
Ibicaraí inaugura, neste semestre, a primeira fábrica de chocolate do (engessado) PAC do Cacau. Serão R$ 2,3 milhões investidos.
A produção tem como alvo não só o mercado regional. O sul da Bahia deixa de ser mero produtor de matéria-prima. E, o mais significativo, a partir da iniciativa de empreendedores locais.
O projeto vem sendo bem trabalhado, segundo Lenildo, para não repetir erros passados e recentes.

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Uma cooperativa criada há menos de um mês e que possuía até a semana passada apenas 28 asssociados vai botar a mão em R$ 3,6 milhões do BNDES, a fundo perdido, para construir uma fábrica de chocolate em Ilhéus.

A cooperativa é liderada pelo presidente da Associação dos Produtores de Cacau (APC), Henrique Almeida, também diretor-geral do Instituto Biofábrica de Cacau, que está sem produzir e praticamente fechada.

Ex e atuais associados da APC denunciam indícios de irregularidades na constituição da cooperativa e na eleição dos seus dirigentes. Os detalhes você vai conferir aqui no Pimenta.

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Wagner comemorou a aprovação da lei

Produtores de cacau que possuem dívidas de até R$ 15 mil poderão ser beneficiados com a lei 12.249/10, sancionada ontem (15) pelo presidente Lula. O dispositivo permite, por meio do PAC do Cacau, a remissão de quase 2 mil operações de pequenos produtores (com dívidas de até R$ 10 mil) e também favorece  com um desconto de 65% os agricultores que contraíram, até 15 de janeiro de 2001, empréstimos entre R$ 10 mil e R$ 15 mil.

A lei, que também prevê a ampliação de prazos na renegociação das dívidas, se restringe aos débitos assumidos junto ao Banco do Nordeste ou com recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Outro ponto estabelecido, que tem por base a Medida Provisória 472/09, é a suspensão das execuções fiscais relativas a produtores inscritos na Dívida Ativa da União até 30 de novembro de 2010.

O governador Jaques Wagner e o secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles, comemoraram a sanção da lei. “Estamos satisfeitos”, afirmou Wagner, acrescentando que houve empenho “junto ao presidente e ao ministro da Fazenda, Guido Mantega,  para resolver o problema dos produtores de cacau”. Segundo ele, “o PAC do Cacau vai dar nova força a esses produtores, que tanto sofreram no passado”.

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Até que enfim, o primeiro grande espetáculo na Copa da África. A seleção alemã vai dando um baile na Austrália, que perde de 4 x 0. O quarto gol foi marcado pelo jogador Cacau, brasileiro nascido em Santo André-SP e naturalizado alemão.

Cacau entrou no segundo tempo, substituindo Klose, e fez o gol no primeiro lance em que tocou na bola.

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O secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles, visitou Ilhéus neste fim de semana e compareceu aos estandes do II Festival do Chocolate, encerrado ontem (dia 6). Durante a visita, ele anunciou que o BNDES vai liberar R$ 3,5 milhões para instalar uma fábrica de chocolate no sul da Bahia.

A fábrica será administrada pela Cooperativa Agroindustrial de Cacau e Chocolate, ligada à Associação dos Produtores de Cacau (APC). Segundo o presidente desta entidade, Henrique Almeida, será a primeira fábrica de chocolate com certificado de origem do mundo.

Almeida destacou a implantação de fábricas de chocolate como um fator importante para que a região deixe de ser apenas produtora de matéria-prima.

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A edição 2010 do Festival do Chocolate da Bahia está bombando. Aliado à programação de palestras e eventos técnicos, o festival tem atraído um ótimo público com boa grade de shows regionais e nacionais, no centro de convenções de Ilhéus. Hoje, por exemplo, as atrações regionais são Brenna Gonçalves e Itassucy e Banda.

Grande revelação da MPB nos últimos tempos, Ana Cañas é a principal atração musical desta sexta, às 21h. Amanhã, no mesmo horário, quem sobe ao palco é Adriana Calcanhoto (você pode comprar ingresso no site do evento). Secretários e ex-secretários estaduais e outras expressões da política baiana passam por lá, neste final de semana. Quem ri, de orelha a orelha, é o publicitário Marco Lessa, da M21 Eventos.

Agora, um vídeo com Ana Cañas.

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O senador César Borges (PR) classificou como “mentirosa” a reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico, dando conta de que uma emenda proposta por ele à Medida Provisória 479, que trata da rolagem das dívidas da cacauicultura, prejudicou mais de 6 mil produtores. De acordo com a matéria, modificação introduzida pelo senador impediu a rolagem de uma dívida total estimada em R$ 466 milhões.

César Borges sustenta que sua emenda era aditiva, incluindo no PAC do Cacau um contingente de 1.300 produtores que estavam fora do programa em função de endividamento com o Programa de Saneamento de Ativos da Agricultura (Pesa). Ele diz que a modificação proposta não alterava os prazos do programa.

Ainda de acordo com o senador, “as mudanças informadas pelo jornal foram feitas na Câmara dos Deputados”. A matéria teve ampla repercussão no Congresso e, também, nos meios políticos baianos. Só ao final da tarde o senador decidiu pela resposta ao jornal.

Às 10h18min, 26/12 – O Valor diz que “a reportagem informou, como reconhecido pela assessoria do senador, que a emenda foi introduzida pelo Senado na MP 472 deixou de estender o prazo de adesão que poderia beneficiar os produtores de cacau. E relatou, ainda, que o senador atribuiu a confusão ao Ministério da Fazenda, que não apoiou a sua emenda nem retirou o texto original apresentado pelo governo”. Confira aqui a matéria

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Borges: prejuízo a 6 mil produtores.

O jornal Valor Econômico de hoje traz matéria que culpa o senador César Borges pelo atraso nas negociações das dívidas. O senador baiano apresentou emenda à MP das Dívidas para que os produtores com dívidas acima de R$ 500 mil fossem beneficiados com descontos maiores que os já propostas.

Resultado: a ação de Borges acabou prejudicando 6,1 mil pequenos produtores. A emenda do senador baiano simplesmente, e de acordo com o Valor, não permitirá a rolagem da dívida estimada em R$ 466 milhões.

A emenda “exclui 4,5 mil produtores endividados com o Fundo Constitucional do Nordeste (FNE) e deixou de fora outros 1,6 mil com dívidas já renegociadas no Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa)”. Borges atribui a culpa ao Ministério da Fazenda.

Confira trecho da matéria:

Do Valor Econômico

Pelo menos 6 mil produtores de cacau que deveriam ser beneficiados por novas regras aprovadas pelo Congresso Nacional terão de esperar mais tempo para desfrutar das benesses, pois o Senado deixou de fixar um novo prazo de adesão ao Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira.

O plano era tirar do papel o chamado “PAC do Cacau”, lançado há dois anos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda sem resultados efetivos. Ocorre que a redação da Medida Provisória no 472, aprovada na quarta passada pelo Senado, não permitirá a nova rolagem das dívidas, estimadas em R$ 466 milhões.

Para isso, segundo análise do Ministério da Fazenda, será necessária a inclusão de um artigo com um novo prazo de adesão em outra iniciativa legislativa. Parlamentares da Bahia preparam uma emenda à outra MP, a 479, cujo relator na Câmara será do PMDB, para tentar uma reparação acelerada do equívoco.

A confusão começou com uma emenda introduzida pelo senador César Borges (PR-BA). Na negociação de Borges com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDBRR), ficou acertada a ampliação das vantagens aos produtores com dívidas acima de R$ 500 mil ao elevar os descontos para operações em atraso.

Mas a emenda excluiu 4,5 mil produtores endividados com o Fundo Constitucional do Nordeste (FNE) e deixou de fora outros 1,6 mil com dívidas já renegociadas no Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa). O benefícios, que poderiam render votos aos parlamentares do sul da Bahia, ficaram congelados.

A proposta do Ministério da Fazenda dava mais descontos aos pequenos produtores. E previa, além de descontos fixos de até R$ 23,5 mil por contrato, outras quatro faixas de rebate: de 20% a 45% para liquidação dos débitos e de 5% a 35% para renegociação das dívidas até 30 de dezembro deste ano. A emenda negociada por Borges com Jucá expandiu os descontos, mas fixou apenas três faixas de débitos.

Para ler a íntegra da matéria, clique aqui (para assinantes do Valor Econômico).

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No domingo, noticiamos aqui a inovação dos produtores de cacau do Espírito Santo. Eles inauguraram, na sexta, 7, a primeira fábrica de processamento de cacau de origem do Brasil. Pois os capixabas pensam mais longe. A Floresta do Rico Doce Agroderivados planeja produzir liquor também no sul da Bahia. As cidades em estudo são Ilhéus e Gandu.

“Vamos começar a ver a situação da Bahia em relação à logística. Estamos estudando este projeto há dois anos e a probabilidade é que a fábrica seja instalada entre Ilhéus e Gandu”, disse o presidente da Rio Doce, Paulo Roberto Gonçalves.

Assista à reportagem completa no site de agronegócios Mercado do Cacau (clique aqui).

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Os produtores de Linhares (ES) colocaram para funcionar uma unidade de processamento de cacau. A fábrica terá capacidade de processamento de 2,5 mil toneladas de liquor de cacau por mês.

A produção de cacau processada na fábrica tem como origem os municípios de Linhares, São Mateus e João Neiva, todos capixabas. Antes, o cacau daquela região era processado em São Paulo ou na Bahia, segundo os dirigentes da unidade de processamento. Cerca de R$ 8 milhões foram investidos no negócio.

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Da coluna de Levi Vasconcelos (A Tarde):

Da vassoura ao leão

É mesmo uma saga a do produtor de cacau nos dias de hoje. Edvaldo Sampaio tornou-se um ícone na cacauicultura. Após muito sofrer com a vassoura-de-bruxa, a praga que aniquilou a economia da região cacaueira, desenvolveu técnicas de combate à doença e com isso ganhou respeito no País, inclusive dos cientistas, ao publicar um livro (que virou Bíblia entre os seus confrades) relatando passo a passo o conhecimento adquirido.

Foi mais longe. No embalo do PAC, juntou o que conseguiu de economia e correu para o banco. Pagou de uma só penada R$ 520 mil cash. E após 20 anos de luta, aos 66 de idade, bradou: enfim, livre! (da vassoura-de-bruxa e da gula insaciável dos bancos).

Livre? Qual o quê. Havia outro faminto à espreita. O leão da Receita Federal está no encalço de Edvaldo. Quer o seu naco sobre os R$ 520 mil pagos ao banco.

É assim que o governo quer recuperar o cacau? E Edvaldo é exceção. O grosso dos produtores terá que vencer os três gigantes, a vassoura, o banco e o leão. É mole?

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Para Geraldo, o perdão das dívidas poderá reanimar o produtor

O deputado federal Geraldo Simões (PT/BA) participou hoje de uma reunião com membros da bancada nordestina no Congresso Nacional, na qual foram discutidas propostas para reduzir o impacto do endividamento rural na região.

 A questão da dívida é objeto da Medida Provisória 472/2009, que tramita no Senado e na qual o governo pretende incluir emendas. Para Simões, uma medida justa seria a remissão total dos débitos contraídos por pequenos produtores (dívidas de até R$ 10 mil) nas primeiras etapas do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira.

Como se sabe, as medidas recomendadas pela Ceplac não produziram resultados e só restou para os produtores que as seguiram um pesado volume de faturas para quitar.

“Em condições normais de produção, essa dívida seria saldada facilmente, no entanto uma conjunção de fatores desfavoráveis, desde condições de mercado até equívocos no combate à vassoura-de-bruxa, levou os agricultores a uma situação generalizada de insolvência”, argumenta o deputado.

De acordo com o petista baiano, os produtores que seriam contemplados pela sua proposta equivalem a 60% dos contratos. Esse grupo responde por “um montante relativamente reduzido dos créditos concedidos”, frisa o parlamentar, acrescentando que o socorro a esses agricultores permitiria “seu retorno ao sistema financeiro, intensificando a produção das propriedades”.

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Calma, produtor de cacau. Antes que atire a primeira pedra em nós, avisamos que o que vai no título acima é opinião expressa de Vitor Hugo Soares, um dos principais nomes do jornalismo baiano e dono de espaço semanal cativo no Terra Magazine, de Bob Fernandes. Os produtores são chamados de “empresários do cacau”. Victor Hugo mantém o blog Bahia em Pauta. Abaixo, confira o petardo nos produtores e alguns “indígenas”.

NO VESPEIRO BAIANO

Vitor Hugo Soares

Com a ministra Dilma Rousseff a tiracolo, o presidente da República desembarcou em Ilhéus nesta sexta-feira. Coração da região cacaueira, onde Luiz Inácio Lula da Silva pisa pela primeira vez em seu segundo mandato, apesar da Bahia ser um dos solos mais frequentemente visitados por ele, que não se cansa de repetir a crença espírita de que um dia em outro tempo viveu por aqui, o que o faz enxergar o lugar (por sentimento humano ou estratégia de político) como talismã eleitoral, mesmo nas vezes em que foi derrotado em pleitos nacionais.

Ontem, Lula sofreu picadas como raras vezes ao andar pelo vespeiro baiano em que transformou-se a disputa sucessória presidencial atrelada ao embate sem trégua pelo Palácio de Ondina, onde Jaques Wagner deseja permanecer mais quatro anos. O problema é que o esquentado ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), o ex-governador Paulo Souto (DEM), nascido, bem votado e com largo trânsito na zona do cacau, e até o deputado verde e ex-petista, Luiz Bassuma, também estão de olho no “palácio das cigarras”, como dizia o cronista Raimundo Reis, e cavam buracos para afundar o governador.

No caso do ministro Geddel, só uma preocupação: bombardear Wagner sem derrubar os dois palanques de Dilma Rousseff no Estado. Situação que deixa Lula visivelmente constrangido, como o próprio presidente confessou há duas semanas, ao visitar Juazeiro, na região do Vale do São Francisco. Constrangimentos repetidos ontem na inauguração do Gasene, em Itabuna, e nos atos administrativos, mas principalmente políticos e eleitorais na vizinha Ilhéus, a terra de Gabriela e dos antigos e poderosos coronéis do cacau do sul do Estado.

Na véspera, em Brasília, o pleno do Superior Tribunal Eleitoral condenou Lula a pagar multa de R$ 5 mil por fazer campanha fora de hora, ou passando por cima de normas legais, se preferirem. Ainda assim, nada capaz de de assustar o condutor da marcha de Dilma à sua sucessão. No comício de quinta-feira em Osasco – inauguração de obras do PAC -, o presidente até brincou com a decisão e sugeriu que quem deve pagar a multa por sua infração: “vou mandar a conta da multa para vocês”, disse Lula, enquanto a plateia gritava ao fundo o nome de sua candidata.

Assim, Lula e a ministra desembarcaram com ar cansado mas aparentemente tranquilos no sul da Bahia na manhã de ontem, acenando com novas bandeiras. Não as flâmulas rubras do PT das companheiras metalúrgicas do ABC, mas as do Gasene (Gasoduto de Integração Sudeste-Nordeste), abertura das licitações para construção da ferrovia Leste-Oeste, e novos afagos da “mãe Dilma” em relação ao PAC do Cacau, de inegável apelo político e eleitoral na região visitada.

Afinal, alimenta sonhos e fantasias de reabilitação da economia da lavoura cacaueira devastada nas últimas duas décadas pela praga “vassoura de bruxa” e pela terceira geração de “empresários da cacauicultura” (às vezes pior do que praga que atinge e seca a plantação, segundo historiadores locais), viciados nas tetas dos empréstimos dos bancos públicos (e privados também), e no perdão paternalista das dívidas por sucessivos governos estadual e federal.

Além das vespas representadas pelos políticos com os quais terá de lidar nessa passagem em região conflagrada, Lula e Dilma atravessam zonas cercadas de boatos de que terão de enfrentar desta vez uma série de protestos, “puxados por fazendeiros de cacau, índios tupinambás e policiais civis e militares”.

Na verdade, os empresários do cacau brigam por mais uma mamata do governo federal: querem a anulação de uma dívida superior a R$ 400 milhões, relativa às duas primeiras etapas do Plano de Recuperação da Lavoura, implementado na década passada. Segundo alegam os cacauicultores, a própria Ceplac, órgão federal de apoio à lavoura, reconheceu erros nas recomendações repassadas aos produtores para conter a praga da Vassoura-de-Bruxa.

Quanto ao protesto dos indios, talvez seja necessário a comitiva presidencial ter cautela apenas com algumas bordunas. Os índios de verdade foram praticamente todos dizimados na região do Descobrimento e no sul baiano, em luta desigual e marcada pela omissão dos governos, da polícia e dos políticos, pelos próprios pioneiros da cacauicultura e seus jagunços, como está nos livros de Jorge Amado ou nos filmes de Glauber Rocha.

Apedrejado na região que visitou pouco antes de morrer, o falecido cacique Juruna, do gravador, desabafou em desalento diante do que viu por lá: “Aqui não tem mais índios, só tem caboclos”.

E ferroadas de vespas. Muitas vespas!

Acesse o blog de Vitor Hugo (www.bahiaempauta.com.br)

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Apesar de Lula rejeitar a possibilidade de anistia para as dívidas da lavoura cacaueira, o presidente da Associação dos Produtores de Cacau, Henrique Almeida, ainda vê chance de alguma saída para o imbrógli0.

Almeida, acompanhado do conselheiro da APC, Geraldo Dantas, foi recebido por Lula na manhã desta sexta-feira, 26, no hotel Jardim Atlântico. Estavam presentes o diretor-geral da Ceplac, Jay Wallace da Silva, e o governador Jaques Wagner.

Lula ouviu as queixas e teria se comprometido a agendar uma reunião para tratar do assunto na próxima semana, com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Agricultura, Reinhold Stephanes.

Segundo Almeida, o presidente o deixou com esperanças. “Ele disse que podemos aguardar boas notícias e nós estamos confiantes”, relata o representante da APC.