Tempo de leitura: < 1minutoLanns assume o Instituto Biofábrica
O prefeito de Itabuna, Claudevane Leite, anunciará nos próximos dias o substituto de Lanns Almeida no comando da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente. A saída do agrônomo, que será o novo diretor do Instituto Biofábrica de Cacau, já era esperada há algumas semanas e foi confirmada nesta segunda-feira (22).
Lanns Almeida comanda a Secretaria de Agricultura há mais de três anos, desde o início do atual governo. Em nota, a Secretaria de Comunicação informa que o ex-secretário se reuniu com o prefeito para agradecer o apoio recebido enquanto esteve no cargo. Almeida disse que deixa o governo “orgulhoso do trabalho feito em prol da sustentabilidade e no apoio ao pequeno agricultor de Itabuna”.
Entre suas realizações à frente da Secretaria, o agrônomo mencionou a reabertura do matadouro municipal e o fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O programa tem 327 famílias inscritas em Itabuna.
Tempo de leitura: 2minutosNavio levará seis mil toneladas de cacau sul-baiano para a Holanda (Foto Pimenta).
A carga é histórica e carregada de simbolismo. Após 20 anos, o sul da Bahia volta a exportar cacau. As seis mil toneladas do produto começaram a ser embarcadas, no Porto Internacional do Malhado, em Ilhéus, na manhã desta quarta-feira (27).
O carregamento deverá ser concluído no próximo final de semana, entre sábado (31) e domingo (1), quando o Navio Achtergracht, de bandeira holandesa, zarpa em direção a Amsterdã.
A operação será marcada, também, pelo ineditismo, de acordo com fontes da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba). O cacau será exportado a granel. Isso para ganhar tempo, evitando um reenvase por causa da falta de padronização das sacas. A exportação será feita pela Cargill, que tem parque moageiro em Ilhéus, e enviará a carga para a sua unidade naquele país europeu.
AUTOESTIMA
A operação levanta a autoestima do produtor em um período de alta na produção e na cotação do cacau nas bolsas internacionais – e com a arroba sendo comercializada, em média, a R$ 140,00 no eixo Ilhéus-Itabuna.
O produtor e presidente do Sindicato Rural de Ilhéus, Milton Andrade, ressalta pontos positivos e negativos da operação. Para ele, a exportação é um reconhecimento da qualidade do produto brasileiro e aponta, ao mesmo tempo, que há excedente no mercado. Caso as operações de exportação sejam contínuas, os reflexos serão ainda mais positivos para a região, na análise de Milton.
DESÁGIO
Milton enxerga como ponto negativo o deságio de, aproximadamente, 1,4 mil dólares por tonelada paga pela Cargill. O deságio faz com que deixem de ser movimentados em torno de R$ 576 milhões na Bahia e mais de R$ 1 bilhão em todo o país, quando computadas as produções do Pará, Amazonas, Rondônia e Espírito Santo.Homens em operação de embarque de carga de cacau no porto ilheense (Foto Pimenta).
Hoje, de acordo com estimativas do mercado, há excedente de, pelo menos, 60 mil toneladas de cacau no país, em parte como reflexo do excesso de importação no ano passado, quando as indústrias moageiras trouxeram 40 mil toneladas do produto no mercado africano.
Apesar da arroba do cacau atingir um dos melhores preços dos últimos anos, os cálculos de Milton apontam para um deságio de R$ 50,00 por arroba pago pela indústria ao produtor sul-baiano. “O preço justo da arroba do cacau, hoje, seria R$ 190,00”, diz em entrevista ao PIMENTA. A íntegra poderá ser conferida nesta semana.
Tempo de leitura: 2minutosEsta cena acima, a importação de cacau, pode se tornar coisa do passado (Foto Luiz Alves).
Ainda era século XX quando o Porto de Ilhéus, localizado metade no centro, metade no norte da cidade, exportou amêndoas de cacau pela última vez. Como conta a repórter Évellin Portugal, no Mercado do Cacau, apesar dos inúmeros problemas do setor, a produção do país, que já foi um grande exportador, atingiu números capazes de atender à demanda interna e disponibilizar um excedente capaz de ser enviado ao velho continente.
A multinacional Cargill será a responsável por mandar seu excedente adquirido para o exterior, através do navio Achtergracht. Serão embarcadas, no próximo dia 21 de outubro, seis mil toneladas da amêndoa, com destino a Amsterdã, na Holanda.
A empresa explicou “que esse movimento se deve à boa safra no Brasil, entre os meses de junho e julho deste ano, aliada à baixa demanda local e, por isso, acredita que as exportações são um importante passo para a retomada do crescimento deste segmento no país”.
A retomada de exportação fez produtores ensaiarem um sorrisinho de canto de boca. À reportagem, Milton Andrade, cacauicultor e presidente do Sindicato Rural de Ilhéus, disse que a atitude da Cargill deve incentivar outras empresas e gerar um equilíbrio do mercado interno, que por conta do excedente, está com deságio.
Os produtores acreditam que essa iniciativa, ainda que tímida, pode também puxar outras semelhantes, devido à boa qualidade que a amêndoa brasileira tem apresentado nos últimos anos. As seis mil toneladas que sairão estão inseridas num total de 290 mil que circula nas indústrias moageiras da região.
Além disso, exportar cacau por Ilhéus movimenta os sindicatos, o setor de transporte e gera receita.
Por fim, conta o presidente do Sindicato Rural de Ilhéus, a atitude da Cargill também contrapõe um posicionamento da indústria, que diz que as previsões de safra feitas pela Conab não são verdadeiras. “A própria indústria diz que o cacau produzido aqui não é suficiente para suprir a demanda interna e ainda exportar. Com essa exportação, ela está contrapondo o que afirma”, ressaltou.
Tempo de leitura: < 1minutoCacau alcança seu mais alto nível.
Lamento de milhões, alegria de milhares.
O dólar na faixa dos R$ 4,00 tem feito a alegria dos produtores de cacau sul-baianos. A variação do dólar fez a cotação do produto disparar e atingir a máxima de R$ 150,00 a arroba. Ontem, fechou a R$ 144,00.
A arroba do produto estava cotada há R$ 120,00 em 21 de agosto. Ou seja, alta de 20% em menos de 40 dias.
Rodrigo comandava processo de reconhecimento do IG do Cacau (Foto Maurício Maron/JBO).
Do Jornal Bahia Online
Morreu ontem à noite, em São Paulo, o design e agricultor Rodrigo Barreto Menezes. Jovem, cheio de planos, Rodrigo liderava um dos mais importantes movimentos de reconhecimento do cacau sulbaiano.
Presidente da Associação Cacau Sul Bahia, que engloba diversos sindicatos e associações de agricultores, Rodrigo comandava o processo de reconhecimento da IG – Identidade Geográfica do Sul da Bahia e da marca “Cacau Sul da Bahia” junto ao INPI.
Rodrigo descobriu um problema no cérebro há pouco mais de três meses e não resistiu ao tratamento. Nos últimos dias esteve em coma induzido, respirando por aparelhos.
Segundo informações preliminares, Rodrigo será cremado em São Paulo e as cinzas serãoi trazidas para Ilhéus, sua terra natal. O agricultor era filho de Armando Menezes, o Manduca, e Ana Barreto. Deixa mulher e filhos.
Tempo de leitura: < 1minutoCaminhão foi furtado no pátio da Barry Callebaut em Itabuna.
Um caminhão carregado com aproximadamente R$ 130 mil em sacas de cacau foi furtado nesta madrugada de sábado (5), no pátio da Barry Callebaut, em Itabuna.
O caminhão, um Mercedes Benz 1113, placa JOH-0886, licença de Buerarema, estava com 250 sacas e aguardava autorização para descarregar na unidade, na BR-415, em Itabuna, ao lado do Parque de Exposições.
Vigilantes disseram não ter visto a ação dos bandidos. Caminhoneiros, trabalhadores e o Sindicacau informaram que o clima é de revolta com a falta de segurança no entorno da indústria.
RECOMPENSA
Quem tiver informações do paradeiro do caminhão, pode ligar para 73-8861.9570, falar com Arlei. O proprietário promete uma boa recompensa por informação que leve até a carga e ao caminhão.
Tempo de leitura: < 1minutoLídice participará de audiência.
Produtores de cacau e parlamentares participam de audiência pública, amanhã (31), na Câmara de Vereadores de Itabuna. A pauta principal é o drawback, artifício aduaneiro que permite às indústrias moageiras importar cacau com isenção de impostos. Só que, hoje, com a produção interna em alta, o drawback tem sido utilizado para forçar deságio no preço do produto (confira aqui).
A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) confirmou participação na audiência. A pedida dos produtores é para que o governo, no mínimo, reduza o prazo para as operações com cacau importado, de seis para dois anos. Do contrário, empresas reforçam estoque com produto estrangeiro e massacram ainda mais o produtor. As perdas por saca de cacau passam dos R$ 120,00.
Já sofrido com as consequências biológicas, econômicas e políticas da vassoura de bruxa, os cacauicultores baianos, que a duras penas vêm conseguindo se reerguer, têm um novo inimigo, a importação.
Quando houve a quebradeira geral, a produtividade despencou e a indústria apelou para o drawback, modelo de importação previsto na lei pelo qual quem importa produtos para processar aqui e depois exportar, ganha isenção de tributos.
Ocorre que agora a cacauicultura voltou a obter níveis de produtividade que não justifica mais as quantidades importadas. Resultado: a indústria vem usando o drawback para minar o preço interno, deságio em torno de U$ 700 na cotação da bolsa, puxando o preço interno para baixo, o que dá ao produtor uma perda em torno de R$ 30 por arroba.
A insatisfação é generalizada. Esta semana, os produtores fizeram uma reunião em Gandu e programam outras em Itajuípe e Camacã. Eles se acham politicamente desamparados e vão à luta por si.
Em setembro chega ao porto de Ilhéus nova importação de Gana. A ideia é travar o porto. Vai dar rolo.
Tempo de leitura: 2minutosChocolate amargo com, pelo menos, 85% de cacau é benéfico ao coração, diz pesquisa.
Da Agência Brasil
Pesquisa publicada na revista científica International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS), da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj), mostra que o chocolate amargo traz benefícios a pacientes que sofrem de doenças cardíacas.
O vice-presidente da Socerj, Ricardo Mourilhe, disse que a notícia “é animadora”. Embora a pesquisa esteja ainda em fase inicial, com uma quantidade de pacientes reduzida, ela “abre a perspectiva de novos estudos futuros”, disse.
Segundo Mourilhe, o estudo foi feito em pacientes que estiveram internados entre outubro e dezembro de 2013 no Instituto de Cardiologia de Santa Catarina, ligado à Universidade Federal do estado (UFSC), e demonstra que o chocolate amargo pode trazer efeito benéfico em relação à vasodilatação, similar ao efeito dos medicamentos usados pelos cardiologistas em doentes cardiopatas.
Isso ocorre em função de um composto químico existente no cacau, chamado flavonoide, presente também em alguns vinhos, que tem ação anti-inflamatória e antioxidante e, em consequência, tem potencial de ação vasodilatadora.
“Os vasodilatadores são medicamentos que a gente usa normalmente em indivíduos com alguma cardiopatia. Então, se você tem uma substância que pode causar esse benefício, uma forma de transformar o efeito benéfico dessa substância em um medicamento seria produzir essa substância em forma de comprimido e não necessariamente o chocolate, porque ele tem outras substâncias que aumentam o peso”, disse.
O efeito antiinflamatório e antioxidante é semelhante ao efeito dos medicamentos para colesterol, que são as estatinas. Com isso, diminuiria o colesterol ruim e aumentaria o colesterol bom dos pacientes. “Seria outro efeito benéfico da substância [presente no chocolate amargo]. Por isso, é tão relevante essa descrição, porque abre um leque de oportunidades de desenvolvimento de novos produtos”.
A pesquisa analisou o consumo diário, pelos pacientes estudados, de 100 gramas de chocolate amargo com 85% de cacau, “ou seja, é bastante concentrada a questão do flavonoide”. Mourilhe observou que quando se identifica algum produto alimentar que tem uma substância positiva para o organismo humano, as etapas seguintes em um processo de pesquisa consistem em transformar essa substância em medicamento, excluindo os malefícios de outras substâncias misturadas.
O grupo que iniciou a pesquisa deve dar sequência aos estudos, mas Mourilhe não descarta a possibilidade de equipes de outros centros interessados participarem do processo. Segundo o vice-presidente da Socerj, a indústria farmacêutica poderia desenvolver esse medicamento.
A revista da Socerj recebe artigos de todo o Brasil e de alguns países estrangeiros, como Portugal, Colômbia, Venezuela. Ela tem tiragem de 4 mil exemplares e é indexada no Index Medicus Latino-Americano (Lilacs).
Tempo de leitura: < 1minutoGrande fila de caminhões é formada próximo à Cargill (Foto Jorge Tinga).
Uma fila com mais de 10 caminhões carregados de amêndoas de cacau já se forma no distrito industrial de Ilhéus. A carga aguarda para ser depositada nos galpões da multinacional Cargil, uma das maiores processadoras desse tipo de material na região.
Tentamos contato com a empresa, sem êxito. O sindicalista Luiz Fernandes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Moageira da Região (Sindicacau), explica que um novo método de gerenciamento usado pela empresa permite a descarga de 30 caminhões a cada 24 horas, o que estaria provocando a fila. A isso se soma um incêndio ocorrido no último fim de semana num dos galpões.
Fernandes, que esteve no distrito industrial, conta que os caminhoneiros esperam cerca de 10 dias para descarregar. Enquanto isso, contam apenas com um banheiro para tomar banho, cedido pela concorrente Joanes, e têm de arcar com despesas de alimentação e manutenção dos veículos.
Os caminhoneiros, relata Luiz Fernandes, acusam a Cargil de, diante das dificuldades em receber a carga, utilizar os veículos como depósitos provisórios.
Tempo de leitura: 2minutosAto de assinatura de negócio de mais de R$ 1,2 milhão no Festival do Chocolate e Cacau (Foto Divulgação).
Cerca de R$ 10 milhões foram movimentados durante os quatro dias da sétima edição do Festival Internacional do Chocolate e Cacau (FICC), em Ilhéus. Cerca de 30 mil pessoas visitaram o Centro de Convenções de Ilhéus do dia 11 até a noite de ontem (14), de acordo com a organização do festival.
Um dos negócios fechados no final de semana foi a assinatura de termo de doação de área de 2 mil metros quadrados para uma fábrica de chocolate da Cooperativa Agroindustrial de Cacau e Chocolate. O terreno no Distrito Industrial de Ilhéus foi doado pelo governo baiano em ato com a presença do superintendente da Sudic, Jairo Vaz, e o secretário estadual de Turismo, Nelson Pelegrino, além do vice-governador João Leão.
A fábrica de chocolate terá capacidade para produzir 180 toneladas de chocolate por ano e receberá investimentos de R$ 1,2 milhão. A cooperativa reúne 256 produtores. “Com a implantação dessa unidade vamos agregar valor ao cacau na região Sul e incrementar a renda dos cooperados”, afirmou o presidente da APC Cooperativa, Alfredo Landin.
Hoje, boa parte do chocolate sul-baiano ainda é processada fora da região, em Lauro de Freitas, município situado na Região Metropolitana de Salvador. Com a construção da fábrica, a região poderá produzir aqui mesmo o chocolate que começa a ganhar fama nacional e mundial.
Tempo de leitura: 1minutoLídice puxou audiência que debate perspectivas para o cacau (Foto Águido Ferreira).
Autora do projeto de lei que estabelece percentual mínimo de 35% de cacau no chocolate produzido e comercializado no Brasil, a senadora Lídice da Mata (PSB) diz que a proposta visa assegurar um direito básico do consumidor: saber exatamente o que está comprando, conscientizado de que está consumindo um alimento funcional.
Lídice participou, na última sexta (17), de uma audiência pública, na sede regional da Ceplac, para discutir a cadeia produtiva do cacau. Da audiência promovida pelo Senado, saíram encaminhamentos importantes, como a criação de uma frente parlamentar mista, no Congresso Nacional, para defender as cadeias do cacau e do chocolate, além de realização de concurso público na Ceplac.
O superintendente regional da Ceplac, Juvenal Maynart avalia que o clamor pelo concurso na Ceplac se deve ao novo momento por que passa a instituição:
– A Ceplac mostrou que a região não apenas é viável economicamente, apostando num produto sustentável, como propõe uma revolução na forma de pensar nosso desenvolvimento, com a criação do Parque Tecnológico, em parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia.
Para Maynart, a cabruca é o grande atrativo para que novas empresas se instalem na região. Ele cita, como exemplo, a Natura, mas aponta a parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) como reveladora do grande potencial – para os novos tempos – da Ceplac.
Tempo de leitura: 2minutosAudiência reuniu a cadeia produtiva de cacau e chocolate (Foto Reinaldo Ferrinho).
O Senado Federal começou a discutir, ontem (1º), em audiência pública, projeto de lei que determina percentual mínimo de 35% de cacau nos chocolates comercializados no Brasil. A proposta é da senadora baiana Lídice da Mata (PSB). A audiência reuniu produtores de cacau da Bahia e do Pará, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O projeto de lei 93/2015 também obriga as indústrias a informar, no rótulo, o teor de cacau contido no produto. A ideia já era defendida na Câmara Federal pelo ex-deputado Geraldo Simões (PT), citado pela senadora em seu discurso.
Para o representante da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau presente à audiência, Guilherme Moura, a iniciativa de Lídice representa o início de um plano reestruturante para o setor e aproxima a legislação das demandas do mercado, que já pede mais cacau nos chocolates. Luis Oliveira, preposto do Pará, destacou o benefício do projeto para a saúde da população, pois valoriza o cacau em detrimento do uso de açúcar.
O produtor Henrique Almeida, da Associação de Produtores de Cacau da Bahia (APC) e diretor do Instituto Biofábrica de Cacau, reforçou a importância da melhoria da matéria prima utilizada na fabricação do chocolate e opinou que é preciso que o governo implante uma política pública de incentivo à revitalização da produção cacaueira. Para ele, o projeto de Lídice irá fomentar a qualidade da lavoura e beneficiará os consumidores.
O Brasil deve produzir aproximadamente 279 mil toneladas de cacau, segundo projeções da Ceplac. A Bahia representa hoje 63% da produção nacional, seguida pelo Pará, com 35%. Os dados da Ceplac relevam que 270 municípios brasileiros produzem cacau em uma região de 6 milhões de pessoas.
Tempo de leitura: 2minutosSecagem de cacau abandona o velho estilo (Foto Prazeres da Mesa).
Quase 30 anos após a derrocada da lavoura cacaueira em um ambiente que combinou preços internacionais baixos e surgimento da vassoura-de-bruxa, produtores sul-baianos estão dando a volta por cima apostando em cacau fino e produção de chocolate com alto teor de cacau. A virada de página é tema de reportagem da revista especializada Prazeres da Mesa, da Editora 4Capas.
Os produtores conseguem até mais que 5,5 mil dólares por tonelada de cacau gourmet ante os 3 mil dólares do cacau comum, reforça a publicação. Para chegar lá, houve muita ousadia, como conta a Prazeres da Mesa.
“Em 2010, quando levou suas amêndoas de cacau para competir no Salão do Chocolate, em Paris, o fazendeiro baiano João Tavares foi obrigado a engolir a prepotência dos adversários. “Os brasileiros eram considerados produtores de cacau ordinário”, diz. Mas foi ele quem riu por último – faturou um dos prêmios Cocoa of Excellence. “No ano seguinte, voltei lá e ganhei de novo, só para não deixar dúvida.”
Tavares também inovou com a criação de cochos redondos para fermentação de cacau. “Nos cochos quadrados convencionais, a temperatura nunca é a mesma no centro e nos cantos. Quando notei isso, inventei os modelos cilíndricos e fui chamado de louco”. 70% da produção de cacau de Tavares é, hoje, classificada como de altíssima qualidade e 40% das amêndoas são exportadas para três países, dentre eles Bélgica, famosa pelos seus chocolates.
Há produtores que investem em produção de chocolates finos. Além de cooperativas – a Agroindustrial de Cacau Fino é uma delas -, há exemplos como dos produtores, como Diego Badaró, precursor deste movimento, Leandro Almeida, da Mendoá, e Henrique Almeida, da Sagarana, que conta com 30 pontos de venda na Bahia, São Paulo e Brasília.
Do mix da Sagarana, um tablete de 40 gramas custa R$ 16,00. Mas parte da produção ganha a marca Babette, empresa baiana do belga Laurent Rezette. Com até 67% de cacau, a Babette será comercializada em grandes do varejo mundial, como Carrefour e Walmart.
Os cerca de 300 trabalhadores da multinacional Cargil em Ilhéus iniciaram greve por tempo indeterminado nesta sexta-feira (24). A unidade no sul da Bahia processa amêndoas de cacau.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Ilhéus, Itabuna e Região (Sindicacau), a greve se deve ao não acatamento por parte da empresa das pautas da campanha salarial da categoria.
Entre as reivindicações, estão aumento de 8%, elevando o piso salarial a R$ 1060, a folga aniversariante, aumento para R$ 650,00 do tíquete-alimentação, além do adicional noturno, hora extra e criação do plano de cargos e salários.
A Cargil, no entanto, oferece piso salarial de R$ 990,00 e tíquete de R$ 630,00 e não respondeu aos outros itens da pauta.
O Sindicato aguarda o posicionamento da empresa para discutir o rumo do movimento.