"Jairão" morreu em acidente no trecho da BR-101 em Camacan (Foto José Nazal).
O empresário Jairo Seixas morreu em acidente automobilístico, hoje, na BR-101, trecho de Camacan, no sul da Bahia. O velório ocorre na capela do Hospital São José, em Ilhéus. No acidente, Luciana, filha do empresário, ficou gravemente ferida, sendo levada para o Hospital Calixto Midlej Filho. Ela sofreu fratura nas duas pernas. O empresário, a filha e um genro, apenas identificado como Júnior, retornavam de Porto Seguro. Júnior teve ferimento leve.
A morte do empresário do setor de combustíveis chocou a comunidade ilheense. Jairão era bastante querido no município e tinha vida ligada aos movimentos sociais. O enterro está previsto para amanhã, às 10h. Atualização às 18h59min – O acidente teve uma outrao vítima, Eranilton Ferreira Santos, de Itabuna, que trafegava na própria mão e foi surpreendido pela Toyota Hilux dirigida por Jairão. Eranilton foi enterrado neste domingo, 16h, em Itabuna.
Um princípio de rebelião ocorrido nesta quinta-feira, 17, na cadeia pública de Camacan, no sul da Bahia, foi controlada pela polícia. Vinte e um detentos colocaram fogo em lençóis, livros e caixas. Segundo reportagem da TV Santa Cruz, o motim se deu em protesto contra o cardápio servido na cadeia. Um agente carcerário disse que os presos se recusam a comer frango e peixe.
Para controlar a situação, os policiais tiveram que invadir a carceragem. Giletes, estiletes e um vergalhão de 80 centímetros foram apreendidos nas celas.
Os presos, além de serem bastante exigentes com o cardápio, fazem questão de viver com relativo conforto. Nas celas invadidas pelos policiais, havia aparelhos de TV e DVD, além de seis ventiladores.
Tempo de leitura: 2minutosKátia foi executada ao sair de igreja em Camacan.
A polícia ainda não conseguiu prender o mandante e o assassino da empresária Kátia Cristina Lima, passados trinta dias do crime ocorrido no centro de Camacan, no sul da Bahia. Kátia era esposa do empresário Edvan Ribeiro, dono de supermercados na região de Camacan. A polícia trabalha com, pelo menos, três hipóteses para o caso: crime de mando, passional ou de ocultação de informação. O inquérito foi prorrogado.
A delegada Divanice Dias pediu a prorrogação do inquérito para aprofundar as investigações. O juiz da Vara Crime, Sérgio Heathrow, afirmou ao PIMENTA que concederá mais prazo, pois ainda “não há suspeito definitivamente identificado” e existem “várias possibilidades de razões para a prática do homicídio”.
Sérgio Heathrow: celeridade (Foto-Agnaldo Santos).
Kátia Cristina foi assassinada na noite de 27 de dezembro do ano passado ao sair de um culto na Igreja Assembleia de Deus, em Camacan. Um homem alto e magro deflagrou dois tiros na cabeça de Kátia, quando a empresária já se encontrava dentro do veículo e acompanhada de dois dos três filhos e da mãe dela.
O juiz Sérgio Heathrow lembrou que o caso teve repercussão nacional e o trabalho da polícia tem sido meticuloso. O magistrado crê no julgamento do executor – e de um possível mandante – até o final deste ano. Ele observa ainda que o caso teve ampla repercussão.
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EXECUÇÃO DE TAXISTA
O juiz informou também que espera levar a júri, em três meses, os bandidos que executaram o taxista Egmar Pereira da Silva, o Grande, 46, em junho do ano passado, no distrito de Jacareci. Na terça, os acusados Leonardo de Jesus Almeida e Josemar Rodrigues foram ouvidos em audiência.
De acordo com Sérgio Heathrow, após a audiência, o Ministério Público estadual e a defesa dos acusados terão prazo para as alegações finais e a Justiça determinará pela pronúncia ou não dos envolvidos no crime. Além da dupla, o crime teve a participação de outras três pessoas. Uma era uma adolescente de 17 anos, grávida, que foi liberada. Já os irmãos Elizenilton Pimentel e Marcelo Rodrigues Pimentel morreram em confronto com a polícia (relembre o caso aqui).
Protesto reuniu dezenas de pessoas (Foto Agnaldo Santos).
Funcionários e médicos da Fundação Hospitalar de Camacan foram às ruas nesta sexta-feira, 27, protestar contra o que chamam de onda denuncismo de supostos erros médicos no município sul-baiano. A manifestação teve como principal alvo o Ministério Público estadual (MP), por “absorver” as queixas, informa o repórter Agnaldo Santos.
A manifestação foi puxada pelo hospital e teve a participação de agentes comunitários de saúde, taxistas, funcionários públicos, artistas e políticos locais, além de representantes dos pataxós hã-hã-hãe.
A direção do hospital de Camacan se queixa de prejuízos provocados pelos custos com honorários advocatícios para se defender da “onda denuncista”. Dirigentes da fundação participaram de audiência em Salvador, na segunda (23), para relatar as ações do MP no município e denunciar o que seria, no entender deles, inaceitável.
O foco do grupo, também integrado pelo secretário municipal de Saúde, Jaquinson de Deus Guimarães, é o trabalho da promotora pública Cleilde Ramos.
O presidente da Fundação Hospitalar de Camacan, Aníbal de Holanda Cavalcante, o vice, Benicio Boida de Andrade, e o diretor clinico, Cosme Barnabé, estiveram na audiência na capital baiana, e disseram que a insatisfação em relação ao MP não se restringe apenas aos médicos.
A comissão, segundo os dirigentes, externou seu descontentamento ao procurador-geral de Justiça, Wellington César Lima, que ficou de analisar o caso. A fundação hospitalar emprega 80 funcionários e 90% da sua clientela é do SUS, originária de municípios como Pau-Brasil, Santa Luzia, Itajú do Colônia, Mascote e Arataca. A reportagem tentou manter contato com a promotora, mas a informação era que ela estava viajando. Insatisfação contra a promotorai é exibida em faixa (Foto Agnaldo Santos).
Para muitas vidas, aquela curva era, foi o fim. A Curva da Morte. Quilômetro 595 da BR-101. De nada adiantavam os lamentos, os pedidos às santas autoridades lá de Brasília.
Aqui, no Pimenta, o produtor rural José Roberto Benjamin relatou o drama vivido por famílias, muitas delas assistidas em sua fazenda. “Sou produtor rural e moro perto e presto socorro a muitas famílias nesse cemitério que chamam de curva”.
Dias depois do lamento de Benjamin, também contado por Levi Vasconcelos, n´A Tarde, o diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Saulo Pontes, ouviu. A curva recebeu sinalização vertical.
A solução, simples, ajudou. Desde o dia 2 de julho, comemora Benjamin, não mais houve registro de mortes naquela curva, em Camacan.
Fala, Benjamin:
– Após o último acidente com vítimas fatais, no dia de São João, anotamos nove acidentes , felizmente só com pequenos ferimentos e danos materiais até o dia de hoje.
Sonorizadores implantados na curva da morte (Foto Roberto Benjamin).
E justamente nesta terça-feira, 10, o Dnit cumpriu a segunda parte das reivindicações dos moradores daquele lugar. “Iniciaram-se os trabalhos de implantação dos sonorizadores”, complementa o produtor rural e engenheiro agrônomo. Os sonorizadores foram instalados nos dois sentidos da pista.
Acostumado a trafegar pelo trecho sul-baiano da BR-101 e conhecedor dos perigos desse trecho, Benjamim alerta sobre outros pontos de extremo perigo: a Curva de Cassemiro, entre São José da Vitória e Buerarema, e a de Rio Branco, entrada de Una.
Taí um exemplo de que soluções simples salvam vidas. Aliás, são dois exemplos: sem mobilização, o povo lá de Brasília não se “mexe”.
Agnailton foi vítima de emboscada.
Um crime brutal ocorreu ontem, por volta das 19h, em Jacareci, distrito de Camacan. A vítima foi o agricultor Agnailton Dias Miranda, 35 anos, natural de Pau Brasil, alvejado com um tiro de espingarda calibre 12 (escopeta) na nuca. O tiro foi disparado quando a vítima abria a porta de uma garagem, localizada à rua Luciano José de Santana.
Agnailton teria ido guardar uma moto Honda Bross vermelha NKR 125, de placas JLM-9063, quando foi alvejado. Ele estava na companhia do sobrinho L.M.M., de 11 anos. O garoto presenciou quando a vítima caiu agonizando sobre uma poça de sangue.
O menor disse que ouviu o disparo, mas não viu ninguém no local do crime. No mesmo instante, saiu correndo com medo, quando percebeu quando que o tio foi atingido com um tiro.
De acordo com as autoridades policiais, o atirador provavelmente esteve de tocaia e sabia o percurso feito pelo agricultor no dia de ontem, armando uma emboscada. Agnailton teria ido a Jacareci com a namorada, visitar familiares. Chovia muito no momento em que o crime aconteceu.
A reportagem entrou em contato com familiares do agricultor. Guito, como era conhecido, era casado com Islane Pereira havia oito anos e tem um filho menor de cinco anos.
O pai da vitima é agricultor e proprietário de 27 hectares de terra na região de Água Vermelha, município de Pau Brasil, dentro de uma área de demarcação indígena dos pataxó hã-hã-hãe.
Ainda de acordo com informações de fontes confiáveis e de familiares, a vítima já trabalhou como segurança para fazendeiros do município de Pau Brasil, onde arranjou alguns desafetos. Ultimamente, Guito também estava trabalhando como mototaxista em Pau Brasil.
A principal suspeita é de que este tenha sido mais um crime encomendado. Pela manhã, o corpo do agricultor estava no necrotério Camacan, e seria levado para o Departamento de Polícia Técnica de Itabuna. De acordo com os familiares, o corpo será sepultado no cemitério de Pau Brasil. A polícia ainda desconhece a autoria deste crime.
Maior festança em Camacan, nesta terça-feira, 13. O multimídia Agnaldo Santos reúne familiares e colegas de trabalho do jornal O Tempo e da Regional Sul FM. E o motivo são os 41 anos do radialista, parte deles dedicada ao jornalismo e entretenimento. “Eu me sinto realizado por fazer parte da competente ala de profissionais de comunciação do sul da Bahia”. Os textos de Agnaldo aparecem também aqui no Pimenta com as principais notícias da região de Camacan. Parabéns!
Curva da Morte finalmente ganha sinalização vertical (Fotos Roberto Benjamin).
Os apelos da comunidade de Camacan e do produtor rural e engenheiro agrônomo José Roberto Benjamin finalmente sensibilizaram a direção do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). O órgão colocou a sinalização vertical, chamando atenção para os riscos do trecho da BR-101 conhecido como Curva da Morte, quilômetro 595 da rodovia.
No último dia 25, Benjamin denunciou aqui, no Pimenta, o desleixo do Dnit e as nove mortes ocorridas na Curva da Morte somente neste ano, sendo duas delas neste ano. A sinalização foi colocada nos dois sentidos da pista. “Estamos ainda solicitando a colocação de um dispositivo – sonorizador ou similar – compulsório de redução da velocidade”, diz Benjamin.
Benjamim havia feito um relato emocionado sobre o que considera um “matadouro” e a falta de ação do Dnit ao que vinha acontecendo naquela curva (veja aqui). O diretor do Dnit na Bahia, Saulo Pontes, atendeu aos últimos apelos e a sinalização foi providenciada em menos de uma semana.
Curva perigosa, sobre um riacho, registrou nove mortes neste ano.
Protesto fechou rodovia em Camacan (Foto Costa Filho).
Cerca de 400 pessoas fecham os principais acessos ao município de Camacan, no sul da Bahia. A manifestação é contrária a posicionamento do Ministério Público estadual, que havia considerado arbitrária a ação das polícias Civil e Militar na caça aos bandidos que mataram o taxista Egmar Pereira Silva, “Grande”. A maioria dos manifestantes está concentrada nas proximidades da estação rodoviária do município, em frente ao MPe.
O corpo do taxista Egmar Pereira Silva foi encontrado às margens da estrada que liga o centro da cidade ao distrito de Jacareci (BA-002). “Grande” foi assassinado com 15 golpes de faca e facão (relembre aqui).
A polícia chegou aos assassinos por meio de imagens de uma câmera de segurança na praça onde trabalhava o taxista. Na operação policial, morreram os irmãos Elizenilton Pimentel e Marcelo Rodrigues Pimentel, que teriam partido para o confronto. Outros três bandidos foram presos.
O presidente da Associação de Praças da Polícia Militar-Itabuna (APPM), sargento Antônio Cavalcante, disse que a entidade acompanha os protestos em apoio aos policiais que estão sendo acusados de execução. O Pimenta não conseguiu falar com a promotora pública Cleide Ramos, que atua no caso. As informações são do repórter Costa Filho, da rádio Jornal.
As imagens captadas por uma câmera de segurança em frente à praça onde trabalhava Egmar Pereira, 52 anos, ajudaram a polícia a prender três dos envolvidos no assassinato do taxista em Camacan. Outros dois morreram em confronto.
O crime ocorreu na noite do domingo, 20, quando os cinco assaltantes pediram uma corrida para o distrito de Jacareci, às margens da rodovia BA-002 (relembre aqui). Os marginais que morreram no confronto com a polícia ontem à tarde foram identificados como Elizenilton Pimentel e Marcelo Rodrigues Pimentel.
Os demais Josemar Pimentel, irmão dos mortos no confronto, Leonardo Jesus Almeida e uma menor de 17 anos, grávida. Leonardo é apontado com autor dos 15 golpes de faca desferidos no corpo do taxista Egmar Pereira, conhecido como Grande.
O clima na cidade ainda é tenso. Taxistas e populares ameaçavam invadir a delegacia de Camacan, ontem, para atear fogo nos corpos dos bandidos e, também, linchar os demais suspeitos de participação no crime.
Um homem de prenome Nego Léo e outro comparsa foram mortos, nesta tarde, em confronto com as polícias Civil e Militar na rua Montes Claros, periferia de Camacan. Eles eram os principais acusados de ter matado o taxista Egmar Pereira da Silva, “Grande”, 52 anos, na madrugada desta segunda-feira, 21 (relembre aqui).
A Policia conseguiu prender um dos criminosos e uma mulher que teriam participado do crime que teve requintes de crueldade. Outras informações sobre o caso a qualquer momento.
O taxista Egmar Pereira Silva, 46, foi encontrado morto nesta manhã de segunda-feira (21), numa área da Fazenda Vila Vitória, às margens da BA 002, quilômetro 11, trecho Camacan-Jacareci.
O taxista foi assassinado com requintes de crueldade. O corpo de Egmar Pereira Silva apresentava várias perfurações de faca e cortes de facão no tórax, costas, braços e pernas.
Grande, como era conhecido, conduzia um Fiat Siena, cor vermelha, quando sofreu ataque dos homicidas. Após matar o taxista, os criminosos abandonaram o corpo em um matagal e o veículo, numa ribanceira.
Para a polícia, tudo leva a crer que ele foi imobilizado, arrastado de dentro do Siena e o corpo desovado em outro local, de difícil acesso, nas imediações da fazenda. Grande teria ido levar um passageiro ao distrito de Jacareci, que está comemorando as festividades juninas.
A vítima era taxista há mais de 20 anos em Camacan. Era considerada uma pessoa bem relacionada e, aparentemente, não tinha inimigos. Ele também emprestava dinheiro a juros (agiotagem).
O reconhecimento do corpo ocorreu por volta das 10 horas de hoje, pela Polícia Militar, transferindo-o para o necrotério de Camacan. O corpo foi levado para o Departamento de Polícia Técnica de Itabuna (DPT) por volta das 13 horas. As autoridades policiais de Camacan ainda desconhecem a autoria do crime.
A polícia militar ainda não conseguiu recapturar todos os dez presos que fugiram da cadeia pública de Camacan, no sul da Bahia, ontem à noite. De acordo com informações, os fugitivos cavaram um buraco numa das celas, acessaram um colégio ao lado da cadeia e ganharam a liberdade. Apenas um dos detentos foi recapturado.
Vinte passageiros ficaram feridos em um acidente com um ônibus que fazia a linha Camacan-Macarani, ontem. O motorista da empresa Rota perdeu o controle da direção na pista molhada e tombou na rodovia, próximo a São João do Panelinha.
A maioria dos passageiros feridos foi atendida no Hospital Luís Eduardo Magalhães (Hblem), em Itabuna. Ficaramo internados, segundo o blog Notícias da Cidade, Pedro Alves, Hilda Maria, Petronília Alves, Danilo Soares e Rose Silva.
Causou inquietações mudar o nome de Camacã para Camacan (foto), dizem que por obra e graça de autoridades municipais. A palavra pertence a uma família enorme, todos os membros com nomes terminados em “ã”. Aqui estão alguns deles, citados de memória: chã, lã, terçã, arapuã, louçã, irmã, cortesã, romã, Camaquã/RS afã, itapuã, Canaã/MG, sã, xamã, fã, temporã, vilã, escrivã, tantã (doido), tantã (tambor), Aquidabã/SE, Pã, rã… Percebe-se que são poucos os indivíduos masculinos (itapuã, Pã, arapuã, tantã – no sentido de tambor), alguns são de dois gêneros (xamã, fã, tantã – significando amalucado) e a maioria é de termos femininos. Infere-se, portanto, que a palavra Camacã é de família matriarcal.
CORRUPÇÃO ATINGE A GRAMÁTICA
Estranhíssimo esse Camacan isolado, ovelha negra da família, numa solidão que emociona. A propósito, um grupo, cuja especialidade era se rebolar na boca da garrafa, batizou-se como É o tchan! – coisa igualmente canhestra, pois a grafia que encontro no Aurélio, sem me surpreender, é tchã. Parece que essa humanitária tentativa de conseguir uma companhia para Camacan falhou. Tchan, considerando o meio onde nasceu, é desculpável; Camacan, não. Agrediram as fortes raízes históricas (que reportam à extinta nação indígena camacã), quando impuseram esse Camacan – contrariando toda a família do “ã”, como vimos. É um caso raríssimo de corrupção… gramatical!
UMA VIOLÊNCIA FILOLÓGICA
Os organismos oficiais (IBGE, Detran e outros, além da Prefeitura de Camacã, é óbvio) aceitaram a grafia com a absurda invenção do final “an”. Os jornais também. O Agora, de Itabuna, é a única exceção: parece ter-se insurgido contra o estupro filológico perpetrado contra o município e grafa Camacã, a forma historicamente correta. Se erra, erra em ótima companhia: o citado dicionário Aurélio desconhece os filólogos municipais e registra o verbete camacãense como sendo “de, ou pertencente ou relativo a Camacã (BA)”. Os poderes locais têm direito até de mudar o nome do município (após consulta popular, o chamado plebiscito), mas alterar a língua portuguesa, não.
Na tevê, em matéria sobre a volta ao horário habitual, este disparate de uma jovem: “Estou megatriste, pois adoro o horário de verão” (O. C. grifou). Zonzo com a pedrada, vou ao Aurélio e confiro: mega é prefixo que, junto a uma unidade de medida a multiplica por 1 milhão. Na fala razoavelmente culta, mega substitui “grande”, não “muito”, por isso se liga a substantivos, não a adjetivos: megaempresário, megajogador, megatraficante etc. De megafeio, megatriste, megachato e semelhantes, que o bom Deus nos livre. Se digo grande empresário todos sabem do que falo; se digo grande feio, ou grande triste, apenas puxo as orelhas da gramática. Caso a moça se dissesse “muito triste” seria comovente. Ao dizer-se megatriste, foi ridícula. O bom jornalismo evita publicar besteiras desse jaez, que nada nos trazem, além de irritação.
PARA CRIAR É PRECISO AUTORIDADE
Palavras e expressões novas, para que sejam aceitas, dependem muito da origem, do pedigree de quem as divulga. Certa feita, o sindicalista e então ministro Luiz Rogério Magri (foto), iletrado, mas com diploma de pelego, criou a palavra imexível – e virou chacota nacional pelo resto da vida. No entanto, que me perdoem os linguistas, creio que, se exposta à luz da etimologia, imexível é perfeitamente defensável, por analogia com indizível (de dizer), elegível (eleger) e incontível (conter) – para ficar em limitados exemplos. Logo, por que a celeuma? Porque quem criou o termo não tinha “autoridade” para fazê-lo e, em sendo assim, não inventou uma palavra: inventou um constrangimento.
NONADA É BROGÚNCIA E MEXINFLÓRIO
A língua portuguesa foi praticamente reescrita por João Guimarães Rosa (foto), o maior criador de neologismos e rejuvenescedor de arcaísmos da nossa ficção. É isso que eu queria dizer: se fosse o autor de Sagarana quem grafasse um imexível, críticos, gramáticos, filólogos e linguistas estariam todos esfalfados de tanto bater palmas. Há dias, citamos (à espera de protestos indignados, que não vieram) uma invenção roseana: nonada. É um arcaísmo recuperado (a primeira palavra de Grande sertão: veredas). Imagino alguém perguntando a JGR o que é nonada e ouvindo dele, divertido, que “nonada é tutaméia” (assim mesmo, com acento agudo), termo por ele criado a partir de tuta-e-meia, com origem no quimbundo.
POLÊMICA SOBRE OSSOS-DE-BORBOLETA
O escritor detalha sua cria como coisa pequena, sem importância, bobagem, asneira, quinquilharia, brogúncia, mexinflório, baga, chorumela, nica, quase-nada – em Tutaméia (José Olympio/1968). A língua culta não se enriquece com a mídia, quando esta tem como agentes alter egos de Rogério Magri, numa gazeta qualquer. Aí, ela, a mídia, torna-se estuário de banalidades. No texto dos bons jornalistas (Fernando Sabino, Machado de Assis, Jorge Araujo, Ruy Castro, Joaquim Nabuco, Hélio Pólvora, Florisvaldo Mattos…) nunca se viu disparate do tipo “tentar contra a vida”. Os dicionários (Aurélio, Michaelis) também não aceitam essa acepção. Logo, para que discutir ossos-de-borboleta?
Cumpre-se o dever de informar que morreu José Midlin, o grande bibliófilo brasileiro. Mais do que leitor e colecionador de livros – reconhecem políticos de vários matizes – Midlin foi um grande cidadão do Brasil. Reagiu, como pôde, à ditadura militar e, particularmente, ao assassinato oficial do jornalista Wladmir Herzog. Seu acervo, cerca de 17 mil livros, foi doado à biblioteca da USP. Ele deixou claro, há tempos, que a biblioteca não lhe pertencia, era pública: “Sou o guardião dos livros”, dizia – nunca fui guardião de livros, ai de mim! O meus, bem poucos, voam livres e, ao contrário das pombas de Raimundo Correa (que retornam ao pombal todas as tardes) não voltam mais às minhas mãos. Perdeu o Brasil um filho ilustre.
Por motivos nem sempre conhecidos, músicos americanos, sobretudo os ligados ao jazz, sempre ganharam apelidos “exagerados”. Ellington era duque (the duke), Ray Charles, gênio (the genius), Frank Sinatra era a voz (the voice), Stan Getz, o som (the sound); Basie era o conde (the count). Lester Young, trompetista preferido da grande Billie Holiday, a Lady Day (foto), ganhou dela o apelido de the president, que passou a “assinar” de forma abreviada: Pres Lester Young; Charlie Parker era the bird, Nat Cole chamava-se Nat King Cole, e Miles Davis se tornou lendário como Miles, o divino. Aliás, divina era também Sarah Vaughan e uma das mais festejadas cantoras brasileiras de todos os tempos: a divina Elizeth Cardoso.
POR VOLTA DA MEIA-NOITE
Mas há uma face trágica. O jazz formou um imenso mercado consumidor de drogas, levando muitas estrelas a ter suas careiras prejudicadas, ou a encerrá-las antes da hora, para atender ao prematuro chamado da morte. Charlie Parker, Dexter Gordon (foto), Billie Holiday, Jannis Joplin, John Coltrane, Miles Davis, Chet Baker e Coleman Hawkins, aqui referidos de memória, têm a ligá-los não só a genialidade (alguns críticos acham que Chet Baker é uma sombra de Miles Davis, mas esses detalhes técnicos escapam ao meu nível de mero ouvinte): todos, de alguma forma, tiveram a vida invadida pelo vício. O assunto permeia o ótimo filme Por volta da meia-noite (Bertrand Tavernier/2001). O tempo é 1959, na Blue Note, em Paris. Um jovem parisiense branco, do lado de fora da boate, ouve, encantado, o som eloquente do tenorista Dale Turner/Dexter Gordon – e a partir daí vai se construir entre eles uma amizade que se estenderá até a morte do músico.
TRABALHO DE FÃ PARA FÃS
Mais conhecido pelo seu título original, Round midnight (um dos temas de jazz mais gravados do mundo – já apresentado aqui), Por volta da meia-noite é filme de fã de jazz para fãs de jazz. Não me perguntem quantas vezes o vi (a resposta teria um número com dois dígitos). É a história de um gênio, já em fase terminal, com a vida em queda inapelável. Diante da fantástica trilha sonora de Herbie Hancock (ganhador do Oscar), Dexter Gordon se conduz como um veterano ator de cinema, com seu sax e seu surpreendente talento (indicado para o Oscar). Este, aliás, é um dos aspectos mais interessantes do filme: ter um músico como protagonista e com todos os números musicais feitos ao vivo. Na abertura, Bobby McFerrin executa Round midnight… com a garganta; depois, Gordon nos brinda com um memorável As time goes by. Arrepiante.
O GOGÓ AFINADÍSSIMO DE MCFERRIN
O grandalhão tenorista Dexter Gordon nos passa a sensação de ser uma insólita mistura de Charlie Parker, Chet Baker e Miles Davis – todos vítimas do vício. Parker, aliás, morreu com apenas 34 anos, e é tema de Bird, filme de Clint Eastwood que não coube na coluna hoje. Além de Gordon, Round midnight apresenta vários nomes conhecidos, sendo um prazer para o aficionado do jazz identificá-los: Herbie Hancock (foto), John McLauglin, Wayne Shorter, Ron Carter e Fred Hubbard. Clique e ouça Round midnight, de Thelonious Monk, em solo de gogó de Bobby McFerrin (ao piano, Herbie Hancock; o cara do charuto, na bateria, é Tony Williams).