Do site Museu da Pelada, extraímos esta narrativa de Zé Roberto Padilha. Década de 70, a glória no Flamengo, a despedida no Itabuna e a inauguração do eterno inconcluso Estádio Luiz Viana Filho em um pouco da história do jogador. Confira:
O AEROPORTO DE ITABUNA
Zé Roberto Padilha
(…) não consegui esconder minhas lágrimas quando a cidade parou numa quarta-feira para assistir nosso primeiro treino. Tratava-se da principal atração do clube do cacau para o estadual da primeira divisão baiana de 1979.
Era um sábado ensolarado do mês de junho e o avião da Varig (lembram-se dela?) se aproximava do Aeroporto Luis Viana Filho, em Itabuna, Bahia, trazendo a delegação do CR Flamengo, que iria fazer um amistoso inaugurando o novo estádio do clube.E como se tratava de Flamengo, dava para ver da janelinha aquelas formiguinhas carregando suas bandeiras vermelho e preta em volta da pista. Estou falando de 1976, naquela época as pessoas recebiam os passageiros da Varig, Vasp e Transbrasil à beira da pista, não tinha aquela passarela suspensa, era olho no olho, emoção do torcedor na cara do jogador.
Nas últimas poltronas, após o sambinha do fundo homenageando nosso Merica para desespero das aeromoças, o filho daquela terra que chegara à Gávea ao lado do Dendê, eu e meu parceiro Toninho Baiano. Já jogador da seleção, Toninho, então assíduo do Charles de Gaulle, Orly, e aeroportos cheios de estilo como o de Roma e de Madrid, virou-se para mim e disparou:
– Já pensou, Zé, você chegando nesta “babinha” não mais para jogar, mas de mala, para ficar de vez por aqui.
Não concordei, nem discordei, apenas sorri. Meu silêncio foi de uma cumplicidade e arrogância do mesmo tamanho.
E descemos aquelas escadas anestesiados pela glória passageira como eterna fosse. Porque jogador de futebol vive seus 15 anos máximos de glória fora da realidade econômica do seu país e da sua família, ou vocês acham que o Gum (120 mil reais/mês), Henrique (160 mil reais/mês) limitados zagueiros do Fluminense, que ganham 4 vezes mais do que nosso mais alto magistrado, não seriam protagonistas, hoje, da mesma história? Perguntem a eles, no fundo do jatinho fretado do Flu, durante a Copa do Brasil, se eles fossem jogar contra o Asa e desembarcassem no aeroporto de Arapiraca não para o jogo de ida, mas para ficar por ali, ganhando salário normal, de um jogador trabalhador da segunda ou terceira divisão do nosso futebol?
Com a camisa do Flamengo
A partida entre Flamengo x Itabuna levou 40 mil pessoas ao também estádio Luis Viana Filho no dia 25/01/76, poderoso nome de uma raposa política capaz de batizar aeroportos e estádios, e o placar foi de 5×0 pro nosso time (Luizinho, aos 8, Zico, 17 do 1º tempo, e Caio aos 24, 27 e 32 do 2º), e saímos dali nos braços queridos dos baianos, levando aquele diálogo de fundo de avião como uma norma taxativa da irrealidade em que vivíamos.
Daí fui para o Santa Cruz, em Recife, dois anos depois machuquei meu joelho, operei em uma época em que a medicina retirava todos os meniscos no lugar de isolar apenas sua parte lesionada, preservando aquele fundamental órgão de amortecimento, e acabei colocado em disponibilidade no mercado esportivo. Minha esposa estava grávida da nossa primeira filha, a Roberta, quando desembarquei de uma excursão à Arábia Saudita com o Santa Cruz, onde meu joelho não mais respondia aos apelos do meu pulmão para correr pelo campo todo. Sem ele, restou-me o currículo para atrair clubes ainda interessados. O primeiro foi o Bahia. Fui para Salvador realizar exames médicos e escolher apartamento. Ainda arrumava as malas quando um diretor do Santa Cruz me abordou com aquele velho chavão:
– Tenho duas notícias, uma boa e a outra ruim. Qual delas prefere?
A ruim era que o departamento médico do Bahia vetara minha contratação. A boa era que um clube baiano, diante da recusa do seu rival no estadual, pagava o mesmo preço. Sem exames médicos. Este clube o Itabuna FC.
Quando o avião me levou, três anos depois, de volta para aquele aeroporto, desta vez para ficar, com a mala cheia de vergonha e um pensamento no preconceituoso diálogo travado com o Toninho, não consegui esconder minhas lágrimas quando a cidade parou numa quarta-feira para assistir nosso primeiro treino. Tratava-se da principal atração do clube do cacau para o estadual da primeira divisão baiana de 1979 e no primeiro toque na bola senti meu joelho. E eles respeitaram minha saída cabisbaixa do treino, ajudaram na minha recuperação pelo SUS, incentivaram meu retorno e a manter, até o final do contrato, um salário digno de um trabalhador já então pai de família.
Naquele ano não foi apenas a Roberta que nasceu, mas uma lição definitiva de humildade explícita foi incorporada a vida da gente. Aquela “babinha” foi o lugar que me acolheu e desnudou o quanto são “bobinhos” os que se deixam seduzir pelo efêmero poder de ser um dia jogador de futebol do Flamengo.
A alemã Deutsche Welle lançou um vídeo que mostra o poder da marca Neymar. Os números do jogador brasileiro para o campo dos negócios/mercado de consumo explicam o porquê de o francês PSG pagar mais de R$ 800 milhões pelo jogador. Confira a tuitada da DW e entenda um pouco dessa máquina de negócios.
Tempo de leitura: 2minutosBola vai rolar neste domingo no Estádio Luiz Viana Filho || Foto Divulgação
O Campeonato Intermunicipal de Futebol 2017 começa neste domingo (6) com 31 jogos. A Seleção de Itabuna enfrentará Uruçuca, no Estádio Luiz Viana Filho, o Itabunão, às 15h. O ingresso para a partida custa R$ 10,00.
Ilhéus joga contra Itapé, no estádio da equipe adversária, também às 15h. Itabuna, Ilhéus, Itapé e Uruçuca são do Grupo 11.
JOGO INAUGURAL
O jogo inaugural da competição será às 10h30min. Itaberaba terá Ipirá pela frente, às 10h30min, no Estádio Municipal, na Chapada Diamantina. Itaberaba foi a campeã do Intermunicipal de 2016.
Das 64 inscritas para a competição, uma desistiu. Com o estádio local ainda em reforma, a Seleção Casa Nova enviou o pedido de desistência à Federação Baiana de Futebol (FBF).
A entidade acatou as justificativas de Casa Nova. A equipe integraria o Grupo 1, do qual fazem parte Caldeirão Grande, Juazeiro e Senhor do Bomfim.
ITAJUÍPE FORA
Um desfalque considerável no Intermunicipal deste ano é Itajuípe. A seleção do município sul-baiano já conquistou a competição em 1987 e em 2013. Deixa de participar no ano em que chega ao poder um ex-jogador de futebol. Marcone Amaral (PSD) brilhou em times como o Vitória e o Al-Shamal. O PIMENTA não conseguiu contato com o prefeito para explicar os motivos de a seleção não participar do Intermunicipal.
O Jequié conquistou a Segunda Divisão do Baiano de Futebol (Série B), no último domingo (9), aplicando 3 a 1 no Cajazeiras. Isso, após uma belíssima campanha e depois de ter brocado o time soteropolitano, por 4 a 1, lá em Salvador, na primeira partida das finais. Em 2018, o Jequié – oficialmente ADJ – estará na Série A.
A torcida fez uma grande festa para a equipe, como pode ser visto no vídeo abaixo. O repórter Fábio Sousa, um dos nomes mais respeitados do radiojornalismo esportivo do sul da Bahia, compartilhou as imagens em redes sociais e no Whatsapp com um questionamento interessante para nossos dirigentes – e torcedores, também: “Sabe quando você verá isso em Itabuna?”. A resposta está na ponta da língua de cada torcedor grapiúna. E os dirigentes, o que dizem?
O Jequié bateu o Cajazeiras, por 3 a 1, há pouco, no Estádio Waldomiro Borges, e faturou a Série B do Campeonato Baiano 2017. A vitória garantiu ao time do sudoeste baiano a vaga na elite do futebol estadual em 2018.
O Jequié poderia até perder o jogo de hoje que levantaria a taça. Isso, porque bateu o Cajazeiras por 4 a 1 no primeiro jogo das finais.
O Jequié, após várias tentativas, retorna à Série A após 20 anos. A equipe campeã já havia sido dona da melhor campanha da fase de classificação e fez valer o histórico deste ano.
Sandry Roberto disputará Sul-Americano || Foto Blog do ThameA Seleção Brasileira Sub15 foi convocada, nesta sexta-feira (7), para um período de treinamentos na Granja Comary. Foram chamados 25 atletas para este ciclo de preparação para o Sul-Americano da categoria. O itabunense Sandry Roberto, revelado nas categorias de base do Ciso e da AABB Itabuna, está entre os convocados.
A delegação se apresenta no dia 9 de julho (domingo), e permanece reunida até o dia 13, na quinta-feira. Os trabalhos serão comandados pelo técnico Guilherme Dalla Déa e por Paulo Victor Gomes, técnico convocado do sub15 do Palmeiras, informa o Blog do Thame.
O Vitória foi à Arena da Baixada enfrentar o Atlético-PR e perdeu por 4 a 1. O Bahia também perdeu. Jogando na Fonte Nova, o Esquadrão levou 1 a 0 do Flamengo.
Os resultados da rodada jogaram o Bahia na Zona de Rebaixamento do Brasileirão 2017, onde passa a fazer companhia ao Leão da Barra. Com 10 pontos, o Esquadrão é o 17º, enquanto o Vitória, com 8, está em 18º.
Tempo de leitura: 2minutosItabunense Sandry Roberto é convocado pela Seleção Brasileira Sub-15.Vladistone comemora convocação.
O jogador itabunense Sandry Roberto foi convocado pela CBF para a Seleção Brasileira Sub-15, que vai disputar competições internacionais, a exemplo do Sul-Americano Sub-15 de 2017. É a primeira convocação do atleta, que é filho do ex-jogador do Itabuna Esporte Clube, também volante, Nenenzinho, e de Adriana Gonçalves, ex-atleta de futsal.
Sandry começou a dar seus primeiros passes e gols na escolinha de futsal do Colégio CISO, aos 8 anos, participando de competições escolares e da Liga Futsal de Itabuna, com o professor Vladistone Menezes.
De lá, seguiu para a Academia de Futebol da AABB, aos 9 anos, onde começou a mostrar sua habilidade, nas competições de base da cidade e copas regionais. Foi descoberto pelo Santos FC (São Paulo) aos 11 anos, para onde viajou junto, com seus pais e irmã. Aprovado, passou a integrar as categorias de base do clube e conquistou os títulos de campeão paulista Sub-11 e Sub-13 e campeão da Copa Zico Sub-15.
Sandry já fez 50 partidas pelo Santos no Campeonato Paulista desde 2014 e só tomou um cartão amarelo, mesmo jogando na frente da zaga. “É um jogador de grande potencial, com boa formação familiar e que tem um belo futuro pela frente”, comemora o professor Vladistone em entrevista ao Blog do Thame.
Confira a lista de convocados
GOLEIROS Cristian – Atlético Mineiro
Gabriel Pereira – Grêmio
Gabriel Lima – Sport
ZAGUEIROS Alysson – Cruzeiro
Pedro Lucas – Sport
Félix – Internacional
Henri – Palmeiras
O Colo Colo sofreu goleada histórica, ontem (6), no Estádio Mário Pessoa, na partida contra a ADJ, de Jequié. O time do sudoeste baiano aplicou 5 a 0 no Tigre Ilheense, na quarta rodada da Série B do Campeonato Baiano de Futebol.
O torcedor Josemildo Linhares relata a vergonha pela qual passou vendo o Tigre sendo esmagado em seus próprios domínios.
Eis o relato:
“A última vez que vi um 5×0 no Mário Pessoa foi há cerca de 50 anos quando o Colo Colo venceu o Ipiranga na estréia da primeira divisão do campeonato baiano!
Neste sábado vi um time acéfalo de um clube acéfalo que não respeita nem a obrigatoriedade de meia para idosos e estudantes. Enquanto o time servia de sparring para o Jequié treinar, vi dirigente na portaria às risadas em conversa com autoridade municipal. Para que observar o time em campo se o negócio é apenas um negócio, não importando a dor do torcedor apaixonado e perplexo? Para que respeitar a história auriceleste?
Ao término da partida, os derrotados queriam briga porque não ganharam na bola em casa e não vi o comandante em campo para evitar mais essa vergonha. Já tinha ido para o vestiário, o que os jogadores demoraram de fazer não sei se com algum receio.Ficaram no círculo central, longe da triste e humilhada torcida.
O duelo entre Vitória e Bahia, válido pela primeira partida das semifinais da Copa do Nordeste 2017, foi vencido pelos rubro-negros. E de virada. Após permitir gol do Esquadrão, o Leão conseguiu sair em vantagem. Aplicou 2 a 1 no Bahia. Euller e André Lima fizeram os gols do Rubro-Negro. Edson fez o do Tricolor baiano.
Confira os melhores momentos do jogo no vídeo abaixo.
Tempo de leitura: < 1minutoRepresentantes do Tigre e das Lojas Buriti assinaram contrato hoje.
A rede de Lojas Buriti patrocinará o Colo Colo na disputa pela vaga na Série A do Campeonato Baiano de Futebol do próximo ano. O contrato foi assinado por representantes do clube ilheense e da empresa de material de construção, hoje (13), em Ilhéus. O time ilheense começa a disputa da Série B neste sábado (15), às 18h30min, contra o PFC Cajazeiras, no Estádio Mário Pessoa. O campeão assegura vaga na elite do Estadual de 2018.
O contrato foi assinado pelo diretor comercial da Buriti, Mauro Luiz Ribeiro, e a diretora de marketing da Alpha Sports, Kethllen Ribeiro. A Alpha será a responsável pela gestão do futebol do Tigre Ilheense. “A parceria firmada com as Lojas Buriti só vem fortalecer o time, além de permitir uma relação mais próxima com o torcedor”.
Segundo Mauro Ribeiro, o compromisso firmado com o Colo Colo integra a missão das Lojas Buriti. “A ideia é somar esforços para que o Colo Colo, que é uma paixão do povo de Ilhéus, possa fazer um bom campeonato e, no final, subir para a primeira divisão, lugar de onde o tigre não deveria ter saído. Desejamos que esse elenco possa dar muita alegria a essa torcida que merece”, disse Mauro Ribeiro.
Tempo de leitura: < 1minutoVitória tem maior folha do Nordestão (Foto Arquivo).
O Vitória tem a maior folha salarial dos times semifinalistas da Copa do Nordeste 2017. O Rubro-Negro baiano desembolsa R$ 4,5 milhões mensais. O Sport Recife aparece em segundo, com R$ 4 milhões, segundo o NordestãoFC.
O Bahia gasta R$ 3,2 milhões. Outro time pernambucano na fase semifinal, o Santa Cruz tem despesa que chega a ser quase 10% do desembolsado pelo Vitória para pagar o plantel: R$ 480 mil ao mês.
A Seleção Brasileira pratica, indiscutivelmente, o melhor futebol da América.
Classificou-se para a Copa da Rússia com quatro rodadas de antecedência e vem de inéditas 8 vitórias nas Eliminatórias, uma trajetória mágica que incluiu shows de bola contra Argentina (3×0), Uruguai (4×1) e Paraguai (3×0).
Mais do que os resultados expressivos, vem jogando um futebol que resgatou a paixão pela Seleção, fazendo inclusive com que o exigente torcedor paulista (de vaias memoráveis e atitudes incivilizadas como atirar bandeiras do Brasil no gramado do Morumbi num jogo horrendo contra a Colômbia), se rendesse ao time de Neymar e Cia.
Ao time de `seu` Adenor, mais conhecido como Tite.
O que se viu na Arena Corinthians foi uma verdadeira lua de mel entre time e torcida, com direito a um “olê, olê, olê, Tite, Tite…” no final do jogo.
Consagrador.
O Brasil voltou o ser o Rei da América.
Ponto.
Parágrafo.
Como quase tudo nesse paraíso tropical bipolar (há controvérsias quanto ao paraíso) vai-se do inferno ao céu e vice-versa num piscar de olhos.
A Seleção, com praticamente os mesmos jogadores, era um quase-Ibis há menos de um ano atrás. Agora é o suprassumo do suprassumo do mundo da bola.
A maravilha da galáxia.
Neymar que era um craque mascarado e individualista, que pipocava na Seleção, agora já é melhor do que Messi e Cristiano Ronaldo juntos, um quase-Pelé.
E por aí vai…
Galvão Bueno puxa o coro da louvação, seguido pelos colegas da imprensa, numa unanimidade em que se ouvem poucas vozes sensatas.
E é preciso mesmo um pouco se sensatez.
Se é verdade que Tite fez da Seleção uma equipe respeitada, que pratica um futebol de primeiro nível, transformou Neymar num craque que joga para o time, letal e as vezes genial, não é menos verdade que a conquista do mundo em 2018 não é algo líquido e certo, como se a gente fosse lá pra Russia, tomasse umas vodcas, dançasse umas balalaicas na praça Vermelha, comprasse umas matrioskas pra agradar as filhas e a patroa, pegasse a taça e voltasse pra casa.
Seria ótimo se fosse assim, mas não é.
Falta combinar com os russos, como diria o saudoso Mané Garrincha. Agora literalmente.
O time está bem, Neymar joga cada dia melhor, Casemiro, Paulinho e Phillipe Coutinho tem se revelado gratas surpresas, mas é preciso manter o foco, saber que tem que evoluir sempre e não cair na tentação do `já ganhou`.
A história está repleta – e Tite sabe disso- de times e seleções que ganharam de véspera e na hora na oncinha beber água ficaram de bico seco.
Ou engoliram um 7×1 ainda não devidamente digerido.
Portanto, é de bom alvitre deixar a torcida e a mídia com os pés nas alturas e manter as chuteiras com pés no chão.
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É PÊNALTI – A FIFA e seu espírito de Máfia. A punição a Lionel Messi é absolutamente desproporcional e pode custar a vaga da Argentina na Copa. Verdadeira vinditta contra Maradona e sua coragem de denunciar os ´santinhos` da entidade.
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É GOL – Tite para Presidente? Então tá! E Neymar, seria o quê? Ministro da Fazenda ou superintendente da Receita Federal?
Fora Temer (ops!), quem mais se candidata?
Daniel Thame é jornalista e editor do Blog do Thame.
Apostou em Paulinho, autor de três gols contra o Uruguai, que estava perdido na China. Confirmou Casemiro, que hoje brilha no Real Madrid e é um dínamo no meio de campo. Transformou um bando num time. Simples assim.
Brasil 4×1 Uruguai no Estádio Centenário, templo do futebol mundial. Vaga garantida para a Copa da Rússia, embora a matemática diga que ainda não.
Dane-se a matemática.
O Brasil não apenas está na Copa, como resgatou o respeito perdido depois do 7×1 com Felipão e da sofrida Era Dunga, parte 2, que já era.
Tite conseguiu transformar um grupo de jogadores que cintilavam em seus times na Europa e se tornavam burocratas com a camisa amarela da Seleção numa equipe coesa, confiante e busca a vitória o tempo todo.
Mudou a filosofia. Acabou aquela história de que empatar com Bolívia, Peru e Equador fora de casa era bom resultado.
Acabou também esse negócio de seleções marca bufa enfrentarem o Brasil como se estivessem jogando contra as Ilhas Fiji.
Os 4×1 no Uruguai, incontestáveis diante da superioridade brasileira, mesmo tendo sofrido um golo logo de cara, são a confirmação de que, enfim, temos uma seleção que vai chegar à Rússia como protagonista, não como coadjuvante.
Tite tem acertado em cheio nas convocações, embora possa se questionar um ou outro nome. Nada que faça dólar cair, o PIB subir e nossos políticos serem pouquinha coisa mais honestos.
Apostou em Paulinho, autor de três gols contra o Uruguai, que estava perdido na China. Confirmou Casemiro, que hoje brilha no Real Madrid e é um dínamo no meio de campo. Transformou um bando num time. Simples assim.
E principalmente fez Neymar fechar o ciclo de chiliques e individualismo na Seleção e ser o jogador solidário que é no Barcelona, sem com isso deixar de ser o craque que é. Ou por isso mesmo estar se tornando um craque completo.
Sem piscadelas para as câmeras de televisão durante o jogo, sem humilhar os adversários com dribles inúteis. Fazendo o que sabe fazer de melhor: jogar futebol de alto nível. E isso Neymar faz como poucos no Planeta Bola.
O Brasil perdeu o medo de ser feliz.
Pelo menos no futebol, pelo menos no futebol…
´Tovarichs`, podem preparar a vodka que o Brasil está chegando.
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É GOL – Aos trancos e barrancos, Lionel Messi vai carregando a Argentina nas costas rumo à Rússia. A Copa 2018 é a última chance de canonização de ´La Puga`. Porque Deus a Argentina só tem um, Diego, “el Diez”. E, como se não bastasse, ainda um Papa, Francisco.
É PÊNALTI – Ainda é cedo para avaliar o trabalho de Rogério Ceni, mas o encantamento inicial vai se esvaziando, por conta de erros de escalação, invenções que não dão certo e resultados medíocres. Seria a carruagem dourada uma abóbora?
Daniel Thame é jornalista e editor do Blog do Thame.
Atlético Paranaense x Coritiba pelo Youtube pode ter sido a Sierra Maestra da libertação dos clubes. Ou pode ter sido apenas um daqueles momentos que, embora históricos se perdem nos desvãos da História, porque nascem e morrem como uma intenção que não se transformou em ação efetiva e continuada.
Coritiba e Atlético Paranaense protagonizaram um jogo histórico na quarta-feira. Não pela qualidade do futebol, que futebol de qualidade é artigo raro nos campos brasileiros, mas pelo fato de que, pela primeira vez, um dos mais tradicionais clássicos do país não teve transmissão por uma emissora de tevê, aberta ou fechada, mas pelo Youtube, o canal de vídeos do cada vez mais onipresente Google.
O resultado, 2×0 para o Atlético, é o que menos importa, já que o Campeonato Paranaense, a exemplo dos demais estaduais, perdeu qualquer relevância.
O verdadeiro significado deste já histórico embate é que os clubes brasileiros podem estar dando o primeiro passo para se livrar das amarras das federações, verdadeiras sanguessugas e não raro antro das mais deslavadas negociatas, e da Rede Globo, emissora que detém os direitos de transmissão e praticamente monopoliza o futebol, dos jogos da Seleção Brasileira ao torneiozinho mais chinfrim.
É a Rede Globo quem determina quanto vai pagar aos clubes, os horários dos jogos e as partidas que vai transmitir, tudo de acordo com a sua grade de programação. O que implica, por exemplo, em jogos de meio de semana no obsceno horário das 22 horas, impraticável num país onde o transporte público funciona mal e a violência faz com que, à noite, não apenas todos os gatos sejam pardos, como também todo torcedor/cidadão seja uma vítima em potencial.
Ressalte-se que a Rede Globo está no direito de pagar quanto acha que deve pagar (e as vezes paga muito por um futebol de quinta categoria, vide o medonho Brusque 0x0 Corinthians na quarta-feira, pela Copa do Brasil) e transmite (ou não transmite) o que acha conveniente, ainda que num sábado de Carnaval, opte por transmitir Fluminense 0x0 Madureira (outro show de horror), privando o torcedor de assistir ao Flamengo x Vasco, com futebol igualmente horrendo, mas com muito mais apelo.
Posto que a Globo pode pagar o que quer e transmitir o que quer, desde que os clubes aceitem e assinem os contratos de transmissão. Aos que não aceitam buscar outros caminhos, cabe romper o status quo que impera desde que a bola é redonda.
E é ai que está a importância histórica do Atletiba. O jogo, segundo os dois clubes que o transmitiram em seus canais no Youtube, atraiu cerca de 3 milhões de pessoas.
Imagine-se o potencial de um Palmeiras x Corinthians, São Paulo x Corinthians, Flamengo x Vasco, Cruzeiro x Atlético Mineiro, Inter x Grêmio, Bahia x Vitória.
Os próprios clubes poderão negociar cotas de patrocínio, placas publicitárias nos estádios e uma infinidade de possibilidades de arrecadação que a internet, acessada do celular ao aparelho de tevê, permite. Isso sem as amarras e as intermediações das federações e sem as imposições de horário e de tabela das tevês.
É um longo e difícil caminho, mas é também uma revolução.
E como todo caminho longo e difícil, como toda revolução, exige perseverança, união, luta, paciência e resistência a forças poderosas.
Atlético Paranaense x Coritiba pelo Youtube pode ter sido a Sierra Maestra da libertação dos clubes. Ou pode ter sido apenas um daqueles momentos que, embora históricos se perdem nos desvãos da História, porque nascem e morrem como uma intenção que não se transformou em ação efetiva e continuada.
Cabe aos clubes brasileiros, com o caminho foi sinalizado e o primeiro passo dado, decidir se querem seguir em frente ou se contentar com um bolo que é dividido de forma desigual e em que a maioria tem que se contentar apenas com migalhas.
Recorramos a um simbolismo, esse sim inegavelmente Histórico: de Sierra Maestra a La Habana não é fácil, mas `si, se puede`.