O Itabuna fez 11 e o adversário apenas 1, o de honra. Se é que um gol honra um time que leva 11 ou uma seleção que toma sete.
Marival Guedes | marivalguedes@yahoo.com.br
Em 1969 uma jovem conheceu, numa festa/exposição, integrantes dos Novos Baianos. Gostou e tomou uma decisão tão louca quanto o grupo: abandonou o curso de Comunicação na USP, família que morava num confortável casarão, amigos e estágio. Partiu junto.
Marília Aguiar não tocava nem cantava. Mas, nesta aventura, muito ajudou na administração 1979, quando o grupo se separou. Ela relata a experiência no livro Caí na Estrada com os Novos Baianos (ed. Agir), prefácio de Zélia Duncan e posfácio de Paulinho Boca de Cantor.
Um dos capítulos é sobre um jogo contra o Itabuna. No retorno de Salvador ao Rio, no final do carnaval de 1973, o dinheiro já estava acabando quando passavam na cidade. Então lembraram de um amigo fazendeiro.
Marília não entra em detalhes, mas o fazendeiro era Reinaldo Sepúlveda e quem fez o contato foi o repórter fotográfico Mário Queiroz, produtor do grupo na Bahia e amigo de Reinaldinho.
Na fazenda Amaralina, ela diz “que surgiu uma proposta bizarra”, marcar uma partida contra o Itabuna. Lembra que, “além da música, os Novos Baianos eram apaixonados por futebol. Tinha até time, o NBFC-Novos Baianos Futebol Clube e acreditavam que eram craques”. Doce ilusão.
Mário conversou com o então presidente do Itabuna, o advogado Gervásio José dos Santos, e ficou combinada a realização da partida com a renda dividida, 50% para cada equipe. A divulgação foi ampla e o estádio, a Desportiva Itabunense, lotou.
Livro de Marília Aguiar narra experiência com o grupo Novos Baianos
Segundo Marília, “o NBFC jogava muito mal”. Os torcedores reagiam com vaias, palavrões e chamavam os cabeludos de veados. “Baby não gostou, subiu no banco de reservas e revidou com os mesmos adjetivos. ”
O Itabuna fez 11 e o adversário apenas 1, o de honra. Se é que um gol honra um time que leva 11 ou uma seleção que toma sete.
A autora diz que a torcida ficou revoltadíssima quando percebeu que havia sido enganada e pagou para o seu time jogar contra amadores. Começou a ameaçar. A polícia foi chamada e escoltou o grupo até a fazenda. Receberam a parte combinada e foram despachados cedinho, pra evitar novas confusões.
Na véspera do jogo foi realizado um show no cine Marabá. Assisti ao belo espetáculo, Inesquecível. “Pernas de pau” no futebol, craques na música, os Novos Baianos entram na história da MPB. Há documentários sobre eles, o mais famoso é Filhos de João, referência a João Gilberto, que teve decisiva influência sobre os caminhos musicais do grupo.
Sentindo o cheiro de maracutaia, Gabriel Nunes se dirige a Salvador com Gérson Souza e descobre o plano de colocar o Itabuna na geladeira por vários meses, enquanto o Bahia disputaria o Brasileirão.
Walmir Rosário
Em 1970, tudo indicava que o Itabuna Esporte Clube pretendia se tornar tema de peça teatral do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, com direito ao personagem Sobrenatural de Almeida mandando na trama. Pois é, disso não duvidem, jamais. Neste ano, o Azulão, o Meu Time de Fé, esteve no inferno, passou pelo purgatório, aterrissou no céu e novamente desceu ao fogo do inferno.
E não era pra menos. No início do ano era um time insolvente, falido, sem diretoria, largado ao Deus Dará, quando em fevereiro de 1970 o advogado Gabriel Nunes reúne uma diretoria para assumir o clube. Mesmo sem experiência alguma na administração de clubes de futebol, a diretoria arregaça as mangas e inicia um trabalho para tirar o Itabuna do enorme atoleiro em que se encontrava.
O único saldo positivo eram 22 jogadores, na grande maioria amadores, e alguns profissionais remanescentes do time de craques que contratara. E assim começaram a disputar o Campeonato Baiano de 1970. O que a diretoria não contava era a concorrência da Copa do Mundo, na qual o Brasil se sagrou tricampeão no México, e do inverno rigoroso, que afastavam a torcida dos estádios.
Neste ano, o certame baiano era visto pela Federação Bahiana de Futebol, além de Bahia e Vitória, apenas como compromisso de segundo plano, pois esses dois times pretendiam mesmo era jogar o Campeonato Brasileiro. Em Itabuna, os planos de Gabriel Nunes eram bem mais modestos, como recolocar o Itabuna no cenário futebolístico que pertencia. O grande entrave era a falta de dinheiro para honrar as dívidas e formar um bom time.
Grande parte dos atletas do Itabuna exercia outra profissão, como Carlão, taxista em Ilhéus; os goleiros Luiz Carlos, bancário; Galalau, segurança bancário; e por aí afora. Diante do caos reinante, o presidente Gabriel Nunes encontrava dificuldades em contratar ônibus para o transporte dos atletas e da torcida, além de honrar com o pagamento de salários e bichos nas vitórias.
A cada jogo era um sufoco e era preciso fazer campanhas para arrecadar dinheiro junto à torcida. Como não haviam recursos para pagar os jogadores, a diretoria recorre à parceria. Os atletas abririam mão dos salários e bichos e receberiam 70% da renda que o Itabuna faria jus e os outros 30% ficariam para as despesas. Àquela época, o vencedor ficava com 60% e o perdedor com 40%, tiradas as outras despesas.
Imediatamente todos toparam. E o presidente Gabriel Nunes fez um alerta: temos que ganhar os jogos para levarmos 60%, o que mexeu com o brio dos atletas. Logo no segundo jogo, o Itabuna perde para o Galícia, no campo da Graça, por 1X0, gol de Élcio, ex-Itabuna. No próximo jogo, contra o Vitória, os guerreiros de Itabuna conseguiram virar o jogo e aplicar 2X1 no rubro-negro baiano, ganhando a confiança da fanática torcida.
Outra prova importante foi contra o timaço do Feira Tênis Clube. O jogo foi realizado em Itabuna debaixo de uma forte chuva. Quando o zagueiro Americano atrasou a bola para o goleiro Betinho, ela parou numa poça d’água, e o Feira marcou 1X0. No intervalo, Gabriel vai ao vestiário e conversa com os jogadores. Americano pediu que a diretoria ficasse tranquila, pois ganhariam o jogo. Ao final, 2X1, conforme prometido.
Outra partida hercúlea foi contra o Jequié, outra sensação do interior. Só que o Itabuna não tinha dinheiro para contratar os ônibus e tampouco se hospedar num hotel. A proposta era viajarem no dia do jogo, em carros dos diretores, fazerem uma parada para o lanche na estrada, jogar a partida e fazer nova parada para outro lanche reforçado na volta, o que foi prontamente aceito por todos.
Só que a imprensa divulgou essa notícia, mexendo com os brios dos torcedores, que logo se movimentaram com as famosas vaquinhas. Um torcedor itabunense que morava em Jequié reuniu outros conterrâneos e pagaram o hotel; os de Itabuna pagaram as despesas com as refeições, e Frederico Midlej conseguiu os ônibus para o transporte. O resultado do jogo foi 1X1.
Mais pra frente, o Itabuna empata com o Bahia no campo da Graça. E esta viagem foi mais uma epopeia, com a entrada de Gabriel em campo, para fazer uma campanha na Rádio Difusora e conseguir as 28 passagens de avião junto a José Laurindo, representante da Aviação Sadia. O sucesso foi tão grande que foram doadas 30 passagens. Novamente, Frederico Midlej consegue mais dois ônibus para a torcida e a charanga.
Das 16 partidas do segundo turno, o Itabuna vence 13 e se torna o time a ser batido pelo Bahia e pelo Vitória. Faltava apenas um jogo para o Itabuna Esporte Clube ganhar o segundo turno e se tornar um dos finalistas, indo para a disputa do título com o Bahia. Em 13 de setembro de 1970, o Itabuna enfrenta o Ideal de Santo Amaro, bastando um empate para se tornar campeão do segundo turno. E assim foi feito.
No dia seguinte, o presidente Gabriel Nunes liga para o interventor da Federação Bahiana, Cícero Bahia Dantas (do departamento jurídico do Bahia), para marcar os jogos, que seriam disputados numa melhor de três (um jogo em cada sede e outro em campo neutro). Sem mais delongas, o interventor pede que Gabriel ligue na próxima semana, pois existia um recurso impetrado pelo Bahia.
Sentindo o cheiro de maracutaia, Gabriel Nunes se dirige a Salvador com Gérson Souza e descobre o plano de colocar o Itabuna na geladeira por vários meses, enquanto o Bahia disputaria o Brasileirão. E assim foi feito. Jogaram no lixo o regulamento do campeonato, e o Itabuna amargou mais uma derrota no tapetão baiano, prejudicando uma equipe módica e vencedora.
De início, a diretoria imaginou dar o troco, convidando o Fluminense de Feira, último campeão, para jogar em Itabuna e colocar as faixas no verdadeiro campeão, o que não foi aceito pela Assembleia Geral. Vencido o mandato, a diretoria liderada por Gabriel Nunes entrega o Itabuna Esporte Clube saneado, já vice-campeão, enquanto a nova diretoria teria o compromisso de jogar as partidas finais três meses depois.
O Itabuna vencedor foi desfeito e tomou duas goleadas. Na primeira, 3X0, no dia 13 de dezembro, e na segunda, 6X0, em 16 de dezembro. Era assim o futebol baiano.
Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.
* Na foto do time, em pé: Gabriel Nunes (presidente), Ailton, Betinho, Americano, Caxinguelê, Chuvisco, Reizinho, Ivo Hoffmann (técnico), Zé Rodrigues (roupeiro) e Ramirez Silvane (representante em Salvador); e agachados: Miltinho, Luizinho, Carlão, Ronaldo, Romualdo, Tombinho (massagista) e Antônio da Silva Júnior (gerente da Casa do Atleta). O mascote é o ex-jogador Gilberto (filho do lendário Santinho).
A volta do Itabuna Esporte Clube à Segunda Divisão do Campeonato Baiano já tem data e local marcados. Será no próximo dia 22, um domingo, no Estádio Pedro Caetano, em Ipiaú, contra o Botafogo Bonfinense. Enquanto o Estádio Luiz Viana Filho, o Itabunão, não for reabilitado para jogos oficiais, o Itabuna exercerá mando de campo em Ipiaú.
A última participação do Itabuna no campeonato foi em 2015, lembra o presidente do clube, Rodrigo Xavier, Digão, ao falar sobre o Projeto de Retorno ao Futebol Profissional, que será lançado nesta segunda-feira (2), às 18h, na Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB). No lançamento, o clube também vai formalizar os contratos de patrocínio da Buriti e do laboratório Zoetis.
PARTICIPAÇÃO RECORDE
A Segunda Divisão de 2022 será a primeira com 12 equipes. Além do Itabuna, o Grapiúna Atlético Clube é outro representante da cidade do sul da Bahia na competição. Também estão na disputa Botafogo Bonfinense, Canaã, Feirense, Flamengo de Guanambi, Fluminense de Feira, Galícia, Jacobina, Jacobinense, Jequié e Juazeiro.
Na primeira fase, todas os times se enfrentarão em turno único. Após as onze rodadas, os quatro primeiros avançarão às semifinais, que serão disputadas em jogos de ida e volta, assim como a finalíssima. Neste ano, o campeão e o vice garantem acesso à Primeira Divisão de 2023.
Termina o primeiro tempo da partida em zero a zero. Os jogadores entram para o segundo tempo e a torcida impaciente começa a gritar: Queremos o Bomba, queremos o Bomba!
Walmir Rosário
Confesso que o futebol praticado hoje não mais me emociona e nem mesmo os jogos da seleção brasileira me convidam a uma vaga no sofá na sala, ou numa mesa de bar ou a casa de amigos, como fazia antigamente. Utilizo a televisão de casa para assistir aos filmes, documentários, musicais e aos jogos (não me condenem precipitadamente) do Glorioso Botafogo, costume que adotei do último campeonato brasileiro pra cá.
Confesso que estou bastante satisfeito com as poucas partidas de futebol assistidas, nas quais vejo os valores individuais jogarem para o coletivo, driblando, lançando bolas para os atacantes, fazendo os belos e necessários gols para vencer as partidas. Me recuso – terminantemente – a assistir jogos em que os “craques” de agora têm medo da bola e a maltratam constantemente apenas para satisfazer os caprichos dos pobres treinadores.
Frequentemente sou chamado de saudosista, o que simplesmente não me ofende, ao contrário, me deixa feliz por gostar de apreciar o bom futebol e não esses de planos construídos numa prancheta de um treinador qualquer. Como não gostar dos craques que sabem dominar a bola e fazem acontecer nos campos desse Brasil afora. Relembro dos telefonemas recebidos do saudoso professor Gabriel Saraiva, comentando o show de bola dos craques do Botafogo, e até do Bahia (este não me emocionava).
Pois fiquem os senhores e senhoras sabendo que não apenas os times do Rio de Janeiro e São Paulo possuíam craques capazes de nos emocionar com jogadas maravilhosas, às vezes desconcertantes, terminadas em gols, ou não. Para não ir tão longe, vou me ater aos jogos realizados no meu “terreiro”, com a famosa seleção amadora de Itabuna (hexacampeã baiana) e o Itabuna Esporte Clube.
Para não encher a paciência dos leitores, não citarei aqui centenas de craques que fizeram a história futebolística baiana, embora não possa esquecer Santinho, os irmãos Leto, Carlos, Lua e Fernando Riela, Ademir Chicão, Luiz Carlos, Bel, Tombinho, o baixinho Ronaldo Dantas, Itajaí Andrade, João Xavier, dentre muitos outros. A grande maioria desses jogadores formaram o Itabuna Esporte Clube, criado em 23 de maio de 1967.
Devidamente profissionalizados, os craques tiveram que se adaptar ao novo estilo de preparação física e tática, agora com os profissionais do Rio de Janeiro, São Paulo e até Rio Grande do Sul. Se antes eram uma só família, esse clã cresceu bastante com os novos “parentes” contratados nos estados do sudeste brasileiro, aos poucos, a maioria dos filhos da casa abandonaram (ou foram obrigados a abandonarem) o futebol.
E essa atitude caiu como uma luva para os técnicos daquela época, a exemplo do conhecido “Velha” e outros que o substituíram, entre eles o gaúcho Ivo Hoffmann, que aqui chegavam, avaliavam o elenco e pediam grandes reforços. E assim iam ao Rio de Janeiro com a missão de selecionar craques que não tinham chances nos grandes times e trazê-los para brilhar e fazer brilhar o Itabuna.
Só que muitos desses jogadores eram arrebanhados nos campos de pelada e vinham em sociedade com os técnicos, que levavam uma gorda comissão (e bota gorda nisso). Numa destas viagens, Ivo Hoffmann vai ao Rio de Janeiro para trazer um zagueiro, dois meios-campistas, dois atacantes e um ponta-esquerda, para substituírem os que se encontravam “bichados”, ou que iriam para o banco.
Desta turma toda, a maior necessidade do Itabuna Esporte Clube era o ponta-esquerda, que há muito sofria de uma contusão crônica. Apresentação feita na sede do clube, na rua Barão do Rio Branco, o destaque era um jogador negro, baixinho, gordinho, de nome Bolete (acredito que pela compleição), já nomeado pelo técnico Ivo Hoffmann como a bomba a ser lançada no próximo jogo contra o Leônico, o conhecido “moleque travesso”.
No treino da sexta-feira, que aprontava a equipe para o jogo do domingo, eis que Bolete é convocado para entrar em campo, e se apresenta todo serelepe correndo pela ponta-esquerda. Um sucesso! Terminado o treino, os repórteres esportivos encheram o técnico Ivo de perguntas, sobre o jogo de domingo e a estreia dos jogadores, melhor dizendo, da bomba a ser lançada contra o Leônico.
Nas emissoras de rádio e nos jornais itabunenses as manchetes eram o lançamento da bomba. Bomba pra lá, bomba pra cá, o nome Bolete foi logo substituído por Bomba. No domingo, a vermos a escalação do Itabuna no vestiário do velho Campo da Desportiva, o Bomba ficaria no banco e deveria entrar no segundo tempo, para arrasar o manhoso Leônico da capital.
Termina o primeiro tempo da partida em zero a zero. Os jogadores entram para o segundo tempo e a torcida impaciente começa a gritar: Queremos o Bomba, queremos o Bomba! Lá pelos 15 minutos o ponteiro-esquerdo bichado pede para sair e o campo da Desportiva vai abaixo gritando Bomba, Bomba, Bomba. Ele se aquece com uma rapidez impressionante para o delírio da torcida.
Na primeira bola que pega, sai em disparada pela esquerda em direção ao Jardim do Ó e quando o lateral direito corre em sua direção para contê-lo, eis que o Bomba tropeça em suas próprias pernas e cai. E a torcida, em silêncio sepulcral na Desportiva, assiste a chegada da maca para retirar o Bomba de campo. Ninguém conseguia entender nada. A Bomba deu chabu e o assunto passou a ser proibido no Itabuna, que dispensou o atleta.
Anos depois, numa conversa com Bel (Abelardo Moreira), que integrou o Itabuna, ele me contou que no dia da partida não encontraram no vestiário as chuteiras 39 que calçaria Bolete, o que foi motivo que ele ficasse no banco. A solução encontrada foi ele jogar com duas chuteiras de número 38. Mas como a Lei de Murphy diz que não há nada que não possa piorar, as chuteiras eram ambas para calçar o pé esquerdo.
Desse jeito, não há bomba que resista!
Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.
Poucos treinadores conquistaram tantos títulos no futebol do interior da Bahia como Beto Oliveira. São seis troféus do Campeonato Intermunicipal, três deles consecutivos (2017-2018-2019), e uma conquista com equipe profissional, no comando do Itabuna Esporte Clube, em 2002, na Segunda Divisão do Baiano. A equipe conseguiu o acesso invicta depois de 10 anos sem disputar nenhuma competição.
Em entrevista exclusiva ao PIMENTA, o treinador fala do sonho de conquistar um Campeonato Baiano e mais três títulos do Intermunicipal. Ele também comenta sobre o sufoco que passou por conta da desconfiança dos torcedores de Itamaraju durante a temporada passada, quando teve de montar uma equipe completamente diferente da que se sagrou campeã em 2018.
Beto Oliveira afirma ainda que é louco para treinar a Seleção de Itabuna e observa que o Campeonato Interbairros deveria ser no primeiro semestre, não no segundo, como é realizado hoje. O técnico também fala de Pep Guardiola, Abel Braga, Jorge Jesus e do time rubro-negro carioca: “O Flamengo de hoje é encantador”.
Veja a íntegra da entrevista.
Blog Pimenta – Sua carreira começa na década de 80 como jogador. Exatamente quando?
Beto Oliveira- Comecei na base do Itabuna Esporte Clube em 1982 e me profissionalizei três anos depois. Atuei pelo Itabuna até 87. Rodei por algumas equipes profissionais no país. Em 91 voltei para o Itabuna e um ano depois fui para o Grêmio Maringá. Em 93 encerrei a carreira como jogador de futebol e comecei a treinar a divisão de base do Itabuna, em 94, sendo técnico do time que disputou a Copa Rio daquele ano. Fiquei como treinador da equipe por três anos seguidos.
Pimenta- E no futebol profissional?
Beto – Comecei em 2000, quando treinei o Grapiúna nos últimos quatro jogos da Segunda Divisão do Campeonato Baiano. Vencemos o Astro, Bahia de Feira, Barreiras e Jequié, salvo engano. Uma das equipes utilizou um jogador irregular, houve alteração na classificação e perdemos a chance de disputar o título naquele ano.
Pimenta – Um início de carreira de treinador empolgante, por sinal.
Beto – Foi sim. Em 2001, treinei o Grapiúna que disputou a Taça São Paulo de Futebol Júnior. No retorno, voltei à equipe profissional do Grapiúna para, mais uma vez, disputar a Segunda Divisão do Baianão. Ficamos com o vice-campeonato. Perdemos o título para o Palmeiras do Nordeste, então filial do Palmeiras de São Paulo. Eles tinham uma equipe muito forte e subiram.
Pimenta – E o primeiro título na carreira?
Beto – Em 2001, fui contratado para treinar a Seleção de Coaraci no Intermunicipal. Ali, ganhei o meu primeiro título. No outro ano, voltei ao futebol profissional para comandar o Itabuna Esporte Clube na Segunda Divisão. A equipe estava há 10 anos sem participar de competições. Conquistamos o título da Série B de forma invicta e garantimos vaga na elite do futebol baiano.
Pimenta – Em 2002 a sua primeira competição nacional. Foi isso?
Beto – Sim. Como treinador do Colo Colo no Campeonato Brasileiro da série C. Em 2003 voltei ao profissional do Itabuna e ficamos na terceira colocação no Baianão. Perdemos a semifinal para o Vitória, que estava na série A do Campeonato Brasileiro.
Pimenta – E o seu segundo título no Intermunicipal?
Beto – Foi em 2004, com a Seleção de Itamaraju.
Já fiz uma análise e cheguei à conclusão de que ainda é cedo para parar. Quero retornar ao futebol profissional e ganhar mais títulos.
Pimenta – Rodou muito como treinador…
Beto – Minha carreira foi entre equipes amadoras e profissionais. E o terceiro título no Intermunicipal também foi no extremo-sul do estado. Em 2009 fechei um contrato com a Seleção de Porto Seguro por dois anos. Ficamos em terceiro lugar, mas conquistamos o título, invicto, em 2010.
Pimenta – Sete anos depois mais um título…
Beto – Em 2017, com a Seleção de Eunápolis. No ano seguinte retornei à Itamaraju, onde conquistamos dois títulos consecutivos do Campeonato Intermunicipal.
Pimenta – Beto Oliveira foi um bom jogador?
Beto – Tenho uma família de atletas. Danielzinho começou a carreira no Itabuna e passou por equipes como Palmeiras (na base) e Bragantino, na década de 80. Guiovaldo também tem passagem pelo Itabuna, futebol de Portugal e várias equipes no Brasil. Acho que fui um bom jogador sim. Comecei como volante e depois fui atuar como zagueiro. Nas décadas de 80 e 90, tínhamos muitos craques. Era muito difícil para o profissional do interior ser contratado por um time grande do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais ou Sul do País.
Pimenta – Já pensou em parar?
Beto – Já fiz uma análise e cheguei à conclusão de que ainda é cedo. Quero retornar ao futebol profissional e ganhar mais títulos.
Pimenta – Já recebeu propostas para trabalhar neste ano?
Beto – Recebi uma proposta de um dos times da Primeira Divisão do Campeonato Baiano, mas não possível o acerto por questões financeiras. Ofereceram um valor menor do que eu ganhava no Intermunicipal. Entendi ser uma desvalorização muito grande. Para trabalhar no profissional, na elite do Baiano, o técnico merece ter uma remuneração melhor.
Tenho algumas propostas. Provavelmente em março, estarei treinando uma equipe da Segunda Divisão do Baiano.
Pimenta – Você não estaria em uma vitrine melhor?
Beto – No futebol profissional a cobrança é muito maior. Todos da cidade exigem uma campanha excelente. A expectativa gira em torno de vencer Bahia e Vitória e conquistar o título de campeão. Tenho algumas propostas. Provavelmente em março, estarei treinando uma equipe da Segunda Divisão do Baiano.
Pimenta – Qual foi a conquista de Campeonato Intermunicipal mais fácil e a mais difícil?
Beto – Não existe conquista fácil, ainda mais em se tratando do Intermunicipal, que é disputado por 64 equipes. É uma competição que dura seis meses. Enfrentamos muitas dificuldades. Às vezes, perda de jogadores importantes no decorrer da competição.
Pimenta – O título mais marcante, então?
Beto – O mais prazeroso foi primeiro, conquistado com a Seleção de Coaraci. Embora tivesse sido vice-campeão da segunda divisão com Grapiúna, chegamos sem muito conhecimento sobre o Intermunicipal, que é uma competição totalmente diferente. Peguei uma seleção formada basicamente por ex-jogadores profissionais e vividos na competição e eu sem experiência. Achei um pouco mais difícil para impor a minha metodologia de trabalho, mas tudo deu certo.
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Perdemos nós as suas ideias – extravagantes, para alguns pobres de espírito – e que nos faz falta pela alegria contagiante. Hoje, em seu aniversário, será tudo diferente do que ele faria: não teremos bolo, não teremos champagne, nem cantaremos parabéns.
Hoje, 31 de janeiro, comemoramos o aniversário de Carlos Henrique Brito do Espírito Santo, o fenomenal Charles Henri, itabunense que conquistou o Brasil com sua irreverência e modo de viver. Na minha humilde concepção, morre o homem mas fica a fama (melhor seria conceito), daí considerar a data como dia de comemoração. Fui alertado pelo Facebook, apontando, que se vivo estivesse, completaria hoje 72 anos.
Confesso que não sou bom (péssimo, aliás) para lembrar os aniversários dos amigos e familiares, o que considero de minha parte uma falta de educação ou reciprocidade com pessoas da minha estima. Muito sabem disso e nem por isso nossa amizade fica estremecida. Em nome dessa legião cito como um bom exemplo o amigo Rui Carvalho, sempre o primeiro a me felicitar, embora a recíproca não seja verdadeira. Deixa pra lá.
Charles Henri continua merecendo todas as honras no dia do seu aniversário e fora dele pelo que representou para o jornalismo itabunense e regional. Além de mudar o vocabulário que nem todos os leitores de jornais entendiam, viveu com intensidade a vida social(?), promovendo festas monumentais com todos requintes dos grandes centros do Brasil e do mundo.
Mas falar de Charles Henri referindo-se apenas às festas que promovia é uma atitude mesquinha e que não condiz com a grandeza de suas atitudes quando o assunto era a sociedade. Não me prendo à alta sociedade comumente compreendida pelos frequentadores assíduos das colunas sociais escritas por Charles e tantos outros que se dedicaram a este segmento do jornalismo.
Destaco o Charles Henri destemido que assumiu o Itabuna Esporte Clube após ter sido abandonado pelos cartolas devido aos altos investimentos que nem sempre alcançavam os resultados pretendidos. Mostrou ser possível formar uma grande equipe investindo dedicação, unindo forças antagônicas em torno de um ideal. Com a mesma determinação que solicitava recursos aos cacauicultores, reivindicava a construção do estádio.
Quando dado como “morto” o Sindicato de Jornalistas do Sul da Bahia, Charles Henri partiu para mais uma ressurreição e se lançou candidato à presidência da entidade, vencendo mais uma peleja. Suas empreitadas não tinham limite e sempre foram vencedoras por atuar com foco e denodo, conseguindo reunir pessoas diversas num mesmo ideal.
Com a mesma dedicação que organizava um evento para uma autoridade pública, para uma pessoa de posses (financeira), com todo o requinte promovia um encontro com amigos despossuídos. Muito comum receber dele o convite para participar de um almoço, jantar, enfim, qualquer evento para homenagear uma pessoa de sua (nossa) convivência dentro dos padrões do custo 0800.
Charles Henri desfilando no carnaval do Rio de Janeiro pela Escola Beija-Flor
Charles Henri vivia, de forma macro, a sociedade 24 horas por dia. Com o mesmo destaque desfilavam por suas colunas pessoas poderosas, bem como as desconhecidas do high society. Viveu todo o luxo e riqueza da época áurea do cacau, acudiu instituições no período do debacle (vacas magras), atravessou com galhardia o período de recuperação econômica com o mesmo fôlego e galhardia em que desfilava como um dos principais destaques da Escola de Samba Beija-Flor no carnaval carioca.
Em novembro de 2018 Charles Henri muda de projeto, nos deixa neste mundo e parte para o além ou qualquer lugar neste universo. Perdemos nós as suas ideias – extravagantes, para alguns pobres de espírito – e que nos faz falta pela alegria contagiante. Hoje, em seu aniversário, será tudo diferente do que ele faria: não teremos bolo, não teremos champagne, nem cantaremos parabéns.
Nos basta a lembrança desta magnífica figura humana.
Walmir Rosário é jornalista, radialista e advogado, além de editor do Cia da Notícia.
O Jequié conquistou a Segunda Divisão do Baiano de Futebol (Série B), no último domingo (9), aplicando 3 a 1 no Cajazeiras. Isso, após uma belíssima campanha e depois de ter brocado o time soteropolitano, por 4 a 1, lá em Salvador, na primeira partida das finais. Em 2018, o Jequié – oficialmente ADJ – estará na Série A.
A torcida fez uma grande festa para a equipe, como pode ser visto no vídeo abaixo. O repórter Fábio Sousa, um dos nomes mais respeitados do radiojornalismo esportivo do sul da Bahia, compartilhou as imagens em redes sociais e no Whatsapp com um questionamento interessante para nossos dirigentes – e torcedores, também: “Sabe quando você verá isso em Itabuna?”. A resposta está na ponta da língua de cada torcedor grapiúna. E os dirigentes, o que dizem?
Adervan lutou pela transformação da Fespi em Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) se empenhou na criação da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Mas nada disso se compara como o carinho com que recebia jovens estudantes que frequentemente visitavam o Agora.
Em 3 de março próximo José Adervan completaria 75 anos de existência, 66 deles vividos em Itabuna – sem levar em conta o período que passou em Salvador e Alagoinhas. A intenção dos amigos e família era elaborar uma edição especial do Jornal Agora para homenageá-lo, mas como ainda não conseguiram tornar a vida perene, nos deixou antes disso.
Lutou contra a enfermidade até não poder mais. E não poderia ser diferente para quem passou toda a vida superando obstáculos, sempre com a naturalidade que lhe era peculiar. Se as coisas estavam difíceis, aí era que ele apostava num salto mais alto. Contava que aprendeu isso com sua mãe, obstinada, como toda sergipana, em tornar vencer as dificuldades.
E Adervan, o mais baiano – grapiúna – dos sergipanos, costumava lembrar do dia em que chegou a Itabuna, numa data qualquer de 1951, em cima de um “pau-de-arara”, fugindo da terrível seca. Aos nove anos, o menino se deslumbrou quando o caminhão parou no terreno baldio onde hoje é o Fórum Ruy Barbosa, e resolveu fazer um reconhecimento daquela que seria a cidade do seu coração.
Mais do que sergipano de Boquim, passou a ser itabunense e cidadão da região cacaueira, título dado e passado pela população do Sul da Bahia, como reconhecimento dos seus feitos. Era um obstinado pelo desenvolvimento regional e travou uma luta constante na defesa da nossa economia, pelo cumprimento das promessas dos políticos, e pela garantia básica de direitos assegurados em nossa Constituição, como educação, saúde e cidadania.
É bom que se diga que esse estofo não nasceu do Jornal Agora, bastião da defesa regional, criado por Adervan e Ramiro Aquino, uma instituição que teima em desafiar a história, sobrevivendo por longos 35 anos. Não pensem que foi o Jornal Agora quem fez Adervan. Foi exatamente o contrário e desde os tempos de Alagoinhas que ele já se dedicava à imprensa, editando uma revista.
Dos tempos menino, quando começou a respirar o cheiro das tintas nas gráficas, ainda com tipos frios, passou pelo chumbo quente dos linotipos até as impressoras planas e a composição digital. Durante esse período, dividiu seu tempo com a política, a começar pela estudantil, elegendo-se presidente da então toda poderosa União dos Estudantes Secundaristas de Itabuna (Uesi). Leia Mais
Itabuna Esporte Clube terá patrocínio da André Guimarães (Foto Luiz Tito).
O Itabuna Esporte Clube terá o patrocínio da Construtora André Guimarães na disputa da Divisão de Acesso do Campeonato Baiano de Futebol. O Azulino já disputou os três primeiros jogos da competição com a marca Cidadelle Empreendimentos.
O contrato de patrocínio entre o clube e a construtora será assinado pelos dirigentes do clube e do empreendimento imobiliário, na próxima quarta, 22, às 9h30min, no Espaço Cidadelle, na Rodovia Ilhéus-Itabuna (Jorge Amado).
A gerente de marketing da André Guimarães, Martina Teixeira, afirma que o patrocínio ao clube de futebol e o apoio a eventos culturais e esportivos em Ilhéus e Itabuna se dá porque a empresa acredita que os “eventos ajudam a desenvolver a região”.
Tempo de leitura: < 1minutoFocos de incêndio provocaram corre-corre e susto na sede do Itabuna (Foto Ricardo Farias).
O ato irresponsável de queimar lixo numa das calçadas do Itabuna Esporte Clube, na Rua Luiz Oliveira, no Conceição, quase provoca tragédia nesta noite de quinta-feira, 20. De acordo com testemunhas, as chamas se alastraram para o interior da sede do Azulino.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 19h20min e conseguiu debelar os focos de incêndio na área interna do clube. A vegetação seca facilitou a propagação das chamas da calçada para o interior do clube.
O Itabuna Esporte Clube curte viver perigosamente. Após sequência de resultados ruins no início do Baianão 2012, o time chamou Ferreira. Não deu certo e o técnico saiu falando cobras e lagartos da equipe. Nesta semana, Gelson Fogazzi assumiu o comando da equipe.
Sabe o que Ferreira e Fogazzi têm em comum, além de serem técnicos? Os dois passaram pelo comando do Itabuna quando o time foi rebaixado em 2010. E, assim como naquele ano, Fogazzi estreia no Azulino em jogo contra um time de Feira de Santana, o Feirense.
Há dois anos, a partida era contra o Bahia de Feira. Boa sorte em 2012, Fogazzi.
São tão poucas (raras!) as vezes em que o nome de Itabuna aparece associado a algo bom que vale a pena reproduzir, aqui, o artilheiro Wagner, do Azulino, metendo três gols no Flu de Feira e pedindo música no Fantástico, da Rede Globo.
A fraca campanha do Itabuna Esporte Clube no início do Baianão 2012 está refletindo no bolso do time. Ontem, só 1.546 torcedores foram ao estádio, geranda renda de irrisórios R$ 13.955,00. Desse valor, o Itabuna ficará com apenas R$ 5.473,22.
Se a direção não correr atrás de patrocínios e reforços, vai ficar difícil o Itabuna manter-se na “elite” do futebol baiano.
Atacante do Bahia de Feira domina a bola sob olhares dos adversários azulinos.
Líder do Baianão 2012 com 9 pontos, o Bahia de Feira precisou de apenas 46 minutos para matar o Itabuna Esporte Clube e enfiar quatro gols no adversário em pleno estádio Luiz Viana Filho (Itabunão). Os gols do time feirense foram marcados no primeiro tempo e empurraram o Itabuna para a zona de rebaixamento. O time perdeu duas partidas e empatou uma. Com apenas um ponto, a equipe caiu para 11º lugar.
O placar foi aberto com gol contra de Matheus, aos 12 minutos. João Neto ampliou aos 18. Carlinhos marcou os dois últimos gols do jogo, aos 25 e aos 46 minutos. O Itabuna ainda ficou com apenas 10 jogadores a partir dos 25 minutos do segundo tempo com a expulsão de Alex. O Itabuna volta a jogar no próximo domingo (29), às 17h, contra o Vitória, no Barradão.
O presidente do Itabuna, Ricardo Xavier, já anunciou que haverá demissões na equipe. Provavelmente, o clube não manterá o técnico Daniel Oliveira, o Danielzinho, e dispensará, pelo menos, cinco jogadores.