Escritor discute obras autorais em encontro na Livraria Badauê || Imagem Divulgação
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O escritor e cacique Juvenal Payayá participa, nesta terça-feira (16), às 17h, do bate-papo A História pelo Olhar Indígena, na Livraria Badauê, localizada na Praça Rui Barbosa, no Centro Histórico de Ilhéus. O encontro propõe uma reflexão sobre a formação do Brasil a partir das narrativas e experiências dos povos originários.

Entre os temas da conversa está o romance O Filho da Ditadura, que revisita os anos do regime militar ao abordar a trajetória de jovens marcados pelos efeitos da repressão e pela ausência de reconhecimento familiar. A obra também lança luz sobre violações cometidas contra indígenas e trabalhadores do campo durante o período autoritário.

O autor também discutirá O Psicopata e os Apelos Assassinos, livro ambientado no Sertão do São Francisco que trata dos impactos da pobreza, do desemprego e dos conflitos fundiários sobre a vida de uma família do interior. A atividade é aberta ao público e integra a programação cultural da Livraria Badauê.

Capa do livro O Cavalo do Bandido Sempre Sai na Frente, de Rodrigo Melo || Montagem PIMENTA
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O escritor ilheense Rodrigo Melo acaba de lançar seu quinto livro, O Cavalo do Bandido Sempre Sai na Frente. A obra reúne 20 textos, que revisitam a crônica literária a partir do estilo marcante do autor, um mestre da concisão e da autoironia.

Também está ali a característica que atravessa as obras dos grandes cronistas, a capacidade de transformar o cotidiano mais banal em matéria-prima literária. Desse olhar acurado para o mundo da vida, nasce uma escrita fluida, que leva o leitor do riso à reflexão numa frase.

Para o jornalista Thiago Dias, do PIMENTA, Rodrigo Melo faz justiça à tradição da crônica brasileira. “É um autor em que a sofisticação está na escrita simples, na busca pela comunicação direta e íntima com o leitor, um Luís Fernando Veríssimo ou Fernando Sabino grapiúna”.

O Cavalo do Bandido Sempre Sai na Frente foi editado pela P55 e está disponível para compra no site da editora. Abaixo, leia o texto de abertura do livro.

UMA QUEDA TERRÍVEL

Rodrigo Melo

Dia desses, conversando com um amigo sobre vexames passados em público, recordei de uma queda que levei em um show de pagode. Não me pergunte como parei lá, mas lembro que estava ébrio e lançava o meu charme para uma morena que, embaixo de um toldo, fugia da garoa. Tinha os cabelos negros, que se derramavam até o meio das costas, e um desses olhares que chamam a gente. Eu sorria e ela, entre outras duas morenas, sorria de volta, e o seu jeito era encantador. Uma hora, peguei coragem e fui em sua direção.

Acontece, no entanto, que o local do show era aberto, havia chovido bastante naquela noite e os produtores do evento, talvez por medo de algum processo, colocaram tábuas de madeira, como uma espécie de ponte ou tapete, para que as pessoas não escorregassem na lama grossa e traiçoeira do lugar. E acontece também que, além de estar ébrio, os meus sapatos estavam gastos, os solados não dispunham do mínimo de aderência, eram lisos como um piso encerado. Mas nada daquilo importava: eu tinha um objetivo e seguia, confiante, rumo a ele, crente que a roda da vida giraria e tudo enfim se tornaria um eterno mar de rosas, quando, do nada, o chão desapareceu sob os meus pés e, por um ou dois segundos, me vi suspenso, planando no ar — tempo suficiente para recapitular toda a minha existência, que já tinha uma razoável quilometragem —, e, em seguida, me esborrachei de vez sobre a água e a poça de lama. Foi uma queda terrível, de imediato senti a minha bunda e as minhas costas doerem, e escutei os gritos e as risadas às minhas costas. Altas e longas. Bem longas. E, depois disso, eu apenas me levantei, chutei a tábua e segui em direção à saída, sem olhar pra trás.

Talvez tenha sido ali, a partir daquele instante, que comecei a ser um escritor.

Conheças as três obras finalistas da sexta edição do concurso literário || Imagem Reprodução
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A Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e a Academia de Letras de Ilhéus (ALI) anunciaram as três obras finalistas da sexta edição do Prêmio Sosígenes Costa de Poesia. Os julgadores selecionaram as obras Ilhéus Vista do Chão – Via BR-415 e Um Causo Bom do Sertão, de Dom Jorge du Joir; Setígonos para Transpor o Tempo, de Mersila Kin; e A Seiva Insana; de Yasaf Selah.

Por causa das regras de impessoalidade do concurso, os autores são obrigados a utilizar pseudônimos. Todos os autores são baianos, têm, pelo menos, 18 anos de idade e inscreveram coletâneas inéditas de poemas.

A Comissão Julgadora, composta por membros com atuação na área literária, avaliou as obras com base em critérios como domínio da língua portuguesa, qualidade literária, originalidade e contribuição à cultura baiana.

A premiação do vencedor inclui a publicação do livro pela Editus (Editora da Uesc), com tiragem de 400 exemplares, além de troféu concedido pela Academia de Letras de Ilhéus. As duas obras finalistas não vencedoras receberão menção honrosa. A cerimônia de premiação será neste ano, em data a ser divulgada.

Jorge Araújo, Arnaldo Antunes e Daniel Thame na primeira roda de conversa da Flicacau, na sexta (27) || Foto Márcio Araújo
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Fazia quase uma década que Itabuna não recebia um grande evento dedicado à literatura. A longa espera terminou com a primeira edição da Festa Literária da Região Cacaueira (Flicacau), que ocupou o Centro de Cultura Adonias Filho de sexta (27) a domingo (29). Para a jornalista Vanessa Dantas, uma das organizadoras e mediadoras do evento, o balanço da estreia superou as expectativas, com a presença de mais de 5 mil pessoas ao longo dos três dias.

Também ressaltou o impacto positivo do programa estadual Bahia Literária para o fortalecimento da literatura na Região Cacaueira. “Queremos agradecer ao Governo do Estado, através do governador Jerônimo Rodrigues; da nossa secretária de Educação, Rowenna Brito; e do nosso secretário de Cultura, Bruno Monteiro”, acrescentou.

Vanessa Dantas e o empresário Nilton Cruz em uma das mesas de discussão da Flicacau || Foto Márcio Araújo

Com o tema Verde que te quero livro: contando a história da mata que nos sustenta, a Flicacau uniu literatura, teatro, dança, artes plásticas, música e ações de conscientização ambiental. Acolheu pequenos e jovens autores, além de expoentes da literatura grapiúna e convidados com reconhecimento nacional, a exemplo de Arnaldo Antunes, Paloma Amado, Bela Gil, Isabel Fillardis e Luciany Aparecida, além da escritora chilena Arelis Uribe.

DIVERSIDADE

Um time formado por cinco mulheres deu o tom da curadoria artística (Bruna Setenta) e dos espaços Jorge Amado (Rita Argollo e Dinalva Melo), Estação Juventudes (Camila Gusmão) e Flicacauzinha (Bárbara Falcón).

Luciany Aparecida, Tcharly Briglia e Isabel Fillardis no Espaço Jorge Amado || Foto Divulgação

Na Casa dos Autores, 30 escritores(as) selecionados(as) via edital apresentaram suas obras em um lançamento coletivo. Os três palcos da Festa receberam atrações musicais. Destaque para o show do cantor e compositor Marcelo Ganem, o cancioneiro da mata e da Serra do Jequitibá, cuja obra dialoga diretamente com o tema da Flicacau. Ainda teve a apresentação emocionante do Mestre Sabará, aos 91 anos, na sexta (27).

Paloma Amado, Elisa Oliveira e Bela Gil durante roda de conversa na Flicacau || Foto Márcio Araújo

A programação variada contemplou as infâncias e as juventudes. A criançada se emocionou no bate-papo com as cantoras Kysha e Mine, que levaram centenas de fãs à Flicauzinha. A dupla acumula mais de 1 bilhão de reproduções de suas músicas somente no YouTube.

O evento também foi marcado pelo lançamento do livro Pequenos Autores Grapiúnas, coletânea de textos de alunos da rede municipal de ensino de Itabuna. O projeto foi idealizado pela professora Lílian Lima e abraçado pelo secretário municipal de Educação, Rosivaldo Pinheiro, que assegurou as condições para a educadora executá-lo.

O Espaço Estação Juventudes teve um de seus pontos altos com a participação do escritor e roteirista Raphael Montes, autor dos livros que deram origem às séries homônimas Bom dia, Verônica (Netflix) e Dias Felizes (Globoplay), além do sucesso Beleza Fatal, novela da HBO.

Como a cidade não tinha uma feira literária desse porte há anos, o evento abriu as portas da literatura para uma geração inteira de itabunenses. Ao longo dos três dias, estudantes de mais de 20 escolas municipais e estaduais compareceram ao Centro de Cultura Adonias Filho.

QUEM FEZ

A Festa Literária da Região Cacaueira também foi um espaço de colaboração com os coletivos e editoras independentes que fazem a literatura produzida na Bahia circular Brasil afora: Editora Tertúlias, Editora Teatro Popular de Ilhéus, Editora Via Litterarum, Vixe Bahia Literária e Editora Mondrongo.

Além disso, a Festa estabeleceu parceria com a Associação de Agentes Ambientais e Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis de Itabuna (Aacrri), responsável pela coleta seletiva durante o evento.

A Flicacau teve patrocínio do Governo do Estado e foi contemplada também pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC) – unidade vinculada à Secretaria de Cultura (Secult-BA) – e da Secretaria Estadual de Educação (SEC). Contou com o apoio da Prefeitura de Itabuna, por meio da Secretaria Municipal da Educação (Seduc) e da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc). A Seneh Comunicação & Projetos idealizou e executou o projeto.

TPI celebra 30 anos com lançamento coletivo de livros || Foto Divulgação
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O Teatro Popular de Ilhéus (TPI) prepara uma das maiores celebrações culturais já promovidas pelo grupo. No dia 9 de dezembro, às 17h, a Praça São João Batista, no Pontal, receberá o lançamento simultâneo de 31 livros pela Editora Teatro Popular de Ilhéus. A ação integra as comemorações pelos 30 anos da Companhia, referência nacional em criação e pesquisa cênica.

Após o encontro na praça, está prevista uma caminhada até o antigo Clube do Pontal, espaço que abrigará a futura sede do TPI. O local foi escolhido como ponto simbólico – trata-se de uma área de forte vínculo afetivo com o público e que guarda parte da história cultural do bairro.

Os títulos apresentados ao público incluem cinco coletâneas, dois lançamentos individuais e obras que transitam entre dramaturgia, poesia, literatura juvenil e escrita infantojuvenil. Entre os autores estão Équio Reis (em memória), Romualdo Lisboa, Tânia Barbosa, Pawlo Cidade, Felipe de Paula Souza e Pedro Albuquerque Oliveira. São livros que revisitam os 30 anos do grupo, aproximam crianças e jovens da produção literária baiana e atravessam diferentes linguagens narrativas – do realismo mágico à sátira política.

Para o diretor, dramaturgo e integrante fundador do TPI, Romualdo Lisboa, o conjunto editorial representa um gesto de memória e persistência artística. “O TPI expande sua militância cultural para as bibliotecas, escolas, salas de aula, rodas de leitura e arquivos culturais do país”.

Ele define o projeto como uma literatura que nasce do palco, mas toma forma própria. “Vira documento histórico, ferramenta pedagógica, obra artística e instrumento de democratização do conhecimento”.

O projeto foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB – Bahia) e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.

CATÁLOGO DE LANÇAMENTO

A coletânea reúne Arquivos da Cena – 30 anos de dramaturgia – reúne textos históricos de Équio Reis e Romualdo Lisboa, atravessando sátira política, crítica social e releituras poéticas da história regional.

• A história engraçada e singela de Fuscão – o quase capão – e o Cabo Eleitoral & O fiscal e a fateira ou dia de festa na feira – Équio Reis
• O Quadro & Nazareno contra o dragão da maldade – Romualdo Lisboa
• Teodorico Majestade – as últimas horas de um prefeito – Romualdo Lisboa
• O inspetor geral, sai o prefeito, entra o vice – Romualdo Lisboa
• 1789 – ópera afro-rock sobre a revolta dos escravizados do Engenho de Santana – Romualdo Lisboa
• O visconde partido ao meio na Guerra do Açu & Borépeteĩ. Uno – Romualdo Lisboa

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Arnaldo Antunes participa da 1ª roda de conversa da Flicacau, hoje (27), às 19h, em Itabuna || Foto Rovena Rosa/ABr.
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Mais conhecido pelo sucesso da carreira musical, Arnaldo Antunes tem trajetória consagrada na literatura, que já lhe rendeu três prêmios Jabuti (1993, 2016 e 2022). Habitante da linguagem com estilo inventivo e inconfundível, o ex-Titãs é o convidado especial da primeira mesa da Festa Literária da Região Cacaueira (Flicacau), nesta quinta-feira (27), às 19h, no Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna. Ao lado dos escritores Jorge Araújo e Daniel Thame, ele participa da roda de conversa A Mãe Terra não para de mandar sinais.

Mas a programação da primeira Flicacau começa antes, às 14h, com a apresentação de fanfarra de estudantes da rede estadual de ensino, seguida do lançamento do livro Pequenos Autores Grapiúnas, coletânea de textos de alunos de escolas municipais de Itabuna, às 14h30min. Já às 17h, o espetáculo Cabruca dá as boas-vindas ao público da Festa, que terá seu ato oficial de abertura na sequência, às 18h (confira a programação completa ao final do texto).

Com atividades também ao longo de toda a sexta-feira (28) e sábado (29), guiadas pelo tema Verde que te quero livro: contando a história da mata que nos sustenta, a Flicacau terá mesas de discussão, intervenções que mesclam teatro a outras linguagens artísticas, como dança, contação de história e shows musicais. Tudo pensado em cada detalhe pelo time de curadoras formado por Dinalva Melo, Camila Gusmão, Rita Argollo, Bárbara Falcón e Bruna Setenta, e a jornalista Vanessa Dantas, uma das organizadoras e mediadoras do evento.

Todos os cinco espaços do evento – Jorge Amado, Estação Juventuves, Flicauzinha, Bahia Literária e Casa dos Autores Baianos(as) – terão indicação etária livre, acessibilidade com rampas e intérpretes de Libras posicionados para a plateia. Produtores estarão presentes em cada ambiente para acompanhar pessoas com deficiência e oferecer informações. E, claro, todas as atrações com entrada franca.

Um mosaico com parte dos convidados que vão povoar a Flicacau || Fotomontagem Divulgação

A Flicacau firmou parceria com a Associação de Agentes Ambientais e Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis de Itabuna (AACRRI), que vai prestar serviço de coleta seletiva, ajudando o evento a reduzir seu impacto ambiental e a fomentar uma atividade que dá sustento a dezenas de famílias itabunenses.

Outro compromisso da Festa Literária da Região Cacaueira é com a promoção de debates urgentes sobre conservação ambiental, afirmação de identidades dissidentes, lutas dos povos originários e minorias políticas, reconhecimento de saberes ancestrais e inserção das infâncias e juventudes no mundo da literatura.

O evento também é um espaço de colaboração com os coletivos e editoras independentes que fazem a literatura produzida na Bahia viajar Brasil afora: Editora Tertúlias, Editora Teatro Popular de Ilhéus, Editora Via Litterarum, Vixe Bahia Literária e Editora Mondrongo.

A Flicacau tem patrocínio do Governo do Estado. É contemplada também pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada à Secretaria de Cultura (SecultBA), e da Secretaria Estadual de Educação (SEC). Conta com o apoio da Prefeitura de Itabuna, por meio da Secretaria Municipal da Educação (SEDUC) e da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC). A realização é da Seneh Comunicação & Projetos.

PROGRAMAÇÃO

ESPAÇO JORGE AMADO

27/11 – Quinta-feira

14h – Fanfarra

14h30- Lançamento do livro “Pequenos Autores Grapiúnas” com os alunos da rede municipal de ensino de Itabuna.

17h – Receptivo – Cortejo do Espetáculo: CABRUCA

18h – Ato de Abertura Oficial da FLICACAU

19h- Roda de Conversa sobre “A Mãe Terra não para de mandar sinais” com Jorge Araújo e Arnaldo Antunes. Mediação: Daniel Thame

20h30 – Trio Jazz – Sabará

21h20 – Juacy Ypsilone e Banda (FOYER)

28/11 – Sexta-feira

17h – Roda de conversa sobre “Fogo, mata e água: queimando para além das palavras” com Wesley Correia e a atração internacional Arelis Uribe. Mediação: Aracelly Romão

19 h – Bate papo sobre a “A lavoura cacaueira: criadora de riquezas, histórias, e preservação”, com Ruy Póvoas, Moema Midlej e Nilton Cruz. Mediação: Vanessa Dantas

29/11 – Sábado

11h – Narrativas de uma cozinha afetiva com Bela Gil e Paloma Jorge Amado. Mediação: Elisa Oliveira

14h – Roda de Conversa sobre “Experiências de bem viver: quando o chamado vem dos livros” com Kaká Werá e Adroaldo Almeida. Mediação: Samuel Guimarães

17h – Roda de Conversa sobre “Renascer nas Terras do Sem Fim” com Luciany Aparecida e Isabel Fillardis. Mediação: Tcharly Briglia

19h – Roda de Conversa sobre “Tenda dos milagres: quem vai adiar o fim do mundo?” com Auritha Tabajata e Ane Pataxó. Mediação: Leila Raposo

ESTAÇÃO JUVENTUDES

28/11 – Sexta-feira

09h – Bate-papo sobre “Suspense Verde: o futuro da vida em jogo” com Raphael Montes. Mediação: Marina Maria

11h – Bate-papo sobre “O que plantam as palavras?” com Camila Apresentação e Deco Lipe. Mediação: Rafael Gama

14h – Bate-papo sobre “Utopia originária: a necessidade de novos paradigmas” com Glicéria Tupinambá e Ezequiel Vitor Tuxá. Mediação: Randra Kevelyn

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Feira literária em Itabuna divulga lista de autores selecionados
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Foi divulgada a relação dos 30 autores selecionados para lançamento coletivo de livros e sessão de autógrafos na Festa Literária da Região Cacaueira (Flicacau), que ocorrerá no Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, de 27 a 29 de novembro. A relação completa saiu neste domingo (16). A sessão de autógrafos será na Casa dos Autores e Autoras Baianos (as), também no Adonias Filho.

De acordo com a organização da Flicacau, o lançamento coletivo está marcado para o dia 28 de novembro, uma sexta-feira, com 15 obras pela manhã e outras 15 à tarde. Cada autor(a) terá cinco minutos para apresentar seu trabalho. Ao final das apresentações, haverá sessão de autógrafos.

OBRAS SELECIONADAS

Moacyr Oliveira Filho – O desabrochar dos agapantos

Rossana Araripe Lindote – A vida não desiste

Elisa Oliveira – Menina negra e suas histórias de potência

Eveli Vieira – Lírio Branco

Renata Ettinger – Não cabe nas mãos

Giovana Magnavita – Um livro e um copo d’água, por favor

Nengwa Elza Matendesi – E a baiana deu sinal?

Tom Figueiredo – Eram muitos leões

Maria Luiza Silva Santos – O quibe no tabuleiro da baiana

Jabson Ferreira – O abraço na floresta

Luh Oliveira – Patrulha Miau

Eder Diniz – Antologia Mandacaru: escritas poéticas

Lisdeili Nobre – Manual de Criminologia – pluralidade, conflito e justiça

Adriana Barbosa – Convite à Leitura: crônicas de uma feminista

Walmir Pereira do Carmo – Essa gente e outros poemas

Jucelino Bonfim – O enigma do tempo

Leila Oliveira – Asas

Jandaira Fernandes – Lilica, a princesa que engoliu o choro

Miriam Carvalho – O menino que desvendou o medo

Rodrigo Souza – O sabor das coisas que ficam

Lourival Pereira Junior Piligra – 60 anos em 60 sonetos

Deise Alves de Souza – Eu, sol de mim

Rogério Lopes Medrado – O jardim da aurora

Zózimo Jaffet Gomes Ornellas – Na sala de estar

Julia Veloso Rocha Santana – Memórias de um rei caído

Goretti Carneiro – Julgue-me se for capaz

Maria Rita Prudente – A loja de vender canoas

Luiz Claudio Santana – O marinheiro e a menina das sobras

Zenon Moreira Gomes – A literatura de cordel e a música de repente na educação e na arte nordestina

Adelson Teles Pinto – Do quadrado da minha janela vejo poesia

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Autores têm oportunidade de lançar livros na Flicacau, em Itabuna
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As inscrições para o lançamento coletivo de livros da Festa Literária da Região Cacaueira (Flicacau) terminam nesta sexta-feira (7). Interessados(as) em participar devem ficar atentos ao final do prazo, que já foi prorrogado uma vez. A atividade será na Casa dos Autores Baianos, um dos espaços do evento que vai movimentar o Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, de 27 a 29 de novembro.

Podem participar autores residentes em qualquer parte do Brasil. Serão preenchidas 30 vagas. O edital de chamamento reserva 10% delas para pessoas com deficiência, outros 10% para negros e 5% para indígenas. As inscrições devem ser feitas no site da Flicacau 2025. A participação é gratuita.

Para se inscrever, é necessário encaminhar a Ficha de Inscrição preenchida (disponível no Anexo 1 do edital), acompanhada de portfólio-biografia, capa do livro em alta definição, foto do(a) autor(a), além dos anexos de 2 a 7 preenchidos (no que couber a cada proponente). O material deverá ser enviado por e-mail (editalflicacau2025@gmail.com).

O resultado sairá até 16 de novembro. O lançamento coletivo está marcado para o dia 28 de novembro, uma sexta-feira, com 15 obras no turno matutino e outras 15 à tarde. Cada autor(a) terá cinco minutos para apresentar seu trabalho. Ao final das apresentações, haverá sessão de autógrafos.

O edital não prevê cachês nem custeio de deslocamento, estadia e alimentação dos participantes.

A Flicacau tem patrocínio do Governo do Estado. É contemplada também pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada à Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA) e da Secretaria Estadual de Educação (SEC). Conta com o apoio da Prefeitura de Itabuna. A realização é da Seneh Comunicação & Projetos.

A escritora Goretti Carneiro transformou memórias dolorosas em literatura || Foto Bruno Lima/Divulgação
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Transformar a dor em arte é um dos caminhos mais poderosos da escrita literária. Foi exatamente isso que fez a escritora Goretti Carneiro, que lança seu primeiro livro, a autobiografia Julgue-me se for Capaz, baseada em experiências pessoais marcadas por momentos traumáticos. O lançamento da obra será na próxima sexta-feira (3), às 19h, na livraria O Badauê, localizada na Praça Rui Barbosa, na avenida Soares Lopes, em Ilhéus.

Engenheira Ambiental por formação, Goretti nasceu no semiárido da Bahia, em condições precárias, e foi vítima de abuso sexual na infância, cometido pelo irmão mais velho. Após ter sobrevivido a incontáveis situações de risco — inclusive de morte — a retomada dessas memórias, somada ao diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline, tornou-se combustível para uma jornada de superação diária, marcada pelo desejo de não mais provocar dor nem sofrimento.

Com uma escrita sensível e intensa, a autora mergulha em lembranças difíceis e, ao mesmo tempo, propõe reflexões sobre resiliência, superação e a força do autoconhecimento. O livro apresenta relatos ficcionais inspirados em episódios reais, revelando como a palavra pode se tornar uma ferramenta de cura e de conexão com outras pessoas que enfrentaram situações semelhantes.

“Escrever foi a forma que encontrei de dar novo sentido às dores que vivi. Quero que os leitores — especialmente mulheres diagnosticadas com o mesmo transtorno e que, muitas vezes, sequer percebem isso — entendam a importância do autoconhecimento, do auto perdão e da autossuperação. Mais do que tudo, quero que saibam que não estão sozinhos em suas batalhas”, enfatiza a escritora.

A professora e escritora Elisa Oliveira assume cadeira na ALI || Foto Divulgação
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A professora, filósofa e escritora Elisa Oliveira ocupará, a partir de hoje (16), às 19h, a cadeira número quatro da Academia de Letras de Ilhéus, em cerimônia de posse conduzida pela poeta Luh Oliveira.

Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e mestranda em Ensino e Relações Étnico-Raciais pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Elisa Oliveira é professora da rede estadual de ensino e escritora profícua, com mais de 20 obras publicadas, entre livros didáticos e literários.

É autora das coleções Aprendiz de Filósofo e Cogito, Ergo Sum, que nasceram da experiência em sala de aula. Também escreveu A Menina Feita de Mar; Theo e o Sol na Cabeça; e Perguntas de Cor, tendo como marca de sua literatura o diálogo com a filosofia, ancestralidade, educação antirracista e iniciação das infâncias na leitura.

A futura imortal da Academia de Letras de Ilhéus falou do significado que atribui à chegada numa instituição de reconhecimento e visibilidade da produção literária. “Momento é de honrar as que vieram antes, com todo o respeito que tenho a cada uma delas no meu fazer diário. O movimento de ocupar um espaço historicamente negado a tantas de nós é a oportunidade de trazermos a intelectualidade negra de todos nós para este espaço”, afirmou Elisa Oliveira.

Marcos Bandeira é membro da Academia de Letras de Itabuna (Alita), advogado, professor de Direito e juiz aposentado
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Antônio Presépio se esmerava nas espécies de torturas cometidas contra Luan, que chorava copiosamente, apoiando-se nas muletas. No local, apenas o barulho provocado pelas rãs e a escuridão sem fim.

 

Marcos Bandeira

O sol ainda brilhava no crepúsculo, quando Luan resolveu ligar para sua mãe Margarida, funcionária pública, que estava saindo do trabalho na prefeitura municipal de Albedaran. O motivo do telefonema era para que sua mãe comprasse o leite de Malu que havia acabado. Luan estava em casa sozinho tomando conta de Malu, sua filha com apenas dois anos de idade, e também se recuperava de uma fratura na tíbia, provocada por uma disputa de bola num jogo de futebol que ainda o obrigava a andar com o auxílio de uma muleta.

O dia escurecia rapidamente e um vento frio penetrava no quarto de Luan, situado no 1º andar de um prédio antigo, com uma garagem na parte térrea, e ao lado uma escada que levava ao 1º pavimento, onde Luan morava com a mãe, a avó e uma filha, fruto de um romance passageiro.

Luan era um jovem branco, com estatura mediana, vinte e dois anos de idade, estudava Direito e trabalhava como publicitário na agência “Midia em Ação” situada no centro da cidade. Sua mãe, Margarida, era divorciada, trabalhava na prefeitura havia mais de vinte e cinco anos e possuía cinquenta anos de idade. Ela mantinha uma relação muito afetiva com Luan, seu único filho. A avó de Luan, com os cabelos totalmente grisalhos, já tinha setenta anos de idade e adorava o neto, com quem sempre conversava e contava histórias. Agora, com a chegada de Malu, todas as atenções se voltaram para a pequena.

O telefone continuava chamando. A campainha tocava, chamava, chamava, mas sua mãe não atendia. Certamente estava no silencioso. Depois de sucessivas chamadas Luan acabou desistindo..

Esse momento foi crucial, pois se a mãe de Luan tivesse atendido ao telefone, certamente os fatos se desenrolariam de forma diferente. Luan pensava: “poxa, por que mãe não atendeu? Daqui a pouco vai fechar o mercado e Malu não pode ficar sem leite”. Luan estava angustiado, pois estava sozinho em casa com sua filha e sua avó também havia saído. A noite já se precipitava e sua mãe não chegava.

Decorridas mais de duas horas, Margarida, visivelmente cansada, chegou em casa e pegou sua neta Malu no colo. Nesse momento, Luan se dirigiu a ela e perguntou: o que foi que houve que a senhora não atendeu ao meu chamado de telefone? Liguei várias vezes. Era para comprar o leite de Malu!

Margarida respondeu: Oh, meu filho me perdoe! Deixei o celular no silencioso no carro e fui fazer umas compras. Estou vendo agora que tem várias chamadas, me perdoe meu filho. Vixe, meu filho, então eu vou comprar!

Luan retrucou: de jeito nenhum! A senhora está exausta, e eu já estou bem; posso perfeitamente dirigir e ir até no Mercado Popular, aqui pertinho, comprar o leite de Malu.

Margarida não insistiu. Estava muito cansada. Havia trabalhado duramente o dia todo. De qualquer forma, o mercado fica aqui perto. Luan pegou as chaves do carro e com o auxílio das muletas passou a descer as escadas em direção ao veículo.

Acomodou-se na poltrona do motorista e ligou a ignição, deixando as muletas na poltrona do carona. Seguiu em direção ao Supermercado Popular, que ficava situado no mesmo bairro onde morava, Palestina.

Eram 19h45 e o Supermercado Popular já estava com as portas semicerradas. Luan taxiava nas imediações para estacionar o veículo. Nesse mesmo momento, uma viatura, com dois policiais militares trafegava pelo bairro Palestina, quando recebeu uma informação de que naquelas imediações havia dois elementos suspeitos num veículo HB20 branco, coincidentemente, a mesma marca e cor do veículo guiado por Luan.

Na vida acontece coisas, que muitas vezes encontram alguma explicação num detalhe, ou numa terrível coincidência, quando o vento do destino muda completamente a vida das pessoas. A vida de Luan estava marcada pelo destino. Ali, naquele momento, tudo poderia mudar… e mudou!

A viatura se aproxima do Mercado Popular e os dois policiais observam um veículo Hb20 parado em frente ao estabelecimento, que já estava fechando. Já eram 20h a noite estava fria. A rua, iluminada apenas por um poste distante cerca de dez metros, trazia pouca iluminação para o local, que estava quase deserto, à exceção de alguns transeuntes que passavam indo para suas casas.

Luan saiu do Mercado, caminhando com o auxílio das muletas e segurando o leite de Malu, dirigiu-se ao seu veículo, quando foi abordado pelo policial Antônio Presépio, alto, negro, com quarenta e dois anos de idade, conhecido matador, frio e calculista, que já contava à época mais de trinta mortes nas costas, entretanto, nunca fora punido. Diz-se que tem um coronel padrinho que o protege. As famílias das vítimas também, com medo de morrer, acabavam silenciando.

Antônio Presépio abordou Luan e com a arma na mão perguntou: cadê o seu comparsa? Vamos, rapaz, diga logo, senão você vai morrer!

Luan, apoiando-se nas muletas, responde: eu não tenho nenhum comparsa. Eu vim aqui para comprar o leite de minha filha. E mostrava a lata de leite.

Antônio Presépio, bastante irado, ordenou: deixe de conversa mole, rapaz. Entre aí no veículo e me dê as chaves. Luan entregou as chaves e ficou do lado do carona. Antônio Presépio dirigiu o veículo, enquanto o outro colega, Luiz, dirigia a viatura. Os veículos foram em direção à Ponte da Ilha, distrito rural, distante mais de 6 km da sede, com apenas uma ruela no meio do matagal na escuridão daquela noite fria.

Luan não estava entendendo nada, e pensava consigo mesmo: “esses caras vão me matar”!

Voltou a falar para Presépio: eu não fiz nada. Por que vocês estão me trazendo para aqui? Não deveria ser para a Delegacia?

Antônio Presépio, então falou: “Vamos ter uma conversinha primeiro!”

Os veículos pararam, numa parte da estrada, distante um pouco do povoado, e Antônio Presépio arrancou violentamente Luan do veículo e o empurrou com muleta e tudo no chão, dizendo em alto som: “agora, você vai me dizer quem estava com você no seu carro. Vamos, rapaz, diga logo, senão você vai morrer aqui!

Luan voltou a dizer que o veículo era de sua mãe e que estava sozinho no carro, mas Antônio Presépio não acreditava no que ele falava e passou a esmurrar Luan, que pulava com um pé só, segurando a muleta, caindo no chão novamente.

Antônio Presépio tentava puxar as unhas de Luan com um alicate. Luan começou a chorar de dor, quando recebeu um golpe no pescoço e caiu novamente no chão.

Antônio Presépio continuava a torturar Luan, Luiz Santos, seu colega, manuseava o celular, quando, de repente, recebeu uma mensagem de Whats App informando sobre a abordagem que acontecera em frente ao supermercado Popular.

Enquanto isso acontecia na Ponte da Ilha, um transeunte que passava pela rua do Supermercado Popular, no momento em que Luan era abordado pelos policiais, passou na casa de Luan e avisou à mãe dele: “A polícia prendeu Luan em frente ao Supermercado Popular. Acho que o levou para a Delegacia”.

Margarida, bastante nervosa, entrou em contato com sua amiga Cecília, que é investigadora policial e trabalha na Polícia Civil, informando sobre a prisão de Luan. Inicialmente achou que fosse porque Luan estava sem a carteira de habilitação, já que ele pegou o veículo apenas para comprar o leite de Malu. Imediatamente, pegou um uber e foi para a Delegacia de Albedaran, enquanto Cecília colocava uma mensagem pelo WhatsApp no grupo de policiais militares comunicando a prisão de Luan. Foi essa a mensagem que Luiz Santos, parceiro de Antônio Presépio, recebeu em seu celular.

Antônio Presépio se esmerava nas espécies de torturas cometidas contra Luan, que chorava copiosamente, apoiando-se nas muletas. No local, apenas o barulho provocado pelas rãs e a escuridão sem fim. Antônio Presépio pegou uma pistola 40 e mandou Luan segurá-la. Luan, com muito medo e chorando, segurou a pistola. Neste momento, Luan pensou: “Eles vão me matar. Agora, tenho certeza. Depois vão justificar que eu estava portando uma arma e resisti à prisão”.

Nesse momento, Luiz Santos chamou Antônio Presépio e disse, mostrando o celular: “olhe aqui. Já sabem que estamos com o garoto. Temos que levá-lo para a Delegacia. Agora, temos que encontrar uma justificativa. Antônio Presépio se dirigiu até a viatura e, na parte de trás do veículo, dentro de uma sacola, pegou um pacote de cocaína, com uma embalagem vermelha com alguns detalhes, que havia sido apreendida dois dias antes, no centro de Albedaran. Havia várias sacos de cocaína, mas pegou apenas um deles. Saiu da viatura e foi direto para o veículo de Luan onde plantou a droga.

Antônio Presépio tinha o modus operandi já conhecido, de plantar drogas em veículos e imóveis de pessoas perseguidas pela Polícia. Na semana passada, ele adentrou num edifício no centro da cidade, onde foi surpreendido e filmado plantando drogas na casa do suspeito, que fora preso, mas logo liberado pelo juiz, após ter acesso a essas imagens. Apesar disso, ele continuava se escudando na farda da Polícia e protegido por pessoas poderosas da própria Polícia, onde tinha licença para matar. Estava certo da impunidade e assim, continuava sua caminhada criminosa, maculando a boa imagem da briosa corporação.

Antônio Presépio pegou Luan pela gola da camisa e violentamente o jogou no banco de trás da viatura, e voltou-se para o veículo de Luan, guiando-o em direção à Delegacia.

Margarida estava muito nervosa e a toda hora olhava o relógio. Já estava na Delegacia há mais de uma hora e nada de notícia de seu filho. À medida que o tempo passava, mais aumentava a sua apreensão. Finalmente, estava chegando uma viatura. Margarida viu Luan no banco de trás, algemado. Logo atrás da viatura chegava também o seu veículo, guiado por outro policial.

Na Delegacia, Antônio Presépio apresentou Luan e a droga – um saco de cocaína – ao Delegado, dizendo: É um flagrante de tráfico de drogas. Pegamos essa droga no veículo dele, Dra.

Luan chorava, e disse: Não é verdade! Essa droga não é minha. Eu não mexo com isso! Antônio Presépio retrucou: cale a boca, vagabundo. Você está preso!

Margarida tentou entrar na sala da Delegacia para ver seu filho! O Delegado permitiu e ela procurou saber o que havia acontecido. Luan apenas chorava e dizia que não fez nada.

Não houve jeito. Luan foi preso e flagrado por tráfico de droga. Após ser ouvido, foi encaminhado para o Presídio de Itabuna. A mídia, principalmente, a sensacionalista, proclamava aos quatros ventos: Polícia prende o estudante de Direito, Luan, traficante de drogas. O traficante estava portando um kg de cocaína e foi conduzido para o Presidio de Itabuna.

E assim, o destino se encarregou de mudar a vida de Luan. Um jovem estudante de Direito, que trabalhava com publicidade, e que nunca havia se envolvido com drogas ou qualquer crime. Seu único hobby era jogar futebol. Foi jogando futebol que fraturou a tíbia, de cuja lesão estava se recuperando. Agora, o estudante, trabalhador e pai de uma menina de dois anos, era traficante e estava preso! A segunda notícia não importa, ninguém lembra. A pecha de um jovem envolvido com a droga é que fica.

Luan já estava preso havia três meses e não conseguia recuperar sua liberdade. A mãe de Luan então contratou um advogado experiente, Dr. Filgueiras, criminalista, cuja primeira atitude foi visitar o cliente no Presídio. Lá chegando, depois de passar pela fiscalização dos agentes, dirigiu-se ao parlatório, quando conheceu e conversou com Luan. Este disse, com lágrimas nos olhos: “Doutor, acredite em mim. Sou inocente, estou limpo. Eles plantaram essa droga no carro de minha mãe. Tudo não passou de 10 minutos, quando saí de casa e fui abordado por esses policiais.

Dr. Filgueiras respondeu: Eu acredito em você. É por isso que estou aqui. Agora, eu quero que você me fale tudo o que aconteceu.

Luan passou a contar com detalhes toda a história, até que o Dr. Filgueiras se desse por satisfeito. Já ia se retirar, quando Luan disse: “Espere um pouco, Dr. Por favor, me tire daqui. Não é só por mim não. É por minha mãe e minha avó, que sofrem muito por me verem aqui, além de passar por muitas humilhações. Por favor, Dr. me ajude! Sensibilizado com a ponderação do garoto, disse o seguinte: Vou lutar por você, vamos ver o que podemos fazer. Um abraço.

Dr. Filgueiras ingressou com um pedido de revogação de preventiva e juntou provas muito fortes, inclusive provou que a droga plantada possuía o mesmo invólucro das drogas que foram apreendidas na casa de um traficante pelo mesmo Antônio Presépio, inclusive com as imagens de outra abordagem feita pelo referido policial, quando foi filmado plantando a droga no apartamento de um perseguido pela Polícia.

Próximo do Natal, ainda na rua, Dr.Filgueiras recebeu a notícia de que o juiz havia revogado a prisão de Luan. No escritório de Dr. Filgueiras, todos: advogado, estagiário e funcionários, estavam vibrando com a soltura do rapaz, pois se tratava de celebrar a vitória de um inocente.

Dias felizes. Margarida apareceu com Luan para conversar com Dr. Filgueiras. Luan narrou toda a história. Disse que voltaria à sua vida normal, retornando à Faculdade de Direito. O Dr. Filgueiras recomendou cuidados, no sentido de evitar o máximo de sair de casa. E assim aconteceu, Luan voltou para o aconchego de seu lar, abraçando a sua filhinha Malu, que já estava sentindo falta do pai. Vida que agora, seguia normal. E uma injustiça reparada!

O tempo passou e Luan estava muito empolgado com o curso de Direito, onde tirava boas notas e era sempre elogiado pelos professores. Transcorrido quase quatro meses depois que saiu do cárcere, numa noite de abril, Luan pegou sua moto e foi para a Faculdade estudar. Nesse dia ele iria fazer uma avaliação. E assim o fez. O professor despediu-se dele que foi para o pátio da faculdade e ligou sua moto para retornar à sua casa.

Os ventos fortes do destino ainda não haviam se acalmado. Luan, no instante em que ligou a moto de volta para casa não sabia o que lhe esperava. Só não via a hora de chegar em casa, pegar Malu no colo e depois dormir a seu lado. A moto saiu da faculdade. A noite já estava mais fria, pois caía uma chuva fina. Uma moto, a escuridão, o Terminal Rodoviário e um tiro no escuro. A moto se desgovernou e caiu. Havia um corpo estendido no chão. Luan no chão enquanto o sangue escorria. As pessoas se aglomeravam em torno do corpo que agonizava. Alguns tiravam fotos. Vida interrompida!

Adeus Malu, adeus sonhos dourados, adeus o projeto de ser advogado um dia, adeus minha mãe, adeus minha avó! Adeus vida cruel e estúpida! Fui engolido pelo destino. Antônio Presépio realizou o seu desejo de me expulsar deste mundo e aumentou ainda mais o número de suas vítimas!

O celular encontrado com Luan constavam mensagens dando conta de que Presépio estava atrás dele. Ele havia passado uma mensagem para o pai, que era separado da mãe e morava no Rio de Janeiro, informando isso e pediu para que o pai não informasse à mãe para não preocupá-la. Ele sabia que Presépio estava lhe perseguindo, mas não acreditava que ele fosse capaz de lhe matar.

Infelizmente, nada poderia ser feito. A mãe procurou o Ministério Público para denunciar, mas a investigação não evoluiu. Presépio continua praticando seus crimes contra pessoas inocentes, escudado e protegido pela sua farda! Vida que segue… e vidas que continuam sendo interrompidas!

Marcos Bandeira é advogado, professor, juiz de Direito aposentado e membro da Academia de Letras de Itabuna (Alita).

Renata Ettinger lançará "]não cabe nas mãos[" no próximo dia 4, em Salvador
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A poeta e dizedora de versos Renata Ettinger lançará ]não cabe nas mãos[, seu quinto livro de poemas, no dia 4 de setembro. Após apresentar o título inédito na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e na Flipelô, a autora itabunense se encontra com o público para o lançamento oficial, no Lar Café Bistrô, na Rua das Margaridas, Pituba, às 18h30min. O evento contará com sessão de autógrafos, leitura de poemas e apresentação musical de Nalini Vasconcelos e Pedro Gomes.

– O silêncio sempre foi matéria da minha poesia. E este livro é feito de silêncios e pulsares que não tem nome. Talvez seja isso que a poesia me pede — escrever o que não cabe, o que insiste em permanecer em desalinho, e nos devolve alguma forma de abrigo – conta Renata.

Publicado pela Mormaço Editorial – editora baiana independente dedicada à literatura brasileira contemporânea, ]não cabe nas mãos[ apresaenta narrativa sustentada pelo não dizer. Ao “acolher a ação que não” e “exercer o não verbo”, Renata conduz o leitor por uma escrita em que o silêncio, o silenciar e o silenciamento se estabelecem. A poeta percorre recônditos, não ditos, subterfúgios; e costura seus versos com os de outros poetas que iluminam e atravessam sua voz.

O livro tem edição de Maria Luiza Machado, poeta e fundadora da Mormaço Editorial, e orelha assinada pela escritora Maria Ávila. O projeto gráfico e a ilustração da capa são de Isabela Sancho. Já a produção editorial é de Marcus Cardoso e Juliana Cajives, que também assina a revisão da obra e o posfácio.

QUEM É RENATA ETTINGER

Renata Ettinger (1982) é baiana de Itabuna, e residente em Salvador. É poeta e dizedora de versos, publicitária e arteterapeuta. Já publicou os livros Habitadores (Patuá, 2023), A mesma vida é outra (2022), GRITO: silêncios ecoando em minha voz (2020), Oito Polegadas (2018) – este em parceria com mais três poetas, e Um eu in verso (2002), estes de forma independente.

É autora e voz do Trago Poemas, podcast e lista de transmissão, e do projeto de áudio-poemas Quarentena com Poema – QCP (2020). Também é uma das realizadoras do Sarau Preamar e do clube de leitura Onde se lê poesia, em que leva a poesia para além das páginas.

Heitor Rodrigues traz sua terceira obra editorial, esta com prefácio de Júlio Lancelotti || Fotos Divulgação
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O fotodocumentarista Heitor Rodrigues lança, na próxima quarta-feira (13), no Centro de Cultura João Gilberto, às 19h, em Juazeiro, norte da Bahia, seu terceiro livro documentário. Com o título [às] Margens do Olhar, a obra traz imagens da realidade das pessoas em situação de rua dos municípios de Juazeiro (Bahia), Petrolina (Pernambuco) e São Paulo (capital).

O prefácio do livro é de autoria do agente social e padre Júlio Lancelotti, pároco episcopal da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo. O trabalho teve concepção e captação de imagens há mais de dois anos.

– Venho acompanhando essas pessoas desde 2022; pessoas que estão à margem da sociedade e todos com grandes histórias. Vivenciar isso, foi muito impactante. Toda parte textual do livro são as histórias dessas pessoas – revela o fotógrafo Heitor Rodrigues.

“A DOR E O AMOR”

Em um trecho do prefácio, Júlio Lancelotti destaca a relação da fotografia com o afeto, o amor e a dor. “Que a foto seja o afeto, que o afeto seja fotografado, que a vida seja perpetuada no momento do amor, no momento da dedicação, no momento em que eles estão documentando a dor e o amor”, cita Lancelotti em seu texto.

O lançamento do livro-documentário será acompanhado de uma exposição fotográfica com os personagens que integram a obra. “Junto com o lançamento do livro, haverá uma exposição fotográfica com as pessoas que ilustram a publicação com suas imagens e suas histórias”, afirma Rodrigues.

Propécio Lima é um dos personagens de “[às] Margens do Olhar. “, do engenheiro e fotógrafo Heitor Rodrigues
Este é o terceiro livro-documentário do fotógrafo Heitor Rodrigues. O primeiro, Juazeiro: Luz e Sombras, foi em e-book em 2020. O segundo, Pirilampos da Caatinga, lançado em 2021, é um mergulho na cultura de vaqueiros de Uauá, cidade também do norte da Bahia.

[às] Margens do Olhar é um projeto que foi contemplado nos editais da Lei Paulo Gustavo Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura da Bahia, direcionado pelo Ministério da Cultura.

Elisa e Mãe Ilza: obra da escritora homenageia líder religiosa || Foto Divulgação
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A escritora ilheense Elisa Oliveira é uma das indicadas ao Prêmio de Afroliteratura Infantojuvenil Erê Dendê, com o livro Mukalê – A Menina de Matamba, em homenagem a Mãe Ilza Mukalê, do Terreiro Matamba Tombenci Neto, em Ilhéus. A obra é a primeira da Série Trajetórias, que apresenta a minibiografia de personalidades ilheenses.

A escritora, que tem 24 livros infantojuvenis publicados, é professora na Rede Estadual de Educação da Bahia. “Uma minibiografia é um exemplo de singularidade, é a trajetória única, de um ser único e suas experiências. Ao mesmo tempo, a partir da intencionalidade educativa, é um elemento de inspiração, identidade, vínculo, pertencimento e importante fonte historiográfica”, explica Elisa Oliveira.

VOTAÇÃO

Elisa Oliveira e seu novo livro, Mukalê – A Menina de Matamba || Foto Divulgação

O prêmio Erê Dendê valoriza e preserva as tradições dos povos e comunidades de matriz africana e dos terreiros. Com apoio do Ministério da Igualdade Racial e da Universidade Federal do Recôncavo, a premiação vai reconhecer obras infantojuvenis em ficção, poesia, não-ficção e quadrinhos, que promovam a cultura e a sabedoria dos terreiros.

O público é convidado a participar por meio do voto direto. Abaixo, um passo a passo para votar na escritora ilheense.

1 Acesse o perfil @e.l.i.s.a.oliveira no Instagram.
2 Clique no link da Bio (Vote Prêmio Erê Dendê).
3 No site, clique em Vote.
4. Digite na busca o título do livro: Mukalê
5 Vote clicando no coraçãozinho.
6 Preencha os dados com nome, e-mail e CPF.
7 E salve seu voto.

Teatro é uma das categorias contempladas pelo edital da Secult || Foto Teatro Popular de Ilhéus
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Do PIMENTA

A Secretaria de Cultura de Ilhéus lançou o primeiro edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, também conhecida como Lei Aldir Blanc 2, que teve origem como incentivo emergencial durante a pandemia e foi transformada em política permanente do Estado brasileiro. No município, o edital 1 da Pnab destinará R$ 980 mil para 112 projetos culturais.

Podem participar agentes culturais na forma de pessoa física ou jurídica (com ou sem fins lucrativos). Cada agente cultural pode inscrever um projeto. As inscrições começaram na sexta-feira (18) e seguirão até 18 de maio, por meio do formulário eletrônico disponível neste link.

O edital contempla ações de artes plásticas, capoeira, cultura afro/povo negro, cultura hip hop, cultura indígena, cultura popular, dança, literatura, música, patrimônio cultural, quadrilha junina, feiras criativas, audiovisual e teatro. A depender da categoria, o valor pleiteado pode variar de R$ 5 mil a R$ 70 mil.

Todas as categorias terão cotas de 25% para pessoas negras, de 10% para indígenas e de 5% para pessoas com deficiência. No caso dos agentes culturais constituídos como pessoa jurídica (empresa, associação, fundação etc), o enquadramento como cotista levará em consideração critérios como o predomínio de pessoas negras, indígenas ou com deficiência nos quadros dessas instituições.

Veja mais informações no edital.

EDITAL 2

Ao PIMENTA, a secretária de Cultura de Ilhéus, Anarleide Menezes, informou que a Pnab terá outro edital no município, o Cultura Viva, destinado aos pontos e pontões de cultura, com orçamento de R$ 420 mil. A data de publicação ainda não foi definida. “Sai nos próximos dias”, prevê a gestora.

A princípio, os recursos deveriam ter sido executados até o final de 2024, pela gestão dos ex-prefeito Mário Alexandre, Marão (PSD). Como parte dos estados e municípios não havia sequer divulgados os editais até aquela data, incluindo Ilhéus, o Ministério da Cultura prorrogou o prazo de execução até 30 de junho deste ano (veja mais aqui).