A capa de "Pedra Branca" e o seu criador, Ramon Fernandes || Fotos Walmir Rosário
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Como no juízo final, os personagens ganham o lugar que merecem na história, sem atropelos, de acordo com seus procedimentos.

 

Walmir Rosário

Em apenas duas sentadas – com muito fôlego – li o novíssimo romance Pedra Branca, sangue e poder, lançado no último sábado (10-08-24), no restaurante Porto dos Milagres, em Canavieiras, por Ramon Fernandes. O livro marca a estreia do autor na literatura, com uma obra bem engendrada e que contribui para o enriquecimento da intelectualidade regional.

A história é ambientada na fictícia Pedra Branca, pequena cidade interiorana fincada nas barrancas do rio Jequitinhonha, bem na divisa dos estados da Bahia e Minas Gerais. Como todo o romance que busca prender o leitor, já no início nos apresenta um personagem que morre cedo, mas deixa um imenso legado.

A história é bem fiel ao estilo de vida interiorano, com fortes raízes fincadas na família campestre e na pachorra das pequenas cidades, com a predominância dos seus personagens marcantes. E todos estão bem situados, cada um com seus destaques: o padre, os coronéis, os comerciantes, os políticos, o delegado, a dona do bordel, ou casa de conveniência, como queiram.

Ramon Fernandes é formado em Filosofia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), professor na rede particular de ensino, servidor público municipal da Prefeitura de Canavieiras e ex-secretário de Cultura. Embora com vida fincada em Canavieiras, conhece e viveu em outras cidades regionais, algumas bastante parecidas como a descrita no romance.

Daí é que após a leitura de Pedra Branca, sangue e poder tomei a liberdade e indiscrição ao perguntar ao autor se o livro era oriundo de uma história verdadeira e por ele romanceada. Respondeu que era apenas fruto de sua imaginação – criativa, digo eu, diante do bom argumento, desenvolvimento e ambientação.

Os personagens com vida breve na história saem com dignidade e os longevos sempre aparecem em bons momentos. Não sei se é redundante observar que nas cidades pequenas – no estilo Pedra Branca – as ocorrências são sempre monótonas, contrastando com os fuxicos e brigas normalmente resolvidas entre as partes, no estilo mais agressivo.

As diferenças menores são resolvidas por meio dos conselhos do delegado, que a todos conhece e há muito se tornou amigo. Mas só que mora ou morou em pequenas cidades interioranas, notadamente nas divisas de estados, conhecem de perto as rusgas entre as pessoas influentes e seus apaniguados, que vão desde as questões de terras e as políticas.

E em Pedra Branca as guerras não acontecem somente entre as diversas famílias, mas também dentre um mesmo clã, geralmente derivadas por ciúmes, posição social e riqueza. E essa questão está presente no romance com briga fraticida entre coronéis, sem faltar motivação para a expropriação de terras com o apoio dos revólveres e rifles dos jagunços.

A personalidade feminina aparece com muita distinção e força, desde a coronela, senhora de si e que comanda com mão-de-ferro suas propriedades e família. Com a ajuda de bons jagunços, defende seus bens contra pessoas da própria família; resolve sua vida conjugal de uma hora pra outra após a viuvez; ajuda seus protegidos. Uma mulher resolvida.

Também aparece com altivez e se torna personagem marcante a figura meiga da senhora do delegado, com ares de professorinha, que assume o protagonismo de uma hora pra outra, sem que alguém esperasse. Outra personagem, esposa de um coronel, vítima de maus-tratos, resolve se libertar do jugo do marido, toma uma atitude inesperada e vai viver nova relação. Esta proibida pelas leis dos homens e de Deus.

Lançamento do romance de Ramon Fernandes, no Restaurante Porto dos Milagres

Não poderia faltar na trama os forasteiros que chegam, encontram oportunidades e as aproveitam. Alguns metem os pés pelas mãos, mas conseguem se segurar devido às habilidades no relacionamento social e político. Mas como sempre nessa vida terrena, a avareza, a inveja e soberba promovem a própria destruição.

Como no juízo final, os personagens ganham o lugar que merecem na história, sem atropelos, de acordo com seus procedimentos. Os maus geralmente acabam na cadeia ou cemitério, os bons continuam distribuindo felicidade, os menos atrevidos sem destaque. Cada qual no seu quadrado, como determina Ramon Fernandes, com minha posterior aprovação. Recomendo.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Astério Neto vence o 1º Prêmio Alta Literatura || Foto Divulgação
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Com a A Morte da Finada, romance do gênero realismo mágico, o escritor Astério Moreira de Santana Neto, de Tucano (BA), levou o primeiro lugar do 1º Prêmio Alta Literatura, promovido pelo Grupo Editorial Alta Books. De quebra, faturou R$ 60 mil e terá coberta a despesa com a publicação da obra.

“O prêmio confirma o momento plural e vivaz da literatura contemporânea e abre espaço para novas vozes no mercado brasileiro”, observa a jurada, crítica literária e psiquiatra Natalia Timerman. Ao lado de Socorro Acioli e Jeferson Tenório, ela avaliou os originais dos autores não-estreantes, enquanto Eliane Robert Moraes, Luiz Antonio de Assis Brasil e Luiz Ruffato julgaram a categoria estreante, vencida pelo mineiro Marcelo Henrique Silva, com o romance histórico Sangue Neon.

Rodrigo de Faria e Silva, idealizador do projeto ao lado do CEO da Alta Books Gorki Starlin, ficou entusiasmado com a qualidade literária dos manuscritos. Segundo o editor, os vencedores apresentaram textos fortes e contundentes, escritos com segurança, estrutura narrativa contemporânea e construção de personagens atuais e provocantes. “O concurso foi um sucesso tanto pelo número de inscritos quanto pela qualidade das obras submetidas, mostrando que a produção literária contemporânea brasileira está a todo vapor”, avalia o editor.

Já Gorki ressaltou que o prêmio está alinhado com o movimento de bibliodiversidade da editora, que descobre novos talentos fora dos eixos convencionais. “Promover a literatura nacional através deste prêmio é um privilégio. Fico muito satisfeito com o resultado e com as obras vencedoras”, conclui o CEO.

Thaíse Santana lança "Dentro da casa o vazio" nesta quinta-feira (25) em Itabuna || Foto Divulgação
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A escritora grapiúna Thaíse Santana lançará o seu segundo livro, Dentro da casa o vazio, nesta quinta-feira (25), às 18h, na Câmara Municipal de Itabuna. A data não foi escolhida por acaso. Hoje é o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Ela ainda lançará a obra no sábado (27) na Libraria do Glauber e na segunda (29) na Biblioteca Central do Estado da Bahia, ambos em Salvador.

Dentro da casa o vazio foi classificado no Prêmio Carolina Maria de Jesus de Literatura Produzida por Mulheres (2023) do Ministério da Cultura e publicado, recentemente, pela Editora Urutau (2024). O livro é composto por 90 poemas, distribuídos pelas seções “O vazio” e “A casa”.

A metáfora do vazio construída na obra, afirma Thaíse, tem significado amplo: cansaço, luto, insatisfação, racismo, solidão, distância, exaustão das tarefas domésticas, distanciamento social e medo, por exemplo. “No entanto, o vazio não existiria se não tivesse uma Casa para habitar. Nela, muito além do vazio, habitam pessoas, a coragem, os costumes, os afetos, os desejos, a fé, a beleza, os sonhos. Independentemente de qualquer vazio, a Casa não deixa de ser quem é: lugar de acolhimento, lugar de partida e de chegada. Nós também somos casa”.

Thaíse Santana é oriunda do bairro São Pedro e estudou em escolas públicas de Itabuna. Apesar das dificuldades, aproveitou algumas oportunidades que teve e ingressou na universidade pública. Cursou Letras na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), fez mestrado na Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, e doutorado na Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro.

O lançamento em Itabuna terá uma programação diversificada, que inclui apresentação da obra, declamação de poemas, homenagens, sessão de autógrafos e coquetel. O evento é gratuito e indicado para todas as idades.

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Lembro da rua sendo decorada com bandeirolas pelos moradores; estas eram feitas com revistas, sacolas, jornais. Elas eram cortadas em torno de rodas de conversas e estórias. As crianças, eu era uma delas, iam colando no barbante com uma goma improvisada de farinha de mandioca. As noites eram felizes.

 

Efson Lima || efsonlima@gmail.com

Os festejos juninos já começaram na Bahia e, certamente, em todo o Nordeste. Algumas cidades realizam festas com duração de um mês. Também é razoável que não devemos comparar festas, mas o São João transmite uma sensação de que todo município, pelo menos no Nordeste, de algum modo, acende uma fogueira, as pessoas colocam bandeirolas nas ruas e praças ou um trio de sanfoneiro está a embalar as emoções. É, sem dúvida, a festa do dançar coladinho, mas “não” continua sendo “não” e vale respeitar as diversas formas de amar.

Em outras cidades, as praças são tomadas por grandes atrações, cujas festas movimentam a economia local, lotando pousadas e hotéis. As casas dos moradores são alugadas, o interior da Bahia é envolvido e as relações econômicas das cidades, inclusive os processos eleitorais, são impactados. Afinal, as eleições estão logo ali: outubro.

Em Salvador, a principal praça de festa junina do Governo do Estado é no Parque de Exposições, inclusive, estive lá recentemente para apreciar as atrações com meu amigo Léliton Andrade, por sinal, esse artigo tem sugestão dele. Sem dúvida, uma festa para agradar os diversos gostos. No dia em que estive, acompanhei Luiz Caldas, João Gomes, Psirico e Escandurras.

Observei, atentamente, Márcio Victor, do Psirico, defender a presença daquela atração no São João ao apontar que a música nordestina é a que deve estar nas festas juninas. Por sinal, o show dele foi iniciado com duas músicas e uma quadrilha junina. Complementava a tríade, o telão exibindo o Rei do Baião, Luiz Gonzaga. A partir daí, as músicas do grupo levaram o público ao delírio. Preciso confidenciar que dancei. Gostei muito dos esforços empreendidos para articular os ritmos e promover uma mistura necessária aos ouvidos, inclusive, o visual dos bailarinos. A roupa usada por Márcio Victor também trazia os elementos nordestinos. Perdemos a tradição? Muitos vão dizer que sim. Só o tempo dirá para nós.

As festas privadas em diversas cidades viveram o boom no passado, agora, lamentam com a perda de público e de patrocinadores. Alguns chegam a culpar o Estado e prefeituras por investirem nas festas públicas. As festas públicas são necessárias, elas democratizam o acesso aos artistas. É óbvio que os valores das atrações precisam guardar alguma razoabilidade e proporcionalidade e a qualidade do recurso público assegurada. Não é crível também entender que a realização de festas é investimento em cultura, quando os grupos teatrais, de danças, cinema e tantas outras manifestações locais ficam à margem ao longo do ano.

Particularmente, tenho apreço às festas juninas no interior da Bahia. Afinal, minha infância foi povoada por algumas dessas em Entroncamento de Itapé, às margens da BR-415. Lembro da rua sendo decorada com bandeirolas pelos moradores; estas eram feitas com revistas, sacolas, jornais. Elas eram cortadas em torno de rodas de conversas e estórias. As crianças, eu era uma delas, iam colando no barbante com uma goma improvisada de farinha de mandioca. As noites eram felizes. Bananeiras, folhas de bambu, pés de laranjas eram colocados nas ruas. As fogueiras eram preparadas pelas famílias. Um par de roupas era comprado por minha mãe. As noites eram memoráveis.

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Ruy Póvoas (à esquerda) presta homenagem ao amigo André Rosa, falecido neste domingo (7)
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André trouxe Rosa, por sobrenome, a rainha das flores. No percurso de sua existência, muitas vezes não navegou num mar de rosas, tendo em vista os inúmeros desafios que teve de enfrentar. Cremos, porém, que a partir de agora, um mar de bem-aventuranças lhe trará o descanso merecido.

 

Ruy Póvoas

Quatro caminhos no meu percurso, nesta existência, se cumprem no dia de hoje. O entrelace se desfaz com a morte de André Rosa. Meu amigo, meu colega, meu confrade, meu irmão de fé. A quais caminhos me refiro? Éramos parceiros na Universidade/UESC (André era professor e pesquisador); na Literatura (André era escritor e poeta); na Academia de Letras de Ilhéus (André era membro efetivo da ALI) e no exercício da prática de uma religião de matriz africana (André era Tata Cambone de Matamba, do Terreiro Tombenci Neto).

Tais viveres e fazeres nos enlaçaram por muitos anos a fio. Agora, quando Mercúrio retroage no nosso céu, Matamba mandou buscar André e Nanã Borokô o leva de volta ao seio da Mãe Terra. E como fico eu aqui? Aliás, como ficamos nós?

Cumpre volvermos as vistas para seus escritos e seus relatos de estudos e pesquisas. Cumpre mergulharmos com a atenção devida para seus versos extravasantes de intuição artística. Cumpre continuarmos zelando pela ALI, nos devidos cuidados de sustentação e lides de nossa Academia. Cumpre, especialmente a mim, continuar na luta pela conquista de lugar no mundo por partes do povo de santo.

Da última vez que nos vimos, 14 de março deste ano, a nossa ALI vivia momentos de alegria por estarmos iniciando mais um ano de atividades acadêmicas. Vários participantes fotografaram o evento a valer. Em muitas fotos, André e eu saímos juntos. E quando a onda de sentimento amainar, voltarei àquelas fotos que ficaram, representações que são do último momento de uma caminhada que só nos deu contentamento e certeza de que estávamos no caminho certo.

Para nós, gente que pratica a fé de matriz africana, ainda veremos você na intimidade de nossos rituais, quando em breves dias, celebraremos o axexê. Você se vai enquanto criatura encarnada, mas ficará conosco, para o resto de nossas vidas. E isso é possível, sim, porque ficam conosco, seus escritos, seus poemas, seus livros, os resultados de suas atividades na ALI. Ficam, sobretudo, partes de seu axé anexado à comunidade do Terreiro Tombenci Neto.

André trouxe Rosa, por sobrenome, a rainha das flores. No percurso de sua existência, muitas vezes não navegou num mar de rosas, tendo em vista os inúmeros desafios que teve de enfrentar. Cremos, porém, que a partir de agora, um mar de bem-aventuranças lhe trará o descanso merecido.

E de onde você estiver, rogue por nós, seus amigos, camaradas, colegas e irmãos até que chegue nosso tempo também.

Itabuna, 7 de abril de 2024.

Ajalá Deré (Ruy Póvoas) é babalorixá do Ilê Axé Ijexá.

Daniel Thame e Rafael Gama durante a entrevista no estúdio da TVi
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A edição desta quinta-feira (17) do Via Litterarum Encontros em Prosa e Verso traz entrevista com o jornalista, blogueiro, escritor e multimídia Daniel Thame. Apresentado pelo professor Rafael Gama, o programa vai ao ar às 22h30min, na TVi. Leve e descontraída, a entrevista traz posicionamento político e cultural e, nela, Rafael e Daniel conversam sobre a literatura e suas repercussões sociais.

Autor dos livros Jorge100anosAmado-Tributo a um eterno Menino Grapiúna; Vassoura, a história que Jorge Amado não viveu para contar; A Mulher do Lobisomem, que explora as diversas facetas do universo feminino; Manual de Baixa Ajuda, crítica bem humorada aos manuais de autoajuda; e O Gato que tinha 3 nomes, obra infantil que destaca a paixão pelos animais, a conservação na natureza e o chocolate produzido em Ilhéus.

Estas e outras entrevistas do Via Litterarum Encontros em Prosa e Versos podem ser acompanhadas na TVi em suas multiplataformas.

Poeta e escritor Cyro de Mattos recebe a Comenda 2 de Julho || Foto Juliana Andrade/Alba
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Dos mais lidos e premiados escritores nascidos que brotaram do chão grapiúna, o itabunense Cyro de Mattos recebeu a Comenda 2 de Julho na tarde desta quinta-feira (10), na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). A honraria foi proposta pelo deputado Marcelinho Veiga (UB), que tem ligações com Itabuna, terra natal de Cyro de Mattos.

Marcelinho foi apresentado ao escritor itabunense pelo amigo em comum Joaci Góes, também membro da Academia de Letras da Bahia (ALB). Cyro tem 65 livros publicados no Brasil e 16 no exterior. “Desde antes de ser deputado, frequentava a Assembleia e ficava imaginando, se deputado, a quem poderia prestigiar com a honraria”, considerando que tinha que ser a melhor escolha.

Ainda ao discursar, Marcelinho lembrou da relação da ALB com um de seus avôs, Cláudio Veiga, presidente da Academia por 26 anos. Cláudio, Joaci e Cyro, além de dividirem o gosto pelas letras, têm em comum o fato de terem sido contemporâneos e amigos nos tempos de Colégio da Bahia, atual Colégio Central.

Os trabalhos foram marcados por duas quebras de protocolo antes da medalha e do diploma serem entregues. Josefina, filha de Cyro, e Joaci tiveram a oportunidade de falar sobre o homenageado. “Eu honro e celebro sua caminhada, sua vida, seu exemplo”, disse a filha, que contou sua experiência de ter uma infância em meio a uma vasta biblioteca e várias máquinas de escrever e seus ruídos característicos. Ela disse que o pai sempre teve como característica “nunca desistir de nossos sonhos, nunca deixar de lutar, nunca recuar”. Aos 84 anos, Cyro está trabalhando em um romance.

Marcelinho Veiga, que propôs a honraria, com Cyro de Mattos e Elinho Almeida

OBRA COMPLETA

Joaci ressaltou o profundo conhecimento que tem do homenageado. “Eu conheço Cyro há mais tempo do que você tem de vida”, disse, dirigindo-se a Marcelinho. Ele fez uma análise da obra literária do amigo, classificando-a completa. E lembrou que Machado de Assis, considerado o maior escritor do país, escreveu diversos gêneros, mas não tem um livro infantil, uma vez que não se escreviam naquela época obras destinadas a crianças.

A deputada Fabíola Mansur (PSB) atravessou a cidade para prestigiar o evento e seu gesto foi registrado por Marcelinho Veiga. Posteriormente à sessão, ela fez questão de cumprimentar o homenageado, quando louvou a contribuição dada à literatura brasileira, bem como a extensa produção cultural nos seus mais de 60 anos como escritor. Ela falou da obra publicada no exterior e elogiou pelo prêmio recebido no início do ano, em Cuba (prêmio Casa de las Américas 2023), pelo livro Infância com Bicho e Pesadelo e Outras Histórias, editado pelo programa Alba Cultural, da Assembleia Legislativa.

Por apresentar dificuldades de locomoção, Cyro preferiu fazer o discurso de agradecimento na própria mesa. Ele iniciou suas palavras agradecendo a Deus por ter lhe dado a vida e por ter lhe concedido sua esposa Mariza (que se encontrava em plenário) – agradeceu a ela pela tolerância e amor durante 55 anos de união física e afetiva. Também citou os filhos André, Luís, Adriano e Josefina e cada um dos netos. “Agradeço ao amigo de longa data Joaci Góes, companheiro de jornadas de juventude e ao longo dos anos atravessamos trilhas e caminhos da mata cultural”.

O homenageado deu uma aula sobre os fatos e personagens do 2 de julho. E fez o agradecimento especial ao deputado Marcelinho Veiga pela iniciativa e “suas palavras cativantes que me dão certeza de que viver vale à pena quando a alma não é pequena, conforme nos lembra Fernando Pessoa”.

Antônio Lopes e algumas de suas obras || Fotomontagem Walmir Rosário
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Procurou se livrar dele, afinal estava em Paris, o melhor lugar do mundo, depois de Buerarema. Na manhã seguinte, ao dar pela falta do cartão de crédito, percebeu ter sido vítima de um legítimo vigarista parisiense. Fazer o quê?

 

Walmir Rosário 

O prezado e estimado leitor conhece Buerarema desde quando? Se a resposta do distinto for de uns tempos pra cá, passo a ter dó e piedade dele, pois na verdade, pouco ou quase nada viu do seu povo e de sua história. E bote História (com H maiúsculo) nisso, daquelas de cair o queixo, acontecidas desde o tempo que a aconchegante Macuco (seu nome enquanto distrito de Itabuna) reunia os melhores personagens num só local.

Pois fiquem os senhores sabendo que aquele pedacinho de terra cercada de matas e cacaueiros por todos os lados, entrecortados por pequenos riachos e rios caudalosos em busca da praia de Ilhéus têm muito a ser contado. Ponha sua cabeça pra pensar naquele amontoado de gente, vinda de todos os cantos do mundo, e que acabou formando um arruamento, vila e depois cidade, com essa gente mandando neles mesmos.

Estás curioso! Pois não perdes por esperar! Basta sentar com uns cinco livros de autoria do professor, jornalista e escritor Antônio Lopes, um pernambucano que se fez macuquense e bueraremense por obra e graça de sua mais legítima vontade. Pense numa viagem (há quem chame de imersão) voltando no tempo e conhecendo histórias, estórias e causas cometidos pelos seus personagens, inclusive o próprio.

Mas agora vamos nos ater aos dois últimos livros publicados, do contrário vamos perder muito tempo nessa leitura e passar dos “entretantos aos finalmentes”. Em “A Bela Assustada”, uma antologia pessoal, alguns textos inéditos, Antônio Lopes não se conteve e apresenta Manuel Vitorino, Zé Mijão, Mundinho Cangalha, João Baié, Léo Briglia, Dr. Elias, o padre Granja, o pastor Freitas, Manuel Lins, Clarindo Corno Preto, Zeca de Agripino, Vilson Cordier e muitos outros brilhantes personagens.

E o menino trazido de Triunfo, no Pernambuco, pelo seu irmão mais velho, João Lopes, estudou o primário e o ginásio, fez jornalismo estudantil e formou seu caráter em Buerarema. Mais tarde, foi estudar em Ilhéus, trabalhar em Itabuna, até chegar a São Paulo escrevendo para a Última Hora, do lendário Samuel Wainer. Foi seguir o caminho e aportou na Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras da Bahia.

Não sei se essas incursões mundo afora fixaram na memória do autor os causos vividos em tempos idos. O que sei mesmo é que são contados com simplicidade e o humor daquela gente e daquela época. Quem melhor narraria – a posteriori – um jogo do Brasil Esporte Clube, o BEC, do que o sapateiro Zé Vitorino? Que os senhores saibam o delírio da plateia com seus lances, tornando Galvão Bueno um simples fichinha. E nem tínhamos TV.

A Buerarema dos cines Cabral e Maracanã, à época em que não sofriam a concorrência das redes de televisão e era ponto de fixo para a troca de gibis e o encontro de namorados trocarem juras de amor, enquanto bandidos e mocinhos de digladiavam na tela. Uma boa pedida são os banhos no Poço da Pedra, onde o autor aprendeu a nadar, boiar e distribuir cangapés e quase se afogar.

Da minha lembrança não sai o causo de Agripino Vieira, fazendeiro de 15 mil arrobas de cacau, cliente assíduo do Bar Pingo de Ouro, que deu um drible no médico Dr. Elias, após o conhecido esculápio proibir suas incursões aos bares. Sem qualquer peso na consciência chegou na Farmácia Maria e decretou ao balconista Afonso que lhe desse o um vidro de Biotônico Fontoura, o maior que tivesse na referida botica.

Em A Vida Refletida, Antônio Lopes conta que na sua adolescência quem não tinha habilidade para coisa nenhuma ia para a Marinha. Mas ele quis fazer diferente, por não levar jeito. Não estudou medicina, engenharia ou direito, mas trabalhou em rádio, televisão, assessoria, escritório, deu aulas, vendeu remédios. Profissões essas que lhe garantiram o uísque de cada dia. E as histórias, acrescento eu.

Em Um Tabaréu em Paris (pgs. 101/103), o autor conta que se encontrava na cidade luz quando um cara branco, vestido à classe média, lhe dá um encontrão. Desculpou-se (todo cheio de “pardon”, monsiseur), e continuou puxando conversa. Procurou se livrar dele, afinal estava em Paris, o melhor lugar do mundo, depois de Buerarema. Na manhã seguinte, ao dar pela falta do cartão de crédito, percebeu ter sido vítima de um legítimo vigarista parisiense. Fazer o quê?

Sobre o livro de Lopes, Joaci Góes escreveu: “Antônio Lopes é um autodidata que atingiu elevado patamar como humanista, polindo seu crescimento com as aulas que deu de português, matemática, história e redação, sem falar em suas experiências como animador de comícios e redator de discursos políticos, de festas carnavalescas, comentarista de futebol, vendedor, gestor de recursos humanos, fez tudo isso para sobreviver e ter as condições mínimas de se dedicar à leitura dos grandes autores, na geografia do tempo, experiências que contribuíram para torná-lo um dos mais refinados escritores brasileiros da atualidade”.

E prossegue Joaci…“Provavelmente, se Antônio Lopes tivesse produzido sua surpreendente obra de Paris, Londres, Roma ou New York, não faltasse quem dissesse que só a partir de domicílios tão cosmopolitas seria possível produzir literatura de conteúdo e forma tão marcadamente universais”.

A vida refletida/Antônio Lopes – Ilhéus, Ba: Editus, 2019.

A bela assustada : antologia pessoal + inéditos/ Antônio Lopes. – Itabuna, BA : A5 Editora, 2021.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

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A primeiro edição do Festival Literário de Serra Grande (FLISG) pretende despertar de forma lúdica, nas crianças, jovens e adultos, o interesse pelo ato de ler e compartilhar livros, informa a organização, além de instigá-los a formar rede de leitores e de prática de escrita na Vila de Serra Grande e em Uruçuca. A Secretaria de Educação do município participa ativamente do processo junto com os organizadores do evento, que acontecerá em novembro.

O evento terá mesas de debates, lançamentos, oficinas, contação de histórias, comercialização de livros e apresentações musicais. A Feira também promoverá o primeiro Concurso Literário destinado aos alunos do Fundamental I e II e o Ensino médio da rede municipal.

“A Secretaria de Educação tem maior prazer em integrar essa equipe e participar ativamente desse processo. Envolver nossos alunos, nossas escolar, porque temos a consciência de que quem fomenta e incentiva a leitura contribui para formar bons leitores”, disse a titular da Pasta da Educação do município, Célia Calmon.

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O Centro Cultural Teosópolis promove, no dia 15 de julho, às 18h30min, noite de autógrafos com obras de autores regionais. O evento Obra & Autógrafos tem o apoio da editora Via Litterarum e da Academia de Letras de Itabuna, e ocorre no Centro Cultural Cacilda Lourenço Silva, na Praça dos Eucaliptos, no Conceição, em Itabuna.

Os autores Charles Sá, Bira Lima, Mariana Souza, Albione Souza Silva, Leila Oliveiras, Sérgio Machado e Egnaldo França receberão o público para autografar suas obras. A professora Janete Ruiz Macedo, do Centro de Documentação e Memória Regional (Cedoc), da Uesc, e curadora do espaço, informa que é primeiro evento do gênero organizado pelo espaço que busca promover e recuperar a cultura grapiúna.

Egnaldo França também está presente na noite de autógrafos

O escritor Albione Souza e Silva autografa sua obra, Os Despossuídos da Terra. O autor Bira Lima fará o lançamento do seu livro Kúesis, a escritora Leila Oliveira apresenta e autografa o seu livro infantil Asas. Autor de cinco livros, Charles Sá autografa as obras no campo da história Festas, Bahia Pombalina, O Sagrado no Tempo, Mundos Coloniais e História e Literatura.

Já Sérgio Machado, que além de escritor é advogado, autografa o livro Olhos de Deus. A trilogia A Lição do Mago será autografado pela escritora Mariana Souza, enquanto Egnaldo França apresenta a obra Sabor de Poeta.

Janete Macedo ressalta que o evento busca a promoção da arte e fomentar a cultura regional e incentivar a leitura das obras de autores regionais. “Queremos promover nossos autores e incentivar a leitura”, pontua a educadora.

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Um olhar demorado sobre recortes da vida – a poesia, o próprio tempo, o corpo-casa e suas implosões, amores, mortes e renascimentos. É assim que Renata Ettinger dá vida ao seu terceiro livro de poemas, A mesma vida é outra, uma narrativa poética sobre transformações.

A obra, publicada de forma independente, já está disponível para pré-venda e será lançada em 2 de junho, a partir das 18h30min, no restaurante Cuia Gastronomia, localizado no espaço Colaboraê, no Rio Vermelho, em Salvador.

O encontro contará com sessão de autógrafos e apresentação dos poemas pela autora e convidados. O título custa R$ 40 e estará disponível para venda no site www.renataettinger.com.br ou diretamente com a autora pelo instagram @renataettinger.

Na obra, escrita durante o período de isolamento social imposto pela pandemia, Renata experimenta a ciência do tempo e, por meio de sua escrita potente, nos convida a enxergar que sempre há novas possibilidades dentro da mesma vida.

– Gosto de pensar este como um livro sobre transformações e processos. O próprio título já traz a mudança. A mesma vida é outra é um livro de percurso, desses que a gente vai e volta e, se não estamos mais no mesmo lugar, também estamos. É uma espiral. Os recomeços insistem, incluem a estrada já percorrida e incluem nossas transformações. Por isso, também é um livro sobre estar em movimento, sobre o tempo e sobre estar viva – revela a autora.

O livro tem a orelha assinada pela poeta e fundadora da Editora Mormaço, Maria Luiza Machado; prefácio da escritora e psicóloga Luisa Benevides e posfácio de Thainá Carvalho, escritora e colagista. “Em A mesma vida é outra, vemos a mesma mulher-poeta de “Grito”, dos áudios diários de seu podcast e dos pequenos vídeos nas redes sociais. Mas também vemos uma outra: que se sustenta no trabalho com a palavra durante esses dois últimos anos de incertezas e desespero. Ler Renata aqui, é, acima de tudo, relembrar o motivo de termos escolhido ler e fazer poesia um dia, e nos preencher com todos eles para continuar escrevendo, lendo e vivendo”, destaca Maria Luiza Machado.

PERFIL

Baiana, nascida em Itabuna, Renata Ettinger é uma poeta e dizedora de versos que encontrou na palavra um lugar de ser. Publicitária e arteterapeuta, ela fala pelos poemas desde os 12 anos e já publicou os livros GRITO: silêncios ecoando em minha voz (2020), Oito Polegadas (2018) – uma coletânea lançada com os poetas Mário Garcia Jr., Nalini Vasconcelos e Ricardo Guedeville – e Um eu in verso (2002), todos de forma independente.

Leitora voraz de poesia contemporânea, durante o período de isolamento social, realizou o projeto Quarentena com Poema (QCP), em que compartilhou um poema em áudio por dia com amigos e interessados em poesia. Foram 215 dias consecutivos de poesia para ouvir e sentir, com mais de 70 autores contemplados. Depois, Renata criou o podcast Trago Poemas, iniciativa que caminha para o segundo ano em formato semelhante ao QCP. Ambos podem ser conferidos nas principais plataformas de streaming (Spotify, Deezer, Google Podcasts, entre outras). Para mais informações, basta acessar o instagram @renataettinger.

Lançamento do livro A mesma vida é outra, de Renata Ettinger
Quando: 2 de junho (quinta-feira), a partir das 18h30min
Onde: Cuia Gastronomia – Colaboraê, R. Borges dos Reis, 81 – Rio Vermelho
Quanto: R$ 40,00
Disponível para venda em: www.renataettinger.com.br ou pelo instagram: @renataettinger

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Presidente do PCdoB de Itabuna, o ex-vereador Wenceslau Júnior parabenizou o professor, advogado e escritor Efson Lima, que será empossado como novo membro da Academia de Letras de Ilhéus (ALI), em solenidade na sede da instituição, nesta sexta-feira (22), às 19h.

– Ele dará uma importante contribuição para que a Academia cresça ainda mais, pois se trata de um jovem doutor com inteligência imensurável. Tenho certeza que seus conterrâneos, assim como eu, que o admiram e acompanham sua trajetória acadêmica estão orgulhosos. Parabéns!

Efson Lima ocupará a cadeira 40 da ALI. Jovem doutor, Efson é um dos articulistas do centenário jornal A Tarde e do Diário de Ilhéus. O mais novo imortal também é um dos responsáveis por articular a realização do Festival Literário Sul-Bahia (Flisba).

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A educadora ilheense Elisa Oliveira lança coleção de livros infantojuvenil de Filosofia, na próxima terça-feira (26), às 15h, no auditório da Torre Administrativa da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). A coleção é uma publicação da Editus e é composta por oito livros com textos leves, simples e, ao mesmo tempo, profundos.

Os livros são um convite à reflexão de temas como amizade, liberdade, respeito à diversidade, antirracismo, adoção, silêncio, afetos, autoconhecimento e ponto de vista. “São livros para todas as infâncias. A experiência do leitor, o interesse pela temática, a forma como a leitura pode ser mediada, independente de idade, nos permite acessar diferentes níveis de reflexão e profundidade nas discussões”, explica Elisa.

A educadora também é a autora das coleções Aprendiz de Filósofo e Cogito Ergo Sum, ambas livros didáticos para o ensino da Filosofia no ensino Fundamental, área do conhecimento em que a autora se dedica há mais de 20 anos. Suas coleções são adotadas por escolas em Ilhéus, Itabuna, Arraial D’Ajuda (Porto Seguro) e Rio de Janeiro.

Legado de Paulo Freire é tema da 1ª mesa de discussão do evento
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A 2ª edição do Festival Literário Sul-Bahia (Flisba) vai começar nesta sexta-feira (24), às 18h30min, com transmissão ao vivo no canal do evento no Youtube. O tema deste ano é Primavera Literária: arte na superação da pandemia.

Após a abertura, a primeira mesa de discussão do festival será às 20h, com debate sobre literatura, educação e cultura popular na obra de Paulo Freire, patrono da educação brasileira, que completaria 100 anos no último dia 19. Os professores Ramayana Vargens e Givânia Nascimento são os expositores-convidados para discutir o legado de Freire, com mediação da professora Silmara Oliveira.

As atividades continuarão no sábado (26) e seguirão até domingo (27), dia de encerramento do festival. Confira a programação completa no site do Flisba.

Se vivo estivesse, Jorge Amado completaria hoje 109 anos || Foto Editora Todavia
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Jorge Amado merece muito mais. Merece uma casa melhor em Ilhéus para guardar sua memória e ser um centro de referência permanente. Merece ações em Itabuna. Merece uma Ilhéus zelosa com a memória de seu escritor maior.

Efson Lima

Jorge Amado,  nosso autor sul-baiano mais destacado da literatura nacional, completa 109 anos neste 10 de agosto de 2021. Imortalizado na Academia de Letras de Ilhéus, Academia de Letras da Bahia e Academia Brasileira de Letras, ele permanece vivo na literatura mundial. Certamente, ele continuará povoando nossas cabeças, nosso imaginário e seduzindo milhares de pessoas para a literatura, assim como eu fui atraído pela obras Capitães da Areia Gabriela, Cravo e Canela, entre outros clássicos.

Em Ilhéus, Jorge Amado se somou a Abel Pereira,  Nelson Schaun, Wilde Oliveira Lima e Plínio de Almeida, os quatro últimos foram membros da Comissão de Iniciativa, para fundar a Academia de Letras de Ilhéus, em 1959.  Na Academia de Letras de Ilhéus, o escritor pertenceu à cadeira de n° 13, cujo patrono, Castro Alves, o influenciou na produção literária.  A cadeira de n°13  também acolheu a sua companheira, Zélia Gattai e, agora, tem como titular o escritor Pawlo Cidade.

Para a Academia Brasileira de Letras, Jorge Amado foi eleito, em 6 de abril de 1961, para a cadeira n° 23, que tem por patrono José de Alencar e  primeiro ocupante Machado de Assis. Jorge Amado foi um crítico das academias, mas na fase adulta fez revisão de seus posicionamentos, como assinalou em seu discurso de posse na ABL:  “Chego à vossa ilustre companhia com a tranquila satisfação de ter sido intransigente adversário dessa instituição, naquela fase da vida, um que devemos ser, necessária e obrigatoriamente, contra o assentado e o definitivo, quando a nossa ânsia de construir encontra sua melhor aplicação na tentativa de liquidar, sem dó nem piedade, o que as gerações anteriores conceberam e construíram.”

O tempo é senhor de nossas razões. E como é.

No início deste texto, eu disse “nosso autor”, força de expressão para ressaltar a origem. O escritor pertence mesmo é ao mundo. É símbolo de nossa terra, nascido em Ferradas, em Itabuna, não só se imortalizou, mas imortalizou-nos na literatura universal. As suas obras de cunho regionalista conseguiram ter sentido no Chile, na França, em Portugal, na Itália, na antiga URSS. Conseguiu orgulhar a nação grapiúna e colocar a literatura brasileira em um patamar privilegiado. Acabou não sendo agraciado com o Prêmio Nobel, mas seu nome sempre foi forte candidato. Por sua petulância, acabou sendo preterido.

Geralmente, as pratas de suas casas não são vistas. São normalizadas. Agora, entre as duas cidades, sem dúvida, Ilhéus é quem melhor poderia ganhar com a imagem desse célebre escritor.

A passagem do tempo não apaga as memórias amadianas. As suas obras continuam atuais. Foram crônicas daquele momento e proféticas para o presente. Certamente, continuarão evidenciando o futuro.  Jorge Amado será sempre lembrado pela atual geração e pelas gerações futuras. Talvez, Ilhéus e Itabuna ainda não tenham percebido a importância desse escritor. Geralmente, as pratas de suas casas não são vistas. São normalizadas. Agora, entre as duas cidades, sem dúvida, Ilhéus é quem melhor poderia ganhar com a imagem desse célebre escritor. Infelizmente, a cidade pouco aproveita a difusão turística feita pelas obras amadianas. Gente boa na cidade não falta para colaborar e implantar projetos. Mas são pratas da casa, não servem. Até quando vamos manter esse raciocínio?

O escritor Jorge Amado, que recebeu diversas críticas, marginalizado pela crítica do Sul, continua vivo em nossas memórias e provocando críticas de diversos movimentos. Também continuará sendo lembrado em sua data de nascimento e em eventos acadêmicos, mas só essas ações não bastam. Jorge Amado merece muito mais. Merece uma casa melhor em Ilhéus para guardar sua memória e ser um centro de referência permanente. Merece ações em Itabuna. Merece uma Ilhéus zelosa com a memória de seu escritor maior. Merece um tratamento melhor pelas instituições universitárias e pelas escolas. É possível uma cultura amadiana. AMADO sejamos cada um de nós!

Efson Lima é advogado, professor universitário e mestre e doutor em Direito pela Ufba.