O prefeito de Ilhéus, Newton Lima, dá sinais cada vez mais evidentes de que já fez a sua escolha na sucessão baiana. Durante visita do governador Jaques Wagner, no sábado, não foram poucas as tentativas do grupo do ex-ministro Geddel Vieira Lima de promover uma reaproximação.
Segundo uma fonte, houve diversos contatos telefônicos para que Newton Lima, logo após a decolagem de JW, fosse ao encontro de Geddel, que também estava na cidade. Lima, no entanto, optou por um encontro reservado com o governador e o levou até o aeroporto, num chamego só.
Depois de embarcar o governador, o prefeito se recolheu e não quis atender as insistentes ligações de um secretário municipal. O que fez, isolado, a sua escolha por Geddel.
Depois de cinco anos e cinco meses fora do poder, a família Carletto, cujo expoente maior é o deputado estadual Ronaldo Carletto (PP), assumiu nesta segunda-feira, por determinação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a prefeitura de Itamaraju, no extremo sul da Bahia. A nova prefeita – a primeira na história da cidade – é a mãe do deputado, Marisette dos Santos Carletto (PSL), segunda colocada nas eleições de 2008, com 8.337 votos, o equivalente a 28,81% dos votos válidos.
Marisette assume a prefeitura depois de uma batalha judicial com o grupo político do ex-prefeito frei Dilson Santiago (PT), que teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral local em maio de 2009, por abuso de poder político e uso de dinheiro público na campanha eleitoral de 2008, ficando por cinco dias fora do poder e governando por força de uma liminar, em Itamaraju, até o início deste ano, quando renunciou para se candidatar a deputado estadual.
Tempo de leitura: 4minutosWalter Pinheiro (foto Clodoaldo Ribeiro)
O Pimenta fez uma pequena entrevista na manhã desta segunda-feira, 31, com o deputado federal Walter Pinheiro, recém-indicado para disputar a vaga de senador pelo PT da Bahia.
Ainda em clima de comemoração da vitória obtida no encontro extraordinário do partido, realizado ontem (30), em Salvador, Pinheiro falou sobre as repercussões da disputa que travou com o ex-governador Waldir Pires. Ele acredita que, apesar da dureza da peleja política, o PT sai coeso do processo.
O deputado fala também sobre o papel que será desempenhado pelo ex-governador Waldir Pires daqui pra frente e nega ter acusado Paulo Souto e César Borges de receberem financiamento do crime organizado. Só que o Pimenta localizou as notas taquigráficas de seu discurso proferido na Câmara dos Deputados, onde consta a denúncia.
Confira:
O processo de disputa pela indicação do candidato a senador deixou o PT mais unido ou mais dividido? O PT tem uma divisão natural na sua política, mas tem unidade na ação. Nós fazemos o debate interno, que é importante. O PT não é um partido monolítico, onde um bloco só determina as coisas. Você tem as diversas correntes de pensamento e essa fluidez do debate é que faz a riqueza do PT. Esse processo foi muito importante, porque nós debatemos com a militância, pudemos discutir as melhores alternativas e fomos construindo já a plataforma de campanha. Essa riqueza faz do PT um partido efervescente.
Qual será o caminho do partido após essa disputa? Agora o PT marcha enquanto PT. Nós estamos já conversando com os partidos da frente. O presidente Jonas Paulo já deve estar tomando todas as iniciativas nesse sentido e o certo é que o PT vai “ultra-unido” nessa jornada.
O debate entre os que o apoiavam e os que preferiam Waldir incluiu ataques duros. O que houve? A unidade não pode cercear a liberdade de pensamento, e unanimidade – obviamente que não quero me comparar a ele – mas nem Cristo teve. Num momento crucial da história, Cristo terminou tendo gente que, mais do que palavras, chegou a lhe atirar outro tipo de agressão. Na realidade, a divergência é normal no processo político e nós tivemos um debate que, ainda que em determinados momentos com um certo calor, deu-se dentro dos limites do chamado campo da democracia e das ideias. Se por um lado houve um tipo de postura mais firme, mais dura, por outro lado nós tivemos uma ampla maioria do Partido dos Trabalhadores que tomou decisões importantes sobre a política de alianças, desenvolvimento da campanha e a própria questão da candidatura ao Senado. Eu diria que a nossa candidatura não só sai vitoriosa pelo fato de ter uma ampla maioria, como sai vitoriosa pela riqueza do processo. Orgulha a qualquer um postulante ter a oportunidade de fazer um grande debate de ideias com uma figura como Waldir Pires.
Que papel sobra para Waldir Pires no campo da esquerda baiana?
Waldir não pode ter um papel de sobra porque fica parecendo que é resto. Waldir tem um papel importante, um papel de ponta, pois é uma figura que contribuiu muito. Chegou no PT em 1997, foi nosso candidato a federal em 1998, a senador em 2002. Ele cumpriu uma tarefa importantíssima à frente da Controladoria Geral da União (CGU), implantando um trabalho que hoje é motivo de premiação mundial no que diz respeito à questão da transparência. Waldir vai continuar tendo papéis como esses e tranquilamente se incorporará ao processo de campanha do PT e contribuirá muito para que a gente possa continuar com esse nosso projeto no País.
Na discussão que seguiu ao assassinato do delegado Clayton Leão, o senhor acusou os ex-governadores César Borges, atual senador, e Paulo Souto de terem sido coniventes e recebido apoio financeiro do crime organizado. Em resposta, César Borges o acusou de jogar baixo. Quem está falando a verdade?
Não, eu não fiz acusação nenhuma a ninguém. O que eu disse foi uma resposta ao senador César Borges e ao governador Paulo Souto, que declararam que o governador Jaques Wagner tinha lavado as mãos. Eu disse e repito peremptoriamente: lavar as mãos foi o que eles fizeram durante oito anos de gestão, porque um foi sequência do outro. Não fiz nenhuma acusação. O que eu disse foi que, na realidade, eles, na minha opinião, não investiram para combater o crime organizado, diferentemente dos investimentos feitos pelo governador Jaques Wagner. Então, se alguém lavou as mãos, e aliás deixou uma água bastante suja, foi quem ao longo de oito anos não se preocupou com um investimento pesado em segurança. A crítica que eu fiz foi pelo fato deles tentarem politizar o crime, o que na nossa opinião não deveria ser desse jeito. Eu fiz questão de frisar: não dá pra fazer isso. Eles tentaram inclusive “surfar” num momento difícil, de dor de família, da perda de uma pessoa muito importante para a família e para a estrutura da polícia.
Obs.: O Pimenta consultou o site da Câmara dos Deputados e localizou transcrição do discurso proferido pelo deputado Walter Pinheiro no dia 27 de maio, em que ele realmente acusa os carlistas de ter recebido financiamento do crime organizado. Leia o trecho:
“(…) A Bahia, atualmente, é conhecida nacionalmente como o Estado que mais gera emprego, que mais cresce, mesmo num cenário de dificuldade. A violência atual é fruto da inoperância de governos passados, que não tiveram coragem de enfrentar o crime organizado. Pelo contrário, juntaram-se a ele, até em financiamento de campanha“.
Tempo de leitura: < 1minutoManifestantes fazem protesto na porta do fórum (Fábio Roberto).
Cerca de 200 pessoas participaram de nova manifestação em Buerarema. Com as caras pintadas e nariz de palhaço, elas ocuparam a frente da prefeitura e, com a chegada da polícia, se dirigiram ao fórum local. Ligados ao prefeito Mardes Monteiro, os manifestantes exigiam do juiz eleitoral Antônio Hygino uma decisão sobre quem realmente deve comandar o município.
Legalmente, a cidade está sem prefeito. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decidiu na semana passada que o comando do município deveria retornar às mãos do prefeito-interino Eudes Bonfim (PR), presidente da Câmara de Vereadores. Com a manifestação da última sexta, a Justiça não viu condições para “passar o poder” a Eudes. Mardes, eleito em outubro de 2008, teve o registro de candidatura cassado em julho do ano passado.
Policia protege centro administrativo em Buerarema.
Em entrevista concedida há pouco ao Pimenta na Muqueca, em Ilhéus, onde participa do evento que comemora o Dia da Agricultura, o deputado federal Walter Pinheiro falou sobre o resultado do encontro extraordinário do PT,que o indicou pré-candidato a senador na chapa petista. Segundo o parlamentar, o partido sai mais unido do processo, mesmo com os duros ataques que lhe foram desferidos pelo deputado Geraldo Simões. Para Pinheiro, tudo muito natural e de acordo com as regras do processo democrático.
O Pimenta também quis saber detalhes sobre a acusação atribuída a Pinheiro, de que os ex-governadores Paulo Souto e César Borges foram coniventes com e receberam financiamento do crime organizado. O pré-candidato ao Senado negou ter feito essa afirmação, mantendo apenas a observação de que os então carlistas foram negligentes com a badidagem, propiciando o seu crescimento ao patamar atual.
Logo mais, o blog publica os principais trechos da conversa, em que Pinheiro também fala sobre o papel que deverá ser desempenhado a partir de agora pelo ex-governador Waldir Pires na esquerda baiana.
Conhecedor do resultado que terá o bate-chapa entre Waldir e Pinheiro, o governador Jaques Wagner preferiu ficar longe de Salvador neste domingo e confirmar o placar somente quando algum delegado do PT se dispuser a telefonar-lhe. De manhã cedo, Wagner “se picou” para Santo Estêvão e ainda irá para Itapetinga, onde tem compromissos oficiais.
Alguns petistas, que gostariam de transformar o encontro de hoje em um grande ato de unificação da legenda, lamentam a ausência do governador.
Os delegados do PT – cerca de 350 – já estão no encontro do partido que vai definir o indicado para candidatar-se a senador. O ex-governador Waldir Pires disputa a peleja com o deputado federal Walter Pinheiro, sendo este último favoritíssimo à indicação.
Waldir, que não desiste, vai para o bate-chapa, mesmo contrariando o desejo de Jaques Wagner. Para o ex-governador, a votação é importante, pois permitirá que cada delegado se posicione sobre a candidatura.
Questionado pelo blogueiro Emílio Gusmão sobre a estratégia (de sobrevivência) política da deputada estadual Ângela Sousa, cujo partido – o PSC – está no bloco que apoia o peemedebista Geddel Vieira Lima, e o filho – o vice-prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre (PSDB) – fecha com Paulo Souto, o governador Jaques Wagner deu uma resposta que deve ter deixado a parlamentar ilheense deveras preocupada.
Segundo Wagner, alguns dos seus colaboradores mais próximos já teriam opinião formada sobre o assunto, enquanto ele estaria “formando opinião”. Todos os presentes à coletiva entenderam o que o governador quis dizer: o que ele avalia é se deve passar a tratar a deputada como opositora, pedindo – gentilmente e de forma “republicana” – que ela entregue os cargos que ocupa na administração estadual.
Wagner disse que a deputada falhou com o governo quando ausentou-se de uma votação importante na Assembleia Legislativa, quando apreciado projeto sobre a contratação de um crédito superior a R$ 560 milhões pelo Estado.
Tempo de leitura: < 1minutoTem um babadão entre Solon e ACM Neto
A publicitária Manuela Berbert, titular da coluna Babadão, no Diário Bahia, traz neste sábado, 29, uma entrevista com o deputado federal ACM Neto (DEM). Entre cutucadas no governador Jaques Wagner e críticas a setores como segurança e saúde no Estado, o parlamentar trata de sua aliança com o vereador itabunense Solon Pinheiro (PSDB), que tentará uma vaga na Assembleia Legislativa. A parceria provocou abalos em outros pré-candidatos, como Augusto Castro e Coronel Santana.
Na entrevista concedida a Manuela, o neto de ACM deixa claro que o babadão (político) é entre ele e Solon.
CÉU NUBLADO – Policiais militares fazem isolamento de quarteirão onde ficam a prefeitura e o fórum de Buerarema. Pela manhã, aproximadamente 300 pessoas invadiram a Câmara Municipal e atearam fogo em documentos e mobiliário. Cerca de 50 policiais militares da antiga Caerc e do Ceto, além de oito viaturas, foram acionados para reforçar a segurança e impedir novos estragos (Foto Pimenta).
Portas e janelas foram da Câmara foram destruídas e sede, incediada (Foto Pimenta na Muqueca).
Os protestos realizados na manhã desta sexta-feira, 28, em Buerarema, deixaram muita destruição e prejuízos que ainda não foram contabilizados, mas certamente são grandes. Os manifestantes invadiram a sede da Câmara de Vereadores e acabaram com tudo o que viram pela frente. Com o uso de gasolina, eles atearam fogo no prédio. Móveis e documentos foram destruídos e as paredes internas ficaram totalmente escurecidas pelas chamas. O incêndio somente não avançou porque os bombeiros foram acionados e conseguiram debelar o fogo.Cenas de guerra em Buerarema (imagem reproduzida do programa Alerta Total – TV Cabrália)
O protesto era contra a decisão do juiz Eserval Rocha, do Tribunal Regional Eleitoral, que determinou nova mudança no comando do município em menos de dez dias. Em 17 de maio deste ano, o prefeito eleito em 2008, Mardes Monteiro, retornou ao cargo, garantido por sentença do juiz Antônio Hygino Filho. Ele estava afastado desde julho de 2009, quando teve cassado o registro de candidatura devido ao julgamento de contas irregulares em uma gestão anterior. No período de afastamento, quem exerceu o comando foi o presidente da Câmara de Vereadores, Eudes Bomfim.
Nesta quarta-feira, 26, nova reviravolta no caso a partir de um mandado de segurança acatado pelo TRE, que determinou a volta de Eudes Bomfim ao cargo. Tanto vai-e-vem provocou indignação entre moradores, mas o ato de protesto descambou para o vandalismo e acabou sendo criticado por boa parte da população. Além de ter destruído a Câmara, os manifestantes pretendiam depredar a casa do presidente do legislativo municipal, o que foi evitado pela polícia.
Móveis da Câmara Municipal foram lançados no meio da rua Góes Calmon, a principal de Buerarema, e queimados juntamente com pneus. Por alguns momentos, o tráfego no local ficou impedido. Além dos bombeiros, soldados do 15º Batalhão da Polícia Militar ajudaram a controlar a situação.
Oito viaturas e cerca de 20 homens da Companhia Independente de Policiament Especializado (Cipe), antiga Caerc, foram acionados, além de parte da equipe da CETO, também da PM.
Nas ruas próximas ao conflito, comércio fechou as portas (Foto Pimenta).
Manifestação e revolta em Buerarema por conta das sucessivas trocas no comando do município. Cerca de mil pessoas tomaram as ruas da cidade e protestam no fórum local, na Câmara de Vereadores e na prefeitura. Em menos de dois anos, a cidade trocou de prefeito por quatro vezes, via decisão judicial.
A população elegeu Mardes Monteiro, do PT, mas a justiça eleitoral cassou o registro de candidatura do médico, substituindo-o pelo presidente da Câmara, Eudes Bonfim (PR), em julho do ano passado. Mardes retornou ao poder no dia 17, mas na última terça o Tribunal Regional Eleitoral derrubou o prefeito eleito e mandou reconduzir ao cargo o prefeito-interino, Bonfim. O clima é mais do que tenso.
Tempo de leitura: < 1minutoLídice afirma que ex-governantes ainda têm muito o que explicar (foto Tiago Melo)
A deputada federal Lídice da Mata (PSB) criticou opositores do governo Wagner por tentar fazer exploração política com o assassinato do delegado Clayton Leão Chaves. Entre os acusadores, ela identifica “ex-dirigentes que ainda têm muito a prestar contas dos anos que passaram governando a Bahia”.
Segundo Lídice, o governo vem investindo em segurança. Ela menciona a destinação de recursos para aumentar o contingente policial, aquisição de veículos e armamentos e fortalecimento das ações de inteligência. “Entre 2007 e 2009, os recursos aplicados no setor aumentaram 20%, passando de R$ 1,6 bilhão para R$ 1,9 bilhão”, reforça a parlamentar.
Detalhando, ela sustenta que no período foram incorporados 3.325 novos soldados, enquanto outros 2.221 encontram-se em curso de formação. Na polícia civil, ingressaram 44 delegados, 147 agentes e 111 escrivães. Também foram adquiridos – de 2007 a 2009 – 1.800 veículos, 5.284 coletes balísticos e 1.205 novas armas, entre pistolas, metralhadoras e fuzis.
O site Bahia Notícias divulgou a intenção de ACM Neto de retaliar o Coronel Santana, pré-candidato a deputado estadual pelo PTN, por este ter feito dobradinha com Félix Mendonça Jr. (PDT). Neto teria pedido a João Carlos Bacelar, presidente estadual do PTN, que expulsasse Santana da legenda, mas a proposta foi recusada.
Interessante é que Santana esperava fechar com Neto e decidiu se aliar a Félix no momento em que o Democrata enlaçou-se em Itabuna com o pré-candidato tucano Solon Pinheiro, que também pleiteia um vaga na Assembleia Legislativa. Ou seja, ele mesmo empurrou o militar para o pedetista… E hoje chora.
Tempo de leitura: < 1minutoPinheiro acusa carlistas de aliança com o crime.
Num discurso forte, há pouco, o deputado federal Walter Pinheiro (PT) condenou o comportamento de pré-candidatos ao governo baiano que tentam usar, eleitoralmente, a morte do delegado Clayton Leão, em Camaçari, ontem. Foi além. Culpou os governos de César Borges e Paulo Souto pela falta de investimentos estruturais em segurança pública e acusou dos dois políticos carlistas de terem se aliado ao crime organizado em financiamentos de campanha.
– A violência de hoje é fruto da inoperância, da conivência dos governos passados. Não tiveram coragem de enfrentar o crime organizado. Pelo contrário, se juntaram com eles em financiamento de campanhas. Essa era a realidade da Bahia.
Pinheiro acabava de responder a um discurso do deputado carlista ACM Neto (DEM), que chamava Pinheiro e Jaques Wagner a viver a Bahia real, “não a da propapaganda”. O deputado federal petista rebateu ao relembrar que os governos carlistas usavam a estrutura de segurança pública para perseguir, grampear adversários – e também controlar o Judiciário.