Rinara Luz deixa a Santa Cruz e vai curtir aposentadoria || Foto Divulgação
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Dos nomes mais respeitados e queridos do jornalismo baiano, Rinara Luz deixou a chefia de Redação da TV Santa Cruz (Rede Globo) e vai curtir a aposentadoria depois de cerca de 40 anos de atuação profissional, 33 deles na Rede Bahia. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (13). Quem assumirá a chefia de Jornalismo da emissora sediada em Itabuna é o editor Paulo Santana.

– Rinara sempre foi uma líder nata, daquelas que inspiram pelo exemplo, pela serenidade nas decisões e pela forma humana com que conduz sua equipe. Sua passagem pela TV Santa Cruz deixou uma marca de ética e credibilidade e, ao longo dessas décadas, formou e orientou muitos jornalistas, sempre com sensibilidade, firmeza e generosidade – afirmou o diretor de Jornalismo da Rede Bahia, Christiano Caldeira.

Christiano vê o momento como de celebração de legado de Rinara e de continuidade do trabalho. “Nesta despedida e início de um novo ciclo, com a merecida aposentadoria de Rinara, fica o nosso profundo agradecimento por tudo o que ela construiu e representou para o jornalismo da nossa região”, completou

REFERÊNCIA ÉTICA

Nos quase 33 anos de TV Santa Cruz, Rinara passou por várias funções, até assumir a chefia de Jornalismo. É reconhecida pelo profissionalismo e humanidade tanto, além de se tornar referência para geração de repórteres, produtores e editores da emissora sul-baiana afiliada da Rede Globo.

Novo chefe de Jornalismo da Santa Cruz, Paulo Santana está na emissora desde 2021. É pós-graduado em gestão de conteúdo em comunicação e possui especialização em jornalismo político. Para a emissora, conforme comunicado deste início de noite, a missão de Paulo será “manter o trabalho ético e voltado para o que é relevante para os baianos e baianas”.

Juliana Soledade é advogada, escritora, empresária e teóloga || Foto Divulgação
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Celebrar as mulheres é garantir que nenhuma seja reduzida a um único papel para ter seu valor reconhecido. É sustentar, com firmeza e lucidez, que a grandeza feminina não cabe em rótulos, e muito menos em ataques gratuitos.

 

Juliana Soledade

Março é o Mês da Mulher, tempo de reconhecer conquistas, honrar resistências e afirmar que somos inteiras em qualquer configuração de vida. Com filhos ou sem eles. Mães ou não. Plenas não por imposição, mas por existência.

No entanto, em plena edição do Big Brother Brasil 26, uma fala da atriz Solange Couto reacendeu uma ferida antiga. Ao declarar: “Quando Deus não deu filhos a ela, é porque sabe que ela não teria capacidade de amar alguém”, direcionando o comentário a Ana Paula, a atriz não atingiu apenas uma participante. Atingiu uma multidão silenciosa de mulheres que já ouviram, explícita ou sutilmente, que lhes falta algo.

A frase carrega um peso histórico. Ecoa o machismo internalizado que insiste em medir o valor feminino pela maternidade. Como se o amor tivesse endereço fixo no útero. Como se a capacidade de cuidar estivesse condicionada à biologia. Como se ser mulher fosse sinônimo de gerar.

Isso machuca porque simplifica dores complexas. Há mulheres que não quiseram filhos. Há as que quiseram e não puderam. Há as que tentaram e enfrentaram perdas. Há as que escolheram outros caminhos. Nenhuma dessas trajetórias autoriza julgamento. Amor não é patente de maternidade. Amor é prática, é escolha, é construção cotidiana.

Há mães extraordinárias. Há mães que falham. Há mulheres sem filhos que sustentam redes inteiras de afeto, que são referência, abrigo, orientação. Madrastas que aprendem o amor como decisão consciente. Amigas que se tornam família. Ativistas que dedicam a vida à proteção de crianças que não geraram, mas defendem com coragem.

Nesse mesmo confinamento, outras declarações ampliaram a indignação. A frase “Eu nasci do prazer, não nasci de estupro”, seguida de insinuações sobre “trepada mal dada”, banaliza uma violência que marca a história de inúmeras mulheres. A comparação com “travesti velho” reforça estigmas que a sociedade há décadas tenta desconstruir. Palavras não são neutras. Elas moldam ambientes, legitimam exclusões, perpetuam dores.

É impossível não notar o contraste: fora da casa, sua própria filha atua como ativista na defesa de direitos humanos, pautas raciais e na proteção de crianças e adolescentes. Uma trajetória que aponta para o conhecimento como ferramenta de libertação. Esse contraste revela que informação transforma, enquanto a repetição de preconceitos aprisiona.

O silêncio dos demais participantes também chama atenção. Nenhuma contestação imediata. Nenhum freio ético. O confinamento intensifica emoções, é verdade. O reality show expõe virtudes e fragilidades. O Big Brother Brasil 26, como qualquer vitrine social, amplia o que já existe. Alguns crescem sob pressão. Outros deixam escapar discursos que talvez sempre estiveram ali, apenas contidos.

Mas é preciso dizer com clareza: amor e maternidade não são sinônimos. Ser mãe não é troféu de humanidade. É uma possibilidade, não um critério moral. O amor existe em todas nós, independentemente da experiência da gestação.

No Mês da Mulher, repudiar esse tipo de discurso não é promover cancelamento. É afirmar dignidade. É proteger mulheres de narrativas que as diminuem. É lembrar que somos múltiplas, complexas, capazes de amar em incontáveis formas.

Celebrar as mulheres é garantir que nenhuma seja reduzida a um único papel para ter seu valor reconhecido. É sustentar, com firmeza e lucidez, que a grandeza feminina não cabe em rótulos, e muito menos em ataques gratuitos.

Juliana Soledade é advogada, escritora, empresária e teóloga, pós-graduada em Direito Processual Civil e Direito do Trabalho, além de autora dos livros Despedidas de MimDiário das Mil Faces e 40 surtos na quarentena: para quem nunca viveu uma pandemia, terapeuta e curandeira ayahuasqueira.

Fotos Acervo José Nazal
Foto Acervo José Nazal
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Por tanto, comemoramos hoje os 50 anos da volta do nosso Amado Jorge a conviver com Ilhéus. Com ele e Zélia, vieram João Jorge e Dora, filho e nora; Paloma, filha; James e Luiza, irmão e cunhada; Calazans Neto e Auta Rosa, amigos íntimos.

 

 

José Nazal Pacheco Soub

No mês de agosto de 1912, nasceu Jorge Amado. No mês de agosto de 1975, Jorge Amado voltou a conviver com Ilhéus, como amigos de longas data e muitos admiradores. No mês de agosto de 2001, faleceu Jorge Amado.

A importância desse escritor para Ilhéus é imensurável. Penso eu que todas as homenagens já lhe feitas e as que vierem são poucas para devolver a Jorge o quão bem ele fez a nossa terra, tornando-a conhecida em quase todos os confins da Terra. Seu nome está registrado na Rua Jorge Amado, Casa Jorge Amado, Rodovia Jorge Amado, Dia Jorge Amado, Mirante Jorge Amado, Ponte Jorge Amado, Rotary Clube Jorge Amado e Escola Jorge Amado. Parece muito, mas é pouco, se comparado com o número de dezenas de países, milhares de cidades e milhões de leitores que tiveram conhecimento de que Ilhéus existe e que é uma terra cheia de história, magia, de um povo maravilhoso.

Dentre os romances brotados da mente brilhante do grapiúna Amado, nascido em Itabuna e crescido em Ilhéus, talvez o mais importante e conhecido seja Gabriela, Cravo e Canela, lançado em 1958, quando o Brasil vivia os anos dourados do governo de Juscelino Kubitscheck, mas com o cacau atravessando momentos de crise, resultando na criação da CEPLAC. O romance caiu como uma bomba, causando grande frisson entre a sociedade ilheuense, que tentava identificar quem seria cada personagem do livro com alguém da cidade.

Depois do sucesso de Gabriela, Jorge Amado e Zélia Gattai visitaram Ilhéus em 1960, trazendo o casal Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre para conhecer nossa cidade. Fizeram visita ao porto em construção, uma fazenda de cacau, na companhia de Wilson Rosa e Moisés Alves, e encerraram o dia jantando a convite de Sá Barreto, na residência do casal Anacélia e João Diogo Soub, na então Avenida Bahia, Cidade Nova.

Meses após essa visita do casal Amado a Ilhéus, o cronista água-pretense Jorge Emílio Medauar escreveu uma matéria em revista de circulação nacional, muito famosa na época, ligando os personagens do livro a pessoas da vida real, causando um grande alvoroço na conservadora sociedade ilheuense, com muita gente se sentindo ofendida. A partir desse episódio, os dois Jorge passaram a ser malvistos pelas famílias cujos nomes apareceram na matéria. Daí em diante não mais voltaram a Ilhéus.

Em 1974, a Rede Globo decidiu reproduzir a história do gringo Nacib e da retirante Gabriela em novela e, para tanto, deram início às pesquisas, resultando na visita da equipe técnica da emissora à terra do Vesúvio, do Bataclan e do cacau. Lembro-me com segurança do momento em que estiveram na residência de minha avó Esther, na Boa Vista. Foram Walter George Durst, Walter Avancini, Edwaldo Pacote, Kaká e Mário Monteiro, dentre outros. A novela não foi gravada em Ilhéus, e sim numa cidade cenográfica, salvo engano, em Guaratiba, Rio de Janeiro. Reproduziram fielmente o traçado das ruas e das construções, com base em antigas fotos da cidade.

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A novela foi ao ar em 1975, com sucesso absoluto de audiência, especialmente em Ilhéus, sendo estrelada por Sonia Braga e Armando Bogus, levando o nome de Ilhéus a todos os recantos do Brasil. Com o advento desse sucesso, Raymundo Pacheco Sá Barretto, o “último dos coronéis”, segundo Jorge Amado, escreveu para o seu amigo, convidando-o para receber homenagens em Ilhéus. Em 29 de julho, Jorge confirmou que aceitaria, sugerindo os três finais de semana de agosto como opção. Ficou acertado para os dias 30 e 31 de agosto.

Por tanto, comemoramos hoje os 50 anos da volta do nosso Amado Jorge a conviver com Ilhéus. Com ele e Zélia, vieram João Jorge e Dora, filho e nora; Paloma, filha; James e Luiza, irmão e cunhada; Calazans Neto e Auta Rosa, amigos íntimos. Vieram também os atores globais: Paulo Gracindo, Sônia Braga, Armando Bogus, Elizabeth Savalla, Marcos Paulo, Ana Maria Magalhães, Fúlvio Stefanini, Rafael de Carvalho, Jorge Cherques. Todos ficaram hospedados no Britânia Hotel.

No sábado (30), houve um jantar no Clube Social de Ilhéus e, no domingo (31), festa com a colocação da placa na Rua Jorge Amado, na Boa Vista (somente depois houve a troca com a rua 28 de junho), além de uma escultura do artista plástico Tatti Moreno, infelizmente destruída por vândalos. Tive a honra e o privilégio de registrar o feliz momento.

De lá para cá, Jorge veio algumas vezes a Ilhéus, a convite oficial ou por iniciativa pessoal, sempre acompanhando Sá Barretto, eu estive junto. Uma das vezes, o casal Zélia e Jorge não pisaram na cidade, pois estavam a bordo do Funchal, seguindo para a Europa. Convidaram Sá Barretto para o café e lá fui eu a reboque. Entramos no navio às 8h e o café se estendeu até às 12h. Foi um momento ímpar, indescritível. O que mais me impressionou foi o tanto de assunto que conversaram, que reviveram. Agradeço a Deus por tanto e por tanta dádiva.

José Nazal Pacheco Soub é fotógrafo, memorialista e autor do livro Minha Ilhéus – Fotografias do Século XX e um pouco de nossa história, lançado pela Via Litterarum.

Kátia Petersenn e Taísa Moura são demitidas da TV Santa Cruz || Reprodução redes sociais
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A Rede Bahia demitiu duas repórteres da TV Santa Cruz, em Itabuna, nesta terça-feira (1º). Taísa Moura e Kátia Petersenn atuavam na sucursal da Santa Cruz no extremo-sul da Bahia. Taísa cobria principalmente os municípios de Porto Seguro e Eunápolis, enquanto Kátia, a área de Teixeira de Freitas e Itamaraju.

A dupla estava na TV Santa Cruz há mais de 10 anos e frequentemente aparecia em matérias de rede em telejornais da Rede Globo, além de programas de entretenimento. Taísa emocionou o país em uma cobrança pública, na enchente de 2021.

Taísa Moura se posicionou, publicamente, em post em redes sociais lembrando ter sido demitida em um 1º de abril. “Queria que fosse uma pegadinha de primeiro de Abril. Mas não é!”, afirmou ela que estava na afiliada da Globo no sul e extremo-sul da Bahia há 14 anos e fez agradecimentos à empresa e aos colegas. A Rede Bahia ainda não informou se manterá equipes na cobertura diária no extremo-sul.

Os ex-governadores e ex-ministros Waldir Pires e Antônio Carlos Magalhães
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O que Waldir ainda não sabia é que Sarney fazia parte do jogo. Antes da conversa com Waldir, Roberto Marinho e ACM já tinham se reunido com Sarney, exposto o plano e este não se opôs. A Globo tinha autonomia no governo para fazer o que quisesse.

 

José Cássio Varjão

 

Após as eleições de 1962, ainda se recuperando da derrota para Lomanto Júnior, Waldir voltou a Brasília para concluir seu mandato de deputado federal. Perder a eleição por meros 33.623 votos, sabendo que a Igreja Católica foi preponderante para sua derrota, era seu calvário, teria que aceitar, era fato consumado. Numa circunstância eleitoral, até então, inédita, mesmo com a derrota, os dois senadores eleitos para aquela legislatura, Antônio Balbino e Josaphat Marinho, eram da chapa de Waldir Pires.

Os primeiros anos da convivência entre Waldir Pires e Antônio Carlos Magalhães, dois deputados estaduais de primeiro mandato, eram cordiais, principalmente, porque ambos apoiavam o governador Antônio Balbino. ACM sabia da ligação próxima entre Waldir e o governador. O Diário da Assembleia, de 19 de junho de 1955, relata debate acalorado, ocorrido na tribuna da Casa, entre os deputados Adelmário Pinheiro e Josaphat Marinho, ambos da oposição, contra Waldir Pires, sobre a sua presença no governo de Régis Pacheco.

Aspas para Waldir: “Deixei a secretaria em fins de 1953, por imperativos de fidelidade pessoal e política ao hoje governador Antônio Balbino. E deixei as melhores relações pessoais com S. Excia., senhor governador Régis Pacheco. Deixei a secretaria pobre, como hoje o sou. Não tenho coisa nenhuma, absolutamente coisa nenhuma, e vivo exclusivamente dos meus subsídios. Não tenho títulos, nem imóveis ou bens pessoais”. Num aparte, o deputado Antônio Carlos Magalhães, emendou: “mas tem um grande patrimônio moral”. Os dois conviviam civilizadamente.

Em outro momento, conforme discurso publicado no Diário Oficial da ALBA, dia 21 de fevereiro de 1957, ACM fez importante intervenção em defesa do veto do governador a um aumento dos subsídios para os deputados. Foi um pronunciamento firme e contundente contra um acréscimo de 12 mil cruzeiros nos vencimentos dos parlamentares: “um escândalo contra a maioria dos assalariados baianos”, bradou ACM.

Enquanto a maioria dos deputados fazia apartes defendendo a majoração dos seus vencimentos, Waldir interveio afirmando que “a verba pretendida pelos seus pares, era inconveniente na essência, na substância”. Antônio Carlos agradeceu de imediato a manifestação de Waldir: “Eminente líder, agradeço o aparte de V. Excia., – e quando digo eminente líder, digo-o conscientemente por que em qualquer posição que V. Excia. se encontre, nesse plenário, V. Excia. é um líder da moralidade, um líder da boa causa! Consequentemente, tenho somente que agradecer o aparte de V. Excia. que vem em auxílio aos meus argumentos, e isso fulmina a todos quantos queiram sofismar a respeito de um assunto tão importante”.

Foram várias as oportunidades que os apartes, vindos de lado a lado, aconteceram com deferência mútua, sem os entraves da formação política, sobretudo por estarem em posições diametralmente opostas. Para aquele momento, exclusivamente o que os unia era a defesa do governo de Antônio Balbino. Waldir, por sua formação no PSD e rigorosa coerência democrática, não se encontrará na sua trajetória política quaisquer ligações com o campo da direita. Já Antônio Carlos, oriundo da UDN, foi peça chave para sustentação da ditadura militar no estado da Bahia, sendo nomeado pelos militares prefeito biônico em 1967 e, governador em duas oportunidades, em 1970 e 1978, pelos militares.

Em 1963, Waldir Pires é nomeado por João Goulart, presidente da República, e João Mangabeira, ministro da Justiça, para o cargo de consultor-geral da República, que hoje equivale a Advogado-Geral da União. Nessa época, ACM era deputado federal. Com o golpe militar de 1964 e a deposição do presidente João Goulart, Waldir Pires deixa o Palácio do Planalto, direto para o exílio no Uruguai. Waldir e Darcy Ribeiro foram os últimos a deixar o Palácio do Planalto, no momento em que Auro de Moura Andrade declarou vago o cargo de presidente da República, convocando o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzili, para assumir o cargo.

A reação de revolta de Tancredo Neves entrou para a história da política brasileira, com a célebre frase “Canalha! Canalha! Canalha”. Após quase dois anos no Uruguai, sem possibilidades de se manter financeiramente, Waldir desembarca no aeroporto de Orly, era o dia 18 de dezembro de 1965. A escolha por Paris se dava pelo conhecimento da língua e pela presença dos amigos Max da Costa, Raul Riff, Celso Furtado e Josué de Castro.

Lecionou, com destaque, na Universidade de Dijon, na área de Direito Constitucional Comparado. Sua aula inaugural sobre “Grandes Problemas Contemporâneos”, que revelava o clima político, econômico e social vivido pela América Latina, com a implantação de ditaduras, contou com a presença de quase 200 alunos e diversos professores, todos curiosos em conhecer aquele professor estrangeiro. Waldir tinha provocado grande entusiasmo nos presentes, pelo seu conhecimento de Direito Constitucional. Ao final, com o auditório em suas mãos e todos impressionados com sua oratória, ele se sentiu como “o conquistador do mundo”. Por um período, o sustento da sua família estava garantido.

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“Paris, nunca mais te esquecerei, mas a minha luta é no meu país”.

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Apesar de estabelecido na França, no final de 1969, Waldir decidiu, junto com Yolanda, que após concluir seus trabalhos em Dijon, voltariam ao Brasil. Não queria que os filhos fossem criados longe da sua pátria. “Paris, nunca mais te esquecerei, mas a minha luta é no meu país”. No início de 1970, decidiram voltar, mas para o Rio de Janeiro. Era impossível viver numa Bahia sob a dominação de Antônio Carlos Magalhães, com a tutela do AI-5. Após 12 dias de viagem, Waldir viu uma lancha da Polícia Federal se aproximando no navio, que parou a uns 500m do porto. Um sujeito de terno e gravata o interpelou, para que o acompanhasse. Chegaram à PF antes das 10h da manhã e o interrogatório durou todo o dia. Por que o senhor está voltando para o Brasil? O que o senhor pretende fazer aqui? O senhor volta para a subversão? Qual a organização subversiva o senhor pertence? Vai viver com qual renda? E a luta armada? Mesmo após todas as explicações, de que voltava para o Brasil para criar os filhos no país deles, a PF o liberou, dizendo que sabiam onde ele iria morar e que não poderia sair do Rio de Janeiro sem permissão policial.

Com a aprovação da Lei da Anistia, em 1979, Waldir mais uma vez arruma as malas. Era chegada a hora de voltar para a sua amada Bahia, enfrentar quem quer que seja, reestruturar o PMDB e cumprir o que o povo baiano delegasse. Sua chegada a Salvador, em 12 de janeiro de 1979, foi apoteótica, com mais de 200 pessoas o aguardando no Aeroporto Dois de Julho. Eram dirigentes partidários, deputados, amigos e parentes.

Aquele não foi um acontecimento qualquer. Antônio Carlos não podia ignorar esse evento, tinha que demonstrar receptividade. Então, pediu a Clériston Andrade, que era o presidente do Baneb e ex-colega de Waldir na Faculdade de Direito, que, por sua vez, procurou Gerbaldo Avena, cunhado de Waldir, para sondar sobre o encontro entre os dois. A proposta era Waldir ir ao encontro de ACM. A resposta foi positiva, porém, com ACM indo ao encontro de Waldir. “Pode mandar dizer a Antônio Carlos que o recebo na minha casa. Ele sabe que sou um sujeito educado”, disse Waldir.

O encontro se deu na casa de Gerbaldo, irmão de Yolanda. Foi breve, ameno, com gentilezas e amabilidades entre os dois casais. ACM estava acompanhado de D. Arlete e, ao se despedirem, Waldir foi incisivo, dizendo que agradecia a visita, mas não poderia fazer o mesmo, pois ACM era um representante daqueles que oprimiam o Brasil e a Bahia, que exercia a ditadura no Estado, de modo que não poderia retribuir a visita. Com essa atitude, Waldir marca terreno na política do estado da Bahia, cortando os laços com quem governava com um chicote numa mão e uma mala de dinheiro na outra. Tinha retornado para resgatar o PMDB, que ainda era adesista, e dessa missão ele não abriria mão.

Em 1985, entre as atividades do ministério e a campanha para o governo do estado, a saúde de Waldir sentiu o esforço. No dia 27 de julho, após o encerramento da convenção do PMDB, um comício seria realizado na Praça da Sé, centro de Salvador. Com a aglomeração de pessoas nas ruas, o carro não pôde chegar ao local do evento, ficando estacionado da Rua da Ajuda. Waldir seguiu a pé com outros correligionários, quando se sentiu mal na Rua do Tira Chapéu, ao lado da Câmara de Vereadores. Tinha asma, que foi sendo agravada pelas andanças pelo interior do estado. Os adversários, cientes da sua enfermidade, faziam poeira aonde ele chegava para os comícios. Após esse incidente, Waldir foi para o Rio de Janeiro para a realização de exames mais apurados, tinha vivido na cidade por 9 anos. Preferiu fazer os exames no Hospital dos Servidores do Estado, se recusando a usar instituições privadas. Nessa internação, só foi permitida a presença de familiares ou de médicos. ACM, com seu diploma de médico, esteve no hospital para visitá-lo, talvez como um sinal de aproximação. Porém, foi enfaticamente barrado pela filha Ana Cristina, que não admitiu a presença dele.

Em 1986, durante um ato em alusão aos 100 dias do seu governo, Waldir e Yolanda Pires recebem a notícia do suicídio de Ana Lúcia Magalhães, de 28 anos, filha de Antônio Carlos. Mesmo sendo membro da família do seu principal adversário, o ato foi suspenso em respeito à dor da família Peixoto de Magalhães. Waldir e Yolanda passaram pela mesma tragédia, na morte de Waldemir Pires, filho do casal.

Enquanto Waldir estava no exílio, ACM já tinha sido nomeado prefeito de Salvador, governador do estado e seria empossado novamente como governador, em 15 de março daquele ano, 1979 – na mesma época que solicitou aquela visita, via Clériston Andrade. Com o término do seu primeiro mandato como governador, em 15 de março de 1975, Roberto Santos foi indicado para o cargo, escolha que contrariava ACM, que desejava a indicação de Clériston Andrade. Mário Kertész, ex-prefeito de Salvador, num documentário realizado pela Rádio Metrópole, de sua propriedade, disse que “após deixar o Palácio de Ondina, Antônio Carlos passava o dia de pijama, caminhando de um lado para o outro na varanda da sua casa, na Graça. Andava meio depressivo”. Concluiu. ACM entrava no ostracismo.

Em novembro de 1975, o ministro das Minas e Energia do governo de Ernesto Geisel, Shigeaki Ueki, resolveu demitir o presidente da Eletrobrás, Mário Bhering. Ueki e Golbery do Couto e Silva, chefe da Casa Civil, convenceram o Alemão, como era chamado Geisel, a nomear ACM para o cargo. Ligaram para ACM e adiantaram que ele seria nomeado para a Eletrobrás: “o presidente vai lhe chamar”. Antônio Carlos, que não sabia bulhufas sobre a função que deveria assumir, voou para o Rio de Janeiro, se trancou num quarto, por um fim de semana, para aprender o que fosse possível, com o intuito de impressionar o presidente. Fingindo não saber de nada, Geisel lhe fez o convite, e ACM verteu conhecimento sobre o desafio que iria assumir. ACM foi salvo pelo gongo, por Ueki e por Golbery. Esse momento da vida de ACM, foi preponderante para seu futuro político, pois, ao ser alçado a um cargo no governo federal, com dimensão nacional, ele passa a ter maior relevância dentro do grupo, que já foi comandado por Juracy Magalhães.

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Com a interferência do amigo Roberto Marinho, dono da Rede Globo, ACM foi indicado para o Ministério das Comunicações. A amizade dos dois foi construída no período em que esteve na Eletrobrás.

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Entusiasta da candidatura de Mário Andreazza para suceder a João Figueiredo, ACM fez forte oposição à Paulo Maluf na convenção nacional do PDS, em 1984. Maluf venceu Andreazza por 493 a 350 votos. Antônio Carlos mudou de lado e compôs a Aliança Democrática que elegeu, em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves. Com a interferência do amigo Roberto Marinho, dono da Rede Globo, ACM foi indicado para o Ministério das Comunicações. A amizade dos dois foi construída no período em que esteve na Eletrobrás. A influência de Marinho para a formação do governo era tão grande que Tancredo dizia: “eu brigo com o ministro de Exército, mas não com Roberto Marinho”. Quando o nome de ACM foi ventilado para compor o ministério, Tancredo disse a ACM, com o intuito de agradar ao dono da Globo: “o senhor se incomoda de Roberto Marinho lhe fizer o convite para ser ministro”? ACM respondeu: “não, não me incomodo, ele é meu amigo”. O detalhe dessa negociação de cargo é que Roberto Marinho não aceitou que ele fizesse a indicação, afirmando que “se o convite fosse dele, estaria enfraquecendo Antônio Carlos, que deveria ser visto como um ministro do presidente, e não da Globo”. Antônio Carlos Magalhães foi o único ministro a ficar na pasta por todo o governo Sarney.

O ápice da disputa política entre Waldir e ACM aconteceu quando a transmissão da Rede Globo, na Bahia, que era feita pela TV Aratu, desde 1969, tinha na família de Luiz Vianna uma das suas proprietárias. Já a TV Bahia, fundada em 10 de março de 1985, era afiliada à Rede Manchete e tinha como seus donos ACM Júnior e César Mata Pires, genro de ACM. No final de 1986, a Rede Globo oficializa à TV Aratu a não renovação do contrato de transmissão.

Waldir Pires estava atormentado com essa situação desde o final de 1986, ou seja, o fato foi consumado antes dele tomar posse como governador. Definitivamente, ACM se municiou de todas as condições favoráveis pela condição de Ministro das Comunicações para golpear a família Vianna e dominar a comunicação do estado, visto que já era o dono do jornal Correio da Bahia, fundado em 1978. Waldir procurou o presidente Sarney, ainda em novembro de 1986, informando sobre os impactos que aquela decisão teria para o PMDB e para seu governo. Como seria possível aparelhar o seu adversário, derrotado de forma humilhante, semanas antes, premiando-o com poder fogo suficiente para criar sérios problemas ao seu governo? O que Waldir ainda não sabia é que Sarney fazia parte do jogo. Antes da conversa com Waldir, Roberto Marinho e ACM já tinham se reunido com Sarney, exposto o plano e este não se opôs. A Globo tinha autonomia no governo para fazer o que quisesse. Coincidência ou não, a TV Mirante, do Maranhão, foi fundada em 1987, por Fernando Sarney, filho de José Sarney, como transmissora dos canais SBT e, em 1991, passa a ser a transmissora da Rede Globo.

Em 1987, a bancada federal do PMDB baiano, denunciou a Sarney o escândalo das concessões de estações de rádio FM praticadas por ACM, em benefício de pessoas ligadas a ele. À época, o ministro admitiu que pudesse ter beneficiado algumas pessoas, corroborando que tais concessões eram feitas de acordo com interesses do governo. De acordo com o Ministério das Comunicações e do Diário Oficial da União, entre 1985 e 1988, durante todo o governo Sarney, foram outorgadas 632 emissoras de rádio FM, 314 de rádio OM e, 82 concessões de TVs, totalizando 1.028 concessões e permissões.

O Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (EPCOM) ilustrou como se estruturou o chamado, “coronelismo eletrônico”, baseado no domínio de emissoras de televisão. O jornalista Sérgio Murillo, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) avaliou, que “ACM ajudou a formar a imagem do ministério como um cartório de grupos de rádio e TV do país. Ele era o agente político desses grupos que controlam a mídia no Brasil. E foi um dos mais competentes neste sentido, nessa tradição de misturar os interesses públicos com interesses privados”.

Na caminhada para 1986, em determinado momento, ainda na fase das articulações, ventilou-se a possibilidade de composição com o PDS, incluindo ACM, nos moldes do que Tancredo Neves construiu em 1985. Era um novo momento do país, era a Nova República, a ditadura derrotada, existiam novas possibilidades e desafios. Era a hora da abrangência, não da exclusão. ACM também não descartou essa aliança, não tinha interesse em disputar o governo da Bahia, mas queria uma vaga no Senado. Nessa discussão, os dois lados sabiam que existia um risco calculado, pois os anos passados deixavam as pontes bastante avariadas e atravessá-las seria um alto risco. Waldir experimentou o exílio, as dificuldades para sobreviver, sentira a violência da ditadura, consigo e com vários companheiros de caminhada. Antônio Carlos fez o caminho oposto, participou de tudo no golpe de 1964, era um dos homens fortes do regime militar, governou em três oportunidades indicado pelos militares. ACM só foi consagrado pelo escrutínio popular nas eleições de 1990, na sucessão de Nilo Coelho. “Os homens fazem a sua história. Porém, não a fazem como querem, sob circunstâncias de sua escolha, e, sim, sob aqueles com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas do passado”. Karl Marx. As circunstâncias históricas e o legado do passado não permitiram que selassem a aliança.

Como prometido durante a publicação da primeira parte sobre a vida e as controvérsias da carreira política de Waldir Pires, essa segunda parte tratou da convivência entre WP e ACM. Como essa narrativa se estendeu um pouco mais do que imaginei, será necessário descrever, em outro texto, sobre o poder de ACM em interferir, via governo federal, para dificultar as ações do governo Waldir Pires e, consequentemente, sua renúncia para concorrer, junto com Ulisses Guimarães, nas eleições presidenciais de 1989.

José Cássio Varjão é cientista político com MBA em Cooperação Internacional e Políticas Públicas e pós-graduado em Administração Municipal e Desenvolvimento Local; Administração Pública e Gestão de Cidades Inteligentes; e Gestão de Negócios Inovadores.

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Das principais vozes do telejornalismo mundial, Cid Moreira faleceu nesta quinta-feira (3), em um hospital de Petrópolis, onde estava internado ao ser acometido por pneumonia. O brasileiro pôde ouvir o “Boa noite” de Cid por 27 anos. Ele apresentava o telejornal de maior audiência da TV brasileira, o Jornal Nacional, da Rede Globo.

Nascido em Taubaté em 1927, Cid Moreira completou 97 anos na sexta-feira passada (27/09). Foi ainda em Taubaté que o apresentador começou a carreira. Era 1944, na Rádio Difusora do município paulista.

Cid mudou-se para São Paulo no início dos anos 1950, inicialmente trabalhando na Rádio Bandeirantes e na Propago Publicidade, conforme arquivo do Memória Globo.

Na emissora dos Marinho, o apresentador apareceu na telinha como apresentador do JN a partir de 1969, onde ficou até meados da década de 90. Precisamente em 29 de março de 1996, substituído por William Bonner, ainda hoje à frente do telejornal. Cid também era uma das principais vozes em narrações de reportagens e de quadros famosos do dominical Fantástico. Dos quadros, um dos mais famosos era o do ilusionista Mister M.

Campeã do BBB6, Mara será vice na chapa de Luigi Rotunno
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Mara Viana, campeã do Big Brother Brasil (BBB 6), será candidata a vice-prefeita de Porto Seguro na chapa encabeçada pelo empresário e dono do resort La Torre, Luigi Rotunno (PSDB). O anúncio conjunto foi feito por meio de redes sociais nesta terça-feira (23).

“Ela é a voz das mulheres, mães e trabalhadoras de Porto Seguro”, disse Luigi durante o anúncio. “Considero a presença feminina fundamental na política e em todos os espaços”, afirmou o empresário, que terá a ex-prefeita Cláudia Oliveira (PSD) dentre os adversários na disputa de 2024.

Nascida em Camacan, município do sul da Bahia a 203 quilômetros de Porto Seguro, Mara Vianna é hoje psicóloga e tornou-se referência na luta pela emancipação feminina e defesa das pessoas com deficiência.

– Carrego essa honra [de integrar a chapa e ser candidata a vice-prefeita] com gratidão e um profundo comprometimento. As dificuldades que enfrentamos todos os dia são as que me impulsionam a estar aqui – posicionou-se Mara ao afirmar que participa de movimento de renovação da política da cidade-mãe do Brasil.

Ao vencer a 6ª edição do Big Brother Brasil, da Rede Globo, Mara faturou prêmio de R$ 1 milhão há 18 anos. Com o dinheiro que ganhou no reality, a então auxiliar de enfermagem adquiriu imóveis e uma pousada e conseguiu oferecer vida melhor à filha Aracy.

Breno da Matta faz o papel de pastor na novela Renascer || Foto Redes Sociais
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Com grande atuação no papel de Pastor Lívio, no remake de Renascer, no horário nobre da televisão brasileira e na Rede Globo, o itabunense Breno da Matta, de 41 anos, abandonou uma carreira promissora como farmacêutico para estudar Artes Cênicas na SP Escola de Teatro. Ele vem ganhando destaque na novela, que tem cenas gravadas no sul da Bahia e está no ar desde janeiro.

Breno da Matta só descobriu o teatro depois de adulto. “O teatro foi me buscar, me resgatou, e hoje sou ator”, conta à Revista Quem. O primeiro contato do artista com o mundo dos espetáculos aconteceu por meio de uma ex-namorada. “Ela me levou para assistir a uma peça baiana, e eu nunca tinha assistido. Ali começou minha relação com o teatro”, recorda-se. Isso ocorreu quando o ator tinha 24 anos e já morava em São Paulo.

Com o sucesso do personagem no horário nobre da Globo, Breno tem experimentado a fama pela primeira vez na vida. Ele acredita estar lidando bem com tamanha visibilidade. “Tenho sido muito abordado na rua. As pessoas chegam de uma forma muito respeitosa e com muito afeto. Minha vida não mudou tanto ainda. Não deixo de fazer nada que gosto. Sou uma pessoa simples, gosto de estar em qualquer lugar. E não quero deixar de fazer nada”, afirma em entrevista à Quem.

Nascido em Itabuna, em fevereiro de 1983, antes de Renascer, Breno da Matta atuou na 2ª temporada da série Justiça (Globoplay), Negócio de Família e no longa-metragem Carcereiros. Formado em Farmácia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), ele ingressou no curso aos 16 anos. Na série Justiça, o itabunense faz o papel do bandido Túlio, onde atua com atores como Marco Ricca e Juan Paiva.

Ponte Jorge Amado é a primeira estaiada na Bahia || Foto José Nazal
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Inaugurada pelo Governo do Estado em 2020, a primeira ponte estaiada da Bahia melhorou a mobilidade urbana e se tornou dos principais cartões postais de Ilhéus. A arquitetura da Ponte Jorge Amado, erguida na Baía do Pontal, encanta turistas e moradores de todo o sul da Bahia que visitam a cidade.

Neste início de ano, a Ponte Jorge Amado também tem sido cenário constante do remake da novela Renascer, ambientada em Ilhéus, o que desperta ainda mais o interesse de turistas de todo o país, boa parte deles chegando à cidade em navios de cruzeiro que atracam no Porto do Malhado.

João, José e Baltazar posam com a Ponte Jorge Amado ao fundo || Foto Daniel Thame

João Marcos Matos, José Marcio Dias e Baltazar Caicheda, de Uberlândia, Minas Gerais, visitaram Ilhéus pela primeira vez. “É uma ponte que deixa a cidade mais bonita, vale a pena tirar uma foto com a família para guardar como recordação”, afirma João Marcos.

O casal Demétrio Lacerda dos Santos e Sheila Souza Lacerda, de São Paulo, visitou Ilhéus também pela primeira vez e foi atraído pela aparição da cidade na novela. “A ponte é um atrativo a mais para a cidade, tem uma estrutura diferente e também facilita o acesso com o litoral sul. Ilhéus é uma cidade muito acolhedora, com um povo alegre e hospitaleiro”, disse Sheila.

Sheila e Demétrio: encantados com arquitetura ilheense || Foto Daniel Thame

Através da ponte, as pessoas têm acesso mais rápido a points que compõem a magia das obras de Jorge Amado que levaram Ilhéus e o sul da Bahia para o mundo, a exemplo de Cacau, Terras do Sem Fim, São Jorge dos Ilhéus e Gabriela Cravo e Canela, adaptados para filmes e novelas.

Walter Wanderley, morador de Osasco, São Paulo, veio a Ilhéus pela segunda vez e teve seu primeiro contato com a ponte. “Na primeira vez, ainda estava em obras e agora eu vi como ficou linda e inovadora, valorizando ainda mais o turismo”, afirma Walter, que levou a mãe para tirar uma foto ao lado da ponte.

As amigas Lorena Leite, Isabele Oliveira e Taciara Leite, de São Paulo conheceram o Centro Histórico e atravessaram a ponte de carro. “É mais um atrativo para o turismo e proporciona uma visão muito bonita para quem visita Ilhéus, principalmente no final de tarde e início da noite”, disse Lorena.

Dani Façanha diz que melhora na mobilidade urbana levou a incremento em restaurante

HOTELARIA E EXPANSÃO IMOBILIÁRIA

A Ponte Jorge Amado impulsiona o turismo e, também, o setor imobiliário no litoral sul de Ilhéus. “A nova ponte, além de ser belíssima facilitou o acesso ao nosso restaurante, que teve um aumento considerável no movimento, além de permitir que os hóspedes possam se deslocar com facilidade ao centro, onde estão pontos turísticos que fazem parte da literatura de Jorge Amado”, afirma Dani Façanha, chef de cozinha e proprietária da Pousada Morro dos Navegantes, na zona sul da cidade.

Mariana (Theresa Fonseca) e Zé Inocêncio (Marcos Palmeira) caminham na Avenida Lomanto Júnior com a ponte estaiada mais ao fundo || Reprodução Globo

Novos empreendimentos imobiliários e duas grandes redes de supermercado foram ou estão sendo implantados em Ilhéus. O investimento em mobilidade tem papel decisivo nesse boom num setor fundamental na geração de empregos. “A cidade de Ilhéus vive um acelerado processo de retomada do desenvolvimento econômico e de atração de novos investimentos. Como empresários, ficamos atraídos pelo potencial da região, além de seduzidos pela história local e sua gente acolhedora, e a Ponte Jorge Amado é um ponto favorável à mobilidade do Centro da cidade para a região sul”, destaca Rodrigo Peleteiro, diretor de empresa que está construindo um residencial na Praia dos Milionários.

A ponte Jorge Amado recebeu investimentos do Governo da Bahia de cerca de R$ 100 milhões. Com 533 metros de extensão, possui 25 metros de largura, abrange um sistema viário com 2,7 quilômetros e é dotada de quatro pistas de rolamento para veículos, uma ciclofaixa e faixa para pedestres. A obra beneficia aproximadamente 511 mil pessoas que moram nas cidades de Ilhéus, Itabuna, Una, Canavieiras, Buerarema, Itacaré e Uruçuca.

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Até o próximo domingo (3), o destino sul da Bahia é das principais atrações da segunda maior feira da indústria de viagem do mundo, a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL). O evento começou ontem (28) com a Costa do Cacau chamando a atenção do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.

O presidente português escolheu o estande da Bahia para dar entrevista coletiva à imprensa nativa e mundial. No papo com os secretários de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar, e de Itacaré, Marcos Japu, o chefe do Executivo do país europeu e sede do evento contou de sua viagem à Bahia antes de chegar ao poder.

O professor e presidente de Portugal fez elogios às belezas naturais de Itacaré, onde esteve na década de 90. Não deixou de degustar um chocolate fino e uma legítima “branquinha” (aguardente) aberta “no dente” pelo secretário Marcos Japu.

A Bahia é representada no evento pela Setur-BA, com divulgação dos destinos turísticos do Estado. As novelas Renascer, na Globo, e Cacau, na TVI de Portugal, completam os motivos do estado e região cacaueira brilharem na BTL. Dos municípios, apenas Itacaré está presente no evento internacional.

Além do secretário municipal de Turismo, Marcos Japu, as empresárias Cida Aquilar, do Conselho de Turismo de Itacaré, e Liane Reis, presidente do Sindicato Patronal de Hotelaria e Alimentação (SPHA), e Patrícia Veras, diretora de Turismo de Itacaré, fazem a divulgação do município e os contatos com empresas e investidores estrangeiros. “Viemos para divulgar e captar negócios. A receptividade é maravilhosa e o interesse pelo destino supera todas as nossas expectativas”, acrescenta Japu.

TELEDRAMATURGIA INSTIGA

Maurício Bacelar, secretário Estadual de Turismo, reforça a condição da Bahia no evento. O destino chama a atenção no evento em um momento em que a novela Cacau, ambientada em Itacaré e exibida pela TVI, lidera a audiência da TV portuguesa na faixa das 21h. “Neste ano, a Bahia vem com ainda mais força por conta da novela [Cacau]. Temos o chocolate associado à novela e às riquezas naturais do estado”, afirmou o secretário em entrevista ao PIMENTA.

A Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) é oportunidade não apenas para atrair turistas, mas investimento do país europeu. “Portugal é dos principais emissores de turistas para o nosso estado. Em paralelo, estamos captando mais investimentos e novos voos para o estado”, diz Maurício Bacelar, reforçando que há frequência diária de voo ligando o país europeu e o estado.

Destino Itacaré divulgado na maior feira da indústria de viagem na Europa

Secretário de Turismo de Itacaré, Marcos Japu vê este como momento ímpar para o sul da Bahia e Itacaré. “Este é o principal evento da indústria de viagem na Europa e as atenções e curiosidades do setor e de turistas de Portugal e do continente se voltam para Itacaré com a mídia espontânea gerada pela novela Cacau”, afirma.

A BTL é visitada, diariamente, por cerca de 30 mil pessoas, média que deverá ser ainda maior a partir desta sexta-feira (1º), quando o evento será aberto ao público. Para aproveitar todo esse fluxo e divulgar o destino sul-baiano, Japu disse que há distribuição de material promocional da cidade, incluindo gráfico e exibição de vídeos. “Fizemos articulação com todo o trade de Itacaré. Não divulgamos apenas nossos materiais, mas também de hotéis e outras empresas do município”.

Material promocional da Bahia e de Itacaré usa apelos espontâneos de mídia

TURISMO BAIANO EM ALTA

Na entrevista ao PIMENTA, Maurício Bacelar comemorou os números conquistados pelo turismo baiano em 2023. “Recebemos 6 milhões de turistas na Bahia em 2023. É a maior movimentação da história. Por nossos aeroportos, passaram 10,3 milhões de passageiros no ano passado”, revelou.

No ano passado, o turismo brasileiro cresceu 6,9%. Quando o recorte é baiano, o crescimento do setor no estado atingiu 11,4%. Na temporada de verão 23/24, Maurício também aponta percentuais importantes. “A ocupação hoteleira em Itacaré, por exemplo, esteve próximo de 100% em todo o verão”, acrescenta.

Marcos Palmeira e Humberto Carrão vão interpretar José Inocêncio no remake || Reprodução TV Globo
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A Rede Globo veiculou o primeiro teaser do remake da novela Renascer. O vídeo foi ao ar na noite desta quarta-feira (20), a cerca de um mês da estreia do folhetim gravado em Ilhéus, no sul da Bahia.

O trabalho de apresentação da obra traz os atores Humberto Carrão e Marcos Palmeira, que vão interpretar o personagem José Inocêncio nas fases jovem e mais adulta. Nas primeiras imagens, Humberto Carrão se depara com um exemplar do Jequitibá-Rei. É a chegada ao solo ilheense e a promessa de ali ‘plantar’ destino e vida.

– Enquanto meu facão estiver encravado aos seus pés, nem eu nem você haveremos de morrer. Nem de morte matada nem de morte morrida – fala um José Inocêncio ainda novo, interpretado por Carrão, em solo fértil para plantação de cacau, e adubado com sangue.

A sequência do teaser de Renascer revela as primeiras imagens com o personagem na fase mais adulta, já sendo interpretado por Marco Palmeira, que, em 1993, na versão original, também foi protagonista, mas como José Pedro, filho de José Inocêncio.

A HISTÓRIA

A novela escrita por Benedito Ruy Barbosa ganha remake comandado pelo seu neto, Bruno Luperi. Ambientada em Ilhéus, Renascer narrou a saga de José Inocêncio, produtor rural de relação conflituosa com o filho João Pedro. A esposa de Zé Inocêncio morre ao dar à luz João Pedro, o caçula do casal. O que era relação conflituosa se torna ódio, quando o filho começa a namorar Mariana e por ela o patriarca da família se apaixona.

Assim como na versão original, o remake terá atores sul-baianos, a exemplo do ilheense Fábio Lago, dos maiores artistas do audiovisual dos últimos 30 anos na região. Na trama, nomes como Juliana Paes, Juan Paiva, Duda Santos, Antonio Calloni, Jackson Antunes, Chico Diaz e Maria Fernanda Cândido integram o elenco principal.

Confira o teaser completo.

Concurso elege a melhor amêndoa do Brasil || Foto Ana Lee/Divulgação
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Lívia Cabral

A quinta edição do Concurso Nacional de Cacau Especial do Brasil – Sustentabilidade e Qualidade registrou número recorde de inscrições. Foram 98 amostras oriundas de seis estados, sendo o Amazonas e o Tocantins estreantes na disputa pelo título de melhor amêndoa de cacau do país.

Após a primeira fase de avaliação, 20 amostras foram classificadas para as etapas finais da competição. Agora, produtores dos estados do Pará, Bahia e Rondônia buscam a colocação nas categorias varietal (uma única variedade genética de cacau) e mistura (blend de variedades).

O Concurso Nacional de Cacau Especial tem o objetivo de incentivar a melhoria da qualidade e da sustentabilidade na produção de cacau no Brasil, divulgando o fruto a partir dos chocolates especiais e promovendo este segmento junto ao consumidor. Os prêmios desta edição somam R$ 60 mil. O montante será dividido entre primeiro, segundo e terceiro colocados nas duas categorias.

A participação dos estados do Amazonas e do Tocantins nas inscrições deste ano permitiram que o setor tivesse um recorte mais amplo sobre o perfil de qualidade de cacau entre os produtores brasileiros. “Quanto mais estados aderirem ao projeto do Concurso Nacional, mais a gente consegue contribuir com a pauta de colocar o Brasil como referência internacional de cacau de qualidade”, destaca Cristiano Villela.

Cristiano é diretor científico do Centro de Inovação do Cacau (CIC), entidade organizadora do evento, juntamente com a Ceplac, a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) e a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab).

Graças ao arranjo entre CIC e Ceplac na elaboração do Concurso Nacional, este ano três cacauicultores brasileiros figuram entre as 50 melhores amêndoas de cacau do mundo. Os vencedores nacionais da edição nacional passada foram automaticamente classificados para disputar o título de melhor cacau do mundo no Cacao of Excellence Awards, a mais prestigiada competição global de cacau.

Representando o Brasil, Luciano Ramos de Lima, de Ilhéus-BA, Miriam Aparecida Federrici Vieira e Robson Brogni, de Medicilândia-PA, concorrem agora ao prêmio máximo. Os vencedores do certame internacional serão conhecidos em Amsterdã, durante cerimônia que acontecerá em fevereiro no evento Chocoa 2024, na capital holandesa.

“Pelo segundo ano consecutivo conseguimos emplacar três brasileiros entre os finalistas mundiais. Isso mostra a importância do Concurso Nacional de Cacau Especial, ressalta a relevância do nosso trabalho, ao mesmo tempo que impulsiona aprimoramentos na qualidade do cacau brasileiro, elevando o Brasil ao patamar internacional como um produtor de cacau de qualidade superior”, analisa Cristiano.

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Fábio Lago, Jorginho Nascimento, neto de seu Oreco, e Duda Santos || Fotos Camila Maltez
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Camile Maltez

Os atores Fábio Lago e Duda Santos participaram, na terça e quarta-feiras (17 e 18), de workshop com o Bumba Meu Boi de Seu Oreco para as gravações do remake de Renascer, da TV Globo. O encontro foi na localidade de Urucutuca, zona rural de Ilhéus. O grupo folclórico é o mesmo que participou da primeira versão da novela, em 1993, e deu enredo a história de amor de José Inocêncio.

Após 30 anos, Renascer volta a ser gravada na região cacaueira e será exibida em horário nobre. O ator ilheense Fábio Lago dará vida ao polêmico Venâncio, pai de Maria Santa, vivida pela atriz Duda Santos, e grande amor do protagonista José Inocêncio. O personagem vivido por Fábio tem grande orgulho de ser a cabeça do boi do Boi Bumbá e todo o enredo começa com as apresentações do grupo fictício.

Bumba Meu Boi de Seu Oreco é mantido em remake de produção global || Foto Ingrid Reis

TRADIÇÕES CULTURAIS

A produção da novela fez questão de manter todas as tradições culturais abordadas com o grupo na primeira versão e promoveu a imersão dos atores com a comunidade local e o Bumba Meu Boi de Seu Oreco. “É um privilégio estar aqui na minha terra e poder viver toda essa potência que é o bumba e a cultura popular. É o meu papel enquanto artista voltar aqui e fazer parte desse mundo real e único do nosso folclore. E que é daqui, de Ilhéus!”, comemora.

Fábio Lago também descreve o momento dele com toda a efervescência no município sul-baiano com as gravações de Renascer:

– Estou vivendo uma experiência inesquecível. Que o bumba nos norteie nesta festa com alegria, brincadeira! E leve isso para a novela, para os olhares dos brasileiros. Vejam o bumba, vejam as manifestações culturais daqui e da sua cidade, façam parte, valorizem a cultura popular – recomenda o ator ilheense.

Workshop põe elenco global em contato com a cultura sul-baiana || Foto Ingrid Reis

NOVA GERAÇÃO DO BUMBA

O Bumba Meu Boi de Seu Oreco foi idealizado e criado por Aurelino Alves Galdinho, Seu Oreco, falecido em 2018. Ele chegou à comunidade de Urucutuca ainda menino para trabalhar na antiga Estrada de Ferro da região, e trouxe a tradição da brincadeira do boi.

Ele costumava contar que a manifestação cultural começou com o seu avô, e foi passada de geração em geração. Assim, seguindo o costume, Jorginho Nascimento, neto de Seu Oreco, assumiu a liderança, garantindo a manutenção da tradição da cultura popular.

Ilheense Fábio Lago, o Venâncio, com Duda Santos, que viverá a personagem Maria Santa || Foto Camile Maltez

“Na época das gravações da primeira versão da novela, vovô Oreco ainda era vivo e movimentou toda a região para dar vida ao bumba meu boi do pai de Maria Santa. Agora, tanto tempo depois, estamos de volta passando a nossa cultura e brincadeira para Fábio e toda a equipe”, destaca Nascimento.

Camila Oliveira recebe prêmio Maria Felipa || Foto Redes Sociais
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Uma das profissionais mais talentosas do jornalismo baiano, a itabunense Camila Oliveira receberá, na noite de terça-feira (25), no Museu da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), no Centro Histórico, em Salvador, o Prêmio Maria Felipa, honraria concedida a mulheres com atuação destacada na luta contra o racismo. A premiação marca o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional da Mulher Negra.

Camila com o também apresentador Vanderson Nascimento || Foto Redes Sociais

Ex-moradora do bairro de Fátima, em Itabuna, Camila dos Anjos Nunes Oliveira começou a carreira profissional aos 17 anos. Ela tem passagens por emissoras de rádio e TV em sua cidade natal, assim como em Teixeira de Freitas e Eunápolis, no extremo-sul da Bahia. Em Itabuna, ela começou na TVI e, depois, passou pela TV Santa Cruz, onde conquistou projeção estadual, alçando-a para a TV Bahia, em Salvador.

Com segurança, ética, talento e profissionalismo, Camila Oliveira quase que diariamente faz entradas ao vivo em telejornais da TV Globo, além dos canais fechados Globo News, Sport TV e Premiére. É repórter na Rede Bahia e apresentadora do Jornal da Manhã, ao lado do jornalista Ricardo Ishmael. Camila afirma que acredita no papel social do jornalismo e no poder da representatividade.

QUEM FOI MARIA FELIPA

Marisqueira, pescadora e moradora da Ilha de Itaparica, Maria Felipa de Oliveira lutou pela Independência da Bahia. Em 1823, liderou um grupo composto por mais de 200 pessoas, entre as quais estavam índios tupinambás e tapuias, além de outras mulheres negras. O grupo liderado por Felipa teria sido responsável pela queima de, pelo menos, 40 embarcações portuguesas na ilha.

'Arraiá' do Ita Pedro atrai milhares de pessoas por noite em Itabuna || Foto Divulgação
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A valorização do Itapedro e das demais ações que estamos presenciando requer do poder público ainda mais esforços para alterar o ambiente de negócios.

 

Rosivaldo Pinheiro

A cidade de Itabuna é conhecida e reconhecida como a cidade do comércio e do serviço. Aqui também nós temos um polo de educação e de saúde e precisamos avançar na missão de deslanchar o turismo no município. Além de negócios, temos vários elementos históricos, culturais e naturais que podemos trabalhar de forma integrada para que possamos gerar uma cidade de novas possibilidades.

Tivemos agora o Itapedro, um evento que significa estabelecer para a cidade uma marca reconhecida e um produto forte no calendário nacional. Alguns, que ainda não têm compreensão plena dessa conquista, questionam, mas já podemos comemorar os resultados desta edição do Itapedro, que não só movimenta a cadeia do Turismo, mas também é uma festa inclusiva, que atinge uma série de outros segmentos que se integram e impactam nos mais variados setores econômicos. Por exemplo, por trás de um show existe uma vasta contribuição de profissionais, que vão desde a montagem das estruturas e sonorização a recursos pirotécnicos para que possam dar brilho aos dançarinos e ao artista principal.

É preciso que tenhamos uma maior compreensão do significado do Itapedro para Itabuna. É claro que temos que ampliar as discussões e melhorá-lo cada dia mais. Para isso, é preciso um olhar integrado, envolvendo poder público, sociedade civil e setor privado. Nosso evento já nos permite, na sua segunda edição, vislumbrar fazer parte do calendário nacional, porque esse ano, no calendário do Nordeste, ele já entrou.

Não à toa, a Rede Bahia, afiliada da Rede Globo de Televisão, transmitiu nossa festa ao vivo, bem como diversos outros veículos da Bahia e do Brasil fizeram uma megacobertura, destacando a importância do evento. O fato é que o Itapedro já é um caso de sucesso. Por tudo isso, é importante fazer esse destaque porque quase sempre elogiamos eventos de outros municípios, bem como há sempre quem diminua nossa importância, atribuindo a outras cidades e regiões melhor qualidade em tudo.

Precisamos nos apropriar desses momentos e feitos, perceber as nossas mudanças e elevar os nossos olhares e a autoestima. Se a cidade hoje contabiliza uma redução populacional – o que não deve ser na plenitude do censo realizado pelo IBGE, pois ainda falta o instituto entregar para nós as informações estratificadas dos números levantados, para, então, o município poder fazer as devidas apurações -, a valorização do Itapedro e das demais ações que estamos presenciando requer do poder público ainda mais esforços para alterar o ambiente de negócios. E o setor privado, apropriando-se dessa mudança, cumprir o seu papel na ampliação dos seus investimentos. Essa engenharia permitirá com que a cidade atraia novas oportunidades para a ampliação do seu PIB, gerando crescimento com desenvolvimento.

Rosivaldo Pinheiro é economista, comunicador, especialista em Planejamento de Cidades e secretário de Governo de Itabuna.