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Cerca de 100 associados interditam Rodovia Ilhéus-Itabuna (Foto Pedro Augusto).
Cerca de 100 associados interditam Rodovia Ilhéus-Itabuna (Foto Pedro Augusto).

Mais de cem divulgadores da Telexfree em Itabuna interditaram a Rodovia Ilhéus-Itabuna (BR-415), no quilômetro 24, próximo ao Makro e Atacadão, hoje (30), para pressionar a Justiça do Acre a rever decisão que impediu pagamentos e novas adesões ao negócio. A suspeita é de que se trata de pirâmide financeira.
O protesto gerou engarrafamento na rodovia, uma das mais movimentadas do interior do Estado, e começou na sede da TV Santa Cruz. A emissora é afiliada Rede Globo, que promete exibir, hoje, reportagem sobre a Telexfree no Fantástico. Os divulgadores Telexfree, desde ontem, protestavam nas redes sociais contra a emissora e diziam até que a Justiça proibiu a Globo de veicular a matéria, o que não foi confirmado pela rede de televisão.
A interdição da rodovia gerou protesto. Ciro Feitosa seguia de Itabuna para o Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, e quase perde o voo. “Cheguei aos 45 do segundo tempo”, disse por meio de rede social. A polícia rodoviária estadual foi chamada para intervir e liberou a pista parcialmente. A manifestação terminou por volta das 17h.

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Cinegrafista da TV Santa Cruz dispensa colete e equipamento não tem símbolo da emissora (Foto Pimenta).
Cinegrafista e equipamento sem identificação da TV Santa Cruz (Foto Pimenta).

Os ataques de manifestantes no sudeste do País a profissionais de emissoras de televisão, principalmente a Globo, levaram algumas afiliadas a terem mais cautela na cobertura dos protestos. Em Itabuna, o cinegrafista que cobria o ato nesta tarde de quinta (20) foi às ruas sem colete nem símbolo da TV Santa Cruz. A emissora é afiliada Rede Globo e pertence à Rede Bahia, da família do falecido Antônio Carlos Magalhães.
A manifestação em Itabuna foi pacífica, sem registro de ocorrência até o final do ato, por volta das 19h10min. Na semana passada, o grupo de 200 estudantes universitários e secundaristas fez críticas à cobertura da concorrente da Santa Cruz, a TV Cabrália. Hoje, dezenas ocuparam as escadarias do templo da Igreja Universal do Reino de Deus no Jardim do Ó, e fizeram críticas ao prefeito Claudevane Leite (PRB) e ao bispo Edir Macedo por meio de palavras de ordem ou cartazes.

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A banda Operários do Samba, de Itabuna, gravou uma versão da música Esse cara sou eu, de Roberto Carlos e que compõe a trilha sonora de uma novela global. A versão caiu no site de compartilhamento de vídeos YouTube e em cinco dias teve mais de 16 mil visualizações.

A versão também “pegou” no Facebook. A versão grapiúna apresenta um cara que é o avesso do romântico pregado na canção de Roberto Carlos. É “miguezeiro”, quer beber a toda hora e chega em casa “fedendo a cachaça e trocando os passos”. A banda se apresenta em palcos regionais produzida pelo empresário Ico Oliveira.

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Cilmara Lins tenta vaga pela quarta vez.

A itabunense Cilmara Lins, 52 anos, diz que o maior sonho dela é participar do reality Big Brother Brasil, da Rede Globo. Ela já produziu o vídeo com o qual disputa uma vaga no programa. É a quarta vez que ela se inscreve. “Tenho certeza que a minha insistência vai fazer toda diferença”.

O vídeo no Youtube tem mais de 400 visualizações nos primeiros dias, o que ela considera um grande sucesso. “Sou quente igual ao calor da Bahia”, afirma a formada em Recursos Humanos. Ela diz ser tranquila, adora lavar pratos, mas se pisarem no calo dela… “Eu rodo a baiana”.

Filha do ex-prefeito Ernandi Lins, de Buerarema, Cilmara já se definiu como polêmica, que gosta de fama, se aparecer e dar entrevista e ser “disposta e guerreira”. E, prato cheio para estes tipos de programa, Cilmara afirma: “não sou de levar desaforo para casa, não”. Confira o vídeo de Cilmara.

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Apesar da enorme crise financeira que assola o clube há alguns anos, o Flamengo pode melhorar o cenário de suas contas em um futuro não muito distante. Com uma política de adiantar as negociações de cotas de transmissão de TV e fornecimento de material esportivo, o rubro-negro da Gávea pode faturar mais de R$ 1 bilhão em parcerias com TV Globo e Adidas nos próximos dez anos.

Os números que alcançam valores bilionários impressionam, mas são facilmente explicados em três contratos negociados pelo Flamengo recentemente. Pela manutenção dos direitos de transmissão da Globo até 2018, o clube receberá mais R$ 550 milhões, além dos cerca de R$ 250 mi que ainda tem a receber do acordo atual – válido até 2015.

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Vida de Vestibulete traz dicas sobre hidrocarbonetos para quem vai disputar vestibular e Enem.

O primeiro vídeo alcançou mais de 230 mil visualizações em apenas seis dias no Youtube. A aula-paródia Área do Cone transformou os estudantes itabunenses Spartakus Santiago, Mariana Rosas e Paula Lavinsky em fenômenos da internet e alçou o trio à condição de celebridade.

Depois de aula de geometria espacial, agora a turma de alunas e ex-aluno do Colégio Sistema, de Itabuna, envereda pelos mistérios da Química.  Traz dicas dos hidrocarbonetos (confira o vídeo logo abaixo).

Spartakus e Mariana têm agora as companhias de Andreza Santana e Laís Xavier em Vida de Vestibulete, paródia para Vida de Empreguete, trilha das personagens Penha, Cida e Rosário, da novela global Cheias de charme.

O vídeo foi criado para uma gincana da escola. Andreza interpreta Penha, Mariana é Rosário e Laís faz o papel de Cida. Paula, que interpretou Pauloncé em Área do Cone, desta vez não pôde participar porque estava doente no período das gravações.

SUCESSO NACIONAL

Spartakus dirige, filma, edita e compõe.

Spartakus rememora o sucesso alcançado pelo primeiro vídeo. Além de grandes publicações brasileiras, ele, Paula e Mariana apareceram em programas de grandes redes de televisão. “Aparecemos no Hoje em Dia (Record), Eliana (SBT), Jornal da Globo (Globo) e Leitura Dinâmica (RedeTV!)”, afirmou ao PIMENTA.

Rolou também convite para participar do Pânico, na RedeTV, mas a data disponível já estava agendada para gravações no programa de Eliana. O trio também apareceu em programas regionais.

Spartakus mudou-se de cidade após aprovação para cursar publicidade no Rio de Janeiro. As gravações de Vida de Vestibulete ocorreram no período de greve nas universidades federais.

– Com a greve, vim pra Bahia e aproveitei pra participar de mais um vídeo – disse ao PIMENTA. Spartakus é o responsável pela direção, filmagem, letra e edição de Vida...

Confira o novo vídeo-aula sobre os hidrocarbonetos:

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Manuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br
Uma coisa não se pode negar: além do apelo comercial, no Dia Internacional da Mulher os temas relacionados ao universo feminino ganham foco. Das redes sociais às grandes rodas, o que não faltam são discussões. E nas salas de aula não seria diferente.
Um professor citou o seguinte caso: um cara teria ficado dez anos sem trabalhar, sendo sustentado por todo esse tempo pela esposa, e no divórcio estaria pleiteando uma pensão alimentícia. “É um safado e merece uma surra”, gritei da minha carteira, esquecendo, por um breve momento, que estava ali para aprender a respeitar e empregar as normas brasileiras.
O tema foi motivo de discussão.  Os colegas, talvez para irritarem um pouco as mulheres presentes, falaram em direitos iguais. “Muitas mulheres passam anos casadas, não trabalham, herdam e ainda têm direito a pensão. Por que com o homem seria diferente?” É que ser mulher já dá trabalho, professor!
As responsabilidades mais simples, porém mais importantes, acabam sendo nossas. Casa, marido, filhos, pais e carreira profissional com paciência e dedicação, com um sorriso nos lábios e as unhas bem feitas, para que o marido não a chame de desleixada. Não é fácil e a gente consegue, sem reclamar, encarando como obrigação mesmo. Uma autoexigência que se tornou comum para a grande maioria das mulheres. Ou alguém vai dizer o contrário?
E nessa corrida diária pela “excelência dos serviços prestados”, precisamos ainda ficar atentas à tênue diferença entre ser sensual e ser vulgar. Toda e qualquer extravagância pode arruinar para sempre a reputação de uma fêmea de qualquer idade e classe social.
E já que toquei nesse assunto, devo comentar que achei de muita elegância o programa As Brasileiras com a musa Ivete Sangalo, veiculado na grande data. Com um texto leve e bem humorado, e nenhuma cena de apelação sexual, a Rede Globo passou a mensagem de que para ter audiência, em todos os sentidos, basta ter bom humor e elegância. Será que as mulheres-fruta e panicats entenderam o recado?
Manuela Berbert é jornalista e colunista do Diário Bahia.

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Marcelo Serrado, que interpreta o Crô, estará em Gabriela.

A TV Globo definiu mais um ator para a novela Gabriela. Marcelo Serrado, que interpreta o hilário Crodoaldo Valério, o Crô, em Fina Estampa, assumirá o papel de Tonico Bastos no remake homônimo do romance escrito pelo itabunense Jorge Amado.
Dentre outros nomes já escalados, estão o de Juliana Paes e Humberto Martins, que farão Gabriela e Nacib, respectivamente, além das cantoras Emanuelle Araújo e Ivete Sangalo. A musa do axé interpretará uma prostituta, segundo a produção do remake. As gravações da novela estão previstas para começar entre o final deste mês e o início de março. Algumas cenas serão gravadas em Ilhéus.

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Centenas de pessoas enfrentaram dia de sol forte para fazer teste (foto Clodoaldo Ribeiro).

A Rede Globo distribuiu comunicado em que afirma não ter realizado teste de elenco em Ilhéus. Os testes ocorreram na semana passada no Teatro Municipal de Ilhéus, quando mais de 1,5 mil pessoas se candidataram a supostos papéis secundários e de figurantes no remake de Gabriela, novela que será exibida no segundo semestre deste ano.
O PIMENTA tentou falar com o presidente da Fundação Cultural de Ilhéus (Fundaci), Maurício Corso, e o diretor Pawlo Cidade, mas estes não foram encontrados na entidade. Os testes tiveram o apoio da Fundaci.
Confira o comunicado da emissora:

A Rede Globo comunica que não está realizando testes de elenco nem recrutando atores na cidade de Ilhéus, na Bahia, para a produção de Gabriela, futura atração da emissora.
Periodicamente, surgem anúncios em nome da Rede Globo ou das produções de seus programas oferecendo oportunidades falsas de testes para trabalhos como ator; muitas vezes chegam a cobrar taxas de inscrição para essas seleções. Para ajudar você a se prevenir contra essas atitudes mal-intencionadas, a Rede Globo mantém permanentemente em seu site – www.redeglobo.com.br – uma área de boatos e alertas, para estes tipos de esclarecimentos.
Se você desconfiar de alguma informação a respeito da Rede Globo, cheque em nosso site se há alguma notícia disponível ou entre em contato com a CAT – Fale com a Globo pela internet ou pelo telefone 400-22-884.
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O núcleo de teledramaturgia da Rede Globo fará seleção de atores na próxima quinta (26), em Ilhéus. Os escolhidos vão integrar o elenco de apoio e de figurantes da novela Gabriela, que será exibida no segundo semestre deste ano na faixa das 23h.
Os atores e figurantes selecionados vão interpretar tipos regionais, como trabalhadores rurais, tropeiros e lavadeiras, além de jovens. Pawlo Cidade, da Fundação Cultural de Ilhéus (Fundaci), afirmou ao PIMENTA que a quantidade de pessoas contratadas será definida após a equipe responsável pelo remake fechar as locações para a novela em Ilhéus.
Parte da direção de Gabriela estará em Ilhéus já na quarta-feira (25) para visitar possíveis locais de gravação, conforme Pawlo. Os testes começarão às 10h da próxima quinta, no Teatro Municipal, e serão coordenados pelo produtor Rosival Silva.
O início das gravações está previsto para março. Os atores que interpretarão os papéis principais da novela inspirada na obra homônima do escritor Jorge Amado são Juliana Paes e Humberto Martins.

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Do ADNews

Aplicativo bloqueia BBB 12 nas páginas do Facebook e Twitter.

A estreia do Big Brother Brasil 12, ontem (10), não foi ruim em termos de audiência, marcando média de 34 pontos na Grande São Paulo – um a menos que em 2011. No entanto, surge um movimento na internet para tentar boicotar o programa, que vira tema corrente nas conversas da rede.
O programador Luís Coimbra anteviu problemas que os anti-reality enfrentarão durante os três meses da atração e criou para o navegador Google Chrome a extensão “No BBB“, que bloqueia todo conteúdo relacionado ao programa.
A aplicação atua no Facebook e Twitter, fazendo com que textos publicados pelos contatos contendo palavras como “BBB” e “Big Brother” sejam travados. Um aviso diz: “Conteúdo bloqueado por conter texto relacionado ao BBB, se quiser ver clique aqui.”

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A TELEVISÃO E SUA LINGUAGEM RASTEIRA

Ousarme Citoaian
Do jeito que a coisa anda, terminaremos nos comunicando por sinais de fumaça. Escrever (ou falar) de acordo com o que a norma preceitua virou coisa arcaica, sem graça e de difícil entendimento. E a mídia (façamos aqui um mea culpa) tem muito a ver com isso, sobretudo a tevê, que defende como princípio uma linguagem cada vez mais rasteira, cooptando, lentamente, a sociedade: os folhetins (a que chamam novela), antes considerados “produto para domésticas analfabetas”, hoje são matéria de teses de doutoramento nas universidades (e quem empregar a frase aspeada será tido como preconceituoso e politicamente incorreto). São ásperos os tempos.

ANTÔNIO MARIA, A FRASE PARA A HISTÓRIA

O processo de erosão intelectual é bem antigo. Sérgio Porto (o Stanislaw Ponte Preta) nos conta esta: Antônio Maria (cronista, compositor, narrador de futebol, roteirista e apresentador de programas de rádio e televisão), foi solicitado por Péricles do Amaral, então diretor da TV Rio, a copidescar uma matéria. A ideia era tornar o texto mais simples, ao alcance do público menos escolarizado. O trabalho do autor de Ninguém me ama não satisfez o chefe, pois este achava que o texto ainda poderia ser mais simples. O bom Maria refez a tarefa, porém, ao entregar a nova adaptação, produziu uma frase para a história: “Pior do que isto eu não sei fazer”.

DE COMO TORNAR PERPÉTUA A IGNORÂNCIA

A tevê, em seu objetivo de atingir as camadas medianas da população, derrapa tanto em linguagem quanto em conteúdo. A linguagem (seja na tevê seja na literatura de ficção, por exemplo) precisa ser simples, sem ser indigente. Nunca é demais repetir que a simplicidade é uma qualidade do estilo. Portanto, ser simples, sem ser rasteiro, não é defeito, é virtude. Já a questão do conteúdo é mais difícil: William Bonner, editor do Jornal Nacional, comparou o telespectador médio a alguém simplório como o personagem Homer Simpson, “incapaz de entender notícias complexas” – daí o JN só divulgar o “simples”. Este, sim, é um argumento destinado a perpetuar a ignorância.

PROVA DE DESRESPEITO AO LEITOR/OUVINTE

Costumo dizer que jornalistas detêm, basicamente, o mesmo saber. Eles se diferenciam na ética, no comportamento moral e na (in) dependência com que atuam – mas se equivalem em domínio da linguagem (ou não são jornalistas, são enganadores). Todos eles sabem o que é sujeito e predicado, estudaram e apreenderam noções de concordância, regência e acentuação (se não estão seguros sobre o emprego do hífen, não os culpemos – afinal de contas, ninguém sabe usar esse sinalzinho nefasto, depois do último Acordo Ortográfico). Por que erram tanto? – perguntaria a leitora ingênua (ainda há leitoras ingênuas?), a quem eu diria: erram por falta de cuidado, desleixo e conseqüente desrespeito ao leitor/ouvinte.

CUIDADO COM O REBANHO BOVINO NAS RUAS

Em dias recuados, na aventura de assistir a um noticiário de tevê, dei de cara com uma reportagem do Extremo Sul da Bahia, alardeando o progresso econômico daquela região. Lá pras tantas, o repórter destacou que, além da agricultura, existe em Teixeira de Freitas um notável crescimento da pecuária. E saiu-me com esta pérola: “Tanto é assim que a cidade já possui o quarto rebanho bovino do estado”. Pálido de espanto, pensei no inferno que seria a cidade conviver com tantas vacas, bois, bezerros e touros nem sempre de bom humor, a atravancar ruas e amedrontar pessoas. Ao que me consta, nem a Índia (onde as vacas, por tradição religiosa, têm sagradas até as fezes e a urina) se viu igual pesadelo.

PARA UM BIFE, 15 MIL LITROS DE BOA ÁGUA

Devidamente traduzida e digerida a notícia, filosofei, a respeito do repórter: tão jovem, bem vestido, mas tão descuidado! Tudo ficaria simples e claro se ele dissesse que “o município” etc. etc., pois é regra conhecida que a pecuária não se pratica na cidade: é lá no campo que ela se exerce, sob protesto dos ambientalistas, que querem os bois extintos (um bovino, até que passe de bezerro a bife acebolado, bebeu milhões de litros de boa água – sendo que o tal bife acebolado “custa” cerca de 15 mil litros – mas esta é outra história). Voltando à pérola, é o que dizíamos na abertura deste tema: o repórter, por certo, está careca de saber que município e cidade são valores bem diferentes. Descuidou-se.

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DE TROPEIRO A ATOR, POETA E COMPOSITOR

Zé do Norte (por extenso, Alfredo Ricardo do Nascimento, em Cajazeiras/PB) trabalhou na enxada sob o sol do sertão nordestino, foi tropeiro e apanhador de algodão. Em 1921, alistado no Exército, foi servir no Rio de Janeiro e, a partir de um convite de Joracy Camargo, embrenhou-se no meio artístico e foi em frente: virou cantor, compositor, poeta, folclorista e ator. Jogava nas onze e chutava com as duas. Trabalhou nas principais emissoras de rádio da época, foi consultor do sotaque nordestino em O Cangaceiro (Lima Barreto) e, graças a esse filme, ficou conhecido mundialmente com Muié Rendera (ou Mulher Rendeira). Fez cerca de cem canções, algumas delas com revisitas modernas de Nana Caymmi, Raul Seixas, Maria Bethânia e Joan Baez. É tido como “descobridor” de Luiz Gonzaga.

CANGACEIRO-POETA OU POETA-CANGACEIRO?

O músico pernambucano (1926-2006) ensinou a arte a Baden Powell, Paulo Moura, Menescal, Sérgio Mendes, Nara Leão, João Donato. Não é pouca coisa. Dele, Vinícius disse (Samba da Bênção): “Moacir Santos/tu que não és um só, és tantos”. Sua estreia em gravação se deu com o álbum Coisas, “um dos melhores discos brasileiros de todos os tempos”, segundo a revista Rolling Stones. São dez faixas – Coisa nº 1, Coisa nº 2, Coisa nº 3 (e por aí vai), mas Coisa nº 1 não é a primeira faixa, é a 8ª, Coisa nº 8 é a 10ª e Coisa nº 5 é a 3ª. Coisa confusa, não? Coisa mais linda é Sônia Braga, que enfeita, acompanhada de figuras carimbadas da Globo em 1980, Coisas do mundo, minha nega, do elegante, fino, inteligente, discreto e terno Paulinho da Viola. Faltou alguma coisa? Então vá: genial.

LAMPIÃO: “TU ME ENSINA A FAZER RENDA”

Volta Seca e Zé do Norte foram contemporâneos (Zé do Norte era dez anos mais velho) e, ao que consta, chegaram a trabalhar juntos como consultores de O Cangaceiro. Mesmo assim, o ex-integrante do bando de Lampião não se mostrou incomodado com a Muié Rendera cantada pelo grupo paulistano Demônios da Garoa (a letra de Zé do Norte, não a dele). E não se pode ignorar a versão também corrente de que o autor não seria nenhum dos dois, mas o mítico Lampião, o Rei do Cangaço. Enfim, a autoria da letra simplória de Mulher Rendeira tem lá seus mistérios, mas a Zé do Norte cabe o mérito da adaptação conhecida por várias gerações de brasileiros, há quase 60 anos. A dupla Marco Pereira (violão) e Gabriel Grossi nos mostram o que a composição tem de melhor, a melodia.
(O.C.)