Tarcísio do Acordeon falta a show no ItaPedro, em Itabuna || Foto Gabriel Cardoso/SBT
Tempo de leitura: < 1 minuto

Poucas horas depois de deixar o itabunense que foi ao ItaPedro aguardando em vão, o cantor Tarcísio do Acordeon postou em suas redes sociais o recorde de “forrozeiros” que teria alcançado no show em Arcoverde (PE) na noite de quinta-feira (26), data em que também deveria se apresentar no sul da Bahia.

E exaltou o público do município pernambucano: “diferentes dos iguais”.

Era final da manhã desta sexta-feira (27) quando o músico postou na rede social.

Post de hoje exaltava público… de Pernambuco || Reprodução Instagram

Já em Itabuna, onde o cantor era divulgado como uma das principais atrações da primeira noite do Ita Pedro, só espera. Até o final da tarde desta sexta-feira, o cantor nem sua assessoria ainda não tinham se pronunciado sobre a ausência em Itabuna.

Quem também não se posicionou publicamente foi a Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC). A reportagem do PIMENTA procurou respostas por parte da Prefeitura em dois momentos, no final da manhã de hoje e nesta tarde, quando ainda era aguardada resposta da FICC. Extraoficialmente, sabe-se apenas que a ausência teria ocorrido devido a “problemas logísticos”.

Joelma é confirmada no São Pedro de Itabuna || Foto Divulgação
Tempo de leitura: < 1 minuto

Considerado o maior São Pedro do Brasil, o Ita Pedro tem mais uma atração confirmada para a edição de 2024, na Arena Zé Cachoeira, na Avenida Princesa Isabel. Será a paraense Joelma, ex-vocalista da Banda Calypso.

A organização já havia anunciado outros nomes para a festa deste ano. O som genuíno de Dorgival Dantas, o forró das antigas da Calcinha Preta e Léo Santana.

A festa deste ano começará em 27 de junho. A promessa é de quatro dias de festa, com encerramento em 30 de junho. o arrasta-pé é promovido pela Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc), Prefeitura de Itabuna e Governo da Bahia.

KOCÓ HOMENAGEADO

Numa homenagem a um dos ícones da música baiana, Clóvis Leite, Kocó, falecido em 19 de fevereiro passado, o tema do Ita Pedro deste ano será É tão bom se apaixonar, nome de um dos maiores sucessos da banda Lordão.

Kocó faleceu após complicações de transplante de fígado || Foto Divulgação
Tempo de leitura: 2 minutos

O corpo do cantor e vocalista da banda Lordão Clóvis Figueiredo Leite, Kocó, começará a ser velado no final da manhã desta terça-feira (20), no Cemitério Bosque da Paz, em Salvador. Familiares, amigos e fãs prestarão as últimas homenagens ao músico a partir das 11h de hoje. O corpo será cremado na capital baiana.

Um dos principais nomes da música de baile e presença garantida em grandes festas, a exemplo do TicoMia, em Ibicuí, Kocó tratava uma luta pela vida nos últimos meses. Ainda em 2023, o artista enfrentou problemas no fígado e foi detectada a necessidade de transplante de fígado.

Após o procedimento, houve um agravamento do quadro de saúde nos últimos dias. Internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em hospital privado em Salvador, Kocó não resistiu, falecendo nesta segunda-feira (19), na capital baiana.

LUTO REGIONAL 

A morte do líder da Banda Lordão gerou onda de comoção em toda a Bahia. Políticos e organizações emitiram notas de pesar lembraram o grande legado de Kocó não apenas na música.

O prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), emitiu nota de pesar e decretou luto oficial de três dias no município escolhido pelo músico para morar e fazer história com uma das maiores bandas de baile do país. Mário Alexandre (PSD), prefeito de Ilhéus, cita a carreira musical brilhante do fundador do Lordão.

Ex-prefeito de Itabuna, Geraldo Simões (PT) ressaltou a “força e dignidade” com as quais Kocó enfrentou a espera e o transplante de fígado. Kocó chegou a disputar uma eleição a vereador pelo PT em 2012.

DEPENDE DE NÓS

A Santa Casa de Misericórdia de Itabuna recuperou o legado deixado pelo músico também fora do palco. Kocó liderou campanhas de apoio à instituição filantrópica, quando a Santa Casa enfrentava grave crise financeira nos anos 2000, e de de captação de doadores para o Banco de Sangue local.

Católico e assíduo das missas e eventos na Catedral de São José, ele também emprestou sua voz para o Hino do Centenário da Santa Casa, em 2017. Outra instituição que emitiu pesar foi a Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste da Bahia (Amurc). Em nota, fala do legado do artista.

Confira a apresentação de Kocó com a banda Lordão no Ita Pedro do ano passado, em Itabuna.

Augusto comemora sucesso do Ita Pedro, o São João de Itabuna || Foto PIMENTA
Tempo de leitura: 2 minutos

Durante evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Ilhéus, nesta manhã de segunda-feira (3), o prefeito Augusto Castro, além de falar de política e dos impactos da Ferrovia Oeste-Leste e Porto Sul para o sul da Bahia, comemorava os primeiros resultados do Ita Pedro, o São Pedro de Itabuna. “Já estamos no calendário como o maior São Pedro do Brasil”, afirmou ele numa entrevista ao PIMENTA.

O prefeito diz que, além da preservação da cultura de eventos juninos, a festa promovida pela Prefeitura, por meio da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc), e Governo da Bahia movimentou a economia grapiúna. Um balanço completo será apresentado amanhã (4) em entrevista coletiva, mas ele adiantou que o comércio local teve aumento de 20% nas vendas e os vendedores ambulantes faturaram até R$ 20 mil.

– Foi muito gratificante pensar numa festa tão significante do ponto de vista econômico. Você pensar num evento como este tem que pensar na economia. Temos hotelaria, shopping, comércio… Os vendedores ambulantes, do qual não cobramos taxa e conseguimos baixar o preço da cerveja com a distribuidora. Cada vendedor ali ganhou entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. Isso fomenta a economia. Pensar num evento como este não é gasto, é investimento – ressaltou na conversa com o PIMENTA.

SUCESSO DE PÚBLICO

O prefeito também falou da amplitude alcançada pelo evento, com transmissões ao vivo para quase todo o estado pelas emissoras afiliadas da Rede Globo na Bahia (Rede Bahia) e TVs Band e Record. “Itabuna entrou no calendário de eventos de grande porte de música, com artistas nacionais e regionais. Isso, pra gente, representa muito, pois destaca Itabuna no cenário nacional e estadual. A imprensa divulgou ao máximo o nosso Ita Pedro, com transmissões ao vivo, flash de TVs”, completou.

O evento deste ano teve três noites de festa para o público jovem e adulto e o domingo (2) reservado para a criançada. A estimativa é de que o público, nos três primeiros dias, tenha superado 120 mil pessoas. O Ita Pedro começou na quinta (29) e terminou no início da noite de domingo (2). Dentre as atrações, Wesley Safadão, Dorgival Dantas, Tarcísio do Acordeon, Lordão, Cacau com Leite, Sinho Ferrary e Dilsinho.

Tempo de leitura: 2 minutos

Daqui a pouco o músico Rafael Sebastião Mota Silva sobe ao palco para se apresentar, pela primeira vez, no São Pedro de Itabuna, na Arena Zé Cachoeira, montada na Avenida Princesa Isabel, no bairro Banco Raso. Rafa Motah, como é mais conhecido, é uma das principais atrações nos finais de semana nos bares e casas de shows nos municípios do sul da Bahia, e promete muita agitação na noite desta sexta-feira (30).

Rafa é sucesso garantido nos barzinhos de Itabuna

Rafa Motah será uma das primeiras atrações da segunda noite do Ita Pedro. O cantor itabunense sobe ao palco às 20h e promete não deixar ninguém parado. “O menino é muito talentoso. Tenho certeza que vai atrair um grande público, principalmente os frequentadores de barzinhos, que conhecem o trabalho dele. É sucesso garantido”, afirma Wendel Simões.

Rafa Motah começou a carreira aos 12 anos de idade e traz a música no sangue. Ele é filho do cantor Rock In Rio, um dos músicos de barzinhos mais respeitados de Itabuna. Ao PIMENTA, Rafa Motah adiantou que o show de hoje à noite terá repertório eclético.

Além de Rafa Mota, a segunda noite do Ita Pedro terá os shows de Eber Lima e Miguel, Sinho Ferrary, Cristal Som, Lordão, Wesley Safadão, Cris Mel, Trio da Huanna, Caxangá e Big Xote. Confira, abaixo, a grade completa desta noite.

Tempo de leitura: 2 minutos

A festa de São Pedro realizada pela Prefeitura de Itabuna, o Ita Pedro, movimentou cerca de R$ 70 milhões na economia local em junho, segundo estudo divulgado pelo prefeito Augusto Castro e o secretário municipal de Indústria, Comércio, Emprego e Renda, José Raimundo Araújo.

O prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), comemorou os resultados econômicos do Ita Pedro, evento que teve parceria do Governo do Estado, via Bahiatursa. “Depois de dois anos de pandemia em que a economia do país praticamente parou, a realização desta festa, além de proporcionar entretenimento e lazer, movimentou de forma significa o nosso comércio e serviços. Somente no espaço da festa foram movimentados pela economia informal pouco mais de R$ 7,2 milhões”, comentou Augusto Castro.

Nesta quinta-feira (7), o secretário José Raimundo Araújo, titular da SICER, se reuniu com os presidentes da Câmara de Dirigentes Lojistas, Carlos Leahy, e do Sindicato do Comércio Atacadista e Varejista de Itabuna (Sindicom), José Adauto Vieira, que elogiaram a decisão do prefeito de antecipar para o dia 26 de junho o pagamento da folha salarial de julho no valor de R$ 23 milhões.

“A avaliação da movimentação financeira é tão importante quanto a satisfação dos itabunenses com o entretenimento, principalmente porque se trata de um evento que já está sendo considerado o maior e melhor São Pedro do Norte e Nordeste do país”, comenta o secretário José Raimundo. Para ele, esse resultado é consequência de muito trabalho e planejamento.

O Ita Pedro ancorou uma movimentação em torno de R$ 70 milhões na economia de Itabuna, reforça José Raimundo, e essa movimentação começou no período pré-evento, no comércio e na área de serviços, e seguiu durante a festa com as pessoas que exploraram algum tipo de atividade.

Adauto, Leahy e Araújo em avaliação da repercussão econômica da festa

VENDAS MELHORES DO QUEM EM 2021

Para o presidente da CDL, Carlos Leahy, a festa contribuiu diretamente para que as vendas de junho deste ano fossem superiores às de junho de 2021. “Essa movimentação de cerca de R$ 70 milhões não foi o que circulou o mês inteiro, mas o que o evento proporcionou no final do mês”, disse. “O crescimento nas vendas foi visível. Nós fizemos uma pequena pesquisa com os segmentos que mais se beneficiaram durante esse período e realmente foi muito positivo”. Leahy ressalta que eventos como o Ita Pedro costumam deixar as pessoas já na expectativa do próximo ano.

O presidente do Sindicato do Comércio, Atacadista e Varejista do Município de Itabuna (Sindicom), José Adauto Vieira, também considerou que o impacto da festa de São Pedro foi extremamente positivo. “O comércio estava carente de grandes eventos que pudessem dar uma aquecida nas vendas. O Ita Pedro foi uma festa fantástica. No geral, a informação que agente tem é que foi positivo para a maioria dos setores da nossa economia”, concluiu.

Tempo de leitura: 2 minutos

A festa ainda não acabou em Itabuna. Neste domingo (3), última noite do Ita Pedro, o público ainda pode se divertir com os shows dos cantores Bell Marques, Norberto Curvelo, Thiago Brava, Cris Mel e Neto Gasparzinho e as bandas Kart Love e Trio da Huanna. O Ita Pedro começou na quinta-feira (30) e tem atraído uma multidão para a Arena Zé Cachoeira montada ao lado da Prefeitura, no Banco Raso.

Marcynho foi uma das atrações do Ita Pedro

Na noite de sábado, a festa começou com a apresentação do cantor Gabriel K e shows das bandas Tarraxada e Lordão, além dos cantores Sinho Ferrary e Marcynho Sensação. Esperado como a principal atração da noite, o cantor João Gomes subiu ao palco do Ita Pedro por volta das 2h da madrugada deste domingo.

São Pedro de Itabuna tem levado uma multidão para o espaço de shows

João Gomes levou ao delírio a multidão que ocupava cada metro quadrado da Arena e as duas pistas paralelas laterais da Avenida Princesa Isabel, cantando Aquelas coisas, um dos maiores sucessos do pernambucano.  A terceira noite de festa em Itabuna foi encerrada com som da baiana La Fúria,  sob o comando do cantor Bruno Magnata, que ditou o ritmo até as 5 horas da manhã.

A Banda Lordão levou antigos e novos sucessos para o São Pedro de Itabuna

O Ita Pedro é promovido pela Prefeitura de Itabuna, via Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), em parceria com o Governo da Bahia, por meio da Bahiatursa.

Câmara aprova título de cidadão honorário para o promotor de Justiça Frank Monteiro Ferrari
Tempo de leitura: 7 minutos

Após dois anos sem festas públicas devido à pandemia, Itabuna e Ilhéus anunciaram o Ita Pedro e o Viva Ilhéus 488 anos. Os eventos terão shows de artistas que arrastam multidões e cobram bem por isso.

A Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC) divulgou os cachês dos artistas contratados pelo município para o Ita Pedro. O mais robusto é o do cantor e compositor João Gomes: R$ 360 mil. A Prefeitura de Ilhéus ainda não detalhou o orçamento da festa, mas, para se ter ideia, o cachê de Wesley Safadão, um dos artistas confirmados no Viva Ilhéus, chegou a R$ 600 mil em outros eventos.

Os dois maiores municípios do sul da Bahia têm receitas vultosas. Enquanto Itabuna espera arrecadar quase R$ 700 milhões em 2022, a estimativa de receita ilheense para o mesmo ano passa de R$ 510 milhões. Esses valores são relevantes para que se possa avaliar, por exemplo, a proporcionalidade de despesas com festas públicas, tema que atraiu holofotes do país inteiro neste ano.

Caso emblemático foi o da Festa da Banana, em Teolândia, no baixo-sul da Bahia, orçada em R$ 2,3 milhões, segundo o Ministério Público do Estado (MP-BA). A estimativa da arrecadação do município em 2022 é de R$ 65 milhões. A promotora de Justiça Rita de Cássia Pires Bezerra Cavalcanti considerou a despesa desproporcional e pediu o cancelamento da festa à Justiça, que, após decisões em três instâncias, acatou o pedido.

Nesta entrevista ao PIMENTA, o promotor de Justiça Frank Monteiro Ferrari, coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção à Moralidade Administrativa (Caopam/MP-BA), defende a atuação da colega no caso de Teolândia e responde pergunta sobre as festas de Itabuna e Ilhéus, complementando a resposta com apelo aos gestores das vizinhas sul-baianas. Também discute críticas feitas à atuação do MP-BA  e afirma que a instituição tem se esforçado para agir mais de forma colaborativa do que sancionatória. Confira.

PIMENTA – O que chamou a atenção do Ministério Público para as despesas com as festas juninas na Bahia?

Frank Ferrari – O São João é uma festa tradicional da Bahia. Tradicionalmente, os entes públicos realizam eventos, e já faz parte da própria cultura institucional do Ministério Público acompanhar os gastos com os eventos juninos. Isso voltou a acontecer agora, depois de 2 anos sem festas por conta da pandemia.

O caso de Teolândia ganhou repercussão nacional. O que levou o Ministério Público a pedir o cancelamento da Festa da Banana à Justiça?

O caso é muito peculiar. Decorreu de atuação muito competente e eficiente da promotora de Justiça local. Dentro da sua independência funcional, a promotora identificou, na análise do contexto particular daquele município, elementos que a levaram à conclusão de que os gastos seriam desarrazoados e desproporcionais com a situação fática pela qual passava o município. Isso a moveu a ajuizar a ação. O desfecho todos nós acompanhamos por meio da imprensa. Ela considerou, dentre outros fatores, a situação de emergência decretada naquele município por conta das chuvas que ocorreram no final do ano passado; o porte do município; as repercussões ainda presentes daquela situação de emergência, com muitas famílias ainda vulneráveis; e o comparativo dos valores empregados [na contratação dos shows], que chamam atenção por si sós, com os valores empregados na saúde, educação e em outras áreas essenciais do município no ano passado. Portanto, foi um conjunto de fatores.

Há outra ação desse tipo em curso na Bahia?

Ainda não temos notícia de outras ações semelhantes à de Teolândia, mas o acompanhamento está sendo feito.

Quais são os critérios que o Ministério Público utiliza para avaliar a necessidade de fazer uma recomendação ou até mesmo de agir em determinado caso? 

São critérios que passamos a compartilhar com os gestores, como a eventual situação de emergência decretada em razão das chuvas, o valor expressivo empregado na contratação de artistas e estruturas e outros fatores indicativos da saúde financeira do município. Tentamos direcionar um olhar especial para as localidades que se enquadram, mais ou menos, nesse contexto. Algo que possa sugerir falta de proporcionalidade na decisão de realizar a festa e o grau de investimento. É muito importante que os próprios gestores desses municípios, que eventualmente estejam em situação semelhante, possam reunir suas equipes técnicas, reavaliar seu processo decisório e justificar, de forma pormenorizada, suas decisões, seja para revisá-las ou mantê-las. O importante é que tenhamos clareza, detalhamento e transparência sobre como estão sendo geridos os recursos públicos.

A recomendação é um dos instrumentos do MP. Sobre as festas de 2022, já foi feita alguma recomendação aos municípios?

Estamos monitorando os dados. Como regra e prioridade, sempre que possível, a estratégia estabelecida pelo Ministério Público privilegia o diálogo com os gestores, mas nem sempre é possível, seja pelo tempo ou pelo contexto específico. A gente tem estimulado essa aproximação, o diálogo. A expedição de recomendação é, na verdade, um ato que deve ser relegado a um segundo momento, quando esse diálogo não é viabilizado por alguma razão. A recomendação já é um ato unilateral, que a gente está tentando utilizar como ultima ratio. Primeiro, o contato com os gestores, diálogo, sensibilização e conscientização de que é uma responsabilidade conjunta. Importante frisar que nosso foco é mais qualitativo do que numérico, olhando para os lugares onde os gastos estão sendo mais expressivos e que podem guardar possível desproporcionalidade, considerando a situação específica [do município].

Itabuna e Ilhéus vão fazer grandes festas. Entraram no radar do MP?

A exortação do acompanhamento foi feita de forma geral aos promotores de Justiça. Em sendo [gastos] expressivos, certamente, os promotores de Justiça locais devem estar monitorando. O Centro de Apoio [caopam] está sempre à disposição dos órgãos de execução para eventual apoio na análise, na estratégia de abordagem e na eventual intervenção em cada caso concreto. Certamente, [os municípios] estão sendo monitorados e, claro, dentro da independência funcional de cada membro [do MP]. Como são municípios importantes, onde estão, aparentemente, sendo realizados gastos expressivos, a gente aproveita para apelar aos respectivos gestores que avaliem com carinho e façam suas festas dentro do parâmetro de responsabilidade com o dinheiro público. É o que o Ministério Público deseja. Não queremos inviabilizar, de forma alguma, o São João nem demonizar artistas. Muito pelo contrário. Entendemos o quão importante é a cultura para o povo brasileiro e, em especial, para o baiano. Entendemos o quanto o São João é importante para movimentar a economia dos municípios. A orientação é buscar equilíbrio.

Ainda sobre Teolândia, uma crítica à atuação do MP e da Justiça é a de que, como a festa estava prestes a começar, a ação e a decisão judicial seriam intempestivas. Como o senhor avalia a oportunidade da intervenção? 

O momento da intervenção é importantíssimo para avaliarmos, inclusive, que tipo de intervenção dedicar a esse ou àquele problema, à luz da ponderação de custos e benefícios. Esses custos não são apenas financeiros, mas de toda ordem. O custo da frustração de expectativas, por exemplo, de investimentos dos comerciantes locais. Realmente, de regra, tentamos ter o cuidado de avaliar esses custos e benefícios, mas nem sempre, infelizmente, é possível agir no momento ideal. A colega atuou da forma que era possível para ela que, inclusive, não é titular da comarca. É promotora substituta e isso dificulta muito uma atuação com essa antecedência, que seria o ideal, mas não foi possível. É importante lembrar que, em 2014, a mesma promotora conseguiu uma atuação nesses moldes de que estamos falando, no diálogo prévio com os gestores, e conseguiu reduzir em 50% os gastos da época, sem necessidade de ação [judicial].

Como isso foi possível?

Naquele contexto histórico, ela tinha circunstâncias que permitiam aquela abordagem, que foi exitosa e mostrou que existe a disponibilidade de sentar e conversar com os gestores. Essa tem sido a tônica e o nosso estímulo no Ministério Público. [No caso de Teolândia], a colega fez um exercício de ponderação de que seria mais prejudicial, no todo, deixar a festa acontecer do que intervir para tentar suspender, tanto que obteve êxito na instância extraordinária, o STJ. [A decisão] teve um efeito positivo para além do município, no sentido de colocar o tema na pauta do dia. Observe que o tema não é fácil, é complexo e controvertido até mesmo dentro do sistema de Justiça. Tivemos três instâncias decidindo de forma alternada e divergindo quanto à melhor solução.

Quais são as lições do caso? 

Ele sinaliza o quão complexo é o tema e o quanto precisamos, todos juntos, construirmos soluções de prevenção para o futuro. As melhores soluções virão do consenso, da união de todas as perspectivas envolvidas, dos gestores, empresários, órgãos de controle, da imprensa e da própria sociedade, na construção desses parâmetros mais objetivos, que confiram maior segurança jurídica para os gestores, empresários, artistas, maior segurança para a expectativa legítima do cidadão e melhores condições para o exercício eficiente da fiscalização, seja pela própria gestão ou pelos órgãos de controle. Portanto, um dos efeitos positivos da intervenção da colega, a quem nós renovamos o reconhecimento público pelo trabalho comprometido, é abrir essa janela de oportunidade. Tenho defendido internamente que a Bahia não é só um modelo de alegria, de estado que sabe promover a alegria, ela pode ser também – por que não? – um modelo para o Brasil de diálogo republicano entre as instituições, na construção de soluções preferencialmente preventivas.

Uma provocação. Outra crítica feita ao MP é a de que, às vezes, o órgão ultrapassa seu limite de atuação, tentando substituir o poder político conferido pelo voto. Para usar o mesmo exemplo, esse limite seria ultrapassado quando o MP se insurge contra a decisão política de gastar R$ 2 milhões numa festa. 

Excelente provocação. Até agradeço pela oportunidade de falar sobre o tema. Temos trabalhado muito no fomento de uma nova abordagem, que chamamos de preventiva e estruturante, que se antecipa à produção de ilícitos e danos. Isso representa, de certa forma, uma revolução cultural na forma de atuar do Ministério Público e na forma que se espera que o Ministério Público atue. Todos nós – as instituições de controle e a própria sociedade – estamos muito acostumados com essa tradicional atuação reativa e sancionatória diante de um problema já instalado. Essa atuação repressiva é muito custosa. São custos de muitas ordens: financeiros, institucionais, políticos, econômicos, sociais e pessoais. Por isso, estimulamos que ela seja excepcional, nossa última opção.

Na prática, como funciona essa outra abordagem?

O membro do Ministério Público não atua como um impostor, como um expedidor de recomendações. Quem avaliar bem as recomendações da procuradora-geral de Justiça vai perceber uma mudança de sugestão de atuação, privilegiando a abordagem do diálogo. O promotor deixa de ser alguém que vai intervir para impor determinada perspectiva, para ser um indutor de uma atuação na qual o gestor é o ator principal, porque o gestor é o legitimado, em regra, para decidir como e onde alocar os recursos públicos, ressalvando-se as matérias onde há vinculação constitucional e legal. Fora desses casos, o gestor é o legitimado constitucionalmente para definir. É arbitrário? Não. É discricionário. Devem existir parâmetros que balizem essas decisões, que elas sejam fundamentadas, racionais e publicizadas. [Quem decide] é o gestor, não é o promotor, não é juiz. O gestor é o mandatário do povo e existem limites para a intervenção do sistema de Justiça nessa discricionariedade. Nesse limite, quem deve julgar é o eleitor. É o eleitor que deve, em determinadas situações, julgar se quer aquele gestor que investe majoritariamente nesse ou naquele tipo de despesa. É uma outra forma de abordagem, que nós estamos tentando construir e priorizar.

Os gestores têm sido receptivos ao diálogo?

Temos feedbacks muito positivos de promotores que estão atuando junto aos gestores e estão encontrando, realmente, uma aceitação muito importante, avançando na solução de problemas históricos, crônicos e estruturais, de forma planejada e dialogada, considerando as dificuldades e limitações administrativas. É preciso deixar claro que nem tudo acontece ou deixa de acontecer apenas por vontade ou por falta de vontade política. Os municípios têm limitações financeiras, especialmente os menores. Todo direito depende de uma estrutura que o implemente. Isso tem um custo, tem toda uma atividade de planejamento e de gestão. Na maioria das vezes, nem tudo é feito no tempo que desejamos, tanto nós promotores quanto os gestores e, principalmente, a sociedade. A experiência que temos no Coapam tem sido muito positiva em alguns municípios e nós queremos ampliar essa nova forma de se construir a relação institucional.