Jorge Amado, Zélia Gattai, Simone Beauvoir, Jean Paul Sartre e convidados na Fazenda Progresso || Foto Diário de Itabuna
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Como não poderia deixar de ser, no sábado, Jorge e Zélia Amado, Otoni Silva e Moisés Alves da Silva ciceronearam os filósofos Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir ao distrito de Ferradas.

 

Walmir Rosário

 

 

 

 

Era uma sexta-feira daquelas qualquer, que não prometia nada de especial ao Itabunense. Entretanto, o dia 19 de agosto de 1959 entrou na história do povo grapiúna. Logo pela manhã chega o voo de Salvador e descem quatro personagens internacionais. Naquele dia, nada de recepções, banda de música, charanga ou uma bela comissão de boas-vindas. Tudo normal, ou quase isso.

Assim que o avião estaciona no aeroporto Tertuliano Guedes de Pinho, apenas uma pessoa demonstrava nervosismo ao vislumbrar quatro passageiros assomarem a porta do aparelho e descerem a escada. Era Moisés Alves da Silva, um generoso mecenas, tido como grande amante das artes, incluída aí a literatura e a filosofia.

Assim que os dois ilustres casais pisam em solo grapiúna, trocam longos e afetuosos cumprimentos e efusivos abraços com Moisés. Pelo que se sabe, ele, Moisés, era o segundo itabunense a ter contato com o casal de filósofos franceses representantes do existencialismo, Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Eles mesmos, em carne e osso em solo grapiúna. Um sonho realizado.

Jean Paul Sartre e Jorge Amado na Fazenda Progresso || Foto Diário de Itabuna

O outro casal era bastante conhecido, sendo ele um itabunense da gema, nascido em Ferradas e considerado o mais lido romancista do mundo, portanto um conterrâneo de renome internacional. Ao seu lado, como esperado, sua esposa, Zélia Gattai, chamada pelos jornalistas do Diário de Itabuna de Zélia Amado, em respeito ao nome de família do esposo, nosso ídolo das letras.

Pelo que se comentou, a visita teria sido programada pelo deputado federal e líder do governo federal na Câmara, Aziz Maron. O silêncio em relação às visitas seria apenas uma estratégia para não transtornar a permanência dos visitantes com centenas ou milhares de pessoas de toda a região, tornando improdutiva a pesquisa que pretendiam fazer sobre a vida do homem do campo, mais exatamente na cacauicultura.

O casal Simone de Beauvoir e Sartre na Fazenda Progresso || Foto Diário de Itabuna

Do aeroporto direto para o Lord Hotel, onde foram acomodados por Nelson Muniz Barreto. Após uma rápida toilette e um lanche, partiram para a Fazenda Progresso, do Coronel Nicodemos Barreto, parte do grupo de fazendas que iria até Buerarema. Apesar de não contar com a presença do coronel e dos filhos, foram recebidos nababescamente na propriedade.

De início, beberam mel de cacau, chuparam a polpa das amêndoas, doces e ácidas, subiram nas barcaças onde secavam as amêndoas, não se amedrontaram e entraram nas plantações, apesar de serem alertados sobre os riscos de animais peçonhentos, cobras, inclusive. Conversaram com os trabalhadores rurais para conhecer de perto o “operário agrícola”, sua vida, família, moradia e salário.

Após agradecer a gentil e tradicional hospitalidade da família Barreto, almoçaram no Lord Hotel e rumaram para Ilhéus. Desta vez, a curiosidade de Sartre era conhecer a vida e o trabalho numa pequena fazenda de cacau, uma burara, como explicou Jorge Amado. Em Ilhéus visitaram amigos de Jorge, o porto e locais turísticos da cidade.

À noite novos compromissos, e já reservada para os visitantes receberem os intelectuais itabunenses e da região, uma considerável legião de admiradores, que colheram autógrafos dos filósofos franceses e do escritor conterrâneo em seus livros. De acordo com os jornalistas do Diário de Itabuna e da Rádio Clube de Itabuna, foi uma festa da inteligência, da elegância e do culto à ilustração.

Na manhã seguinte, um sábado, 20 de agosto, Jorge Amado, Sartre e Simone concederam a prometida entrevista à Rádio Clube de Itabuna, capitaneado pelo diretor Otoni Silva, coadjuvado pelo advogado Wilde Oliveira Lima e o jornalista Cristóvão Colombo Crispim de Carvalho. A esperada entrevista foi anunciada para ir ao ar nos próximos dias, em data e horário exaustivamente anunciados.

Como não poderia deixar de ser, no sábado, Jorge e Zélia Amado, Otoni Silva e Moisés Alves da Silva ciceronearam os filósofos Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir ao distrito de Ferradas, berço de Jorge Amado. Posaram para fotos em frente à casa do escritor, num preito de gratidão e reconhecimento à terra natal de Jorge Amado.

Em seguida, seguiram para o aeroporto Tertuliano Guedes de Pinho, em Itabuna, e tomaram o primeiro voo com destino a Salvador, onde os aguardavam vários círculos da mais fina intelectualidade baiana. E assim Itabuna viveu dois dias como sendo a capital do existencialismo da liberdade individual, embora eu não conheci o prometido estudo do trabalhador do cacau.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Rosivaldo Pinheiro, comunicador, economista e secretário de Relações Institucionais de Itabuna
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Precisamos exercer a tolerância, estabelecer um diálogo em que as visões dicotômicas possam construir novos pontos de vista. Não é preciso se sentir vencedor, mas ter o espírito construtivista para fazer avançar a sociedade.

 

Rosivaldo Pinheiro

A história nos traz que na Roma Antiga eram comuns os duelos entre gladiadores nas arenas, onde corpos se digladiavam até a morte. Normalmente um presidiário era colocado à prova contra um sanguinário ligado ao poder supremo naquela sociedade (um serviço de justiça).

Naquele modelo, criminosos, prisioneiros de guerra, escravos se submetiam, por força do Estado, àquele aparente espetáculo, que, de fato, era uma punição pública para o exercício da autoridade governamental e a imposição da hierarquia social.

O tempo passou e o comportamento humano continua predisposto a assistir aos espetáculos onde exista possibilidade do combate. Aqui não me refiro aos duelos esportivos, embora caibam em alguns casos a analogia aos coliseus do passado.

Trago à luz nesse texto um chamado para uma reflexão: a força das palavras e da necessidade de observação do nosso comportamento diário quando nos posicionamos nas redes sociais e no WhatsApp. A vigilância se faz necessária para evitar o descuido e o exercício do raciocínio voltado para o mal, quase sempre demonstrados nas postagens.

Nos tempos atuais, os lobos em pele de cordeiro ou vampiros de boas energias se vangloriam no mundo virtual. Assistimos ataques à honra, calúnia, emissão de inverdades de todos os tipos, deixando o espírito de humanidade guardado no porão da existência. Os tudólogos e voluntários da maldade aproveitam-se das brechas que o mundo virtual possibilita.

Portanto, antes de postar, pense e repense sobre o que escreverá: qual a possibilidade do impacto para uma mãe ou um pai ao fazer a leitura? Um filho, filha ou pessoas que diretamente amam a pessoa citada/atacada? É preciso um juízo de valor mais apurado, pensando, inclusive, no impacto sobre o emocional do outro ao deparar-se com o texto dirigido para si. Qual é o momento psicológico que aquela pessoa atravessa?

Não é difícil agir com essa disposição antes de disparar a primeira palavra. Precisamos exercer a tolerância, estabelecer um diálogo em que as visões dicotômicas possam construir novos pontos de vista. Não é preciso se sentir vencedor, mas ter o espírito construtivista para fazer avançar a sociedade.

Pense nisso!

Rosivaldo Pinheiro é comunicador, economista e especialista em Planejamento de Cidades, além de secretário de Relações Institucionais de Itabuna.

Maestro Arnaldo Dias atua na formação de novos músicos || Foto Walmir Rosário
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Outro desafio lançado pelo presidente José Vanderley ao maestro Arnaldo Dias foi reorganizar a Filarmônica Euterpe Itabunense, trabalho que vem sendo feito com treinamento dos músicos.

 

 

 

Walmir Rosário

Atualmente pouquíssimas instituições beneficentes conseguem sobreviver prestando serviços aos seus associados e à comunidade em geral. Em Itabuna, uma delas, a Sociedade Montepio dos Artistas de Itabuna, caminha em sentido contrário e pretende comemorar seus 107 anos de fundação em 1º de novembro de 2026 em perfeita sintonia com as propostas do seu Estatuto.

As dificuldades são enormes, ressalta o presidente da Assembleia Geral da Entidade, José Vanderley Borges de Sousa (Vando), mas, apesar dos percalços, estamos conseguindo promover uma reestruturação. Para o presidente, com as mudanças nas áreas da assistência e da previdência, muitas das atribuições beneficentes do Montepio perderam espaço, e com isso recursos para atuação.

Como uma das atribuições do Montepio é manter a Filarmônica Euterpe Itabunense, a direção da Sociedade envida esforços para formar novos músicos entre os jovens e mantê-la viva e atuante. Criada em 1925, fez sua primeira tocata por ocasião da comemoração da Independência do Brasil, no dia 7 de Setembro daquele ano, tendo como maestro o professor Rosemiro Pereira.

O presidente da Montepio, José Vanderley || Foto Walmir Rosário

O ensino da música aos artistas e operários se tornou uma tradição do Montepio, por meio da Filarmônica Euterpe Itabunense, que se rivalizava com outras coirmãs pela distinção dos fardamentos e qualidade dos músicos e repertório. No calendário das apresentações, o dia 19 de março (Padroeiro de Itabuna, São José), 1º de Maio (Dia do Trabalhador), 28 de Julho (Dia da Cidade), 7 de Setembro, dentre outras ocasiões festivas.

Pela Filarmônica Euterpe Itabunense passaram regentes e músicos conceituados. Dentre os mais recentes, o maestro Zózimo, o sargento PM e maestro Carlos, o maestro Heleno e Wellington Quintas, este falecido recentemente. Outro destaque é o professor Adilson Alves dos Santos (Dilsinho), representante da Ordem dos Músicos do Brasil em Itabuna e região.

E a formação dos novos músicos continua sendo das atividades prioritárias da diretoria do Montepio. Atualmente quem comanda a educação musical dos futuros músicos é o maestro Arnaldo Dias, profissional com mais de 52 anos de experiência profissional em instrumentos e arranjos musicais de filarmônicas, bandas e orquestras.

O maestro Arnaldo Dias, com passagem na extinta Filarmônica Carlos Gomes (Itabuna), na Banda Los Tropicanos; na Banda Solo, na Banda Lordão por 30 anos, nesta responsável por tocar instrumentos de sopro e escrever os arranjos. Longe de pensar em aposentadoria, aceitou o convite do presidente José Vanderley para dinamizar a Filarmônica Euterpe Itabunense.

Filarmônica Euterpe Itabunense em 1936 || Foto Walmir Rosário

Atualmente o professor Arnaldo Dias é responsável pela capacitação da turma de jovens, aos sábados, que não se limitar a formar profissionais da música, mas cidadãos bem postos na sociedade, como faz questão de completar. “Eles chegam aqui com muita vontade de aprender, muitos deles com o sonho de tocar determinados instrumentos, o que mostra que são vocacionados”, conta o maestro Arnaldo.

Dentre os instrumentos preferidos entre os jovens estão o saxofone, trompete, flauta e clarinete. Assim que chegam, verificamos a intimidade com o instrumento e oferecemos algumas opções, a depender do que cada um pretende seguir no futuro. Como exemplo, o clarinete e o bombardino são dispositivos que requerem leitura mais apurada, notadamente nas filarmônicas.

Outro desafio lançado pelo presidente José Vanderley ao maestro Arnaldo Dias foi reorganizar a Filarmônica Euterpe Itabunense, trabalho que vem sendo feito com treinamento dos músicos. Na opinião do maestro, os músicos disponíveis na instituição são excelentes para uma orquestra de câmara, mas ainda não possuem treinamento em filarmônica.

A grande diferença é que na orquestra de câmara os músicos tocam seus instrumentos sentados ou em pé, mas parados, enquanto na filarmônica eles precisam se movimentar, tocar andando. Outras diferenças são a quantidade de músicos, menores na orquestra de câmara e maiores na filarmônica; bem como o repertório, peças para grupos menores na câmara, enquanto grandes sinfonias na filarmônica.

E o maestro Arnaldo Dias fala com entusiasmo do trabalho de reestruturação que vem sendo realizado na Filarmônica Euterpe Itabunense, cujo público se encanta durante as apresentações, desde as crianças até os mais idosos. Mais importante, ainda, segundo ele, será a transformação dos jovens em músicos com capacidade em tocar não apenas de ouvido, como se diz, mas de ler e interpretar partituras de autores diversos e renomados por séculos.

O presidente José Vanderley ressalta o esforço hercúleo que a Sociedade Montepio dos Artistas de Itabuna vem empreendendo para transformar, com parcos recursos, a realidade da juventude itabunense. “Ele chegam aqui entusiasmados com o que pode acontecer em suas vidas, e com certeza ganharão uma profissão e realizarão seus sonhos como artista”, resume o presidente da Assembleia Geral do Montepio.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Entrega da Comenda 2 de Julho ao médico e ex-deputado Renato Costa, hoje (13), na Alba || Imagem TV Alba
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Pela sua postura democrática, Renato Costa defendeu com maestria um conjunto de ideias, debatendo com grupos adversários, de forma veemente, porém reverente e altiva.

 

 

 

 

Walmir Rosário

O respeito ao contraditório é uma das virtudes que marcou a trajetória do Renato Costa dentro e fora da política. Como médico é visto como humanista nos 58 anos de carreira profissional. Essa compostura fez de Renato Costa um amigo leal dos que tiveram a oportunidade de conhecerem e conviverem com ele em todos os setores da sociedade.

Essas características foram determinantes para conferir a Renato Borges da Costa, ex-parlamentar, a Comenda 2 de Julho, mais alta honraria conferida pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) às pessoa dedicadas às grandes causas. A indicação foi do deputado estadual itabunense Pancadinha (SD), por meio da Resolução 2.263/2025, e a solenidade de entrega foi realizada nesta sexta-feira (13), em sessão especial no Plenário Orlando Spínola.

Para Renato Costa, o homem é sua circunstância e a dele é retornar à esta Casa Legislativa onde esteve por 8 anos, tempo de boa convivência. Para ele, a Comenda é motivo de honra e responsabilidade, por ser símbolo carregado de história, pois representa a confirmação de independência gestada de forma coletiva, o que orgulha o povo baiano.

E de início o deputado Pancadinha traçou um breve perfil do homenageado, classificando-o como “um homem ínclito, parlamentar competente e atento, em resumo um cidadão digno dos maiores elogios pela sua vida pública e privada”. Em seus mandatos como deputado estadual (1995 a 2003), Renato Costa concentrou sua atuação nas áreas da saúde, educação e segurança pública, e às necessidades do Sul da Bahia, com ênfase em Itabuna e Ilhéus.

Na medicina, seu sacerdócio, o doutor Renato Costa sempre foi fiel ao preceito de que o médico deve agir de tal modo que a sua ação possa se tornar uma lei universal, com a integridade moral sendo a base prática da medicina – como reza o juramento de Hipócrates – exercendo a medicina com dignidade e consciência, colocando a saúde e o bem-estar das pessoas acima de qualquer outro interesse.

Outro grande destaque do deputado estadual Renato Costa foi a incessante defesa do interesse da sociedade baiana, especialmente do Sul da Bahia, notadamente Itabuna, Ilhéus e região. Participou e presidiu importantes comissões parlamentares, como a de Proteção ao Meio Ambiente; a CPI para Apurar Adoções de Crianças por Estrangeiros na Bahia; Saúde e Saneamento; a Especial do Cacau; a CPI para Apuração de Ilicitudes na Manipulação dos Recursos SUS (2000-2002), Agricultura e Política Rural, dentre outras.

A militância política de Renato Costa é oriunda do período estudantil, na qual travou lutas pela liberdade de opinião presente em qualquer democracia e contra a opressão na ditadura militar. E esse contato próximo com a sociedade o preparou para o exercício da medicina, sem distinção, trazendo essas convicções para a política.

E a partir de 1989, Renato Costa passou a atuar diretamente no campo político ao ser eleito vice-prefeito de Itabuna (1989-1992); deputado estadual pelo Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB (1995-1999); reeleito pelo Partido Socialista Brasileiro – PSB, 1999-2003. Na Assembleia legislativa exerceu diversos cargos, a exemplo de Líder da Minoria, vice-líder do PMDB; vice-líder da Minoria; Vice-líder do PSB; líder do Bloco PSDB/PSB; líder do PSB; e vice-líder do Bloco Parlamentar, dentre outros.

Pela sua postura democrática, Renato Costa defendeu com maestria um conjunto de ideias, debatendo com grupos adversários, de forma veemente, porém reverente e altiva. E esse respeito à diversidade política conferiu ao parlamentar a deferência dos colegas de atuação em campos opostos, pela tolerância, o diálogo permanente e a pronta solução de conflitos.

Como fez questão de ressaltar o deputado Pancadinha, em 2001, Renato Costa recebeu o Prêmio Destaque Parlamentar, concedido pelo Comitê de Imprensa da Assembleia Legislativa da Bahia. Dentre os atributos, sua atuação, pois além de excelente orador – constante na tribuna – também trabalhou com afinco nas comissões técnicas.

Na Santa Casa de Itabuna, Renato Costa sempre se destacou como líder e participou ativamente da criação do primeiro serviço de Nefrologia e Hemodiálise do interior da Bahia, depois transformado no Centro de Estudos Professor Edgard Santos, em 1974, hoje uma Fundação. Foi, ainda, fundador da Unimed e do Sicred de Itabuna e realizou a primeira sessão de hemodiálise do interior da Bahia.

O Governo da Bahia, inclusive, reconheceu a sua dedicação e trabalho pioneiro em prol da nefrologia e dos pacientes renais crônicos conferindo o nome de Dr. Renato Costa ao novo Centro de Hemodiálise de Itabuna, com 54 leitos para pacientes renais crônicos. Hoje, prestes a completar 85 anos, acompanha, religiosamente os pacientes.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

Praia dos Milionários, point dos itabunenses || Foto José Nazal
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Essa é a verdadeira história da Praia dos Milionários, desbravada por itabunenses e que se transformou na grande e festejada praia das grandes cabanas da zona sul de Ilhéus. Hoje os responsáveis por essa criação são respeitáveis senhores que, aos sábados, ainda sentam praça no Beco do Fuxico, especialmente na Fuxicaria.

 

Walmir Rosário

No final da década de 1960 e início de 1970 o point ilheense era o distrito de Olivença. Distante 18 quilômetros da sede, era frequentada por poucos ilheenses e ainda menos itabunenses. Estrada de chão, muita poeira, areia e as chamadas costelas de vaca tornavam a viagem uma aventura. O local de área veraneio, férias ou outros desafios. Destino de alguns abastados.

Alguns itabunenses também possuíam casas, sítios ou fazendas na antiga estrada Pontal-Olivença, entre eles a família Messias. Num desses domingos, Berger Brasil, da Loja Consul, que atendia a Classe A de Itabuna, se dirigiu para encontrar o amigo José Badaró e encontra outro chegado, Antônio Brito, que o convida para passar o dia com eles.

Após as desculpas de praxe, Brasil explica que tem compromisso firmado em Olivença, onde iria jogar um baba, e, para tanto, carregava uma bola e um isopor cheio de cervejas em lata. Diante da extensão do convite para o próximo domingo, prometeu que apareceria com os colegas para o prometido baba. E chegou com uma boa turma, boa de bola e de cerveja.

De maneira informal, começaria ali a primeira partida do futuro Baba dos Milionários, que fez história e batizaria uma das mais importantes praias da zona sul de Ilhéus. No domingo seguinte – o terceiro –, apareceram também alguns ilheenses, a exemplo de Ninho (Marcos Vieira). A ideia era manter os jogos entre os itabunenses e os ilheenses.

E tudo combinava favoravelmente entre eles, pois na semana posterior apareceu um senhor de nome Sidrak, com uma galinhota (carrinho de mão) carregada de cerveja gelada. A turma jogou o baba, bebeu a cerveja que levaram e ainda acabou todo o estoque do Sidrak. Naquele dia ficou mais que provado que o baba teria vida longa e os jogos seriam entre as seleções de Itabuna e Ilhéus.

Iram Marques, Cacifão

Na segunda-feira, Renato Cunha e Ninho resolvem comprar os uniformes das duas seleções. Nisso Berger Brasil encarrega Iram Marques (Cacifão) de comprar as camisas para a Seleção de Itabuna. E por ironia do destino, ele encontra as camisas nas cores amarela e preta, no padrão da bandeira itabunense. Agora seria apenas imprimir o nome.

De repente, Renato Cunha e Ninho resolvem mudar o nome dos times, para evitar o acirramento da rivalidade existente entre as duas cidades no futebol amador. A ideia era nomear a tal Seleção de Itabuna com um nome tupi-guarani. Ao dar a contra ordem a Cacifão, Brasil ouve o que não queria:

– Agora é tarde, Brasil, as camisas já estão impressas. E o nome é Os Milionários –, informou Cacifão.

E para justificar, Iram Marques, do alto de sua sabedoria e criatividade, convenceu os amigos com a narrativa de que o nome criado por ele era perfeito, pois só participava do baba quem tinha dinheiro, possuía carro, argumentando que nem todos poderiam ir, já que sequer existiria linha de ônibus. E assim Os Milionários foi o nome aprovado.

E o baba se tornou sucesso em Itabuna e Ilhéus, tanto que Os Milionários também passou a dar nome à conhecida a praia onde as partidas eram jogadas. A cada domingo chegavam novos pretendentes, muitos desconhecidos, o que levou Cacifão a adotar nova estratégia para manter o grupo pioneiro unido.

O controverso Iram Marques (Cacifão), que à época não possuía carro, saía de Itabuna para Ilhéus no ônibus das 5 da manhã e conseguia chegar de táxi primeiro que todos. Munido de uma prancheta e papel pautado, escalava os times a seu bel prazer, além de ditar todas as regras no sentido de afastar os menos favorecidos, financeiramente.

E Cacifão passou a instituir taxas para a lavagem do material esportivo (30,00, em moeda da época), além da quantidade de cervejas e tira-gostos que cada um deveria levar. Mesmo que o pretendente fosse bom de bola, era vetado, não importando os pedidos. Com isso, os incidentes entre a rivalidade entre as duas cidades também permaneceram zerados.

E o baba dos Milionários, como passou a ser chamado, ganhou a atenção dos boleiros e da mídia. Um dos primeiros jogadores profissionais a jogar no baba foi Jorge Campos, atacante do Bahia, levado pelo seu irmão César Campos. Em outra feita apareceram o jogador do Flamengo e Seleção Brasileira, Júnior (Capacete) e o técnico Cláudio Coutinho.

Dentre os frequentadores pioneiros do baba dos Milionários: Berger Brasil, Renato Cunha, Antônio Brito, Eduardo Brito, Iram Marques (Cacifão), José Verdinho, João Carlos Fontes, César Campos, Antônio Wense com os filhos Ronie e Marcos, Edulindo, Erick Etinger, Tonho Bicudo, Tonhão, Ninho, Geraldo Sessa, George Cordeiro, Alcides Paulino, Chico Orelinha, Dr. Alair, os 4 irmãos Andrade e Haroldo Messias, dentre outros.

Essa é a verdadeira história da Praia dos Milionários, desbravada por itabunenses e que se transformou na grande e festejada praia das grandes cabanas da zona sul de Ilhéus. Hoje os responsáveis por essa criação são respeitáveis senhores que, aos sábados, ainda sentam praça no Beco do Fuxico, especialmente na Fuxicaria. Outros já não habitam mais entre nós, a exemplo de Cacifão, o homem das ingrisilhas, que deixou suas histórias a serem contadas.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Juliana Soledade é advogada, escritora, empresária e teóloga || Foto Divulgação
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Celebrar as mulheres é garantir que nenhuma seja reduzida a um único papel para ter seu valor reconhecido. É sustentar, com firmeza e lucidez, que a grandeza feminina não cabe em rótulos, e muito menos em ataques gratuitos.

 

Juliana Soledade

Março é o Mês da Mulher, tempo de reconhecer conquistas, honrar resistências e afirmar que somos inteiras em qualquer configuração de vida. Com filhos ou sem eles. Mães ou não. Plenas não por imposição, mas por existência.

No entanto, em plena edição do Big Brother Brasil 26, uma fala da atriz Solange Couto reacendeu uma ferida antiga. Ao declarar: “Quando Deus não deu filhos a ela, é porque sabe que ela não teria capacidade de amar alguém”, direcionando o comentário a Ana Paula, a atriz não atingiu apenas uma participante. Atingiu uma multidão silenciosa de mulheres que já ouviram, explícita ou sutilmente, que lhes falta algo.

A frase carrega um peso histórico. Ecoa o machismo internalizado que insiste em medir o valor feminino pela maternidade. Como se o amor tivesse endereço fixo no útero. Como se a capacidade de cuidar estivesse condicionada à biologia. Como se ser mulher fosse sinônimo de gerar.

Isso machuca porque simplifica dores complexas. Há mulheres que não quiseram filhos. Há as que quiseram e não puderam. Há as que tentaram e enfrentaram perdas. Há as que escolheram outros caminhos. Nenhuma dessas trajetórias autoriza julgamento. Amor não é patente de maternidade. Amor é prática, é escolha, é construção cotidiana.

Há mães extraordinárias. Há mães que falham. Há mulheres sem filhos que sustentam redes inteiras de afeto, que são referência, abrigo, orientação. Madrastas que aprendem o amor como decisão consciente. Amigas que se tornam família. Ativistas que dedicam a vida à proteção de crianças que não geraram, mas defendem com coragem.

Nesse mesmo confinamento, outras declarações ampliaram a indignação. A frase “Eu nasci do prazer, não nasci de estupro”, seguida de insinuações sobre “trepada mal dada”, banaliza uma violência que marca a história de inúmeras mulheres. A comparação com “travesti velho” reforça estigmas que a sociedade há décadas tenta desconstruir. Palavras não são neutras. Elas moldam ambientes, legitimam exclusões, perpetuam dores.

É impossível não notar o contraste: fora da casa, sua própria filha atua como ativista na defesa de direitos humanos, pautas raciais e na proteção de crianças e adolescentes. Uma trajetória que aponta para o conhecimento como ferramenta de libertação. Esse contraste revela que informação transforma, enquanto a repetição de preconceitos aprisiona.

O silêncio dos demais participantes também chama atenção. Nenhuma contestação imediata. Nenhum freio ético. O confinamento intensifica emoções, é verdade. O reality show expõe virtudes e fragilidades. O Big Brother Brasil 26, como qualquer vitrine social, amplia o que já existe. Alguns crescem sob pressão. Outros deixam escapar discursos que talvez sempre estiveram ali, apenas contidos.

Mas é preciso dizer com clareza: amor e maternidade não são sinônimos. Ser mãe não é troféu de humanidade. É uma possibilidade, não um critério moral. O amor existe em todas nós, independentemente da experiência da gestação.

No Mês da Mulher, repudiar esse tipo de discurso não é promover cancelamento. É afirmar dignidade. É proteger mulheres de narrativas que as diminuem. É lembrar que somos múltiplas, complexas, capazes de amar em incontáveis formas.

Celebrar as mulheres é garantir que nenhuma seja reduzida a um único papel para ter seu valor reconhecido. É sustentar, com firmeza e lucidez, que a grandeza feminina não cabe em rótulos, e muito menos em ataques gratuitos.

Juliana Soledade é advogada, escritora, empresária e teóloga, pós-graduada em Direito Processual Civil e Direito do Trabalho, além de autora dos livros Despedidas de MimDiário das Mil Faces e 40 surtos na quarentena: para quem nunca viveu uma pandemia, terapeuta e curandeira ayahuasqueira.

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Este é, sem dúvida, o maior Carnaval do Brasil e do mundo. Mas é também um Carnaval que valoriza a cultura baiana em todas as suas matrizes, fortalece blocos afros, manifestações populares e cuida do nosso patrimônio histórico.

 

Jerônimo Rodrigues

O Carnaval da Bahia de 2026 entrou para a história como o maior, mais seguro, mais organizado e mais prestigiado do Brasil. Um símbolo claro disso foi a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pela primeira vez em nossa festa. Um gesto que traduz reconhecimento, respeito e prestígio nacional à maior festa popular do planeta.

Esse prestígio também se refletiu no recorde de turistas e de personalidades da cultura, da mídia e das artes que escolheram a Bahia para celebrar. Salvador, Porto Seguro, Barreiras e muitas outras cidades receberam visitantes que sabem que aqui a festa é bonita, vibrante e, acima de tudo, segura.

Nada disso acontece por acaso. O Carnaval é resultado de uma gestão que planeja, integra e organiza. O Governo do Estado atuou de forma coordenada com as prefeituras e com todos que fazem o Carnaval acontecer: artistas, trios, cordeiros, ambulantes, catadores, servidores públicos e a imprensa. Uma engrenagem complexa, mas que funcionou com eficiência.

Durante apenas uma semana, cerca de 14 milhões de pessoas ocuparam ruas e circuitos da capital e do interior. É como se toda a população da Bahia tivesse ido para a festa ao mesmo tempo, movimentando cidades, serviços, cultura e a economia local.

Somente de turistas, recebemos quase 4 milhões de visitantes de todo o Brasil e de países como Argentina, Portugal, Espanha, Alemanha, França e Estados Unidos. A internacionalização do Carnaval e a ampliação da nossa infraestrutura aérea colocam a Bahia definitivamente no mapa global dos grandes eventos.

A nova Rodoviária de Salvador mostrou que foi um investimento acertado. Mais de 170 mil pessoas circularam pelo terminal durante o período, garantindo conforto, fluidez e segurança para quem chegou ou saiu do estado por via terrestre.

Este é, sem dúvida, o maior Carnaval do Brasil e do mundo. Mas é também um Carnaval que valoriza a cultura baiana em todas as suas matrizes, fortalece blocos afros, manifestações populares e cuida do nosso patrimônio histórico, como o Pelourinho e o tradicional Ouro Negro.

A segurança foi um dos grandes destaques. Pelo terceiro ano consecutivo, não houve registro de homicídios nos circuitos. Houve redução significativa de crimes violentos, furtos, roubos e também de crimes como racismo e violência contra a mulher. Investimentos em pessoal, viaturas, tecnologia e inteligência fizeram a diferença, com apoio do Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública, no âmbito do Bahia Pela Paz.

Na saúde, ninguém ficou sem atendimento. O estado garantiu assistência no SAMU, na UTI aérea, nos postos de testagem, hospitais e policlínicas. A estrutura funcionou para atender desde casos simples até situações mais complexas, com rapidez e cuidado.

O Governo também cuidou de quem trabalha no Carnaval. Motoristas de trio tiveram, pela primeira vez, espaços para descanso. Ambulantes, cordeiros e catadores receberam apoio das secretarias sociais. Foram coletadas cerca de 158 toneladas de latinhas para reciclagem, gerando renda e protegendo o meio ambiente. Mulheres, população negra, indígena e pessoas com deficiência tiveram atenção especial, garantindo um Carnaval inclusivo, respeitoso e verdadeiramente de todos.

Jerônimo Rodrigues é professor e governador da Bahia.

Igreja de São Jorge teve placa histórica furtada || Fotos Portal Católico e José Nazal
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A falta ou desvirtuamento da família dá a sensação de que tudo é permitido, o que é corroborado pela falta da chamada punição dos homens.

 

Walmir Rosário

 

 

 

Recentemente recebi um zap do meu amigo José Nazal narrando o furto de uma placa da Igreja de São Jorge, em Ilhéus, paróquia que está entre as mais antigas do Brasil. Só para nos situarmos na história, ela foi criada pelo primeiro bispo do Brasil, Dom Pero Fernandes Sardinha, aquele que foi comido pelos índios em Alagoas, após o naufrágio do navio que o levava de volta a Portugal.

E conta Nazal que, quando a paróquia chegou ao seu quarto centenário, em 1956, o então bispo diocesano, Dom João Resende Costa, promoveu a realização de um Congresso Mariano para a comemoração. Para marcar a data, assentou uma placa comemorativa na parede frontal da Igreja, em 07 de outubro d 1956, até então Sé Diocesana de Ilhéus.

Pois bem, não é que às 22h05min de 07 de fevereiro último, a câmera do escritório de Geraldo Carvalho registra o furto da placa por uma pessoa de aparência drogada. Ao que tudo indica, buscava algo de valor para continuar na sua vida desregrada. “Um pobre em Cristo desajustado com a humanidade”, assim citou José Nazal, que fotografou a Igreja e a placa por diversas vezes.

Nesse mesmo período, recebi um vídeo do pároco da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, em Coaraci, também aqui no sul da Bahia, no qual o Padre lamentava a falsificação de bilhetes do caruru da Festa da Padroeira. Mais de 150 bilhetes foram vendidos pelos falsificadores – sem a menor cerimônia – na comunidade católica.

Visivelmente acabrunhado pela ação dos falsificadores, o padre mandou um recado para eles – os falsificadores – comentando os castigos divinos em que poderiam ser penalizados, além dos impostos pelos homens. “Quero dizer que as pessoas que tiveram a coragem de fazer isso esperem a torradeira do inferno, para que um dia sejam queimadas, por cometerem um crime inconcebível”, desabafou.

Como se esses crimes cometidos contra o respeito com a Igreja fossem poucos, em cerca de três meses a Igreja de São Judas Tadeu, em Itabuna, sofreu a ação do amigo do alheio. Mesmo equipada com câmeras de vigilância, os larápios retiraram fios da rede elétrica. Um desses furtos foi feito assim que o eletricista recuperou a rede elétrica da igreja, e sem a menor preocupação.

A cada instante somos surpreendidos por atos e fatos que nos deixam assombrados com a banalização dos costumes e até mesmo da própria vida, desvalorizada ao extremo. Os valores religiosos e morais são alvo de zombarias e vandalismo a todo o momento, como se tivéssemos sofrido um apagão em nossa memória.

Fomos acostumados a crer e respeitar a família, nossos semelhantes, e o que é considerado sagrado. Todas as divergências entre religiões eram toleradas, embora cada grupo defendesse sua crença internamente, considerando a vida em sociedade. Claro que cito exemplos de modo geral, embora as diferenças de alguns tenham chegado ao extremo, por vezes.

Cada grupo obedecia aos seus princípios, suas regras, sua ética ou convicções morais criadas ou impostas pelas autoridades dominantes. No tocante às religiões, as igrejas ou locais de reuniões sempre foram respeitados, intocáveis, mesmo por aqueles tidos como foras da lei, embora tementes a um Ser superior: Deus e os santos católicos.

Exemplos mais práticos como o que citei acima podem ser verificados nos casos de grupos armados, como os cangaceiros do Nordeste brasileiro, notadamente o liderado por Virgulino Ferreira, o Lampião. Seus atos de violência física ou os saques praticados em cada cidade se restringiam às residências e as igrejas eram preservadas por temor a Deus.

Com o tempo, esse costume vem mudando – cada vez mais rápido. No meu entender, é o embrutecimento da sociedade, provocado pela perda da sensibilidade espiritual, na mesma velocidade em que são desfeitas as famílias. Hoje o homem faz pouco caso da justiça divina, com ações egoístas, ausência do respeito ao próximo, arrogância e a falta de Deus no coração.

Esses atos de vandalismo – crimes, mesmo – são praticados sem a menor cerimônia, pois nem sempre existe o cumprimento da pena ao violador do patrimônio alheio. Na minha visão, a banalização do crime pelo Estado incentiva, ainda mais, o retorno do criminoso a agir criminosamente com mais tranquilidade, por ser considerado de menor potencial ofensivo.

Se por um lado não existe o temor do Estado contra seus atos aqui na terra, menos, ainda, o temor do juízo divino, sobretudo pelo distanciamento de Deus, levando-o ao pecado desenfreado. A falta ou desvirtuamento da família dá a sensação de que tudo é permitido, o que é corroborado pela falta da chamada punição dos homens.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Os papa-jacas de Cruz das Almas no terceiro encontro no município || Foto PMCA
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Bem que o poder público municipal e as instituições que representam o empreendedorismo de Itabuna poderiam considerar a importância da jaca na história da cidade e decidam promover evento de tal porte por essas bandas.

Walmir Rosário

Psicologicamente estou arrasado, abalado ou tantos sinônimos existam para classificar meu estado depressivo. E tudo começou na manhã desta segunda-feira (9), durante o café-da manhã, quando, inadvertidamente, passei a olhar o noticiário no celular. Senti uma punhalada, peixeirada, um golpe profundo no peito. Minhas vistas escureceram, fiquei sem ação por vários minutos.

Foi preciso ser chamado à atenção por minha mulher para saber o que se passava. Ainda sem me recuperar do tremendo golpe, apontei o celular pra ela e disse: “Leia, veja as fotos”. Parecia o fim do mundo. Logo no título estava estampado: ECOJACA 2026 É SUCESSO E ATRAI VISITANTES DE VÁRIAS CIDADES. A foto estampava mesas cercadas por multidões comendo jacas em fartura. Só que não em Itabuna e sim em Cruz das Almas, no dia anterior.

Há quase dois anos que me preparo para um evento deste tipo em Itabuna, cidade tida e havida como a Capital da Jaca, inclusive com direito a menções e referências nos livros do conterrâneo Jorge Amado. Mas a questão não parava por aí, e a rivalidade entre as cidades de Itabuna e Ilhéus dão prova real desta hostilidade, em que se intitulam Papa-jacas e Papa-caranguejos, respectivamente.

De minha parte contribuí para manter a tradição e até escrevinhei uma crônica (“Guerra e Paz entre papa-jacas e papa-caranguejos”), numa referência ao tema, sempre em voga entre itabunenses e ilheenses, uma tradição de mais de século. O que antes parecia uma pretensa ofensa moral se transformou em gentílico. Tempos de paz!

Afonso Dantas criou camisas para os papa-jacas de Itabuna

O publicitário itabunense Afonso Dantas foi bastante perspicaz ao criar camisas com os temas papa-jaca e papa-caranguejo, que passei a usá-las com todo o garbo, aguardando apenas e tão somente uma oportunidade deste tipo da realizada em Cruz das Almas para exibi-las solenemente. Enquanto o evento não era programado eu apenas desfilava.

Lembro, ainda, de Pinguim e Bel, lá pras bandas do Bar de Leto, no bairro da Conceição; eu e Cláudio da Luz no Beco do Fuxico fazendo as honras da casa. Em vão. Além de exibir as camisas, por aqui me contento com as jacas moles e duras compradas nas feiras-livres, às quais me dou ao luxo de degustá-las solenemente a partir do café-da-manhã.

Admito que não esteja a chorar o leite derramado, mas me sinto acabrunhado enquanto via as fotos e lia o texto oficial ressaltando com louvor o sucesso do evento, haja vista o grande número de cruz-almenses e visitantes. Eles degustavam com a satisfação estampada nos olhos, aliada à gulodice das desejadas jacas, desde o seu estado in natura até nas receitas culinárias.

Mesas lotadas de pratos com tira-gostos dos mais diversos, doces e salgados, todos elaborados a partir da jaca. Bala, cocada, pudim, brigadeiro, trufa, sorvete, suco, pastel, coxinha, quibe, passando pelos pratos salgados e de sustança para qualquer cidadão. Pense aí no vatapá, feijoada, moqueca de camarão, todos esses pratos tendo a jaca como elemento principal, estrela.

Pelo que li, uma competição chamou a atenção de muitos participantes, que comiam jacas com bastante gulodice – como requeria a ocasião e o estômago de cada um deles – para vencer a gostosa peleja. Ainda fui informado que somente um filho de Deus comeu mais de dois quilos de jaca – sem os caroços, é claro – e ainda foi beliscar nas mesas de culinária.

Confesso minha falta de conhecimento em relação a Cruz das Almas e ao povo cruz-almense sobre esse gosto especial por jaca, mas tenho cá minhas intuições. Acredito que a popularização da jaca nesta cidade do Recôncavo tenha sido obra dos estudantes de agronomia de Itabuna e cidades circunvizinhas nos anos em que por lá permaneceram, o que se justifica.

Entretanto, não consigo compreender como o itabunense consegue perder a primazia de se consolidar como um autêntico papa-jaca, fruta abundante em nossa Mata Atlântica, embora seja uma árvore alienígena, forasteira adaptada e aclimatada entre nós. Originária da Índia, a jaqueira – Artocarpus heterophyllus – é rica em fibras, vitaminas e minerais, e versátil na culinária.

Bem que o poder público municipal e as instituições que representam o empreendedorismo de Itabuna poderiam considerar a importância da jaca na história da cidade e decidam promover evento de tal porte por essas bandas. Nada melhor para consolidar o itabunense como um autêntico Papa-jaca – de fato e de direito – e permitir a oportunidade de trajarmos nossas camisas em tão solene efeméride, recuperando nossa autoestima.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Newton Dias, presidente do Reduto do Samba: paixão pelo Carnaval
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O Reduto do Samba tem como presidente Newton Ferreira Dias, desde sua fundação, e que se dedica quase que integralmente à gestão da agremiação, cuja diretoria e componentes empreendem todos os esforços para brilhar em todos os carnavais.

 

Walmir Rosário

O Reduto do Samba, de Salvador, pretende se tornar o maior bloco carnavalesco do mundo e não mede distância para que esse acontecimento seja o mais breve possível. Neste Carnaval de 2026 desfilará no circuito Campo Grande (Osmar) e traz Filipe Escandurras como principal atração, empurrando seus mais de quatro mil componentes.

A venda das fantasias anima a diretoria da agremiação e elas podem ser encontradas na sede do Bloco, plataformas digitais e Balcão Samba Vivo. Fundado em 13 de junho de 2003, a cada ano o Reduto do Samba promove uma festa à parte no Carnaval de Salvador, graças ao empenho de sua diretoria e componentes.

O Reduto do Samba tem como presidente Newton Ferreira Dias, desde sua fundação, e que se dedica quase que integralmente à gestão da agremiação, cuja diretoria e componentes empreendem todos os esforços para brilhar em todos os carnavais. E o presidente revela que o bloco é a paixão de todos os participantes, que se esmeram a cada desfile, após muitos ensaios.

E não é pra menos. Sem falsa modéstia, o Reduto do Samba construiu sua história em anos sucessivos ao levar para o Carnaval de Salvador as grandes atrações nacionais do samba. E não economizou: por eles desfilaram Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Fundo de Quintal, Xande de Pilares, Psirico, dentre outros. E esse trabalho é responsável por colecionar troféus.

Todo esse entusiasmo é liderado por Newton Dias, que tem o samba como o oxigênio de sua vida, paixão da infância, de quando via e participava dos ensaios da Escola de Samba Filhos do Tororó, pertinho de sua casa. E esse amor cresceu exponencialmente em seu coração com a convivência de Ederaldo Gentil, Nelson Rufino, Salvador Oliveira, Bira Gentil, Paulinho do Reco e outros grandes mestres do samba.

E como na Bahia o samba convive de pertinho com outras manifestações culturais, no sangue de Newton Dias também estão entranhados o futebol, a capoeira, os movimentos afros, todos de passadas largas em terras baianas. E o menino rapaz do Tororó não desgrudou dos seus costumes desde que deixou Salvador para enfrentar a vida acadêmica e os afazeres profissionais.

Cursou engenharia agronômica em Cruz das Almas sem desgrudar da cultura ao mesmo tempo em que aprendeu a ciência, descobriu a botânica, da semeadura a cuidar das plantas, calculando a adubação para produzir mais, corrigindo as deformidades, curando as doenças, produzindo. Com diploma e anel no dedo, afastou-se de Salvador, do Recôncavo, para o Sul da Bahia.

Na Ceplac foi labutar com a cacauicultura, enfrentando os morros e a Mata Atlântica, num esforço fenomenal integrado para alcançar altos índices de produção do cacau. Alcançou postos de direção, como a chefia da importante Divisão de Itabuna, atuando como líder, influenciando comportamentos, inspirando colegas e produtores a aplicarem a técnica de forma correta, sem estresse.

De volta a Salvador assume novos empreendimentos em grandes empresas, sendo o mesmo Newton Dias de Salvador, o menino do Tororó, o acadêmico de da Faculdade de Cruz das Almas, o engenheiro agrônomo da Ceplac. Recusou o ócio da aposentadoria e foi cuidar daquela paixão desde menino, o samba. E fez da melhor forma. Como diz o ditado: quem é bom já nasce feito.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

O economista e professor Alessandro Fernandes, reitor da Uesc || Foto Uesc
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Quem sabe, todo esse acervo de comunicação poderá ser reunido num grande projeto disponibilizado à sociedade após a digitalização, tratamento gráfico com o que existe de mais moderno na informática.

 

 

Walmir Rosário

Agora em Itabuna, estou mais perto da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), respirando os ares da sabedoria emanados daquele centro de conhecimento, que vem acumulando troféus e títulos de excelência. Felizmente a Uesc tomou um caminho bem diferente de outras instituições de ensino superior, que descem ladeira abaixo neste Brasil contemporâneo.

De pronto, dou pleno conhecimento público que não estou alisando os bancos de nenhum curso superior, o que me faria bem, mas tão somente bisbilhotando o Centro de Documentação (Cedoc). Quase todos os dias, munido de máscara contra a poeira e ácaros, e luvas para me livrar das velhas tintas gráficas, estou espreitando, conferindo as páginas dos jornais antigos de Ilhéus e Itabuna.

São edições incompletas em determinados anos, mas permite pesquisar o que acontecia em épocas passadas. As minhas visitas seriam apenas (não são mais) para rever as glórias do futebol de Itabuna, por meio dos seus times e da eterna vencedora Seleção de Itabuna, assuntos para futuros livros, com a missão de informar aos que não tiveram a felicidade de viver àquela época.

Com a mão nas páginas, relembro fatos tantos vividos pela sociedade pretérita em Itabuna, Ilhéus e região sobre a economia, as agruras sofridas pela cacauicultura, bem como os bons tempos em que a tonelada de cacau era vendida nas bolsas de Nova Iorque e Londres a preços compensadores, coisa de US$ 4,5 mil até US$ 5 mil, tudo contado em dólares.

A sociedade mantinha um padrão de vida bem confortável e Itabuna se dava ao luxo de tocar os discos em LPs e compactos (poucos sabem o que é isso) em lançamentos simultâneos com o Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Mas como nem tudo são flores, os protestos e reclamações apareciam estampados nas páginas de nossos jornais sem a menor cerimônia.

O que acontecia na política ganhava destaque, inclusive os aumentos de impostos que pesavam sobre o cacau, figurinha carimbada nos tempos ruins, a salvação da lavoura do governo do estado para pagar os gastos feitos em outras regiões. A conta não era nossa, mas o governador jurava que deveria ser paga por todos. E como o cacau faturava, sentava-se à cabeceira da mesa.

E a Uesc vem assumindo uma responsabilidade com a sociedade sul-baiana ao guardar, manter intacto, catalogar e disponibilizar toda a produção dos meios de comunicação de épocas passadas, mantendo viva a história do povo grapiúna. Além de jornais, a Uesc também registra em seu acervo a história do Poder Judiciário em Ilhéus e milhares de documentos históricos importantes. Se tornou a guardiã da nossa história.

No Centro de Documentação estão disponíveis, por exemplo, os jornais Diário da Tarde, de Ilhéus; o Tabu, de Canavieiras; o Diário de Itabuna e o Agora, de Itabuna, este através de um esforço recíproco da sociedade. E o Reitor Alessandro Fernandes de Santana acolheu o pleito, sensível que é aos reclames da sociedade, sobretudo do que diz respeito às questões sociais, sobretudo à educação.

Sei que a Uesc muito ainda tem que caminhar, mas os louros obtidos nesse trajeto são sinal bastante positivo, o que nos leva a crer e vislumbrar uma universidade “coladinha” com a sociedade. A Uesc pode e deve ser o carro-chefe do pensamento regional, com poderes para influir na renovação da tecnologia e nas mudanças que levem ao desenvolvimento.

O Magnífico Reitor Alessandro Fernandes tem ao seu lado cabeças pensantes capazes de elaborar e tocar projetos em todas as áreas do conhecimento, notadamente na comunicação. Se a Uesc tem gente à disposição, também possui prédios herdados do Instituto de Cacau da Bahia (ICB) que podem abrigar esses novos serviços à sociedade.

Quem sabe, todo esse acervo de comunicação poderá ser reunido num grande projeto disponibilizado à sociedade após a digitalização, tratamento gráfico com o que existe de mais moderno na informática. De casa, do escritório, aqui no Sul da Bahia, Estados Unidos ou Japão estará disponível em apenas alguns cliques. Afinal, uma universidade é um centro de sabedoria com a missão de tornar as pessoas mais inteligentes. E a hora é agora.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

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Defender jornalistas é defender o direito de todos à verdade. Em um país marcado por desigualdades, corrupção e desinformação, silenciar a imprensa é um retrocesso que o Brasil não pode aceitar.

Fábio Costa Pinto

Em 13 de janeiro de 2025, em Lauro de Freitas, Bahia, um incidente me levou a retomar meus artigos e a denunciar o que venho enfrentando há anos: a perseguição e a estupidez coletiva, sem falar na inveja e no medo do que eu poderia revelar.

Bem, a atitude dessa perseguição e a estupidez coletiva, encontrei explicação nas reflexões de dois grandes intelectuais. Primeiro, o historiador italiano Carlo Cipolla, para quem “os estúpidos são mais perigosos que os bandidos e os malvados”, porque causam perdas a outros sem obter qualquer ganho para si mesmos. Em seguida, a reflexão do filósofo Dietrich Bonhoeffer, membro da resistência alemã antinazista, que na prisão tentou entender como um povo tão culto pôde apoiar Hitler. Ele concluiu que a Alemanha foi vítima de uma “estupidez coletiva”, que não é um defeito psicológico, mas um fenômeno sociológico e contagioso.

Há quatro anos, venho denunciando e cobrando das autoridades policiais e jurídicas a apuração e punição de crimes contra jornalistas, radialistas e profissionais da imprensa, além de povos originários, quilombolas, negros, mulheres, crianças e idosos, ou seria perseguição política? O que eu tenho vivenciado, imagino, é uma reação direta a essa atuação. Venho sendo seguido na rua, em mercados, farmácias, bancos e nas redes sociais, numa tentativa de prejudicar meu trabalho digno e ético. “Que mal faz uma pessoa de bem?”, pergunto, diante de tanta perversidade.

Minha atuação é uma resposta a esse cenário. Não sou apenas um jornalista, sou um ativista. Membro do Conselho Deliberativo da ABI e de comissões de direitos humanos e liberdade de imprensa, escrevo artigos como colaborador em vários sites e portais como Brasil 247, Tribuna da Imprensa Livre, portal de notícias IBI, Jornal Brasil Popular, entre outros, para dar voz aos invisíveis.

Minha luta é um lembrete constante de que a impunidade não é mais suportável em um país com esperanças. Diante da estupidez e da covardia, devemos sempre registrar um boletim de ocorrência, saber quem são os incomodados, ou quem é o mandante ou se é só um criminoso. Já registrei dois, na delegacia virtual. A luta para que a justiça prevaleça será a consequência.

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Blocos Maria Rosa e Dez Casados, com os fundadores da lavagem || Montagem Walmir Rosário
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Este ano, o presidente Sandoval Benevides repetiu a dose e na Lavagem apresentou sua nova música e o bar móvel, com figuras da criação da Lavagem do Beco do Fuxico, a exemplo de Bebeto Elmo, Paulo Nunes Neto, Abelardo Moreira (Bel), dentre outros carnavalescos. Sucesso Garantido.

 

Walmir Rosário 

Pense aí num evento que você agenda e se entrega à vontade: é a folia de Momo, na tradicional Lavagem do Beco do Fuxico, reduto da boemia itabunense, bem no centro da cidade. E o mais importante são os custos reduzidos da festa, investimentos pífios para beber a batida do Caboclo Alencar, a cerveja da Fuxicaria, do bar Artigos para Beber e nos ambulantes.

Fora dos blocos, nem mesmo a fantasia é indumentária obrigatória para quem quer se esbaldar à vontade. Apesar do forte calor e enorme quantidade de pessoas o folião não precisa se preocupar, pois a prefeitura cumpre à risca, todos os anos, em dar um banho nos foliões, pois a vassoura, ferramenta necessária para a lavagem já caiu de moda.

O esperado é o carro-pipa aspergindo água em profusão nos distintos carnavalescos, que segundo dizem, serve para confortá-los durante a bebedeira. Já foi o tempo em que os frequentadores da Lavagem do Beco do Fuxico eram mais exigentes e faziam questão de dançar, se esbaldar, no ritmo das marchinhas. Hoje os tempos são outros e o que tocar eles pulam e sambam.

A Lavagem do Beco do Fuxico teve início em 1980, de forma simples, como o eram seus criadores e frequentadores do conceituado Beco. Um caminhão pipa emprestado, uma espalhadeira de betume asfáltico, que quebraram na primeira lavagem, embora esse insucesso não tenha sido suficiente para desmotivar os frequentadores do Beco.

Com o passar dos anos, a Lavagem do Beco do Fuxico toma fôlego na programação da prefeitura e a participação de blocos, entre eles, o longevo Maria Rosa, Casados I… Responsáveis, Mendigos e Gravata, Os Dez Casados, e uma dezena de outros. E a festa está rolando com todas as músicas e fantasias, aliadas à irreverência dos participantes.

Neste sábado, 17 de janeiro do ano de 2026, a ausência notada com todas as letras foi o Casados I…Responsáveis, o mais irreverente deles, e com a missão de abrir Lavagem do Beco. Sucesso garantido em sua participação em todo o Carnaval de Itabuna, o bloco sofreu com a perda de muitos fundadores, mas já começa a se reorganizar para 2027, como garante um dos seus dirigentes, Nérope Martinelli.

E como alegria não tem segredo, os foliões dos blocos irreverentes têm a obrigação de levar para as ruas a descontração estampada no rosto, também conhecida por felicidade. Além dos desfiles nas ruas de Itabuna, na manhã de domingo de Carnaval, “os Casados I…Responsáveis” promoviam uma visita à Santa Casa de Misericórdia para alegrar os enfermos.

Mas enquanto o bloco “Casados” se encontra em descanso, os Dez Casados não poupam esforços em promover um Carnaval com todos os requintes. Este ano, o presidente Sandoval Benevides repetiu a dose e na Lavagem apresentou sua nova música e o bar móvel, com figuras da criação da Lavagem do Beco do Fuxico, a exemplo de Bebeto Elmo, Paulo Nunes Neto, Abelardo Moreira (Bel), dentre outros carnavalescos. Sucesso Garantido.

Beco do Fuxico lavado, a folia continuou na praça Adami, centro dos festejos de Itabuna até perto da meia-noite. Com este evento, o Carnaval de Itabuna foi aberto oficialmente e os carnavalescos têm até a próxima quinta-feira (22) para descansar e entrar na folia, comemorando a festa de Momo até o raiar da próxima segunda-feira.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Milho plantado em Poço Verde em local de plena caatinga || Foto Walmir Rosário
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Silenciosamente, desenvolveram gado de leite e corte de alta qualidade, animais criados com comida de qualidade; e todas as espécies de produtos agrícolas, com produtividade de fazer inveja aos centros mais avançados.

 

Walmir Rosário 

Rever os conceitos faz um bem danado para quem quer se manter na onda, auferindo resultados positivos. Por mais que façamos certo, sempre tem algo em nossa vida ou nossos negócios que precisa ser acertado. Afinal, como diz a piada, relógio que adianta não atrasa. É o tal de adiantar o passo após as reflexões, já transformadas em ações presentes e futuras.

Num simples apanhado, o Sul da Bahia não vai mal: o cacau se recuperando em genética, sanidade e preço de comercialização; o comércio se mantém estável, passando pelas mudanças de sempre, resistindo bravamente; os serviços a mil por hora, principalmente na área da saúde privada, com profissionais qualificados e equipamentos de ponta.

Não sei se estaria sendo coerente comigo mesmo se afirmasse que estamos apenas a um pontinho acima da mesmice, tendo em vista que grandes investimentos não são direcionados para o Sul da Bahia. Prova disse é a população estável, com índices bem abaixo de outras regiões da Bahia, mesmo possuindo terras férteis, chuvas em abundância e infraestrutura considerável.

Não nos faltam faculdades e universidades, embora, em minha opinião, ainda um pouco distantes dos setores produtivos, sem dar régua e compasso para fazer a economia prosperar. Como se tal não bastasse, nossa antiga fonte de desenvolvimento científico – devidamente comprovada – a Ceplac, é hoje carta fora do baralho.

Nossa tão sonhada indústria de informática, implantada em Ilhéus, não prosperou como planejada, embora ainda contribua para o crescimento – e quem sabe –, um dia para o desenvolvimento. Não conseguimos implantar um aeroporto internacional (gargalo para informática) e somos sobressaltados constantemente com a paralisação da construção da Ferrovia Oeste-leste (Fiol).

A Fiol e o Porto Sul – irmãos siameses –, e atual esperança nossa de desenvolvimento, sofrem com as paralisações decorrentes da política governamental e das empresas mães. Os motivos são os mais díspares possíveis, que vão desde as dificuldades econômicas do mercado internacional, as mudanças societárias e até desconfiança na política governamental.

E nós sul-baianos, já acostumados às dificuldades, simplesmente aguardamos que as bênçãos dos céus desçam por aqui para solucionar problemas que não foram criados pelos religiosos ou nossos santos padroeiros. Esperar por ações de nossos representantes políticos é tarefa impossível, pois não os colecionamos nas muitas eleições por décadas passadas.

Se olharmos para o passado, quem sabe poderíamos nos espelhar em nossos ancestrais, os sergipanos, que há mais de um século deixaram suas cidades assoladas pela seca para construir a civilização cacaueira, grapiúna. Aqui enfrentaram as matas fechadas e inóspitas, enriqueceram, criaram praticamente toda a infraestrutura de uma nova região.

Não custa lembrar que a economia da região cacaueira prosperou em níveis cada vez mais crescentes, apesar das dificuldades de então. Criaram um mercado forte, cujo produto por eles comercializado era pago ao produtor mesmo antes de entregá-lo. Comércio bem diferente do restante da atividade agrícola, cuja liquidez inicia geralmente após os 30 dias da entrega.

Como bons descendentes de sergipanos – caatingueiros dos bons –, visitamos nossos parentes, passamos férias em Aracaju, local em que encontramos sul-baianos nas ruas como se em Ilhéus ou Itabuna estivéssemos. Só que desprezávamos o campo, há anos em plena transformação. Pois bem, aos poucos começamos enxergar as mudanças, realizadas de forma silenciosa.

Há muito os sergipanos descobriram que, se tinham capacidade de fazer crescer negócios em outras regiões, também poderiam prosperar em sua própria terra, já bastante conhecida. No campo, resistiram às secas, criaram tecnologias para conviver e superar as dificuldades. Nas cidades, desenvolveram pequenas indústrias, notadamente de confecções, redes e o turismo.

Hoje todo o Brasil está perplexo com a capacidade de superação do sergipano, na cidade ou no campo. Silenciosamente, desenvolveram gado de leite e corte de alta qualidade, animais criados com comida de qualidade; e todas as espécies de produtos agrícolas, com produtividade de fazer inveja aos centros mais avançados.

Se antes se deslocavam em cima de caminhões pau-de-arara para se livrar da seca e ganhar a vida no Sul da Bahia, hoje plantam cacau numa região antes impensável. Não acredito que essa virada histórica saiu apenas de um papel num gabinete qualquer, mas sim da vontade de viver bem na sua própria terra, construindo sua própria e nova história.

Se antes o Sul da Bahia “importava” os sergipanos como simples mão de obra para implantar a cacauicultura, bom seria fazermos o caminho inverso, desta vez para beber da sabedoria dos nossos parentes em todas as áreas da economia. Por certo, voltaríamos com um novo cabedal de conhecimento para impulsionarmos nossa região. Também aproveitem o passeio, pois o sergipano continua sendo um excelente anfitrião.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Três pessoas se espremem em patinete de uso individual em Ilhéus || Foto Redes Sociais
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É de fazer chorar a forma como algumas pessoas tratam estas duas cidades do sul da Bahia, que num passado recente tinham mais amor.

 

 

Luiz Conceição

 

 

 

Na primeira semana de janeiro de 2026, fatos ocorridos em Ilhéus e Itabuna causaram indignação a quem acredita que educação, respeito e zelo com bens públicos são inerentes às pessoas, independente de seus níveis sociais e econômicos. Mas, parece que mudou o calendário e continuamos os mesmos com indiferença, desatenção e possuídos por uma ira que nada tem de santa, como na canção.

A descoberta por um mergulhador de um dos patinetes repousando no fundo da Baía do Pontal, sob a Ponte Lomanto Junior, é um absurdo, inimaginável mesmo. Tais equipamentos foram disponibilizados a menos de um mês ao uso público por empresa privada na ex-Capitania de São Jorge dos Ilheos, sob as bênçãos da Prefeitura, interessada em oferecer lazer aos turistas e nativos.

Mas, o fato revela que há uma minoria que não sabe viver em harmonia social, nada respeita e, certamente, é a das primeiras a ligar para programas radiofônicos reclamando de tudo e de todos. É pena que ações para favorecer o turismo, estimular a chegada de mais visitantes e atender as necessidades de curta mobilidade dos cidadãos não sejam respeitadas e entendidas.

Na Praça da Piedade, no Califórnia, em Itabuna, mobiliário e equipamentos foram alvo de vandalismo durante as festividades de final de ano, tendo sido destruídos completamente: seis bancos em concreto armado, quatro aparelhos de ginástica ao ar livre e três brinquedos do parquinho infantil.

Também têm sido objeto de vândalos equipamentos públicos do Conceição, Fátima, Mangabinha e Santo Antônio, dentre outras localidades.

Como é que as pessoas não cuidam dos bens que são públicos, representam investimentos e ações destinados ao lazer, entretenimento e ao convívio social de crianças, idosos e pessoas de todas as idades? É de difícil compreensão esse mecanismo de tantas maldades.

Precisamos cuidar do que é de todos, a partir dos cuidados com o que temos na individualidade: a casa, o carro, a moto, a bicicleta, a rua, o bairro e a cidade como um todo.

De nada adiantam falsas indignações em nível local por quaisquer motivos e admirações com o que vemos e observamos em outras cidades, estados e países onde pessoas que vivem nestas localidades têm respeito e cuidado com equipamentos e mobiliários públicos. É preciso amar a cidade onde se nasceu e se vive cada dia mais. A beleza é de todos.

Portanto, um chamado à razão: os cidadãos e cidadãs de Ilhéus e Itabuna não podem ficar indiferentes a este cenário dantesco de desprezo ao que possuem de bom e belo. Não!!! É de fazer chorar a forma como algumas pessoas tratam estas duas cidades do sul da Bahia, que num passado recente tinham mais amor. Por isso, integravam a Civilização do Cacau.

Luiz Conceição é jornalista e bacharel em Direito pela Uesc.