Tempo de leitura: 3 minutos

Ramiro Aquino | aquino05@uol.com.br

E os índices cresciam. Nas vésperas do pleito os adversários se assustaram, deram um tiro no pé com a coligação estapafúrdia e a última caminhada da campanha mostrou que a vitória era certa.

Inexperiente, despreparado, tosco até, um homem nada talhado para o importante cargo de dirigir o município de Itabuna. Estas foram algumas das afirmações que fizeram em torno de José Nilton Azevedo Leal, no máximo considerado gente boa, um amável diretor do órgão de trânsito da cidade, que seria eleito fácil para a Câmara Municipal, mas que não servia para Prefeito de Itabuna.

Quando resolveu lançar o seu nome à sucessão de Fernando Gomes, em 2008, esperou do amigo o apoio incondicional, que não veio, especialmente porque patinava num desconfortável índice entre 1 e 2 pontos nas primeiras pesquisas de intenção de voto.

O obstinado Capitão da Reserva da PM me confidenciou um dia num café da manhã na Facsul: “Rapaz, não pensei que a coisa era tão difícil. Alguns partidos tem me procurado para oferecer apoio, mas falam logo em dinheiro. Onde vou arranjar 100 ou 200 mil? E mesmo que arranjasse não pagaria. Mas não vou desistir, vou de porta em porta buscar o voto em todos os lugares”.

E assim o fez. Suas andanças olímpicas, de homem acostumado aos exercícios militares, deixavam os correligionários para trás nas ladeiras calçadas ou nos morros íngremes dos bairros mais simples, sem qualquer beneficiamento e até mesmo quando caminhava na planície, pedindo o voto a quem encontrava.

O carisma do Capitão, a empatia com o povo mais simples, o carinho com as crianças, recebiam uma contrapartida que o entusiasmava. Maria Alice, desgarrada da indecisão de Fernando Gomes, reuniu uma equipe que sonhava com o que poucos acreditavam, o crescimento da campanha. E os índices cresciam. Nas vésperas do pleito os adversários se assustaram, deram um tiro no pé com a coligação estapafúrdia e a última caminhada da campanha mostrou que a vitória era certa.

Leia Mais

Tempo de leitura: 2 minutos

Jorge Portugal | secretaria@jorgeportugal.com.br

A reação da mídia partidária e dos desinformados das redes sociais foi descompensada, cruel e absurda.

Os professores em greve bradam: “22% já!”; o governo responde em alto som: “Lei de Responsabilidade Fiscal”. No meio dessa queda de braço, sem meios de defender o seu direito a um ensino de qualidade e o seu sonho de entrar numa universidade, 140 mil estudantes regulares da rede estadual, com o semestre perdido e a prova do Enem à sua espera, em novembro. Se fosse seu filho, sobrinho, irmão ou neto, você que está me lendo, ficaria de braços cruzados? Eu não fiquei. Como a APLB e o governo já têm forças suficientes, tomei o partido do lado mais fraco e ignorado: os estudantes pobres da Bahia. Já tinha me decidido a fazer, voluntariamente, os aulões em espaços públicos de Salvador para tirar a garotada do sufoco, como sempre faço, aliás, há uns dez anos. Nesse ínterim, recebo telefonema do secretário Oswaldo Barreto me propondo criar 24 “cursinhos Pré-Enem”, entre a capital e o interior, com aulas interdisciplinares, reunindo a nata do professorado baiano, durante quatro meses, numa estrutura gigantesca de produção, envolvendo megaequipe, som de qualidade, luz, data-show, postagem de conteúdos na internet, passagens de avião para deslocamento de mestres, uma experiência inédita no Brasil, juntando a necessidade social desesperada dos alunos e a comprovada competência dos professores de cursinho, acostumados a colocar os filhos da classe média no ensino superior. Aulas, na maioria dos sábados, para ficar claro que não era reposição, nem esquema fura-greve.

Pronto! Foi meu crime ficar ao lado da garotada pobre da Bahia, mas sem me opor ao movimento dos professores, que, repito pela enésima vez, ganham um salário indecente, aviltante para o seu papel social. A reação da mídia partidária e dos desinformados das redes sociais foi descompensada, cruel e absurda. Lembrei, atualizando, Caetano e Gil: “Quando você vir um deputado (ou candidato) em pânico diante de qualquer atitude que possa melhorar o ensino médio no Brasil, pense no Haiti, reze pelo Haiti. O Haiti é aqui!”.

PS: se o governador e o secretário de Educação toparem, declino dos aulões.

Jorge Portugal é educador e poeta.

Publicado originalmente n´A Tarde.

Tempo de leitura: 3 minutos

Ailton Silva | ailtonregiao@gmail.com

Até o aeroporto internacional de Salvador teve o nome substituído para homenagear um político que, com todo o respeito aos seus familiares e admiradores, não terá nunca a importância da Independência do nosso estado e do Brasil.

As histórias sobre a independência da Bahia e do Brasil são ricas, embora parte delas recheada de contradições, assim como é contraditório o nosso comportamento com relação aos heróis e ao 2 de Julho de 1823.

Manipulados pelos políticos, permitimos que eles homenageiem a si mesmo com nomes de ruas, praças, hospitais, pontes, viadutos, avenidas e até municípios. Assim aceitamos, também, que os heróis da Independência da Bahia praticamente fiquem esquecidos.

O coronel que assumiu o comando geral do Exército Brasileiro e derrotou os soldados portugueses em 1823, por exemplo, sequer teve a honra de ter o nome cravado em um logradouro público importante. Não cabe aqui discutir os interesses da família dele.

José Joaquim de Lima e Silva assumiu as tropas brasileiras em um momento crucial. Ele substituiu o general Pedro Labatut, que fora capturado pelas tropas inimigas que chegaram a dominar parte da Bahia, principalmente a região de Salvador.

De igual modo, a heroína Maria Quitéria de Jesus (1791-1853) mereceu o esquecimento do povo baiano. Pioneira na luta para expulsar os portugueses do Brasil, a filha de fazendeiro inscreveu-se voluntariamente no Exército para lutar contra os invasores.

Com grande habilidade no manuseio das armas de fogo e ótima em montaria, Quitéria cortou o cabelo, vestiu-se de homem para ingressar no Exército, em 1822, com o nome de José Cordeiro de Medeiros, o seu cunhado. Fez isso escondido do pai, o fazendeiro Gonçalo Alves de Almeida.

Nascida em 27 de julho, no arraial de São José de Itapororocas, hoje município de Feira de Santana, a heroína foi condecorada no Rio de Janeiro com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul. Ela recebeu a medalha das mãos do imperador Dom Pedro I.

Quitéria lutou por mim, por você, caro leitor; por nós, que não erámos nascidos;  pelos filhos dos coronéis que fugiram do alistamento, mas, principalmente, pela verdadeira independência política e administrativa do Brasil. Ela foi integrante do Batalhão dos Voluntários do Príncipe, conhecido, também, como “Batalhão dos Periquitos”, por causa dos punhos e golas de cores verdes de seu uniforme.

A nossa heroína morreu em Salvador em 1853, praticamente cega e no anonimato. Ao contrário dos nossos “heróis políticos”, que estão com os seus nomes gravados pelos quatro cantos do Brasil, em logradouros construídos com o nosso dinheiro.

Ah, depois de anos no esquecimento, em 28 de junho de 1996, Maria Quitéria passou a ser reconhecida como Patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. A história da mulher é admirável e deslumbrante.

Outra heroína brasileira, só lembrada na celebração do 2 de Julho, é a freira Joana Angélica de Jesus. Ela tentou abrigar, no convento em Salvador, os soldados brasileiros que tinham sido cercados, mas foi fuzilada pelas tropas portuguesas. Pouco se fala sobre a brava mulher.

Os políticos reduziram a importância dos nossos heróis para desvalorizar o 2 de Julho,  dia em que os soldados brasileiros conseguiram a separação do país do domínio de Portugal.

Até o aeroporto internacional de Salvador teve o nome substituído para homenagear um político que, com todo o respeito aos seus familiares e admiradores, não terá nunca a importância da Independência do nosso estado e do Brasil.

O 2 de Julho não deveria ser feriado estadual, mas nacional porque foi a verdadeira independência do Brasil. Parabéns aos nossos verdadeiros heróis!

Ailton Silva é repórter de A Região, chefe de jornalismo da Morena FM e assessor de comunicação.

 

Tempo de leitura: 3 minutos

Osias Lopes |osiaslopes@ig.com.br

A legislação brasileira tem que tomar jeito e enxergar a figura do vice com mais acuidade, atribuindo-se consequências a quem se negar, sem justa causa, a cumprir com as obrigações do mandato.

Outro dia escrevi aqui no PIMENTA sobre a figura do vice observando que, pelo prisma histórico, tem sido ele em todas as instâncias governamentais, sempre, uma espécie híbrida de solução/problema, isto decorrente de uma legislação que ainda não se acertou sobre esta emblemática figura.

Por falta de normatização apropriada, passamos a conviver constantemente com situações político-administrativas, digamos, democraticamente pouco convencionais, como a noticiada recentemente pelo jornal A Tarde trazendo em manchete que Salvador estava sem prefeito.

Com um texto composto com a manifestação do procurador eleitoral Regional, a mencionada matéria explica que tal constatação se deve ao fato de, com a viagem para o exterior do titular do cargo de prefeito, ter-se buscado substituir o chefe do Executivo com a assunção da procuradora-geral do Município ao cargo.

Na minha modesta opinião, razão assiste ao nobre representante do parquet.

Os argumentos contidos na referida matéria jornalística dão conta de que a Lei Orgânica do Município de Salvador traça a lista dos substitutos ou sucessores do titular do cargo de prefeito. E quem ela traz em primeiro plano? Ela, óbvio, a figura do vice!

Assim, a norma legal quer que a substituição (ou sucessão) se opere com quem seja detentor de mandato popular, tanto que na falta do vice, segundo a matéria, a lei soteropolitana prevê como substitutos do prefeito o presidente do Legislativo e o vereador mais idoso, sucessivamente. Inexiste previsão legal para a solução trabalhada na capital.

Pois bem, este exemplo que vem da capital bahiana (escrevo com “h” mesmo, pedindo venia aos filólogos, porque assim penso deveria ser toda palavra derivada de Bahia) só vem a reforçar o que tenho dito: a legislação brasileira tem que tomar jeito e enxergar a figura do vice com mais acuidade, atribuindo-se consequências a quem se negar, sem justa causa, a cumprir com as obrigações do mandato.

No caso específico do vice, eleito precipuamente para substituir em casos de faltas e impedimentos do titular ou suceder em caso de vacância do cargo, uma consequência lógica e natural seria a decretação da extinção do mandato, passando a ser considerada sua negativa imotivada como renúncia.

Leia Mais

Tempo de leitura: 3 minutos

José Roberto de Toledo | Vox Publica
Nos EUA, um pai ficou indignado ao encontrar, na sua caixa de correio, cupons de desconto para roupas de bebê enviados por uma cadeia de varejo em nome de sua filha menor de idade. Acusou a loja de tentar induzir a garota a ser mãe precocemente. Mas, após confrontar a adolescente, descobriu que a filha já estava grávida. Só ele não sabia.
Os estatísticos da loja de departamentos Target não tiveram acesso a nenhum teste de gravidez. Apenas inferiram que aquela consumidora iria dar à luz cruzando informações de compras: a mudança no seu padrão de consumo era consistente com o de outras grávidas. Foram tão precisos quanto um exame de ultrassom.
A história -quase boa demais para ser verdade- ilustra reportagem do New York Times intitulada “Como companhias aprendem os seus segredos”. A rigor, não são dos segredos de uma pessoa, mas dos hábitos da multidão que as empresas estão atrás. Juntando os seus aos meus, descobrem os nossos. Tudo para determinar padrões e prever comportamentos. No conjunto, somos muito mais parecidos uns com os outros do que gostamos de admitir.
Na reportagem, analistas da Target revelaram, orgulhosos, como são capazes de prever, com pequena margem de erro, a data do parto ou o sexo da criança. Tudo com base no consumo de loção de pele, na quantidade de tufos de algodão comprados e na cor do tapete encomendado para o quarto do bebê. Esses itens fazem parte de uma cesta de 25 produtos que compõem o “índice de predição de gravidez” criado pela loja. Não é piada, é dinheiro.
Você pode achar que ninguém está prestando muita atenção em como usa seu cartão de crédito, no que faz com seu mouse e com seu celular ou por onde você anda com seu carro, mas isso não muda o fato de que há gente cuja missão profissional é colecionar, organizar e analisar dados sobre você. É íntimo, mas não é pessoal: é universal.
No mundo do chamado “Big Data”, o nome importa menos que o CPF, que o endereço eletrônico ou que o número do cartão de crédito. Importante é juntar dados sobre a maior massa possível de consumidores, contribuintes, motoristas e internautas. Não para espioná-los -em princípio-, mas para transformar cada um deles num código numérico unificado. Afinal, há menos algarismos do que letras, o que agiliza a computação.
Há cada vez melhores aplicativos para reconciliar bilhões de dados de diferentes origens com o objetivo de determinar que o dono do CPF “tal” é também a pessoa por trás daquele email, deste cartão de crédito, de certo endereço I.P. e -por que não?- de um determinado título de eleitor.
Leia Mais

Tempo de leitura: 2 minutos

Marco Wense

O bafafá agora é em Itabuna, com Miralva Moitinho, que preside o diretório municipal, como a mais nova aliada e escudeira-mor do deputado Josias Gomes.

Geraldo Simões e Josias Gomes, deputados federais pelo PT, se esforçam para serem políticos civilizados, passando para o eleitorado a impressão de que o bafafá entre eles se restringe ao campo das ideias.
Os dois “companheiros”, quando presentes em alguma solenidade ou ato público, usam o recíproco aperto de mão para manter o simulacro de civilidade.
O acirramento ficou mais transparente na vizinha cidade de Ilhéus.  Na última eleição para o Parlamento, a votação de Josias superou a do ex-prefeito de Itabuna.
O ainda inconformado Geraldo Simões apostava todas as suas fichas de que teria mais votos do que Josias. A previsão era de uma diferença multiplicada por dois.
O bafafá agora é em Itabuna, com Miralva Moitinho, que preside o diretório municipal, como a mais nova aliada e escudeira-mor do deputado Josias Gomes.
Sobre a possibilidade do PT ter outro nome para disputar com a prefeiturável Juçara Feitosa, Geraldo diz que “outra candidatura é manipulação”.
Nos bastidores, longe do povão de Deus, o comentário é de que os miralvistas vão lançar um pré-candidato para concorrer com Juçara Feitosa na convenção da legenda.
A preocupação de petistas-geraldistas com o imbróglio envolvendo Geraldo e Miralva faz sentido. A estrela, que simboliza o PT, está mais vermelha e com as pontas afiadíssimas.

MINA DE OURO

Fernando e Geraldo.

A ordem no staff político do governo Azevedo é explorar o acontecimento mais inusitado da sucessão de 2012: a aliança entre os ex-prefeitos Fernando Gomes e Geraldo Simões.
Os azevistas acham que a inesperada aproximação entre FG e GS vai prejudicar a campanha da ex-primeira dama e pré-candidata Juçara Feitosa. O tiro vai sair pela culatra.
Já tem gente até dizendo que Fernando Gomes já conhece a casa de praia de Geraldo. Um irritado ex-fernandista chega a dizer que uma foto com Geraldo, Fernando e Juçara vale uma boa grana.
Pois é. Coisas da política. Do movediço, teatral e traiçoeiro jogo político
Marco Wense é articulista do Diário Bahia.
Tempo de leitura: 2 minutos

Manuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br
Uma coisa não se pode negar: além do apelo comercial, no Dia Internacional da Mulher os temas relacionados ao universo feminino ganham foco. Das redes sociais às grandes rodas, o que não faltam são discussões. E nas salas de aula não seria diferente.
Um professor citou o seguinte caso: um cara teria ficado dez anos sem trabalhar, sendo sustentado por todo esse tempo pela esposa, e no divórcio estaria pleiteando uma pensão alimentícia. “É um safado e merece uma surra”, gritei da minha carteira, esquecendo, por um breve momento, que estava ali para aprender a respeitar e empregar as normas brasileiras.
O tema foi motivo de discussão.  Os colegas, talvez para irritarem um pouco as mulheres presentes, falaram em direitos iguais. “Muitas mulheres passam anos casadas, não trabalham, herdam e ainda têm direito a pensão. Por que com o homem seria diferente?” É que ser mulher já dá trabalho, professor!
As responsabilidades mais simples, porém mais importantes, acabam sendo nossas. Casa, marido, filhos, pais e carreira profissional com paciência e dedicação, com um sorriso nos lábios e as unhas bem feitas, para que o marido não a chame de desleixada. Não é fácil e a gente consegue, sem reclamar, encarando como obrigação mesmo. Uma autoexigência que se tornou comum para a grande maioria das mulheres. Ou alguém vai dizer o contrário?
E nessa corrida diária pela “excelência dos serviços prestados”, precisamos ainda ficar atentas à tênue diferença entre ser sensual e ser vulgar. Toda e qualquer extravagância pode arruinar para sempre a reputação de uma fêmea de qualquer idade e classe social.
E já que toquei nesse assunto, devo comentar que achei de muita elegância o programa As Brasileiras com a musa Ivete Sangalo, veiculado na grande data. Com um texto leve e bem humorado, e nenhuma cena de apelação sexual, a Rede Globo passou a mensagem de que para ter audiência, em todos os sentidos, basta ter bom humor e elegância. Será que as mulheres-fruta e panicats entenderam o recado?
Manuela Berbert é jornalista e colunista do Diário Bahia.

Tempo de leitura: 3 minutos

Amauri Teixeira | dep.amauriteixeira@camara.gov.br

Com mais de 120 mil cópias vendidas, o livro de Amaury investiga as privatizações ocorridas durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

O alvoroço causado pelo impacto do livro A Privataria Tucana foi acompanhado de perto pela grande imprensa, que pouco se manifestou a respeito. Os tucanos optaram pelo mesmo caminho. Mas estava difícil se manter em silêncio por muito tempo: a obra já está no topo do ranking dos mais vendidos do país, ultrapassando best-sellers como a biografia de Steve Jobs e o último livro de Jô Soares. Diante desse quadro, a alta cúpula do tucanato resolveu responder. Não com argumentos sólidos contra as denúncias, mas desqualificando-as utilizando termos como “lixo” e “coleção de calúnias” para definir o trabalho.
Mas afinal, o que os tucanos temem? Terão receio de vir por terra uma suposta “aura de moral” que reveste o partido? Ou será do esfacelamento total de uma direita que há anos está em decadência?
Os sucessivos resultados positivos da economia brasileira vêm sendo abafados com supostas denúncias e escândalos. A direita não debate mais ideias para desenvolver a nação, apenas ataca. É uma pena, já que faz bem a todo grande país uma oposição forte e responsável. O medo levou a oposição a uma verdadeira guerra na imprensa tentando desmoralizar o atual governo.
Aliás, medo é uma palavra que a direita conhece muito bem. Foi inclusive colocada no script de Regina Duarte durante as eleições de 2002. Em um dos piores papéis da sua carreira, a atriz dizia durante propaganda eleitoral temer que o país “perdesse toda a estabilidade conquistada”. Ironicamente, a economia brasileira é hoje uma das mais estáveis do mundo, ao contrário da época em que devíamos bilhões em dívida externa.
A resposta do povo não veio apenas das urnas, mas da própria opinião pública. Basta ver os altos índices de aprovação do governo federal por parte da população. Não bastasse isso, a forte reverberação do trabalho do meu xará Amaury Ribeiro nas redes sociais tem causado pânico na direita brasileira.
Com mais de 120 mil cópias vendidas, o livro de Amaury investiga as privatizações ocorridas durante o governo Fernando Henrique Cardoso. O autor apresenta documentos que ligam casos de lavagem de dinheiro e propina à Verônica Serra e Alexandre Bourgeois, respectivamente filha e genro do ex-governador de São Paulo, José Serra. A obra é uma das maiores reportagens investigativas do país, contendo 140 páginas com documentos sobre o caso.
Leia Mais

Tempo de leitura: 2 minutos

Manuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br

Brown amadureceu. E provou isso quando disse à imprensa, antes de partir para Los Angeles, que o prêmio era um grande acontecimento, mas uma festa de outro país.

Percussionista renomado, Carlinhos Brown é conhecido como o Cacique da Bahia. Foi um dos criadores do samba-reggae e em 1989 fez parte da banda de Caetano Veloso, estourando tanto no Brasil quanto no exterior com a música Meia lua inteira. Aventurou-se como compositor, conquistou o Troféu Caymmi, um dos mais importantes da música baiana, e rodou o mundo com João Gilberto, Djavan e João Bosco. Talentosíssimo, porém, bastante polêmico. E isso assustava até os fãs mais fiéis.
Lembro dele à frente da Timbalada, ainda na década de 90, quando projetou a banda nacional e internacionalmente. Elevou a autoestima do Candeal, onde nasceu, e norteou a vida de muitos jovens do bairro, onde ainda desenvolve projetos sociais.
Conheci um jovem timbaleiro em terras sergipanas, onde nos tornamos amigos. Numa ocasião, já em Itabuna, contou-me que o cantor estava em clima de despedida da Timbalada. Quando questionei o seu futuro na banda, respondeu-me que ficaria onde o Cacique determinasse, e toca na banda solo de Carlinhos Brown até hoje.
Confesso que fiquei surpresa com tamanha devoção, já que o cantor que eu conhecia, até então, era exagerado em tudo: ele gritava demais, pulava demais, xingava demais, era alvo de críticas, vaias etc.
Mas foi a partir do Projeto Tribalistas, um trabalho desenvolvido com Marisa Monte e Arnaldo Antunes, em 2002, que Brown começou a amadurecer. Prêmios, milhões de cópias vendidas e um homem mais comedido, num tom de voz mais baixo e frases conectadas entre si.  Acho que de lá para cá ele só cresceu profissionalmente: carreira internacional com base sólida na Europa, shows, produções de discos, de trilhas para espetáculos de dança, filmes, dentre outras produções.
Se a indicação ao Oscar fosse em 1998, ano em que Carlinhos ficou nu em cima de um trio elétrico no Carnaval de Salvador, o Brasil teria ficado tenso, receoso do que ele poderia “aprontar”. Mas Brown amadureceu. E provou isso quando disse à imprensa, antes de partir para Los Angeles, que o prêmio era um grande acontecimento, mas uma festa de outro país, e que a sua realidade era o chão da Bahia. Talvez estivesse prevendo a sabotagem da qual foi vítima no tão sonhado tapete vermelho. Salve Brown!

Tempo de leitura: 2 minutos

Ricardo Ribeiro | redacao@pimentanamuqueca.com.br
 

Se o ilheense, diante do presente maravilhoso que Deus lhe deu, permanecer com uma atitude passiva, dificilmente esse tempo virtuoso chegará.

 
O último sábado de fevereiro foi um dia lindo em Ilhéus, propício à praia, pois o astro-rei torna ainda mais encantadoras as belezas dessa cidade. Seguia em direção a Olivença e, no Pontal, diante da baía, não resisti, parei para tirar um foto com o celular, enquanto comentava: “como Ilhéus é linda!”.
Outro dia, no Facebook, contestei alguém que dizia achar Ilhéus feia no presente, embora a visse bela no passado. Considerando aquilo um extremo absurdo, argumentei que a cidade continua linda e o povo precisa se apropriar de Ilhéus, brigar por ela, defendê-la dos maus ventos, dos maus presságios, dos maus governos. Também afirmei sentir faltar ao ilheense um pouco mais de autoestima e uma relação melhor com a cidade. Ao desprezá-la, o ilheense concorda com os desmandos, pois acaba aceitando que a cidade merece o que não presta.
Sinceramente, não consigo acreditar que qualquer governo, por mais bem intencionado que seja, consiga avançar muito na requalificação da cidade sem que haja uma conscientização geral, uma postura cidadã coletiva, com uma defesa firme e apaixonada que cobre respeito de quem a governa, assim como que cada um assuma suas responsabilidades.
Ontem mesmo, já em Olivença, outras pessoas também mostravam entusiasmo com o belo dia de sol e um amigo enveredou pela política, afirmando que Ilhéus recebeu praticamente tudo de Deus e precisaria apenas de um governo que fizesse o mínimo, cuidasse das pequenas coisas, um gestor que pelo menos não atrapalhasse.
Eu disse que falta um pouco mais, como ações de marketing bem construídas para promover a imagem da cidade fora e uma campanha para desenvolver a autoestima e o amor por Ilhéus entre os que aqui vivem. A partir daí vem uma série de outros pontos, como a organização do turismo, que ainda é explorado com um amadorismo suicida.
Se o ilheense, diante do presente maravilhoso que Deus lhe deu, permanecer com uma atitude passiva e indiferente, de eterna espera por dias melhores, dificilmente esse tempo virtuoso chegará. E a cidade continuará a viver com a tal síndrome de Gabriela (“Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim…”).
Ricardo Ribeiro é um dos blogueiros do PIMENTA.

Tempo de leitura: < 1 minuto

Do blog de Paixão Barbosa
O fato de Geddel Vieira Lima ter admitido que poderá ser candidato à prefeitura de Salvador pelo PMDB, apenas coloca uma dificuldade a mais na já tão complicada possibilidade de união entre os três principais partidos políticos de oposição na Bahia visando as eleições deste ano e também de 2014. A unidade entre PMDB, PSDB e DEM é muito difícil de se concretizar num projeto amplo, embora vá acontecer de forma pontual em alguns municípios, porque as origens e os interesses das suas lideranças conflitam de modo muito forte.
Partidos que enfrentaram dificuldades, em termos de Bahia,nas últimas eleições, os três precisam lutar para se reinventar a partir de 2012, sob pena de sofrerem um minguamento ainda maior de suas forças. E, para isto, é fundamental a participação nas eleições municipais deste ano com o maior número possível de candidatos próprios, especialmente em Salvador, um pleito que serve como caixa de ressonãncia para todo o Estado. Isto vale principalmente para PMDB e DEM, uma vez que o PSDB baiano não tem conseguido crescer mesmo desde que aqui foi fundado e limita-se a um trabalho de manutenção da sua base parlamentar.
Leia texto completo.

Tempo de leitura: < 1 minuto

Em meio ao Carnaval, passou quase despercebido ontem (20) o aniversário da Ceplac, que teve seu decreto de fundação assinado no dia 20 de fevereiro de 1957 pelo então presidente Juscelino Kubitschek, portanto há 55 anos.
Com um histórico de avanços na pesquisa, extensão rural e assistência técnica aos cacauicultores, a Ceplac, ligada ao Ministério da Agricultura, enfrenta um momento decisivo. Ceplaqueanos lamentam a estagnação do órgão federal, que pode acabar morrendo por inanição se não forem renovados os seus quadros.
O último concurso público realizado pela Ceplac para contratar novos servidores data de 25 anos atrás. Desde então, muitos funcionários se aposentaram, deixando algumas áreas desguarnecidas, pois não há quem os substitua.
Num cenário em que as perspectivas para o mercado do cacau e do chocolate se tornam mais animadoras, com crescimento inclusive da demanda interna, a revitalização da Ceplac é uma questão estratégica. Para que ela ocorra, porém, é preciso a mobilização da bancada legislativa dos estados produtores, bem como da pressão dos governadores e prefeitos dessas regiões.
Ou isso, ou a Ceplac morre.

Tempo de leitura: 2 minutos

José Augusto Ferreira Filho |
 

A ministra Rosa Weber trouxe oxigênio novo àquele tribunal e deixaa marca de uma magistrada preocupada com os novos anseios da sociedade brasileira.

 
Enquanto mentalmente arquitetava meus planos para os dias de recesso carnavalesco, já que há muito tempo – rebelde – não me rendo mais às ordens do Soberano Momo para cair na folia, fui arrebatado por uma informação que me trouxe à mente um livro, lido uma única vez quando ainda em Salvador residia, de autoria do italiano Umberto Eco: “O Nome da Rosa”.
A história narrada se passa na Idade Média, século XIV, em um mosteiro beneditino que abrigava uma biblioteca na qual havia o maior acervo cristão do mundo, guardado sob intenso cuidado e envolto em cativante mistério. Mais tarde a trama virou filme, brindado pela marcante interpretação do ator britânico Sean Connery.
A notícia que me fez recordar o livro foi o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a Lei complementar 135/2010 – Lei da Ficha Limpa. A ministra Rosa Weber, única daquele colegiado que ainda não havia emitido opinião sobre o tema, leu seu voto e marcou posição junto àqueles que defendiam a validade plena da lei, já nas eleições de 2012.
Leia Mais

Tempo de leitura: 2 minutos

José Augusto Ferreira Filho |  
 

É preciso focar o debate nas propostas e esquecer as questiúnculas de bastidores, que não raro alimentam desejos pessoais mesquinhos.

 
Nesses tempos “pré” (digo de pré-candidatos, pré-campanhas, pré-alianças, pré-eleição), todos acompanhamos – com curiosidade cidadã – as declarações externadas por figuras públicas que, mesmo hoje afastadas da disputa por cargos eletivos ou do poder, ainda ou sempre circulam com desenvoltura pelos grupos políticos dos principais atores desse cenário.
Em artigo anterior, externei breves considerações sobre a Greve da Polícia Militar, quando ressaltei, ou ao menos pretendi fazê-lo, a importância do debate sobre soluções efetivas para a melhoria na Segurança Pública, que deveria ter maior ênfase do que a mera repercussão dada à conduta dos agentes envolvidos na paralisação que, por força do destino ou da vontade popular, figuraram em lados opostos do conflito.
Em Itabuna, cidade que me acolheu e me honrou com o Título de Cidadão, julgo ser preciso reconhecer, em sua história, o papel importante de suas lideranças políticas, ainda que na opinião de alguns a elas não se deva valor algum atribuir, pelo simples fato de figurarem hoje ou terem feito parte no passado a um grupo político de cujas ideias não se comunga. E aqui vale o pensamento para aqueles que atuam ou atuaram nas três esferas públicas, seja municipal, estadual ou federal.
Assim é a dinâmica da vida pública. As alianças entre os diversos atores, desde que tenham por objetivo precípuo e final o desenvolvimento da cidade ou região, nada se pode, desmotivadamente, opor, tanto mais sob argumentos político-ideológicos ultrapassados, vez que a maioria da população não mais os identifica e os partidos, todos sem exceção, já os reservaram apenas para as suas cartilhas e estatutos.
Leia Mais

Tempo de leitura: < 1 minuto

Osias Lopes | osiaslopes@ig.com.br
“Vai e vem”, “vira e volta”, “vira e mexe” ouvimos falar de um nome ícone da política démodé, de maneiras e práticas atrabiliárias, e que por isto mesmo muito pouco de positivo acresceu à história política da nação grapiuna. Na verdade empobreceu-a, impingindo-lhe as mais diminuídas práticas políticas.
Sua história, que começou a ser escrita pelas mãos do então prefeito José Oduque, tem início lá pelos anos 1970, cujo final parece teimar em não ocorrer, isso ao menos na cabeça de alguns – poucos, é bem verdade.
Parodiando a letra da música do extraordinário Moraes Moreira, podemos dizer que “é nesse vai e vem” que Itabuna não se dá bem. E o sobressalto causado por esse “vai e vem”, “vira e volta”, “vira e mexe”, sempre lhe fez muito mal, comprometeu seu desenvolvimento, provocou-lhe atraso, encolhimento; a tudo desandou, tornando-se, por conseguinte, numa Itabuna menos viçosa, menos alegre. E assim nossa terra tem vivido, como se fosse um seu carma. Mas por que isto veio a acontecer justo com uma cidade tão altiva e benfazeja como a nossa?!!!
“Cuma” foi que isto aconteceu? “Cuma” é que uma cidade incrustada numa região capaz de gerar uma entidade como a Ceplac, que fez brotar uma universidade pública das mais pujantes pôde ao mesmo tempo dar azo a um pensamento político tão atrasado?
Ah! Quão seria bom fosse apenas mais um capítulo da rica obra do saudoso Dias Gomes. Mas, infelizmente, não o é.
É… não pode haver plano bom para Itabuna pautado nesse enredo antigo, de péssimo gosto, repetitivo, superado, enfadonho, nefasto, ruim… demais, que é a cantilena do “vai e vem”, “vira e volta”, “vira e mexe”!
“Cuma”?
Osias Lopes é advogado e ex-procurador-geral de Itabuna e Ilhéus.