Lílian comemora vitória, observada por Tony (à esq.) e Andersoul (Foto Taline Gonçalves).
Expectativa, emoção, choro… de felicidade. E finalmente o público conheceu o vencedor do Troféu Talentos Regionais. Vencedor não, vencedora. Lílian Casas emocionou o público com uma interpretação sem retoques de Como nossos pais , eternizada na voz de Elis Regina, e arrebatou o troféu do concurso que reuniu 111 músicos grapiúnas. De quebra, levou o prêmio de R$ 2,5 mil.
A praça Octávio Mangabeira (Camacã) reuniu cerca de 1,5 mil pessoas. E não faltou torcida para todos os cinco finalistas. “Veja como minhas mãos estão tremendo”, mostrava o advogado Lucílio Bastos, logo após a apresentação da irmã. Era prenúncio de noite vitoriosa para a família.
O páreo era duro. Responsável pela sonorização da finalíssima do concurso, Missinho Mendes não deixava de opinar. “Não queria estar na pele de nenhum dos jurados. O nível é ótimo”, dizia ele com a experiência de quem nasceu numa família de músicos de boa linhagem. Organizador do troféu, o publicitário Rui Carvalho vibrava em aprovação ao comentário de Missinho.
As avaliações eram feitas sem que todos os candidatos tivessem ainda se apresentado. Quem subiu primeiro ao palco foi Andersoul. Empolgou o público com o seu estilo, um misto de Ed Mota e Tim Maia. Também era dono da torcida mais agitada. Vieram Lílian, Tony Carvalho, Amanda Chaves e Uiara Oliveira.
Fábio Souza, ex-Fama, e Kokó também agitaram o público (Foto Pimenta).
Após as apresentações dos finalistas, o público pôde curtir apresentações de Fábio Souza e Kokó, da banda Lordão, em duetos e, também, junto com os finalistas. Na plateia, sinal de aprovação à mistura. E os jurados somavam as suas notas para se chegar nomes vencedores da noite.
Em meio às apresentações, Raimundo Machado anunciava a gravação de CD, em janeiro, reunindo 24 canções entoadas pelos finalistas. O empresário e promotor ficou empolgado com a qualidade dos participantes e os resultados do festival. (Confira fotos da final e mais do troféu clicando no “leia mais”). Leia Mais
Festival reúne feras da música de barzinho em Itabuna.
Cinco revelações da música grapiúna sobem ao palco nesta quinta, 2, para disputar o troféu do projeto Talentos Regionais. Lílian Casas, Uiara Oliveira, Andersoul, Tony Carvalho e Amanda Chaves concorrem à premiação de R$ 2,5 mil para o vencedor.
As apresentações começam às 19 horas, na praça Octávio Mangabeira (Camacan). O segundo e terceiro colocados também vão ser premiados com R$ 1,5 mil e R$ 1 mil, respectivamente. A segunda edição do concurso reuniu cerca de 100 cantores regionais e será fechado com shows de Fábio Souza e Marcelo Ganem.
O projeto que visa revelar novos talentos musicais no cenário regional foi idealizado por Raimundo Machado, da CM Distribuidora Nova Schin, com o apoio da Bivolt, prefeitura de Itabuna, TV Santa Cruz e FM Sul e coordenação da RCM Propaganda.
Fotógrafos que participaram do concurso “Os Olhares da Cidade”, promovido pela Ficc (Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania), continuam sem saber quando será divulgado o resultado do mesmo. No site da Ficc, a informação é genérica: “o resultado do concurso será divulgado no segundo semestre deste ano”.
Enquanto isso, 2010 vai terminando e nada da Ficc marcar a data da divulgação. Assim, pelo ritmo da fundação de cultura, o concurso programado como uma das atividades em comemoração ao centenário de Itabuna vai ficando para os 101 anos.
Inspirados no “ame-o ou deixe-o”, os locutores bradavam que estes “maus brasileiros” deveriam deixar o país. A mãe de Bené entrou em pânico.
Marival Guedes | marivalguedes@yahoo.com.br
Na década 70 e início dos anos 80, a maioria dos militantes de esquerda torcia contra a seleção brasileira. Acreditavam que os militares golpistas tirariam proveito político, já que os marqueteiros orientaram o presidente Médici a buscar maior envolvimento com o futebol. Naquele período só um membro do Estado tinha direitos, o governo.
Do outro lado, Fernando Gabeira- quem te viu, quem te vê- exilado na Argélia, discutia com os companheiros qual seria o posicionamento do grupo. Na copa de 82, realizada na Espanha, as discussões eram iguais, mas em Itabuna um protesto se diferenciou. No dia do jogo Brasil x União Soviética, quatro jovens compraram alguns metros de tecido vermelho e saíram pelas ruas defendendo o país comunista, num momento em que os partidos comunistas estavam na ilegalidade.
Os jornalistas Ederivaldo Benedito e Joel Filho juntamente com os atores Carlos Betão e Emiron Gouveia exibiam a “bandeira” russa e os dois últimos declamavam e faziam discursos. Houve reações, mas escaparam ilesos. A notícia se espalhou através das emissoras de rádio, principalmente dos programas esportivos. Inspirados no “ame-o ou deixe-o”, os locutores bradavam que estes “maus brasileiros” deveriam deixar o país. A mãe de Bené entrou em pânico.
Não satisfeitos, os quatro foram ouvir a transmissão do jogo na casa de Joel. Logo no primeiro tempo a Rússia surpreendeu e fez 1×0. O silêncio nas redondezas foi quebrado pelos gritos e murros na mesa dos quatro torcedores. A Festa durou pouco. No segundo tempo o Brasil virou o jogo e venceu por 2×1.
Joel decidiu ficar em casa, mas os outros precisavam ir embora. E aí surgiram as pedras no caminho. Os vizinhos, ávidos por vingança, ficaram de plantão na rua esperando os “quintas-colunas”. Eufóricos, xingavam eles e suas genitoras. Até as crianças participaram do linchamento verbal indo até a porta dos refugiados e gritando em coro: “comunistas descarados, comunistas descarados, comunistas descarados”… Um torcedor mais exaltado, aos berros, sugeria o local onde a bandeira deveria ser introduzida. Betão, Emiron e Bené ficaram confinados até altas horas quando, cansada, a vizinhança foi dormir. Marival Guedes é jornalista e escreverá no Pimenta sempre às sextas-feiras.
O poeta Gustavo Felicíssimo lança o livro Silêncios (capa ao lado), às 19 horas, na abertura da Casa de Arte Baiana, na rua Antônio Lavigne de Lemos, 76, centro, Ilhéus. A obra, conforme define o autor, transita pelas formas poéticas originárias do Japão, a exemplo do haikai, a tanka e o senryu.
Felicíssimo, estudioso da literatura baiana, imprime ao livre a marca do ineditismo. É a primeira vez que uma obra com essas características é publicada em solo baiano.
Além do livro, o poeta faz “merchan” também do espaço cultural a ser inaugurado hoje. Administrado por Dida Moreno, a Casa de Arte Baiana possui acervo de artes plásticas com obras de Kennedy Bahia, Sante Scaldaferri, Washington Sales e Saulo Portela. “A Casa de Arte Baiana pretende estabelecer interações com outras formas de arte, incluindo a literatura”.
Para quem curte reggae dos bons, hoje tem Adão Negro na Boate Bunker, no Luau Universitário, a partir das 21 horas. A noite será ainda uma mescla de forró e pop rock com as bandas Danado de Bom, Euforia e Submarino, além de DJs. O Luau é promovido pela IVP Entretenimento. O ingresso para camarote custa R$ 40,00 e a pista, R$ 25,00. Agora, clique no play e confira o reggae maneiro da banda Adão Negro em Me Liga.
Após 16 anos sem se apresentar no Brasil, a cantora lírica Jessye Norman tem apresentação única no Teatro Castro Alves, hoje, às 21 horas. Norman está em Salvador desde a última terça-feira, 12, hospedada no hotel Pestana, junto com outros cinco músicos.
A promotora do espetáculo da diva americana diz que são muitos os cuidados que Jessye Norman tem com a voz. Além de rejeitar ar condicionado nos apartamentos dela e da equipe, exigiu a água mineral francesa Evian, além de jornais ingleses, todos os dias. Apesar de norte-americana, ela formou-se musicalmente em teatros de ópera europeus. Abaixo, Jessye Norman interpreta Strauss.
Uma boa mistura de reggae, pop rock e forró é o que você vai poder conferir no próximo sábado, dia 16, no Luau Universitário. A noite do ‘tudo junto e misturado’ terá, na boate Bunker, Adão Negro, Submarino e Danado de Bom.
Os ingressos estão à venda na Central de Ingressos e na Back Door e custam R$ 40,00 camarote e R$ 25,00 pista. Agora, clique no play e confira Adão Negro em Feedback, pra ficar na moral.
É difícil falar de Cabeça a Prêmio (idem – 2009), estreia de Marco Ricca na direção, sem entrar no seu desenvolvimento. Para evitá-los, melhor dizer que, como gênero, vai além da competência, e ressalvas, embora pareçam claras, potencializam roteiro em resultado forte e corajoso.
São mundos diferentes de pessoas que residem ou convivem em mesma área, na zona fronteiriça de Brasil, Paraguai e Argentina. Temos um latifundiário, que não é apenas isso, temos um funcionário que não se limita à propriedade, e temos histórias que não se cruzam, mas que nascem convincentemente interligadas.
Um assassinato nos apresenta à história. Os personagens de Eduardo Moscovis e Cássio Gabus Mendes desempenham a mesma função, mas se mostram com personalidades opostas. O porém é que Marco Ricca investe em um realismo tão forte quanto convincente em todo o resto do elenco (muito bom, de Fulvio Stefanini a Alice Braga e o uruguaio Daniel Hendler).
Com isso, não dá para enxergar os dois como arquétipos parte do suspense e do drama, mas figuras próximas a caricaturas em tom destoante do filme. O que se torna ainda mais visível no fim, quando reviravolta é tão inesperada quanto coerente com esse comportamento.
Mas se o desfecho – e a sequência – da cena que reúne quatro elementos, por um lado, tem esse porém, a última tomada é nada menos que brilhante, como quase todo o resto do filme.
O movimento é tenso e lento, mas justificável e compreensível. Ali, como nas outras quase duas horas de projeção, temos alguém com domínio do meio, um diretor de talento que parece estar no quarto ou quinto longa-metragem do gênero, e que ainda tem perceptível algo a dizer. Vemos o medo e a incerteza, o ódio e o sangue, da família e o escorrido. Tudo em meio a algo que, como ela, sempre teremos: a dúvida.
Visto no Espaço Unibanco/Cine Glauber Rocha – Salvador, outubro de 2010.
PS Infeliz: Único filme visto na semana.
______________ Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg”><img title=”70 MM” src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg” alt=”” width=”559″ height=”95″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg”><img class=”aligncenter size-full wp-image-30092″ title=”Final 3″ src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg” alt=”” width=”42″ height=”13″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”>
<p><strong>Leandro Afonso</strong> | <a href=”http://www.ohomemsemnome.blogspot.com”>www.ohomemsemnome.blogspot.com</a></p>
<p><em><img class=”alignright” src=”http://roteiroceara.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/09/BLOG2_viajo_porque_preciso_volto_porque_te_amo_cultura.jpg” alt=”” width=”368″ height=”182″ />Viajo porque preciso, volto porque te amo</em> (<em>idem</em> – Brasil, 2009), de Karim Aïnouz (<em>O Céu de Suely</em>, <em>Madame Satã</em>) e Marcelo Gomes (<em>Cinema, Aspirinas e Urubus</em>), é um <em>road-movie </em>experimental (também por isso inevitavelmente irregular) que tem de melhor o que de melhor seus dois diretores podem oferecer – especialmente Aïnouz. É um filme em um meio, o semi-árido nordestino, e sobre sentimentos – carinho, amor, rejeição – já visitados por ambos, mas trata também e principalmente das divagações e aflições do personagem principal.</p>
<p>Faz sentido dizer que a maioria dos planos de <em>Viajo porque preciso…</em> não tem significado concreto ou função narrativa. Do mesmo modo, praticamente tudo aquilo que visa o horizonte e paisagens afins dura mais que o que o plano de fato mostra – mas esses fatos são menos um demérito que uma defesa da contemplação. E ainda que muitas vezes simplesmente não haja o que ser contemplado, faz parte do personagem esse sentir-se parado – a agonia e o tédio do personagem chegam a nos atingir, às vezes, sem eufemismo algum</p>
<p>Em filme que se assume tão ou mais experimental quanto narrativo, temos aí, no entanto, talvez – e paradoxalmente – uma tentativa de evitar uma monotonia que a ideia do filme sugere. Quase tudo não acontece em cena, mas na cabeça do personagem principal, a escrever suas cartas – trata-se de um filme epistolar de mão única. Como, então, filmar isso – algo tão ligado a um diário, algo a princípio tão anti-audiovisual?</p>
<p>Não temos uma resposta, mas uma opção arriscada, na qual os melhores momentos vêm de depoimentos (prostituta falando em vida-lazer, por exemplo), quando percebemos que os dois souberam extrair uma sinceridade tocante que emana daqueles que dirigem. Isso sem falar do personagem como entrevistador/provocador, em situação que nos liga inevitavelmente a ele fazendo o papel de diretor.</p>
<p>Esse caráter experimental, contudo, pode camuflar desnecessários tremeliques de câmera ao mostrar o personagem em meio à sua jornada, uma vez que não dá para chamar de experimental (ou dar qualquer mérito aqui) o que já virou um quase padrão – a câmera na mão nos dias de hoje.</p>
<p>Ainda assim, vale dizer que os altos do filme atingem um nível de sensibilidade que vem, entre outras coisas, justamente dessa abstração da narrativa convencional: da por vezes completa imersão em um mundo acima de tudo sensorial. Torto, talvez fatalmente torto, talvez o mais fraco trabalho de ambos, mas com momentos de coragem e brilhantismo bem-vindos.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>8mm</span></h2>
<p><strong>Paixão do visível</strong></p>
<p style=”text-align: left;”><em><img class=”aligncenter” src=”http://harpymarx.files.wordpress.com/2009/03/sylvia2.jpg” alt=”” width=”480″ height=”270″ />Na Cidade de Sylvia</em> (<em>En La Ciudad de Sylvia</em> – Espanha/ França, 2007) é meu primeiro contato com José Luis Guerín, catalão que teve três de seus longas exibidos no Panorama Internacional Coisa de Cinema. (Alguém sabe falar sobre?)</p>
<p>Guerín se mostra preocupado com a cidade, às vezes mais que com seus dois personagens principais, ou – o que pinta com alguma prioridade – as relações entre personagens diversos e o lugar onde vivem. No entanto, a busca dele (Xavier Lafitte) por ela (Pilar López de Ayala) é interessante a ponto de causar angústia quando algo foge do esperado. Ele desenha e retrata a cidade, é ele o mais afetado e sobre quem é o filme, é ele que não sabemos de fato o que sente, viveu ou viu; mas é ela que magnetiza a tela quando aparece.</p>
<p>Todavia, e felizmente, o filme vai além da contemplação de um sensacional rosto de uma boa atriz. Pode-se entrar em longas discussões e análises sobre memória e imagem, sobre miragem e dúvida; em uma palavra, sobre cinema. E, o que é melhor, através do cinema.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>Filmes da semana<br />
</span></h2>
<ol>
<li><strong>Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009), de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (Cine Vivo) (***)</strong></li>
<li><strong>Batalha no Céu (2008), de Carlos Reygadas (sala Walter da Silveira) (***1/2)</strong></li>
<li><strong>O Refúgio (2009), de François Ozon (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***)</strong></li>
<li><strong>O Profeta (2009), de Jacques Audiard (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***1/2)</strong></li>
<li>O Demônio das 11 Horas (1965), de Jean-Luc Godard (DVDRip) (****)</li>
<li>Na Cidade de Sylvia (2007), de José Luis Guerín (DVDRip) (***1/2)</li>
</ol>
<p>______________</p>
<p><strong>Leandro Afonso</strong> é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.</p>
Antigo ponto de parada de tropeiros que se deslocavam entre o sul e o sudoeste da Bahia, o bairro itabunense de Ferradas está completando 195 anos de história. Para marcar o aniversário, uma interessante programação cultural foi montada pela Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania. As atividades acontecem de 15 a 19 deste mês.
Constam na programação a apresentação de fanfarras, desfile temático, mostra de cinema, lançamento de livros, ruas de lazer, tarde recreativa e participação de artistas regionais. Na mostra de cinema, um dos destaques da agenda, serão exibidos 15 filmes produzidos na Bahia.
Os produtores culturais Eva Lima e Ari Rodrigues coordenam os eventos.
No fim das contas, o que mais fica de Apenas o Fim (idem – Brasil, 2008), de Matheus Souza, é a expectativa do porvir. Não só pelo fato de o diretor ter apenas 19 anos quando o fez, mas também porque o que ali existe de discutível parece ser (em visão otimista) menos um problema e mais um modo simples de fazer cinema.
São dois personagens, um homem e uma mulher (os bons Gregório Duvivier e Érika Mader), que diz estar de partida e que tem apenas uma hora para ficar com ele. Woody Allen e Domingos Oliveira, Richard Linklater e seu Antes do Pôr-do-Sol são as óbvias e principais referências ou lembranças. São, em suma, 80 minutos de um filme falado, calcado na palavra de dois personagens e de poucos coadjuvantes.
Pode-se dizer que a mise-en-scène beira o desleixo de tão minimalista, mas sua função parece ser, primeiramente, não atrapalhar o texto; pode-se ainda frisar a crítica ao alegar que ou ele não domina a linguagem, ou a relega para segundo plano.
Por outro lado, da mesma forma que o conteúdo de alguns filmes está na forma, no estilo, é lógico dizer que a relevância de sua obra está no diálogo, na escrita a mão. A palavra é o que importa, a comédia vem em seguida. E nos dois casos ele funciona, especialmente por causa do caráter nonsense, que atinge níveis estratosféricos.
São comentários sobre Backstreet Boys, Star Wars, Transformers e Godard; aranhas, terapia, He-Man, e Itabuna e sua mosquitada.
Em quase todos esses momentos, todavia, Matheus Souza deixa clara a diferença de investimento, a límpida preferência de profundidade para o homem. Ele é tão mais interessante quando fala que ela se assemelha a um subterfúgio para que ele (personagem) divague, da mesma maneira que o audiovisual fica como apenas o meio para que ele (diretor) exercite o que sabe fazer. Quando se exige uma sensibilidade mais aguçada, como no momento em que o casal chora, ele (via atores) demonstra que não transpõe a sensação, para a tela, com a mesma fluência.
Ao término, pode-se falar em exibicionismo, como também pode-se dizer que, pelo menos aqui, Matheus Souza dá sinais de ser mais esperto e inteligente que cinematográfico. Mas esse porém, pequeno, pode ser uma simples questão de (falta de) experiência. E, mesmo que não seja, seria ótimo se as falhas da média de filmes do gênero, no Brasil, fossem como as daqui.
Filmes da semana 1. Lola Montés (1955), de Max Ophüls (DVDRip) (***) 2. Coco Chanel e Igor Stravinsky (2009), de Jan Kounen (Cinema do Museu) (***)
3. Uma Mulher é Uma Mulher (1961), de Jean-Luc Godard (DVDRip) (***1/2)
4. Noite de Estréia (1977), de John Cassavetes (DVDRip) (****)
Curta:
5. Os Filmes que eu não fiz (2008), de Gilberto Scarpa (Canal Brasil) (**1/2)
6. Noite de Sexta Manhã de Sábado (2006), de Kleber Mendonça Filho (Vimeo) (****) Filmes do mês
10. Uma Mulher é Uma Mulher (1961), de Jean-Luc Godard (DVDRip) (***1/2)
9. O Sol por Testemunha (1960), de René Clément (DVD) (***1/2)
8. Apenas o Fim (2008), de Matheus Souza (DVDRip) (***1/2) 7. Tudo Pode dar Certo (2009), de Woody Allen (Cinema do Museu) (***1/2) 6. Meu Nome é Sabine (2007), de Sandrine Bonnaire (Sala Walter da Silveira – DVD) (***1/2)
5. Noite de Estréia (1977), de John Cassavetes (DVDRip) (****) 4. Antes do Amanhecer (1995), de Richard Linklater (Cine Vivo – DVD) (****) 3. Os Incompreendidos (1959), de François Truffaut (Sala Walter da Silveira – DVD) (****) 2. Antes do Pôr-do-sol (2004), de Richard Linklater (Cine Vivo – DVD) (****1/2)
1. Lola (1982), de Rainer Werner Fassbinder (DVD) (****1/2)
______________ Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg”><img title=”70 MM” src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg” alt=”” width=”559″ height=”95″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg”><img class=”aligncenter size-full wp-image-30092″ title=”Final 3″ src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg” alt=”” width=”42″ height=”13″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”>
<p><strong>Leandro Afonso</strong> | <a href=”http://www.ohomemsemnome.blogspot.com”>www.ohomemsemnome.blogspot.com</a></p>
<p><em><img class=”alignright” src=”http://roteiroceara.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/09/BLOG2_viajo_porque_preciso_volto_porque_te_amo_cultura.jpg” alt=”” width=”368″ height=”182″ />Viajo porque preciso, volto porque te amo</em> (<em>idem</em> – Brasil, 2009), de Karim Aïnouz (<em>O Céu de Suely</em>, <em>Madame Satã</em>) e Marcelo Gomes (<em>Cinema, Aspirinas e Urubus</em>), é um <em>road-movie </em>experimental (também por isso inevitavelmente irregular) que tem de melhor o que de melhor seus dois diretores podem oferecer – especialmente Aïnouz. É um filme em um meio, o semi-árido nordestino, e sobre sentimentos – carinho, amor, rejeição – já visitados por ambos, mas trata também e principalmente das divagações e aflições do personagem principal.</p>
<p>Faz sentido dizer que a maioria dos planos de <em>Viajo porque preciso…</em> não tem significado concreto ou função narrativa. Do mesmo modo, praticamente tudo aquilo que visa o horizonte e paisagens afins dura mais que o que o plano de fato mostra – mas esses fatos são menos um demérito que uma defesa da contemplação. E ainda que muitas vezes simplesmente não haja o que ser contemplado, faz parte do personagem esse sentir-se parado – a agonia e o tédio do personagem chegam a nos atingir, às vezes, sem eufemismo algum</p>
<p>Em filme que se assume tão ou mais experimental quanto narrativo, temos aí, no entanto, talvez – e paradoxalmente – uma tentativa de evitar uma monotonia que a ideia do filme sugere. Quase tudo não acontece em cena, mas na cabeça do personagem principal, a escrever suas cartas – trata-se de um filme epistolar de mão única. Como, então, filmar isso – algo tão ligado a um diário, algo a princípio tão anti-audiovisual?</p>
<p>Não temos uma resposta, mas uma opção arriscada, na qual os melhores momentos vêm de depoimentos (prostituta falando em vida-lazer, por exemplo), quando percebemos que os dois souberam extrair uma sinceridade tocante que emana daqueles que dirigem. Isso sem falar do personagem como entrevistador/provocador, em situação que nos liga inevitavelmente a ele fazendo o papel de diretor.</p>
<p>Esse caráter experimental, contudo, pode camuflar desnecessários tremeliques de câmera ao mostrar o personagem em meio à sua jornada, uma vez que não dá para chamar de experimental (ou dar qualquer mérito aqui) o que já virou um quase padrão – a câmera na mão nos dias de hoje.</p>
<p>Ainda assim, vale dizer que os altos do filme atingem um nível de sensibilidade que vem, entre outras coisas, justamente dessa abstração da narrativa convencional: da por vezes completa imersão em um mundo acima de tudo sensorial. Torto, talvez fatalmente torto, talvez o mais fraco trabalho de ambos, mas com momentos de coragem e brilhantismo bem-vindos.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>8mm</span></h2>
<p><strong>Paixão do visível</strong></p>
<p style=”text-align: left;”><em><img class=”aligncenter” src=”http://harpymarx.files.wordpress.com/2009/03/sylvia2.jpg” alt=”” width=”480″ height=”270″ />Na Cidade de Sylvia</em> (<em>En La Ciudad de Sylvia</em> – Espanha/ França, 2007) é meu primeiro contato com José Luis Guerín, catalão que teve três de seus longas exibidos no Panorama Internacional Coisa de Cinema. (Alguém sabe falar sobre?)</p>
<p>Guerín se mostra preocupado com a cidade, às vezes mais que com seus dois personagens principais, ou – o que pinta com alguma prioridade – as relações entre personagens diversos e o lugar onde vivem. No entanto, a busca dele (Xavier Lafitte) por ela (Pilar López de Ayala) é interessante a ponto de causar angústia quando algo foge do esperado. Ele desenha e retrata a cidade, é ele o mais afetado e sobre quem é o filme, é ele que não sabemos de fato o que sente, viveu ou viu; mas é ela que magnetiza a tela quando aparece.</p>
<p>Todavia, e felizmente, o filme vai além da contemplação de um sensacional rosto de uma boa atriz. Pode-se entrar em longas discussões e análises sobre memória e imagem, sobre miragem e dúvida; em uma palavra, sobre cinema. E, o que é melhor, através do cinema.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>Filmes da semana<br />
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<li><strong>Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009), de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (Cine Vivo) (***)</strong></li>
<li><strong>Batalha no Céu (2008), de Carlos Reygadas (sala Walter da Silveira) (***1/2)</strong></li>
<li><strong>O Refúgio (2009), de François Ozon (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***)</strong></li>
<li><strong>O Profeta (2009), de Jacques Audiard (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***1/2)</strong></li>
<li>O Demônio das 11 Horas (1965), de Jean-Luc Godard (DVDRip) (****)</li>
<li>Na Cidade de Sylvia (2007), de José Luis Guerín (DVDRip) (***1/2)</li>
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<p><strong>Leandro Afonso</strong> é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.</p>
Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street – Money Never Sleeps – 2010, EUA) é, basicamente, o Oliver Stone (Assassinos por Natureza, Platoon, JFK) de sempre. Aquele que usa o que critica, aquele que é a incoerência personificada na arte que faz. Mas, isto à parte, a continuação do filme de 1987 é um dos filmes menos infelizes do diretor.
Gordon Gekko (Michael Douglas) é enfim solto, sua filha Winnie é namorada de Jake Moore, (Shia LaBoeuf) homem de Wall Street, no que pode soar tanto como imprevisto do funcional destino como outra manipulação pouco convincente de Stone. Com sua tradicional sutileza de elefante, a abertura mostra como pai e filha, cada um na sua visão, reagem à libertação do Gekko mais velho.
Durante mais de duas horas, Stone bate na bolsa de valores, na especulação, na obsessão por ganhos, empréstimos e negócios; em suma, ele dá (de novo) várias pauladas no capitalismo essencialmente norte-americano. Em meio a isso, ele acrescenta mudanças de rumo de personagens, dramas e crises familiares. Tudo é até bem escrito e amarrado, dentro dos padrões Stonianos, e atuado (sejamos justos, ele não é um ruim diretor de atores), e o maniqueísmo não é tão extremo: tanto Gordon como Jake têm momentos ruins. Até Stone fazer o que, normalmente, ele faz.
A família, a obsessão pelo dinheiro e o que o seu excesso faz, são dois dos pilares do american way of life que Stone tanto combate, mas são justamente o dinheiro e a família falam mais forte; deu tudo certo, no melhor estilo americano. Pode-se dizer que ele faz uma constatação, só que o cheiro não é de um olhar, de uma opinião, mas de um determinismo aliado a concessão – mesmo que insconsciente, caso ele tenha tido o corte final. A crítica que ele faz se dilui, o final não deixa espaço para a dúvida ou a ironia.
Em uma das falas de Gordon, ele diz que “o dinheiro é uma puta que nunca dorme”. Ela é apenas uma das interessantes frases de efeito e boas ideias do filme, cheio delas. Mas, desde a poluição e a confusão das telas divididas ao didatismo da amostra da alternativa energética, Stone acredita mais em seus ideais que na construção que possa fazer alguém levá-lo a sério como tudo que parece querer ser: antropólogo, sociólogo, político e, quando possível, cineasta. Bons momentos se perdem em meio às opções dadas pela puta que nunca dorme.
Visto, em cabine de imprensa, no Cinemark – Salvador, setembro de 2010
Filmes da semana 1. Os Incompreendidos (1959), de François Truffaut (Sala Walter da Silveira – DVD) (****) 2. Quem Matou Leda (1959), de Claude Chabrol (Sala Walter da Silveira – DVD) (**1/2)
3. Apenas o Fim (2008), de Matheus Souza (DVDRip) (***1/2) 4. Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme (2010) (Cinemark – Cabine de imprensa) (**1/2) 5. Insolação (2009), de Felipe Hirsch e Daniela Tomas (Cinemark) (**)
______________ Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg”><img title=”70 MM” src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg” alt=”” width=”559″ height=”95″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg”><img class=”aligncenter size-full wp-image-30092″ title=”Final 3″ src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg” alt=”” width=”42″ height=”13″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”>
<p><strong>Leandro Afonso</strong> | <a href=”http://www.ohomemsemnome.blogspot.com”>www.ohomemsemnome.blogspot.com</a></p>
<p><em><img class=”alignright” src=”http://roteiroceara.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/09/BLOG2_viajo_porque_preciso_volto_porque_te_amo_cultura.jpg” alt=”” width=”368″ height=”182″ />Viajo porque preciso, volto porque te amo</em> (<em>idem</em> – Brasil, 2009), de Karim Aïnouz (<em>O Céu de Suely</em>, <em>Madame Satã</em>) e Marcelo Gomes (<em>Cinema, Aspirinas e Urubus</em>), é um <em>road-movie </em>experimental (também por isso inevitavelmente irregular) que tem de melhor o que de melhor seus dois diretores podem oferecer – especialmente Aïnouz. É um filme em um meio, o semi-árido nordestino, e sobre sentimentos – carinho, amor, rejeição – já visitados por ambos, mas trata também e principalmente das divagações e aflições do personagem principal.</p>
<p>Faz sentido dizer que a maioria dos planos de <em>Viajo porque preciso…</em> não tem significado concreto ou função narrativa. Do mesmo modo, praticamente tudo aquilo que visa o horizonte e paisagens afins dura mais que o que o plano de fato mostra – mas esses fatos são menos um demérito que uma defesa da contemplação. E ainda que muitas vezes simplesmente não haja o que ser contemplado, faz parte do personagem esse sentir-se parado – a agonia e o tédio do personagem chegam a nos atingir, às vezes, sem eufemismo algum</p>
<p>Em filme que se assume tão ou mais experimental quanto narrativo, temos aí, no entanto, talvez – e paradoxalmente – uma tentativa de evitar uma monotonia que a ideia do filme sugere. Quase tudo não acontece em cena, mas na cabeça do personagem principal, a escrever suas cartas – trata-se de um filme epistolar de mão única. Como, então, filmar isso – algo tão ligado a um diário, algo a princípio tão anti-audiovisual?</p>
<p>Não temos uma resposta, mas uma opção arriscada, na qual os melhores momentos vêm de depoimentos (prostituta falando em vida-lazer, por exemplo), quando percebemos que os dois souberam extrair uma sinceridade tocante que emana daqueles que dirigem. Isso sem falar do personagem como entrevistador/provocador, em situação que nos liga inevitavelmente a ele fazendo o papel de diretor.</p>
<p>Esse caráter experimental, contudo, pode camuflar desnecessários tremeliques de câmera ao mostrar o personagem em meio à sua jornada, uma vez que não dá para chamar de experimental (ou dar qualquer mérito aqui) o que já virou um quase padrão – a câmera na mão nos dias de hoje.</p>
<p>Ainda assim, vale dizer que os altos do filme atingem um nível de sensibilidade que vem, entre outras coisas, justamente dessa abstração da narrativa convencional: da por vezes completa imersão em um mundo acima de tudo sensorial. Torto, talvez fatalmente torto, talvez o mais fraco trabalho de ambos, mas com momentos de coragem e brilhantismo bem-vindos.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>8mm</span></h2>
<p><strong>Paixão do visível</strong></p>
<p style=”text-align: left;”><em><img class=”aligncenter” src=”http://harpymarx.files.wordpress.com/2009/03/sylvia2.jpg” alt=”” width=”480″ height=”270″ />Na Cidade de Sylvia</em> (<em>En La Ciudad de Sylvia</em> – Espanha/ França, 2007) é meu primeiro contato com José Luis Guerín, catalão que teve três de seus longas exibidos no Panorama Internacional Coisa de Cinema. (Alguém sabe falar sobre?)</p>
<p>Guerín se mostra preocupado com a cidade, às vezes mais que com seus dois personagens principais, ou – o que pinta com alguma prioridade – as relações entre personagens diversos e o lugar onde vivem. No entanto, a busca dele (Xavier Lafitte) por ela (Pilar López de Ayala) é interessante a ponto de causar angústia quando algo foge do esperado. Ele desenha e retrata a cidade, é ele o mais afetado e sobre quem é o filme, é ele que não sabemos de fato o que sente, viveu ou viu; mas é ela que magnetiza a tela quando aparece.</p>
<p>Todavia, e felizmente, o filme vai além da contemplação de um sensacional rosto de uma boa atriz. Pode-se entrar em longas discussões e análises sobre memória e imagem, sobre miragem e dúvida; em uma palavra, sobre cinema. E, o que é melhor, através do cinema.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>Filmes da semana<br />
</span></h2>
<ol>
<li><strong>Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009), de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (Cine Vivo) (***)</strong></li>
<li><strong>Batalha no Céu (2008), de Carlos Reygadas (sala Walter da Silveira) (***1/2)</strong></li>
<li><strong>O Refúgio (2009), de François Ozon (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***)</strong></li>
<li><strong>O Profeta (2009), de Jacques Audiard (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***1/2)</strong></li>
<li>O Demônio das 11 Horas (1965), de Jean-Luc Godard (DVDRip) (****)</li>
<li>Na Cidade de Sylvia (2007), de José Luis Guerín (DVDRip) (***1/2)</li>
</ol>
<p>______________</p>
<p><strong>Leandro Afonso</strong> é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.</p>
Em Nosso Lar (idem – Brasil, 2010), Wagner Assis pode deixar muitos com vontade de morrer. Se esse foi seu desejo, bingo; mas se ele quis chegar a um resultado que, além da religião, demonstrasse fé no meio usado para tal, ele falhou.
Desde toda a publicidade envolvendo as cifras (teoricamente R$ 20 milhões), muito se falou dos efeitos especiais. O porém é que quase todas computações gráficas chamam mais atenção para si que ajudam na criação de um filme além do deleite de imagens.
Por “imagens”, no entanto, vejo uma espécie de deslumbramento “arquitetônico” e religioso que não vão além disso. As palavras, as imagens, os efeitos, todos são apenas belezas individuais (palavras e efeitos nem isso) e narcisistas; não formam um todo.
Assis não parece acreditar no cinema que faz, mas na ideia que faz do que seria um cinema se feito no mundo espiritual. Uma mistura entre Niemeyer (citado por Inácio Araújo) e Walt Disney com efeitos americanos década de 80; só que acrescido de açúcar e álcool. A soma é mundo perfeitamente asséptico no qual, entre reacionários, encarnações a fins, há sempre uma nova chance.
É nisso que Assis acredita, o que ele deixa claro a cada cena, muito mais do que cinema. A quem ele não deu chance alguma.
Visto no Shopping Barra – setembro de 2010. 8mm
Poderia falar horas sobre Superoutro (1989), de Edgard Navarro, mas dificilmente falaria algo de novo ou, pelo menos, relevante. Dito isto, só friso uma impressão: não sei em qual filme dos últimos 20 anos, entre os feitos aqui, temos uma Salvador tão pulsante. Se há, ou não vi ou não lembro. Filmes da semana 1. Antes do Pôr-do-sol (2004), de Richard Linklater (Cine Vivo – DVD) (****1/2) 2. Nosso Lar (2010), de Wagner de Assis (UCI Orient Shopping Barra) (**) Curta:
3. Gibraltar e as Bicicletas (2009), de Marccela Vegah (Youtube) (***) Média:
4. Superoutro (1989), de Edgard Navarro (TVRip) (****)
______________ Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg”><img title=”70 MM” src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg” alt=”” width=”559″ height=”95″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg”><img class=”aligncenter size-full wp-image-30092″ title=”Final 3″ src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg” alt=”” width=”42″ height=”13″ /></a></p>
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<p><strong>Leandro Afonso</strong> | <a href=”http://www.ohomemsemnome.blogspot.com”>www.ohomemsemnome.blogspot.com</a></p>
<p><em><img class=”alignright” src=”http://roteiroceara.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/09/BLOG2_viajo_porque_preciso_volto_porque_te_amo_cultura.jpg” alt=”” width=”368″ height=”182″ />Viajo porque preciso, volto porque te amo</em> (<em>idem</em> – Brasil, 2009), de Karim Aïnouz (<em>O Céu de Suely</em>, <em>Madame Satã</em>) e Marcelo Gomes (<em>Cinema, Aspirinas e Urubus</em>), é um <em>road-movie </em>experimental (também por isso inevitavelmente irregular) que tem de melhor o que de melhor seus dois diretores podem oferecer – especialmente Aïnouz. É um filme em um meio, o semi-árido nordestino, e sobre sentimentos – carinho, amor, rejeição – já visitados por ambos, mas trata também e principalmente das divagações e aflições do personagem principal.</p>
<p>Faz sentido dizer que a maioria dos planos de <em>Viajo porque preciso…</em> não tem significado concreto ou função narrativa. Do mesmo modo, praticamente tudo aquilo que visa o horizonte e paisagens afins dura mais que o que o plano de fato mostra – mas esses fatos são menos um demérito que uma defesa da contemplação. E ainda que muitas vezes simplesmente não haja o que ser contemplado, faz parte do personagem esse sentir-se parado – a agonia e o tédio do personagem chegam a nos atingir, às vezes, sem eufemismo algum</p>
<p>Em filme que se assume tão ou mais experimental quanto narrativo, temos aí, no entanto, talvez – e paradoxalmente – uma tentativa de evitar uma monotonia que a ideia do filme sugere. Quase tudo não acontece em cena, mas na cabeça do personagem principal, a escrever suas cartas – trata-se de um filme epistolar de mão única. Como, então, filmar isso – algo tão ligado a um diário, algo a princípio tão anti-audiovisual?</p>
<p>Não temos uma resposta, mas uma opção arriscada, na qual os melhores momentos vêm de depoimentos (prostituta falando em vida-lazer, por exemplo), quando percebemos que os dois souberam extrair uma sinceridade tocante que emana daqueles que dirigem. Isso sem falar do personagem como entrevistador/provocador, em situação que nos liga inevitavelmente a ele fazendo o papel de diretor.</p>
<p>Esse caráter experimental, contudo, pode camuflar desnecessários tremeliques de câmera ao mostrar o personagem em meio à sua jornada, uma vez que não dá para chamar de experimental (ou dar qualquer mérito aqui) o que já virou um quase padrão – a câmera na mão nos dias de hoje.</p>
<p>Ainda assim, vale dizer que os altos do filme atingem um nível de sensibilidade que vem, entre outras coisas, justamente dessa abstração da narrativa convencional: da por vezes completa imersão em um mundo acima de tudo sensorial. Torto, talvez fatalmente torto, talvez o mais fraco trabalho de ambos, mas com momentos de coragem e brilhantismo bem-vindos.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>8mm</span></h2>
<p><strong>Paixão do visível</strong></p>
<p style=”text-align: left;”><em><img class=”aligncenter” src=”http://harpymarx.files.wordpress.com/2009/03/sylvia2.jpg” alt=”” width=”480″ height=”270″ />Na Cidade de Sylvia</em> (<em>En La Ciudad de Sylvia</em> – Espanha/ França, 2007) é meu primeiro contato com José Luis Guerín, catalão que teve três de seus longas exibidos no Panorama Internacional Coisa de Cinema. (Alguém sabe falar sobre?)</p>
<p>Guerín se mostra preocupado com a cidade, às vezes mais que com seus dois personagens principais, ou – o que pinta com alguma prioridade – as relações entre personagens diversos e o lugar onde vivem. No entanto, a busca dele (Xavier Lafitte) por ela (Pilar López de Ayala) é interessante a ponto de causar angústia quando algo foge do esperado. Ele desenha e retrata a cidade, é ele o mais afetado e sobre quem é o filme, é ele que não sabemos de fato o que sente, viveu ou viu; mas é ela que magnetiza a tela quando aparece.</p>
<p>Todavia, e felizmente, o filme vai além da contemplação de um sensacional rosto de uma boa atriz. Pode-se entrar em longas discussões e análises sobre memória e imagem, sobre miragem e dúvida; em uma palavra, sobre cinema. E, o que é melhor, através do cinema.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>Filmes da semana<br />
</span></h2>
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<li><strong>Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009), de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (Cine Vivo) (***)</strong></li>
<li><strong>Batalha no Céu (2008), de Carlos Reygadas (sala Walter da Silveira) (***1/2)</strong></li>
<li><strong>O Refúgio (2009), de François Ozon (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***)</strong></li>
<li><strong>O Profeta (2009), de Jacques Audiard (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***1/2)</strong></li>
<li>O Demônio das 11 Horas (1965), de Jean-Luc Godard (DVDRip) (****)</li>
<li>Na Cidade de Sylvia (2007), de José Luis Guerín (DVDRip) (***1/2)</li>
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<p><strong>Leandro Afonso</strong> é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.</p>
No retorno à Nova Iorque, com Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works – EUA/ França, 2009), Woody Allen se liberta de vez. Não que ele estivesse enclausurado, mas se especialmente em Match Point e Sonho de Cassandra ele esteve naturalmente ligado a projetos densos e tensos, limitado pelo tema e testado pela necessidade de domínio do drama e até certo ponto do suspense, aqui ele volta a despejar toda sua veia cômico-pessimista.
A aparência de completa despreocupação com a formalidade dos outros filmes é tão gritante quanto saudável, e mostra que ele ainda pode oscilar com algum êxito entre extremos.
Aqui, ele está menos Dostoievski e mais Groucho Marx. Seu pessimismo – através de Boris Yelnikof (ótimo Larry David) –, é direto, ofensivo, jogado na cara do espectador quase que literalmente, só que sem deixar de ser jocoso. Como em Annie Hall, e provavelmente em outro filme que não lembro, ele volta a falar para a câmera.
As sempre presentes e funcionais caricaturas usadas quando busca o riso, por sua vez, são influenciadas como nunca pelo acaso (naturalmente “fabricado” por ele), mas essa obsessão talvez contribua para tornar as caricaturas e as mudanças menos críveis que nos melhores momento do autor.
Nesse caso, o maior exemplo é a pudica interiorana que chegou à meia idade com raros contatos sexuais com apenas um homem, e que, graças a um latente talento para fotografia, se descobre. A mudança é radical para o liberalismo: ela passa a ser a insaciável artista, com orgulho de, e que vive com dois homens.
Pode-se alegar, com boa dose de razão, que tanto o humor como o cuidado na escrita de Allen já foram mais sutis. Essa até certo ponto indelicadeza, contudo, está em sintonia não apenas com o estado bruto e inesperado de determinadas “sortes”, mas também com o que Boris pensa da vida.
Entre sequências louváveis, é inevitável lembrar o porquê de seu primeiro relacionamento ter dado errado, o momento em que Beethoven bate à porta de Melody (a sempre capaz Evan Rachel Wood), o raciocínio em que um personagem justifica o “fato” de Deus ser gay, e quase tudo falado por Boris.
Mesmo quando sua rabugentice talvez o leve a um aparente (e talvez exista) desleixo, aos 75 anos, Woody Allen ainda passa a impressão de ser alguém com certo tesão em filmar, com algo a dizer. Imaginá-lo ainda filmando, no Rio, com Carla Bruni, são coisas que ainda trazem expectativa. Revisto no Cinema do Museu – Salvador, setembro de 2010.
Filmes da semana 1. Antes do Amanhecer (1995), de Richard Linklater (Cine Vivo – DVD) (****)
2. Lola (1982), de Rainer Werner Fassbinder (DVD) (****1/2)
3. Os Intocáveis (1987), de Brian de Palma (DVD) (***)
4. O Sol por Testemunha (1960), de René Clément (DVD) (***1/2)
______________ Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg”><img title=”70 MM” src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg” alt=”” width=”559″ height=”95″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg”><img class=”aligncenter size-full wp-image-30092″ title=”Final 3″ src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg” alt=”” width=”42″ height=”13″ /></a></p>
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<p><strong>Leandro Afonso</strong> | <a href=”http://www.ohomemsemnome.blogspot.com”>www.ohomemsemnome.blogspot.com</a></p>
<p><em><img class=”alignright” src=”http://roteiroceara.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/09/BLOG2_viajo_porque_preciso_volto_porque_te_amo_cultura.jpg” alt=”” width=”368″ height=”182″ />Viajo porque preciso, volto porque te amo</em> (<em>idem</em> – Brasil, 2009), de Karim Aïnouz (<em>O Céu de Suely</em>, <em>Madame Satã</em>) e Marcelo Gomes (<em>Cinema, Aspirinas e Urubus</em>), é um <em>road-movie </em>experimental (também por isso inevitavelmente irregular) que tem de melhor o que de melhor seus dois diretores podem oferecer – especialmente Aïnouz. É um filme em um meio, o semi-árido nordestino, e sobre sentimentos – carinho, amor, rejeição – já visitados por ambos, mas trata também e principalmente das divagações e aflições do personagem principal.</p>
<p>Faz sentido dizer que a maioria dos planos de <em>Viajo porque preciso…</em> não tem significado concreto ou função narrativa. Do mesmo modo, praticamente tudo aquilo que visa o horizonte e paisagens afins dura mais que o que o plano de fato mostra – mas esses fatos são menos um demérito que uma defesa da contemplação. E ainda que muitas vezes simplesmente não haja o que ser contemplado, faz parte do personagem esse sentir-se parado – a agonia e o tédio do personagem chegam a nos atingir, às vezes, sem eufemismo algum</p>
<p>Em filme que se assume tão ou mais experimental quanto narrativo, temos aí, no entanto, talvez – e paradoxalmente – uma tentativa de evitar uma monotonia que a ideia do filme sugere. Quase tudo não acontece em cena, mas na cabeça do personagem principal, a escrever suas cartas – trata-se de um filme epistolar de mão única. Como, então, filmar isso – algo tão ligado a um diário, algo a princípio tão anti-audiovisual?</p>
<p>Não temos uma resposta, mas uma opção arriscada, na qual os melhores momentos vêm de depoimentos (prostituta falando em vida-lazer, por exemplo), quando percebemos que os dois souberam extrair uma sinceridade tocante que emana daqueles que dirigem. Isso sem falar do personagem como entrevistador/provocador, em situação que nos liga inevitavelmente a ele fazendo o papel de diretor.</p>
<p>Esse caráter experimental, contudo, pode camuflar desnecessários tremeliques de câmera ao mostrar o personagem em meio à sua jornada, uma vez que não dá para chamar de experimental (ou dar qualquer mérito aqui) o que já virou um quase padrão – a câmera na mão nos dias de hoje.</p>
<p>Ainda assim, vale dizer que os altos do filme atingem um nível de sensibilidade que vem, entre outras coisas, justamente dessa abstração da narrativa convencional: da por vezes completa imersão em um mundo acima de tudo sensorial. Torto, talvez fatalmente torto, talvez o mais fraco trabalho de ambos, mas com momentos de coragem e brilhantismo bem-vindos.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>8mm</span></h2>
<p><strong>Paixão do visível</strong></p>
<p style=”text-align: left;”><em><img class=”aligncenter” src=”http://harpymarx.files.wordpress.com/2009/03/sylvia2.jpg” alt=”” width=”480″ height=”270″ />Na Cidade de Sylvia</em> (<em>En La Ciudad de Sylvia</em> – Espanha/ França, 2007) é meu primeiro contato com José Luis Guerín, catalão que teve três de seus longas exibidos no Panorama Internacional Coisa de Cinema. (Alguém sabe falar sobre?)</p>
<p>Guerín se mostra preocupado com a cidade, às vezes mais que com seus dois personagens principais, ou – o que pinta com alguma prioridade – as relações entre personagens diversos e o lugar onde vivem. No entanto, a busca dele (Xavier Lafitte) por ela (Pilar López de Ayala) é interessante a ponto de causar angústia quando algo foge do esperado. Ele desenha e retrata a cidade, é ele o mais afetado e sobre quem é o filme, é ele que não sabemos de fato o que sente, viveu ou viu; mas é ela que magnetiza a tela quando aparece.</p>
<p>Todavia, e felizmente, o filme vai além da contemplação de um sensacional rosto de uma boa atriz. Pode-se entrar em longas discussões e análises sobre memória e imagem, sobre miragem e dúvida; em uma palavra, sobre cinema. E, o que é melhor, através do cinema.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>Filmes da semana<br />
</span></h2>
<ol>
<li><strong>Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009), de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (Cine Vivo) (***)</strong></li>
<li><strong>Batalha no Céu (2008), de Carlos Reygadas (sala Walter da Silveira) (***1/2)</strong></li>
<li><strong>O Refúgio (2009), de François Ozon (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***)</strong></li>
<li><strong>O Profeta (2009), de Jacques Audiard (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***1/2)</strong></li>
<li>O Demônio das 11 Horas (1965), de Jean-Luc Godard (DVDRip) (****)</li>
<li>Na Cidade de Sylvia (2007), de José Luis Guerín (DVDRip) (***1/2)</li>
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<p><strong>Leandro Afonso</strong> é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.</p>
É gravíssimo o estado de saúde do compositor ilheense Saul Barbosa, que se encontra internado no Hospital Espanhol, em Salvador. De acordo com o site Ibahia, o músico tem problemas renais e enfrenta complicações decorrentes do processo de hemodiálise.
A filha de Saul informou que ele está em coma induzido.