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Gerson (à esq.) emitiu laudo favorável a Ruy (Foto Sílvio View).

A Polícia Federal iniciou investigação para apurar irregularidade no pagamento de aposentadoria por invalidez ao presidente da Câmara de Vereadores de Itabuna, Ruy Machado (PRP). Ele recebe benefício do Ministério da Previdência desde 2005 por suposta cegueira nos dois olhos, atestada por laudo médico emitido pelo oftalmologista Gerson Nascimento.
Gerson também é vereador em Itabuna, pelo PSB. O laudo apontou que o presidente da Câmara tem suposta cegueira irreversível em “ambos os olhos”. A cegueira teria sido causada por retinopatia diabética (relembre matéria clicando aqui).
O caso hoje foi a principal matéria da edição estadual do BA-TV, da Rede Bahia. Ouvido pela reportagem, Ruy insistiu que é cego de um olho e perdeu 60% da visão do outro. Ele negou que tenha recebido aposentadoria no período em que está cumprindo mandato de vereador ou em que trabalhou na assessoria da presidência da Câmara de Itabuna ou na Assembleia Legislativa baiana.
Confira o vídeo com a reportagem de Lauro Moraes, da TV Santa Cruz, exibida hoje à noite em rede estadual. A reportagem apresenta extrato que comprovaria o pagamento de aposentadoria a Ruy nos anos de 2009 e 2010. Machado assumiu o mandato de vereador em janeiro de 2009. Gerson Nascimento não quis falar à reportagem.

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Sindicatos ligados à Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) fazem manifestação nesta quarta (7), às 10h, na praça Adami, para cobrar da presidência da Câmara de Vereadores que examine – logo – as contas de 2009 do prefeito Capitão Azevedo (DEM).
As contas estão há quase um ano no legislativo à espera da votação, que depende da Mesa Diretora para ser discutida e posta em votação. O prefeito teve as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Azevedo precisa de nove votos para reverter o parecer do tribunal.
Além da manifestação na praça Adami, os sindicalistas prometem ocupar a galeria do plenário Raymundo Lima para cobrar da presidência da Casa a votação imediata das contas de Azevedo. Requerimento nesse sentido já havia sido apresentado à Mesa Diretora na última sexta (confira aqui).

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A missa de Sétimo Dia de falecimento do empresário e ex-vereador Sílvio Sepúlveda será celebrada nesta quinta-feira (1º), na igreja Nossa Senhora da Conceição, no bairro Conceição.
A missa ocorrerá no bairro onde Sílvio viveu durante muito tempo e obteve a maioria dos votos nos três mandatos como vereador itabunense. A missa será celebrada a pedido do legislativo municipal por Sylvio ter sido presidente da Casa em um dos mandatos, segundo Raphael Sepúlveda.
Sílvio Sepúlveda faleceu na manhã da última sexta (24) de insuficiência respiratória. Empresário, fundador da União das Bancas de Itabuna (UBI) e vereador por três mandatos, ele sofria de Mal de Alzheimer (confira aqui).

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Sílvio ao lado de Jacira Sepúlveda (Foto Charles Henri).

O empresário Sílvio Sepúlveda, 88, faleceu nesta sexta (24), às 8h, após 15 dias internado no Hospital Calixto Midlej Filho, em Itabuna. Sílvio enfrentava sérias complicações de saúde e sofria de Mal de Alzheimer. A causa da morte foi apontada como insuficiência respiratória.
O empresário, vereador de Itabuna por três mandatos e fundador da União das Bancas de Itabuna (UBI), deixa esposa, Jacira, e sete filhos, dentre eles o músico Sérgio Sepúlveda.
Amigo de Sílvio, Reginaldo “Negão”, da UBI, lembra da luta do empresário pela vida e dos tempos de atuação política na Câmara. “Sílvio foi vereador por três vezes no tempo em que não se recebia [salário]”.
O corpo do empresário é velado no plenário da Câmara de Vereadores e será enterrado amanhã (dia 25), às 9h, no cemitério Campo Santo, em Itabuna.

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Brandão, Glebão e Nadson: vereadores por 90 dias.

Numa cerimônia de pouco mais de dez minutos, a Mesa Diretora da Câmara empossou os suplentes Glaby Carvalho de Andrade, o Glebão (PV), Júnior Brandão (PT) e Nadson Monteiro (PPS). Eles assumem mandato por 90 dias em lugar dos vereadores Ricardo Bacelar (PSC), Roberto de Souza (PR) e Clóvis Loiola (PSDC).
Os três vereadores foram afastados do cargo pelo juiz da 2ª Vara Cível e da Fazenda Pública, Gustavo Silva Pequeno, ao atender a pedido do Ministério Público estadual, que investiga desvios de aproximadamente R$ 564 mil destinados a pagamento de publicidade e divulgação de atos institucionais da Câmara de Vereadores.
De acordo com investigações do MP, o dinheiro foi desviado para o bolso de vereadores. O maior beneficiário dos desvios da verba de publicidade, conforme depoimento do ex-assessor Eduardo Freire, foi o ex-presidente Clóvis Loiola. Depoimento do publicitário Rui Barbosa também incrimina o ex-primeiro secretário Roberto de Souza, que diz ser alvo de “denúncias infundadas“.
Além de serem afastados, os vereadores, ex-assessores e o empresário Rui Barbosa, da Mozaico Fábrica de Resultados, tiveram os bens bloqueados pelo juiz Gustavo Pequeno. O magistrado ainda analisa pedido do promotor Inocêncio Carvalho, que solicitou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos nos desvios.

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Vereadores Clóvis Loiola, Ricardo Bacelar e Roberto de Souza são afastados pela Justiça.

O juiz da 2ª Vara Cível e da Fazenda Pública, Gustavo Silva Pequeno, afastou por 90 dias os vereadores Clóvis Loiola (PSDC), Roberto de Souza (PR) e Ricardo Bacelar (PSC) no processo que investiga desvio de R$ 564 mil por meio de verba para a publicidade da Câmara.
O juiz também determinou a busca e apreensão dos livros contáveis da agência de publicidade Mozaico Fábrica de Resultados, do empresário Rui Barbosa. Os vereadores continuarão recebendo proventos no período em que estiverem afastados. A decisão visa impedir que os edis interfiram na investigação.
Gustavo Silva Pequeno também decidiu pela indisponibilidade de bens dos três vereadores, do empresário Rui Barbosa e dos ex-assessores Eduardo Freire Menezes, Antônio José Pinto Muniz, José Rodrigues Júnior e Kleber Ferreira da Silva, além do bloqueio da Mozaico.
A presidência da Câmara de Itabuna deve definir ainda hoje para quando será marcada a posse dos suplentes dos vereadores afastados. Os suplentes são Glaby Carvalho de Andrade, o Glebão (PV),  Júnior Brandão (PT) – ou Emanoel Acilino (PT)-, e o radialista Nadson Monteiro (PPS).
O magistrado analisará o pedido de quebra de sigilos bancário e fiscal após responder a liminar requerida pelo promotor público Inocêncio Carvalho, que investiga o “Loiolagate”. O promotor afirmou ao PIMENTA que a investigação de corrupção na Câmara de Vereadores resultou em três inquéritos. Até agora, duas ações civis públicas foram movidas pela promotoria contra vereadores, assessores e empresas.
Das duas ações, uma delas investiga empresas contratadas para diversos serviços terceirizados, a exemplo de limpeza, vigilância, manutenção do prédio da Câmara e contratação de funcionários. São cinco empresas constituídas, segundo o MP, para lesar os cofres públicos.

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Roberto de Souza aciona advogados para tomar cadeira de Ruy (Montagem Pimenta).

A Câmara de Vereadores de Itabuna realizou três eleições para escolher o atual presidente, Ruy Machado. A primeira, em meados de 2009, foi anulada por erros regimentais. Dela saiu vencedora a chapa encabeçada pelo vereador Roberto de Souza.
Numa segunda votação, em 30 de novembro de 2010, Ruy Machado foi o escolhido. Essa também foi anulada por descumprir o regimento da Casa. No apagar das luzes de 2010, exatamente no dia 31 de dezembro, nova eleição. Ruy “papou” e está na presidência até hoje.
Nesta semana, o juiz Gustavo Pequeno suspendeu (anulou) liminar que garantia uma desseas eleições. Os partidários de Roberto de Souza afirmam que o pleito anulado foi o que conduziu Ruy Machado ao cargo. Ruy e a assessora jurídica da Câmara, Cleide Souza, dizem que a liminar se refere à segunda eleição – exatamente a que o Legislativo havia anulado, a de 30 de novembro.
Por esse entendimento, o presidente fica onde está e Roberto de Souza continua vereador “canela seca”, sem cargos. Certo é que a batalha jurídica está longe do fim, pois Roberto acionou seus advogados para entrar com recurso no Tribunal de Justiça da Bahia. Acredita que ou ele assume ou então haverá nova eleição num prazo de, no máximo, 90 dias.

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O clima esquentou novamente na Câmara de Itabuna com o cerco que a polícia federal tem feito nos últimos meses, mas a pressão exercida em torno do ex-diretor administrativo, o ex-vereador Kleber Ferreira, se desfez. Também chamado de “O homem que copiava”, ele reuniria papelada suficiente para complicar, pelo menos, oito dos 13 vereadores da Casa.

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Eduardo Anunciação

Na verdade, esses poucos vereadores já não interpretam, não representam, não simbolizam os sentimentos da sociedade itabunense.

Se depender de alguns vereadores itabunenses, esta cosmopolita cidade só existe para alimentar seus apetites mercantilistas, comerciais, vorazes, lucros. Itabuna, para alguns vereadores, é um supermercado, um balcão de negócios. Ou, quem sabe, comunidade, sociedade de pererecas. Mas Itabuna é possuída de outros valores espirituais, morais, nobres e resistirá, combaterá os usurpadores do dinheiro público, os maus, por mais que a impunidade os favoreça. Itabuna é invendável e estou convencido de que iremos resistir sem preço e sem medo.

Na verdade, esses poucos vereadores já não interpretam, não representam, não simbolizam os sentimentos da sociedade itabunense. Mas, por motivos gananciosos, por razões amorais, imorais, estão estuprando a contemporânea história de Itabuna, como cada um deles mancha sua própria história política, objetivando garantir temporariamente ganhos financeiros particulares praticando gestos, ações indevidas com o patrimônio público. Nesta vida, tudo tem limites, apesar da brutalidade do “sistema” para com os decentes.

Ora, além de gananciosos e estúpidos, esses poucos vereadores, já identificados pelos veículos de comunicação, já conhecidos pela opinião pública, retratados pela sociedade, estão brincando com a sensibilidade dos contribuintes, com a sensibilidade do homem comum, como antigamente brincavam os senhores marqueses, os senhores feudais, os ditadores. Civilizadamente, a sociedade implora punição aos Tribunais de Justiça, ao Ministério Público, Polícia Federal.

Mas temos a obrigatoriedade de constrangedoramente reconhecer que a própria sociedade tem culpabilidade, a sociedade tem culpa neste processo. Paulo Maluf, por exemplo, que tem incontáveis processos nos Tribunais, novamente nesta eleição de 2010 conseguiu se reeleger deputado federal com a colossal quantidade de 500 mil votos. Alguém já dissera, sabiamente, que dentro da sociedade, dentro de cada um de nós, há dois cachorrinhos: o bom e o mau. Nós escolhemos qual deles vamos alimentar. Se a escolha for pelo bom, só coisas boas vão acontecer.

Eduardo Anunciação é jornalista e articulista do Diário Bahia e Contudo.

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Dez dias completados e nada da Câmara de Vereadores enviar o relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI) do Loiolagate ao Ministério Público estadual (MP). O relatório foi aprovado, por unanimidade, na sessão do último dia 16. Já nesta sexta-feira, 16, quem bateu à porta da promotoria recebeu a notícia de que o relatório ainda não chegou por lá.
O relatório pede a cassação do presidente da Câmara, Clovis Loiola, vê omissão do primeiro secretário, Roberto de Souza, e cita os ex-diretores Kleber Ferreira e Eduardo Freire por atos de improbidade, além de mostrar um forte esquema de desvio de dinheiro via empréstimo consignado fraudulento. A estimativa é de que mais de R$ 1 milhão tenham sido desviados dos cofres da Casa. O presidente, no entanto, fala em um rombo ainda maior: R$ 5,5 milhões.

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MÁRTIR CRUCIFICADO NOS POSTES DA META

Ousarme Citoaian

“O único número um que não é o primeiro da turma é o goleiro. Para gente do jogo melhor seria se fosse o número zero. Tem quem ache o goleiro um zero à esquerda, que fica no meio do gol só porque não sabe chutar a bola com a direita. É um mártir crucificado nos postes da meta por um só lance. Como Barbosa, que pagou pela vida por uma culpa que não teve no gol da vitória do Uruguai, no Maracanazo de 1950. Tantas defesas não o salvaram dos ataques injustos. Ficou o gol. Não sobrou o goleiro”. Esta parte da orelha, assinada por Mauro Beting (foto), antecipa a qualidade da linguagem de Goleiros: heróis e anti-heróis da camisa 1, livro de Paulo Guilherme.

SUBIDA METEÓRICA E QUEDA RETUMBANTE

Goleiros… não é só boa linguagem (expressa com simplicidade, clareza e correção – mantida à distância de esnobismos vocabulares), mas muito divertido e informativo, como resultado de uma pesquisa que cobre todos os ângulos possíveis dessa tantas vezes desdenhada posição no jogo de futebol: estrelas de alta grandeza, fracassados retumbantes, jornadas gloriosas, subidas meteóricas, quedas penosas – está tudo lá, retratado em 280 páginas recheadas de surpresas a cada capítulo. Mas o livro omite uma informação evidente, que está à vista de qualquer torcedor mais informado, e que é uma espécie de conquista extra da torcida do Flamengo.

FENÔMENO QUE COMEÇOU EM MOSSORÓ

Era a tarde de 17 de fevereiro de 1963, quando jogavam Potiguá e Baraúnas, em Mossoró/RN. O goleiro Xavier Oliveira, do Baraúnas, deu um chutão pra frente, a bola atravessou o campo (por certo não era muito grande) e chegou à grande área do adversário. Indeciso entre segurar logo a bola ou deixar que ela batesse no chão, o goleiro Dedeca, do Potiguá, escolheu a segunda alternativa: a pelota quicou e o encobriu. Foi, segundo Paulo Guilherme, o primeiro gol de goleiro registrado pela história. O grande Manga (ex-Botafogo e Internacional/RS, na capa do livro) fez um belo gol contra o Racing, quando jogava no Nacional de Montevidéu. E o rubro-negro com isso? Veja a seguir.

UM ERRO QUE JAMAIS SERÁ ESQUECIDO

O Flamengo de 1970 tinha Onça, Zanata, Ney e o lendário Fio Maravilha. Sem o brilhantismo da década seguinte, com Zico, Júnior, Leandro e Andrade – mas um time esforçado. Em 19 de setembro, no estádio Luso-Brasileiro/RJ, veio o inusitado. O goleiro Ubirajara cobrou um tiro de meta, lançando a bola em procura do atacante Ney, o vento estava a favor, a bola foi indo, foi indo, foi indo… e só parou no fundo das redes do Madureira. Ubirajara (da Silva Alcântara) entrou para a história como o primeiro goleiro a marcar um gol para o clube. Esta é a passagem que o livro omite. O ótimo Paulo Guilherme, mesmo que viva cem vidas, jamais será perdoado pela isenta torcida rubro-negra. Tomou um frango.

CORTAR GASTOS, POR CONTA DO DUODÉCIMO

Em nota enviada à mídia (em 28 de setembro) a Câmara de Vereadores de Itabuna informa que “passou por muitas adequações a partir da redução do duodécimo” e, “por conta disso”, teve de tomar algumas decisões etc.etc. Bem que eu, sonhador incorrigível, me sentiria feliz com atitudes que reduzissem as despesas públicas em todos os níveis, inclusa a Câmara. Mas não é este, infelizmente, o motivo de nossa atenção ao texto. A preocupação é o “por conta de” – praga das mais recentes que grassam no (pseudo) jornalismo. A expressão pertence ao grupo das novidades inúteis e incomodativas.

INVESTIGAÇÃO POR CONTA DAS SUSPEITAS

Empregam “por conta de”, onde se deveria usar “por causa de”, uma impropriedade, já se vê. “Por conta de” se refere a dinheiro; “por causa de” trata do motivo para se tomar (ou não) alguma atitude: o vereador pode até viajar por conta da Câmara (gramaticalmente certo, e, muitas vezes, moralmente errado); mas “adequações” precisam ser por causa de alguma coisa (no caso, a redução do duodécimo). Dia desses, num noticiário de tevê, ouviu-se que “a investigação foi iniciada por conta das suspeitas”. Besteira. Foi por causa das suspeitas e, certamente, por conta do contribuinte.

É PRECISO HAVER RELAÇÃO DE CAUSALIDADE

A expressão, dizem os (bons) linguistas, nasceu nos anos noventa, pequenininha (como todo mundo nasceu), encorpou-se e invadiu as redações, a fala e a escrita. “A testemunha está com medo do bandido e, por conta disso, se recusa a depor” é construção comum nas mídias, mesmo que não se perceba relação de causalidade entre o medo e  a recusa. “Está tão certo de ganhar o aumento de salário que já está gastando por conta”, ao contrário, é bom português, falado ou grafado. Quem fala ou escreve “por conta de”, como nos exemplos referidos (se alfabetizado), não tem direito a defesa.

O INTENDENTE E O CALÇADÃO DE ILHÉUS

“Prefeitura atende antiga reivindicação e implanta calçadão na rua Sá de Oliveira”, diz a notícia do governo de Ilhéus, reproduzida em vários veículos regionais, na segunda quinzena de setembro. Logo na abertura do texto, afirma-se que técnicos do município “visitaram na manhã desta segunda-feira (20) a rua Sá Oliveira, centro”, o que nos leva inevitavelmente à pergunta: o nome é Sá de Oliveira (conforme o título) ou Sá Oliveira (como no texto)? Nenhuma das duas formas, isto é, mesmo com um palpite duplo, os redatores da notícia não acertaram o nome da rua. Mas é verdade que a placa ali afixada não os ajudou.

CULTO, DIGNO, INTELIGÊNCIA BRILHANTE

Fiquei tão indignado com a informação que decidi não ligar para a regência (a meu juízo) equivocada do verbo atender, economizando implicância para coisa mais grave: o nome do logradouro. Supõe-se que a placa ali fixada se refira a João Batista de Sá e Oliveira, primeiro intendente de Ilhéus, médico, jornalista, professor, etnólogo e pesquisador em antropologia. Fernando Sales o vê como “figura das mais fascinantes de sua geração, quer pelo brilho da inteligência e da cultura, quer pela clareza das palavras na cátedra [de medicina] que tanto honrou, ou nas concentrações políticas que tão bem soube dignificar”.

DESCASO DO LEGISLATIVO E DO EXECUTIVO

A forma Sá e Oliveira é referida, além de Fernando Sales, por Silva Campos, Sá Barreto e outros pesquisadores. “Sá de Oliveira” e “Sá Oliveira” são descuidos de alguns historiadores e que a mídia, em sua preguiça crônica, repete sem analisar. O maior desleixo, no entanto, nem há de ser debitado aos veículos de comunicação: é de pasmar que um projeto aprovado pela Câmara e sancionado pelo prefeito de Ilhéus (por certo, há muito tempo) não tenha esse erro palmar corrigido até hoje e não gere protestos de historiadores, familiares do homenageado ou da Academia de Letras de Ilhéus, que o tem como patrono de uma cadeira.

OPORTUNIDADE PARA CORRIGIR A OFENSA

A matéria divulgada pela Prefeitura de Ilhéus nos adianta que “na rua Sá Oliveira será colocado piso de alta resistência, além de rampas com a finalidade de permitir a acessibilidade de pessoas com deficiência” e que “a obra visa melhorar o fluxo de consumidores naquela rua”. A ideia de uma área livre da poluição dos automóveis e de seus condutores (alguns potencialmente assassinos) me encanta. Mas bem que o secretário Marconi Queiroz, dado como responsável pela obra, poderia corrigir na nova placa a ofensa que Ilhéus tem feito a um de seus filhos mais ilustres, nosso coleguinha jornalista Sá e Oliveira. E, assim, “melhorar o fluxo da verdade histórica”.
</span><strong><span style=”color: #ffffff;”> </span></strong></div> <h3 style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>E FRED JORGE CRIOU CELLY CAMPELLO!</span></h3> <div style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>No auge do sucesso, em 1965, a música teve uma versão no Brasil, gravada por Agnaldo Timóteo. Como costuma ocorrer com as

BOB MARLEY A SERVIÇO DA ANISTIA

Dia desses afirmei que considero Gilberto Gil (desde a morte de Luiz Gonzaga) o maior artista do pop brasileiro. Além dos recursos vocais, ele é letrista de primeira linha (forma ao lado de Caetano, Chico Buarque, Paulo César Pinheiro, Noel e outros notáveis de hoje e de ontem), grande músico e extraordinário “versionista” (o termo, parece-me, já entrou para o grupo dos arcaísmos). Foi ele quem ambientou “Não chore mais” (No woman no cry, de Bob Marley) na ditadura, aquela dos slogans excludentes (foto): “Bem que eu me lembro/ Da gente sentado ali/ Na grama do aterro, sob o sol/ Ob-observando hipócritas/ Disfarçados, rondando ao redor/ Amigos presos/ Amigos sumindo assim/ Prá nunca mais”.

TALENTO “VISTO” POR STEVE WONDER

Versão de Gil não é tradução literal, mas novo produto, conservada a melodia. Foi assim com No woman no cry e (mais ainda) com I just called to say I love you (Steve Wonder), esta uma letra de força romântica incomum, que me emociona até hoje, tendo sido lançada há um quarto de século (valha-me Deus!). Minha empolgação, descobri tempos depois, não era exagero de tiete: Wonder (foto) disse que a letra de Eu só chamei porque te amo era melhor do que a dele. Elogio bem merecido, por aquele tocante “Nada de mais, nada de mau/ Ninguém comigo, além da solidão/ Nem mesmo um verso original/ Pra te dizer e começar uma canção”. Grande, imenso Gilberto Passos Gil Moreira.

MESTRE EM PAPEL DE “COADJUVANTE”

No vídeo, uma interpretação magnífica, que marca também um lado pouco valorizado do ex-ministro, a humildade: na gravação, o mestre desce à simples condição de coadjuvante da cantora Carla Visi – que, com sua voz cristalina, se mostra à altura do momento. Clique, mesmo que isto faça aflorar antigos ferimentos do coração. Chorar faz bem aos olhos e à alma.

(O.C.)

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O depoimento do ex-assessor da presidência e ex-diretor administrativo da Câmara de Vereadores, Eduardo Menezes, já dura mais de sete horas.
A Comissão Especial de Inquérito (CEI) do “Loiolagate” começou a ouvi-lo às 11 horas desta sexta, na sala das Comissões Técnicas.
As primeiras informações são de que o depoimento é contundente e desnuda como funcionava boa parte do esquema de corrupção na Casa.
Eduardo Menezes era chefe do gabinete da presidência da Câmara e foi exonerado no mês passado. Fontes sustentam de que um dos alvos do depoimento é o líder do Governo, vereador Milton Gramacho, supostamente envolvido em repasses ilegais de dinheiro.

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O presidente da Câmara de Vereadores de Itabuna, Clóvis Loiola, exonerou cinco ocupantes de cargos comissionados indicados pela Mesa Diretora. Na rifa caiu muitos dos indicados pela oposição ao prefeito Azevedo e até ao próprio presidente.
As indicações aos cargos foram feitas por acordo que permitiu a eleição de Loiola, em janeiro do ano passado. Lhoiola havia dito aos vereadores atingidos de que a medida visava respeitar o limite de gastos com pessoal, estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Mentira, Terta. Estes cargos não ficarão vagos. Serão preenchidos agora por indicados pelo prefeito Azevedo e vereadores governistas. Os cargos, de livre nomeação, ofecerem salários que variam de R$ 1.250,00 a R$ 3 mil.
O tempo ameaça fechar de vez pro lado de Lhoiola.

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Porta do gabinete da presidência foi arrombada.

Chamem os bombeiros, pois a Câmara de Vereadores tá pegando fogo. Há pouco, houve uma discussão áspera entre o presidente da Casa, Clóvis Loiola (PPS), e o primeiro-secretário, Roberto de Souza (PR).
Roberto foi chamado ao gabinete por Loiola para discutir um decreto presidencial que exonerou todos os ocupantes de cargos comissionados da Casa, num total de 60. O presidente só manteve os comissionados que lhe servem no gabinete.
– Rasgue esse ato e limpe sua b…. que isso não tem validade nenhuma – reagiu Roberto, conforme relatos.
Daí, cinco homens que também fazem a segurança do prefeito Capitão Azevedo foram para cima do primeiro-secretário. No gabinete estavam Roberto, Loiola e Rui Machado. Seguranças são acusados de arrombar a porta.
A quase-pancadaria desagradou os vereadores da oposição e da bancada governista, que se reúnem em instantes para definir o afastamento de Loiola da presidência da Casa. Quem deve assumir o cargo é o vice, Solon Pinheiro (PSDB), que dá sustentação ao governo na Casa.
O vereador Wenceslau  Júnior (PCdoB) afirma que o ato de Loiola em demitir os cargos de confiança não tem validade, pois teria também de ser assinado pelos demais membros da Mesa Diretoria da Casa.
Os vereadores que estão na Casa condenaram o presidente da Câmara por aceitar a intromissão da equipe de segurança do prefeito e desrespeitar o próprio Regimento Interno.
Vereadores desconfiam que Loiola foi aconselhado pelo governo a tomar a atitude. Isso, porque, além dos seguranças do prefeito, também estava no hall da Câmara o comando da Guarda Municipal, aliado ao fato de Loiola ter se reunido longamente com Azevedo e auxiliares antes da decisão.
Atualizada às 12h30min