O Torneio da Morte só revela o nível do futebol praticado no sul da Bahia nesse ano de 2010. O Itabuna cai diante do Ipitanga por 2×0. Igual placar é registrado no ‘baba’ entre Madre de Deus e Colo Colo, de Ilhéus.
Final do primeiro tempo.
Ferreira, treinador do Itabuna, sai para o vestiário reclamando das falhas da equipe. “É muito erro, é muito erro”. Já estamos cansados de saber disso, Fanfarrão… Ops, Ferreira!
E no festival de obviedades do Ferreira, ele disse ao repórter Wagner Mendes, da rádio Difusora. “Dentro de campo [o time] faz um papelão horrível, triste”. Só agora o treinador enxergou isso?
O apresentador da TV Bahia referiu-se, no Jornal da Manhã, ao ex-secretário de Governo, Edésio Lima, como “acusado de matar os professores de Porto Seguro”. É incrível a falta de atenção dos nossos redatores (e, na televisão e no rádio, também dos apresentadores, que lêem as bobagens escritas pelos outros). O Pimenta, felizmente, não foi na mesma linha. Tratou Edésio Lima como “acusado de mandar matar os professores sindicalistas Elisney Pereira e Álvaro Henrique”. No dia anterior, estampou em manchete que saíra a preventiva “contra secretário acusado de matar professores”. O Pimenta está certo.
PROFESSORES OU “OS PROFESSORES”?
O caso é transparente. Com o artigo definido “os”, e sem complemento, a frase descreve um genocídio: em vez de a morte de dois professores, registra a de toda uma categoria profissional. Aceita-se “matar professores” ou “matar os professores etc. (etc. é especificação)”. O redator da tevê cometeu um equívoco muito comum na comunicação, que é tentar dizer uma coisa e dizer outra. O povo, na sua intuição, já explicou o mecanismo desses erros: “Quem não sabe rezar…”. E não me venham repetir, como justificativa, que “a língua é viva”. A língua é viva, sim, mas erro é erro, apesar da muleta errare humanum est.
O narrador da televisão, pré-apoplético e parecendo à beira de um ataque de histerismo, berra, a plenos pulmões, referindo-se à seleção brasileira de futebol: “É penta! É penta! É penta!”. Um exagero. Antes, dizia-se pentacampeão quem vencia um campeonato cinco vezes consecutivas (duas era bicampeão, três, tri etc.). A partir de 1970, quando o Brasil – com a melhor seleção de todos os tempos, a que João Saldanha (foto) montou – venceu sua terceira Copa do Mundo, popularizou-se a tendência de dizer-se tricampeão quem vence um campeonato três vezes, sem ser seguidas. Ao que me recorde, o jornalista Raimundo Galvão, que mencionamos aqui há dias, foi a primeira voz a se insurgir contra esse modo de dizer.
MENTIRA QUE VIRA VERDADE
Pouco sei de futebol (prefiro basquete e o xadrez), mas a discussão, sob o prisma da língua portuguesa, me fascina. Entendo que o Brasil é, de maneira indiscutível, bicampeão mundial, pois venceu as Copas de 1958 e 1962. Ao voltar a ganhar em 1970 (com a melhor seleção etc. etc.), tornou-se campeão pela terceira vez – e isto é diferente de ser tricampeão. Acontece que a mídia, por ignorância ou interesse, às vezes assume aquele comportamento atribuído a Goebells (ministro das Comunicações de Hitler): bate na mentira até que ela se transforme em verdade. O rito é mais ou menos este: lança-se a invenção, as ruas a adotam e ela adentra os compêndios, já travestida de verdade. A língua é viva, certo. Mas não precisa ser burra.
O FUTEBOL NO ANO 2110
É ocorrência admirável um time ser tricampeão regional (no sentido “clássico”). Mas obter três títulos não sucessivamente, convenhamos, é moleza. Depois, essa “nova” linguagem produz alguma confusão no público: como representar clubes como o Flamengo, por exemplo, que já foi trinta e três vezes campeão do Rio? Ou o Fluminense, trinta e duas vezes? Ou o Vitória e o Bahia? Percebe-se que, na Copa do Mundo, porque são poucos os países com vários títulos, isto é possível. Mas quando se trata de certames regionais é preferível ficar com o sistema “antigo”. Especialistas afiançam que, daqui a uns cem anos, quando as grandes seleções terão muitos títulos acumulados, o sistema “moderno” será esquecido.
SALDANHA E A MODA BLACK POWER
Por falar em futebol… Nos últimos tempos, jogadores passaram a adotar o estilo cabeça raspada. Ronaldo (foto), apelidado O fenômeno, é um dos últimos a adotar o modelo. Nos tempos em que o estilo black power estava em moda (os anos setenta), João Saldanha foi chamado à polêmica e, bem ao seu estilo, não fugiu da raia. O inventor da melhor seleção brasileira de futebol de todos os tempos foi, de novo, ao âmago da questão, mostrando que treino é treino e jogo é jogo. É engraçada sua sugestão de que os jogadores raspem a cabeça pra jogar e usem uma peruca na hora do rebolado (hoje se diz balada). Veja no vídeo.
Como esta coluna não tem formato definido, estando mais para panacum de bugigangas, vai aqui mais uma. Para não dizerem que só falamos mal da mídia, pretendemos registrar, habitualmente, a existência de textos jornalísticos de boa qualidade – pois que os há, sem dúvida. Comecemos com Hélio Pólvora, que produz, no jornal A Tarde, aos sábados, uma crônica que compensa, por si só, o preço que pagamos. Estilo leve, criativo, econômico, sem sobras, sem concessão aos adjetivos ociosos. Não é à toa que o autor de Os galos da aurora é fã confesso de Graciliano Ramos, tendo declarado que, em tempos de juventude, quase decorou Vidas secas. Mas não se apressem em pensar que HP se dedique ao odioso esporte do pastiche.
PRECISÃO CINEMATOGRÁFICA
Hélio é senhor de sua própria forma de expressão, aprovada pela crítica e demonstrada em cerca de 30 títulos, entre contos, crônicas e análise literária (tem em preparo o primeiro romance). Seu texto equilibra simplicidade e erudição, vazadas na fórmula mágica e difícil que muitos perseguem e poucos alcançam, e que fez a glória de um gênero eminentemente brasileiro, a crônica de jornal. Sobre a linguagem de Hélio Pólvora, assim falou Aramis Ribeiro Costa (foto): “É preciso registrar que foi o domínio da linguagem, unido à observação sagaz do ficcionista (…) que o fez primoroso na descrição de cenas e situações, bem como na ambientação das suas histórias, resultado obtido com poucas palavras e uma precisão que se diria fotográfica, ou, considerando a dinâmica do entrecho, cinematográfica”.
OLHAR SOBRE O COTIDIANO
Hélio (A Tarde – 13.3.2010) fala, com carinho, do sambista Ederaldo Gentil (foto):
“Por acaso encontrei cópia de um CD de suas melhores composições, em que Ederaldo se diz mais amargo do que o alumã, declara que não quer o dia, só a alvorada, queixa-se que a distância o mata e a saudade o maltrata, e vice-versa, e conclui que o próprio tempo é que não lhe deu tempo. Acusa uma mulher de ter sido ´cimento fraco na construção do meu lar´, e responsável por ´um amor em demolição´. Achados, Bossas. A filosofia das ruas está inteira nesses versos”. Hélio não desmente Aramis: espalha sobre pessoas, ações e sentimentos do cotidiano de nossas vidas a “observação sagaz do ficcionista”. É ler para crer.
“DESCENDO PARA BAIXO”
Vejo na TV Globo o sobe e desce das pesquisas eleitorais e, ao fim, ouço do apresentador William Bonner (foto) que “a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos”. O correto editor do Jornal Nacionallabora num erro daqueles que sua empresa – sabe-se lá o motivo – tenta repetir até transformar em acerto: variação de “x” pontos percentuais já diz tudo. “Para mais ou para menos” torna-se um reforço que agride a boa linguagem – algo parecido com subir para cima, descer para baixo, entrar para dentro e sair para fora. A tevê, em vez de informar os telespectadores, contribui para deseducá-los.
ETERNAMENTE EM BERÇO ESPÚRIO
Parece-me que o nome dessa coisa é redundância (também pleonasmo ou tautologia), algo que, se bem utilizado, dá cores vivas à frase. Alberto Janes escreveu e a extraordinária Amália Rodrigues (1920-1999) popularizou “E [Deus] deu-me esta voz a mim”. Há beleza neste verso pleonástico, longe do absurdo de “para mais ou para menos”. Aliás, o berço espúrio que embala esta expressão é o mesmo que embala “récorde”, termo estranho à língua portuguesa (certamente uma macaqueação do inglês record). Lembremos Dad Squarisi (foto): “Jornalistas têm de escrever tão bem quanto romancistas”.
FADO BRASILEIRO EM LISBOA
Que a citada Amália Rodrigues é a mais ilustre das cantoras portuguesas, todo mundo sabe. Mas há quem não saiba que o fado, elemento fundamental da cultura lusitana, tem mais a ver com o Brasil do que parece. O temido crítico José Ramos Tinhorão sustenta, baseado em pesquisa por ele feita, que o gênero nasceu em terras brasileiras – e depois se fez popular em Lisboa. Está tudo no livro Domingos Caldas Barbosa – o poeta da viola, da modinha e do lundu (foto), lançado em 2004. O modinheiro Caldas Barbosa (que teve por pseudônimo Lereno Selenuntino) teria sido o grande divulgador do fado brasileiro em Portugal.
PALMAS PARA A GRANDE DAMA
Tem mais. Amália Rodrigues (foto) também “nasceu” no Brasil. Foi no Rio de Janeiro, em 1945, que ela gravou seu primeiro disco (iniciara a carreira de cantora há alguns anos e ainda não gravara, sendo convencida a fazê-lo entre nós). Aliás, na turnê brasileira Amália agradou tanto que veio para ficar quatro semanas e ficou quatro meses. Mas as coincidências ainda não terminaram: foi no Rio, naquele período, que o compositor Frederico Valério, que acompanhava a cantora, fez um dos fados mais famosos de todos os tempos: Ai, Mouraria. No vídeo, Amália Rodrigues e o mencionado Foi Deus.
(O.C.)
Pouco sei de futebol (prefiro basquete e o xadrez), mas a discussão, sob o prisma da língua portuguesa, me fascina. Entendo que o Brasil é, de maneira indiscutível, bicampeão mundial, pois venceu as Copas de 1958 e 1962. Ao voltar a ganhar em 1970 (com a melhor seleção etc. etc.), tornou-se campeão pela terceira vez – e isto é diferente de ser tricampeão. Acontece que a mídia, por ignorância ou interesse, às vezes assume aquele comportamento atribuído a Goebells (ministro das Comunicações de Hitler): bate na mentira até que ela se transforme em verdade. O rito é mais ou menos este: lança-se a invenção, as ruas a adotam e ela adentra os compêndios, já travestida de verdade. A língua é viva, certo. Mas não precisa ser burra.
O vereador Roberto de Souza protagonizou momentos de tensão no programa Bola na Mesa, da rádio Difusora. A competente Silmara Souza [apesar do sobrenome, os dois não são parentes] falava dos problemas do Itabuna Esporte Clube no Baianão e Roberto, que também é radialista, comentava do outro lado. Citavam o presidente Ricardo Xavier, empresários… Silmara, então, emendou: “É, mas o técnico é Ferreira”.
O vereador e radialista não seguiu o raciocínio e entrou de sola, carrinho, cotovelo:
– Nem Wanderlei Luxemburgo dá jeito, Silmara. E não adianta me dar indireta…
Com a educação que lhe é peculiar, a radialista explicou que a crítica era dirigida ao time, não ao colega de microfone. Mas Roberto custou a se acalmar. Foi preciso a intervenção do comentarista esportivo Luiz Alberto.
Itabuna e Colo Colo jogam em casa e, por enquanto, vão empatando em 0x0. O Azulino joga contra o Madre de Deus. O Colo Colo enfrenta o Ipitanga. Os quatro times disputam o Torneio da Morte. Os dois times de pior campanha nesta fase… caem para a “Segundona”.
Para quem espera milagre, a realidade: O Itabuna conquistou apenas sete dos 36 pontos disputados na primeira fase. O Colo Colo foi um pouqinho melhor: somou 10 pontos.
O primeiro tempo no estádio Jóia da Princesa, em Feira de Santana, e o Vitória leva 2×0 do Bahia local – gols de Jacson, aos 28min, e João Neto, aos 37min. O jogo é o primeiro do mata-mata que definirá quem avança para a próxima fase do Baianão 2010. Será que o rubro-negro não passa da segunda fase?
O atacante Nino, do Madre de Deus, não converteu cobrança de pênalti e ajudou o Itabuna, no estádio Luiz Viana Filho. O jogador mandou a bola para fora.
Por enquanto, o jogo está Itabuna 0x0 Madre de Deus. Os dois times lutam para não cair para a Segundona. O “baba” começou às 16h.
Embora só se fale se Dunga ainda vai chamar Adriano para a Copa do Mundo, isso é exatamente o que menos importa.
Ou, pelo menos, o que menos deveria importar.
Não é de hoje que Adriano precisa se tratar, porque está doente de uma doença terrível, de difícil solução e que necessita de muita força de vontade do doente, além do respaldo daqueles que verdadeiramente querem o bem do doente.
E faz tempo que ninguém olha para Adriano assim, como alguém que precisa de ajuda.
Ele é o Imperador e quanto mais se puder tirar dele, melhor.
De crise em crise, de depressão em depressão, de confusão em confusão, Adriano se afunda num poço que pode não ter volta se não forem tomadas as medidas adequadas com a urgência que o caso evidentemente exige.
Em situações assim a crítica moral é tão deletéria como o paternalismo.
O time que Adriano tem de buscar agora não é nem o Flamengo nem a Seleção Brasileira: é o time dos Alcoólicos Anônimos, muito mais vitorioso do que se costuma imaginar.
O ilheense Colo Colo não tem mais chances de classificação à segunda fase do Estadual 2010. Nesta tarde, o time resistiu o quanto pôde, mas… O Bahia fez o primeiro do jogo e pulou à frente. Gol de Abedi, aos 41 minutos. Bahia 1×0 Colo Colo.
Hoje, o Itabuna Esporte Clube segue a lógica deste Baianão 2010. Aos 20 minutos, o atacante Robert, do Atlético de Alagoinhas, antecipou-se à defesa do Azulino e, de cabeça, abriu o placar no estádio Luiz Viana Filho (Itabunão).
Esta é a pior campanha do Azulino em toda a história dos estaduais.
Colo Colo: 11 jogos, 3 vitórias, 1 empate e 7 derrotas. 14 gols marcados e 25 sofridos. Último colocado do seu grupo.
Itabuna: 11 jogos, 2 vitórias, 1 empate e 8 derrotas. 7 gols marcados e 16 sofridos. Último colocado do seu grupo.
Esse é o melancólico saldo da participação das duas equipes sulbaianas no Campeonato Baiano de 2010. Mesmo faltando uma rodada para o encerramento da fase de classificação, ambos já estão condenados ao “Torneio da Morte”, que terá quatro equipes lutando não pelo glorioso (nem tanto, nem tanto!) título de campeão, mas para não despencar à mambembe 2ª. Divisão.
Colo Colo e Itabuna, rescaldo de uma rivalidade que hoje nem faz tanto sentido, afundaram abraçados, para desespero de torcedores apaixonados, que costumam lotar o Estádio Mario Pessoa e o Estádio Luiz Viana Filho, na eterna ilusão de que o titulo baiano não é apenas miragem, mas algo possível.
Em 2010, bastaram algumas rodadas para que essa conquista se configurasse como algo absolutamente impossível.
Dessa vez, não houve milagre nem arrancada para a classificação na reta final.
Tempo de leitura: 2minutosItabuna e Colo Colo fazem "Clássico dos Desesperados" (Foto Arquiv0/José Nazal).
Os dois times sul-baianos passam por situação delicada no Estadual 2010 e nessa condição se enfrentam neste domingo, 28, às 16h, no estádio Luiz Viana Filho (Itabunão). O jogo é válido pela 10ª rodada do campeonato.
Se perder, o Itabuna complicará de vez as suas chances de ainda poder disputar o título. A equipe venceu duas partidas, empatou uma e perdeu… seis. Acumula sete pontos. É o quarto do grupo 2, perseguido de perto pelo Ipitanga, também com sete pontos, mas no quinto lugar devido a critérios de desempate (o adversário direto do Azulino enfrenta o invicto Madre de Deus, neste domingo.
Já o Colo Colo vive no pior dos mundos. Não tem mais chance alguma de disputar o título. Com seis pontos, é o lanterna do grupo 1 do Baianão. Se ganhar, apenas alivia o clima tenso, afinal, a equipe é a única até aqui garantida no quadrangular da morte (quatro times vão se engalfinhar para evitar a queda no ‘porão’ do futebol regional – e olhe que a primeira divisão do Baiano já não é grande coisa!).
FERREIRA, A NOVIDADE (ITABUNENSE!)
O ingrediente extra para o jogo deste domingo é o técnico Ferreira. Há seis rodadas, o treinador foi contratado como a salvação do Colo Colo. Perdeu as cinco partidas em que esteve no comando do Tigre. Amanhã, Ferreira vai aparecer do outro lado.
No início desta semana, ele assumiu o Itabuna com a esperança de ajudá-lo a classificar-se para a próxima fase do Estadual. Nos jogos de ida, o Tigre meteu 2×1 no Azulino, no estádio Mário Pessoa. É hora da revanche para o Azulino. A venda de ingressos para o jogo deste domingo começa às 9h nas bilheterias do Itabunão.
Se este for o retrato perfeito do futebol baiano, diríamos que estamos ferrados, ferradíssimos. Dono da melhor campanha do Estadual 2010, o Vitória perdeu de 3×1 do Corinthians… de Alagoas, na sua estreia pela Copa do Brasil. O ‘baba’ foi na bela Maceió.
Desse jeito, é bom encomendar o caixão rubro-negro na Série A do Brasileiro.
Houve um tempo em que nos estádios de futebol as torcidas vestiam a camisa do time do coração e faziam tremular as bandeiras, entoando hinos de apoio ao clube e a seus ídolos. Um tempo em que ir ao estádio era um programa tipicamente familiar.
Era um tempo, também, em que se praticava o futebol-arte, de toques, dribles, lançamentos precisos e gols que, de tão bonitos, mereciam placas.
Vão longe esses tempos quase poéticos, em que Pelé, Garrincha, Didi, Rivelino, Falcão e Zico, só para citar os craques nacionais, desfilavam talento pelos gramados.
Da arte, sobraram lampejos perpetrados vez ou outra por um jogador extraclasse, cada vez mais raro, que insiste em romper as amarras de esquemas táticos que priorizam a força bruta.
E, por força de um espírito competitivo em que se joga para vencer ou vencer, a arte deu lugar à correria, à preparação física que transforma meninos talentosos em atletas-robôs.
Saiu a inspiração, entrou a transpiração.
Saíram os craques, entraram os guerreiros.
Sim, os guerreiros, que motivam até propaganda de cerveja e que transmutam, sem a menor sutileza, campos de futebol em campos de batalha.
Se o que temos é batalha campal, guerra pelo resultado positivo, nada mais natural que esse espírito guerreiro se espalhasse para as arquibancadas.
E se espalhou mesmo.
O torcedor espontâneo, apaixonado pelo time, deu lugar às chamadas torcidas organizadas, verdadeiras facções que se dirigem aos estádios como quem se dirige a uma guerra, onde é preciso abater o inimigo a qualquer preço.
Nada de apitos, buzinas, fogos de artifício.
Pedaços de pau, barras de ferro, bombas de fabricação caseira e revólveres compõem o kit-guerreiro. Um verdadeiro arsenal, para ferir e, se for o caso, matar o inimigo.
No futebol guerreiro, a guerra se dá em todas as frentes.
Alex Furlan de Santana, 26 anos, é a mais recente vítima dessa guerra. Ele foi baleado na cabeça durante um confronto entre torcedores do São Paulo e do Palmeiras. Outras 12 pessoas saíram feridas.
Em tempo: em campo, os guerreiros do Palmeiras venceram os guerreiros do São Paulo por 2×0.
O time do Itabuna Esporte Clube que entra em campo hoje contra o Vitória da Conquista estará desfalcado de três titulares. Robson Luiz, Lei e Rondinelli vão, como se diz na jargão futebolístico, “comer banco”.
Apesar dos reforços que chegam, como o meia Dudu, o torcedor anda desconfiado. O azulino está no antepenúltimo lugar no grupo dois do Baianão. A partida será às 20h30min, no estádio Luiz Viana Filho (Itabunão).