Condenado pela Justiça Eleitoral, Marão é pré-candidato à Alba || Foto PMI
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O ex-prefeito de Ilhéus Mário Alexandre, Marão, reagiu à decisão da Justiça Eleitoral que o declarou inelegível até 2032 por fraude à cota de gênero nas eleições de 2024, quando ele presidia o diretório municipal do PSD em Ilhéus. Pré-candidato a deputado estadual pelo Avante, o ex-prefeito afirmou que irá recorrer da decisão de primeira instância.

“Recebo com serenidade a decisão de primeiro grau relacionada às eleições municipais de 2024, que será analisada pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, conforme prevê o sistema da Justiça Eleitoral”, escreveu, em nota. “Tenho confiança na Justiça e no trabalho da minha defesa, que já adotou as medidas necessárias para que todos os fatos sejam devidamente avaliados pelo TRE”, acrescentou.

No mesmo julgamento, a 25ª Zona Eleitoral de Ilhéus anulou todos os votos da chapa proporcional do PSD. Tanto o ex-prefeito quanto os quatro vereadores eleitos pelo PSD em 2024 – Professor Gurita, Nerival Reis, Paulo Carqueija e Aldemir Almeida – têm prazo para recorrer e podem obter decisão que os permita lançar candidatura nas eleições deste ano, como pretendido por Marão, ou permanecerem nos cargos políticos, caso dos parlamentares (relembre).

Ex-prefeito Mário Alexandre é punido pela Justiça Eleitoral || Foto PMI
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A Justiça Eleitoral declarou o ex-prefeito de Ilhéus Mário Alexandre, Marão, inelegível até 2032 e anulou todos os votos da chapa proporcional do PSD nas eleições de 2024. Isso resultou na cassação dos mandatos dos vereadores Paulo Carqueija, Professor Gurita, Aldemir Almeida e Nerival Reis. Cabe recurso da decisão.

Para a juíza Wilma Alves Santos Vivas, da 25ª Zona Eleitoral de Ilhéus, o Ministério Público Eleitoral conseguiu provar que, nas eleições de 2024, o PSD de Ilhéus listou candidatura fictícia para fraudar a cota de diversidade de gênero da chapa ao Legislativo. Candidata a vereadora pelo partido naquele pleito, Rosângela Santos Félix declarou gasto de R$ 535 e obteve quatro votos. No depoimento à magistrada, disse não se lembrar de ter participado de atos de campanha nem de ter usado rede social para divulgar a própria candidatura.

“Fica evidente, portanto, que a candidatura de Rosângela Santos Félix fora utilizada de forma instrumental, apenas para permitir que o partido registrasse sua chapa completa, em claro desvio da finalidade da política de cotas. Tal conduta macula a lisura do pleito e compromete a legitimidade de todos os candidatos que se beneficiaram dessa fraude”, escreveu a juíza, que também puniu a ex-candidata à inelegibilidade por oito anos.

Filiado ao Avante desde sábado (14) e pré-candidato a deputado estadual, Marão presidia o PSD de Ilhéus nas eleições de 2024. Por isso, conforme a juíza Wilma Alves Santos Vivas,  o então dirigente tinha ciência – ou deveria ter – do caráter fictício da referida candidatura. “A responsabilidade do presidente do Diretório Municipal – Mário Alexandre Correia de Souza – também está caracterizada, pois, na condição de dirigente, anuiu com o registro de candidaturas que sabia ou deveria saber serem fictícias, contribuindo decisivamente para a fraude”, escreveu.

EFEITOS DA DECISÃO

Vereadores Paulo Carqueija, Professora Gurita, Nerival Reis e Aldemir Almeida têm mandatos cassados || Montagem PIMENTA

Publicada nesta sexta-feira (20), a sentença da 25ª Zona Eleitoral de Ilhéus não produz efeitos imediatos. Antes, os interessados têm prazo para recurso. A decisão só poderá ser executada com o trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de recurso.

São comuns os casos em que políticos cassados ou declarados inelegíveis em primeira instância conseguem efeito suspensivo dessas decisões para permanecer nos cargos ou disputar eleições, até o encerramento do processo, quando a decisão inicial é confirmada ou revertida.

OUTRO LADO

O PIMENTA tentou contato com a defesa do ex-prefeito Mário Alexandre e dos vereadores do PSD, mas não obteve retorno. Caso se manifeste, as informações serão acrescentadas a esta publicação.

Wagner e Rui Costa aparecem numericamente à frente na disputa ao Senado Federal || Foto Henrique Raynal/Divulgação
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O Instituto Real Time Big Data também aferiu as intenções de voto dos baianos na corrida pelas duas vagas ao Senado Federal. Os ex-governadores petistas Rui Costa e Jaques Wagner, que concorre à reeleição, aparecem numericamente à frente. Rui tem 27% e Wagner 21% no cenário mais provável que tem como adversários Angelo Coronel e João Roma.

Coronel, que busca novo mandato na Câmara Alta e ainda não definiu seu novo partido depois de deixar o PSD, aparece com 18%. O ex-ministro João Roma (PL) pontua com 14%. O percentual de brancos e nulos atinge 11% e de não sabem e não responderam chega a 9%.

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas nos dias 10 e 11 de março, segundo a Real Time Big Data. A margem de erro é de 2 pontos percentuais e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BA-08855/2026.

Augusto Castro dá puxão de orelhas em quem curte adversário || Foto Divulgação
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O prefeito Augusto Castro quer o seu time afinado também no campo eleitoral em 2026. Durante reunião com secretariado, no último final de semana, deu recado curto e direto aos ocupantes de primeiro e segundo escalões:

– Os que estão no governo têm a obrigação de abraçar o nosso projeto político. Esse projeto passa pela reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues e dos candidatos da base que formam nosso grupo – disse o prefeito em reunião com o secretariado no final de semana.

Para que não restasse dúvida, Augusto foi mais claro:

– É inadmissível que membros do governo ou familiares fiquem curtindo postagens contra nosso grupo – completou Augusto.

Quem não curtiu o recado poderá pedir para sair. Ou se enquadrar.

Há menos de 10 dias, a primeira baixa na equipe foi o delegado Humberto Matos, que respondia pela Secretaria de Segurança e Ordem Pública (Sesop). Humberto sempre foi ligado ao grupo de ACM Neto e anunciou intenção de, mais uma vez, disputar eleição proporcional neste ano.

A primeira-dama Andrea Castro e o prefeito Augusto Castro na abertura do Carnaval Antecipado || Foto PIMENTA
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O prefeito Augusto Castro (PSD) avalia que as entregas do Governo do Estado em Itabuna podem abrir caminho para uma vitória do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na cidade nas eleições deste ano. Seria um resultado diferente da disputa no município em 2022, quando o vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, apesar da derrota no pleito, venceu a contenda local – e com folga.

Nos três primeiros anos do mandato, o Governo Jerônimo concluiu investimentos na saúde, educação e infraestrutura hídrica do município, a exemplo da reforma e ampliação do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, do Colégio Estadual de Tempo Integral Professor Adeum Hilário Sauer e das duas primeiras etapas do Programa Mais Água para a Cidade, em parceria com a Prefeitura e com a Emasa. Neste ano, há expectativa pela conclusão de obras de infraestrutura de transporte, como a nova BA-649.

Para Augusto, são feitos políticos que o cidadão reconhece. “Quando a gente entrega [resultados], a população acaba reconhecendo e depositando a confiança no governador”, disse ao PIMENTA, na madrugada desta sexta-feira (23), no Circuito Sabará, palco do Carnaval Antecipado de Itabuna. Na entrevista a seguir, o prefeito também fala da festa e do retorno das especulações sobre uma suposta mudança brusca de rumo da montagem da chapa majoritária governista. Leia.

PIMENTAA retomada do Carnaval Antecipado é desejo antigo da gestão atual, que se concretiza agora. Como a Prefeitura reuniu as condições para promover a festa?

AUGUSTO CASTRO – Primeiro, a vontade e o nosso esforço, porque Itabuna tem a cultura na raiz do povo. Não foi fácil. Foi preciso buscar recursos. A Prefeitura não tinha condições de realizar uma festa como essa. São duas festas grandes agora, o ItaPedro e o Carnaval. Mas, eu tive coragem e ousadia [de fazer], com o apoio do Governo da Bahia. A festa gera emprego, fortalece a cultura. Tenho muita confiança que vamos continuar nos próximos anos.

Voltou a circular a hipótese do ministro Rui Costa ser candidato ao Governo da Bahia. O senhor avalia que existe alguma possibilidade desse movimento se concretizar?

Eu não acredito. Rui é pré-candidato ao Senado da República. Jerônimo Rodrigues é o governador, que foi eleito e vai buscar a reeleição. Tem o nosso apoio, tem o apoio da maioria dos municípios da Bahia. E eu tenho certeza que, com o alinhamento do Governo Lula com o Governo Jerônimo, vamos eleger os senadores e reeleger o governador e deputados.

Como fica a equalização com o PSD para a montagem da chapa majoritária?

O senador Otto Alencar conduz o PSD com toda a capacidade de articulação. O senador Angelo Coronel é um querido amigo. Torço muito pela composição de uma chapa para que a gente venha ganhar a eleição. Mas, o destino, claro, é destino. No momento certo, os partidos, PSD, PT e os outros aliados, vão se reunir para escolher os nomes. Tenho certeza que Coronel é um nome forte.

Na vitória eleitoral de 2022, Jerônimo enfrentou dificuldades nos maiores centros urbanos. Não foi uma particularidade de Itabuna, mas a derrota na cidade foi significativa. Qual é o cenário deste ano para a disputa do Governo do Estado em Itabuna?

A disputa nas cidades grande tem vários fatores. Confio muito na vitória de Jerônimo em Itabuna, como em outros centros importantes da Bahia, através de ações, de entregas. E aqui tem entregas. Quando a gente entrega [resultados], a população acaba reconhecendo e depositando a confiança no governador.

Augusto autorizou reajuste de água e esgoto e Geraldo acionou a Justiça para barrá-lo || Montagem PIMENTA
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A Justiça da Bahia suspendeu o reajuste de 7,5% nas tarifas de água e esgoto em Itabuna, autorizado pelo Decreto Municipal nº 16.656/2025. A decisão foi proferida nesta segunda-feira (5) pela Vara do Recesso Cível, no âmbito de ação popular ajuizada pelo ex-prefeito e ex-deputado federal Geraldo Simões, que questionou a legalidade do aumento.

Na decisão, o magistrado apontou indícios de ilegalidade ao concluir que o Município aplicou de forma indevida a revisão tarifária extraordinária, instrumento legal reservado apenas a situações excepcionais.

A Justiça também apontou a falta de transparência no processo, como ausência de audiência pública, de estudos técnicos e de participação social, além de destacar que se tratava do segundo aumento em menos de 12 meses, em violação aos princípios da modicidade e da anualidade tarifária.

Ao comentar a decisão, Geraldo Simões afirmou que a liminar recoloca o interesse da população itabunense no centro do debate e impede que aumentos sucessivos continuem elevando os custos de vida de moradores, comerciantes e pequenos empreendedores. Segundo ele, a população “já não aguenta mais reajustes”, sobretudo em um serviço essencial como água e esgoto, que impacta diretamente toda a economia local.

Foi concedida tutela de urgência para manter as tarifas nos valores anteriores até o julgamento final da ação, que tramita sob o nº 8000003-42.2026.8.05.0113. Com informações d´O Trombone.

Deputada seguirá tratamento em casa || Foto Sandra Travassos/Alba
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A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputada Ivana Bastos (PSD), recebeu alta hospitalar neste sábado (8), após evolução clínica satisfatória e resposta positiva ao tratamento iniciado no dia 3 de novembro, quando foi internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular em Salvador.

A deputada estadual Ivana Bastos permanecerá em casa, em período de repouso e acompanhamento médico, retomando suas atividades públicas de forma gradativa. “Agradeço a cada palavra de carinho, a cada oração e a cada demonstração de cuidado. Essas manifestações de afeto me fortaleceram e iluminaram meu caminho de recuperação, renovando em mim a fé e a gratidão”, disse Ivana Bastos.

A deputada havia sido hospitalizada após ser diagnosticada com colite, um processo inflamatório intenso no intestino. No dia 3 deste mês, em razão do quadro de desidratação e da necessidade de tratamento com antibióticos intravenosos, a parlamentar foi encaminhada para a UTI.

Marcone Amaral está na iminência de assumir mandato na Alba || Foto Divulgação
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O governador Jerônimo Rodrigues (PT) deverá decidir ainda hoje (13) – ou amanhã (14) – se Jusmari Oliveira (PSD) continuará no comando da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano (Sedur).

Legalmente, Jusmari poderá até se licenciar da Assembleia Legislativa, mas, primeiro, terá que ocupar a vaga aberta no parlamento baiano depois que Eures Ribeiro (PSD) renunciou ao mandato de deputado para assumir a Prefeitura de Bom Jesus da Lapa, no último dia 1º. Se não o fizer, Jusmari perderá a vaga em definitivo para o segundo suplente.

Quem está de olho em toda essa movimentação é Marcone Amaral. O ex-prefeito de Itajuípe, no sul da Bahia, é o segundo suplente do PSD.

Nas últimas horas, Otto Alencar e o deputado Paulo Magalhães se movimentaram. Há um desejo de dar relevância ao quadro do sul da Bahia, principalmente depois da saída – considerada extemporânea – de Marcone do comando do Hospital de Base de Itabuna.

Mas a caneta está nas mãos de Jerônimo. E ele já sinalizou pela saída de Jusmari. Só o tempo dirá se em definitivo ou apenas por alguns breves dias para que ela não perca a vaga na Alba.

As negociações continuam.

Waldir Pires foi deputado, governador da Bahia, ministro e vereador || Foto Marcelo Casal Jr./ABr
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Waldir sabia dos riscos da sua atitude e, ao se despedir do cardeal, com certa acidez e um leve sorriso nos lábios disse: O senhor vai responder lá em cima, e muito fortemente, pela injustiça que está cometendo.

 

 

José Cássio Varjão

Um dos nomes de maior relevância, da política baiana e brasileira foi o social-democrata Francisco Waldir Pires de Souza. Advogado, professor da Universidade Católica de Salvador, professor da Universidade de Brasília, professor da Universidade de Dijon, na França, consultor-Geral da República no governo João Goulart, ministro da Previdência Social, no governo José Sarney, ministro da Controladoria-Geral da União e Ministro da Defesa, nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva, deputado estadual, deputado federal, governador e, por fim, vereador, de Salvador.

Como capítulo marcante do meu livro Eleições Históricas – Do Voto à História, a ser lançado nas próximas semanas, a eleição para o governo da Bahia, em 1986, foi um acontecimento memorável na história política da Bahia. Os olhos do ex-deputado federal Domingos Leonelli brilham quando lembra da campanha de 1986: “Uma campanha como aquela nunca se viu. Dificilmente se verá outra igual. Uma rebelião cívica. Waldir era o símbolo do anseio de liberdade acumulado ao longo dos anos”.

Para escrever sobre o processo eleitoral de 1986, no estado da Bahia, me debrucei, inebriado, nas quase 800 páginas dos dois volumes sobre a biografia de Waldir Pires, de autoria do jornalista, escritor e professor Emiliano José, doutor em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA. “A campanha de 1986 foi algo jamais visto na Bahia, pelo que suscitou de sonhos, de encantamento, de magia. Chegasse a hora que chegasse, às duas, às três, às cinco da manhã, ninguém arredava o pé, chovesse canivete, houvesse a tempestade que houvesse, fizesse chuva, fizesse sol, frio ou calor, as praças não se mexiam. Foi um caso de arrebatamento, um profundo caso de amor entre a população e seu líder. Um líder das massas. Quase um Messias”, sintetizou Emiliano José.

Principalmente pela controversa renúncia ao mandato de governador, para concorrer com Ulisses Guimarães, na eleição presidencial de 1989, pelo PMDB, esses dois textos, que escreverei, tem como objetivo trazer à tona algumas situações do jogo político que passaram ao largo pela população, que, ainda nesses dias, tece comentários, às vezes sem quaisquer parâmetros, como se “a decisão mais difícil da minha vida política”, frase dita por Waldir Pires, inúmeras vezes, tivesse sido uma escolha sem fundamento. Como exposto no título desse escrito, Waldir Pires viveu alguns confrontos ao longo da sua vida política que merecem especial atenção.

Nascido em Cajueiro, hoje município de Acajutiba, litoral norte da Bahia, em 1926, filho do casal Zeca Pires e dona Lucíola, mudou-se em 1929, com seus pais e irmãos, para Amargosa, a chamada Rainha do Café, no início do século XX. Fez o ginásio em Nazaré das Farinhas antes de seguir no final de 1941, para a Cidade da Bahia, a gigantesca Salvador, com seus 290 mil habitantes. Estudou no Colégio Estadual da Bahia, depois, Colégio Central e, finalmente na Faculdade de Direito da Bahia.

Em 1949, foi o orador da turma de Direito, uma honraria especial àquele aluno que obteve média superior a 7 em todas os exames escritos. A data da formatura, 5 de novembro, marcava o centenário do jurista Rui Barbosa, com a inauguração do fórum que leva seu nome, no Campo da Pólvora, Salvador. Com pompa, circunstância e a presença do governador Octávio Mangabeira, Waldir Pires foi o primeiro orador a ocupar a tribuna do fórum e o primeiro a se pronunciar na nova sede do Tribunal de Justiça da Bahia.

Exímio tribuno, um ano antes de se formar, em 1948, recebeu a visita do então prefeito de Amargosa, João Sales, convidando-o para ser o orador oficial da recepção ao governador Octávio Mangabeira, na inauguração da energia elétrica da cidade. “Discurse por Amargosa”, pediu João Sales. Ainda não havia envolvimento político, não estava vinculado a nenhuma corrente política. Quando chegou a Amargosa, soube que o governador não estaria presente, seria representado pelo secretário de Segurança Pública, Oliveira Brito. O líder do governo na Assembleia Legislativa, Antônio Balbino (PSD), também estaria presente e a vida de Waldir Pires tomou um rumo completamente inesperado para aquele momento da sua vida. Se João Mangabeira foi seu inspirador, Antônio Balbino foi seu tutor.

Um ano após a formatura em Direito, em 1950, Waldir Pires concorreu a deputado estadual pelo PSD (Partido Social Democrático). Era a confirmação, para Balbino, da sua vocação política e nada melhor do que jogá-lo aos leões, testá-lo na batalha da conquista de votos. Waldir obteve 2.664 votos. Outro concorrente, Josaphat Marinho ficou com 3.044 votos. Os dois se encontrariam em outras oportunidades do cenário político, como aliados ou como adversários. Antônio Balbino estava certo. O talento do rapaz para a política era inegável.

A carreira política de Waldir Pires estava se iniciando e os frutos da amizade com Antônio Balbino lhe renderam a indicação para o cargo de secretário de Governo de Régis Pacheco, eleito governador em 1950, aos 24 anos de idade. Um fato trágico a ser lembrado é que o candidato a governador pelo PSD, em 1950, era o deputado federal Lauro Farani Pedreira de Freitas, que morreu em acidente aéreo em 11 de setembro de 1950, na cidade de Bom Jesus da Lapa. O coordenador e homem forte da campanha de Lauro de Freitas era Antônio Balbino, que em três dias definiu Régis Pacheco, deputado federal e ex-prefeito de Vitória da Conquista, como o candidato do partido.

Em 1954, é eleito deputado estadual pelo PTB, com 7.162 votos, estava definitivamente inserido no mundo político. Nessa legislatura, entra na vida de Waldir Pires o maior desafeto e adversário da sua carreira política, Antônio Carlos Peixoto de Magalhães, que obteve 3.990 votos na eleição suplementar de 1955, bem abaixo de Waldir e o décimo eleito pela UDN, que elegeu onze deputados estaduais. Nesse período, não se rivalizaram e, em algumas oportunidades, Antônio Carlos fez seguidos elogios à atuação de Waldir Pires. Nessa legislatura Waldir Pires foi o líder do governo na Assembleia Legislativa. Josaphat Marinho também era deputado estadual.

Em 1958 é eleito deputado federal, com mandato a se encerrar em 1963. Com destacada participação na 41ª Legislatura da Câmara Federal, Waldir alçava voos no cenário nacional. Foi integrante ativo da Comissão de Constituição e Justiça, integrante da Frente Parlamentar Nacionalista, vice-líder da maioria no governo de Juscelino Kubistchek. Em 1961, em Genebra, Suíça, compôs a comissão que representou o Brasil numa conferência internacional, votando pela admissão da China à ONU.

Aos 36 anos, em 1962, se lançou à primeira campanha para o governo do estado da Bahia. Outro desafio, mais um degrau a subir e por pouco não obteve sucesso. Perdeu a eleição para Lomanto Júnior, ex-prefeito de Jequié, por meros 5% dos votos válidos. Aqui, surgiu a primeira controvérsia da carreira política de Waldir Pires, o improvável embate com dom Augusto Álvaro da Silva, o famoso Cardeal da Silva, nome da avenida que liga os bairros do Rio Vermelho e Federação, em Salvador.

Naquela disputa, Lomanto tinha o apoio dos partidos de direita, dos principais meios de comunicação e da Igreja Católica, enquanto Waldir tinha o apoio do PSD e do PCB. Antônio Guerra Lima, advogado e procurador-Geral do Estado no Governo de Waldir Pires (1986), afirmava que “não bastaria apenas constatar genericamente o apoio da Igreja Católica a Lomanto. Era imperativo afirmar o desempenho fervoroso e a dedicação pessoal do cardeal com a intenção de derrotar Waldir Pires, um anti-Cristo a quem era necessário abater”.

Dom Augusto Álvaro da Silva era um “príncipe católico” conservador, completamente absorvido pelo clima que o mundo vivia naqueles tempos de Guerra Fria, e agiu como um militante político influenciando o clero baiano, nas suas missas e sermões, a não votar no candidato dos comunistas. Com ataques diários, sendo amplamente divulgados pela imprensa, eram distribuídos panfletos espúrios, com o título de “Alerta Democratas”, constando os nomes dos candidatos “supostamente comunistas”. Parênteses para pensar: Alguma similaridade com a política praticada por alguns grupos atualmente?

Dia 6 de setembro de 1962, 31 dias antes das eleições, a manchete do jornal A Tarde revelava que a Igreja Católica dividia os candidatos ao governo do estado em duas classes: os bons e os maus. Na lata. Direto ao ponto, sem nenhuma sutileza. A matéria descrevia que “o perigo comunista mereceu a atenção dos sacerdotes, sendo ponto pacífico que a Igreja não transigirá com os candidatos vinculados ao credo de Moscou, ou com ele comprometidos, pelo perigo que representam para a segurança do regime democrático e para os princípios fundamentais defendidos pela Igreja Católica”.

Waldir Pires e os seus pais eram extremamente católicos, o que levou Zeca Pires a divulgar uma carta ao povo da Bahia, contra as atitudes do Cardeal da Silva. Após as eleições, seu pai divulgou outra carta, demonstrando grande revolta com as arbitrariedades do líder católico. Num dos trechos, Zeca Pires assim escreveu: “No último episódio eleitoral, da sucessão baiana, assistimos, com espanto e revolta, ao estrangulamento ou sacrifício da verdade e do esforço construtivo. Procuraram, sem fundamento, suspeitas sobre a ideologia de um moço, Waldir Pires, de sólida formação moral e cristã que, como pai católico, graças a Deus, eu a soube ministrar, com esmero e cuidado, pelo fato desse moço nutrir ideias de renovação e de progresso. É assim, de manifesta leviandade e covardia, o setor da igreja que, depois de aprovar seu nome, o desapoiou, na última hora, em uma guinada espetacular e esquisita. Descristianizaram-se, atrelando-se ao carro dos interesses humanos e das conveniências da vida. Hoje, o pseudocomunista representa bem o samaritano do evangelho, é mais cristão do que muitos sacerdotes”. Zeca Pires era coletor federal e foi o responsável pelo ensino do francês aos seus filhos.

Certo dia, numa manhã de domingo, dona Lucíola, sua mãe, “católica de berço e terço”, foi se confessar com o padre de Amargosa. Ajoelhou-se, confessou seus pecados (Waldir perguntava à mãe que raios de pecados ela tinha para se confessar, pois ele não encontrava pecado nela) e recebeu a sua penitência de ave-marias, pai-nossos e salve-rainhas. Quando estava saindo do confessionário, o padre disse: a senhora sabe que esse ano tem eleições? Ela respondeu afirmativamente. Continuou o padre, dizendo que ela não poderia votar no nome de Waldir Pires. Dona Lucíola levantou-se bruscamente, abriu a cortina do confessionário, e o pecado da ira caiu sobre ela: Fique sabendo o senhor que Waldir Pires é meu filho. O senhor me respeite. Isso é uma indignidade! Uma injustiça que estão fazendo com Waldir. Se fosse pecado, desse ela não pediria perdão. O padre imóvel e com os olhos esbugalhados, calou-se.

O embate em si, frente a frente, ocorreu quando o cardeal chamou Waldir para uma conversa no Palácio Episcopal, durante o processo eleitoral: Waldir, eu o chamei aqui porque soube que o senhor tem o apoio dos comunistas. Isso é verdade? Sim. Respondeu Waldir. A conversa seguiu com Waldir argumentando que não tinha motivos para recusar o apoio do PCB. Então, o cardeal vociferou: Se o senhor não recusar esse apoio, vou baixar uma instrução recomendando que os católicos não votem no senhor. Vou condenar sua candidatura. Waldir, impressionado pela frieza do cardeal, respondeu: Lamento, mas não recusarei. Tenho lutas comuns com eles, o petróleo, a energia, a luta pela igualdade social. Não há por que recusar esse apoio. Waldir sabia dos riscos da sua atitude e, ao se despedir do cardeal, com certa acidez e um leve sorriso nos lábios disse: O senhor vai responder lá em cima, e muito fortemente, pela injustiça que está cometendo.

No próximo texto falarei sobre o início da convivência entre Waldir Pires e Antônio Carlos Magalhães, a rivalidade criada com o passar dos anos, a interferência de ACM no governo Waldir em 1986 e, finalmente sobre a renúncia em 1989.

José Cássio Varjão é cientista político.

João da Saúde e Sinha de Jacareci se juntaram à oposição na disputa pela Mesa da Câmara
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O prefeito reeleito de Camacan, Paulo do Gás (PSD), ainda busca entender quais os reais motivos que levaram os vereadores eleitos Sinha de Jacareci e João da Saúde, ambos do partido do prefeito, a se rebelarem, juntando-se à oposição na disputa pela Mesa Diretora da Câmara. Sinha e João pularam do barco de Paulo do Gás para embarcar na canoa do candidato a prefeito Guilherme da Fundação (MDB).

A oposição, liderada por Guilherme, busca fazer a Mesa da Câmara Municipal para o biênio 2025/2026. O temor é que, desta forma, a oposição trabalhe para dificultar a gestão do prefeito reeleito.

Aliados de Paulo do Gás estão mantendo conversas com os rebeldes para dissuadi-los e fazer com que voltem para a base do projeto vencedor das urnas em 6 de outubro. A escolha do presidente da Câmara ocorrerá em 1º de janeiro, após a posse dos vitoriosos para a legislatura 2025-2028.

Segundo Adélia, Marão prejudicou base de Jerônimo || Foto Daniel Ribeiro
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A professora Adélia Pinheiro atribuiu ao prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, Marão, parte da responsabilidade pela derrota da base do governador Jerônimo Rodrigues na eleição à Prefeitura, vencida pelo empresário Valderico Junior, do União Brasil, partido do ex-prefeito de Salvador ACM Neto.

Na avaliação de Adélia, Marão não deu abertura para o diálogo, pecou na liderança do processo e apostou em um nome sem competitividade, o do agora secretário da Casa Civil de Ilhéus, Bento Lima, do PSD, mesma legenda do prefeito.

“Ele enfraqueceu sua posição ao insistir em uma candidatura isolada, mesmo com pesquisas internas mostrando a inviabilidade de uma disputa real. Ao não apoiar a candidatura mais competitiva do grupo, ele facilitou a vitória de Valderico. Isso ficou muito evidente!”, disparou Adélia em entrevista ao Central de Política, da Interativa FM 93.7, de Itabuna, no último sábado (16).

Ex-candidata a prefeita de Ilhéus pelo PT, Adélia Pinheiro também falou da possibilidade de voltar a ser candidata nas eleições de 2026, mas a um cargo no Legislativo. Apesar da derrota deste ano, com os 38.928 votos no pleito de 6 de outubro, a ex-secretária de Estado se tornou a mulher com a maior votação da história do município.

Vencedor e vencidos em Itabuna: Augusto, Pancadinha, Chico França, Isaac Nery e Cleonice Monteiro || Foto Reprodução
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Com exceção do deputado Fabrício Pancadinha, que precisa correr trecho para se qualificar já em 2026, todos os outros terão 4 anos pela frente para aprimorar seus projetos, sejam pessoais ou coletivos. O populismo, por si só, terá dificuldades em vencer uma eleição em Itabuna.

 

José Cássio Varjão

Em período pós-eleição, o senso comum costuma apontar, superficialmente, vencedores e perdedores dos embates eleitorais. Observando dessa forma, sem a profundidade necessária que o tema exige, essa conduta não contribui para a formação crítica de determinada metodologia, que, efetivamente, não corresponde à realidade do mundo político. Ganhar ou perder faz parte do processo. Assim, a vitória nem sempre representa o verdadeiro sucesso, como a derrota não significa um terrível fracasso, afinal, trata-se de resultado imediato e este não define o êxito ou o revés de uma trajetória. A longo prazo, é o trabalho sério, a capacidade de adaptação às nuances da política e a responsabilidade com o eleitorado que determinam o verdadeiro legado de um político.

Na política, a ideia de que “às vezes ganha-se perdendo e perde-se ganhando” reflete a complexidade das vitórias e derrotas eleitorais e do próprio processo político. Uma derrota eleitoral, por exemplo, pode servir como oportunidade para o candidato desenvolver uma visão mais madura, revisar seus planos, investir na sua formação ou especialização em políticas públicas e ouvir as necessidades do eleitorado de forma mais profunda. Essa experiência traz aprendizado e crescimento, e o candidato pode voltar mais forte e preparado, conquistando maior respeito e apoio no futuro. Como não lembrar de José Pepe Mujica: “não existe vitória nem derrota definitiva”.

O candidato mais preparado venceu as eleições em Itabuna, mas não somente. Rompeu uma regra que se prolongava desde a eleição de 2000. O instituto da reeleição contribuiu para a vitória de Augusto Castro e, para quebrar com a maldição da reeleição no município, ele contou, também, com as estatísticas a seu favor, visto que nas últimas três eleições, 2016, 2020 e 2024, os candidatos à reeleição saíram vitoriosos no pleito, com percentuais de 67%, 65% e 80%, respectivamente. Para além da reeleição, o prefeito de Itabuna ganhou também a condição de líder político regional, com seu nome ganhando força para presidir a UPB (União dos Municípios da Bahia).

Por outro lado, com expressiva votação, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PC do B e PV, também foi destaque positivo em Itabuna nessas eleições, com 7.752 votos. Manoel Porfírio foi o vereador mais bem votado, com 3.485 votos, seguido da vereadora Wilma, com seus 2.770 votos, concluindo com o vereador Paulinho do Banco e seus 1.497 votos. O PSD, partido do prefeito Augusto Castro, também elegeu três vereadores, que, somados, contabilizaram 6.643 votos. O Avante, do mesmo modo, elegeu três vereadores, perfazendo um total de 3.565 votos. Como observância da amplitude da vitória da Federação, o Avante obteve, com a eleição dos mesmos três vereadores, 45,98% da votação do grupo formado por PT, PC do B e PV.

Para além dos dados acima, a Federação ainda contribuiu na eleição de Augusto Castro, indicando o vice-prefeito, Júnior Brandão, do PV. Por conseguinte, como evento considerável, existem conversas avançadas, já com várias adesões, para indicação de Manoel Porfírio como candidato a presidente da Câmara de Vereadores, no biênio 2025/2026.

Em artigo científico de minha autoria, publicado em 2022, sobre a Volatilidade Eleitoral no município de Itabuna, nas eleições legislativas, constatei uma espantosa renovação de 2/3 dos vereadores entre os períodos de 2012/2016 e 2016/2020, ou seja, a cada eleição entraram 14 novos vereadores e somente 7 se reelegeram. Em 2024, a renovação foi de 57,14%, entrando 12 novos vereadores e continuando 9 vereadores. Para o período 2025/2028, a Câmara de Vereadores de Itabuna contará com 95,24% dos seus ocupantes, composto por homens. Um dado interessante entre esses três pleitos é que somente um parlamentar municipal foi reeleito nesse período, o vereador Ronaldo Geraldo, o Ronaldão.

Como conclusão desse estudo, que será atualizado a cada novo pleito, pude consumar que a renovação ocorrida na Câmara de Vereadores de Itabuna, nesse período, se deve à ação do eleitor utilizando como parâmetro à Teoria da Escolha Racional, quando esse cidadão/eleitor se utiliza de um custo-benefício do voto para escolher seu candidato, baseando-se na sua situação econômica e no assistencialismo presente no ambiente político. Corroborando com essa definição, a utilização do termo “da Saúde”, por exemplo, está presente no nome de quatro vereadores eleitos em 2024.

Na outra ponta, acerca dos candidatos que disputaram o cargo majoritário nessa eleição, fiquei surpreso, mas nem tanto, com a incipiência dos pretendentes ao Centro Administrativo Firmino Alves. Esperava um debate mais propositivo e enfático de quem deseja administrar um município que, em alguns anos, viu 15% da sua população praticar a migração forçada para outras regiões do estado e do país, por questões econômicas. Como o resultado inconteste, a enorme diferença de 35.709 votos entre o primeiro e o segundo colocados nessa disputa majoritária.

Foi perceptível a falta de harmonia entre apresentar projetos e planos de governo, elemento preponderante de uma candidatura, e partir para o confronto com o adversário, como se esse fosse o fator fundamental da disputa. Jacques Séguéla, publicitário francês, disse que “a comunicação é como uma droga. Em doses adequadas é medicamento, em doses elevadas, veneno fatal”. O equilíbrio é a palavra-chave, mas há candidaturas que nascem fadadas ao fracasso.

Como as eleições nas grandes cidades são necessariamente estadualizadas, as lideranças políticas do estado marcam presença, com os olhos no horizonte de 2026. A definição posicional dos chamados opositores do prefeito Augusto Castro e, por conseguinte, do governador Jerônimo Rodrigues, nas eleições municipais, foi um tanto confusa, deteriorou-se na fase embrionária por individualismo político, tudo isso com o aval do vice-presidente nacional do União Brasil. Algumas possibilidades de coalizão, que eventualmente poderiam ter acontecido, trariam mais dificuldades para o candidato do PSD, com destaque para a palavra “tratorado”, efusivamente pronunciada pelo Capitão Azevedo, vítima da escolha majoritária do cacique do partido.

O desfecho de toda candidatura passa por alguns fatores que são inerentes intrinsecamente ao candidato, como potencial de votos, exigindo capacidade de liderança, habilidade de discurso e o seu carisma. Também existem os fatores internos de pressão, como seu grupo político, partido e bases financeiras da campanha. Ultrapassadas essas duas etapas, vem o objetivo primordial da campanha, o eleitor, e aí, por último, chega-se aos adversários. Aqui encontramos uma das regras mais conhecidas do marketing eleitoral: “Numa campanha, metade do esforço se faz no seu próprio quintal e metade no quintal alheio”. Portanto, a grande virtude do político é mostrar suas qualidades, de um lado, e as deficiências de seus adversários, de outro.

Existem algumas mensagens que os resultados das urnas em Itabuna mostram, mas que nem sempre são captadas pelo agente político. Nessas eleições, foram poucas as pesquisas divulgadas, apesar de partidos e candidatos fazerem internamente as suas, sem registrar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Daí surge um detalhe que é de conhecimento de toda a população, mas, às vezes, imperceptível. Todos os candidatos a prefeito de Itabuna, com exceção de Chico França, já eram conhecidos da população, portanto, com teto limitado para crescimento. O candidato do PL, que teve seu nome inserido na cédula pela primeira vez, era a incógnita da eleição.

Uma observação que não é peculiar a Itabuna, mas inerente ao nosso sistema político, são as sucessivas candidaturas que concorrem tanto nas eleições municipais como gerais, que são completamente distintas uma da outra. A magnitude eleitoral de uma eleição municipal se restringe à abrangência territorial do município, enquanto a eleição estadual a amplitude é muito maior e o disparate entre elas está na concorrência. O atual vice-prefeito, Enderson Guinho, foi o candidato a deputado federal, por Itabuna, mais bem votado em 2022, com 15.218 votos. Não conseguiu se eleger vereador em 2024. O candidato Isaac Nery concorreu a deputado federal em 2022, obtendo 15.155 votos. Para prefeito em 2024, 8.259 votos. Fabrício Pancadinha teve, em 2022, para deputado estadual, 27.338 votos. Em 2024, 29.620 votos para prefeito, com a concorrência somente de três opositores, maior visibilidade e com aporte financeiro considerável.

Também como fato em destaque, são as sucessivas trocas de partido pelos candidatos. O candidato Isaac Nery já participou de três eleições, em 2020, para prefeito; em 2022, para deputado federal; e em 2024, para prefeito novamente, por três partidos diferentes, Avante/70, Republicanos/10 e PDT/12, respectivamente. Se por um lado essa permuta busca melhores condições para a disputa, não mais que isso, por outro, confunde o eleitor menos observador, escancarando o personalismo político do candidato em detrimento ao partidarismo. Situação semelhante ocorreu com vários vereadores, idem com o Capitão Azevedo e com o vice-prefeito Enderson Guinho.

Outra observação gira em torno da candidatura dita de direita nas eleições municipais de Itabuna, que, num primeiro momento, deduz-se que não foi bem-sucedida. Se levarmos em consideração a votação obtida por essa direita e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022, que obteve 52.768 votos, ou 47,07% dos votos válidos, a candidatura Chico França, que contou com vídeos com o próprio JB, obteve somente 12,95% dos votos do ex-capitão. Assim, fica cristalinamente demonstrado que esse percentual de votos obtidos em 2022, pelo ex-presidente foi distribuído entre todos os candidatos, inclusive – e principalmente, para Augusto Castro. Com o personalismo político, algumas pessoas votam em determinado candidato por rejeição a outrem, ou seja, por eliminação. O que garante que, em nova eleição entre Jair Bolsonaro e outro adversário, ele conservará esse percentual de votos em Itabuna?

Após a derrota em uma eleição, o político precisa fazer algumas escolhas, podendo seguir alguns passos estratégicos no sentido de fortalecer sua imagem e preparar o terreno para uma possível nova candidatura. Começando por analisar os erros e acertos de campanha, continuar a se aproximar das suas bases eleitorais, fortalecer a presença nas redes sociais e na mídia, estar inserido nos projetos comunitários e sociais, construir novas alianças políticas, enfim, preparando um plano a longo prazo. Por fim, a profissionalização dos agentes políticos em gestão e políticas públicas é fundamental para um mandato eficaz e alinhado com as necessidades da população. Quando políticos possuem conhecimento técnico e compreensão sólida das ferramentas de gestão pública, eles são mais capazes de formular e implementar políticas que realmente impactem a vida das pessoas de maneira positiva e duradoura.

Com exceção do deputado Fabrício Pancadinha, que precisa correr trecho para se qualificar já em 2026, todos os outros terão 4 anos pela frente para aprimorar seus projetos, sejam pessoais ou coletivos. O populismo, por si só, terá dificuldades em vencer uma eleição em Itabuna.

José Cássio Varjão é cientista político

Tempo de leitura: 5 minutos

 

Sempre que o pêndulo se desloca até um extremo, o movimento de resposta é para o lado oposto. O pêndulo da política no Brasil se movimentou. Já está fazendo o caminho de volta.

 

José Cássio Varjão

Alguns personagens do ambiente jornalístico no Brasil, a chamada grande mídia, militantes partidários dentro da imprensa, tanto digital quanto impressa, fazem análises manipulatórias, principalmente em época de eleição. Os principais portais e seus renomados personagens destacaram que o PSD (Partido Social Democrático), presidido por Gilberto Kassab, é o grande vencedor das eleições, com 887 prefeituras, salientando efusivamente que a centro direita sobrou nessas eleições. Seguindo, vem o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) com 856 prefeituras. O PP (Progressistas) ficou em terceiro lugar, com 747 prefeituras. Uma análise rasa, sem a profundidade real da posição desses partidos dentro do ambiente político atual.

Em 2022, a união de 10 partidos venceu as eleições, com a coligação Brasil da Esperança, que foi formada pelo PT, PC do B, PV, PSB, PSOL, Rede, Solidariedade, PROS, Avante e Agir, no primeiro turno. No segundo turno, declararam apoio à Candidatura Lula, o PDT, PCB, PSTU, PCO, Cidadania e Unidade Popular, perfazendo 16 partidos, a maior coligação que o PT (Partido dos Trabalhadores) já fez em disputas presidenciais. Nos primeiros dias após a proclamação do resultado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o presidente eleito para o quadriênio 2023/2026 e o seu partido começaram diálogos com o MDB, PSD e União Brasil, para composição da base parlamentar do novo governo. Uma ala do PP também compôs essa base.

Atualmente, no governo federal, o PSD tem três ministérios: Agricultura, Pesca e Minas e Energia. O MDB tem três ministérios: Planejamento, Cidades e Transportes. O PP tem um ministério: Esporte. Seguindo, o Republicanos, de Tarcísio de Freitas, com um ministério: Portos e Aeroportos. Até o União Brasil, do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, tem inacreditáveis, dois ministérios: Turismo e Comunicações. Nesse período de final de eleições municipais, qual o fundamento para que se separe a realidade nacional dos resultados municipais, como se de fato houvesse vencedores e perdedores para além das disputas municipais e suas peculiaridades?

Apesar de o Presidente da República, com a chamada Frente Ampla, ter abrigado parte considerável desses partidos no seu ministério, chegamos às eleições municipais de 2024 com os núcleos dos partidos da base comportando-se autonomamente. O PSD, que é base do governo do estado de São Paulo, com Gilberto Kassab, secretário estadual de Governo, ligado a Tarcísio de Freitas, elegeu 206 prefeitos, ou 32% das prefeituras do estado.

O PSD da Bahia, presidido pelo senador Otto Alencar, ligado ao grupo do governador Jerônimo Rodrigues, elegeu 115 prefeitos, ou 27,5% das prefeituras do estado. No Paraná, o governador Ratinho Júnior (PSD), ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, elegeu 164 prefeitos, ou 41% das prefeituras do estado. Como noticiado, o PSD elegeu 887 prefeitos no Brasil. Destes, 485, ou 54,6% dos prefeitos eleitos pelo partido, que são dos estados supracitados, pertencem a três correntes políticas distintas, completamente distantes entre si.

No MDB, idem. O prefeito eleito de São Paulo, Ricardo Nunes, é umbilicalmente ligado à Tarcísio de Freitas, que é cria de Jair Bolsonaro. O MDB da Bahia tem o vice-governador do estado, Geraldo Júnior, ligado ao governador Jerônimo Rodrigues. O MDB do Pará, do Ministro das Cidades, Jáder Filho, está ligado ao Presidente Lula. Sebastião Melo, eleito e reeleito prefeito de Porto Alegre, teve o apoio de Jair Bolsonaro.

Alguns partidos são chamados pejorativamente, na Ciência Política, de cacht-all, o pega-tudo, ou partidos de abrangência ampla, e procuram atrair o maior número possível de eleitores, independentemente de sua posição social, ideológica ou econômica. Em vez de se direcionarem a um grupo específico ou a uma ideologia única, esses partidos adotam uma postura flexível, adaptando suas mensagens e propostas para abranger diferentes segmentos da sociedade, o que os torna menos definidos ideologicamente. Suas principais características são a diversidade ideológica, com foco em questões pragmáticas; contam com lideranças carismáticas e com flexibilidade de alianças. No Brasil, alguns partidos possuem características catch-all, especialmente os grandes grupos que atuam em escala nacional e têm uma base eleitoral bastante heterogênea. Entre os principais, destacam-se: MDB, PSD, PP e PL. Todos eles fizeram parte do governo federal desde 2002, com Lula, Dilma, Temer e JB.

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A dicotomia criada no Brasil nos últimos tempos, que reduz o espectro político em somente dois polos, direita e esquerda, se utiliza do termo extremismo, para melhor definição, mas se exime de fazer referência ao continuum

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A dicotomia criada no Brasil nos últimos tempos, que reduz o espectro político em somente dois polos, direita e esquerda, se utiliza do termo extremismo, para melhor definição, mas se exime de fazer referência ao continuum que vai da extrema direita à extrema esquerda, passando pela direita, centro direita, centro, centro esquerda e esquerda, e são classificados pela diferenciação dos grupos sociais, por razões ideológicas, religiosas, culturais, econômicas ou étnicas, as clivagens sociais. Pode-se incluir aí até o anarquismo.

De acordo com o cientista político Sergio Abranches, essa composição feita por Lula é chamada de presidencialismo de coalizão. Em artigo publicado em 1988, com o título de Presidencialismo de Coalizão – o dilema institucional brasileiro, Abranches define esse conceito “como uma combinação do presidencialismo, do federalismo e do governo por coalizão multipartidária”. Desta forma, “o presidencialismo de coalizão é um regime político institucional que foi moldado pela história da nossa república e contextos políticos, envolvendo as características acima”.

Trinta anos após a publicação desse artigo, em 2018, Sérgio Abranches faz um balanço reciclando o texto original, quando afirma: “A coalizão multipartidária é um requisito imprescindível da governabilidade no modelo brasileiro. Nem todos os regimes presidenciais multipartidários dependem tanto de uma coalizão majoritária. No Brasil, as coalizões não são eventuais, são imperativas. Nenhum presidente governou sem o apoio e o respeito de uma coalizão. É um traço permanente de nossas versões do presidencialismo de coalizão”, finalizou.

Com a frente ampla formada por Lula, em 2022, agraciando o União Brasil, de ACM Neto e Ronaldo Caiado, o PP, de Arthur Lira e Ciro Nogueira e o Republicanos, de Tarcísio de Freitas, soaria estranho afirmar que o Governo Lula 3, é um governo de centro direita?

A dinâmica eleitoral ao redor do mundo, há alguns anos, faz o pêndulo político global se inclinar à direita, sendo esse um movimento natural na política. Sempre que o pêndulo se desloca até um extremo, o movimento de resposta é para o lado oposto. O pêndulo da política no Brasil se movimentou. Já está fazendo o caminho de volta. O espectro político nas eleições de 2018, que estava com movimento direcionado à extrema direita, mostra a convergência do eleitorado para os partidos tradicionais de centro direita, aqueles partidos oriundos da antiga Arena (Aliança Renovadora Nacional). Daí surgem nomes como Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior, Eduardo Leite e até Tarcísio de Freitas, com as bençãos da Faria Lima. Todos, com exceção de Tarcísio, já colocaram seus nomes como pré-candidatos em 2026. Até Paulo Guedes já demonstrou interesse de entrar na disputa.

De certa forma, eu sou cético em corroborar com opiniões sobre a definição dessa corrente ideológica chamada bolsonarismo. O movimento que teve seu auge político em 2018 é uma versão 2.0 do Integralismo de Plínio Salgado, evidentemente repaginado com o surgimento das tecnologias modernas, com robôs, algoritmos, fake news etc., é um evento efêmero, mais dia, menos dia, passará. Seu principal líder não se mostrou um político agregador, eficiente em manter as pontes que o fizeram chegar ao poder, deixando pelo caminho onze generais e outros tantos apoiadores de primeira hora, como Gustavo Bebianno. Trata-se de um personagem exaurido, que está sendo descartado a conta gotas. Outra situação que demonstra o enfraquecimento do ex-presidente foi o surgimento e o desempenho de Pablo Marçal, em São Paulo, demonstrando que o voto da extrema direita não tem dono, sem se esquecer, particularmente, de Bruno Engler em Belo Horizonte e André Fernandes em Fortaleza, com seus menos de 30 anos e muito tempo de política pela frente.

Para ser bem pragmático, eu nunca tive dúvidas de que a elite econômica e liberal do país, em breve, irá retomar o protagonismo dentro do cenário político nacional. O mesmo que tiveram atores políticos como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin. Logo surgirão outros representantes, um espaço que não cabe nem Lula nem Bolsonaro. Historicamente, sempre foi assim. É só lembrar a República do Café, atualmente, sem o leite. O pêndulo que se direcionou à extrema direita, pela falta de nomes palatáveis, viáveis dentro desse campo político, hoje sai muito bem-sucedida das eleições 2024.

José Cássio Varjão é cientista político.

Marciel Pinheiro é prefeito eleito de Almadina
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Com apoio do prefeito Milton Cerqueira, Marciel Pinheiro (Podemos) foi eleito em Almadina. Ele conquistou 2.748 (66,98%) votos contra 1.355 (33,02) de Ademir Gomes (Avante). O total de 4.103 pessoas votaram neste domingo (6) no município do sul da Bahia, sendo que 157 eleitores optaram por anular. Outros 38 escolherem a tecla em branco.

Marciel Pinheiro foi eleito por uma coligação formada por Podemos, MDB, PSB, PSD, SOLIDARIEDADE, PC do B, PT e PV. Além do apoio do Milton Cerqueira, Marciel Pinheiro foi beneficiado pelo asfaltamento da rodovia entre Almadina e Floresta Azul. A obra do Governo do Estado está em andamento e é muito comemorada pela população dos dois municípios.

Miltinho é o prefeito eleito de Coaraci, no sul da Bahia
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O empresário Miltinho do Axé (PSD) venceu a disputa pela Prefeitura de Coaraci, no sul da Bahia. Com 98,33% das urnas apuradas, ele já registra 56,15% dos votos válidos contra 43,85% de Célio do Asfalto (PT).

A vantagem de Miltinho é de 1.508 votos até aqui.

Miltinho foi para a disputa com o apoio majoritário do PT de Coaraci, principalmente da ala ligada à professora Josefina Castro, que apoio o nome de Miltinho contra Célio, e do deputado estadual e líder do Governo Jerônimo Rodrigues (PT), Rosemberg Pinto.