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A Região Online

Este é o ano mais violento da história de Itabuna. Já são 171 assassinatos no município. Mas eles tem uma origem: cerca de 90% dos homicídios estão relacionados ao tráfico de drogas e à disputa entre facções criminosas.

Itabuna não é o único município do sul da Bahia onde os moradores estão assustados com o aumento da violência. A população de Ilhéus, Itacaré, Coaraci, Itajuípe, Ubaitaba, Uruçuca e Buerarema, Itapé e Barro Preto está apreensiva.

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A Polícia Militar prendeu na noite deste domingo, 16, em Itabuna, dois suspeitos de uma tentativa de homicídio que ocorreu no mesmo dia, no bairro de Fátima. Hudson Marques dos Santos e Emerson Pereira, que teriam tentado matar Juliano de Jesus Santos, foram presos em uma casa na Rua São Sebastião, bairro Mangabinha.

Segundo a polícia, os suspeitos portavam uma pistola calibre 380, com quinze cartuchos intactos, e um revólver calibre 38. Hudson confessou ter atirado em Juliano, que foi atingido no rosto e se encontra no Hospital de Base. Ele e o comparsa alegaram que eram ameaçados pela vítima.

A PM prendeu também Maria Oliveira Santos, que dava proteção aos dois homens.

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A ousadia de três detentas da cadeia pública de Ubaitaba surpreendeu o carcereiro que tomava conta das presas neste fim de semana. Segundo informações, enquanto o homem cuidava de sua higiene pessoal em um banheiro da delegacia, as presas escaparam da cela, o que foi facilitado pela grade que estava torta após uma fuga anterior. Em seguida, as mulheres dominaram o carcereiro e o espancaram, chegando a apertar os testículos do infeliz para impossibilitar qualquer reação.

Fora de combate, o carcereiro foi trancado em uma das celas. Enquanto isso, as mulheres, identificadas como Erenice (conhecida como Binha), Rosilda (mãe da primeira) e Adriana, pegaram as chaves da carceragem e libertaram seis detentos da ala masculina. Outros cinco preferiram ficar e depois ajudaram o carcereiro.

As três mulheres são acusadas de envolvimento com o tráfico de drogas. Seus parceiros na fuga respondem por crimes como tráfico, homicídio e furto.

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Na manhã deste domingo, 16, o atleta amador Ariel da Silva, 26 anos, disputou a final do Campeonato Interbairros de Futebol, em que sua equipe – o Núcleo Habitacional da Ceplac, terminou perdendo para o time do São Pedro. Após o jogo, Ariel, conhecido como “Guete”, caiu na farra e à noite ele acabou sendo baleado em um bar situado na comunidade que representou na competição.

Segundo o site Portal Sul da Bahia, Guete cumpre pena por porte ilegal de arma e envolvimento com o tráfico de drogas, mas estaria em liberdade condicional.  Em função de um suposto acerto de contas, um homem de identidade ainda desconhecida o atingiu com três tiros. A vítima foi levada para o Hospital de Base

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O corpo de um homem identificado como José Carlos Ferreira de Jesus foi encontrado na madrugada desta segunda-feira, 17, no Centro Comercial de Itabuna. Segundo o site Radar, a vítima trabalhava como ajudante, descarregando caminhões que abastecem a feira livre, além de também prestar serviço em estabelecimento na feira do bairro Califórnia.

José Carlos, que era conhecido como “Baixinho”, levou um tiro no pescoço e dois nas costas. Seu corpo estava em frente ao Boxe 6, onde ele morava.

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O mototaxista Wilson Ferreira, mais conhecido como Paulista, de 53 anos, foi vítima de sequestro na manhã desta quinta-feira, 13, em Itabuna. A ação foi registrada pela câmera de uma residência situada na Rua Rio Colônia, bairro Góes Calmon.

O vídeo, divulgado no site Portal Sul da Bahia, mostra o momento em que o mototaxista estaciona o veículo para que a mulher que ele levava na garupa pudesse descer. Imediatamente, homens que o seguiam num Fiat Uno verde estacionam do outro lado da rua e se aproximam de arma em punho. Paulista foi forçado a entrar no carro, que partiu levando o mototaxista.

As imagens também mostram a mulher que chegou com Paulista, logo após o sequestro, sentada no chão e balançando a cabeça em atitude de desespero. Ainda não se sabe se ela tem ligação com os homens que levaram a vítima.

Segundo informações do site, Paulista faz ponto nas imediações da rodoviária de Itabuna, em frente à pousada Flor do Cacau. O lugar, de acordo com a polícia, é frequentado por traficantes e homicidas.

Assista ao vídeo:

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AzevedoNa condição de cidade-polo no Território Litoral Sul, Itabuna foi escolhida para receber um Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram), que é um espaço de acolhimento e atendimento à mulher em situação de violência. Mas a verba de R$ 200 mil para implantação do centro será perdida, caso o prefeito José Nilton Azevedo (DEM) não deposite a contrapartida de R$ 8 mil até a próxima quinta-feira, dia 20.

O prefeito firmou acordo com a Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres (SPM), mas ainda não honrou o compromisso assumido, nem dá sinais de que irá fazê-lo. No último fim de semana, em Itacaré, participantes da I Conferência das Mulheres do Sul da Bahia assinaram uma carta dirigida a Azevedo, na qual exigem que o município de Itabuna honre o acordo feito com a SPM.

No documento, que será entregue nesta manhã ao prefeito, as mulheres observam que “o prazo para efetivação do contrato por meio do depósito da contrapartida esgota-se dia 20 de dezembro de 2012 e não será prorrogado”. Dizem ainda ser “inconcebível que recursos dessa monta, imprescindíveis para o combate à violência contra a mulher em toda a região, sejam perdidos por irresponsabilidade ou descaso do poder público”.

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Uma menina de apenas seis anos é mais uma vítima da violência, dessa vez na pequena cidade de Buerarema, a 20 quilômetros de Itabuna.

Segundo o site Portal Sul da Bahia, Maria Rita Nunes Souza Silva brincava na porta de casa na tarde desta quarta-feira, 12, no bairro Santa Helena, quando foi atingida por um tiro na cabeça, supostamente uma “bala perdida”.

A criança chegou a dar entrada no Hospital de Base de Itabuna no final da tarde de ontem, mas o estado era muito grave. A morte cerebral foi constatada no início da noite.

 

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Dois homicídios ocorreram na noite desta terça-feira, 11, em Itabuna, segundo informa o Portal Sul da Bahia. Mais uma vez, as vítimas eram adolescentes, possivelmente envolvidos com o tráfico de drogas.

Alessandro Santana Santos, 19, e Erick Alves dos Santos, 17, foram baleados quando se encontravam próximo à casa de um deles, na Rua São Bento, bairro Pedro Jerônimo, periferia da cidade. Houve tentativa de socorrer os jovens, mas eles não resistiram aos ferimentos.

Desde a última sexta-feira, a polícia já registrou sete homicídios em Itabuna, sendo quatro vítimas adolescentes.

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O mês de dezembro segue como um dos mais violentos do ano em Itabuna, com o registro de cinco homicídios desde a última sexta-feira, 7. Duas das vítimas tinham menos de 15 anos de idade, porém ambas com histórico de envolvimento com o crime.

O caso mais recente ocorreu na tarde desta segunda-feira, 10, de acordo com o site Radar. Caíque Henrique da Silva, de 14 anos, foi morto a tiros na Rua Bela Vista, bairro Santa Inês. A própria mãe do jovem declarou que ele traficava drogas.

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Itabuna ampliou sua pontuação na estatística da violência no último fim de semana. Com mais quatro vítimas, a cidade chegou à marca de 162 homicídios cometidos em 2012, sendo que duas das vítimas foram reconhecidas pela polícia por seu envolvimento anterior com ações criminosas.

A primeira morte violenta ocorreu já na noite de sexta-feira, 7, no bairro Novo Fonseca. A vítima foi um adolescente de apenas 13 anos.

Na manhã de sábado, o padeiro Franklin Rodrigues Sena, 34 anos, foi assassinado na Avenida Itajuípe, bairro Santo Antônio, quando seguia para o trabalho de bicicleta. Dois homens se aproximaram de moto e cinco tiros foram disparados contra o trabalhador.

Jorge Luiz, o “Jorge Mulinha”, de 32 anos, foi morto na tarde de sábado, no bairro São Caetano. Ele foi cercado quando chegava à casa do pai e levou sete tiros.

A última vítima de homicídio no fim de semana foi João Medeiros de Carvalho, de 52 anos. E foi o crime mais violento.

Carvalho, que morava na favela Gegéu Rocha, seguia para uma igreja evangélica quando foi abordado. Levou vários tiros e ainda foi golpeado a faca na altura do pescoço.

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A cidade de Itabuna, uma das mais violentas do País, chegou neste sábado, 8, à marca de 160 homicídios cometidos em 2012, número que supera o de assassinatos registrados no ano anterior (148). A violência crescente assusta até mesmo a polícia, que na noite deste sábado, 7, encontrou o corpo de um adolescente de 13 anos, atingido por pelo menos quatro tiros no rosto.

Segundo o site Radar, o crime foi cometido no bairro Novo Fonseca e o menor já era conhecido da polícia pela prática de delitos na região do São Caetano. Ao ver o corpo no chão, um policial teria murmurado: “os jovens estão se acabando”.

Na manhã deste sábado, outro homicídio na cidade. A vítima foi o padeiro Franklin Rodrigues Sena, de 34 anos. Ele foi baleado na Avenida Itajuípe, bairro Santo Antônio, quando seguia de bicicleta para o trabalho. Testemunhas disseram que dois homens em uma moto abordaram Franklin Rodrigues e um deles fez os disparos. Cinco tiros acertaram o padeiro.

 

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Da Agência Brasil

Iniciativas de desenvolvimento nas Américas são quase sempre acompanhadas de situações de violência. A informação está no relatório inédito Transformando Dor em Esperança – Defensoras e Defensores dos Direitos Humanos nas Américas, divulgado hoje (7) pela organização não governamental (ONG) Anistia Internacional.

O documento analisa 300 casos acompanhados pela organização entre janeiro de 2010 e setembro de 2012, em 13 países: Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, Jamaica, México, Peru, República Dominicana e Venezuela. Entre eles, são detalhados 57 casos de pessoas mortas ou ameaçadas, sendo que cinco foram registrados no Brasil.

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Um homem de 27 anos foi assassinado na noite desta quarta-feira, 5, quando saía do Estádio Luiz Viana Filho, conhecido como Itabunão. A vítima foi identificada como Elias Reis Pereira, o Elias Gordo, que, de acordo com o site Radar, teria envolvimento com o tráfico.

Elias tinha acabado de assistir a um jogo do Campeonato Interbairros de Futebol. Por volta das 23 horas, do lado de fora do estádio, ele foi atingido por três tiros nas costas. Uma equipe do Samu esteve no local e tentou reanimar a vítima, levando-a em seguida para o Hospital de Base, onde o rapaz veio a falecer.

O número de homicídios cometidos este ano em Itabuna já chega a 158.

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Daniel Thame |danielthame@gmail.com

 

A carta que Gabriele Santos Barbosa, de 14 anos, assassinada após uma discussão banal com uma colega de classe numa escola pública em Itabuna, não escreveu, é um libelo contra a bestialidade coletiva que transforma a vida em algo absolutamente sem valor.

 

“Meu nome é Gabriele Santos Barbosa, eu tenho 14 anos, morei na Espanha, falo dois idiomas e poderia estar vivendo na Europa, com a minha mãe.

Lá é muito bonito, as pessoas se tratam com respeito, mas eu preferi morar em Itabuna, pra ficar perto da minha avó e dos meus parentes.

Meu bairro é muito carente, mas é nele que vivem meus amigos. Minha escola é pública e nem se compara com a que eu estudava na Espanha.

As salas de aula são apertadas, tem alunos demais, o material didático é precário e sinto que os professores estão desmotivados. Não tenho condições de estudar em escola particular. Meu avô foi vereador em Itabuna, secretário de Esportes, mas ao contrário de um monte de políticos que a gente vê por ai, continua pobre.

Eu tenho orgulho dele. É honesto, isso eu sei que ele é.

Tenho um tio-avô que trabalha na televisão. Ele faz um programa policial, o Alerta Total, que todo mundo assiste. Meu tio é muito engraçado, magro, narigudo, desengonçado, mas as pessoas gostam dele. Eu também gosto, mas vejo pouco o programa.

Tenho pavor de violência. Na minha escola, que fica num bairro carente, a gente sente essa violência de perto. No meio de tanta gente boa, que quer estudar e crescer na vida, tem gente que já se envolve com drogas, com assaltos. Que fala cada palavrão que a gente morre de vergonha.

Tem uma menina, era até minha amiga, novinha como eu, que namora um cara envolvido com o crime, um tal de Rodrigo. Imagina que outro dia ela veio me dizer que eu estava dando em cima do namorado dela, que eu mal conheço.

A única coisa que eu consegui responder foi algo do tipo ´fique com esse traste para você´, essas coisas que a gente diz meio sem pensar. Não quis ofender a minha amiga, ela que viva a vida dela. Mas eu acho que ela se chateou, ficou de cara amarrada e deixou de falar comigo.

Isso passa, também sou adolescente e sei como é. Amanhã ela esquece essa briga boba.

Todas as pessoas gostam de mim aqui na escola e no bairro. Os professores me adoram e dizem que sou uma garota de muito futuro. Sabe que eu ainda não parei pra pensar no futuro? Só sei que terei que lutar muito pra vencer na vida, não sou de família rica, mas deixa eu viver minha adolescência, minha juventude.

Gosto de música, de ir ao shopping e à praia com meus amigos. Adoro ficar no Facebook, onde tenho um monte de gente pra trocar ideias. Tem umas fotos minhas lá. Falam que sou linda. Quem não gosta que achem você bonita? Mas não me acho tão bonita assim.

Gosto de Itabuna, gosto das pessoas daqui, amo minha família e meus amigos. Gosto de viver.

Nem sei por que estou escrevendo tudo isso. Parece até que minha professora de português pediu uma redação e eu danei a escrever.

Agora a pouco eu saí da escola e estava indo pra assa, mas uma amiga da menina que eu discuti por causa do namorado disse que ela estava me chamando. Era pra acabar com essa briga e fazer as pazes.

Ainda bem. Acho que a amizade está acima de tudo. Estou indo lá agora, dar um abraço nela…

Rodrigo?

(um tiro)

Não Rodrigo, não,

(mais um tiro)

Não, Rodrigo, nããão…

(cinco tiros)”

——–

Uma menina de 14 anos está morta. E essa é a carta que ela poderia ter escrito e não escreveu, porque as páginas do livro de sua vida foram manchadas de sangue. O sangue de uma violência brutal, irracional e sem limites.

A carta que Gabriele Santos Barbosa, de 14 anos, assassinada após uma discussão banal com uma colega de classe numa escola pública em Itabuna, não escreveu, é um libelo contra a bestialidade coletiva que transforma a vida em algo absolutamente sem valor.

Um hino à vida, num cenário de morte.

Daniel Thame é jornalista e escritor.