Tempo de leitura: 2 minutosEditorial de A Tarde, desta quarta
Ataques a cinco módulos policiais, incêndio de quatro ônibus, no último dia do feriadão em Salvador, e mais três ônibus incendiados ontem mostram que as ações do crime organizado, aqui na capital, nada devem às de SãoPaulo e Riode Janeiro,se já não as igualam e até mesmo superam, em certos casos.
As investidas começaram na manhã de segunda-feira, na Ribeira, Uruguai e estações Pirajá e Mussurunga, seguidas à noite de apedrejamento e incêndio de um módulo na Fazenda Grande. Seriam atos de represália à transferência de Cláudio Eduardo Campanha, um dos líderes do narcotráfico, para um presídio no Centro-Oeste.
Se verdadeira esta conclusão, como transparece dos fatos, patenteiam-se, de um lado, o desafio e audácia do banditismo e, de outro, a fragilidade do sistema de segurança pública baiano. Os níveis de violência parecem em migração do Sudeste para cá. Datam de 2006, em São Paulo, as cruentas hostilidades do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra transferências de presos de alto calibre. No combate às facções do crime, o Rio consegue aos poucos reduzir os graus de violência. Teriam os chefes de bandos batido em retirada para Salvador, ou os facínorasdaquiabsorvemtecnologia criminal de ponta?
A dimensão dos atentados, o nível de ousadia e desafio ao aparelho de segurança fazem da capital baiana uma praça de guerra, expõem a população e os contingentes policiais, civis e militares, a emboscadas repentinas. Apesar de resultados positivos, o sistema de segurança falha no quesito das ações preventivas. Por exemplo: a transferência de Campanha requeria um aparato de vigilância que o serviço de inteligência omitiu ou minimizou.
Volta-se abater na tecla: éprecisoaparelhar a polícia com armas adequadas, munição e coletes à prova de bala, melhorar o apoio logístico, atender a reivindicações salariais justas. Desativar módulos, a pretexto de que setornam alvos fáceis, equivale a deixar de vez a população à mercê do banditismo.
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