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walmir rosárioWalmir Rosário | wallaw1111@gmail.com

A crítica é sempre bem-vinda e deve ser vista como um instrumento de feedback e não como um texto pejorativo com o viés de denegrir a imagem do governo.

Esta célebre frase acima aparece na Bíblia Sagrada várias vezes, ditas por profetas diferentes, numa demonstração clara da separação dos poderes (?) terrenos e divinos. Esse texto é uma demonstração cabal de que a relação entre o cristianismo e a política, especialmente no que tange à separação da Igreja e do Estado é uma realidade, principalmente no Brasil.
Mesmo assim, quando convêm, falsos profetas usam e abusam, em vão, do nome de Deus para tentar remendar coisas malfeitas no mundo terreno. Algumas vezes e em determinadas situações até conseguem, haja vista a benevolência com que essas declarações são vistas por certos setores da imprensa. E elas, as declarações, são ditas por políticos ou seus asseclas para agradar aos assessorados.
Esses dois parágrafos acima demonstram e explicam a minha indignação pelo pedido do pastor Ernesto Soares, chefe de cerimonial da Prefeitura de Itabuna, pedir uma trégua de 90 dias da imprensa e da população com o prefeito Vane do Renascer. Ainda por cima solicitou que a população se una numa corrente de oração, para que Deus ilumine os passos do prefeito Vane e de sua equipe.
Ora, no livro sagrado está dito textualmente: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus súditos pelejariam, para não ser eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.” (João 18:36).
Portanto, não serão as orações – sempre bem-vindas para o nosso espírito –, mas as ações desenvolvidas pela equipe de governo que irão mudar a cara da cidade.
E essas ações deveriam – ou já foram iniciadas, não tenho certeza – ter sido feitas no início do governo, observando e separando o bom do ruim, o que deve ser pago e o que deverá ser recusado. Quais os erros, omissões e ações maléficas praticadas pela administração anterior e entregues à Justiça para que eles possam pagar malfeitos e não o Município. E tudo isso faz parte de ações praticadas no campo material e não espiritual.
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Este blog concorda com a necessidade de tempo razoável para que o novo governo itabunense resolva todos os problemas deixados pela administração passada e, quando faz cobranças, não é por desconhecer ou ignorar o quanto a administração passada prejudicou a cidade. É, simplesmente, porque só há um governo ao qual hoje a população pode recorrer, e não se trata, claro, da gestão finada em dezembro.
É óbvio e não precisa ser repetido a todo momento que o prefeito Claudevane Leite recebeu uma “herança maldita”, mas é preciso ter muito cuidado para que a exaustiva repetição de um fato notório não se transforme em pretexto para a falta de ações. A população está sendo até econômica na bronca, pois tem simpatia pelo prefeito e grande parte dos itabunenses certamente ainda confia nele.
O que se exige não é solução imediata para tudo, num ilusório passe de mágica. Mas as cobranças não podem ser vistas por certos setores do governo como negativismo ou apedrejamento. Por mais que a crítica incomode, ela deve servir – quando justa e correta – para indicar correções que precisam ser feitas.
Em vez de lembrar a todo momento da óbvia herança maldita, por que não se concentrar no principal lema do prefeito em campanha, que foi a palavra “mudança”? Um motorista, quando pretende mudar de direção, olha num primeiro momento o retrovisor para ter a segurança do que irá fazer. Depois, segue em frente e não precisa ficar o tempo todo mirando o que já passou. É essa a atitude que a população quer ver o governo adotar.
Se as condições não permitem grandes mudanças imediatas, que pelo menos o governo dê sinais claros de que ela ocorrerá em algum momento não tão distante. Evitar e combater velhos vícios, buscar soluções criativas para administrar com eficiência os recursos disponíveis e ter a transparência como princípio são posturas extremamente necessárias para que se vislumbre que há algo realmente novo na política local. Por outro lado, discursos e práticas repetidos, e bastante conhecidos, tendem a produzir uma frustração que Itabuna não merece viver mais uma vez.

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Manu BerbertManuela Berbert | manuberbert@yahoo.com.br
 

O que se vê é um investimento absurdo numa cultura fadada à baixaria.

 
A escritora Lya Luft, que dispensa apresentações por ser conhecida e reconhecida nacionalmente, escreveu no texto A boa escola – Revista Veja de 27 de fevereiro – que todos têm o direito de receber uma educação que os coloque no mundo sabendo ler, escrever, pensar, calcular, tendo ideia do que são e onde se encontram, e podendo aspirar a crescer mais. Disse que isso é um dever de todos os governos, o que na teoria é lindo, mas na prática a gente desconhece.
Falta interesse em tornar o brasileiro inteligente e politizado, e sobra investimento “nas bolsas”. É como questionou brilhantemente o jornalista e assessor de imprensa Carlos Alberto Vittorio em seu blog, No bico do urubu, no texto Fui promovido a pobre: “será que não dá pra entender que um povo cheio de sabedoria de escola e mais escola não vai acreditar mais nas bolsas? Será que não deu ainda pra entender que um povo escolado fica sabido demais da conta e aí bota tudo a perder?”
Como educação e cultura caminham juntas, não precisa ser de fato inteligente para perceber que o caos está instalado. O que se vê é um investimento absurdo numa cultura fadada à baixaria, ao ponto de assistirmos o povo votar numa música chamada Camaro Amarelo como a melhor do ano de 2012. Porém, se pararmos para analisar as opções que a toda poderosa Rede Globo nos ofereceu, até que fomos inteligentes.
A vida segue e o governo investe naquilo que é prioridade para ele, claro. O Ministério da Cultura aprovou um projeto de Claudia Leitte com valor que chega a ser cinco vezes maior que o valor do projeto de Gilberto Gil e quase ninguém comentou. A verdade é que enquanto alguns estão se indignando com as mazelas das escolas públicas e a cultura mesa de bar à qual estão nos submetendo, a maioria está lendo “Cinquenta tons de cinza”. E eu estou quase achando que é mesmo a melhor opção.
Manuela Berbert é jornalista, publicitária e colunista do jornal Diário Bahia.
 

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Felipe de PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

Todos estão habituados a experimentar suas formações através de “caixinhas” de conhecimento. Definidas, de limites conhecidos e objetivando alcançar a formação específica. Hoje isso se redefine.

Está longe de ser novidade a ideia de que vivemos na chamada Sociedade da Informação. Uma série de teóricos apontam as bases das novas relações e ações sociais a partir da lógica de um sem número de caminhos possíveis para o aprendizado. A noção de exclusão social está formada, em muito, pela acessibilidade à informação experimentada.
Contudo, os impactos oportunizados por essa realidade nem sempre são tão conhecidos. Pode-se lançar mão da analogia de que estamos aprendendo a pilotar o avião enquanto o mesmo voa.
Passamos a lidar com a percepção da instantaneidade. Se antes podíamos viver aguardando vários dias até tomarmos conhecimento de algum acontecimento, hoje apenas alguns breves segundos são suficientes para despertar angústias variadas. Não desejamos ficar à margem.
E na educação não é diferente. Todos estão habituados a experimentar suas formações através de “caixinhas” de conhecimento. Definidas, de limites conhecidos e objetivando alcançar a formação específica. Hoje isso se redefine. A interdisciplinaridade passa a demandar um profissional sem limitações em enxergar que existem temáticas, debates, conhecimentos fundamentais para sua atividade que não pertencem ao fluxograma tradicional de seu curso.
É o tempo do aprendizado colaborativo, no qual o aluno que aprende e repassa seu conhecimento sai ainda mais enriquecido. É tempo do aprendizado dialógico, pautado fundamentalmente na resolução de problemas. É tempo de um professor que se coloca muito mais como um mediador do conhecimento e não como um dono exclusivo do saber.
A interdisciplinaridade é o caminho. Saber muito sobre seu campo sem se limitar a ele. Essa é a atitude de um profissional que se forma em um mundo em que as novas tecnologias oportunizam visitas a galerias de arte, bibliotecas, cidades, conversas com intelectuais de qualquer lugar do globo. Não dá mais para encarar educação da mesma maneira. Os conhecimentos não podem ser aplicados de forma fragmentada, mas dentro de um contexto repleto de conexões com áreas distintas e que se complementam.
É tempo de uma nova universidade – e também deve ser de uma nova escola. Pensar e repensar a educação em todos os níveis. Formar um estudante compatível com os tempos contemporâneos, prontos para lidar com as diferenças e a resolução de problemas. Diversas ações têm sido desenvolvidas nesse sentido. Algumas mais tímidas, outras mais profundas. Que tenhamos sempre a disposição de construir algo novo e mais adequado. E que o avião citado acima não demande pouso definitivo, apenas voos cada vez mais intensos, que oportunizem belas paisagens, experiências e aprendizados.
Felipe de Paula é comunicólogo, mestre em Cultura e Turismo e professor.
 
 

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marco wense1Marco Wense
 

Na mesma noite, Fernando saiu com Eduardo para jantar no restaurante “Baby Beef”. Um Eduardo Anunciação extremamente preocupado com o retrato equivocado que Fernando fez da oposição.

 
Eduardo Anunciação, jornalista excepcional e incomparável no seu estilo, pressentiu que Geraldo Simões seria o adversário com o qual o então poderoso Fernando Gomes deveria se preocupar.
Anunciação era muito próximo de Fernando Gomes. Além de conselheiro político, foi assessor parlamentar do ex-prefeito de Itabuna na Câmara dos Deputados.
Derrotando Renato Costa e Davidson Magalhães, na sucessão municipal de 1996, Fernando Gomes chega ao comando do Centro Administrativo Firmino Alves pela terceira vez.
Na noite de 31 de dezembro, véspera da posse, ainda comemorando a vitória, Eduardo disse: “Fernando, o seu adversário em 2000 chama-se Geraldo Simões.”
Fernando olhou para Eduardo e riu. Eduardo insistiu: “Este menino vai longe. Não mais amedronta a classe média por ser do PT. Pode costurar uma aliança com Davidson Magalhães, Ubaldo Dantas e Renato Costa.”
Fernando Gomes, no alto da sua ignorância política, continuou rindo. Segundo o próprio Eduardo Anunciação, já em um lugar chamado eternidade, “Fernando discordava dando risada, na base do deboche.”
Fernando achava que Geraldo Simões, Ubaldo Dantas, João Xavier, Renato Costa e Davidson Magalhães estavam na enfermaria política. Eram trapos políticos.
Na mesma noite, Fernando saiu com Eduardo para jantar no restaurante “Baby Beef”. Um Eduardo Anunciação extremamente preocupado com o retrato equivocado que Fernando fez da oposição.
Geraldo Simões se elege prefeito de Itabuna na sucessão de 2000, tendo Ubaldo Dantas como vice. O presságio de “Gaguinho” virou realidade.
Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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raimundosantanaRaimundo Santana | sintesir@hotmail.com

Resta ao presidente e demais membros do colegiado ilheense desvencilhar-se de qualquer paixão ideológica às diretrizes teóricas do sistema e deliberar por alguma medida que ponha fim aos desmandos praticados, ainda que seja a suspensão momentânea da gestão plena.

O SUS é um projeto que assume e consagra os princípios da universalidade, equidade e integralidade da atenção à saúde da população brasileira. Ademais, se acrescentam os princípios estratégicos, que dizem respeito a diretrizes políticas, organizativas e operacionais, que apontam como deve vir a ser construído o sistema que se quer conformar. Tais princípios são, como se sabe, a descentralização, a regionalização, a hierarquização e a participação social.
É inegável que, teoricamente, os princípios e normas do SUS são apaixonantes, principalmente para os militantes da saúde, e, como agentes do sistema de saúde, devemos trabalhar fortemente para a implementação e consolidação dos seus princípios e normas.
Contudo, nós não vivemos nas teorias. Vivemos em cidades reais, com problemas reais. É aí que o controle social, representado no Conselho Municipal de Saúde, composto por gestores da saúde, trabalhadores da saúde, prestadores de serviços de saúde e usuários dos serviços de saúde, órgão consultivo e deliberativo, desempenha um papel preponderante.
Ao Conselho Municipal de Saúde, cabe acompanhar diligências, debater, encaminhar denúncia, quando necessário, junto aos órgãos competentes e deliberar sobre temas relativos ao sistema de saúde do município.
Assim sendo, situações como a que se instalou na saúde do município de Ilhéus há algum tempo, carece de uma atuação firme e urgente por parte do Conselho local de saúde, pois temos fortes indícios de que o Fundo Municipal de Saúde está em colapso, devendo três meses de faturamento aos prestadores de serviços da cidade, gerando atrasos dos pagamentos dos salários dos trabalhadores e os usuários ficando sem assistência.
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Helenilson Chaves

Espera-se, em caráter imediato, uma medida que impeça a importação desenfreada de cacau, absolutamente desnecessária neste momento.

É com satisfação que vemos a iniciativa dos produtores de cacau do Sul da Bahia de promover manifestação contra a importação de cacau. Um movimento que não deve se limitar aos produtores, mas a toda sociedade organizada.
Por conta da queda na produção de cacau brasileira, a importação de amêndoas da África e da Ásia se tornou necessária para manter as indústrias em funcionamento.
Ocorre que nos últimos dois anos, a safra brasileira vem apresentando um processo contínuo de recuperação, chegando a 137 mil toneladas na safra 2012/2013. E a tendência é de que esse volume aumente na próxima safra.
Com isso, o que era solução, se transformou em problema. A manutenção das importações faz com que as indústrias processadoras deixem de comprar o cacau nacional. E com oferta crescente, os preços despencam, chegando a irrisórios 58 reais a arroba. Um valor que não cobre nem os custos de produção.
É importante observar que mesmo com dividas astronômicas e dificuldades para a obtenção de novos créditos, os produtores sul baianos, dotados de notável espírito empreendedor, conseguem retomar a produção e delinear um quadro em que o cacau volte a ser um fator preponderante na economia regional, com a necessária ressalva que não se pode mais pensar em monocultura.
Mas, por outro lado, não se pode tratar o cacau como uma cultura irrelevante, que já deu o que tinha que dar.
E é aí que entra a necessidade de uma ação governamental mais efetiva, transformando em realidade projetos de recuperação da lavoura, como o PAC do Cacau.  É o mínimo que se pode esperar como retribuição a um produto que tanto contribuiu com a economia do Brasil e da Bahia e que ainda tem muito oferecer aos sul-baianos.
Espera-se, em caráter imediato, uma medida que impeça a importação desenfreada de cacau, absolutamente desnecessária neste momento; além do risco de introdução de novas pragas numa lavoura que já sofreu o suficiente com a vassoura-de-bruxa.
Um dos grandes pecados do produtor de cacau ao longo de décadas foi o excessivo individualismo, a completa ausência de espírito coletivo, a incapacidade de mobilização.
A manifestação contra a importação de cacau pode sinalizar um novo paradigma, em que a soma de esforços de uma sociedade que luta para se reerguer, resultará numa união permanente, que nos tornará fortes o suficiente para sermos ouvidos e atendidos em nossas justíssimas reivindicações.
Helenilson Chaves é diretor-presidente do Grupo Chaves.

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josé januárioJosé Januário Félix Neto | netto_felix74@hotmail.com

A Procuradoria Geral do Município, a Câmara Legislativa de Itabuna e a Secretaria de Trânsito Municipal, não podem deixar, à própria sorte, condutores sem a profissionalização correspondente a sua atividade.

Surgido na Alemanha na década de 1990, o serviço de mototáxi apareceu e ganhou força no Brasil na região Nordeste. Isso devido ao baixo preço das motocicletas, migração do homem do campo para as cidades e taxa altíssima de desempregados no serviço formal, de carteira assinada, e a ineficiência dos serviços de transporte público oferecidos à sociedade.
Com o advento da Lei 12.009, de 29 de julho de 2009, os serviços de mototáxi e motofretista foram condicionados à regra de concessão pública de exploração de transporte de passageiros e, no segundo plano, da entrega de mercadorias. A lei inovou e estabeleceu critérios para os condutores que atuam como prestadores desses tipos de serviços nas cidades brasileiras, tendo como objetivo a legalização da profissão.
Em Itabuna esse tipo de transporte ainda não foi regulamentado, já que a lei deixou a cargo dos municípios a sua autonomia. O profissional que sobrevive desse trabalho necessita do apoio do poder público local no sentido de protegê-lo da discriminação social e estatal, pois são alvos de desconfiança constante e violência por parte de motoristas no trânsito.
A desigualdade social empurra o jovem para sua prática e em sua maioria não possuem capacidade de exercerem a profissão de motofretes e mototáxis devido à falta de qualificação, local de trabalho e quantidade de motocicletas adequadas para cada área da cidade de acordo à sua densidade demográfica, iniciando uma fiscalização abusiva para sua atuação já que não existem regras definidoras e fiscalizatórias específicas.
Além disso, o cliente de motofretes ou passageiro de mototáxi estará protegido, pois terá, ali, um profissional identificado e qualificado e não os “motoqueiros” que fazem da profissão um bico, sem qualquer responsabilidade com a vida dele e dos outros.
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marco wense1Marco Wense
 

Como a eleição para o Parlamento é tida como favas contadas, o Partido Comunista do Brasil não é a legenda mais apropriada para Serpa. O PCdoB tem um compromisso com a reeleição do prefeito Vane.

 
O leitor, seja ele um Helenilson Chaves ou um morador da Bananeira, tem todo o direito de fazer a seguinte observação: já vem Marco Wense com a sucessão de 2016. Tenha santa paciência!!!
O vai-e-vem dos políticos, as declarações, a conversa nos bastidores, os encontros e as especulações inerentes ao processo político terminam avalizando e justificando o “intempestivo” comentário.
Em entrevista ao jornalista Paulo Lima, na Rádio Nacional, o agora tenente-coronel Serpa deixou entrelinhado que, se for eleito deputado estadual, é candidato a prefeito de Itabuna na eleição de 2016.
E mais, palavras dele: “já fui convidado para ser candidato em Itapetinga e Jequié.” Não citou Itabuna, mas ficou implícito que o desejo-mor é o comando do Centro Administrativo Firmino Alves.
Como a eleição para o Parlamento é tida como favas contadas, o Partido Comunista do Brasil não é a legenda mais apropriada para Serpa. O PCdoB tem um compromisso com a reeleição do prefeito Vane.
Outro detalhe é que o militar não quer disputar espaço político dentro do PCdoB, já que Aldenes Meira, presidente da Câmara de Vereadores, é também pré-candidato a deputado estadual.
Portanto, as condições de Serpa para uma dobradinha com Davidson Magalhães, candidatável a deputado federal, são duas: 1) só ele como o candidato do PCdoB no sul da Bahia. 2) sua candidatura a prefeito de Itabuna.
Serpa deve se filiar a um partido que integra a base aliada do governo Wagner. Descartando o PCdoB, tem o PSB e o PDT, já que o PMDB de Renato Costa e o PSDB de Adervan são legendas de oposição.
Como existe a possibilidade da senadora Lídice da Mata sair candidata ao governo do Estado pelo PSB, dando palanque ao presidenciável Eduardo Campos, fica o PDT da professora Acácia Pinho.
Se o bom Serpa me pedisse um modesto conselho, diria que o PDT do saudoso e inesquecível Leonel Brizola é a melhor opção, não só para o legislativo estadual como para o executivo municipal.
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eduardo thadeuEduardo Thadeu | ethadeu@gmail.com

Após significativos avanços obtidos pela Ceplac/BA, em parceria com a sociedade civil organizada, pesquisadores, academia e produtores, deparamo-nos com um impasse institucional que tem atrasado as iniciativas.

“Uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas futuras”. É assim que o ambientalista Lester Brown define o conceito de sustentabilidade, tão mal utilizado nos últimos tempos.
O Brasil não apenas está preso à ilusão do crescimento econômico, como vem optando por um crescimento predatório, que comprometerá a vida das gerações futuras. A ganância, a cobiça e a avidez dos interesses econômicos estão comprometendo aquilo que é o nosso diferencial para a qualidade da vida planetária: a biodiversidade.
O Brasil vem sistematicamente arrasando os seus biomas – amazônia, cerrado, caatinga, pantanal, mata atlântica, pampa – em nome do crescimento econômico. O país está perdendo o bonde da história e não percebe, ou não quer perceber, que é um dos poucos países que poderia oferecer uma alternativa à crise civilizacional, estabelecida sobretudo na crise climática.
Após significativos avanços obtidos pela Ceplac/BA, em parceria com a sociedade civil organizada, pesquisadores, academia e produtores, deparamo-nos com um impasse institucional que tem atrasado as iniciativas que apontam para alternativas à crise econômica que assola a Região há mais de um quarto de século.
Já nos ensinava o poeta espanhol Antonio Machado que: “o caminho se faz caminhando”. O que temos percebido é que, desde meados do ano passado, nosso caminho rumo ao desenvolvimento sustentável da tradicional região produtora de cacau da Bahia não tem recebido passos em seu leito.
Em que pese a forte presença da Região na Conferência Rio+20, no Salon du Chocolat, e a consequente reverberação na mídia nacional, propostas que visam efetiva e eficazmente transformar a região, oferecerem um norte para seu desenvolvimento, tem sido postergadas desde então.
A falta de alinhamento das políticas públicas, quer sejam federais ou estaduais, somada ao distanciamento da burocracia federal da realidade e demandas dos cacauicultores, vem fazendo com que também o Sul da Bahia comece a se distanciar do bonde da história.
Eduardo Thadeu é economista, mestre em planejamento e desenvolvimento regional, especialista em planejamento ambiental e conselheiro fundador do Conama.

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walmirWalmir Rosário | wallaw1111@gmail.com

Como representante da alegria, sem vínculos e compromissos com situação política dominante, quem, se não os foliões do Casados I…Responsáveis para mostrar a Itabuna que a alegria não acabou, que a vida continua  e que deve ser vivida com intensidade?

A notícia de que o bloco Casados I…Responsáveis não participará da tradicional Lavagem do Beco do Fuxico, por certo não agradaria ao folião e um dos fundadores do irreverente bloco, Eduardo Anunciação. Que homenagem mais relevante poderia ser prestada a Gaguinho do que levar a alegria ao povo, justamente numa das festas que sabidamente ele mais gostava?
Acredito que, lá do andar de cima, Eduardo está reprovando a infeliz ideia de calar os foliões “do Casados”, ainda mais quando Itabuna é privada do Carnaval (aqui não cabe a avaliação dos motivos, que devem ser justos). E esse fato, por si só, seria uma garantia da presença do bloco num evento que representa a alegria dos frequentadores do Beco do Fuxico.
Último reduto da boemia encastelada na travessa mais conhecida de Itabuna, o Beco do Fuxico é visto e descrito como o local mais democrático, os apreciadores das iguarias etílicas disputam o mesmo ambiente, sem distinção de cor, raça, credo ou preferência várias, inclusive as sexuais. No Beco, desde cedo a cidadania é ensinada no ABC da Noite, com as aulas ministradas pelo Caboclo Alencar.
A importância do Beco do Fuxico ultrapassa gerações, que convivem pacificamente à beira de um copo, de uma garrafa, embaladas pela simplicidade de “jogar conversa fora”. Para quem não sabe, é lá no Beco do Fuxico o local por demais apropriado para se discutir ciência, debatendo-se desde parto de pulga à mecânica de avião, a jato, para ficar mais esclarecido e que não paire dúvidas sobre o conhecimento.
Prova inequívoca de que o Casados I…Responsáveis agradaria mais ao velho Gaguinho desfilando na Lavagem do Beco do Fuxico foi sua aparição no “recinto” um pouco antes de se despedir das coisas terrenas. Como não poderia deixar de ser, Gaguinho não se fez de rogado e foi prestar suas homenagens ao aniversariante Caboclo Alencar, ao completar seus 82 aninhos.
Como representante da alegria, sem vínculos e compromissos com situação política dominante, quem, se não os foliões do Casados I…Responsáveis para mostrar a Itabuna que a alegria não acabou, que a vida continua  e que deve ser vivida com intensidade? Só o bloco mais irreverente que nunca se conformou com a decretação do fim da folia, desfilando com irreverência pelas ruas da cidade, sozinhos e sem mendigar os recursos públicos, levando a alegria como forma de combate à tristeza: o Casados I…Responsáveis.
A forma mais eficaz de acabar com a tristeza é a alegria. Disso ainda não conheço, mas respaldado pelas leituras da cultura de alguns povos que habitam em planeta terra, aos que se foram são prestadas as homenagens em forma de alegria. E aqui não deverá ser diferente, até mesmo sob o pretexto de prestar uma sincera e por demais merecida homenagem a um dos seus membros, que soube viver sua vida com intensidade: Eduardo Anunciação.
Os boêmios (como Gaguinho) do Baixo ao Alto Beco agradecem. Ou não se fazem mais foliões como antigamente!
Walmir Rosário é jornalista, advogado, boêmio e editor do Cia da Notícia (www.ciadanoticia.com.br).

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Jabes Ribeiro
 

Pessoalmente, como prefeito de uma cidade da importância cultural, histórica e econômica como é Ilhéus, tenho sentido na pele, mais do que nunca, a dificuldade de administrar um município que depende quase que inteiramente dos recursos repassados pelas instâncias estaduais e federais.

 
Frustração. Este foi o sentimento que uniu o pensamento da maioria dos prefeitos, após três dias de seminários, palestras e reuniões que compuseram a pauta do Encontro Nacional de Novos Prefeitos e Prefeitas, realizado em Brasília, entre os dias 28 e 30 de janeiro. Evidente que não dá para dizer que o evento não foi importante, especialmente pelo contato que permitiu entre os novos gestores e integrantes da administração federal, do conhecimento que tomamos de programas e projetos que podem ajudar os municípios brasileiros.
Mas o sentimento de frustração se explica pelo que não aconteceu no encontro: uma discussão aprofundada e produtiva a respeito da necessidade de se implantar no Brasil um novo pacto federativo, capaz de reduzir a dependência dos municípios da boa ou má vontade de Brasília. Pessoalmente, como prefeito de uma cidade da importância cultural, histórica e econômica como é Ilhéus, tenho sentido na pele, mais do que nunca, a dificuldade de administrar um município que depende quase que inteiramente dos recursos repassados pelas instâncias estaduais e federais.
No nosso caso, a situação fica mais grave devido ao estado de extrema penúria deixado pela gestão anterior, com todas as contas bloqueadas, os serviços públicos sucateados, as receitas municipais e as cotas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) sequestradas para o pagamento de débitos, além de folhas salariais e de 13º atrasadas. Mas, mesmo que não tivéssemos, em Ilhéus, todo esse caos a enfrentar, ainda assim teríamos muitas dificuldades, por conta da desigual distribuição dos recursos entre os entes federativos, numa injustiça gritante com a célula mater da Federação, o Município, onde, ao fim e ao cabo, residimos e vivemos cada um de nós, desde o habitante mais humilde às mais altas autoridades do País.
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Pedro Bernardo
Não se muda uma cidade de fora pra dentro ou da boca pra fora. Uma cidade se muda a partir da mudança das pessoas, dos sentimentos, das aspirações. É preciso corrigir ambições, suprimir individualismos, elevar a valoração do coletivo e do bem comum.
O que complica a mudança é exatamente a necessidade de reprogramar o “software” interno de cada um, governante e governado; mexer nas relações pessoais com a cidade, reposicionar prioridades. Somente depois disso é possível desenvolver ações concretas e efetivas que alterem a realidade de modo efetivo.
Mudar da guerra urbana para a paz, do caos social para a harmonia, da irresponsabilidade ambiental para a utilização racional dos recursos naturais… São necessidades urgentes, mas nada disso se tornará realidade sem um plano que entre no coração dos cidadãos e cidadãs.
Enquanto cada um pensar apenas no seu próprio quintal, nada muda. Se a política continuar a servir à mera disputa pelas fatias do poder e os governos gastarem quase todo seu tempo e energia fazendo equações relacionadas à ocupação/loteamento de cargos, fica tudo na mesma… Aliás, piora.
A mudança depende muito de educação, mas não somente a que prepara o indivíduo para se dar bem na vida. É fundamental aquela que o capacite a ser verdadeiramente um cidadão útil à coletividade, sem importar a função que exerça. Alguém que entenda o fato inquestionável de que o sucesso individual, desatrelado do bem-estar da comunidade, não faz o menor sentido.

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walmirWalmir Rosário | wallaw1111@gmail.com

Trabalhamos juntos em algumas oportunidades, inclusive na Divisão de Comunicação da Ceplac (Dicom), onde exerceu a chefia num dos períodos mais conturbados da política brasileira: a volta do país à democracia. Com sua experiência, sabia desarmar os espíritos, conquistar novos amigos.

Do alto de sua sabedoria, o jornalista e escritor Antônio Lopes costuma nos ensinar que começamos a desconfiar que estamos ficando mais velhos quando os nossos amigos vão nos deixando. E nos deixando de vez, partindo desta para a melhor, como costumam dizer as pessoas chegadas aos elogios fáceis e gratuitos para consolar as famílias e os amigos do de cujus.
E essa constatação vai ficando mais presente nas pessoas de minha geração. Desaparecem os amigos de infância e os que conseguimos fazer durante os anos, seja m na escola, no trabalho, nas atividades de lazer, nas mesas de botecos. Não importa, chegada a hora, vencida a obrigação, o sujeito tem de adimplir o contrato firmado com o Pai Eterno. Podemos, até, resmungar que não seria chegada a hora, mas não importa, a morte é implacável.
Nesta sexta-feira (15) chegou o dia aprazado de Eduardo Anunciação. E ele teimou em não cumprir o aprazado, relutando em fazer a última viagem, ficando mais um tempo por aqui. Teimoso como ele só, buscou a ajuda médica, passou por cirurgia, relutou ao ócio durante o restabelecimento, continuou a trabalhar até não mais aguentar.
Essa atitude é própria da natureza do jornalista que preza sua profissão, na maioria das vezes remando na contracorrente, por se colocar – de forma intransigente – contra a intolerância, se indignando contra as desigualdades. Como dizia Voltaire, “Eu posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-la”.
E assim Eduardo Anunciação viveu seus 67 anos na plenitude dos seus direitos. Agitador, sim, esse seria o melhor adjetivo para qualificá-lo. Sim, pois antes do jornalismo foi líder estudantil, vereador, agitador cultural, jornalista. Essa foi a sua trajetória, que está gravada na mente de seus contemporâneos e registrada nos veículos de comunicação.

Eduardo Anunciação.
Eduardo Anunciação.

Como vereador, inovou ao se eleger com apenas 18 anos por um partido de direita, a Arena, embora tenha dedicado seu mandato às causas de Itabuna, principalmente à cultura. Junto com figuras de sua idade – ou poucos mais velhos – promoveram, nos fins dos anos 1960 e início de 70 a maior revolução cultural de Itabuna.
No mesmo grupo, Eduardo Anunciação, Jorge Araujo, Roberto Junquilho, Chiquinho Briglia, Maria Antonieta, dentre outros promoveram, cada um na sua especialidade, ações culturais nas mais diversas expressões artísticas, colocando Itabuna no circuito cultural brasileiro. Nessa época, contávamos com o Teatro Estudantil Itabunense (TEI), o Teatrinho ABC, exposições de arte plásticas, eventos literários e o jornalismo em plena ebulição.
Em todas essas manifestações lá estava Eduardo Anunciação, o Gaguinho, com sua voz rouca, porém ouvida. Aqui, era amigo de toda a turma da cultura, desde os iniciantes no teatro, na música, na literatura, como aos já consolidados, a exemplo do nosso poeta maior: Firmino Rocha, autor de O Canto do Dia Novo, Momentos e o mais conhecido de todos Deram um Fuzil ao Menino, que se encontra gravado numa placa de bronze na sede da Organização das Nações Unidas (ONU).
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WENCESLAU1Wenceslau Júnior | wenceslauvereador@gmail.com

A Comissão está trabalhando incessantemente para encontrar a solução mais adequada para garantir a imediata instalação da universidade na cidade.

Na condição de membro da Comissão criada pelo prefeito para acompanhar o processo de implantação da Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufsba), vale a pena esclarecer:
A) Que o município não dispõe de área própria que atenda às exigências elencadas pela Comissão de Implantação;
B) Que a área oferecida pela gestão anterior é particular, não existindo qualquer contrato que assegure ao município alguma garantia;
C) Que em conjunto com a comissão de implantação da UFSBA, estamos avaliando tecnicamente a melhor opção de área para em seguida efetuarmos a compra ou desapropriação;
D) essas medidas estão sendo mantidas em sigilo para evitar especulação imobiliária no entorno da área escolhida.
Na verdade, o que mais tem nos angustiado é a definição de um espaço adequado para abrigar imediatamente o funcionamento do Colégio Universitário de Itabuna e a Instalação do Instituto e da sede da Reitoria, pois esses espaços é que são fundamentais, juntamente com a celeridade na aprovação do Projeto de Lei que Cria a UFSBA assegurando o seu pleno funcionamento já em 2014.
Quanto às decisões de prédios para instalação do Colégio Universitário, do Instituto e da Sede da Reitoria, bem como em relação à definição da área para construção do Campus, a comissão de implantação, juntamente com o prefeito da nossa cidade, definiram o mês de março como prazo razoável para tal definição.
A Comissão está trabalhando incessantemente para encontrar a solução mais adequada para garantir a imediata instalação da universidade na cidade. Não poderia ser diferente tal empenho, até porque, eu e o prefeito Vane, na condição de vereadores, juntamente com nossos pares e outros atores, participamos intensamente da luta em defesa da Universidade Federal do Sul da Bahia.
Entendo que a decisão de instalar a Universidade aqui é a maior conquista do centenário de Itabuna, pois esse equipamento, juntamente com a Uesc, Ifba, Ceplac e outros órgãos aqui instalados, possibilitará a formação da massa crítica necessária para formular políticas de desenvolvimento econômico com inclusão social, respeito ao meio ambiente, focado no desenvolvimento tecnológico e na inovação necessários à consolidação de uma mudança de paradigma que supere de uma vez o modelo econômico de exportação de commodities, aproveitando a instalação dos equipamentos de infraestrutura e logística em curso na região dando um salto na diversificação econômica com foco em tecnologia.
Daí a determinação do prefeito Vane para que a equipe não poupe esforços e no prazo combinado com a comissão, nosso município possa cumprir com a parte que lhe cabe.
Wenceslau Júnior é vice-prefeito de Itabuna, advogado e professor da Uesb.