Vista aérea do Teotônio Vilela, bairro ilheense que completa 40 anos || Foto José Nazal/Arquivo
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José Nazal

Uma das coisas que mais me impressionam, até hoje, é a falta de conhecimento da população no que concerne à história do chão em que vivemos: a história de nossa rua, de nosso bairro, de nossa cidade. Penso que isso se traduz no pouco sentimento de pertença que vemos em parte das pessoas.

A formação das Terras de São Jorge dos Ilhéus remonta aos primórdios da colonização do Brasil, faltando apenas doze anos para se completar 500 anos do que foi a “Capitania dos Ilhéos”. Em sua obra do Século XIX, Historia da America Portugueza, Sebastião da Rocha Pita anotou:

Em quinze graus escassos tem assento a província dos Ilhéus, assim chamada pelos que a natureza lhe pôs na foz do rio. A sua cabeça é a Vila de São Jorge: tem igreja matriz, duas capelas, uma de Nossa Senhora da Vitória, outra de São Sebastião, e um colégio dos religiosos da Companhia. Duas fortalezas a defendem, uma na barra, outra apartada dela, mas sobre um monte eminente ao mar.

O Plano de Desenvolvimento Local Integrado do Município de Ilhéus – PLAMI, finalizado em 1969, traz um completo levantamento da evolução urbana de Ilhéus, com mapas mostrando a ocupação nas primeiras sete décadas do Século XX. A partir daí, o crescimento foi vertiginoso, forçoso e desordenado.

No meio dessa semana, fui procurado pela Superintendência de Comunicação Municipal (SUCOM) com o pedido de concessão de uma fotografia do bairro Teotônio Vilela, com o propósito de ilustrar a matéria divulgação a comemoração dos 40 anos de formação do bairro. Respondendo afirmativamente que cederia, argumentei que a seriam 43 anos e não os 40 informados. Sugeri que buscassem informações para não prejudicar a própria história do bairro e, pior, levar aos moradores uma informação equivocada.

No dia seguinte, vendo a divulgação equivocada (na minha opinião), ratifiquei que os dados oferecidos à SUCOM continham enganos históricos, que poderiam ser observados facilmente pelas datas, como por exemplo: a divulgação de atos atribuídos ao então prefeito Jabes Ribeiro, no ano de 1982. Ora, Jabes foi eleito em 15 de novembro de 1982, assumindo o governo em 1983. Como poderia ser responsável por decretos e leis de 1982 não sendo o prefeito? Nesse ano o prefeito de Ilhéus era Antônio Olímpio Rehen da Silva.

Infelizmente, nos tempos de hoje, há uma prática de se publicar sem aferir devidamente os fatos. Em uma simples consulta ao “Dr. Google” facilmente seriam encontrados dois artigos acadêmicos que tratam da formação do bairro, respectivamente das professoras Gilselia Lemos Moreira e Elzita Ferreira Vidal.

A professora Gilselia Moreira (2005) anotou:

O PLAMI entre outras indicações destinava a expansão da malha urbana para a zona oeste da cidade e propunha a construção de um centro de equipamentos comunitários, um cemitério parque e a estação rodoviária. Em 1977 a prefeitura desapropriou uma área de 261.800 m², conhecida como São Francisco, para a instalação do Centro Administrativo – segundo o Diário Oficial de nº 3.328 de 14 de outubro. […]

Assim, em 30 de janeiro dos anos de1980, através de Decreto nº 017, publicado no Diário Oficial nº 3.434, desapropriou-se uma área com 100.000 m², – antiga fazenda Gomeira. Essa área foi então loteada e várias famílias carentes receberam cada uma um lote, juntamente com um cartão de posse. É exatamente a partir daí que se inicia o processo de ocupação e produção do bairro Teotônio Vilela. No entanto, os moradores do bairro apresentam outra versão dessa história.

E a professora Elzita Vidal (2009) anotou:

Os dados sobre o histórico do bairro, que serão apresentados a seguir, foram coletados através de entrevista com o Presidente da Associação de Moradores do Bairro Teotônio Vilela. A formação do bairro se deu no final dos anos de 1970, com a instalação de pessoas oriundas das fazendas de cacau, desempregadas pela crise nas lavouras de cacau. Estas pessoas ocuparam o loteamento conhecido na época como Gomeira, loteamento este formado na terra desapropriada pela Prefeitura Municipal de Ilhéus para a implantação de um Centro Administrativo, equipamentos comunitários e loteamento popular. […].

Em uma área do loteamento foi construído um cemitério chamado “Horto das Orquídeas”, destinado ao sepultamento de moradores de maior poder aquisitivo da cidade, porém em 1980 o cemitério foi desativado e em seu local foi construído um barracão de madeirite para abrigar a Escola Municipal. No início de 1980, o loteamento recebeu o nome de Teotônio Vilela, em homenagem a Teotônio Brandão Vilela, Deputado, Senador e Vice-Governador de Alagoas. O motivo da homenagem foi a verba federal alocada pelo então Senador, para a indenização da terra invadida, que deu origem ao Bairro Teotônio Vilela. O ano de 1980 marca a consolidação do bairro, com a construção do Posto de Saúde, a iluminação das principais ruas do bairro, e a criação da Associação de Moradores do Bairro Teotônio Vilela. Esta associação conquistou, junto ao Poder Público, o fornecimento de água para o bairro, a instalação de telefone público, melhorias para a Escola Municipal, ampliação do Posto de Saúde, da iluminação pública, instalação do módulo policial com viaturas e, com o crescimento do bairro, novas invasões aconteceram em seu entorno com as seguintes denominações: Vilela Norte, Barro Vermelho e Vilela Sul.

Face ao exposto, ouso sugerir à SUCOM, com o luxuoso apoio da Associação de Moradores do Teotônio Vilela e de moradores mais antigos, para que seja feita justiça à história do Bairro e da Cidade, sobretudo em respeito aos primeiros cidadãos ocupantes da localidade, aqueles mais penaram nessas primeiras décadas de sua formação urbana. Eu conheci a Gomeira desocupada e também visitei muito o sítio Tanguape, dos herdeiros de Líbia Vieira das Neves. Era um bucólico lugar!

José Nazal é fotógrafo, memorialista, ex-vice-prefeito de Ilhéus (2017-2020), ex-secretário de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável de Ilhéus e autor de Minha Ilhéus – Fotografias do Século XX e um Pouco de Nossa História.

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Termina o primeiro tempo da partida em zero a zero. Os jogadores entram para o segundo tempo e a torcida impaciente começa a gritar: Queremos o Bomba, queremos o Bomba!

 

Walmir Rosário

Confesso que o futebol praticado hoje não mais me emociona e nem mesmo os jogos da seleção brasileira me convidam a uma vaga no sofá na sala, ou numa mesa de bar ou a casa de amigos, como fazia antigamente. Utilizo a televisão de casa para assistir aos filmes, documentários, musicais e aos jogos (não me condenem precipitadamente) do Glorioso Botafogo, costume que adotei do último campeonato brasileiro pra cá.

Confesso que estou bastante satisfeito com as poucas partidas de futebol assistidas, nas quais vejo os valores individuais jogarem para o coletivo, driblando, lançando bolas para os atacantes, fazendo os belos e necessários gols para vencer as partidas. Me recuso – terminantemente – a assistir jogos em que os “craques” de agora têm medo da bola e a maltratam constantemente apenas para satisfazer os caprichos dos pobres treinadores.

Frequentemente sou chamado de saudosista, o que simplesmente não me ofende, ao contrário, me deixa feliz por gostar de apreciar o bom futebol e não esses de planos construídos numa prancheta de um treinador qualquer. Como não gostar dos craques que sabem dominar a bola e fazem acontecer nos campos desse Brasil afora. Relembro dos telefonemas recebidos do saudoso professor Gabriel Saraiva, comentando o show de bola dos craques do Botafogo, e até do Bahia (este não me emocionava).

Pois fiquem os senhores e senhoras sabendo que não apenas os times do Rio de Janeiro e São Paulo possuíam craques capazes de nos emocionar com jogadas maravilhosas, às vezes desconcertantes, terminadas em gols, ou não. Para não ir tão longe, vou me ater aos jogos realizados no meu “terreiro”, com a famosa seleção amadora de Itabuna (hexacampeã baiana) e o Itabuna Esporte Clube.

Para não encher a paciência dos leitores, não citarei aqui centenas de craques que fizeram a história futebolística baiana, embora não possa esquecer Santinho, os irmãos Leto, Carlos, Lua e Fernando Riela, Ademir Chicão, Luiz Carlos, Bel, Tombinho, o baixinho Ronaldo Dantas, Itajaí Andrade, João Xavier, dentre muitos outros. A grande maioria desses jogadores formaram o Itabuna Esporte Clube, criado em 23 de maio de 1967.

Devidamente profissionalizados, os craques tiveram que se adaptar ao novo estilo de preparação física e tática, agora com os profissionais do Rio de Janeiro, São Paulo e até Rio Grande do Sul. Se antes eram uma só família, esse clã cresceu bastante com os novos “parentes” contratados nos estados do sudeste brasileiro, aos poucos, a maioria dos filhos da casa abandonaram (ou foram obrigados a abandonarem) o futebol.

E essa atitude caiu como uma luva para os técnicos daquela época, a exemplo do conhecido “Velha” e outros que o substituíram, entre eles o gaúcho Ivo Hoffmann, que aqui chegavam, avaliavam o elenco e pediam grandes reforços. E assim iam ao Rio de Janeiro com a missão de selecionar craques que não tinham chances nos grandes times e trazê-los para brilhar e fazer brilhar o Itabuna.

Só que muitos desses jogadores eram arrebanhados nos campos de pelada e vinham em sociedade com os técnicos, que levavam uma gorda comissão (e bota gorda nisso). Numa destas viagens, Ivo Hoffmann vai ao Rio de Janeiro para trazer um zagueiro, dois meios-campistas, dois atacantes e um ponta-esquerda, para substituírem os que se encontravam “bichados”, ou que iriam para o banco.

Desta turma toda, a maior necessidade do Itabuna Esporte Clube era o ponta-esquerda, que há muito sofria de uma contusão crônica. Apresentação feita na sede do clube, na rua Barão do Rio Branco, o destaque era um jogador negro, baixinho, gordinho, de nome Bolete (acredito que pela compleição), já nomeado pelo técnico Ivo Hoffmann como a bomba a ser lançada no próximo jogo contra o Leônico, o conhecido “moleque travesso”.

No treino da sexta-feira, que aprontava a equipe para o jogo do domingo, eis que Bolete é convocado para entrar em campo, e se apresenta todo serelepe correndo pela ponta-esquerda. Um sucesso! Terminado o treino, os repórteres esportivos encheram o técnico Ivo de perguntas, sobre o jogo de domingo e a estreia dos jogadores, melhor dizendo, da bomba a ser lançada contra o Leônico.

Nas emissoras de rádio e nos jornais itabunenses as manchetes eram o lançamento da bomba. Bomba pra lá, bomba pra cá, o nome Bolete foi logo substituído por Bomba. No domingo, a vermos a escalação do Itabuna no vestiário do velho Campo da Desportiva, o Bomba ficaria no banco e deveria entrar no segundo tempo, para arrasar o manhoso Leônico da capital.

Termina o primeiro tempo da partida em zero a zero. Os jogadores entram para o segundo tempo e a torcida impaciente começa a gritar: Queremos o Bomba, queremos o Bomba! Lá pelos 15 minutos o ponteiro-esquerdo bichado pede para sair e o campo da Desportiva vai abaixo gritando Bomba, Bomba, Bomba. Ele se aquece com uma rapidez impressionante para o delírio da torcida.

Na primeira bola que pega, sai em disparada pela esquerda em direção ao Jardim do Ó e quando o lateral direito corre em sua direção para contê-lo, eis que o Bomba tropeça em suas próprias pernas e cai. E a torcida, em silêncio sepulcral na Desportiva, assiste a chegada da maca para retirar o Bomba de campo. Ninguém conseguia entender nada. A Bomba deu chabu e o assunto passou a ser proibido no Itabuna, que dispensou o atleta.

Anos depois, numa conversa com Bel (Abelardo Moreira), que integrou o Itabuna, ele me contou que no dia da partida não encontraram no vestiário as chuteiras 39 que calçaria Bolete, o que foi motivo que ele ficasse no banco. A solução encontrada foi ele jogar com duas chuteiras de número 38. Mas como a Lei de Murphy diz que não há nada que não possa piorar, as chuteiras eram ambas para calçar o pé esquerdo.

Desse jeito, não há bomba que resista!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

Sofia Manzano, professora da Uesb e pré-candidata à presidência da República pelo PCB
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Sofia Manzano pode até vir a ser um traço eleitoral, mas estará certamente construindo o traçado da história, criando passos para a construção de um Governo Popular.

 

Carlos Pereira Neto Siuffo

O analfabetismo político ou o senso comum muito rebaixado levam a criações bizarras.

É muito comum ouvir de pessoas pouco esclarecidas politicamente frases do tipo: “Só voto para ganhar”; “Não perco meu voto”; “Só voto em quem ganha”. A pessoa vota na propaganda mais divulgada, vota na pessoa mais conhecida, como se fosse um jogo de perde ou ganha.

O PCB lançou Sofia Manzano pré-candidata à presidência da República, e vi gente comentar: “Não tem um traço…”. Ora, essas pessoas pensam o processo político-social como um simples jogo de perde e ganha eleitoral. Não enxergam a história. Para essas pessoas, a vida é estática.

Quem viveu o período da ditadura militar lembra como o MDB era nem um traço. Em 1974, ele explode e vence as eleições de ponta a ponta, mesmo com as inúmeras restrições impostas pelas regras ditatoriais.

O PT, quando surgiu, era uma espécie de patinho feio eleitoral, estigmatizado até por parte da esquerda. Nem traço era, mas tinha um acúmulo de lutas políticas-sociais nas costas e acabou elegendo presidente da República. Depois, foi se degenerando. Perdeu as ligações sociais mais profundas. Virou uma máquina institucional e vai carregando os votos das lembranças.

Não é fácil remar contra a corrente. Imaginem ser oposição no nazismo e no fascismo. Mas, havia. No início, eram poucos e persistentes. Hitler meteu uma bala na própria cabeça e Mussolini foi fuzilado pelos partisans e dependurado num posto.

As eleições são fundamentais e importantes, mas a luta política é muito mais larga e profunda e, em verdade, se não houver forte organização popular e muita pressão, as mudanças são cosméticas. Não se iludam com o imediato e com a visão do palmo da mão.

Se fosse tudo estático, não teria havido golpe nem a besta do Bolsonaro seria o presidente ilegítimo, mas eleito.

Sofia Manzano pode até vir a ser um traço eleitoral, mas estará certamente construindo o traçado da história, criando passos para a construção de um Governo Popular.

A luta continua!

Carlos Pereira Neto Siuffo é professor de Direito da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

Semana de Arte Moderna completa 100 anos neste domingo (13)
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Cem anos depois, ainda estamos em uma plena Semana de Arte Moderna, que precisa ressignificar nossa caminhada, quebrar o parnasianismo da elite e desmascarar uma gente que se finge de inocente.

Efson Lima

Após 100 anos da Semana de Arte Moderna, o que temos é um Brasil que procura sua identidade. As inquietações permanecem, e o país está “pluridiversificado”, tem-se uma plêiade de vontades e pouco foi feito até aqui. Uma coisa é certa: de lá para cá jamais fomos os mesmos. As coisas não ficaram no lugar. Deixamos de ser um país rural e adentramos na urbanização. As cidades foram amontoando gente. Para abastecer toda essa gente, a agricultura foi maximizada e continuou a encher os bolsos de alguns.

Nas cidades, os postos do setor de serviços são ocupados por aqueles que, supostamente, são os mais habilitados. A indústria se tornou pujante, cada vez mais tecnológica e empregando menos pessoas. Os nossos cabelos nos centros urbanos são depósitos para as fuligens, que se dispersam nas nossas carapinhas e se impregnam em nossa pele. Os rios se tornaram nossos esgotos, pois conferem maior fluidez para as nossas sujeiras.

O Brasil de ontem é o mesmo de hoje quando o assunto são as castas e quem pode mais na república federativa. O QI ( Quem Indica) continua a desafiar os princípios republicanos e condena a nação no trópico. Cem anos depois, uma elite continua a fazer a festa. Todos podem fazer arte, mas nem todos são valorizados. Apenas os bem “indicados” alcançam um patamar de visibilidade, estes são apresentados na TV e aparecem nos jornais impressos. As revistas fazem o arremate final com bastante tinta e brilho. Os quadros, leiam-se as telas, agora são usados para disfarçar as propinas.

O Brasil continua sendo o país dos corpos. As pessoas malham e se exibem nas ruas e avenidas, que são vitrines. Sem falar nas redes sociais, que potencializam e são senhas para as curtidas. Não vou me fazer de santo: eu adoro! Não sou pudico.

As músicas incentivam os tapas nas mulheres e as ofendem. Colocam-nas no porão da história. As bichas, publicamente, são esquartejadas. Os corpos negros caem nas ruas das cidades. Somos todos fiscalizados e monitorados no maior controle da História. Apologias a crimes contra a humanidade, constantemente, são defendidas por alguns em nome da liberdade de ofender minorias e tragédias humanas.

Sentimos saudade dos rebeldes com causa de 1922. Eles descortinaram nossa realidade e impuseram uma caminhada menos romântica. Seria trágico se pegássemos aquele caminho da pura idealização. O Brasil de hoje é plural e continuará a ser. Tem enormes desafios diante dos quais minha geração “já” fracassou. Precisamos recorrer à próxima geração para amenizar as angústias.

No contexto atual, as mulheres se rebelam, mas as regras estão bem delimitadas. Serão superadas. Os negros buscam quebrar as correntes, mas há quem ache beleza em artesanato com réplicas de pessoas escravizadas para comercialização em aeroporto. Cem anos depois, ainda estamos em uma plena Semana de Arte Moderna, que precisa ressignificar nossa caminhada, quebrar o parnasianismo da elite e desmascarar uma gente que se finge de inocente.

Efson Lima é mestre e doutor em Direito pela UFBA, advogado, professor, escritor e membro da Academia Grapiúna de Letras.

Proprietários de veículos devem ficar atentos aos prazos para quitar o IPVA
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O IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) é destinado a todos os proprietários de veículos e de ser pago anualmente. No estado da Bahia, a alíquota do imposto é calculada em 2,5% sobre o valor de mercado de cada veículo. Este valor é encontrado na Tabela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). O pagamento pode ser feito presencialmente e/ou via app de bancos credenciados (Banco do Brasil e Bradesco, por exemplo).

Existem 4 opções de quitação desse imposto.

A pessoa pode optar por pagar o IPVA com 20% de desconto em cota única até o dia 10 de fevereiro deste ano. Ou pagar com 10% de desconto em cota única na data demonstrada na tabela, de acordo com o número final da placa (confira tabela abaixo).

Prazos para pagamento em cota única  (Fonte Sefaz/BA)

Também pode optar por pagar parcelado em até 5 vezes sem desconto (veja tabela abaixo).

Tabela com prazos de pagamento para quem vai parcelar (Fonte Sefaz/BA)

Ícaro Mota é consultor automotivo e diretor da I´Car. A coluna é publicada às sextas-feiras.

Advogado Geraldo Borges apresenta projeto de revitalização do esporte itabunense
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A simplicidade do projeto é uma demonstração de sua viabilidade e execução, e que pode ser iniciado com a alocação de poucos recursos, parceria e muita criatividade. Geraldo Borges colocou a bola na marca do pênalti, cabe, agora, ao Executivo chutá-la em gol.

 

Walmir Rosário | wallaw2008@outlook.com

Itabuna sempre foi considerada uma grande praça esportiva, tanto pela quantidade e qualidade de seus jogadores, quanto pelos torcedores, apaixonados pelo futebol, voleibol e outras modalidades esportivas. Há décadas, equipes amadoras fascinavam os torcedores no acanhado campo da Desportiva nas tardes de domingo, sem falar na seleção amadora de Itabuna, hexacampeã baiana.

Se praticávamos um futebol de excelência, nos orgulhávamos em receber as grandes equipes brasileiras do passado, que exibiam craques como Mané Garricha, Evaristo de Macedo, Bellini, Zico, Roberto Dinamite, dentre outros astros da constelação do América, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, dentre tantos outros. Mas isso faz parte de um passado constantemente relembrado com carinho pelos itabunenses.

Inconformado com a situação de penúria que chegou o esporte – em suas várias modalidades – o radialista, advogado e mestre em Administração Pública, Geraldo Borges Santos, resolve dar o pontapé inicial na partida de soerguimento do esporte na cidade. E não é a sua primeira iniciativa, pois desde o final dos anos 1960, junto com Ramiro Aquino e Yêdo Nogueira, liderou uma campanha para a construção do Estádio Luiz Viana Filho.

Agora, se empenha em colaborar o escrever um projeto, no sentido de provocar ações da administração pública municipal, para a criação de uma política que possibilite recrutar, selecionar e envolver jovens em todos os bairros de Itabuna para a prática de esportes em suas diversas modalidades. Para tanto, considera fundamental a recuperação da Vila Olímpica de Itabuna, integrando o Ginásio de Esportes ao Estádio Luiz Viana Filho.

O projeto, elaborado em abril de 2021, foi entregue ao vereador Ronaldão, para que seja alvo de debate entre a sociedade, o Legislativo e o Executivo. Acredita Geraldo Borges que, se por um lado a expansão imobiliária acabou com os campos de peladas na periferia da cidade, em muitos bairros foram construídas quadras de esportes, hoje subutilizadas ou destruídas por falta de uma política pública de conservação, o que prejudica o esporte.

Geraldo Borges cita os feitos esportivos de Itabuna, que se destacou no futebol, voleibol, futebol de salão, natação, atletismo e basquetebol, neste, sagrando-se terceiro colocado nos Jogos Abertos de Santo André (SP). No Futebol, foi campeã do Torneio Antônio Balbino, em 1957, por ocasião da inauguração dos refletores do estádio da Fonte Nova, com a presença do presidente Juscelino Kubitschek, o início ao hexacampeonato.

Ainda no futebol, o Itabuna Esporte Clube foi vice-campeão baiano de profissionais, em 1970. Na mesma balada, os juniores do Itabuna se consagraram campeões baianos em 1971, época em que revelou grandes jogadores, entre eles Perivaldo, convocado posteriormente para a Seleção Brasileira. Tempos depois, por falta de incentivo, o Itabuna caiu para a segunda divisão e permanece inativo como clube de futebol.

Geraldo Borges, o autor do projeto

Para o autor, todos os feitos e conquistas de antes deveu-se ao trabalho empírico de alguns colégios e campinhos de bairros, e hoje a cidade conta com a Universidade Estadual de Santa Cruz, a Unime e a FTC, faculdades de Itabuna e entorno, que dispõem de cursos de educação física. Daí sairão os recursos humanos especializados no preparo de jovens, recorrendo a professores e alunos, estes últimos na condição de estagiários, remunerados ou não, por meio de convênios autorizados pelo Legislativo.

Além da Vila Olímpica, integrada por um grande Estádio de futebol com pista de atletismo (inacabada, é verdade) e estrutura do ginásio de esportes e piscina, a Prefeitura poderá firmar parcerias e convênios com clubes sociais e entidades privadas. Enquanto isso, o município buscará mais recursos junto aos governos federal, estadual e a iniciativa privada para custeio e investimentos.

Conforme especifica o projeto de Geraldo Borges, os recursos para implantar o projeto podem ser alocados no orçamento da Secretaria Municipal de Esportes, que já conta rubricas específicas e técnicos capacitados para empreender as atividades. Para ele, um projeto dessa grandeza encontrará grandes parceiros entre empresas ligadas aos esportes, a exemplo das indústrias de confecção de material esportivo.

Clique e confira aqui o projeto

Conclui-se, portanto, que a cidade tem uma estrutura básica de equipamentos públicos voltados para o esporte, grande contingente de jovens ávidos para envolvimento em atividades esportivas e de atletismo. Tudo isso aliado a uma população que gosta de esportes, com histórica tradição de sucesso, restando ao Executivo e Legislativo estabelecerem uma política pública que possa beneficiar toda a comunidade.

A simplicidade do projeto é uma demonstração de sua viabilidade e execução, e que pode ser iniciado com a alocação de poucos recursos, parceria e muita criatividade. Geraldo Borges colocou a bola na marca do pênalti, cabe, agora, ao Executivo chutá-la em gol.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

Marcelo Sá faleceu no final de semana, em Salvador || Reprodução Instagram
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A cultura chora, mas todos choram, porque todos perdemos. Mas, lembrem-se, só sentimos que perdemos porque ganhamos muito com sua presença atuando entre nós, e para os que nem conhecia, mas sabia que existiam. O que Marcelo nos deu, nada tira.

 

Alcides Kruschewsky

Não, não é da Cultura, e é, não somente, então… É comunitário, de uma “roda grande”, enraizada pelos mundos que formam o universo. Por isso, tantas manifestações, tantos seres que o admiravam, amavam, e nem sempre declaravam. Que surpresa dolorosa!

Marcelo não é tudo que andam dizendo após sua passagem. Com certeza é mais que isso. Porque o sentimento de perda coletiva é espontâneo, sincero, doído.

Ah, quem não teve a oportunidade de sua companhia, da mesa com ele, da praia, da arte e desfrutou da sua inteligência, do seu refinado humor, perdeu, sim.

O talento de Marcelo transcendia, sem ambição pessoal. Sabia o que estava fazendo. Levei-o para o rádio, noticiava a agenda cultural comentada. Eu chamava: “Hooggggg”. E ele respondia, “chegueeeeiiii”…

Era engraçado! Era propositadamente ridículo e engraçado. Feito para chocar e rir. E ríamos, gargalhadas fartas desde as 6h30min da manhã, ele “morto” de sono… reclamando que eu ía matar ele… Um stand up de primeiríssima, se quisesse, dava show desde o “Caderno 2”, bar saudoso tocado por essas geniais Badarós.

Marcelo sempre tinha algo a acrescentar e chamava nossa atenção para as causas que se envolvia, querendo engajamento. Tudo não era seu, mas para todos. Quem está dizendo que sentiu e está sentindo sua partida, está mesmo!

Esses tempos não têm sido fáceis, não têm sido bons (ou será pecado assim dizer?). Mas, mesmo diante de tantas vicissitudes, creiam, ainda há motivos para concluirmos que a vida é bela e que vale a pena viver e buscarmos a felicidade, a outra certeza da existência de Marcelo. Pois é, ele, no seu dia a dia, buscava a felicidade nas coisas mais simples e importantes às quais se dedicava, dentre elas as pessoas a quem queria bem.

A cultura chora, mas todos choram, porque todos perdemos. Mas, lembrem-se, só sentimos que perdemos porque ganhamos muito com sua presença atuando entre nós, e para os que nem conhecia, mas sabia que existiam. O que Marcelo nos deu, nada tira.

O amor fica para sempre dentro de cada um.

Te amamos, amigo! Vá em frente, para a luz, sempre! VALEU, POR TODOS NÓS, VALEU!

Alcides Kruschewsky é empresário, ex-vereador e ex-secretário municipal de Ilhéus e radialista.

Chevrolet trará ao Brasil o Cruze Midnight Made in Argentina || Divulgação
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Fabricado por “nossos” hermanos, a Chevrolet anuncia que chegará ao Brasil o Cruze Midnight 2022. A repaginada no visual traz uma beleza agressiva e encanto aos olhos de quem os vê. Carregado de detalhes na cor preta e com uma diminuição significativa de itens cromados, não escapou nem mesmo a logo da Chevrolet.

Ele será comercializado em 3 cores – a tradicional, preto ouro negro, e também estará disponível nas cores cinza satin e azul eclipse. Tem rodas de 17 polegadas redesenhadas e diamantadas, interior escurecido, e bancos de couro, o Cruze conta com ar-condicionado automático, direção elétrica, multimídia Mylink com projeção sem fio para Android auto e Carplay, Onstar, conexão 4G com Wi-fi, câmera de ré, app MyChevrolet e partida por botão com chave presencial.

O motor é o velho conhecido Ecotec 1.4 turbo de 150 cavalos quando abastecido na gasolina e 153 cavalos quando abastecidos com etanol, entregando 24,0 kgfm no primeiro e 24,5 kgfm no segundo, ambos com câmbio automático de seis marchas.

Segundo a montadora, houve recalibragem no motor e câmbio para trazer mais agilidade. Ainda não foi revelado o novo preço nem mesmo a data que começará a ser vendido no nosso país.

Ícaro Mota é consultor automotivo e diretor da I´Car. A coluna é publicada às sextas-feiras.

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Aqui no Brasil, no entanto, grupos religiosos e políticos impedem a descriminalização, por motivos distintos. Os religiosos, por dogmatismo. Já entre os políticos, alguns estão a serviço do tráfico.

 

Gerson Marques

Uma pessoa com grana no bolso pode entrar em qualquer agência de um banco no Brasil e aplicar em maconha nos EUA, comprando fundo de ações da XP e outras, além de ganhar muita grana com a maconha legal dos americanos. Geram empregos, renda e impostos, lá, para eles.

Um jovem branco de classe média, se pego com alguns baseados no bolso, no máximo, terá uma pena de trabalhos comunitários, e os pais vão colocar em um psicólogo… “Mas é apenas uma criança”…

Já um jovem preto, da periferia, se encontrado com UM baseado de maconha, pode pegar até oito anos de prisão. E muitos estão presos, abarrotando presídios e virando mão de obra fácil para grupos organizados, como o PCC.

A descriminalização da maconha, já práticada em vários países, não aumentou o consumo nem aumentou os problemas com consumidores. O resultado averiguado, até agora, é a queda vertiginosa do tráfico e, por consequência, da violência.

A maconha sempre foi legal no Brasil, até os anos 40. Tornou-se proibida não porque era droga, mas porque sua fibra, o cânhamo, é melhor que o algodão para tecidos. E, nos anos 40, o algodão era o principal produto de exportação dos EUA, que, para impor seu produto ao mundo, criou essa criminalização…

Uma das substâncias encontradas na maconha, o canabidinol, está causando uma revolução no mundo dos medicamentos. Aqui no Brasil, no entanto, grupos religiosos e políticos impedem a descriminalização, por motivos distintos. Os religiosos, por dogmatismo. Já entre os políticos, alguns estão a serviço do tráfico, os principais inimigos da descriminalização.

Gerson Marques é produtor de cacau e chocolate e agente cultural.

Dr. Enéas Carvalho faleceu neste domingo, em Salvador, vítima da covid-19
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Em janeiro de 2013, quando assumiu a diretoria médica, as condições do hospital eram caóticas, o que não intimidou este médico, à época com de 71 anos de idade.

 

Walmir Rosário

Faleceu na madrugada deste domingo (23), em Salvador, vítima da Covid-19, o médico pneumologista Enéas Silva de Carvalho Filho, de 79 anos, casado e pai de cinco filhos. Maranhense, deixou seu estado natal para estudar medicina na Bahia, e depois de formado se estabeleceu em Salvador, após casar com a médica especializada em dermatologia, Nely Campos de Carvalho.

E dessa união cresceram os cinco filhos, todos criados e exercendo atividades profissionais na medicina, odontologia, direito, educação e fisioterapia. Vida organizada, o casal cumpriu a promessa de anos passados: viver em Canavieiras após a aposentadoria. E estão cumprindo, proporcionando à sociedade tudo o que receberam durante os anos em atividade em Salvador.

Formado pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Dr. Enéas dedicou 52 anos a serviço da medicina, 38 deles como professor de Propedêutica de Pneumologia na Universidade Federal da Bahia (UFBa) e na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Durante esse tempo cuidou de pessoas, formou alunos, fez amigos.

Até hoje o respeito dos alunos pelo mestre é visto hoje com o carinho que é tratado pelos colegas, que o consideram um ícone da medicina. Mas esse tratamento não é dispensado somente agora e pode ser mensurado nos inúmeros convites que recebeu para ser homenageado como patrono ou paraninfo. Não poderia ser diferente para quem adotou como máxima: “Hospital sem estudante não tem muita motivação, dinamismo”.

Do caos ao sonho. Esta sempre foi a máxima do Dr. Enéas, tanto que quando se aposentou, em 2012, recebeu o convite do então prefeito de Canavieiras, Almir Melo, para dirigir o Hospital Municipal Régis Pacheco. Para ele não foi uma simples utopia e sim um trabalho de planejamento e gestão para dotar o “velho” hospital num dos mais modernos e eficientes centros de atendimento médico hospitalar.

A tarefa parecia simples, não fosse o histórico da situação desse importante equipamento médico-hospitalar responsável pelo atendimento à população de Canavieiras e região. Em janeiro de 2013, quando assumiu a diretoria médica, as condições do hospital eram caóticas, o que não intimidou este médico, à época com 71 anos de idade.

Aos poucos, o Hospital Régis Pacheco passou por uma faxina generalizada em sua estrutura física, contratou uma equipe médica e de enfermagem, até voltar a ser credenciada pela Secretária Estadual da Saúde. Em apenas nove meses, a equipe da Secretaria Municipal da Saúde comemorou a inauguração do centro cirúrgico com a realização das primeiras cirurgias. Uma semana após mais seis cirurgias foram executadas, inclusive dois partos cesáreos.

Para Dr. Enéas, a tarefa não era difícil, pois exerceu o cargo de diretor do Hospital Otávio Mangabeira (Salvador), especializado em doenças pulmonares, tornando-se referência, inclusive, na formação dos profissionais de medicina. Imitando o ditado que diz, “quando se descansa carrega pedra”, a vida desse médico não foi diferente: após as aulas, consultório, previdência, plantões em hospitais, a exemplo do Getúlio Vargas, dentre outros.

Acostumado à formação dos profissionais da medicina, Dr. Enéas perseguiu um novo sonho: transformar o Hospital Municipal Régis Pacheco num hospital-escola. No seu entendimento, a combinação dos estudos teóricos com as aulas práticas possibilita um aprendizado mais eficaz e humano. É verdade que ele considera uma decisão de médio prazo, mas não descartou a possibilidade, pois vivencia situação idêntica, a conviver com grande de parte de seus alunos – médicos e enfermeiros – antes, colegas hoje no Hospital Régis Pacheco.

Em Canavieiras, não se limitou a ser o diretor médico do hospital, e era o primeiro a substituir qualquer colega que não pudesse se apresentar para o plantão. Ele mesmo agendou na escala do hospital um plantão de 24 horas semanais, quando atendia uma grande quantidade de pacientes, muitos deles para desfrutar da experiência do conceituado médico.

Seu passamento não poderia deixar de consternar profissionais da saúde, amigos, familiares e grande parte da população de Canavieiras.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

Joana Guimarães é reitora da UFSB
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Séculos de exclusão e discriminação criaram a premissa do menor potencial. Frases como “Isso não é pra gente como nós”, “Nosso lugar é na cozinha”, entre outras, ouvidas de pessoas negras que estavam ao meu redor, acompanharam-me em grande parte da minha infância e adolescência. Mas eu me insurgi, resisti, reconfigurei a situação e cheguei até aqui. Porém, não foi fácil. E não é para nenhuma de nós.

 

Joana Guimarães

Desde que assumi o cargo de reitora na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), sempre me perguntam como é ser uma mulher negra ocupando um cargo em que tão poucas pessoas na minha condição estão presentes. Ao pensar sobre isso, vem à mente que a questão não é esse ou aquele cargo, mas a ocupação dos espaços de prestígio na sociedade que sempre foi algo de difícil alcance para pessoas negras. Estou na vida acadêmica como gestora desde 2006, quando assumi o cargo de diretora do campus da UFBA em Barreiras. Em 2011, fui para a vice-coordenação da Comissão de Implantação da UFSB. Em 2013, assumi a vice-reitoria dessa mesma universidade e, em 2018, o cargo de reitora, o qual exerço até aqui. Nessa trajetória, sempre fui a exceção que comprovava a regra do racismo.

Certamente a cor da pele define nossa posição na sociedade e como esta nos vê. Isso pode ser observado nas discussões sobre o desempenho dos cotistas na universidade. Havia e em certa medida ainda há uma preocupação com desempenho — fruto da concepção de que essas pessoas possuem dificuldades no aprendizado por conta da falta de exposição a elementos educacionais e culturais dominantes na nossa sociedade, tais como escolas renomadas, bons livros, cinema, teatro, museus — o que chamamos de capital cultural. Porém, não se levam em consideração as experiências comunitárias e culturais descentradas que também fazem com que, mesmo sem acesso a tudo isso, essa maioria minorizada desenvolva vivências que fazem com que não só tenham capacidade outras como a resiliência e um enorme potencial para agarrar as oportunidades que surgem à frente. Uma espécie de rebeldia contra a subalternidade determinada historicamente. Aliado ao fato de que pessoas negras devem estar onde estão porque esse é o seu lugar na sociedade — construiu-se a premissa dominante de que elas têm menor potencial que pessoas brancas.

No meu caso particular, quando adentrei esse mundo da gestão e, consequentemente, passei a ocupar cargos de destaque mesmo detendo todas as credenciais de uma egressa da Ivy League, não à toa, o racismo teimou em se rearticular em várias imagens de controle na tentativa de invisibilizar minha atuação como reitora e menoscabar a minha agência.

A intersecção entre racismo, machismo e pobreza inscreve, socialmente, as mulheres como pessoas com menor potencial para ocupar espaços de poder, sendo determinado a elas o cuidado com a família, com atividades relacionadas ao ambiente doméstico. Isso é, em grande medida, incorporado ao imaginário das próprias mulheres que, em muitos casos, se sentem culpadas ou impossibilitadas de investir na carreira, considerando que isso as afasta da sua função definida, historicamente, pela sociedade, que é a de cuidado com a família. Séculos de exclusão e discriminação criaram a premissa do menor potencial. Frases como “Isso não é pra gente como nós”, “Nosso lugar é na cozinha”, entre outras, ouvidas de pessoas negras que estavam ao meu redor, acompanharam-me em grande parte da minha infância e adolescência. Mas eu me insurgi, resisti, reconfigurei a situação e cheguei até aqui. Porém, não foi fácil. E não é para nenhuma de nós.

Essa breve reflexão conduz-me à resposta de que ocupar o cargo de reitora de uma universidade federal parece-me perfeitamente natural, em especial pelo fato de estar de volta, depois de 40 anos, à terra onde nasci e vivi a minha infância e parte da adolescência, onde tenho raízes familiares. Tudo isso faz com que eu tenha profunda relação com a região e compreenda a importância de uma instituição como a Universidade Federal do Sul da Bahia. Importante por saber o que teria significado para a vida de muitos dos meus colegas dos primeiros anos de estudo a existência de uma universidade pública na região, o quanto isso lhes teria impactado a vida. Além do impacto pessoal, há ainda o aspecto do desenvolvimento regional, com a possibilidade de construção de projetos de interesse da sociedade em todas as áreas do conhecimento, o que almejamos aqui na UFSB.

Para finalizar, deixo aqui o testemunho de que me sinto acolhida pelos colegas reitores e reitoras das universidades federais, por meio da Andifes, que, neste momento de dificuldade econômica, política e sanitária pelo qual passa o Brasil, agravado pelas enchentes no sul e extremo-sul da Bahia, tem se colocado firmemente numa rede de apoio, solidariedade e troca de experiências que muito tem nos ajudado a atravessar essa difícil conjuntura.

Joana Guimarães é reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

Novo Hyundai Creta tem design polêmico, mas colunista não fica no muro e opina
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O novo Hyundai Creta, lançado no último semestre de 2021, tem visual bastante polêmico. Sua beleza é considerada “8 ou 80”. Agrada ou desagrada! Não existe meio termo.

Muitos o acham lindo, tem design futurista, representado por suas linhas externas, grade alongada na parte frontal, faróis e lanternas redesenhadas com aspecto singular, se comparado a todos os carros encontrados no mercado. Por outro lado, são esses mesmos aspectos que desagradam a muitas outras pessoas.

O que não se pode negar é que o seu visual desperta olhares por onde ele passa.

Será esse o “patinho feio” que figura em nossas lembranças de infância?

Um carro muito feio que se tornará lindo?

Ou já chega com status de “Príncipe Encantado montado em seu alazão”?

Pois, bem. Vamos falar sobre os respectivos modelos, motorização e preços atuais. Na concessionária Hyundai de Itabuna, o Creta é comercializado em 4 versões.

Inicialmente, falemos de valores das versões Comfort, Limited, Platinum 1.0 TGDI 12V Flex automático de 6 marchas, com 120 cavalos. Os respectivos modelos estão à venda por R$ 114.990,00, R$ 129.490,00 e R$ 145.990,00, respectivamente.

Já a versão topo de linha, garoto-propaganda, é o Creta Ultimate 2.0 16V Flex, automático de 6 marchas, que gera 167 cavalos. Sai por R$ 161.990,00. Todos os valores estão atualizados para janeiro de 2022.

Os detalhes da parte traseira do novo Hyundai Creta 2022

O Creta Ultimate conta com faróis e luzes diurnas (DLR) em LEd, spoiler traseiro, teto solar panorâmico, interior com acabamento premium, banco do motorista com ventilação, saídas de ar para os passageiros traseiros, sensores de estacionamento traseiro e frontal, painel digital colorido supervision cluster de 7¨ e carregador de smartphones por indução.

A versão Ultimate conta ainda com ar-condicionado digital, chave presencial smart key com telecomando de travamento para todas as portas, partida start-stop, freio de estacionamento eletrônico com auto hold, volante com comandos multifuncional, som bluenav touch screen com GPS integrado, comando de voz para diversas funcionalidades, como ar-condicionado, vidros e ventilação dos bancos.

Quanto ao item segurança, ele conta com sistema smart sense, câmeras que permitem visão 360º do carro, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixas, controle de velocidade adaptativo, detector de fadiga, alerta de presença no banco traseiro, farol alto adaptativo, seis airbags e controle de tração e estabilidade.

Seleção de modo de condução: smart, eco, normal e sport.

Hoje, no mercado de SUV compacto, o Creta se destaca, bastante, pela imponência e – principalmente – pela tecnologia embarcada. Eu, particularmente, acho um carro lindo. Creio que o seu design seja tendência e ele figurará com excelência pioneira.

E você, o que acha do novo Creta?

Ícaro Mota é consultor automotivo e diretor da I´Car. A coluna é publicada às sextas-feiras.

Os participantes do BBB22 e da corrida presidencial de 2022 || Montagem Andreyver Lima
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Em mais um ano sem carnaval, o Brasil faz a festa com as torcidas organizadas, que serão protagonistas das vitórias de seus candidatos.

 

Andreyver Lima

“Se você pudesse me dizer, se você soubesse o que fazer, o que faria, aonde iria chegar?”. Esse é o trecho de abertura do reality mais famoso do país, o Big Brother Brasil, que chega a sua vigésima segunda edição neste ano.
O mesmo trecho também pode ser aplicado nas eleições presidenciais, já que o sentido é o mesmo: se você soubesse o que fazer, o que faria, candidato?

Mesmo quem não assiste ao programa, fica sabendo uma coisa e outra por amigos ou redes sociais. Nas eleições acontece o mesmo efeito. Embora muitos não acompanhem, todos têm uma opinião sobre os concorrentes ao cargo mais importante do país.

Entre as semelhanças dos “realitys”, muita trama, fofoca, personagens e golpes. A cobertura das eleições tem um aspecto midiático absurdo, que envolve os eleitores em debates sem fim pelas redes sociais.

Em mais um ano sem carnaval, o Brasil faz a festa com as torcidas organizadas, que serão protagonistas das vitórias de seus candidatos.

Ao final de tudo: um campeão de votos. E um país para governar.

Andreyver Lima é jornalista, editor do Seja Ilimitado e comentarista político da Boa FM.

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Continuamos incentivando a vacinação em todas as idades e agora também em nossas crianças, principalmente nesse momento em que vivenciamos o aumento acelerado dos casos de Covid, com uma nova variante circulando

Domilene Borges

O Núcleo Regional de Saúde Sul recebeu na manhã desse sábado a 1ª remessa da vacina pediátrica contra Covid-19.
Foram 10.300 doses que serão distribuídas aos 68 municípios da área de abrangência do Núcleo, com toda a logística de entrega terrestre sendo disparada ainda no sábado (15).

Os municípios foram orientados durante a reunião extraordinária da CIB, na última sexta-feira, a vacinar o público alvo na faixa etária de 5 a 11 anos, em ambiente em condições seguras e separado da vacinação dos adultos.

Continuamos incentivando a vacinação em todas as idades e agora também em nossas crianças, principalmente nesse momento em que vivenciamos o aumento acelerado dos casos de Covid, com uma nova variante circulando, e que constatamos que os casos graves estão acontecendo nas pessoas que não foram imunizadas.

O uso da máscara, lavagem das mãos e álcool gel continuam sendo indispensáveis. Assim como evitar aglomerações e ambientes fechados. Seguimos firmes, contando com o apoio de cada um nessa batalha .

Domilene Borges é coordenadora do Núcleo Regional de Saúde Sul da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab).

Por que é importante contratar um consultor automotivo?
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O sonho de comprar um carro está internalizado na maioria das pessoas desde criança. Quando finalmente chega o dia da realização, é comum à hora da compra haver muitas dúvidas e incertezas, pois existem várias marcas e diversos modelos de veículos. E a primeira questão é qual comprar?

Mas essa não é nem a pior das situações, porque, após ter respondido a esta simples pergunta, vêm as demais, caso seja seminovo, usado: Já foi batido? Tem repintura? As revisões foram feitas em dia? Tem passagem por leilão? O motor está bom? Qual o consumo de combustível? Qual o preço do seguro? Qual o preço da manutenção?

A essas perguntas, somam-se outras: Tem boa revenda? Acho peça com facilidade? Tem mecânico que “mexe” aqui na cidade? Quanto gasto para transferir? Tem multa? Está emplacado? Os pneus estão bons? A parte elétrica está boa? Será que a quilometragem foi adulterada? A lataria está boa? Por baixo do carro tem ferrugem?  A suspensão precisa ser “feita”?

São muitas questões.

Talvez você ainda não tenha passado por isso ou nunca se deu conta de quantos problemas podem surgir num veículo. A pior situação é não ter sido atento na hora da compra. E o sonho acaba virando um pesadelo. Você passa dias e mais dias “andando” em oficinas. E, por isso, torna-se íntimo de mecânicos e vendedores de autopeças. Aí começam as desculpas, que não são poucas: eu não entendo nada de carro! Me venderam uma bomba! Ou, eu não tinha ninguém para olhar comigo!

Muitos procuram somente os mecânicos, mas o máximo que estes profissionais conseguem te falar é sobre o motor, suspensão… Não lhe dão a precisão de um scanner automotivo sobre os componentes elétricos de funcionamento. Não podem te alertar a respeito de um histórico ruim desse veículo, analisar a estrutura da carroceria comprometida, dentre muitas outras situações.

Quero te alertar sobre a existência do consultor automotivo, que são pessoas preparadas para desmistificar muitas questões sobre a diversidade de carros, os problemas recorrentes que incidem sobre cada um, fazer análise técnica sobre a sua escolha, fazendo até com que o comprador mude de opinião e opção em algumas situações.

O comprador faz um investimento irrisório tendo a certeza de que estará fazendo uma ótima compra e estará se livrando de gastos excessivos que superam, facilmente, investimento feito no profissional.

Nas minhas consultorias existem diversas etapas e cada situação e veículos são tratados de forma distinta no que diz respeito à necessidade de cada carro e à necessidade do cliente.

É muito importante entender que por trás da compra tem a problemática. O consultor está preparado para ajudar a tornar o seu sonho uma realidade e não um pesadelo.

Ícaro Mota é consultor automotivo. A coluna é publicada às sextas-feiras.