Tempo de leitura: < 1minutoCadeirante fica impossibilitado de sair de casa sempre que chove.
Um cadeirante do Bairro Monte Cristo, em Itabuna, lamentou não poder sair de casa por causa do acúmulo de água – e lama – sempre que chove. Na semana passada, foi assim. Ney Nascimento diz que a situação perdura até hoje. E piorou ontem, quando a chuva voltou.
Até agora, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano não se pronunciou nem deu o ar da graça por lá. Fato é que, para sair de casa, Ney tem que sempre que recorrer a outra pessoa, pois a lama e a sujeira acumulada na porta da residência em situações assim impedem que ele se locomova de forma independente. Mobilidade fica parecendo palavra estranha aos ocupantes do poder.
Sacos e garrafas plásticas recolhidos de bueiros hoje.
A chuva de ontem provocou diversos transtornos em bairros e na região central de Itabuna. Hoje, operários da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) reforçaram o trabalho de limpeza de bueiros e bocas de lobo.
O que é retirado das bocas de lobo revela muito bem porque nossas ruas alagam e temos cenário vergonhoso como o de ontem. De lá, recolheram sacos e garrafas plásticas. É como tratamos nossa cidade, é como vivemos.
O cidadão compra um salgadinho e um suco e usa a calçada ou a rua como depósito de lixo. Certo que, às vezes, a lixeira não existe ou está lotada. Bebeu o refrigerante ou água, o chão é o destino. E sem nenhuma cerimônia.
Cena mais comum é o cidadão em carro luxuoso – ou nem tanto – abrir a janela e lançar a latinha ou saco de salgadinho na rua. Aí, choveu, todo o lixo é carreado para as bocas de lobo, bueiros… Como as redes de drenagem já não são nenhuma maravilha, criamos as condições para o caos. E, se vacilar, o “porquinho” ainda é capaz de reclamar (apenas) do poder público. Água alagou rua e tomou calçada da Cinquentenário ontem (Reprodução Facebook).
Não é preciso nem assinar procuração registrada em cartório e com firma reconhecida. Egoísmo e falta de civilidade são suficientes para transformar qualquer pessoa em objeto.
Assim que o motorista deu partida no motor, formou-se o bolo de gente na porta do ônibus, com cotovelos nervosos, prontos para tirar quem quer que fosse do caminho. Com o coletivo entupido, a viagem começou com o bafafá:
– Ei, eu estava aí!
– Não, minha senhora, o que estava aqui era uma sacola plástica.
– Mas fui eu que botei!
– Só que eu paguei a passagem. A sacola não!
A partir da negativa em ceder o lugar, a mulher despejou uma tonelada de impropérios e predicados não muito honrosos à moça, que continuou sentada e sem se alterar.
– É muita ousadia! Todo mundo marca lugar!
– Isso é errado. O lugar é de quem pagar a passagem e chegar primeiro. E outra, se a senhora não fosse tão grossa, eu poderia até levantar e ceder o lugar. Mas, por causa de sua falta de educação, eu vou ficar onde estou!
De lá do fundo do ônibus lotado, alguém gritou um “é isso mesmo”, ratificando a explicação da moça. A mulher bufou, recitou mais uma dúzia de palavrões.
– Passe logo minha sacola pra cá! Deixa eu ver se sumiu alguma coisa!
– A senhora está me acusando de roubo? Pode me xingar à vontade, mas não me toque! E se achar que eu peguei alguma coisa sua, vamos logo para a delegacia!
Uma passageira, cansada de assistir a confusão, cedeu o lugar à mulher para ver se acalmava a situação. Acomodada, a senhora se acalmou, mas continuou resmungando, cheia de razão.
Muito engraçado ver que, para atender seus interesses, as pessoas não se furtam em personificar artefatos. É a sacola no banco do ônibus, o tijolo na fila da Previdência, a pasta na fila do banco… Ai de você, se tirar alguma coisa do lugar! Ouve-se logo o grito de “êpa, eu estou aí”!
Não é preciso nem assinar procuração registrada em cartório e com firma reconhecida. Egoísmo e falta de civilidade são suficientes para transformar qualquer pessoa em objeto. Karoline Vital é comunicóloga.
Cadeirante enfrentou dificuldade em local de prova.
A quebra constante dos elevadores da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e a falta de acessibilidade na instituição geraram desconforto e constrangimento a uma cadeirante neste domingo (13), dia de prova do Exame de Ordem da OAB. Cleide Leandro Borges, mãe da cadeirante, ficou indignada.
A estudante teve que fazer a prova no pavimento térreo, após análise da coordenadora do exame. “O interessante é que ela [a coordenadora] perguntou se minha filha, no ato de inscrição, havia mencionado a condição de cadeirante – isso já na tentativa de transferir o erro para minha filha. Irônico essa atitude”.
Cleide diz que o ocorrido hoje não é fato isolado. A jovem fez curso de extensão por quatro meses na Uesc e, segundo a mãe, o elevador só funcionou em duas oportunidades. “No restante do tempo, ele permaneceu quebrado”.
– O que a sociedade e os órgãos públicos e privados têm de entender é que os espaços têm de ser acessíveis a todo momento e a todos os cidadãos. Ter um elevador como figura, sem funcionalidade, representa zero em acessibilidade. Ser acessivel somente quando seja cobrado, não é ser comprometido com todos.
Faz algum tempo que a quebra constante do elevador irrita de professores e servidores a alunos da instituição. Em 2012, houve até protesto (relembre aqui).
A esperança passa a ser depositada no exercício da cidadania além do voto para forçar os gestores a sair da inércia.
Itabuna é uma cidade com tantas urgências, que chega a ser complicado falar de certas demandas. Muitos irão considerar adiável, por exemplo, a oferta de áreas de lazer e esporte, parques, quadras, ciclovias etc. No entanto, estas são necessidades que governo após governo têm negligenciado, enquanto a comunidade segue cada vez mais aprisionada, os filhos reféns de computadores e videogames; e os pais, dadas as circunstâncias, até aliviados pelos guris estarem em casa e não na rua.
O fenômeno dos “rolezinhos”, principalmente em São Paulo, foi sintoma de que a juventude da periferia clama por opções públicas de lazer. Esse sentimento não é peculiar à garotada de ermos bairros paulistanos. Um dia, fatalmente, tais sinais irão se manifestar em outros lugares, como Itabuna, uma cidade que, como todos estão cansados e entediados de saber, cresceu sem planejamento e qualquer preocupação com o bem-estar de seus moradores. E assim continua porque os governantes de plantão preferem olhar para trás, não por gostar de história, mas por uma crônica incapacidade de focar no futuro e planejar uma cidade decente.
O governo sempre dirá que precisa primeiro tapar os buracos, das contas públicas e das ruas, organizar as escolas e os postos de saúde, para depois, se der tempo e sobrar dinheiro, pensar no lazer da população. Seria uma forma de reproduzir a máxima de que “primeiro a obrigação, depois a diversão”, mas – à vera – o que pensar, se nem mesmo da “obrigação” se cuida a contento?!
Nesse ritmo, passam-se o tempo e os governos numa estagnação desesperadora, sem que o quadro se altere. E a cidade continua a crescer desorganizada, sufocada, travada, suja, desumana. Até a próxima campanha eleitoral, em que os prefeituráveis voltarão a prometer realizar o sonho de uma Itabuna melhor para todos.
Faz bem renovar a esperança e, de tempos em tempos, voltar a apostar no futuro. Porém, quando a frustração sucede a expectativa o resultado é a descrença. E não é outro o motivo que leva tanta gente às ruas para protestar, senão a convicção cada vez mais evidente de que os governos têm se mostrado incapazes de atender às aspirações dos governados.
A esperança passa a ser depositada no exercício da cidadania além do voto para forçar os gestores a sair da inércia. Ricardo Ribeiro é advogado.
Cansada de ver esta praça no bairro Jardim Primavera, em Itabuna, ser transformada em sanitário da cachorrada, uma moradora utilizou placas com mensagens bem diretas, na tentativa de alertar os donos de cães.
É bem provável que essa moda pegue na cidade, pois são muitos os locais onde alguns costumam levar seus animais para passear e não se importam com o que eles deixam pelo caminho.
Gabriel Nascimento | gabrielnasciment.eagle@hotmail.com
Uma polícia bem treinada é aquela que atira na perna, na mão que está o revólver, ou que não atira porque aquele contexto não era o seu de trabalho. Não se trata aí de um membro bem treinado da polícia.
A quem serve uma polícia militarizada? Seja a civil ou a militar, a quem serve um aparelho arcaico, herdeiro de governos militares? A polícia militarizada só serve a um Estado autoritário, que tem políticas compensatórias e enxerga na violência o caminho para acabar com a violência.
A polícia militarizada é uma polícia de guerra, responde por vinculação ideológica como membro das forças armadas do país. Só aí duas incoerências: não estamos em guerra, ao menos expressa, e nem as forças armadas do país servem para combater “inimigos internos”.
Trocando em miúdos, mesmo que a violência civil chegue a rumos tão assustadores, não estamos em guerra civil. Aliás, acreditar nisso é jogar nas mãos do Estado privateiro e autoritário a necessidade falsa de investir em políticas compensatórias e em aparatos de violência, o que sempre foi o salmo de nossas elites atrasadas e provincianas. Matar, matar e matar o inimigo interno. Não há inimigo interno e o cidadão brasileiro não pode ser visto como inimigo. Mesmo que seja traficante, que esteja assaltando ou que troque tiros com a polícia.
Na última semana, no centro de Itabuna, um policial à paisana deflagrou vários tiros em um adolescente que assaltava. No contexto, uma polícia de guerra. Um policial fora do seu serviço comum agindo como um soldado a eliminar um inimigo. Uma polícia bem treinada e não militarizada jamais faria isso. Uma polícia bem treinada é aquela que atira na perna, na mão que está o revólver, ou que não atira porque aquele contexto não era o seu de trabalho. Não se trata aí de um membro bem treinado da polícia.
O lamentável é que essa é uma ação corrente da polícia fardada e militarizada das terras brasileiras do Sem-fim. Em todo território nacional, essa vergonha que tem a mesma ideologia do DOPS/DOI-CODI da Ditadura militar que durante 21 anos causou estrago na vida pública brasileira (perseguindo e matando arbitrariamente quem se opusesse a ela), usa táticas de guerra e trata o cidadão marginalizado como alienígena. Tudo isso sob a tutela de um Estado autoritário que investe cada vez mais nessas medidas atrasadas de segurança. Leia Mais
Tempo de leitura: < 1minutoRestaurante despeja lixo no canteiro central da Avenida Firmino Alves (foto João Victor Andrade)
É impossível manter a cidade limpa quando alguns dos próprios moradores não zelam por isso nem se preocupam com a forma como descartam seu lixo. Em Itabuna, um restaurante situado na Avenida Firmino Alves, Centro, tem a prática de despejar uma “montanha” de resíduos no canteiro central da via, sobre a grama, sem o menor respeito ao espaço público.
O que se vê no local é lixo espalhado por toda parte, remexido por animais, revelando um aspecto de imundície que infelizmente se nota em várias partes de Itabuna.
Não é só falta de higiene. É ausência total de cidadania.
Estão aí os sujeitos que voam para festinhas e jogos de futebol às custas do erário para comprovar a tese. A partir de agora, ou eles entendem o recado ou serão abatidos em pleno voo.
Há quase um consenso em torno da justiça dos protestos que se tornaram parte da paisagem brasileira. No caso dos ocupantes do poder, a concordância mais se aproxima de uma rendição por questões de sobrevivência, daí o atendimento de algumas demandas na tentativa de apascentar a tribo. Bem poucas, na verdade, em relação ao tamanho da dívida que o Estado tem com o povo.
Outro ponto é que está bem identificada a manifestação autêntica da sociedade, diferenciada das patéticas ações de manipulação ou adesão esperta, da direita e da esquerda. Nem o grupo do PSDB, DEM e seus congêneres têm condição de fazer coro com as vozes das ruas, nem o PT e os sindicalistas pelegos podem gritar contra si mesmos. Até tentaram, mas foi ridículo.
É certo que o status quo se encontra ainda perdido, sem plena compreensão do tamanho da mudança, propondo medidas atabalhoadas, como quem joga barro na parede para ver se cola. De tudo isso, haverá um custo político a ser pago, embora também ainda não se saiba quanto.
Percebe-se uma esperança do lado da vidraça de que os ataques arrefeçam, mas – apesar dos protestos terem diminuído – há previsão de que ele virá em novas ondas, até porque os principais motivos se mantêm e a eles não param de juntar-se outros.
Uma das consequências, pelo que se ouve nas ruas, poderá ser um recorde de votos brancos e nulos, bem como de ausências nas eleições de 2014. Nunca se viu tanta descrença em uma classe como ora se percebe com relação aos políticos. Os que estão no poder e os que já estiveram, embora estes se beneficiem por encontrar-se circunstancialmente na oposição. Vale acrescentar que se opõem ao governo, mas sempre se filiaram às práticas que criam as mazelas e perpetuam a miséria de grande parte da população brasileira.
É por isso que os protestos devem ser entendidos não como um grito contra o governo, mas como uma bronca geral nas práticas nefastas de uma política sempre afinada com propósitos inconfessáveis e divorciada do interesse público. Estão aí os sujeitos que voam para festinhas e jogos de futebol às custas do erário para comprovar a tese. A partir de agora, ou eles entendem o recado ou serão abatidos em pleno voo.
No momento histórico vivido pelo Brasil, os do poder estão assustados, dão respostas atabalhoadas, veem as reações equivocadas se traduzir em queda na aprovação popular, pois são os que mais têm a perder. Os que estão fora do poder gralham e gargalham, torcendo pelo pior cenário. São os que mais têm a ganhar.
Amanhã é 2 de Julho, data máxima do espírito cívico baiano, símbolo de luta e resistência de um povo que, apesar de injusta fama de passivo, teve que brigar para livrar-se das garras do colonizador. Um povo que também está nas ruas hoje, exigindo seus direitos, cobrando mais da política, exercendo plenamente sua cidadania.
O povo baiano, assim como o do restante do país, estabeleceu que a rua passa a ser definitivamente o seu espaço de manifestação. Um grito difuso que a casa grande ainda não entendeu, por não ser de sua praxe dialogar seriamente com a senzala e por ignorar que as demandas desta vão além de uma passagem de ônibus, benesses pontuais ou uma reforma política cosmética.
A passagem que o povo exige é para a plena dignidade que o ordenamento jurídico prevê, mas é negada pelo dia a dia nas filas dos postos de saúde, no atendimento precário dos hospitais, nas escolas sem estrutura onde pouco se aprende, nas cidades entupidas de carros, barulho e fumaça, mas sem espaços de lazer e esporte. Cidades não sustentáveis, asfixiadas, hipertensas, moribundas.
Amanhã, no 2 de Julho, como se comportarão os políticos? Desfilarão cínicos, como se nada tivesse acontecido? Passarão sóbrios e circunspectos, procurando demonstrar atenção e preocupação? Deverão ausentar-se das ruas, reconhecendo que o momento é de imersão reflexiva?
É preciso esperar para ver qual será a postura na data festiva. Porém, o mais importante é esperar para saber o que acontecerá de agora em diante. Há quem aposte na vitória do futebol como lenitivo das dores do povo; outros, certamente mais sensatos e responsáveis, creem que o caráter inédito, espontâneo e “epidêmico” das manifestações torna o esmorecer pouco provável. Há um reconhecimento geral de que não é mais possível à política continuar como uma ineficiente ilha de mordomias, esgotada em si mesma, ignorante dos anseios da sociedade.
No cortejo do 2 de Julho, os políticos têm uma rara oportunidade de andar na mesma direção. No momento histórico vivido pelo Brasil, os do poder estão assustados, dão respostas atabalhoadas, veem as reações equivocadas se traduzir em queda na aprovação popular, pois são os que mais têm a perder. Os que estão fora do poder gralham e gargalham, torcendo pelo pior cenário. São os que mais têm a ganhar.
Em meio a esses dois grupos, que o povo tenha sabedoria e mantenha o foco. Que compreenda a dimensão de seu poder quando exerce a cidadania que a Constituição lhe confere e não abra mão do direito de ser protagonista na busca de um futuro melhor.
Esse espírito iluminou os baianos a 2 de Julho de 1823. Que ilumine todos os brasileiros hoje, amanhã e sempre!
O brasileiro está cansado de ser tratado com desdém quando precisa dos serviços de saúde, educação, moradia digna e com toda a infraestrutura necessária, e ainda ouvir que não existem recursos suficientes para tanto.
Na década de 1960 – ainda no século passado – a loja Grauçá Modas promovia uma interessante campanha publicitária em Ilhéus e Itabuna. Dizia a peça mais ou menos assim: “Baixamos as calças para você”. Essa campanha foi veiculada no rádio, serviços de som e peças impressas em cartazes e jornais. Foi uma das grandes sacadas de Antônio Badaró naquela época e que serve muito bem para ilustrar o Brasil de hoje.
Pois bem. Cerca de 50 anos após, os brasileiros estão indo em direção contrária à promoção por demais criativa de Badaró para a loja Grauçá Modas vender mais. De forma soberana, vão às ruas para exigir: “Levanta as calças, Brasil”. É a maior manifestação pública cidadã realizada no Brasil depois da “Campanha das Diretas Já” e do “Fora Collor”, todas com a vontade de recolocar o Brasil nos trilhos. E sem vender a dignidade e a alma.
A maior lição que deveremos tirar dessas manifestações é que não queremos continuar com o atual modelo corrupto de governar, concedendo nossa autonomia à Fifa. Rasgamos a Constituição Cidadã, jogamos nossas leis na lata do lixo para que possamos participar de uma Copa do Mundo, restabelecendo o modelo ufanista para colocar o futebol, esporte maior de nossa mania em detrimento das nossas necessidades mais prementes.
O que o brasileiro mostra nas ruas é que o aumento no preço das passagens dos transportes público foi apenas o fio da meada de um sistema que opera nas trevas. Toda a transparência se limita apenas tão somente às altas esferas do poder públicos e aos donos das empresas. No meio, para referendar as ações, um conselho municipal de transporte (geralmente), que dá o aval necessário à política de aumento de preços.
Acredito que os protestos contra o aumento nos preços das passagens dos transportes urbanos das cidades e regiões metropolitanos tenha sido apenas um pano de fundo para o povo “botar o bloco nas ruas”. Numa estratégia de marketing, o povo foi instigado, compareceu e, aos poucos, o movimento foi ganhando proporções gigantescas. Sem os partidos políticos, é claro, pois estão metidos até o pescoço neste mar de corrupção.
O brasileiro quer o futebol como mania nacional, mas que a Copa das Confederações e a Copa do Mundo sejam realizadas dentro das possibilidades do nosso bolso. Ora, se antigamente gritávamos palavras de ordem contra entregar nossa autonomia ao famigerado Fundo Monetário Nacional (FMI), cujos protestos eram alimentados com as frases de efeito ditas pelos ainda então partidos de esquerda: “Fora FMI”. Leia Mais
O Núcleo de Estudos Sociedade, Educação e Políticas Públicas (Nesep), da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), promove ciclo de debates, na próxima terça, 14. Fernando Tula Molina e Gesil Amarante participam de mesa redonda com o tema Políticas Científica e Tecnológicas e Práticas Cidadã, a partir das 19h, no auditório de Direito, no campus da Uesc.
Fernando Molina abre a série com a abordagem “A responsabilidade tecnológica: um desafio contemporâneo”. Gesil Amarante falará sobre “Inovação tecnológica e cidadania”.
As inscrições podem ser feitas no local.
Bueiro sem tampa é risco para pedestres na Juracy Magalhães (Foto Pimenta).
Pedestres que transitam pelo cruzamento da Avenida Juracy Magalhães com a Maria Olívia Rebouças, no Alto Mirante, Itabuna, estão expostos a risco de acidente em um bueiro da telefônica Intelig-Tim. Parte da tampa cedeu.
A região é mal iluminada e não há sinalização de perigo, o que aumenta os riscos. O buraco mede, aproximadamente, 1,5 metro. As tampas usadas nestes bueiros são de baixa resistência.
Pedro Bernardo
Não se muda uma cidade de fora pra dentro ou da boca pra fora. Uma cidade se muda a partir da mudança das pessoas, dos sentimentos, das aspirações. É preciso corrigir ambições, suprimir individualismos, elevar a valoração do coletivo e do bem comum.
O que complica a mudança é exatamente a necessidade de reprogramar o “software” interno de cada um, governante e governado; mexer nas relações pessoais com a cidade, reposicionar prioridades. Somente depois disso é possível desenvolver ações concretas e efetivas que alterem a realidade de modo efetivo.
Mudar da guerra urbana para a paz, do caos social para a harmonia, da irresponsabilidade ambiental para a utilização racional dos recursos naturais… São necessidades urgentes, mas nada disso se tornará realidade sem um plano que entre no coração dos cidadãos e cidadãs.
Enquanto cada um pensar apenas no seu próprio quintal, nada muda. Se a política continuar a servir à mera disputa pelas fatias do poder e os governos gastarem quase todo seu tempo e energia fazendo equações relacionadas à ocupação/loteamento de cargos, fica tudo na mesma… Aliás, piora.
A mudança depende muito de educação, mas não somente a que prepara o indivíduo para se dar bem na vida. É fundamental aquela que o capacite a ser verdadeiramente um cidadão útil à coletividade, sem importar a função que exerça. Alguém que entenda o fato inquestionável de que o sucesso individual, desatrelado do bem-estar da comunidade, não faz o menor sentido.
Tempo de leitura: 1minutoSetran realiza ação educativa (foto Pedro Augusto)
A Secretaria de Transportes e Trânsito de Itabuna iniciou nesta segunda-feira, 28, uma ação que sem dúvida é extremamente necessária, mas sempre foi negligenciada: a de exigir uma atitude cidadã e civilizada de quem trafega pelas ruas da cidade.
Embora muitos acreditem que a ação com adultos não deva ser educativa (educam-se as crianças), mas punitiva, justifica-se começar o trabalho pela orientação, até para evitar que muitos aleguem ter sido pegos desprevenidos. Muito embora o Código de Trânsito esteja em vigor há mais de 15 anos.
A lei, que exige uso de cinto de segurança nos carros, por exemplo, é solenemente ignorada em Itabuna. Criou-se, na verdade, um costume contra a lei, o que não pode ser tolerado.
Que o próximo passo da Setran seja realmente punir os infratores, já que é essa condição – de instrumento coercitivo – que faz a lei ser a lei e não um mero conselho ou regra de boas maneiras. Os que não se enquadrarem, portanto, que sintam no bolso, pois só assim mudarão.
Vale o mesmo para o respeito às faixas de pedestres (aliás, a maioria precisa ser reavivada), para a proibição de estacionar sobre os passeios, avançar sinal vermelho ou parar em fila dupla. Respeitar o espaço público é algo que muitos itabunenses ainda precisam aprender. Há uma forte carência de cidadania em Itabuna e no trânsito ela é bem evidente.