Índio Guerreiro é um dos filmes inscritos na competição || Imagem Divulgação
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A votação popular do Curta Baiano 2026 entrou na reta final e termina nesta terça-feira (15). A organização já contabilizou 1.395 participações, e novos votos ainda podem alterar as primeiras posições.
Treze produções integram a Mostra Competitiva Curta Baiano 2026. Os curtas foram produzidos por participantes de uma oficina on-line que reuniu 82 inscritos de 20 municípios baianos, em uma experiência gratuita de formação, criação e produção audiovisual.
O sistema de votação funciona por ranking. O filme escolhido em primeiro lugar recebe cinco pontos; o segundo, quatro; o terceiro, três; o quarto, dois; e o quinto, um ponto. As três primeiras escolhas são obrigatórias, enquanto as indicações para quarto e quinto lugares são opcionais.
Cada pessoa pode votar uma vez. Antes de preencher o formulário, o público pode assistir aos filmes concorrentes na página oficial do projeto, pelo site www.curtabaiano.com.br.
PRÊMIOS
Os três filmes mais bem colocados receberão prêmios de R$ 3 mil, R$ 2,5 mil e R$ 1,5 mil, respectivamente. O resultado final será divulgado em 25 de setembro.
A iniciativa é do Núcleo de Produções Artísticas (Núproart) e da Crias Culturais, com projeto contemplado nos Editais da Paulo Gustavo Bahia.
Estrelado por Aldo Bastos, A Moldura Vazia concorre em festival baiano || Reprodução
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O cinema produzido no sul da Bahia ganha destaque com a seleção do curta-metragem A Moldura Vazia, do escritor e roteirista sul-baiano Cláudio Zumaêta, para o Festival Curta Baiano. A obra está entre as produções que concorrem ao prêmio e poderá ser escolhida pelo público por meio de votação popular desde 5 de setembro.
A Moldura Vazia é estrelado pelo ator Aldo Bastos e tem direção de Vitor Augusto Xavier, que também assina a montagem e a pós-produção ao lado de Ademilton Batista.
A trama acompanha um homem isolado em um quarto de hotel, imerso em um estado de apatia e desconexão existencial. Cercado por medicamentos, poucos pertences e molduras vazias, ele parece aprisionado dentro da própria mente.
Entre realidade, alucinações e reflexos de si mesmo, a percepção do personagem começa a se fragmentar, conduzindo-o a um confronto com questões como o tempo, a velhice, a impermanência e o sentido da própria existência.
Para a presidente da Academia Grapiúna de Artes e Letras (AGRAL), Josanne Francisca Morais Bezerra, a obra ultrapassa a temática do envelhecimento e propõe uma reflexão sobre a maneira como experiências e memórias permanecem dentro de cada indivíduo.
“A Moldura Vazia talvez não seja, afinal, somente uma narrativa sobre envelhecer. É uma obra sobre o que acontece quando aquilo que um dia esteve ao redor de nós passa a existir principalmente dentro de nós.”
A participação no Festival Curta Baiano representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade da produção audiovisual de Itabuna e do sul da Bahia. Os realizadores reforçam o convite para que o público acompanhe a votação a partir de 5 de setembro e apoie a produção regional.
Casa de Cultura Jonas&Pilar terá semana dedicada à filmografia de Mazzaropi || Imagem Divulgação
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Julho será um mês dedicado ao cinema, à literatura e à valorização da memória cultural na Casa de Cultura Jonas & Pilar, em Buerarema. Com uma programação gratuita voltada a públicos de diferentes idades, o espaço receberá sessões de cinema, lançamento de livro, roda de conversa e atividades de incentivo à leitura. Todas as atividades serão gratuitas.
A agenda começa no dia 5, às 10h, com uma sessão especial do Cineclube voltada ao público infantojuvenil. A programação reúne o curta de animação Eu Queria Ser Um Monstro, que aborda as relações familiares sob a perspectiva de uma criança, e o documentário Jonas e o Circo sem Lona, premiada produção que acompanha a luta de um menino para manter vivo o pequeno circo criado na periferia de Salvador.
MAZZAROPI EM CENA
O cinema continuará em evidência entre os dias 20 e 23 de julho, quando a Casa de Cultura promoverá a Semana Mazzaropi. A mostra homenageia um dos maiores nomes da comédia brasileira com a exibição de quatro clássicos: Candinho, O Puritano da Rua Augusta, O Corintiano e Zé do Periquito. A iniciativa busca aproximar novas gerações da obra de Amácio Mazzaropi e recuperar a importância do artista para a história do cinema nacional.
LANÇAMENTO
A programação será encerrada no dia 30, às 19h, com o lançamento do livro Greta Garbo, Quem Diria, Esteve em Ilhéus — Memória e História do Teatro Amador do Sul da Bahia anos 1980 e 1990, do escritor Pawlo Cidade. Além da sessão de autógrafos, o público poderá participar de uma roda de conversa com o autor e os atores José Delmo e Gideon Rosa, nomes ligados à trajetória do teatro baiano. A obra recupera a história de grupos, espetáculos e artistas que marcaram a produção teatral da região nas décadas de 1980 e 1990.
CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
Outro destaque da programação é o início de um novo ciclo de contação de histórias, que seguirá até dezembro com encontros mensais voltados ao estímulo da leitura e da imaginação entre crianças e famílias. A proposta amplia as ações de formação de público desenvolvidas pela Casa de Cultura, aproximando diferentes gerações por meio da literatura.
Paralelamente às atividades especiais, a Casa de Cultura Jonas & Pilar mantém sua programação permanente, com aulas de balé da Companhia Lustosa, oficinas de dança, pintura e capoeira, além dos ensaios da Quadrilha Rastapé de Macuco.
A programação é promovida pelo Instituto Macuco Jequitibá, com apoio institucional da Prefeitura de Buerarema e financiamento do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, por meio das secretarias estaduais da Fazenda e da Cultura.
Numa era de conteúdo projetado para capturar atenção em frações de segundo, filmes drama pedindo a você duas horas de atenção concentrada parecem quase contraconvencionais. Nenhuma explosão nos primeiros cinco minutos, nenhum twist de alto impacto no décimo, nenhuma sequência de ação para preencher o espaço onde o roteiro poderia ser mais denso. O drama exige paciência, e recompensa com algo que nenhum outro gênero entrega da mesma forma.
POR QUE O DRAMA É DIFÍCIL DE VENDER, MAS FÁCIL DE AMAR
O problema de marketing do drama é simples: os momentos mais poderosos de um filme dramático são impossíveis de mostrar no trailer sem destruí-los. Um close em Colin Firth travando na frente de um microfone não parece espetacular num preview de 90 segundos. A cena onde dois personagens finalmente dizem o que deveriam ter dito desde o início do filme não tem impacto sem os 80 minutos de construção que vieram antes.
O drama, mais do que qualquer outro gênero, é construído em diferimento. O prazer vem do acúmulo, não do momento isolado. Isso é difícil de mostrar numa cultura de atenção fragmentada, mas é exatamente o que torna a experiência completa do drama cinematográfico diferente de praticamente qualquer outro tipo de conteúdo disponível hoje.
O QUE O DRAMA TEM QUE OUTROS GÊNEROS NÃO TÊM
A ficção científica especula sobre o futuro. A ação entrega adrenalina. A comédia gera riso. O terror explora o medo. O drama faz uma coisa que todos os outros gêneros só fazem como efeito colateral quando funcionam muito bem: cria empatia real e involuntária com alguém que não é você.
Casa de Cultura Jonas e Pilar convida público para o último final de semana do Mês do Teatro e do Circo || Foto Divulgação
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A Casa de Cultura Jonas&Pilar, em Buerarema, entra no último final de semana do Mês do Teatro e do Circo com eventos gratuitos e opções a preços populares. A programação começa hoje (27), às 19h, com a oficina de mágica Efeito Cartola. O arte-educador Gustavo Britto sobe ao palco com seus alunos e apresenta números inspirados no universo circense. A atividade é gratuita.
Neste sábado (28), às 19h, o espaço recebe a exibição de dois documentários sobre a cidade. O primeiro é Conhecendo Buerarema, dirigido por Júlia Vale, que aborda aspectos históricos, ambientais e urbanísticos do município. Na sequência, será exibido O Voo do Macuco, dirigido por José Delmo, que apresenta a trajetória do Grupo de Artes Macuco a partir de elementos ficcionais. A entrada é gratuita.
A programação termina no domingo (29), às 19h30min, com o espetáculo A Fala do Santo. A montagem é baseada na obra do professor, poeta e babalorixá Ruy Póvoas e traz histórias com ensinamentos sobre a vida em sociedade, inspiradas em contos (itans) do candomblé. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
As atividades são promovidas pelo Instituto Macuco Jequitibá, com apoio da Prefeitura de Buerarema e do Governo da Bahia.
Filme Raiz de Maré já está disponível na internet || Foto Mariana Cabral/Divulgação
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O documentário Raiz de MarÉ – De Água a Água apresenta ao público experiências de mulheres negras e indígenas do território Tupinambá de Olivença, no sul da Bahia, ao conectar memória, cultura popular, meio ambiente, equidade de gênero e luta por direitos. O filme, já disponível ao público, registra as vivências cotidianas e a atuação política de marisqueiras, pescadoras, artesãs, mães, avós e jovens lideranças.
Filmado em paisagens marcadas pela presença do mar, dos rios e da Mata Atlântica, o filme mostra como as práticas da pesca e mariscagem contribuem para consolidar as relações comunitárias e culturais do povo Tupinambá de Olivença. Para isso, traz histórias de cinco mulheres – Ana Liz Tupinambá, Ana Maria Oliveira de Almeida, Vilma Serqueira da Silva, Eliana Batista dos Santos e Raimunda Guedes Alves – destacando seus contextos desafiadores e historicamente marcados por desigualdades.
Elas falam sobre a relação com a natureza e seus fazeres e saberes, como os recursos naturais foram primordiais para a criação de suas famílias e como elas se tornam guardiãs das águas e das matas que as rodeiam. Ana Liz Tupinambá – liderança jovem, mulher travesti e educadora – é o fio condutor que dialoga com todas as personagens que aparecem no vídeo.
“A escolha da linha narrativa, centrada no protagonismo feminino e na relação com as águas, dialoga diretamente com o contexto atual, no qual se faz urgente ampliar e potencializar as vozes de mulheres indígenas e negras”, conta a professora da Universidade Federal do Sul da Bahia, Fabiana Costa, que assina a direção com a artista visual Mariana Cabral.
Projeto leva cinema, debates e oficinas a escolas de Itabuna || Foto Divulgação
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O teatro do Complexo Integrado de Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Ciebtec), em Itabuna, se transformou em uma sala de cinema e reflexão com a estreia da Mostra Cineclubista Itinerante – Cinema Negro em Foco. O projeto, que é gratuito, exibiu quatro produções brasileiras de forte impacto social: o curta metragem de ficção Ecos da Caveira de Burro, do produtor Sebáh Villas-Bôas; Até as Pedras se Encantam, de Ana Diamante; Confinados, em suas Vidas, de Isidoro Cruz Neto; e o documentário Contragolpe, de Victor Uchôa.
A atividade do último dia 4 levou à plateia alunos e professores do Ensino Médio, que mergulharam nas narrativas e participaram ativamente de um bate-papo após as exibições. Temas como desigualdade, ancestralidade, política e identidade ecoaram nas falas de quem assistiu e se reconheceu nas telas. Alguns estudantes demonstraram interesse em entender o processo de produção dos filmes, revelando um despertar criativo e um novo olhar sobre o audiovisual como ferramenta de expressão.
A estudante Maria Fernanda Marques Barreto, de 16 anos, se identificou com o filme Contragolpe, que narra o jeito de luta do povo da periferia de Salvador, por meio do boxe, esporte que ela pratica. “Esse filme reflete a minha realidade, porque também faço parte de um programa que tem o mesmo foco: tirar a ideia de que as pessoas da periferia são criminosas. Gostei muito”, conta a jovem entusiasmada.
A mostra vai além da exibição de filmes, com duas oficinas pensadas para ampliar repertórios e estimular o protagonismo juvenil. A de Cineclubismo, ministrada pelo gestor cultural e coordenador do projeto, Cláudio Lyrio, apresenta a história dos cineclubes e ensina como criar um dentro da escola. Os estudantes aprendem a escolher filmes, promover debates e fazer do cinema um espaço de construção coletiva.Um dos objetos da Mostra é aproximar jovens da linguagem cinematográfica || Foto Divulgação
Já a oficina de Introdução à Produção Audiovisual com Celular é ministrada pelo produtor cultural Sebáh Villas-Bôas, que ensina técnicas práticas de roteiro, gravação e edição usando apenas o celular. A proposta é mostrar que todos podem contar suas histórias, mesmo com poucos recursos.
PROVOCAÇÕES
Para o coordenador do projeto, Cláudio Lyrio, essas atividades são uma forma de provocar as escolas para que elas utilizem a linguagem audiovisual como instrumento pedagógico. “É importante sair um pouco da rotina da sala de aula para que os alunos tenham contato com o mundo audiovisual e façam a leitura do que está por trás na produção dos filmes. Eu acredito que, dessa forma, eles vão ter uma perspectiva diferente ao assistir a filmes”, disse em entrevista à TV Santa Cruz.
O professor de Ciências Humanas, Rafael Gama, incentivou os jovens a refletirem sobre o contexto social das obras e a importância de ocupar espaços. “Os profissionais estão aqui apresentando esse projeto como resultado de políticas públicas, de muita luta dos movimentos populares em torno da arte. Pra isso, é importante que vocês, jovens, participem de ações como essas para que mais recursos sejam destinados a projetos dessa importância”, explicou.
PRÓXIMAS ATIVIDADES
Todas as atividades têm acessibilidade garantida pela intérprete de Libras Roberta Brandão/InLibras. As próximas já tem datas marcadas.
No dia 23, estudantes do Colégio Estadual em Tempo Integral Professor Adeum Hilário Sauer vão ter a oportunidade de participar da sessão cineclubista com exibição do documentário Trem do Soul, de Clementino Júnior, além do debate que será mediado por Richard Santos, escritor, pesquisador, docente e extensionista da Universidade Federal do Sul da Bahia. No período da tarde, as atividades estarão concentradas nas duas oficinas de cineclubismo e de produção audiovisual.
No dia 30, o projeto vai oferecer sessão cineclubista no Centro de Cultura Adonias Filho, aberta ao público, com exibição de 5 filmes, a partir das 14h.
A Mostra é produzida pelo Ponto de Cultura OCA (Centro de Agroecologia e Educação da Mata Atlântica), por meio do Cineclube Mocamba. Com incentivo do Ministério da Cultura (via Lei Paulo Gustavo), da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC) e da Prefeitura de Itabuna, o projeto segue em abril com novas ações.
Brasileiro "Ainda estou aqui" concorre ao Oscar em 3 categorias || Foto Alile Dara Onawale/Sony Picture
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D´Agência Brasil
Repercussões nacionais e internacionais de diferentes características. Públicos emocionados e curiosos sobre o que foi a ditadura militar no Brasil (1964 – 1985). Cinema brasileiro reconhecido ao tratar do impacto do autoritarismo (que ainda hoje ameaça democracias)… São variados os motivos que fazem o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, já chegar vencedor ao Oscar, neste domingo (2), avaliam estudiosos. Mesmo se não vierem estatuetas.
Inspirada em livro de 2015 com escrita biográfica de mesmo título, de autoria do escritor Marcelo Rubens Paiva, a obra foi lançada em 2024 e levou mais de cinco milhões de pessoas ao cinema. Em caso de vitória neste domingo, será a primeira estatueta para o Brasil. Em 1960, porém, o longa brasileiro Orfeu Negro venceu na categoria de melhor filme estrangeiro, mas o filme representava a França (do diretor Marcel Camus).
Marcelo Rubens Paiva é um dos cinco filhos da advogada e ativista Eunice Paiva (1929 – 2018).e do ex-deputado Rubens Paiva (1929 – 1971), que teve o mandato cassado e depois foi perseguido, raptado, torturado e morto por agentes da ditadura (da Aeronáutica e do Exército).
Até agora, o longa recebeu 38 prêmios nacionais e internacionais, entre eles, o Prêmio Goya e o Globo de Ouro de Melhor Atriz. No Oscar, foi indicado em três categorias melhor filme, melhor atriz, para Fernando Torres, e melhor filme internacional.
PRESENTE
Em geral, estudiosos ouvidos pela Agência Brasil explicam que remexer no passado de uma forma diferente, em diálogo com um presente atribulado, mobiliza crítica e o público, o que já, de antemão, representa vitória.
De acordo com o professor Arthur Autran, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e que lidera grupo de pesquisa sobre cinema e audiovisual na América Latina, a repercussão é “enorme” em diversos níveis, independentemente se o longa receber algum Oscar neste domingo.
Há o que o pesquisador chama de uma “repercussão social”.
“O filme se tornou, de fato, uma espécie de evento. Muitas pessoas se interessaram pelo cinema brasileiro”, explica.
Para ele, isso evidentemente cria um clima bastante positivo e, mesmo sem utilizar diretamente de recursos públicos, é uma expressão da política pública brasileira para o audiovisual.
Outra vitória do filme para o país citada pelo professor é a valorização da memória nacional. “(O assassinato de Rubens Paiva) Foi um crime praticado pela ditadura militar brasileira. O filme é trazido de uma forma muito emocionante e candente. Houve muita competência em recontar essa tragédia brasileira e trazer isso de uma forma narrativamente muito poderosa”, diz Autran.
O filme, em si mesmo, segundo analisa o especialista, ao trazer uma narrativa poderosa, coloca luz sobre o cinema brasileiro.
“NÓS TEMOS VOZ”
Outra estudiosa, a professora de artes cênicas Dirce Waltrick do Amarante, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), identifica que a visibilidade fora do Brasil significa uma vitória expressiva para a arte brasileira.
“Nós temos conseguido erguer a nossa voz. É uma voz falada em português, de um país periférico como o Brasil. Uma voz que tem sido ouvida”, explica a pesquisadora.
O alcance do filme, de acordo com o que Dirce Waltrick entende, tem trazido repercussão às produções brasileiras na arte. “Esse filme é importantíssimo em razão dessa temática e tem muitas chances de vencer no Oscar. De toda forma, eu acho um filme fundamental, uma virada de chave para a nossa cultura”.
Para a professora, a função da obra de arte é de fato mexer e perturbar.
“As pessoas se sentem instigadas a ir atrás e a saber mais sobre quem foi Eunice Paiva, que lutou pelo direito dos indígenas (o que é menos abordado no filme)”.
DE OLHO NO PRESENTE
Para o professor de história Marco Pestana, da Universidade Federal Fluminense (UFF), pesquisador do tema da ditadura, o filme tem diferentes méritos, como o de, mesmo tratando de um período obscuro, conseguir dialogar de maneira direta com o presente. “É um filme que, nessa conjuntura, tem cumprido um papel importante”.
Em um cenário de expansão de correntes autoritárias pelo mundo, como ele avalia a ascensão do extremismo em países de diferentes continentes, o longa apresenta-se como uma linguagem universal e que pode ser compreendida além do cenário do passado brasileiro.
Segundo considera Pestana, esse avanço político foi conquistado por uma disputa ideológica ferrenha, inclusive com uma ideia reverberada e falsa de que haveria tranquilidade no Brasil e que tinham problemas com a polícia e com a justiça quem estava fazendo algo de errado. “Isso é parte da construção ideológica de valorização desse período”, explica.
O professor entende que o filme mostra que aquele período não era exatamente uma era de ouro para o Brasil. “Evidentemente dialoga (e contesta) com esse imaginário que a extrema-direita tenta fomentar”.
DIREITOS
Naquele cenário da obra, o filme destaca o impacto da ação repressiva sobre um membro da família. “E como isso tem consequências para o conjunto daquela família, não só naquele momento, e como é um impacto de longa duração. Não deixa de mostrar o momento da luta e o em que a família consegue o atestado de óbito”, explica.
Sobre o direito da família, a advogada Ariadne Maranhão reconhece que o filme traz visibilidade ao tema da morte presumida.
“O reconhecimento antecipado da morte foi um avanço que garantiu não apenas segurança jurídica, mas um alívio necessário para que essas famílias seguissem com suas vidas dentro do ordenamento”, explica.
Ela entende que a repercussão do filme Ainda Estou Aqui, no âmbito do direito de famílias e sucessões, é relevante, já que evidenciou como o contexto histórico impactou diretamente as estruturas familiares e a autonomia das mulheres.
“Como sabemos, por séculos, as mulheres foram silenciadas e relegadas ao papel de zeladoras da família, sem voz, para participar das decisões que moldavam suas próprias vidas”. Para a especialista, o filme retrata essa realidade sob a ótica de Eunice Paiva.
“A arte desempenha um papel fundamental para alertar a sociedade sobre os seus direitos”.Selton Mello e Fernanda Torres, que concorre na categoria Melhor Atriz nesta noite || Foto Alile Dara Onawale/Sony Pictures
“FURA A BOLHA”
O professor de história Marco Pestana, da UFF, argumenta que o filme consegue ter repercussão até com pessoas que não conheciam ou compreendiam as violências perpetradas pelos agentes da ditadura. Com Oscar ou sem, há uma vitória nesse sentido.
“Furou a bolha. Em alguma medida, isso tem relação com a estratégia narrativa de politizar pelo viés do cotidiano, da vida familiar”.
No entender do professor Arthur Autran, da UFSCar, a esse respeito, houve um esforço do filme de tentar falar para um público o mais amplo possível dentro do Brasil e fora do Brasil também. Ainda que, conforme os especialistas, com limitações a “quem não quer ouvir”. Ele lembrou que Marcelo Rubens Paiva, que é cadeirante, foi atacado quando estava em um bloco de carnaval.
JUSTIÇA
Depois que o filme foi lançado, o Supremo Tribunal Federal (STF) resolveu analisar o processo que estava com trâmite parado há uma década. Agora, a Corte anunciou que vai julgar se a Lei da Anistia se aplica aos crimes de sequestro e cárcere privado cometidos durante a ditadura militar a partir das investigações da morte do ex-deputado Rubens Paiva.
Marco Pestana avalia que a decisão tem relação com o filme e a conjuntura. “O STF soube ler (o momento) e entendeu que era momento para pautar isso”.
Fernanda Torres fatura Globo de Ouro || Foto Reprodução
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O cinema brasileiro vive um momento histórico. A atriz Fernanda Torres recebeu no início da madrugada desta segunda-feira (6), em Los Angeles, nos Estados Unidos, o prêmio Globo de Ouro de melhor atriz na categoria Drama.
A premiação, entregue pela primeira vez a uma brasileira, é um reconhecimento ao trabalho de Fernanda no filme Ainda Estou Aqui. Na produção, ela interpreta a advogada Eunice Paiva, viúva de Rubens Paiva, deputado federal assassinado pela ditadura militar em 1971.
Fernanda concorria com grandes estrelas de Hollywood como Nicole Kidman, Angelina Jolie, Tilda Swinton, Pamela Anderson e Kate Winslet.
Há 25 anos, Fernanda Montenegro, mãe de Fernanda Torres, disputou a mesma categoria pela atuação em Central do Brasil. Ela não venceu, mas o filme ganhou o Globo de Ouro na categoria melhor filme estrangeiro.
“Isso é uma prova que a arte dura na vida, até durante momentos difíceis pelos quais a Eunice Paiva passou e com tanto problema hoje em dia no mundo. Esse é um filme que nos ajudou a pensar em como sobreviver em tempos como esses. Então, para a minha mãe, para a minha família, para os meus filhos e para todos, muito obrigada ao Golden Globes”, disse Fernanda, ainda durante o discurso de agradecimento.
Tanto Ainda Estou Aqui como Central do Brasil foram dirigidos pelo cineasta Walter Salles.
Este ano, na categoria de melhor filme estrangeiro, o Globo de Ouro ficou com a produção francesa Emilia Pérez. Com Agência Brasil.
Brasileiro, filme "Ainda estou aqui" concorrerá a prêmio no Globo de Ouro || Foto Lara Dara Onawale/Sony Pictures
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Dirigido por Walter Salles, o longa Ainda estou Aqui foi indicado ao prêmio Globo de Ouro de filme de língua estrangeira. A atriz Fernanda Torres também foi indicada a melhor atriz junto com Tilda Swinton, Kate Winslet, Angelina Jolie e Nicole Kidman.
Ainda estou Aqui narra a vida da família Paiva – a mãe, Eunice, e os cinco filhos – após o desaparecimento do marido de Eunice, o deputado Rubens Paiva, preso, torturado e morto pela ditadura militar.
O longa é o filme escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para ser o representante brasileiro a concorrer à indicação ao Oscar 2025. O filme foi recebido com comoção pelas plateias e premiado em vários festivais internacionais, levando o prêmio de melhor roteiro no festival de Veneza.
O filme é baseado no livro biográfico do jornalista Marcelo Rubens Paiva, filho caçula de Eunice e Rubens Paiva. Lançado em 2015, o livro conta a história da mãe dele, símbolo da luta contra a ditadura, que viveu até 2018, e morreu aos 86 anos, com Alzheimer.
Eunice Paiva criou os cinco filhos e se tornou advogada de direitos humanos e indígenas após a prisão e o desaparecimento do marido, em 1971, durante a ditadura, no Rio de Janeiro.
Festival de Cinema Baiano chega à 8ª edição || Foto Renata Sant'Ana
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A organização do Festival de Cinema Baiano (Feciba) publicou, nesta segunda-feira (4), a lista de filmes selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas de sua 8ª edição, que vai movimentar Ilhéus de 14 a 20 de novembro. Foram 194 filmes inscritos na chamada, que foi destinada a produções filmadas de 2020 a 2024 e produzidas por baianos ou residentes no estado. As atividades serão em formato híbrido, com atrações online e presenciais, no Teatro Municipal de Ilhéus.
A Mostra Competitiva de Curtas do Feciba reúne filmes que refletem a diversidade temática, estética e política do cinema baiano. “Com diferentes perspectivas e abordagens, seus diretores e diretoras mostram a efervescência desse cinema potente, criativo e sensível produzido na Bahia”, afirma Lecco França, curador da Mostra.
A curadoria de longas, que será divulgada em breve, foi composta por José Araripe Junior, Izabel Melo e Marialva Monteiro. Os curadores selecionaram produções recentes da cinematografia baiana, que estão circulando por salas de cinema do Brasil e ainda não foram exibidas em Ilhéus. Já os curtas-metragens foram selecionados por uma curadoria composta por Alex França, Cláudio Lyrio e Naira Évine. Esta edição exibirá mais de 50 filmes que serão divulgados nos próximos dias.
PRÊMIOS
Na programação do Feciba, além das Mostras Paralelas, 14 filmes irão concorrer à Mostra Competitiva de Curtas, que terá juris técnico e popular e premiará as seguintes categorias: Melhor Filme Pelo Júri Técnico, Melhor Filme Pelo Júri Popular, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Direção de Arte, Melhor Direção de Fotografia, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Montagem.
Considerado a vitrine do cinema baiano, ao longo das edições já promovidas entre 2011 e 2021, o Feciba se destaca como uma das principais celebrações da cultura cinematográfica na Bahia, alcançando um público total superior a 30 mil pessoas.
O 8º Festival de Cinema Baiano é uma produção da Voo Audiovisual e conta com o Apoio Financeiro do Banco do Nordeste, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura, Governo Federal e do Governo da Bahia.
Confira, abaixo, a lista dos filmes selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas.
Itacaré terá sessões de filmes a céu aberto || Imagem divulgação
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Se você mora ou está em Itacaré, prepare a pipoca porque as sessões de cinema serão gratuitas. A partir desta quarta-feira (16) até domingo (20), o município do sul da Bahia sedia a 4ª edição do Cinemulti, projeto que transforma ruas em salas de cinema a “céu aberto”. Serão exibidos 45 filmes nacionais, das animações mais divertidas aos longas-metragens mais emocionantes, passando por curtas premiados.
As exibições estão previstas para a Praça das Mangueiras, na Pituba (16); Praça São Miguel, na Orla (17); praça da Feira, na Rua do Campo (18); Campo de Futebol da Passagem, no bairro da Passagem(19), e Praça da Marambaia, na Vila Marambaia – KM 6 da BA-001 (dia 20).
A programação começa sempre às 18h, com filmes de animação para a criançada, e segue às 19h exibindo os curtas, inclusive produções locais. Às 20h começam os longas e serão promovidos ainda bate-papos.
Os longas são Saudades fez morada aqui dentro, Alice dos Anjos, Café com Canela,A Matriarca e Dr. Ocride. De acordo com os organizadores do Cinemulti, os filmes foram selecionados a partir de uma curadoria minuciosa, valorizando as produções que representam a diversidade do país e que fomentam debates sobre temas atuais. Alguns desses filmes são premiados.
No eixo de capacitações, serão oferecidas duas oficinas – Atuação para Vídeo, com Cris Amaral, e Produção de Vídeo, com Stanley Martins. Também já está rolando laboratório de roteiros com 3 roteiristas baianos, que, após seleção prévia, estão recebendo consultoria das especialistas Betse de Paula, Ceci Alves e Elisabeth Salgado.
ACESSIBILIDADE
O projeto dispõe de recursos de acessibilidade para a inclusão do público em sua diversidade. Os espaços serão adequados para receber pessoas com deficiência, com banheiro adaptado, sinalização específica, e também cadeiras plus para pessoas obesas. Alguns filmes contam com legendagem ou audiodescrição, para contemplar também as pessoas com deficiência auditiva e/ou visual.
O projeto foi contemplado nos Editais da Paulo Gustavo Bahia e tem apoio financeiro do Governo do da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, via Lei Paulo Gustavo. O projeto, que nasceu em 2011, ajuda a difundir o cinema e o audiovisual para todas as idades e públicos e a capacitar jovens na área.
Edição de 2015 do Feciba, no Cine Santa Clara || Foto Renata Sant'Anna
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A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura concedeu autorização ao Festival de Cinema Baiano (Feciba) para captar recursos, por meio de doações ou patrocínios, até a soma de R$ 219.978,00. A Portaria Nº 43/2024 foi publicada na quarta-feira (7), no Diário Oficial da União.
Criado pela Voo Audiovisual Produções Artísticas, dos ipiauenses Edson Bastos e Henrique Filho, o Feciba teve sua última edição em 2021, em formato online. Agora, a produtora está autorizada a captar dinheiro para a oitava edição do evento, de 10 a 16 de novembro deste ano, em Ilhéus, a casa do Festival.
Vitrine do cinema baiano, o Feciba.8 visa promover a sétima arte da Boa Terra para o mundo, incentivando debates entre o público e os cineastas, premiando curtas-metragens pelo voto do público e júri técnico e ofertando oficinas de formação de mão de obra para o audiovisual.
Na oitava edição, o Festival pretende exibir, no mínimo, 20 curtas-metragens e 10 longas-metragens, em 22 sessões, sendo duas delas com acessibilidade para pessoas com deficiência. A programação também prevê quatro mesas de debate e três oficinas de formação de mão de obra.
Cinema fortalece agroecologia em assentamentos de Camamu e Ibirapitanga
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Os assentamentos Dandara dos Palmares, no município de Camamu, e Dois Riachões, em Ibirapitanga, foram escolhidos pelo Projeto Mostra Cineclubista em Assentamentos de Reforma Agrária “Agroecologia em Foco” pelas experiências de produção agroecológica e orgânica construídas, de forma significativa, nesses territórios.
As duas unidades agrícolas representam os mais de 700 projetos de assentamentos identificados no Estado da Bahia, segundo dados de 2024 do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A grande maioria dos assentamentos rurais apresenta um padrão de precariedade em diversas áreas, como saneamento básico, eletricidade, transporte e saúde. A ausência de políticas públicas destinadas a oferecer produtos culturais para estes públicos reflete ainda mais a carência em que se encontram, cuja vida social se dá fundamentalmente nos assentamentos, onde fazem suas atividades festivas, religiosas e esportivas, constituindo os seus espaços coletivos em centros de lazer.
Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, o espaço dos assentamentos rurais de reforma agrária apresenta uma riqueza em diversidade cultural, abrigando uma intensa rede de relações interpessoais que propiciam inúmeras experiências práticas, produtivas, organizativas e culturais. Nesse contexto, a Mostra Cineclubista em Assentamentos de Reforma Agrária “Agroecologia em foco” surge como ferramenta poderosa para educação, conscientização e mobilização comunitária ao propor atividades audiovisuais.
SESSÕES
O projeto vai oferecer sessões de cineclubismo com exibição de filmes regionais e nacionais, logo após, debates com a comunidade para discutir temas ligados à cultura, identidade e sustentabilidade dos assentados, além de oficina de formação em audiovisual com o uso do celular para jovens e adultos dos assentamentos, incentivando a criação de conteúdos próprios. Através dessas estratégias, o cineclubismo pode ser uma ferramenta eficaz para promover a agroecologia, fortalecer a comunidade e contribuir para o desenvolvimento sustentável nos assentamentos de reforma agrária do Baixo Sul.
Nos dias 20 e 21, o projeto estará no assentamento Dandara dos Palmares, em Camamu, com apresentação artística do músico Rômulo Macêdo. Já nos dias 27 e 28, as ações serão executadas no assentamento Dois Riachões, em Ibirapitanga, com a presença do músico Zenon Moreira. Ao todo, serão beneficiadas cerca de 300 pessoas.
O projeto foi aprovado no Edital de Chamamento Público Lei Paulo Gustavo Nº PG08/2023 Cineclubes, Mostras, Festivais e Eventos no Audiovisual e tem o apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia Através da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult) e do Governo Federal, através do Ministério da Cultura, de acordo com a Lei Complementar nº 195/2022 (Lei Paulo Gustavo).
O Kikito, símbolo do Festival de Cinema de Gramado || Foto PIMENTA
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Da Agência Brasil
Em sua 51ª edição, o Festival de Cinema de Gramado irá reiterar sua aposta em uma programação que transita por diversos formatos. Além de ampliar a aposta no cinema documental, o evento abrirá espaço pela primeira vez para o lançamento de uma série, em parceria com a plataforma Amazon Prime. Nesta terça-feira (4), foram divulgadas as principais novidades deste ano, as homenagens e a seleção dos filmes que serão exibidos na cidade gaúcha entre 12 e 18 de agosto.
A sessão de abertura levará para as telas o documentário Retratos Fantasmas, de Kleber Mendonça Filho. O diretor tem uma trajetória bastante vinculada ao Festival de Gramado, onde lançou ficções como O Som ao Redor (2012) e Bacurau (2019). Seu novo trabalho foi apresentado em maio no Festival de Cannes, na França, e foi bem recebido: ao fim, a plateia o aplaudiu de pé.
“Vocês estão percebendo como o documentário tem crescido em qualidade e em quantidade no universo brasileiro. E o Kleber nos brindou com um documentário que, pela primeira vez, vai abrir o Festival de Gramado. Vocês devem se lembrar que a gente costuma abrir com ficções”, observou o crítico Marcos Santuario. Ele integra a curadoria do evento há mais de dez edições e, neste ano, tem ao seu lado o ator Caio Blat e a atriz argentina Soledad Villamil.
O crescimento do cinema documental brasileiro já havia levado o Festival de Gramado a criar, no ano passado, uma categoria específica para o gênero. Na ocasião, cinco filmes selecionados foram exibidos no Canal Brasil, emissora de televisão por assinatura e uma das parceiras do evento. Nesta edição, a categoria está mantida com uma novidade: os documentários poderão ser vistos presencialmente pela plateia em Gramado. A seleção envolve uma diversidade de temas abordam desde as trajetórias do escritor Luis Fernando Veríssimo e do cineasta Roberto Farias até conflitos sociais, efeitos da pandemia de covid-19 e impactos ambientais.
Outra novidade desta edição é a abertura para as séries. “A gente não poderia deixar de dar esse passo importante. A gente acompanha também outros festivais tradicionais do mundo. Quem acompanhou o Festival de Cannes neste ano viu que estrearam lá dois episódios de uma série da HBO com atuação da filha do Johnny Depp. E a gente está fazendo isso em Gramado com uma série brasileira. A Amazon Prime é nossa primeira parceira e outras virão. Essa série, que se chama Novo Cangaço, tem um protagonismo do Alan Souza e promete um envolvimento com um Brasil para ser conhecido pelo Brasil”, diz Marcos Santuário.
Ele lembrou ainda que o Festival de Gramado já dialoga com o mundo do streaming desde 2017, quando decidiu incluir em sua programação o longa-metragem O Matador. Dirigido por Marcelo Galvão, ele foi produzido pela plataforma Netflix.
Além do filme de abertura, dos cinco documentários e da série, a programação será composta por seis longas-metragens brasileiros, cinco longas-metragens gaúchos, 12 curtas-metragens brasileiros e 23 curtas-metragens gaúchos. Um pré-requisito para os curadores é o ineditismo no Brasil, o que impede a seleção de trabalhos que já estiveram presentes em outros festivais nacionais. Finalizando a programação do evento, serão anunciados no dia 19 de agosto os vencedores em diversas categorias: filme, roteiro, edição, fotografia, diretor, ator e atriz, entre outros. Os agraciados recebem o troféu Kikito, símbolo do festival.
Referência da agenda anual do audiovisual brasileiro, o Festival de Gramado é organizado pela Gramadotur, autarquia criada em 2012 pela prefeitura para gerir o calendário oficial de eventos do município e realizar outras ações. Desde 2021, ela é presidida por Rosa Helena Volk, que também anunciou novidades para esta edição.
“Eu sou a primeira mulher presidindo a Gramadotur. Eu acho que nós mulheres temos ocupado cada vez mais os espaços que temos direito por mérito, por merecimento, por dedicação. E a gente tem visto como as mulheres do cinema são importantes e têm feito trabalhos diferenciados em todas as áreas, na frente e atrás das câmeras. Para confirmar essa posição relevante no cinema e no audiovisual brasileiro e mundial, nós teremos apenas homenageadas mulheres este ano”, revelou.
HOMENAGENS
Entre as homenageadas está a atriz Alice Braga, que receberá o Kikito de Cristal pela sua carreira sólida no cinema, tendo participado de mais de 30 produções no Brasil e no exterior. Aos 40 anos, ela cresceu em uma família de artistas – incluindo a mãe Ana Braga e a tia Sônia Braga – e responde por atuações em filmes como Cidade de Deus (2002), Cidade Baixa (2003) e Eduardo e Mônica (2022). Fora do país já trabalhou em produções ao lado de atores renomados como Anthony Hopkins, Margot Robbie e Matt Damon.
O troféu Oscarito será entregue a duas atrizes nonagenárias que ainda estão em atividade. Laura Cardoso, com 95 anos, e Léa Garcia, com 90 anos, serão homenageadas pela grande contribuição ao cinema nacional. Ainda serão posteriormente divulgadas as agraciadas com o troféu Eduardo Abelin, entregue a diretores e entidades com trabalhos relevantes, e com o troféu Cidade de Gramado, concedido a pessoas que têm ligação com a história do município e do evento.