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Campanha ganhou as redes sociais no início de julho (Arte: Uno Duo).

Uma campanha pela abertura de salas de cinema em Itabuna ganhou a mídia no início de julho, logo após a inauguração das obras de expansão do Shopping Jequitibá. E muitos criticaram o fato do shopping center inaugurar a ampliação e não oferecer uma salinha sequer para a sétima arte.
O shopping projeta inaugurar um novo cinema – e espaço para filmes 3D – no prazo de um ano, no segundo semestre de 2012. A promessa é de início das obras em novembro próximo, com salas menores – e mais confortáveis – que as do Starplex.

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Sobre toda a mobilização pela volta do cinema para Itabuna, o jornalista Marcel Leal observa que é preciso, antes de tudo, que a próxima sala de projeções seja bem administrada. Para Leal, quando Júlio Braga geria as salas do Starplex, o negócio funcionou muito bem, com lançamentos simultâneos aos dos grandes centros e boa frequência do público.
Depois, Braga passou o negócio para uma empresa que, segundo Leal, dizia ter “30 anos de experiência”, mas demonstrou muito amadorismo. Um dos problemas dessa segunda fase foi a falta de divulgação dos filmes em cartaz; outro era o atraso na chegada de novas produções. O resultado foi o pior possível.
Conclui Leal: “se ela (a empresa que enterrou o Starplex) cuidar do próximo cinema, o resultado será o mesmo”.

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O ator francês Vincent Cassel passou o carnaval no Rio de Janeiro e desde ontem está em Itacaré. Ele desembarcou em Ilhéus, ontem, e foi se refugiar no paraíso das celebridades no sul da Bahia.

Itacaré virou “segunda casa” para o ator de Doze homens e outro segredo e A deriva. O astro francês sempre viaja ao município sul-baiano desde 2009.

Cassel desenvolve agora um projeto com locação no Brasil. O ator começou a desenvolver o projeto de filme com a participação de dois ou três nomes do cinema mundial e o restante do elenco formado por brasileiros.

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Do Estadão:

Wagner Moura fará sua estreia em Hollywood. De acordo com o site Hollywood Reporter, o ator baiano será o vilão do filme Elysium, que deve estrear em 2012. Dirigido por Neill Blomkamp, o longa de ficção científica será estrelado por Matt Damon, Sharlto Copley e Jodie Foster.

Ainda não há muitas informações sobre o filme. Sabe-se que será futurista, com Damon no papel de ex-presidiário. Além de vilão, o personagem de Wagner Moura é descrito como possuidor de um “senso de humor louco”.

O site norte-americano afirma que a escolha do ator brasileiro ocorreu após o sucesso de Capitão Nascimento nos filmes da franquia Tropa de Elite, que levaram prêmios internacionais. O último longa dirigido por José Padilha tornou-se a maior bilheteria do cinema nacional.

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SEM ILUSÕES: Osvaldinho Mil defende uma revolução na cena cultural itabunense.

O ator Osvaldinho Mil é rosto conhecido no teatro baiano e na telinha do plim-plim. E na telona, também. O artista itabunense começou no teatro ainda nos tempos de escola, em 1977. É dos nomes mais respeitados do teatro baiano e estrelou peças de grande sucesso, como Os Cafajestes. Nos últimos anos, participou de quadros do Fantástico a filmes e novelas. Osvaldinho concedeu entrevista ao blog Artistas de Itabuna.

Entre uma avaliação e outra, deixou um recado. Não adianta o artista grapiúna ficar esperando atenção do poder público para que a cena cultural avance.

– Pra grande maioria dos administradores [públicos], essas questões não causam interesse. Administradores leem poemas? Emocionam-se com filmes? Conseguem apreciar o pôr-do-sol? O antigo presidente não lê livros, pois lhe dá azia. Não esperemos destes caras que questões relacionadas à evolução humana lhes causem interesse – disse.

Osvaldinho Mil reclama, também, da falta de atenção (e de visão) da iniciativa privada. Não perceberam, acrescenta, a importância da vinculação do seu nome às causas relacionados à cultura. “Esta é uma porta que, acredito, deve ser forçada”.

E como mudar tudo isso? Osvaldinho Mil, que nasceu no período de apogeu do teatro local, dá a sua contribuição: ele sugere que o artista vá às ruas, criando o que chama de “portas de fuga pro ‘quadradismo’ dos dias”. E se estende na ideia, dá forma: ” imagino uma trupe de atores descendo a [Avenida do] Cinquentenário. Encenando esquetes na praça Adami, aquecendo o interesse das pessoas”.

Ao avaliar o momento da cultura local, ele crava que é preciso inundar a cidade de arte. “É preciso aquecer a demanda. É como se Itabuna estivesse em tom pastel”, critica.

Confira a íntegra da entrevista

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Rabelo participa do Feciba neste domingo.

O 1º Festival de Cinema Baiano (Feciba) começa neste domingo (9), em Ilheús, e reúne feras da telona no estado, como Edgard Navarro, Tuna Espinheira, Marcelo Rabelo e Fernando Bélens. O evento terá oficinas, bate papo e mostras paralela e competitiva.

A abertura será no Teatro Municipal de Ilhéus, às 17h, e contará com exibição de Batatinha, poeta do samba, filme de Marcelo Rabelo. As produções serão exibidas tanto no Teatro Municipal como na Fundação Cultural de Ilhéus e no Cine Santa Clara, uma das poucas salas de cinema do interior do estado. O festival vai até o dia 13.

De acordo com a organização, neste domingo o público poderá adquirir passaporte por R$ 30,00 para assistir às produções. O ingresso avulso custará R$ 5,00. As mostras paralela e competitiva de curtas-metragens terão entrada franca.

Dê um clique e fique por dentro do Feciba.

Confira a programação completa do festival

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Ilhéus sedia, entre os dias 9 e 13 de janeiro, o 1º Festival de Cinema Baiano. O evento é promovido pelo Núcleo de Produções Artísticas e Panorama Produções, com apoio institucional da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia.
As atividades do festival acontecerão no Teatro Municipal, Fundação Cultural de Ilhéus e no Cine Santa Clara. A programação prevê a exibição de 12 filmes baianos de  longa-metragem, além de uma competição de filmes em curta-metragem. Paralelamente, são oferecidas gratuitamente, mas com vagas limitadas, oficinas de roteiro, direção de arte e produção.
Mais detalhes podem ser encontrados no site www.feciba.com.br.

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Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Em Nosso Lar (idem – Brasil, 2010), Wagner Assis pode deixar muitos com vontade de morrer. Se esse foi seu desejo, bingo; mas se ele quis chegar a um resultado que, além da religião, demonstrasse fé no meio usado para tal, ele falhou.

Desde toda a publicidade envolvendo as cifras (teoricamente R$ 20 milhões), muito se falou dos efeitos especiais. O porém é que quase todas computações gráficas chamam mais atenção para si que ajudam na criação de um filme além do deleite de imagens.
Por “imagens”, no entanto, vejo uma espécie de deslumbramento “arquitetônico” e religioso que não vão além disso. As palavras, as imagens, os efeitos, todos são apenas belezas individuais (palavras e efeitos nem isso) e narcisistas; não formam um todo.
Assis não parece acreditar no cinema que faz, mas na ideia que faz do que seria um cinema se feito no mundo espiritual. Uma mistura entre Niemeyer (citado por Inácio Araújo) e Walt Disney com efeitos americanos década de 80; só que acrescido de açúcar e álcool. A soma é mundo perfeitamente asséptico no qual, entre reacionários, encarnações a fins, há sempre uma nova chance.
É nisso que Assis acredita, o que ele deixa claro a cada cena, muito mais do que cinema. A quem ele não deu chance alguma.

Visto no Shopping Barra – setembro de 2010.
8mm

Poderia falar horas sobre Superoutro (1989), de Edgard Navarro, mas dificilmente falaria algo de novo ou, pelo menos, relevante. Dito isto, só friso uma impressão: não sei em qual filme dos últimos 20 anos, entre os feitos aqui, temos uma Salvador tão pulsante. Se há, ou não vi ou não lembro.
Filmes da semana
1. Antes do Pôr-do-sol (2004), de Richard Linklater (Cine Vivo – DVD) (****1/2)
2. Nosso Lar (2010), de Wagner de Assis (UCI Orient Shopping Barra) (**)
Curta:
3. Gibraltar e as Bicicletas (2009), de Marccela Vegah (Youtube) (***)
Média:
4. Superoutro (1989), de Edgard Navarro (TVRip) (****)
______________
Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.

<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg”><img title=”70 MM” src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg” alt=”” width=”559″ height=”95″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg”><img class=”aligncenter size-full wp-image-30092″ title=”Final 3″ src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg” alt=”” width=”42″ height=”13″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”>
<p><strong>Leandro Afonso</strong> | <a href=”http://www.ohomemsemnome.blogspot.com”>www.ohomemsemnome.blogspot.com</a></p>
<p><em><img class=”alignright” src=”http://roteiroceara.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/09/BLOG2_viajo_porque_preciso_volto_porque_te_amo_cultura.jpg” alt=”” width=”368″ height=”182″ />Viajo porque preciso, volto porque te amo</em> (<em>idem</em> – Brasil, 2009), de Karim Aïnouz (<em>O Céu de Suely</em>, <em>Madame Satã</em>) e Marcelo Gomes (<em>Cinema, Aspirinas e Urubus</em>), é um <em>road-movie </em>experimental (também por isso inevitavelmente irregular) que tem de melhor o que de melhor seus dois diretores podem oferecer – especialmente Aïnouz. É um filme em um meio, o semi-árido nordestino, e sobre sentimentos – carinho, amor, rejeição – já visitados por ambos, mas trata também e principalmente das divagações e aflições do personagem principal.</p>
<p>Faz sentido dizer que a maioria dos planos de <em>Viajo porque preciso…</em> não tem significado concreto ou função narrativa. Do mesmo modo, praticamente tudo aquilo que visa o horizonte e paisagens afins dura mais que o que o plano de fato mostra – mas esses fatos são menos um demérito que uma defesa da contemplação. E ainda que muitas vezes simplesmente não haja o que ser contemplado, faz parte do personagem esse sentir-se parado – a agonia e o tédio do personagem chegam a nos atingir, às vezes, sem eufemismo algum</p>
<p>Em filme que se assume tão ou mais experimental quanto narrativo, temos aí, no entanto, talvez – e paradoxalmente – uma tentativa de evitar uma monotonia que a ideia do filme sugere. Quase tudo não acontece em cena, mas na cabeça do personagem principal, a escrever suas cartas – trata-se de um filme epistolar de mão única. Como, então, filmar isso – algo tão ligado a um diário, algo a princípio tão anti-audiovisual?</p>
<p>Não temos uma resposta, mas uma opção arriscada, na qual os melhores momentos vêm de depoimentos (prostituta falando em vida-lazer, por exemplo), quando percebemos que os dois souberam extrair uma sinceridade tocante que emana daqueles que dirigem. Isso sem falar do personagem como entrevistador/provocador, em situação que nos liga inevitavelmente a ele fazendo o papel de diretor.</p>
<p>Esse caráter experimental, contudo, pode camuflar desnecessários tremeliques de câmera ao mostrar o personagem em meio à sua jornada, uma vez que não dá para chamar de experimental (ou dar qualquer mérito aqui) o que já virou um quase padrão – a câmera na mão nos dias de hoje.</p>
<p>Ainda assim, vale dizer que os altos do filme atingem um nível de sensibilidade que vem, entre outras coisas, justamente dessa abstração da narrativa convencional: da por vezes completa imersão em um mundo acima de tudo sensorial. Torto, talvez fatalmente torto, talvez o mais fraco trabalho de ambos, mas com momentos de coragem e brilhantismo bem-vindos.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>8mm</span></h2>
<p><strong>Paixão do visível</strong></p>
<p style=”text-align: left;”><em><img class=”aligncenter” src=”http://harpymarx.files.wordpress.com/2009/03/sylvia2.jpg” alt=”” width=”480″ height=”270″ />Na Cidade de Sylvia</em> (<em>En La Ciudad de Sylvia</em> – Espanha/ França, 2007) é meu primeiro contato com José Luis Guerín, catalão que teve três de seus longas exibidos no Panorama Internacional Coisa de Cinema. (Alguém sabe falar sobre?)</p>
<p>Guerín se mostra preocupado com a cidade, às vezes mais que com seus dois personagens principais, ou – o que pinta com alguma prioridade – as relações entre personagens diversos e o lugar onde vivem. No entanto, a busca dele (Xavier Lafitte) por ela (Pilar López de Ayala) é interessante a ponto de causar angústia quando algo foge do esperado. Ele desenha e retrata a cidade, é ele o mais afetado e sobre quem é o filme, é ele que não sabemos de fato o que sente, viveu ou viu; mas é ela que magnetiza a tela quando aparece.</p>
<p>Todavia, e felizmente, o filme vai além da contemplação de um sensacional rosto de uma boa atriz. Pode-se entrar em longas discussões e análises sobre memória e imagem, sobre miragem e dúvida; em uma palavra, sobre cinema. E, o que é melhor, através do cinema.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>Filmes da semana<br />
</span></h2>
<ol>
<li><strong>Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009), de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (Cine Vivo) (***)</strong></li>
<li><strong>Batalha no Céu (2008), de Carlos Reygadas (sala Walter da Silveira) (***1/2)</strong></li>
<li><strong>O Refúgio (2009), de François Ozon (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***)</strong></li>
<li><strong>O Profeta (2009), de Jacques Audiard (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***1/2)</strong></li>
<li>O Demônio das 11 Horas (1965), de Jean-Luc Godard (DVDRip) (****)</li>
<li>Na Cidade de Sylvia (2007), de José Luis Guerín (DVDRip) (***1/2)</li>
</ol>
<p>______________</p>
<p><strong>Leandro Afonso</strong> é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.</p>
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Os itabunenses terão, nesta sexta-feira, 10, uma oportunidade de  ouro para conhecer um pouco melhor a história de sua cidade. Ela é contada nos documentários “Nos trilhos do tempo”, dirigido por Raquel Rocha, e “Do cinquenta ao centenário – o que conta uma avenida”, de Ana Luísa Coimbra, Leonardo Bião e Poliana Alves.
O primeiro filme destaca a antiga ferrovia que existiu na região até meados do século passado, cujos trens substituíram o lombo de burro no transporte do cacau. O outro narra a evolução da Avenida do Cinquentenário, a principal de Itabuna.
Os dois documentários serão exibidos sexta-feira, a partir das 20 horas, no Centro de Cultura Adonias Filho, com entrada franca.

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Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Encontro Explosivo (Knight and Day – EUA, 2010), de James Mangold (Garota, Interrompida; Identidade; refilmagem de Os Indomáveis), é um filme que oscila entre o competente e o medíocre. Em cenas de ação, Mangold tem mão segura, auxiliada por computação gráfica igualmente ok, enquanto o roteiro investe em contorcionismos que buscam o “nada é o que parece”, assim como tenta percorrer o maior número possível de lugares turísticos. Nesse segundo quesito, a ligação com Transformers faz sentido, com restante e resultado não muito diferentes.

Desde a abertura, o som busca uma imponência que logo se transforma em falta de educação. Por mais que pese a incerteza se culpa é do sistema da sala ou do filme, áudio quer atenção não pela competência e fluência do uso do Dolby Surround, mas pela ditadura do volume.
Mas se as imagens, por outro lado, estão bem domadas nas mãos de Mangold, elas também se mostram burocráticas. Ele tem mérito por trabalhar com um filme de ação, e com tantas ações, sem parecer que os cortes são excessivos, ainda mais nos dias hoje. Verdade que o filme quase nunca respira, mas o problema aí é do roteiro: não é fácil transpor para menos de duas horas filmagens em tantos cartões postais e com tanta munição a ser distribuída.

Não à toa, quando Patrick O’Neil resolve brincar de “ele é”, “ele não é”, “o outro que é” em roteiro já tão preocupado e comprometido com outras coisas, fica impressão de furo na história. Quando nos convencemos de onde, de fato, vem a falcatrua, graças a uma imagem cuja hipotética réplica não adianta (fim, temos um culpado), somos levados a outra reviravolta.

O pudor ao (não) se filmar sequer a nudez, aliado ao prazer de ambos em estar próximo do perigo e de armas, passa uma gigantesca impressão de que os dois não têm libido.

Como? O que importa é que Tom Cruise e Cameron Diaz fiquem juntos – Roy Miller e June Havens, sabemos, são subterfúgios. O pudor ao (não) se filmar sequer a nudez, aliado ao prazer de ambos em estar próximo do perigo e de armas, passa uma gigantesca impressão de que os dois não têm libido. Quando ele enfim mostra algum tesão (ou o filme quer que a gente acredite nisso), faria sentido se ela dissesse que ele era mais sensual com armas na mão; até porque, nesse momento, ela está sob o efeito de um efeito de espécie de “soro da verdade”.

Mas se o “soro da verdade”, inevitavelmente, lembra Kill Bill (2003), a época do lançamento e parte do gênero de Encontro Explosivo coincide com À Prova de Morte (2007) outro de Quentin Tarantino e que chega ao Brasil mais de três anos após lançado em Cannes. Nele, tem-se basicamente duas perseguições de carro, um acidente, e duas ou três maiores mudanças de locações, com assumida pinta de diversão vagabunda, barata e com computação gráfica nula. Bem menos em quantidade na descrição, bem mais em ação e energia.
Em Encontro Explosivo o importante é evitar que alguém se distraia até que vejamos Cameron Díaz e Tom Cruise juntos, mesmo que não exista nada que convença, nem explícito (o filmar o desejo e afins), nem implícito (através de detalhes não diretamente ligados ao sexo). Quando se pensa em 007 (com o que isso aqui muitas vezes parece), mesmo nos piores momentos daquele, impressão é de filme assexuado. Que poderia investir no que tem de melhor, via roteiro antes de se enrolar de tanto contorcer-se, e pela competência nas cenas de ação. Achou melhor não.
Visto, em cabine de imprensa, no UCI Multiplex Iguatemi – Salvador, julho de 2010.

8mm

Outro encontro explosivo
Várias auto-citações e divagações fílmicas que remetem à falação desenfreada de Pulp Fiction (1994) e Cães de Aluguel (1991) – parece uma versão feminina deste –, um acidente, o ritmo, a cena, a dança. Enfim lançado no Brasil, a primeira sessão (para mim) de À Prova de Morte (2007) conseguiu ser mais ambígua que a de Bastardos Inglórios (2009); embora sejam abordagens distintas. Não sei se é uma decepção em meio a sequências monumentais, não sei se é fabuloso com calculado tempo apenas para respirar. Seja como for, talvez tenha as sequências menos esquecíveis de Tarantino.
Concorrência
O filme entra em cartaz hoje, em semana que temos, com todos ainda em muitas salas, Toy Story 3, Shrek para Sempre e Eclipse, além de Encontro Explosivo. Por mais que sejam públicos diferentes (e Toy Story, o outro que vi, seja muito bom), são quatro – quatro! – filmes gigantes nas suas pretensões financeiras, o que leva a uma grande ocupação de salas. Concorrência por elas será difícil para À Prova de Morte, que deve ficar restrito a sessões noturnas. Que me lembre, e tenha consultado, apenas O Aprendiz de Feiticeiro tem tamanho equivalente aos outros, e está previsto para apenas 6 de agosto. Como um não especialista em marketing, não vejo nexo em, depois de três anos de molho (graças à Europa Filmes, detentora original dos direitos de exibição no Brasil), não esperar mais uma ou duas semanas para lançá-lo.

Filmes da semana

1. A Viagem (1967), de Roger Corman (DVDRip) (**1/2)
2. À Prova de Morte (2007), de Quentin Tarantino (Cine Vivo) (****)
3. Síndromes e um Século (2006), de Apichatpong Weerasethakul (DVDRip) (**1/2)
4. Encontro Explosivo (2010), de James Mangold (UCI Multiplex Iguatemi) (**1/2)
5. Pele de Asno (1970), de Jacques Demy (DVDRip) (***)
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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.

<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg”><img title=”70 MM” src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg” alt=”” width=”559″ height=”95″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg”><img class=”aligncenter size-full wp-image-30092″ title=”Final 3″ src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg” alt=”” width=”42″ height=”13″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”>
<p><strong>Leandro Afonso</strong> | <a href=”http://www.ohomemsemnome.blogspot.com”>www.ohomemsemnome.blogspot.com</a></p>
<p><em><img class=”alignright” src=”http://roteiroceara.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/09/BLOG2_viajo_porque_preciso_volto_porque_te_amo_cultura.jpg” alt=”” width=”368″ height=”182″ />Viajo porque preciso, volto porque te amo</em> (<em>idem</em> – Brasil, 2009), de Karim Aïnouz (<em>O Céu de Suely</em>, <em>Madame Satã</em>) e Marcelo Gomes (<em>Cinema, Aspirinas e Urubus</em>), é um <em>road-movie </em>experimental (também por isso inevitavelmente irregular) que tem de melhor o que de melhor seus dois diretores podem oferecer – especialmente Aïnouz. É um filme em um meio, o semi-árido nordestino, e sobre sentimentos – carinho, amor, rejeição – já visitados por ambos, mas trata também e principalmente das divagações e aflições do personagem principal.</p>
<p>Faz sentido dizer que a maioria dos planos de <em>Viajo porque preciso…</em> não tem significado concreto ou função narrativa. Do mesmo modo, praticamente tudo aquilo que visa o horizonte e paisagens afins dura mais que o que o plano de fato mostra – mas esses fatos são menos um demérito que uma defesa da contemplação. E ainda que muitas vezes simplesmente não haja o que ser contemplado, faz parte do personagem esse sentir-se parado – a agonia e o tédio do personagem chegam a nos atingir, às vezes, sem eufemismo algum</p>
<p>Em filme que se assume tão ou mais experimental quanto narrativo, temos aí, no entanto, talvez – e paradoxalmente – uma tentativa de evitar uma monotonia que a ideia do filme sugere. Quase tudo não acontece em cena, mas na cabeça do personagem principal, a escrever suas cartas – trata-se de um filme epistolar de mão única. Como, então, filmar isso – algo tão ligado a um diário, algo a princípio tão anti-audiovisual?</p>
<p>Não temos uma resposta, mas uma opção arriscada, na qual os melhores momentos vêm de depoimentos (prostituta falando em vida-lazer, por exemplo), quando percebemos que os dois souberam extrair uma sinceridade tocante que emana daqueles que dirigem. Isso sem falar do personagem como entrevistador/provocador, em situação que nos liga inevitavelmente a ele fazendo o papel de diretor.</p>
<p>Esse caráter experimental, contudo, pode camuflar desnecessários tremeliques de câmera ao mostrar o personagem em meio à sua jornada, uma vez que não dá para chamar de experimental (ou dar qualquer mérito aqui) o que já virou um quase padrão – a câmera na mão nos dias de hoje.</p>
<p>Ainda assim, vale dizer que os altos do filme atingem um nível de sensibilidade que vem, entre outras coisas, justamente dessa abstração da narrativa convencional: da por vezes completa imersão em um mundo acima de tudo sensorial. Torto, talvez fatalmente torto, talvez o mais fraco trabalho de ambos, mas com momentos de coragem e brilhantismo bem-vindos.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>8mm</span></h2>
<p><strong>Paixão do visível</strong></p>
<p style=”text-align: left;”><em><img class=”aligncenter” src=”http://harpymarx.files.wordpress.com/2009/03/sylvia2.jpg” alt=”” width=”480″ height=”270″ />Na Cidade de Sylvia</em> (<em>En La Ciudad de Sylvia</em> – Espanha/ França, 2007) é meu primeiro contato com José Luis Guerín, catalão que teve três de seus longas exibidos no Panorama Internacional Coisa de Cinema. (Alguém sabe falar sobre?)</p>
<p>Guerín se mostra preocupado com a cidade, às vezes mais que com seus dois personagens principais, ou – o que pinta com alguma prioridade – as relações entre personagens diversos e o lugar onde vivem. No entanto, a busca dele (Xavier Lafitte) por ela (Pilar López de Ayala) é interessante a ponto de causar angústia quando algo foge do esperado. Ele desenha e retrata a cidade, é ele o mais afetado e sobre quem é o filme, é ele que não sabemos de fato o que sente, viveu ou viu; mas é ela que magnetiza a tela quando aparece.</p>
<p>Todavia, e felizmente, o filme vai além da contemplação de um sensacional rosto de uma boa atriz. Pode-se entrar em longas discussões e análises sobre memória e imagem, sobre miragem e dúvida; em uma palavra, sobre cinema. E, o que é melhor, através do cinema.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>Filmes da semana<br />
</span></h2>
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<li><strong>Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009), de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (Cine Vivo) (***)</strong></li>
<li><strong>Batalha no Céu (2008), de Carlos Reygadas (sala Walter da Silveira) (***1/2)</strong></li>
<li><strong>O Refúgio (2009), de François Ozon (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***)</strong></li>
<li><strong>O Profeta (2009), de Jacques Audiard (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***1/2)</strong></li>
<li>O Demônio das 11 Horas (1965), de Jean-Luc Godard (DVDRip) (****)</li>
<li>Na Cidade de Sylvia (2007), de José Luis Guerín (DVDRip) (***1/2)</li>
</ol>
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<p><strong>Leandro Afonso</strong> é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.</p>
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Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Cascalho (idem – Brasil, 2008), adaptação do romance de Herberto Sales e exibido na última semana na sala Walter da Silveira, é o primeiro longa-metragem de Tuna Espinheira (O Cisne Também Morre, Viva o 2 de Julho), baiano com mais de 30 anos de carreira como documentarista. Aqui temos ganância, sonho e repressão na Bahia – Chapada Diamatina – dos anos 30, época do garimpo e de sua decadência, mas também de resquícios da escravidão em meio à possibilidade de independência dos negros. Ou seja, temos tema e tipos de relações já tratadas e retratadas, em um ambiente e época (no Brasil) nem tanto. O que, aliado à sugestiva abertura, pode levar à ideia do filme como um estilizado cartão de combate, embora seu interesse maior esteja na busca pelo prazer e pelo poder que movem seus personagens.

Por outro lado, a mesma abertura se junta às três últimas sequências (um mesmo grupo) como resumo de todo o resto – e isso é tanto um elogio pela força delas como uma crítica pela falta de peso da maior parte do recheio.

Na primeira cena, espécie de prólogo que antecede créditos iniciais, temos uma tensa conversa que aborda o conflito entre propriedade privada, exploração e fé. No bloco final, pouco antes desse, um dos personagens se deleita em todo tipo de prazer após sorte no garimpo, o que o leva a fazer a alegria de homens, mulheres e do que aparece pela frente. Depois retorna à labuta, dessa vez buscando um diferencial, um local novo, fornecido pela natureza, que – em desacordo com o “acaso” – traz a morte com ela.

Nessa sequência final, Espinheira retoma (ou finaliza) a questão de cobiça descabida, mas também investe em um sonho cuja realização ideal, na prática, se torna impossível. Mas o grande ponto é que Espinheira não explicita o que é ou o que quer dizer, apenas diz, e o mérito está em como diz. O caráter implícito faz bem porque, como audiovisual, esse momento póstumo-onírico se basta.

Por mais que seu durante seja irregular, entre diálogos pouco inspirados e cenas com naturalismo que constrange quando talvez não fosse essa a intenção, existem ainda pelo menos outros dois momentos dignos de nota em Cascalho: a trama que culmina em assassinato de quem aos poucos crescia e, principalmente, a desconfiança que envolve azeite e a busca pelo “diamante” escondido. A crueza e a crueldade, especialmente no segundo caso, se juntam a uma cuidadosa noção de ritmo (sonoro e de decupagem) em resultado que convence.

Curioso também que, após subirem os créditos, impressão era de um filme “somente” ok (e não tão bom quanto o texto pode sugerir), até que ouvi, de um dos presentes, que “faltou fotografia – a paisagem é tão bonita”, entre outros comentários da mesma laia. Deveria ter dito que nem todos querem filmar cartões postais em movimento, mas tentei ser educado. Ao perceber quão complicado foi manter a linha, percebi também que, em posição cada vez mais escassa, Cascalho tem algo a dizer. E isso é mais que apenas válido.

Visto na sala Walter da Silveira – Salvador, junho de 2010.

8mm

Teatro
O indivíduo que fez o comentário a respeito do filme é o mesmo que, antes da sessão, comentou com a namorada. “É cinema, amor? Jurava que a gente tinha vindo para o teatro”. E, num sábado à noite, com longa-metragem baiano, e com Othon Bastos no elenco, foi apenas um dos cinco espectadores que contei na Walter da Silveira. Um amigo me disse que peguei uma época péssima de público na sala – pode ser – mas não diminui a tristeza pelo recorrência do fato.

Filmes da semana

1. Cascalho (2008), de Tuna Espinheira (sala Walter da Silveira) (***)
2. Ascensor para o Cadafalso (1957), de Louis Malle (DVDRip) (****)
3. Nós, As Mulheres (1953), de Guarini (**1/2), Franciolini (**1/2), Rosselini (***), Zampa (**1/2) e Visconti (**) (DVD) (**1/2)
4. Ligações Perigosas (1988), de Stephen Frears (DVD) (***1/2)
5. De Corpo e Alma (2003), de Robert Altman (DVD) (***)
6. Cidade Baixa (2003), de Sergio Machado (DVD) (***1/2)
7. Inimigos Públicos (2009), de Michael Mann (DVD) (****)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.

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Graduado em Comunicação Social pela Uesc, Roberto Cotta decidiu enveredar-se pela carreira de cineasta. Com o seu primeiro curtametragem, intitulado “O Maldito Ladrão de Memórias”, Cotta recebeu até convite para participar do Festival de Cannes, realizado neste mês de maio.

O jovem cineasta foi entrevistado nesta sexta-feira pelo jornalista Ederivaldo Benedito, e falou sobre o processo de definição do roteiro do filme. As ideias foram “costuradas”  a partir de sugestões colhidas em um blog e a produção, que contou com o suporte técnico da Uesc, custou a bagatela de R$ 100,00. Um detalhe é a presença do mago das edições, Emiron Gouveia, como ator.

Confira abaixo o making of do filme:

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Cenas de "Tropa de Elite 2" não poderão ser gravadas na Câmara

A Câmara dos Deputados negou o pedido dos produtores do filme “Tropa de Elite 2” de gravarem algumas cenas no plenário da Casa. Segundo o diretor José Padilha, a produção do filme procurou a Câmara de dezembro a janeiro, mas jamais recebeu resposta oficial. “Disseram que foi Michel Temer quem barrou, a pedido da bancada do Rio. Eu preferi não acreditar.”

A assessoria de Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara, confirma que não foi dada autorização por decisão técnica-administrativa. Motivo: o plenário da Casa é destinado a sessões políticas. A cena barrada pela Câmara acabou ambientada num Conselho de Ética improvisado na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.

Informações da Folha de São Paulo