
O ator Walmor Chagas, de 82 anos, foi encontrado morto na chácara onde vivia na cidade de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, na tarde desta sexta-feira (18). As circunstâncias da morte ainda serão investigadas.
Com mais de 60 anos de carreira, o gaúcho Walmor de Souza Chagas atuou em mais de 40 peças, cerca de 20 filmes e mais de 30 novelas. Era considerado um dos grandes atores do teatro brasileiro.
Segundo o relato de um funcionário, o caseiro José Arteiro de Almeida, o corpo do artista foi achado caído na cozinha com um tiro na cabeça por volta das 16h30. Almeida disse ainda ao G1, por telefone, que, no momento da morte, Walmor estava sozinho dentro da casa. Ele diz também que uma empregada e uma cozinheira haviam acabado de deixar o local.
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O Cineclube Équio Reis, da Casa dos Artistas de Ilhéus, terá programação especial nesta terça-feira, 20, quando se comemora o Dia da Consciência Negra. Na tela, serão exibidos dois curtas-metragens que abordam a luta dos povos afrodescendentes no Brasil.
Um dos filmes é “O grito dos cativos”, de Telmo Figueiredo e Heuger Campos; o outro é “Cada negro é uma negritude”, de Murilo Campos. A sessão faz parte de um projeto que destaca a produção audiovisual dos acadêmicos do curso de Comunicação Social da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), numa parceria com o Núcleo de Produção Audiovisual do Teatro Popular de Ilhéus.
O projeto segue com a exibição de curtas até fevereiro de 2013.
Correio:
Um homem de 46 anos foi preso em flagrante enquanto se masturbava durante uma sessão de filme infantil na rede Cinemark, no Salvador Shopping, na noite deste domingo (21). De acordo com a titular da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca), Ana Cricia Macedo, uma testemunha já havia denunciado o comportamento do acusado, um professor da rede estadual, na última quarta-feira (17).
“Durante a denúncia, a vítima afirmou ter presenciado o crime durante a sessão de um filme infantil no final de semana passado,” relata a delegada. “Nós entramos em contato com os funcionários do cinema, enviamos a descrição dele e pedimos que eles nos ligassem caso o homem retornasse, o que aconteceu neste domingo (21)”.

Itabuna recebe, na próxima quarta, 17, a Mostra Itinerante JorgeCineAmado, no Centro de Cultura Adonias Filho. Com entrada franca, o evento tem sessões às 8h e 19h. Pela manhã, será exibido o filme Capitães da Areia, de Cecília Amado. À noite, o público terá a oportunidade de assistir aos documentários Jorjamado no Cinema, de Glauber Rocha, e Jorge Amado, de João Moreira Sales.
A mostra em homenagem ao centenário de nascimento de Jorge Amado também traz palestra com o jornalista e crítico de cinema Adalberto Meirelles, que abordará a obra do escritor grapiúna e adaptações feitas para o cinema.
O evento passará por 15 municípios baianos e tem como principal foco, segundo a produtora e atriz Eva Lima, “despertar o interesse pela cultura baiana e nacional, contribuindo assim positivamente para sua formação cultural e tornando seu imaginário mais rico, mais significativo e inclusivo”.
O cinema daqui é “K-D”?
Leitor itabunense que se identifica como Jonathas em comentário à nota Novo shopping de Salvador terá cinema 4D. Itabuna está há quase dois anos sem cinema.
Após dois anos em construção, será aberto ao público na próxima sexta-feira, 13, o Shopping Bela Vista, que vai funcionar no bairro do Cabula. O empreendimento vai contar com 196 lojas, mas, no momento da inauguração, terá cerca de 120 lojas em funcionamento.
As instalações serão distribuidas em 4 pavimentos de loja, com mais de 3.000 vagas de estacionamento e 9 salas de cinema. O local vai abrigar também uma pista de kart, pista de boliche, além de um cinema 4DX, 100% digital, da rede Cinépolis, e lojas das grifes Le Lis Blanc, John John e Daslu.
Na noite desta quinta-feira, 12, um evento de inauguração, restrito para convidados, será realizado no local. O evento, que acontece a partir das 19h30, vai contar com a apresentação de Caetano Veloso e do Grupo de Metais do Neojibá (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia). Informações d´A Tarde.

A programação cultural diversificada da Casa dos Artistas, em Ilhéus, traz nesta terça, 10, mais uma homenagem ao Rei do Baião, Luiz Gonzaga. No Cineclube Équio Reis, será exibido o filme O comprador de fazendas, de 1951, com trilha sonora de Gonzagão.
Segundo a direção da Casa dos Artistas, todas as terças deste mês de julho serão dedicadas a filmes que guardem relação com a vida e a obra de Luiz Gonzaga.
A programação celebra o centenário de nascimento de um dos maiores nomes da música brasileira. O projeto conta com o apoio do Memorial Luiz Gonzaga da Fundação de Cultura Cidade do Recife.
A entrada é franca.
14 curtas-metragens foram selecionados para a mostra competitiva da segunda edição do Festival de Cinema Baiano (Feciba). O evento será realizado de 2 a 7 de abril no Teatro Municipal e na Fundação Cultural de Ilhéus. Dentre os filmes selecionados estão Nunca mais vou filmar, do cineasta e crítico Leandro Afonso Guimarães.
Os filmes foram selecionados dentre 35 curtas inscritos por cineastas de Salvador, Itabuna, Ilhéus, Gandu, Feira de Santana, Vitória da Conquista, São Félix, Palmeiras e Itajuípe. O vencedor da mostra competitiva pelo voto popular levará premiação de R$ 2 mil, além do troféu Feciba, produzido pelo artista plástico Goca Moreno. O júri técnico vai apontar o vencedor de melhor direção, melhor roteiro, melhor fotografia e melhor direção de arte.
Os ingressos para a segunda edição do festival já estão disponíveis. O passaporte para toda o evento custa R$ 20,00. Acesse o site do evento (http://www.feciba.com.br/). O festival é produzido pelo NuProArt e Panorâmica e conta com fomento do governo baiano. Abaixo, confira os curtas selecionados para a mostra competitiva:
As obras do novo cinema do Shopping Jequitibá podem começar ainda nesta mês, conforme adiantou o departamento de marketing do centro de compras ao Diário Bahia. De acordo com o shopping, três empresas estão no páreo, mas uma de origem mexicana deve assumir a administração das seis salas de cinema. As obras começam assim que for definida a empresa vencedora da peleja – no máximo, em abril.
O shopping também iniciou a construção do centro empresarial no estacionamento principal. O investimento vai abrigar diversos empreendimentos e, também, a Superintendência Regional Sul da Caixa Econômica, conforme adiantou este blog (relembre aqui). O centro de compras atingiu em fevereiro passado o fluxo de 60 milhões de clientes em quase 12 anos de atividades.
Manuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br
Brown amadureceu. E provou isso quando disse à imprensa, antes de partir para Los Angeles, que o prêmio era um grande acontecimento, mas uma festa de outro país.
Percussionista renomado, Carlinhos Brown é conhecido como o Cacique da Bahia. Foi um dos criadores do samba-reggae e em 1989 fez parte da banda de Caetano Veloso, estourando tanto no Brasil quanto no exterior com a música Meia lua inteira. Aventurou-se como compositor, conquistou o Troféu Caymmi, um dos mais importantes da música baiana, e rodou o mundo com João Gilberto, Djavan e João Bosco. Talentosíssimo, porém, bastante polêmico. E isso assustava até os fãs mais fiéis.
Lembro dele à frente da Timbalada, ainda na década de 90, quando projetou a banda nacional e internacionalmente. Elevou a autoestima do Candeal, onde nasceu, e norteou a vida de muitos jovens do bairro, onde ainda desenvolve projetos sociais.
Conheci um jovem timbaleiro em terras sergipanas, onde nos tornamos amigos. Numa ocasião, já em Itabuna, contou-me que o cantor estava em clima de despedida da Timbalada. Quando questionei o seu futuro na banda, respondeu-me que ficaria onde o Cacique determinasse, e toca na banda solo de Carlinhos Brown até hoje.
Confesso que fiquei surpresa com tamanha devoção, já que o cantor que eu conhecia, até então, era exagerado em tudo: ele gritava demais, pulava demais, xingava demais, era alvo de críticas, vaias etc.
Mas foi a partir do Projeto Tribalistas, um trabalho desenvolvido com Marisa Monte e Arnaldo Antunes, em 2002, que Brown começou a amadurecer. Prêmios, milhões de cópias vendidas e um homem mais comedido, num tom de voz mais baixo e frases conectadas entre si. Acho que de lá para cá ele só cresceu profissionalmente: carreira internacional com base sólida na Europa, shows, produções de discos, de trilhas para espetáculos de dança, filmes, dentre outras produções.
Se a indicação ao Oscar fosse em 1998, ano em que Carlinhos ficou nu em cima de um trio elétrico no Carnaval de Salvador, o Brasil teria ficado tenso, receoso do que ele poderia “aprontar”. Mas Brown amadureceu. E provou isso quando disse à imprensa, antes de partir para Los Angeles, que o prêmio era um grande acontecimento, mas uma festa de outro país, e que a sua realidade era o chão da Bahia. Talvez estivesse prevendo a sabotagem da qual foi vítima no tão sonhado tapete vermelho. Salve Brown!

No ano passado, Ramon Vane teve seu talento reconhecido no Festival de Cinema de Brasília, como melhor ator coadjuvante pela interpretação do personagem Prafrente Brasil no filme “O homem que não dormia”, de Edgard Navarro. Apesar da alegria com o prêmio, até hoje Vane se surpreende com a voracidade do Estado que, tal qual o homem do filme, também não dorme em serviço.
Para receber o valor do prêmio, de R$ 3 mil, o ator pagou R$ 150 à Prefeitura de sua cidade natal, Buerarema (emissão da Nota Fiscal Avulsa) e teve ainda mais 30% abatidos para bancar um imposto do Distrito Federal. Considerando o dispêndio de outros R$ 150,00 para obter documentos, restaram apenas R$ 1.800,00.
Abismado, Vane resume seu sentimento num desabafo: “que Brasil o nosso!”.
Fernando Caldas, diretor de projetos da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), informa que o município vai restaurar o antigo Cine Itabuna, na rua Ruffo Galvão, e transformá-lo no Cine Teatro Jorge Amado.
A proposta da prefeitura é inagurá-lo no aniversário dos 102 anos de Itabuna, em julho, com espaço para 800 pessoas, oferecendo espaço para teatro e projeção de filmes. “O teatro Jorge Amado é o resgate de um espaço simbólico de um equipamento historicamente tão querido”, afirma.
Itabuna ganharia, ao mesmo tempo, mais um espaço teatral e um cinema. Desde o ano passado que a cidade está sem cinema. O último, do Shopping Jequitibá, foi fechado com o avanço das obras de ampliação. O shopping planeja iniciar a construção de novas salas no segundo semestre deste ano.
Na Avenida do Cinquentenário, centro de Itabuna, entre vendedores de chips de celular das mais diversas operadoras, ofertas de empréstimos para tirar o freguês do buraco e entregadores de panfletos que prometem a “Volta do Senhor” ou o retorno do amor de sua vida em uma semana, o pau que rola no momento são as cópias do filme “Assalto ao Banco Central”.
A pirataria, como se sabe, não precisa cavar túneis nem engendrar planos mirabolantes para fazer a festa com a criação alheia.
É quando surge o falar brasileiro e faz a necessária adaptação. “Ronaldinho é um jogador de muita qualidade”, diz o narrador da tevê; “O ataque do Vasco não funciona porque falta qualidade no passe”, emenda o outro. Talvez regido pela lei do menor esforço (que abordaremos a qualquer dia), o falante eliminou o adjetivo, tornou a frase mais econômica e, pasmem, todos entendemos o que ele quis dizer: o jogador é de boa qualidade e o passe é de má qualidade. Noel Rosa já dizia: “Isto é brasileiro, já passou de português” – mas o jornalismo não se pode permitir tal gênero de grosseria. Um jornalista tem que escrever tão bem quanto um romancista, sentencia Dad Squarisi.
“Caráter” (em referência a traços psicológicos, índole, temperamento, modo de ser e de agir dos indivíduos) parece seguir o mesmo modelo desvirtuado da norma culta. A divisão primária entre bom caráter e mau caráter já foi esquecida. Quando se deseja dizer que uma pessoa é moralmente sã diz-se que ela tem caráter (em vez de bom caráter); quando, ao contrário, se trata de cabra safado, é comum afirmar-se que ele não tem caráter. Pior é que tem; mau, mas tem. Lembram de Macunaíma? Era o herói sem nenhum caráter. Pode? Pode, como licença poética que o jornalismo não possui. E como ninguém aqui é Mário de Andrade, lembremo-nos de que todos têm “caráter” (bom, ruim, frágil, forte, irascível, leviano, colérico, dúbio etc).
No Brasil resta consolidado o costume de dar aos filmes estrangeiros títulos capazes de atrair o público. Dois exemplos interessantes são The quiet man, de John Ford/1952 (aparentemente, “O homem quieto”), que virou “Depois do Vendaval”; e The thin man (talvez “O homem magro”), W.S. Van Dyke/1934, sobre o romance noir de Dashiell Hammett), que chegou às telas (antes, às livrarias) como “A ceia dos acusados”. Porém, não tenho notícia de tradução mais manipulada pelo mercado do que “Os brutos também amam”, de Georges Stevens/1953, cujo título no original é um prosaico Shane, nome do personagem principal, feito por Allan Ladd (foto).
Guido Bilharino (O filme de faroeste, edição Instituto Triangulino de Cultura/2001) diz que a referência marota é aos “brutos” do filme: um fazendeiro ganancioso e seus pistoleiros, entre eles Jack Palance. “Mas estes não demonstram amor a ninguém, nem lhes é dada essa oportunidade pelo script”, ressalta o crítico. O título, portanto, é impróprio para definir a história mostrada na tela, embora tenha cumprido às mil maravilhas seu objetivo mercadológico: não há dúvida de que a expressão “Os brutos também amam” carrega a pieguice necessária para atingir o grande público. E o filme caiu (não pelo título subliterário) também no goto da crítica.Shane é um clássico que tem lugar na estante de qualquer fã do faroeste. Densidade psicológica e feitura cuidadosa se destacam nesse trabalho que produziu até um especialista obsessivo no Brasil, o crítico Paulo Perdigão (1939-2007): ele viu Os brutos… 82 vezes, foi conhecer o set de filmagens nos Estados Unidos, entrevistou o diretor (na foto, à direita) e escreveu um livro a respeito do filme (Western clássico — gênese e estrutura de Shane). Treze críticos declararam à Folha de S. Paulo (1984) que este é o maior western de todos os tempos. Para Moniz Viana, “Shane é uma das obras mais perfeitas que não só o gênero, mas o próprio cinema produziu”.
Faço saber a todos que me dão a honra de dispensar a esta coluna uma vista d´olhos (acho-me hoje inusitadamente lusitano) que sou, desde antigamentes já olvidados, fã de jazz. Mais: se fosse forçado a escolher um instrumento para símbolo desse gênero, apontaria o saxofone, o tenor, de preferência. Não me perguntem sobre os tenoristas geniais, que são tantos, e eu não me arriscaria a dar palpite: Coleman Hawkins, Lester Young, Charlie Parker, Sonny Rolins, John Coltrane, há muitos, cada um com seu estilo: o sax tenor, segundo os críticos, é tão pessoal quanto a voz humana. Para os não iniciados, mostramos aqui o resumo da trajetória de um dos grandes, porém menos badalados, Sonny Stitt (foto).
Não se trata, a rigor, de um tenorista, pois Stitt (1924-1982) domina quase toda a família do saxofone: tenor, alto e barítono. Não consta que toque sax soprano, mas aposto que ele fez isso alguma vez, às escondidas, talvez no banheiro. E trabalhou com as grandes feras do jazz a partir da metade dos anos 40: tocou com Dexter Gordon (na banda do cantor Billy Eckstine), depois no sexteto do trompetista Dizzy Gillespie (foto), gravou com os pianistas Bud Powell e Oscar Peterson, em horas diferentes. Em 1960 integrou o grupo de ninguém menos do que Miles Davis, substituindo ninguém menos do que John Coltrane. Um currículo impressionante, mesmo que tenhamos esquecido de Thelonious Monk e Art Blakey.
Críticos apontaram, no começo da carreira de Sonny Stitt (1945, ao trabalhar com Gordon) clara influência de Charlie “Bird” Parker, mas hoje acusam a presença de “Bird” apenas no sax alto. No tenor, Stitt logo desenvolveu linguagem própria, afastando-se do mestre. Aponta-se ainda que ele tem, sobretudo ao tocar baladas, um lirismo relaxado que o assemelha mais a Dexter Gordon (foto)O.C.