Jerônimo com o senador Jaques Wagner, Lula e o ministro da Casa Civil, Rui Costa
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Engenheiro agrônomo e ex-secretário estadual de Educação, Jerônimo Rodrigues (PT) acaba de ser eleito governador da Bahia. Ele bateu nas urnas o candidato tido como favorito na disputa até o final do primeiro turno, o ex-prefeito ACM Neto (UB). Com 99,9% das urnas totalizadas, Jerônimo obtém 52,78% dos votos válidos ante 47,22%.

Nascido em Aiquara, no Médio Rio de Contas, Jerônimo Rodrigues foi secretário estadual de Desenvolvimento Rural da Bahia, de onde saiu para comandar a pasta da Educação, no período de 2019 até março deste ano. Ele é formado em Agronomia e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs).

HEGEMONIA DO PT

A vitória do professor e engenheiro agrônomo mantém a hegemonia do Partido dos Trabalhadores na Bahia. O partido está à frente do governo estadual desde 2007 e terá um ciclo de mais quatro anos pela frente. Poderá completar 20 anos no poder.

Jerônimo foi um nome bancado pelo governador Rui Costa, após o ex-governador e senador Jaques Wagner (PT) desistir da disputa. Havia sugestão de nomes como Moema Gramacho, prefeita de Lauro de Freitas, e de Luiz Caetano, ex-deputado federal e secretário de Relações Institucionais e ex-prefeito de Camaçari.

Com alto índice de aprovação no início deste ano, cofres do estado cheios e desistindo da disputa ao Senado Federal, Rui Costa lançou o nome de Jerônimo e teve apoios internos, como do líder do Governo na Assembleia Legislativa (Alba) e deputado estadual Rosemberg Pinto.

GANHOU FORÇA

O nome de Jerônimo começou a ganhar força, principalmente depois de uma movimentação em que poderia levar Otto Alencar, reeleito senador em 2 de outubro, a disputar o governo baiano. Ele resistiu. Rui costurou apoios e Jerônimo então foi lançado pré-candidato com as bênçãos do ex-presidente Lula.

Nas urnas em 2 de outubro, Jerônimo ficou a menos de 50 mil votos de liquidar a fatura ali. Foi para a disputa em segundo turno contra o ex-prefeito ACM Neto. Acabou eleito com mais de 470 mil votos de frente.

Lula é eleito para terceiro mandato presidencial
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O povo brasileiro elegeu Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República nas eleições 2022, dando ao petista 50,87% dos votos válidos ante 49,13% do presidente Jair Bolsonaro (PL). O Tribunal Superior Eleitoral confirmou o resultado do segundo turno por volta das 19h50min deste domingo (30).

Com 99,45% das urnas apuradas até as 20h19min, Lula recebeu 59.936.533 votos contra 57.892.668 de Bolsonaro. Mais de 5,6 milhões de eleitores votaram em branco ou anularam o voto.

Lula é o primeiro eleito três vezes para a o cargo de presidente do Brasil. Com 77 anos, o filho de Garanhuns (PE) também é o presidente eleito mais velho da história do país.

Após a confirmação da vitória, Lula se dirigiu a um hotel na cidade de São Paulo, onde concederá entrevista coletiva. Depois, seguirá para a Avenida Paulista, onde fará o primeiro pronunciamento como presidente eleito.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda não se manifestou após o resultado da eleição. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que a vontade das urnas deve ser respeitada.

Puxado pelo ex-presidente Lula, Jerônimo está praticamente eleito governador da Bahia || Foto Ricardo Stuckert
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Com 87% das urnas totalizadas, Jerônimo Rodrigues (PT) impôs vantagem de mais de 320 mil votos e deve ser eleito o governador da Bahia.

Jerônimo está com 52,25% dos votos válidos (3.886.236) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (UB) tem 47,75%
(3.551.162).

O Datafolha, do Grupo Folha, já projetou o petista e ex-secretário de Educação como governador eleito da Bahia.

Jerônimo Rodrigues e ACM Neto disputam o governo da Bahia
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A totalização dos votos começa com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (UB) na frente na disputa pelo Governo da Bahia contra Jerônimo Rodrigues (PT) neste segundo turno.

Conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Neto tem 50,7% dos votos válidos (552.293) contra 49,3% (537.065) de Jerônimo, que é apoiado pelo governador Rui Costa.

Olívia Santana acusa PMs de intimidar eleitores de Lula e Jerônimo
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Um policial militar se referiu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como “vagabundo” numa discussão com a deputada estadual reeleita Olívia Santana (PT), neste domingo (30), em frente ao Colégio Henriqueta Martins Catarino, em Salvador. Antes da ofensa do PM a Lula, a deputada chamou os policiais de “bolsonaristas” (vídeo abaixo do texto).

De acordo com a parlamentar, os PMs intimidaram eleitores de Lula e do candidato do PT ao Governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues, que estavam reunidos diante da escola, local de votação da deputada. Já os PMs afirmaram que cumpriram o dever legal de coibir boca de urna, conduta que atribuíram ao grupo petista. Um dos policiais chegou a tomar bandeiras das mãos dos eleitores e da própria Olívia Santana.

Após o ocorrido, Olívia afirmou que está bem, apesar de se sentir ultrajada, pois estava acompanhada pela mãe de 88 anos. “É o que mais me doeu”. Para a deputada, ela e o grupo de eleitores foram vítimas de um ato covarde.

– Ele fez o que fez porque estava diante de mulheres negras, homens negros, de pessoas da periferia. Mesmo eu sendo uma deputada, fui tratada de maneira altamente desrespeitosa. Aos olhos impregnados pelo racismo, uma preta será sempre uma preta – escreveu Olívia em uma rede social.

O Comando da Polícia Militar ainda não se manifestou sobre a ocorrência. Olívia Santana disse que fez contato com o coronel Paulo Coutinho e, segundo ela, o comandante da corporação “promoveu a retirada dos policiais e ficou de promover o processo de apuração dos fatos”. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) apura o caso. Confira o vídeo.

MPT terá plantão eleitoral também neste domingo de 2º turno || Reprodução
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O Ministério Público do Trabalho (MPT) vai manter esquema espacial de plantão durante todo o fim de semana da votação de segundo turno nas eleições gerais para atender de forma rápida a casos de assédio eleitoral. O sistema de denúncias virtual, feito por formulário disponível no site mpt.mp.br, terá o reforço da possibilidade de recepção de relatos presencialmente tanto em Salvador quanto nas unidades de Feira de Santana, Santo Antônio de Jesus, Itabuna, Eunápolis, Vitória da Conquista, Barreiras e Juazeiro. Com servidores e procuradores de plantão, as denúncias urgentes poderão ser rapidamente analisadas e se houver elementos poderão ser inclusive adotadas medidas judiciais de urgência.

A escala de trabalho, com designação de procuradores e servidores para cada uma das unidades, foi definida em portaria publicada na quinta-feira (27). Assim como a Bahia, o MPT terá sistema de plantão especial em todo o país. O objetivo da medida é fazer frente ao grande volume de casos que vem chegando ao conhecimento do órgão envolvendo denúncias de assédio de trabalhadores, tanto no setor público quanto no privado. Até o momento, no país são mais de 1.700 casos, envolvendo 1.350 empregadores. Na Bahia, foram contabilizadas 31 denúncias, referentes a 25 empregadores diferentes. Mas esses números têm crescido a cada dia e podem avançar mais à medida que se aproxima a data da votação.

Dentre os casos que chamam mais a atenção estão ameaças de demissão, coação e promessas de vantagens para quem votar em determinado candidato. No momento da votação, há outras preocupações, como escalas que não permitam ao trabalhador exercer seu direito de voto e orientações para registrar a votação como exigência do empregador. Todo caso pode ser encaminhado ao MPT, que pede ao denunciante que apresente o maior número de elementos e, se possível, provas da ocorrência. As denúncias feitas tanto presencialmente quanto pelo site podem ser identificadas ou mesmo sigilosas, quando a identidade do denunciante é protegida.

Para fazer denúncias, acesse https://www.prt5.mpt.mp.br/servicos/denuncias

Ministério Público do Trabalho na Bahia – PRT 5ª Região
Atendimento ao público, nesta sábado e domingo (29 e 30/10), das 9h às 15h

CONFIRA ENDEREÇO E TELEFONE DAS REGIONAIS DO MPT NA BAHIA

SALVADOR: Av. Sete de Setembro, nº 2563 – Corredor da Vitória – CEP: 40.080-003 | tels.: (71) 3324-3444 / 3400
BARREIRAS:Rua 19 de Maio, nº 141 – Centro – CEP 47800-240 | tel: (77) 3611-6898
EUNÁPOLIS: Avenida Adolpho Xavier, nº 360 – Dinah Borges – Eunápolis-BA CEP: 45.830-140 | tel.: (73) 3281-2102
FEIRA DE SANTANA: Rua Francisco Martins da Silva, nº 204 – Central – CEP: 44.075-475 | tel.: (75) 3616-0814
ITABUNA: Rua Duque de Caxias, nº 655, Centro – CEP: 45.600-210 | tel.: (73) 3212-3964
JUAZEIRO: Rua Napoleão Laureano, nº 422 – Santo Antônio – CEP: 48.903-040 | Tel.: (74) 3611-8900
SANTO ANTÔNIO DE JESUS: Rua Coronel Jovino Amâncio, nº 67, Centro – CEP : 44.430-202 | tel.: (75) 3632-2011
VITÓRIA DA CONQUISTA: Avenida Gilenilda Alves, 275, Bairro Boa Vista – CEP: 45.027-560. Tel.: (77) 3422-4475

PRF está proibida de direcionar fiscalização para transporte público de eleitores || Foto VarginhaOn
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu a Polícia Rodoviária Federal (PRF) de realizar fiscalização direcionada ao transporte público de eleitores neste domingo (30), quando mais de 150 milhões de brasileiros devem ir às urnas para escolher governadores e novo presidente da República. O descumprimento da vedação pode acarretar responsabilização criminal do diretor-geral da PRF, por desobediência e crime eleitoral, bem como dos respectivos executores da medida.

O presidente da Corte eleitoral, Alexandre de Moraes, também proibiu que a Polícia Federal divulgue, até o final do segundo turno, o resultado de operações desde que relacionadas às eleições, igualmente sob pena de responsabilização criminal do diretor-geral da PF, por desobediência e crime eleitoral, além da responsabilização dos executores das ações. A decisão do ministro foi tomada a partir de uma notícia apresentada ao TSE pelo deputado federal Luiz Paulo Teixeira Ferreira (PT-SP).

Na notícia protocolada, o deputado federal Paulo Teixeira, comunica suposto uso eleitoral das Polícias Federal e Rodoviária Federal em benefício da candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro (PL).

A DECISÃO

Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes destacou que, no dia da votação, deve imperar a ordem, a regularidade, a austeridade. “A liberdade do eleitor depende da tranquilidade e da confiança nas instituições democráticas e no processo eleitoral. À luz da segurança do processo, compete privativamente ao Tribunal Superior Eleitoral a as providências que julgar conveniente à execução da legislação eleitoral, com a finalidade de cumprimento da lei e para garantia da votação e da apuração”, afirmou o ministro.

Segundo Moraes, as notícias de constantes do processo podem ter podem ter influência no pleito eleitoral, sendo, portanto, de competência do TSE fiscalizar a lisura dos procedimentos de maneira que não se altere a igualdade nas eleições.

“Trata-se de fatos graves que justificam a atuação célere e a adoção de medidas adequadas no intuito de preservar a liberdade do direito de voto, no qual concebido o acesso ao transporte gratuito no dia do pleito”, salientou o ministro.

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Nova pesquisa Ipec afere intenções de voto na disputa entre Jerônimo e ACM Neto
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Pesquisa Ipec, contratada pela Rede Bahia, traz o candidato ao governo pelo PT, Jerônimo Rodrigues, com 48% das intenções de voto.

O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (UB) atinge 47%, 3 pontos a mais do que o registrado na semana passada. O percentual de brancos e nulos somam 2% – contra 5% na semana passada. Já o percentual de indecisos ficou em 3%, conforme o Ipec.

Considerando apenas os votos válidos – exclusão de brancos e nulos e indecisos, Jerônimo tem 51% e ACM Neto 49%.

A pesquisa foi feita no período de 27 a 29 de outubro, tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e intervalo de confiança de 95%. Segundo o Ipec, 2.000 eleitores foram ouvidos presencialmente. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BA-02006/2022.

ACM Neto está 8 pontos atrás de Jerônimo na corrida ao governo da Bahia
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A nova e derradeira pesquisa Atlas/A Tarde mostra o ex-secretário estadual Jerônimo Rodrigues (PT) em primeiro lugar na disputa ao governo da Bahia.

Jerônimo tem 52,3% contra 45,2% ACM Neto (UB). O levantamento aferiu as intenções de voto entre os eleitores baianos no período de quarta-feira (26) até ontem (28).

Os eleitores consultados que tendem a votar em branco ou anular representam 1,2%, enquanto 1,3% não souberam responder.

O chamado voto válido, quando excluídos os percentuais de brancos e nulos e de indecisos, traz Jerônimo com 54% ante 46% de ACM Neto.

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

A Atlas também quis saber como os baianos votarão na disputa à presidência da República. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 70%, enquanto Jair Bolsonaro (PL) chegou a 26,6%. O universo de indecisos e de votos brancos e nulos chega a 3,4%. Quanto considerados apenas os votos válidos, Lula atinge 72,5% e Bolsonaro obtém 27,5%.

Encomendada pelo jornal A Tarde, a pesquisa ouviu 2.000 eleitores em 310 municípios baianos, no período de 26 a 28 de outubro, e tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo TSE BR 09376/2022.

Henrique Oliveira aponta desequilíbrio na disputa de voto via internet
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Difícil é imaginar como a desproporcionalidade econômica e o obscurantismo sobre o funcionamento das redes sociais não afetariam a justeza das eleições.

Henrique Campos de Oliveira

O conceito de democracia liberal é a garantia de eleições livres e justas. Simples assim! Há quem concorde, como os liberais. E há quem entenda a democracia como algo para além do processo eleitoral, a democracia como algo substancial, com políticas públicas efetivas que garantam a igualdade não só na computação do voto, mas no acesso à riqueza gerada por um país, para só daí ser possível a liberdade.

De toda sorte, nosso processo eleitoral, respaldado pela Constituição, almeja essa característica liberal de eleição livre e justa. Livre é uma eleição que permite a todo cidadão votar e ser votado. Neste último caso, disputando a sua candidatura por um partido. Eleição justa significa dizer que há, minimamente, alguma equidade entre aqueles que participam do pleito. Ou seja, tenta-se atenuar o poder econômico e evitar os abusos da máquina pública, em caso de tentativa de reeleição ou de candidato apoiado por chefe de poder executivo.

Para garantir justiça, também há o Tribunal Superior Eleitoral, que estabelece regras de conduta entre os candidatos, sobretudo, na exposição e propagação dos seus argumentos e ideias. Além de permitir condições livres para participação e justas para a disputa, é também condição para ser considerada uma democracia liberal a garantia de que o candidato eleito assuma o cargo e governe.

Não é de hoje que o Brasil enfrenta dificuldades e riscos nas transições de poder. Só na redemocratização foram dois impeachments. E só tivemos dois casos na nossa história, com eleições amplas, nos quais o presidente que passou a faixa para seu sucessor era opositor político nas eleições. Esses foram os casos de JK para Jânio Quadros (1961) e FHC para Lula (2002).

Além das dificuldades históricas de transições de governos opositores, as nossas eleições seguem livres como nunca. Hoje, qualquer cidadão pode votar a partir dos 16 anos, sem distinção de cor, classe ou sexo. Inclusive, há ações voltadas para garantir o transporte público para que o gasto com passagem não afete o dever cívico do cidadão em comparecer às urnas.

No entanto, considerar nossas eleições como justas é cada vez mais difícil. Além dos abusos da máquina pública, sob a permissividade do sistema jurídico, as redes sociais afetam consideravelmente os critérios de equidade na disputa eleitoral.

Por ser uma tecnologia disruptiva, a internet empreendeu instantaneidade e intensidade a velhos hábitos e práticas na comunicação. Essas transformações criam um ambiente de terra sem lei. Foi assim, dentro da comunicação, com o rádio, a TV e o cinema. O mesmo aconteceu com a impressa. Essas mídias contribuíram com essa sociedade de massa na qual nos encontramos, com a eclosão de tensionamentos e conflitos globais, desde a primeira metade do século XX.

O nazifascismo europeu usou e abusou do rádio e do cinema para disseminar mentiras e ideologias de supremacia racial. De modo semelhante, foram adotadas táticas de comunicação de manipulação em populações marcadas por uma crise econômica sem precedentes e pelo processo de transição política de regimes dinásticos para republicanos.

A solução proposta para esses abusos, após a II Guerra Mundial, foi a regulação das concessões para responsabilizar as pessoas e empresas pelos conteúdos difundidos. A TV, por exemplo, absorveu muito do quadro regulatório do rádio por analogia. Ao longo das últimas décadas, países aprimoraram a regulamentação dos chamados meios de massa. Obviamente, esse propósito nunca foi alcançado na sua excelência. Mas, como as concessões de TV e rádio costumam ser dominadas por poucas empresas, a exemplo do Brasil, foi possível estabelecer, em tese, limites legais para o uso de canais públicos.

As redes sociais estão no limbo regulatório. Estamos aprendendo a conviver com isso e, diferente da transição do rádio para a TV, o aprendizado sobre as mídias tradicionais não esclarece muito do que vivemos na internet. As redes fundiram a comunicação privada à pública. Talvez, essa consequência peculiar à internet de afinar a linha que separa o público do privado seja a principal confusão dos seus efeitos.

Aos que reclamam de censura, alega-se privacidade, mas as postagens têm capacidade de se propagar até mais do que as mídias tradicionais, sem o mesmo rigor de verificação do conteúdo. A disseminação dos smartphones abriu caminho para a enxurrada de fakes news e mensagens de ódio.  Boatos, fofocas e declarações enfurecidas sobre algo ou alguém não são novidade, a questão está na intensidade e magnitude sem precedentes que as redes sociais, associadas a uma tecnologia que cabe na mão, permitem.

Todavia, importante lembrar que os principais integrantes dessa cadeia são empresas transnacionais. Google, Twitter, YouTube, Instagram, Facebook, WhatsApp, Apple, Samsung, Huawei são empresas que agem em uma terra sem regulação pública, porque pouco se sabe sobre ela e, geralmente, quem mais sabe são donos ou trabalham no segmento. Os negócios de Mark Zuckerberg, dono da Meta (Facebook, WhatsApp, Instagram etc.), levaram-no a prestar esclarecimentos ao Senado dos Estados Unidos.

Populistas de extrema-direita, Trump e Bolsonaro deitaram e rolaram nesse vazio regulatório, em 2016 e 2018, respectivamente. O mesmo tenta se fazer hoje aqui no Brasil, de novo. Só que, em 2022, Bolsonaro enfrenta outras condições de regulação, assim como um Lula mais maceteado do que Haddad.

Vale chamar a atenção para as novas influências do poder econômico no alcance midiático dos candidatos. Enquanto as inserções de rádio e TV são reguladas pela legislação eleitoral, o mesmo não ocorre, por exemplo, com o YouTube, onde as peças publicitárias eleitorais são veiculadas mediante o valor desembolsado.

O YouTube, hoje, tem audiência cativa maior do que muitas estações de rádio e TV. Além dos próprios algoritmos das redes sociais que induzem a visualização para determinado perfil ou não. Difícil é imaginar como a desproporcionalidade econômica e o obscurantismo sobre o funcionamento das redes sociais não afetariam a justeza das eleições.

Henrique Campos de Oliveira é ibicariense, doutor em Ciências Sociais pela UFBA e professor do Mestrado em Direito, Governança e Políticas Públicas da Unifacs.

Lula discursa no 12 de Outubro em Salvador || Foto Ricardo Stuckert
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que os eleitores baianos vão ter papel decisivo no segundo turno deste domingo (30). “Agora, mais do que nunca, eu conto com a fé e a coragem de vocês. É a Bahia que vai liderar a vitória da esperança neste país”, disse Lula, em vídeo divulgado hoje (28) pela campanha do candidato do PT ao Governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues.

No primeiro turno, a Bahia deu 3.825.482 de votos de vantagem a Lula contra o presidente Jair Bolsonaro (PL). Na apuração nacional, o petista abriu frente de 6,1 milhões de votos. Nesta semana, o senador Jaques Wagner (PT) estimou que é possível ampliar a margem da vitória no estado acima de 4 milhões de votos.

Logo mais, a partir das 21h30min, Lula e Bolsonaro farão o último debate das eleições 2022, realizado pela TV Globo.

Rui afirma que deseja ajudar o país, se Lula vencer eleição
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Perto de deixar o Palácio de Ondina, o governador Rui Costa (PT) disse, pela primeira vez, que considera a possibilidade de contribuir com eventual terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, caso o ex-presidente vença a eleição deste domingo (30).

Rui falou sobre o assunto em entrevista à Rádio Metrópole, de Salvador, nesta quinta-feira (27), ao responder se estaria disposto a se candidatar a prefeito de Salvador em 2024.

– Não tô considerando isso [ser candidato a prefeito da capital]. Nem acabei o governo ainda. O que eu considero, eventualmente, é poder ajudar num desafio nacional, se o presidente [Lula] assim entender e convidar para alguma função pública que eu possa contribuir – declarou.

O MINISTÉRIO DE RUI

Rui Costa é formado em Economia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e, no Governo do Estado, conciliou equilíbrio fiscal com o segundo maior volume de investimentos dos estados brasileiros, atrás apenas de São Paulo, de acordo com a Secretaria do Tesouro Nacional. A gestão também expandiu as parcerias público-privadas e reduziu despesas de custeio.

As credenciais de Rui já suscitaram especulações sobre sua possível ida para o Ministério da Economia. Hoje, com a diversidade de interesses contidos na aliança de 16 partidos que apoiam Lula, essa possibilidade parece menos provável.

Os ministérios da Infraestrutura e de Desenvolvimento Regional também são cobiçados e afeitos ao perfil do governador baiano, que não deu detalhes sobre como ou em qual função gostaria de atuar, se o ex-presidente voltar ao Palácio do Planalto e convocá-lo para uma missão em Brasília.

Lula vê a vantagem aumentar para 6 pontos || Fotos Ricardo Stuckert/ Renato Pizzuto-Band
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O ex-presidente Lula (PT) manteve 49% das intenções de voto na corrida ao Palácio do Planalto e viu Jair Bolsonaro (PL), que disputa a reeleição, oscilar um ponto para baixo, agora com 44%, na mais nova pesquisa Datafolha. Os números foram divulgados há pouco, a três dias das eleições.

Os pesquisadores foram às ruas no período de terça-feira (25) até hoje (27). Das consultas extraíram percentual estável para Lula, que manteve os 49% da semana passada. Os dados de agora não foram bons para o presidente Jair Bolsonaro (PL), que oscilou de 45% para 44% nos votos totais.

O percentual de eleitores indecisos subiu de 1% para 2%, enquanto houve queda de 5% para 4% daqueles que pretendem votar em branco ou anular no próximo domingo (30).

VOTOS VÁLIDOS E ESPONTÂNEA

Quando considerados apenas votos válidos, Lula atinge 53% (eram 52% na semana passada). Na outra ponta, Bolsonaro caiu de 48% para 47% no período. Lula viu a sua rejeição no Datafolha oscilar para 45%, enquanto o presidente manteve os 50%.

Na espontânea, quando o pesquisador não apresenta cartela com opções de candidatos, Lula manteve os 47% da semana passada, enquanto Bolsonaro oscilou de 44% para 42%, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.

A pesquisa Datafolha foi contratada pela Folha de São Paulo e pela Rede Globo. De 25 a 27 de outubro, o instituto consultou 4.580 eleitores em 252 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral com o protocolo BR-04208/2022.

Vantagem de Lula sobre Bolsonaro oscila positivamente, segundo AtlasIntel
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A nova pesquisa AtlasIntel, publicada há pouco, mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 53,2% das intenções de voto válido ante 46,8% do presidente Jair Bolsonaro (PL). A vantagem de Lula oscilou positivamente em 0,4 pontos percentuais, chegando a 6,4 p.p.

A margem de erro é de 1 ponto percentual e a confiança da pesquisa é de 95%. Os dados foram coletados pela internet, de 21 a 25 de outubro, com participação de 7.500 eleitores de 1.776 municípios, segundo a realizadora. A própria AtlasIntel contratou o levantamento e o registro no TSE é BR-01560/2022.

Ônibus ilheenses vão circular de graça no dia das eleições
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O prefeito Mário Alexandre, Marão (PSD), anunciou que os ônibus do transporte público de Ilhéus rodarão sem cobrar passagem no segundo turno das eleições 2022, marcado para domingo (30).

A medida foi autorizada em todo o país pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Rede Sustentabilidade. O posicionamento da Justiça deu respaldo à iniciativa no município, segundo Marão, que falou sobre a gratuidade em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Ilhéus FM, nesta quinta-feira (27). Ele já havia antecipado que trabalhava para confirmar a oferta de ônibus gratuitos (relembre).

A vizinha Itabuna também anunciou a gratuidade do transporte coletiva no dia de votação (veja aqui), a exemplo de Alagoinhas, Amargosa, Brumado, Esplanada, Ribeira do Pombal e Santo Estevão, além de Salvador e sua Região Metropolitana.

Hoje (27), o Governo do Estado assegurou passe livre para os eleitores no sistema ferry boat, nas lanchinhas do transporte Salvador-Mar Grande e no metrô. A gratuidade será a partir da 0h de domingo e segue até as 23h59.

A Defensoria Pública do Estado emitiu ofício solicitando que 53 municípios baianos garantissem o transporte gratuito dos eleitores. A Prefeitura de Vitória da Conquista se opôs à medida e, hoje (27), a pedido da Defensoria, a Justiça determinou que o município oferte ônibus gratuito à população neste domingo. Ações semelhantes tentam assegurar o mesmo direito aos moradores de Juazeiro e Paulo Afonso.