A manutenção de 75 policiais militares baianos presos, em virtude de participação destacada na greve, gera críticas ao governo Wagner. Apontam-se incoerências, como o fato de que 90% dos PMs detidos atuam no interior, quando a maior parte dos atos de vandalismo e “terrorismo” foram cometidos na capital do Estado.
Em Itabuna, há seis policiais encarcerados. Em Jequié, no sudoeste, são seis soldados e dois sargentos com a liberdade cerceada, muito embora não tenham sido registrados distúrbios na cidade durante a paralisação.
Um detalhe curioso é que no sudoeste o governo petista mostra um lado diferente do que foi manifestado pela Secretaria de Cultura (Secult), que lançou edital de seleção prevendo pontos para quem fosse filiado a partido (depois cancelado). Em Jequié, um dos presos, o soldado Roniclei, é membro do diretório do PT.
O jequieense Ary Carlos Nascimento, chefe de gabinete do deputado federal Luiz Argôlo (PP), aponta inabilidade na gestão do problema. Para ele, a ação do Estado no episódio da greve é “trôpega” e se tenta criar “um cenário de caça às bruxas para esconder a incompetência do governo no gerenciamento desta crise”.
Policiais saem do batalhão e fazem carreata em Itabuna (Foto Gilvan Rodrigues/Pimenta).
Cerca de 300 policiais militares aguardavam, por quase duas horas, o desfecho da reunião de porta-vozes com o comandante do 15º Batalhão da Polícia Militar. Auxiliados por membro da Força Sindical e do ex-policial Fabrício Ribeiro (Fabrício Ninja), os militares se aglomeravam na entrada do batalhão e na área interna.
Às 19h20min, comemoração: “ô, a polícia parou”. Acabavam de assistir a um telejornal estadual que trazia informações do movimento na capital baiana. Comemoravam. Mas as atenções se voltavam para o gabinete ao lado.
Intervalo no BA-TV. Retorna. Agora as notícias são regionais. Um grupo de aproximadamente 100 policiais volta a se aglomerar em torno de um aparelho televisor de 40 polegadas, dentro do batalhão. Flashes do que foi o dia em Ilhéus e Itabuna.
Turistas, nativos em Ilhéus. Entrevista com uma mulher que teve a câmera roubada. “Ué, isso acontece todo dia”, comenta um policial pra lá de desconfiado do noticiário. “Eles tão com o governo”, completa outro.
Agora, Itabuna. Imagens não conseguiam sintetizar o corre-corre no centro da cidade onde nasceu Jorge Amado. Os policiais voltaram os olhares, novamente, para o prédio ao lado. Nada. O REGRESSO DE WAGNER E A INTERNET
Notícia mesmo só viria 40 minutos depois. Os representantes dos policiais voltaram falando de um governador que prometia reabrir negociações. Era Jaques Wagner após retornar da viagem ao “paraíso” de Fidel Castro. Sim, Cuba.
Professor, didático, o líder dos policiais, “importado” de Ilhéus, instruía a tropa sobre como agir. Em tempos de internet, o conselho: usem o Facebook, e-mails. “Essa greve é bem diferente de 2009, gente. Hoje, nós temos a internet, mais facilidade se comunicar”, ensinava. Um dos alertas era acompanhar o Bizu de Praça, “atualizado constantemente”.
Sindicalista que auxiliava os policiais “dava a letra”: Viaturas recolhidas das companhias para o batalhão (Foto Gilvan Rodrigues/Pimenta).
– Gente, (sic) vamos usar a internet, o Facebook. Assim, a gente tem um canal e também pauta a imprensa – observava. O “Face” e o Twitter são ricas fontes de pauta.
Terminada a “assembleia”, uma das lideranças escolhidas para conversar com o comando concede entrevista ao PIMENTA. E afirma:
– A polícia vai agir só em extrema urgência. A partir de agora estão todos aquartelados. Todas as viaturas, inclusive das companhias, foram recolhidas para o 15º Batalhão da PM.
Na verdade, nem todas. Parte ainda estava nas companhias, mas foram recolhidas à medida que avançava a carreata dos policiais pelos principais bairros e avenidas de Itabuna. Cerca de 150 carros saíram do batalhão e circularam pela cidade. “RADICAIS” E MAIS ORGANIZADOS
A ordem é clara: atendimento somente a ocorrências graves e prioridade a hospitais, complexo policial e conjunto penal. Mesmo com a greve, diz a liderança, a preocupação será com a sociedade naquilo que possa representar maior perigo ao cidadão.
O governo tem suas formas de pressão, mas pode estar diante de uma greve bem diferente daquela ocorrida em 2009. E as diferenças começam na “paciência” com a gestão – depois de promessas não cumpridas – e com o fator comunicação (internet, pois!). Mas há outra, a organização. A associação mais radical do movimento, a Aspra, contagiou os demais grupos.
A convocação de greve pela Associação de Policiais e Bombeiros da Bahia (Aspra) divide a polícia baiana, mas a insatisfação com as condições de trabalho e os salários é generalizada na corporação. O comando trabalha para abortar a paralisação, que tem adesão parcial na capital do Estado e municípios do interior.
Em Ilhéus, policiais da 68ª, 69ª e 70ª Companhias Independentes da PM estão aquartelados. Oficial de uma dessas unidades descreve a precariedade das condições e trabalho. Das cinco viaturas existentes, apenas uma (locada) está em condições de rodar. “Não há verba para manutenção, assim como não tem colete nem armamento para todo mundo”, diz o PM, pedindo para não ser identificado.
Outra bronca: quando o soldo dos policiais é reajustado, para não ficar inferior ao salário mínimo, a Gratificação de Atividade Policial (GAP) é encolhida. “Por que um PM no Distrito Federal ganha R$ 4,5 mil e na Bahia recebe apenas R$ 1,8 mil?”, indaga. A categoria tem ainda outros motivos de insatisfação, a exemplo das escalas de trabalho.
Apesar de tudo isso, o governo aposta nas divergências na categoria com relação à pauta de reivindicações da Aspra. “Estamos insatisfeitos com a forma como esse movimento está se desenrolando, pois defendemos a união das associações”, afirma o oficial ouvido pelo blog.
A greve decretada pelo movimento estudantil na Universidade Federal do Recôncavo Baiano, que já dura mais de 15 dias, é questionada dentro do próprio corpo discente da instituição. Um colegiado de estudantes distribui manifesto em que critica agressões a funcionários e danos ao patrimônio da UFRB, além de atribuir a greve a uma articulação de gente que se opõe ao processo de interiorização do ensino superior federal na Bahia.
Uma assembleia convocada por este colegiado vai acontecer na próxima quarta-feira, 21, a partir das 19 horas, em frente ao prédio da reitoria da UFRB em Cruz das Almas. Além de estudantes, foram convidados professores, servidores técnico-administrativos e representantes da sociedade civil. O primeiro item da pauta é uma manifestação de “repúdio ao auto-intitulado comando geral dos estudantes”.
Os servidores federais da educação básica, profissional e tecnológica completaram nesta semana um mês de greve. Professores e demais funcionários exigem do Ministério da Educação (MEC) reajuste salarial de 14,67% e eleições diretas para escolha de reitor e diretor-geral dos institutos federais, dentre outras reivindicações.
A negociação com o MEC evoluiu, mas técnicos e docentes reclamam do tratamento dispensado pelo Ministério do Planejamento e a Casa Civil. No centro-sul da Bahia, a paralisação atinge os institutos federais (antigas Emarcs) em Uruçuca, Teixeira de Freitas, Itapetinga e Valença.
A greve acontece no período em que o governo anuncia expansão dos institutos federais. Em contato com o PIMENTA, professores aprovam a expansão, mas criticam a falta de condições e valorização econômico-profissional. As negociações com o governo são tocadas pelo Sinasefe.
A greve nas universidades estaduais baianas comprometeu o primeiro semestre letivo, que, em condições normais, seria encerrado no dia 29 de junho, mas acabou mudando para 16 de setembro. Muita gente lamenta o prejuízo, que é ainda maior para quem está para encerrar o curso e muito mais grave (aliás, gravíssimo!) para formandos que obtiveram aprovação no último concurso para professor da rede estadual de ensino.
A convocação do concurso saiu no último dia 15 de julho e os aprovados deverão apresentar os documentos necessários à nomeação até o dia 29. Porém, como os formandos das estaduais somente irão concluir os cursos em setembro, eles não têm como cumprir o prazo estabelecido.
Um dos aprovados, formando da Uesc, descreve o drama:
“Fizemos as provas do concurso prevendo formação acadêmica em tempo hábil para convocação, nomeação e posse em nossas suadas e conquistadas vagas. Contudo, a greve dos professores universitários, que durou quase dois meses e meio, protelou o final do semestre (…)”.
Prossegue: “(…) Nós, formandos da Uesc e, creio eu, de todas as universidades estaduais baianas, estamos vendo o sonho de sair da faculdade com um bom emprego garantido fugindo de nossas mãos, por forças exteriores à nossa vontade”.
Diante da inusitada situação, os prejudicados tentarão pedir socorro às Secretarias da Educação e da Administração do Estado. Por enquanto, sentem apenas o gosto amargo de quem ganhou, mas não levou.
Funcionários da Coca-Cola deflagram greve após rodada de negociações (Foto Divulgação).
Os funcionários da Coca-Cola deflagraram greve a partir desta quinta-feira (7) nas unidades de Feira de Santana, Simões Filho, Salvador, Vitória da Conquista e Ilhéus. Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 10%, mas a distribuidora da Coca na Bahia, a Norsa, oferece 6,31% e não negociaria as cláusulas sociais.
Além de 10% de reajuste, os funcionários da Coca-Cola querem cesta básica de R$ 150,00 mensal, auxílio material escolar (R$ 300,00), piso salarial de R$ 850,00 mais cinco centavos para cada produto entregue para motoristas. As demais categorias teriam piso de R$ 750,00, segundo o sindicato dos trabalhadores em indústrias de bebida, o Sindibeb.
A semana está complicada na rede municipal de ensino em Floresta Azul. Desde segunda-feira, 14, a maioria dos 150 professores deixou de comparecer às salas de aula, alegando atraso no pagamento da parcela de um terço da remuneração das férias. O governo local afirma que há apenas esta pendência, enquanto os salários estariam em dia.
A prefeita Sandra Cardoso cobrou ponderação aos profissionais do magistério e o sindicato da categoria respondeu com um ofício, no qual afirmava estar tudo normal nas escolas. Ou seja, oficialmente não havia greve, mas os professores efetivamente não estavam trabalhando.
O mais interessante aconteceu nesta quarta-feira, 16, quando o sindicato decretou a greve e esta, uma vez oficial, foi boicotada pelos filiados. Quase todos retornaram às salas.
Resumindo: a greve só existiu mesmo quando era “extra-oficial”.
O Samu de Ilhéus voltou a funcionar nesta sexta-feira, 04, após uma paralisação de 24 horas. O retorno ao trabalho foi decidido em uma reunião entre representantes dos funcionários, Secretaria Municipal da Saúde e prefeito Newton Lima.
Na reunião, foi acertado que todos os servidores terão direito aos mesmos benefícios concedidos aos médicos do Samu. Ou seja, pagamento de 40% de insalubridade, 20% a mais na gratificação e melhoria nas condições de trabalho.
Em greve desde a tarde desta quinta-feira, 03, o Samu de Illhéus recebeu determinação judicial para manter pelo menos 60% do efetivo em operação. Esse percentual foi estabelecido em liminar concedida pelo Tribunal Regional do Trabalho, em resposta a uma ação da Procuradoria Geral do Município.
Logo mais, às 15 horas, na Secretaria Municipal da Saúde, haverá reunião entre o secretário Jorge Arouca e os dirigentes do Sindicato dos Médicos e do Sinsepi (Sindicato dos Servidores Públicos de Ilhéus), que representa as demais categorias, como condutores e enfermeiros.
A briga é por uma reposição salarial de 20%, pagamento referente à insalubridade, entre outras reivindicações, para todos os funcionários do Samu. Os médicos já haviam sido atendidos nesses mesmos pleitos, porém os demais servidores não foram contemplados.
Após dois dias de paralisação, os trabalhadores do Hospital São José, da Santa Casa de Misericórdia de Ilhéus, retomaram as atividades nesta quinta-feira, 17. A decisão ocorreu em assembleia conduzida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Saúde de Itabuna e Região, depois que a direção do hospital se comprometeu a quitar os salários atrasados.
Outros compromissos assumidos pela instituição foram o de assegurar a estabilidade dos funcionários pelo período de 90 dias, além de não descontar os dias parados.
Os trabalhadores da Santa Casa de Misericórdia de Ilhéus cruzam os braços a partir das 4h30min da manhã desta terça-feira (15), em protesto contra o atraso de salários. A decisão foi mantida após a provedoria da Santa Casa reunir-se com o prefeito Newton Lima e o secretário de Saúde, Jorge Arouca, e de Finanças, Jorge Bahia.
A prefeitura acenou com a possibilidade de pagar o equivalente a 25% do salário de dezembro e outros 25% de janeiro dos trabalhadores. A proposta foi rejeitada e a greve será deflagrada.
A rede básica de saúde em Ilhéus deve enfrentar greve nesta quarta (16). Os servidores promovem assembleia às 9h para decidir se paralisam as atividades. A prefeitura apresentou contraproposta para quitar todos os atrasados no dia 10 de março. A decisão final dos servidores será tomada na quarta.
Tempo de leitura: < 1minutoGreve afetará servios de hospital (Foto Tropa de Elite).
Em uma assembléia ocorrida no início da noite desta quinta-feira (10), em Ilhéus, os trabalhadores da Santa Casa de Misericórdia decidiram entrar em greve a partir da próxima terça-feira (15), caso até lá a provedoria não quite integralmente os salários referentes a janeiro.
A assembléia que decidiu pela paralisação, por tempo indeterminado, foi bastante concorrida e, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde de Itabuna e Região, Raimundo Santana, a partir da data determinada pela categoria, tanto o Hospital São José quanto a Maternidade Santa Helena passarão a contar com apenas 30 por cento dos efetivos para serviços de urgência e administrativo. Até a Unidade de terapia Intensiva manterá esse percentual de funcionamento.
Nem mesmo a informação de que, nesta sexta-feira (11) será depositada a segunda parcela referente aos salários do mês de dezembro do ano passado, conseguiu conter os ânimos dos trabalhadores. Eles alegam falta de condições de trabalho e muitos afirmam que os débitos pessoais estão se acumulando desde que houve a interrupção dos pagamentos. A Santa Casa conta com cerca de 300 trabalhadores, segundo Raimundo Santana, e a situação da instituição é vista com preocupação pelo sindicato.
Hospital enfrenta segunda paralisação em menos de um mês.
O Sindicato dos Servidores Municipais de Itabuna (Sindserv) distribuiu comunicado informando que os funcionários do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães (Hblem) só retornarão ao trabalho quando a prefeitura de Itabuna comprovar o pagamento do salário de dezembro do ano passado.
A direção do Hblem havia se comprometido a quitar o salário atrasado até o meio-dia desta terça (1º), mas os servidores alegaram que, devido ao histórico de atrasos da prefeitura, só retornariam ao batente quando o dindin estivesse na conta. É mais uma crise na gestão municipal da Saúde.
Tempo de leitura: < 1minutoServiço de urgência funcionará com 30% de sua capacidade se greve for deflagrada.
Os médicos do Samu 192 de Ilhéus decidiram nesta noite deflagrar greve por tempo indeterminado, a partir do dia 1º de fevereiro. Eles reivindicam isonomia salarial, melhores condições de trabalho e pagamento de férias atrasadas.
O diretor-regional do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindmed), Teobaldo Magalhães, afirma que os profissionais do Samu ilheense não têm reajuste salarial desde a implantação do serviço de urgência no município, em 2005.
Os profissionais recebem R$ 3,4 mil por mês e querem salário de R$ 7 mil. Teobaldo cita exemplos de municípios de porte semelhante ao de Ilhéus e que pagam entre R$ 6 mil e R$ 8,8 mil aos médicos do Samu 192, caso de Eunápolis, no extremo-sul baiano.
Durante a greve, afirma Teobaldo, o Samu vai funcionar com 30% do quadro de médicos, atendendo à legislação. Os profissionais prometem realizar ato público em frente ao Palácio Paranaguá, na próxima quinta (27), às 15h.
Os médicos também reclamam das condições de trabalho. “Os carros estão sucateados e faltam até ataduras e luvas para trabalharmos”, disse o dirigente em entrevista ao PIMENTA.