Ponte Jorge Amado é a primeira estaiada na Bahia || Foto José Nazal
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Inaugurada pelo Governo do Estado em 2020, a primeira ponte estaiada da Bahia melhorou a mobilidade urbana e se tornou dos principais cartões postais de Ilhéus. A arquitetura da Ponte Jorge Amado, erguida na Baía do Pontal, encanta turistas e moradores de todo o sul da Bahia que visitam a cidade.

Neste início de ano, a Ponte Jorge Amado também tem sido cenário constante do remake da novela Renascer, ambientada em Ilhéus, o que desperta ainda mais o interesse de turistas de todo o país, boa parte deles chegando à cidade em navios de cruzeiro que atracam no Porto do Malhado.

João, José e Baltazar posam com a Ponte Jorge Amado ao fundo || Foto Daniel Thame

João Marcos Matos, José Marcio Dias e Baltazar Caicheda, de Uberlândia, Minas Gerais, visitaram Ilhéus pela primeira vez. “É uma ponte que deixa a cidade mais bonita, vale a pena tirar uma foto com a família para guardar como recordação”, afirma João Marcos.

O casal Demétrio Lacerda dos Santos e Sheila Souza Lacerda, de São Paulo, visitou Ilhéus também pela primeira vez e foi atraído pela aparição da cidade na novela. “A ponte é um atrativo a mais para a cidade, tem uma estrutura diferente e também facilita o acesso com o litoral sul. Ilhéus é uma cidade muito acolhedora, com um povo alegre e hospitaleiro”, disse Sheila.

Sheila e Demétrio: encantados com arquitetura ilheense || Foto Daniel Thame

Através da ponte, as pessoas têm acesso mais rápido a points que compõem a magia das obras de Jorge Amado que levaram Ilhéus e o sul da Bahia para o mundo, a exemplo de Cacau, Terras do Sem Fim, São Jorge dos Ilhéus e Gabriela Cravo e Canela, adaptados para filmes e novelas.

Walter Wanderley, morador de Osasco, São Paulo, veio a Ilhéus pela segunda vez e teve seu primeiro contato com a ponte. “Na primeira vez, ainda estava em obras e agora eu vi como ficou linda e inovadora, valorizando ainda mais o turismo”, afirma Walter, que levou a mãe para tirar uma foto ao lado da ponte.

As amigas Lorena Leite, Isabele Oliveira e Taciara Leite, de São Paulo conheceram o Centro Histórico e atravessaram a ponte de carro. “É mais um atrativo para o turismo e proporciona uma visão muito bonita para quem visita Ilhéus, principalmente no final de tarde e início da noite”, disse Lorena.

Dani Façanha diz que melhora na mobilidade urbana levou a incremento em restaurante

HOTELARIA E EXPANSÃO IMOBILIÁRIA

A Ponte Jorge Amado impulsiona o turismo e, também, o setor imobiliário no litoral sul de Ilhéus. “A nova ponte, além de ser belíssima facilitou o acesso ao nosso restaurante, que teve um aumento considerável no movimento, além de permitir que os hóspedes possam se deslocar com facilidade ao centro, onde estão pontos turísticos que fazem parte da literatura de Jorge Amado”, afirma Dani Façanha, chef de cozinha e proprietária da Pousada Morro dos Navegantes, na zona sul da cidade.

Mariana (Theresa Fonseca) e Zé Inocêncio (Marcos Palmeira) caminham na Avenida Lomanto Júnior com a ponte estaiada mais ao fundo || Reprodução Globo

Novos empreendimentos imobiliários e duas grandes redes de supermercado foram ou estão sendo implantados em Ilhéus. O investimento em mobilidade tem papel decisivo nesse boom num setor fundamental na geração de empregos. “A cidade de Ilhéus vive um acelerado processo de retomada do desenvolvimento econômico e de atração de novos investimentos. Como empresários, ficamos atraídos pelo potencial da região, além de seduzidos pela história local e sua gente acolhedora, e a Ponte Jorge Amado é um ponto favorável à mobilidade do Centro da cidade para a região sul”, destaca Rodrigo Peleteiro, diretor de empresa que está construindo um residencial na Praia dos Milionários.

A ponte Jorge Amado recebeu investimentos do Governo da Bahia de cerca de R$ 100 milhões. Com 533 metros de extensão, possui 25 metros de largura, abrange um sistema viário com 2,7 quilômetros e é dotada de quatro pistas de rolamento para veículos, uma ciclofaixa e faixa para pedestres. A obra beneficia aproximadamente 511 mil pessoas que moram nas cidades de Ilhéus, Itabuna, Una, Canavieiras, Buerarema, Itacaré e Uruçuca.

A camisa criada por Afonso Dantas desperta o sentimento de pertencimento do itabunense
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Nada mais brega do que a velha rivalidade entre papa-jacas e papa-caranguejos.

 

Walmir Rosário

Guardo muitas recordações dos tempos de menino, entre elas as boas brigas por apelidos, gentílicos, etnônimos, topônimos, principalmente os vistos como depreciativos. E não era pra menos, imagine um itabunense ser chamado taboquense, por ser Tabocas o nome do distrito que deu origem a Itabuna. Pior, ainda, e totalmente sem cabimento, o nascido em Itabuna ser chamado de papa-jaca pelos ilheenses. Por pouco não é declarada uma guerra, finalmente, pacificada agora por Afonso Dantas.

Eu mesmo já sofri muito com os preconceituosos gentílicos por ter nascido em Ibirataia (BA), nomeada de Tesouras quando ainda distrito de Ipiaú (também papa-jaca). Em 1960, finalmente, Ibirataia ganha sua “carta de alforria” e passa a ser cidade, município. Para fazer a população e os “de fora” se acostumarem com o novo nome, o prefeito teria tido uma conversa de pé de ouvido com o delegado, que proibiu Ibirataia ser chamada de Tesouras. E as ameaças não eram poucas, inclusive com a permanência de uns dias de xilindró.

Mas em Itabuna era inaceitável ser chamado de papa-jaca, notadamente pelos ilheenses, que não se conformavam em ter perdido o domínio sobre a nova Itabuna, mormente pelos contos de réis que embolsavam nos tempos de Tabocas. Pois bem, a rivalidade era acirrada, pois Itabuna se agigantava e exibia uma Associação Comercial (em Ilhéus ainda não existia), ganhava no futebol, no comércio, enfim, ameaçava – de verdade – a hegemonia de Ilhéus.

Como não sou historiador, não fui nem irei à cata de documentos para fazer as devidas comprovações do que digo, pois sabidamente está na boca do povo. E o gentílico papa-jaca nasceu por pura inveja dos ilheenses, pelo simples fato dos itabunenses ignorarem, também, os restaurantes e pensões de Ilhéus, quando iam à praia da Avenida. Na carroceria de caminhões, os itabunenses levavam seu farnel, reforçado com feijoada, farofa de jabá e uma boa jaca, saboreada como sobremesa, para a inveja dos ilheenses.

Depois disso, pelo que soube por gente da minha inteira confiança, e fui conferir que até o conterrâneo Jorge Amado (ele itabunense de fato e eu por direito), no livro Terras do Sem-fim, renegou a origem e descreveu ser o papa-jaca gente de Itabuna, pessoas rústicas, mulheres de comportamento duvidoso e homens violento, às vezes cornos. Fiquei puto da vida, mas não vou brigar com um conterrâneo, e que já se foi deste mundo.

Inconformados com a independência e altivez do itabunense, os ilheenses partiram para a galhofa, retrucada em seguida com o gentílico papa-caranguejo, por motivos óbvios. Aí é que rivalidade aumentou, chegando às raias do quebra-pau. Lembro-me que à época o sentimento de pertencimento com a cultura popular não era aceito e os gentílicos e etnônimos malvistos e resolvidos na porrada.

Mesmo em tempos recentes, um desprestigiado e despudorado juiz de direito (hoje ex) chegou a tentar denegrir o presidente da OAB itabunense, tendo o desplante de chamar o causídico de papa-jaca, como se ofensa fosse. Em resposta, no Forró do Advogado, em pleno Alto Beco do Fuxico, foi esculachado em uma música criada pelos advogados itabunenses, que foi hit por meses a fio, colocando o tal do então magistrado em seu devido lugar, o lixo.

Com o passar do tempo, os malvistos passaram a ser benquistos e incorporados como bens imateriais. E cito aqui um fato comprobatório: Na década de 1970, o paratiense, cujo gentílico era papa-goiaba, recusava terminantemente ser chamado de Caiçara, rebatendo o adjetivo, por considerar pejorativo e somente se aplicar aos moradores do litoral paulista, e não aos “beiradeiros fluminenses”. Hoje acredita ser um deles e aceita os dois gentílicos com todos os mimos.

Mas voltando à nossa paróquia, já aceitamos e adotamos os gentílicos e etnônimos, mesmo que os topônimos não tenham nenhuma ligação. Nada mais chique do que desfilar por aí – em Itabuna, Ilhéus, Salvador, Nova Iorque ou Paris – com uma vistosa camisa criada pelo publicitário e cronista Afonso Dantas, com a bela figura de uma jaca ricamente estampada, arrematada logo abaixo com a pomposa legenda: Papa-jaca. Tudo isso teve início quando Afonso passou a criar camisas com gírias e expressões tiradas das raízes mais profundas do vocabulário “baianês”. Lá ele! Tô fora!

É de meter inveja aos ilheenses, que ficam putos da vida, por sentir o efeito contrário da galhofa: em vez da raiva anterior, o itabunense demonstra sabedoria e pertencimento. Trocando em miúdos, fez do limão uma limonada. E o projeto de Afonso Dantas não se resume a Itabuna, pois muitas cidades da região cacaueira – a nação grapiúna – esnobam as demais, e apresentam a jaca como figura e adereço cultural maior.

A criação das camisas ganhou o mundo, como já disse, e elevou a autoestima do itabunense, papa-jaca sim senhor, e com muito orgulho. Tanto assim que perdoou o conterrâneo Jorge Amado, acreditando ter sido influenciado pelos coronéis ilheenses da época, putos da vida com o desenvolvimento de Itabuna. Hoje, papa-jacas e papa-caranguejos dividem e convivem o mesmo espaço praiano com a mais perfeita harmonia.

Daqui de Canavieiras, onde me refugiei há mais de uma dezena de anos, tomei ciência que o gentílico papa-caranguejo é palavra corrente para distingui-los. E como se não bastasse, eles ainda ressaltam que é a iguaria mais gostosa, além das mais belas pernas da Bahia. Sem qualquer descortesia, Trajano Barbosa utilizou o caule da jaqueira como mastro na festa do “Pau de Bastião” por mais de 60 anos, na famosa festa da Capelinha.

Nada mais brega do que a velha rivalidade entre papa-jacas e papa-caranguejos.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Panorâmica de Ilhéus com a Catedral de São Sebastião em destaque || Foto José Nazal
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Os clubes que brotaram, até agora, do território-marca de 1534 buscam nos seus nomes de batismo prestígios copiados extraterritorialmente, como Colo-colo, Flamengo, River, Vitória, e agora, um Barcelona menor

 

 

Sérgio Barbosa || serbarsil@gmail.com

A capitania dos Ilhéus foi reconhecida desde 1534 como promissor território capaz de gerar riquezas, uma vez povoado e explorado economicamente. Primeiramente com a cana de açúcar posteriormente com o cacau atravessou quatro séculos e ainda, hoje, agrega possibilidades com a indústria e os serviços da cultura e do turismo. O perfil de atividade econômica, daquele local, foi se ampliando na medida que o processo cultural da civilização foi compreendendo, em etapas ou eras, novas formas de ocupar e explorar o território nas suas potencialidades.

Sem dúvidas que foi a era da agri(cultura) cacaueira que, até agora, mais se expressou como perfil da cultura do território posto que se enraizou, também, na literatura e deu contornos saborosos ao locus com o imaginário da sensualidade e do amor de dois migrantes que se fundiram como uma explosão de sexo, pleno de liberdades e libertinagens num tempo de profunda rigidez social. Uma trama, do diabo que os deuses do cacau – theobroma – abençoaram.

O forjador dessa fundição, um grapiúna de raiz, deu sabores picantes ao território capaz de chamar a atenção do mundo por mais de século para essa terra de felicidade sem fim, cheia de histórias de amor, experiências, picardia e esperanças…

Jorge Amado, Gabriela e Nacib formaram um triângulo, longevo, rico de nuances que poderá impulsionar por mais outros séculos quem queira navegar nesta fórmula capaz de estimular curiosos amantes e consumidores a se interessar pela produção dessas terras de possibilidades, tal qual a cidade turística de Verona na Itália, que perdura no imaginário dos visitantes na sombra dos amantes Romeu e Julieta.

Assim percebeu, no seu tempo, um outro “imigrante suíço” – Hans Schaeppi – que, nos anos 1970/80, se consagrou ilheense, dentre outros feitos, ao batizar sua fábrica de chocolates com a marca raiz ILHEUS e “linkar” sua produção picante de marcas “Cacau do Nacib” e “Flor da Gabriela”.

Um marketing positivo para o território, invocando um registro de 1534 e abrindo vetores futuros de exploração de outras marcas como átomos dinâmicos de bom comércio e bons frutos. Hans Schaeppi estava bem posicionado no seu tempo e com ampla visão de um mentor de desenvolvimento para o território, mas parece não ter conquistado, ainda, bons seguidores no seu exemplo.

Assim dito, a cultura futebolística ilheense parecer ter inspiração inversa ao “suíço-Ilheense”, pois os clubes que brotaram, até agora, do território-marca de 1534 buscam nos seus nomes de batismo prestígios copiados extraterritorialmente como Colo-colo, Flamengo, River, Vitória, e agora, um Barcelona menor, cuja única identidade com a Catalunha, penso, é nenhuma e se apoia tão somente de momento do clube catalão ou talvez no desenho das bandeiras das cidades. E só.

Lastimável exemplo de demarketing territorial, e ausência de pertencimento, pois, uma vez crescendo o futebol desse clube, seus êxitos serão sempre remetidos a lembranças da cidade catalã que nem patrocina, sequer, nosso suor atrás da bola. Colherão, eles, os frutos sem plantá-los nem os regar.

Parece não ser razoável nem inteligente que a cultura das instituições ilheenses, de quatro centrão, se acomode com esses desperdícios de exposição que a mídia futebolística oferece, e, que o Itabuna, o Ceará, o Fortaleza e o Bahia desfrutam, muito bem, capitalizando suas marcas-territórios ao seu locus de berço.

Assim procedeu a indústria vinícola europeia, no século passado, a criar regras restritivas chamadas de “denominação de origem” vinculando as marcas dos seus “terroirs” com suas vinícolas. Cartão vermelho para qualquer um mortal que se atreva, doravante, a produzir um espumante de vinho com o rotulo de Champanhe exclusividade daquela região francesa que os deuses do comercio passaram a chancelar. É a mesma bebida que as corridas automobilísticas faz-nos beber como sinônimo de êxito e por elas pagar.

Oxalá os orixás nos ajudem a não permitir que os deuses do futebol não se motivem da mesma maneira das vinícolas e venham a exigir royalties pelo batismo-indevido ao nosso clube ilheense quando este se sagrar campeão.

Quem sabe se nossos orixás se unirem e lançarem fagulhas de criatividade e incendiarem, de espíritos “Schaeppianos” misturando à larva “Amadiana”, as novas lideranças dos traders Ilheensi de modo que doravante estejam vigilantes criando talvez um Ilheus-Theobroma F.C., uma SAF de uso múltiplo e arrendado a novos investidores na nossa Capitania. Uma ideia, bem-humorada, picante de desdobramentos e cheiro de século XXI.

Sérgio Barbosa é ilheense de coração nascido em Salvador.

Irmã Nenza em foto de várias gerações da família: 110 anos de vida || Foto Gilvan Rodrigues/Pimenta
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Gilvan Rodrigues, especial para o PIMENTA

Ela superou guerras, enchentes, conviveu com Lampião e Maria Bonita, viveu as mudanças na tecnologia. Viu passar 34 presidentes no Brasil. Ana Maria de Jesus, ou simplesmente Irmã Nenza, como prefere ser chamada, comemora, nesta quarta-feira (20), 110 anos de vida. Ela, pelo que se tem notícia, é a pessoa mais longeva de Itabuna. E credita o passar dos anos e a experiência centenária à boa criação e, evangélica, à proteção de Deus.

Irmã Nenza nasceu em Rio Novo, antigo nome de Ipiaú, em uma fazenda na região das Tesouras, propriedade de Augusto Lopes. Veio para Itabuna trazida por uma prima, aos 20 anos de idade, e aqui mora até hoje.

Alimentação e exercício físico, ela revela, é a receita para chegar lúcida aos 110 anos. “Comia toucinho de porco (alimento gorduroso) e carne de boi bem cozida. Mas, no outro dia, comia outras coisas. É o que minha mãe fazia e me aconselhava”, diz.

E, aliado à alimentação, exercícios. “Caminhei muito na lida na roça”, conta Irmã Nenza. “Ela sempre andou muito até os 90 anos. E gostava de capinar os quintais próximos do Campo Formoso”, diz a advogada Daniele Novais, que foi moradora do bairro e acompanhou a entrevista, e tem apoiado Irmã Nenza oferecendo apoio social e jurídico. Ambas congregam na Igreja Batista Teosópolis.

Das muitas histórias, Irmã Nenza gosta de falar de Lampião, que conheceu no sertão e diz ter sido um homem maldoso. “Se você gostasse de pimenta, ele te fazia comer um frasco. Ele chegava com os camboeiros, os valentões e gritava: Maria Bonita tá hora de fazer o café“.

SAÚDE

Irmã Nenza conta que sempre teve boa saúde. “Eu tomava purgante e remédio pra verme de seis em seis meses e óleo de rícino”, diz.

“Meu pai sempre nos dizia que que nós éramos de uma família que aturava (vivia) muito. Nenza tu és uma filha de benção”, dizia o pai, que viveu 101 anos. Hoje o problema de saúde de irmã Nenza é a baixa visão. Diz que dorme bem, acorda sempre às cinco da matina. Sua grande preocupação é o filho mais velho, que mora em Bom Jesus da Lapa.

“Eu fui muito bem criada seu menino. Eu guardava resguardo”, conta Irmã Nenza. Resguardo é o período, a quarentena que a mulher deve fazer após a gestação.

Irmã Nenza teve 10 filhos, com Zezo, o segundo marido, dos quais cinco estão vivos, três mulheres e dois homens. O mais velho mora em Bom Jesus da Lapa. Os demais residem na mesma rua, em casas separadas.

MAIS DE 500 PARTOS

Irmã Nenza foi parteira. Fez o parto de 500 crianças, como conta, realizados na fazenda de José Augustinho, onde morou, na região do antigo lixão de Itabuna.

Casou-se aos 17 anos, porém a união não deu certo. Desse episódio o que ela traz de lembrança é o vestido branco que usou com o ramo na mão, que pretende repetir em alguma ocasião.

Nenza e os segredos da longevidade: boa alimentação, exercícios e fé || Foto Gilvan Rodrigues/Pimenta

NOVA VIDA, FAMÍLIA E GRATIDÃO

Após a primeira experiência de vida a dois, Nenza uniu-se a Zezo, com quem teve 10 filhos. “Eu sou grata a minha família. Hoje tenho a vista curta e minhas filhas, netos e bisnetos vêm sempre aqui me ajudar a fazer as coisas”.

A mãe de Nenza não teve a longevidade da filha. Viveu só até os 40 anos. “Meu pai consumiu muito minha mãe, bebia muito. Dizia pra minha mãe: Vou pra Rio novo, aí montava na mula ia pra rua do Francês e voltava embriagado”.

Nenza gaba-se por saber escrever, mas revela qual seu orgulho. “Estudei até Nosso Brasil e Carteira do Povo. Aprendi a fazer meu nome direitinho”, relatou. Hoje orgulha-se de ter netos na universidade.

RELIGIÃO

Cuidar da espiritualidade é algo que, para ela, foi fundamental para chegar firme aos 110 anos. Irmã Nenza é membro da Igreja Batista Teosópolis de Itabuna. É da Congregação da IBT do Campo Formoso, próximo onde mora, no Loteamento Dom Paulo, no bairro Jorge Amado.

Nenza atribui um dos segredos da sua longevidade à fé. “Quando me aparece uma dor, eu peço e Deus me cura. Sou crente. No dia (de culto) que não vou à igreja, fico doente. Quando vou, volto curada”, disse. E fala da conversão. “Eu não sabia o que era Deus. Passei para a lei de crente e hoje sei o que é Deus”.

Irmã Nenza disse que tem uma relação forte com a igreja. “Eu amo, gosto da minha igreja. De Dani [a advogada], Geraldo [Meireles, pastor-presidente da IBT], Val. É um povo que eu gosto”. Ela também participa da reunião das mulheres.

Na celebração do aniversário da Teosópolis, no sábado (16), a presença de Irmã Nenza foi festejada. “Quero registrar a presença de Irmã Nenza. Quando nossa igreja foi fundada Irmã Nenza já tinha 42 anos”, saudou o pastor Geraldo Meireles. Irmã Nenza foi aplaudida.

SIMPLICIDADE NO VIVER

Irmã Nenza mora em uma casa simples na Rua Dom Paulo, no bairro Jorge Amado. Relata grande gratidão ao ex-secretário doutor Baldoino Azevedo e ao ex-prefeito Geraldo Simões pela doação da casa onde mora. “Eu falei: Geraldo quem vai ganhar pra Fernando Gomes é você e preciso de uma casa pra morar. Ele ganhou e conseguiu pra mim”, contou.

Ela vive com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) do INSS. “Eu não ganho décimo”, lembra. É assistida pelo Mercado Solidário, programa de fornecimento de alimentos da Igreja Teosópolis.

ANIVERSÁRIO

Como faz todos os anos a igreja celebra o seu aniversário. Irmã Nenza demonstra um grande carinho pelo casal formado pelo pastor Geraldo Meireles e a esposa dele, Valdeci Meireles. Na conversa, pediu para gravar um vídeo e enviar para o pastor. “Val e Geraldo, eu não te vi na inauguração (aniversário) da igreja. Quanta saudade”. Falou de forma eloquente com um gestual interessante que é comum quando se expressa.

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Uma das áreas mais valorizadas de Ilhéus, a Praia dos Milionários, na zona sul, acaba de atrair um grande empreendimento imobiliário residencial pé na areia. Com infraestrutura de alto padrão, o Ilhéus Select será construído pelas empresas baianas Pelir Engenharia, B2 Engenharia e Portal Santo Agostinho em uma área de 15 mil metros quadrados.

São duas torres, Cravo e Canela, 88 unidades de 2, 3 e 4 suítes, com metragens de 95m² a 258m², gardens privativos, garagens cobertas e opções de personalização dos ambientes, com preços a partir de R$ 595.000,00. O projeto arquitetônico do Ilhéus Select é moderno e sustentável. Na sua concepção, reflete o carinho e o cuidado das empresas com o local.

A comercialização está sendo coordenada por Tennyson Nabuco, com a participação da Imobiliária Torres como a House do Stand, na Avenida Tancredo Neves, Rua D, no bairro Jardim Atlântico.

O EMPREENDIMENTO E A CIDADE

O empreendimento Ilhéus Select é dos exemplos do novo momento da cidade sul-baiana. Celebrizada mundialmente nos romances de Jorge Amado, com belas praias, natureza exuberante e rico patrimônio cultural e arquitetônico, Ilhéus vive um acelerado processo de retomada do desenvolvimento econômico e atrai novos investimentos.

O cultivo de cacau de qualidade superior e o impulso à produção do chocolate de origem, a consolidação do turismo e projetos importantes, como o Porto Sul e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, têm impactos positivos no boom imobiliário que a cidade vem experimentando, especialmente no litoral sul.

AS EMPRESAS

A Pelir Engenharia nasceu, cresceu e se consolidou com o propósito de transformar sonhos em realidade. Em quase 40 anos de atuação, a empresa construiu sua trajetória no mercado imobiliário baiano e brasileiro com respeito aos seus clientes, oferecendo projetos de alta qualidade, pensados com capricho em cada detalhe para cada público. É atual vencedora do Prêmio Ademi-BA 2023 nas categorias lançamento imobiliário do ano e empreendimento do ano, além de diversos outros prêmios, como FIEB em Desempenho Ambiental e Ouro no Prêmio de Qualidade do Sinduscon-BA.
A B2 Engenharia está há quase 10 anos no mercado de infraestrutura e construção de alto padrão. E acaba de dar mais um passo importante com o lançamento imobiliário do Ilhéus Select. Sua atuação abrange a Bahia e outros estados do nordeste, tendo em seu portfólio diversos tipos de projeto, incluindo empreendimentos imobiliários, edifícios públicos, hotéis de alto padrão, galpões logísticos e industriais, dentre outros.
Nascida em Ilhéus, a Portal Santo Agostinho Engenharia é referência em ações sustentáveis e atua há mais de 20 anos no mercado. É reconhecida pela qualidade de seus projetos, seu atendimento personalizado e sua preocupação constante com o meio ambiente. Já realizou diversos empreendimentos em Ilhéus e região, sempre reduzindo o impacto ambiental desde o projeto até a entrega da obra.
PM apreende quase 140 quilos de drogas em Itabuna || Foto Divulgação
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Uma operação da Polícia Militar, no bairro Jorge Amado, em Itabuna, nesta quarta-feira (8), resultou numa intensa troca de tiros com os traficantes e na apreensão de drogas e armas. Em um imóvel usado como depósito por integrantes de uma facção, os policiais encontraram submetralhadora, espingarda, coletes balísticos, dentre outros materiais.

Material estava escondido em imóvel de facção criminosa || Foto Divulgação

Durante a operação policial foram apreendidos 123 kg de maconha, 11 kg de cocaína, 2,6 kg de Skank, 1 kg de crack, 859 comprimidos de ecstasy, uma submetralhadora calibre 40, uma espingarda calibre 12, pistola, revólver, carregadores alongados com capacidade para trinta munições, kit Roni, cinco coletes balísticos e três placas, uma espada, quatro balanças, 200 munições de diversos calibres e cadernos com anotações do tráfico de drogas.

PM encontrou droga depois de denúncia anônima || Foto Divulgação

Além das drogas e armas, os policiais apreenderam diversos itens usados para o preparo, divisão e venda dos entorpecentes. “Essa foi a maior a apreensão realizada, neste ano, pelo 15⁰ Batalhão da Polícia Militar”, afirmou o tenente-coronel Robson Farias, comandante da unidade. O oficial disse ainda que mais de uma tonelada de drogas foi retirada das ruas da cidade do sul da Bahia.

Bandidos fugiram deixando munições e armas para trás || Foto Divulgação
Assinada ordem de serviços para ampliar sistema de abastecimento de água || Fotos Divulgação
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Assinada nesta quarta-feira (9), no bairro Jorge Amado, a ordem de serviço para ampliação do sistema de abastecimento de água na zona oeste de Itabuna. As obras, que fazem parte do Projeto Mais Água para a Cidade, serão iniciadas de imediato, conforme anunciou o presidente da Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa), Raymundo Mendes Filho.

O prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), que assinou a ordem de serviço juntamente com Raymundo Mendes, destacou o apoio do Governo do Estado para execução das obras. “Com o Governo da Bahia, estamos realizando obras estruturantes que vão melhor a qualidade de vida da nossa gente. A primeira etapa do Mais Água conta com mais de 70% de rede adutora implantada, que levará água diariamente a 36 bairros da região do São Caetano, na zona sul”, afirmou.

O presidente da Emasa, Raymundo Mendes Filho, citou a melhora no relacionamento com os consumidores. “Além do Projeto Mais Água, que vai melhorar o abastecimento para mais de 140 mil pessoas de Itabuna,  passamos a entregar a conta no momento da leitura, criamos o aplicativo para celular e estamos modernizando o Escritório de Atendimento para melhor servir ao nosso cliente”, afirmou.

O presidente da EMASA, Raymundo Mendes Filho, assina ordem de serviço para ampliar abastecimento de água
O presidente da Emasa assina ordem de serviço para melhorar abastecimento de água

BAIRROS BENEFICIADOS

A ampliação do fornecimento de água para a zona oeste beneficiará os moradores dos bairros Urbis IV, Sinval Palmeira, Brasil Novo, Morumbi, Jorge Amado, Ferradas e Nova Ferradas.

Além desses bairros, os investimentos beneficiarão também os moradores dos residenciais Top Park, Itapoan, São José, Jubiabá e Gabriela. Algumas dessas localidades recebem água a cada 15 dias e passarão a ser abastecidas diariamente, segundo a Emasa

A previsão de conclusão das obras é de 180 dias. Além da implantação da nova rede, a Estação de Captação e Tratamento de Água, em Nova Ferradas, será modernizada para atender a nova demanda.

UFSB abre vagas em curso superior em Produção de Cacau e Chocolate || Foto Divulgação
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A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) abriu, nesta segunda-feira (27), inscrições para processos seletivos para ingresso na Rede Anísio Teixeira de Colégios Universitários (Rede CUNI) e para o Curso Superior de Tecnologia em Produção de Cacau e Chocolate. No caso da Rede CUNI, são ofertadas 440 vagas para ingresso nas licenciaturas interdisciplinares.

As vagas são para os campi Jorge Amado, em Itabuna; Sosígenes Costa, em Porto Seguro; e Paulo Freire, em Teixeira de Freitas, e nos colégios universitários vinculados a cada campus. Os cursos oferecidos na Rede CUNI são licenciaturas interdisciplinares, voltadas para a formação de professores e pertencentes ao 1º Ciclo.

O primeiro ano de estudos é nas estruturas da rede CUNI nos colégios estaduais, com componentes curriculares ofertados durante o primeiro ano do curso, de forma híbrida. Ao fim deste período, os estudantes terão suas matrículas transferidas para a sede do campus ao qual o Colégio Universitário está vinculado. Posteriormente, é possível participar dos editais de ingresso nos cursos de 2º Ciclo, que são outras graduações profissionalizantes.

CURSO SUPERIOR

No segundo processo seletivo para o Curso Superior de Tecnologia em Produção de Cacau e Chocolate, são 36 vagas. A inscrição pode ser feita até o dia 6 de abril pelo formulário eletrônico. A classificação dos inscritos vai considerar a maior nota obtida nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) dos últimos quatro anos. Quem for selecionado iniciará as aulas no quadrimestre letivo 2023.2, que inicia em 29 de maio.

O Curso Superior em Tecnologia de Produção de Cacau e Chocolates está selecionando integrantes da sua primeira turma, após a criação no segundo semestre de 2022. Metade das 50 vagas previstas foram oferecidas na primeira seleção aberta este ano, voltada para os concluintes do curso técnico em Agroindústria do CEEE Nelson Schaun, pelo programa Itinerário Contínuo.

O edital conjunto da Rede CUNI e do CST abre seleção com as 36 vagas restantes, desta vez para o público em geral. Quem for selecionado e matriculado já começará as aulas no Campus Jorge Amado, no segundo quadrimestre letivo do ano. Acesse aqui para fazer a inscrição.

O CST em Produção de Cacau e Chocolate está vinculado ao Centro de Formação em Ciências Agroflorestais (CFCAF). Essa combinação permite a formação de trabalhadores especializados e com acesso a pesquisadores e professores doutores em diferentes campos de conhecimento, principalmente das áreas agronômica e de alimentos.

Ainda há vagas no Caic Jorge Amado, no bairro Jardim Primavera || Foto Pedro Augusto
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A Secretaria de Educação de Itabuna informou, nesta terça-feira (14), que ainda existem 2.500 vagas remanescentes na rede municipal de ensino, principalmente no segmento da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O município matriculou cerca de 18 mil alunos nas 89 unidades escolares das zonas urbana e rural. As matrículas podem ser feitas até 30 dias após o início do ano letivo, que está programado para o dia 2 de março.

O diretor do Departamento de Planejamento, Pesquisas e Informações Gerenciais (DPPIG) da Secretaria de Educação, Waldeck Luz, afirmou que até o último dia 3 de fevereiro as matrículas estavam acontecendo em 10 postos informatizados. A partir de agora, seguem em todas as escolas municipais, desde que haja vagas.

Waldeck Luz disse que os pais e/ou responsáveis podem buscar atendimento na Secretaria de Educação de Itabuna que, por meio do DPPIG, encaminhará o estudante para ser matriculado na escola mais próxima de sua residência, que ainda disponha de vagas. No entanto, adiantou que todas as vagas já foram preenchidas em escolas como Instituto Municipal de Educação Aziz Maron (IMEAM) e Flávio Simões. Essas unidades atuam no segmento dos anos finais (6º ao 9º ano) do Ensino Fundamental.

O diretor informou ainda que outro segmento que não dispõe mais de vagas é o de creches. Entre as escolas com vagas está o Centro de Atenção Integral à Criança (CAIC Jorge Amado), no bairro Jardim Primavera. A unidade oferece vagas para para anos iniciais do Ensino Fundamental (6 º ao 9º ano). O prazo final de registro de matrículas é dia 10 de abril.

Mas a matrícula dos alunos do segmento da Educação de Jovens e Adultos (EJA) pode ser feita no período noturno, das 18 às 20h, de segunda a sexta-feira.

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Na viagem de avião, Ferreirinha foi me contando-repetindo todas as suas peripécias sexuais, a ponto de eu me perguntar se ele teria coragem de dizer tudo aquilo no programa.

 

Daniel Thame

No início da década de 90, então no vigor dos seus 80 anos, Ferreirinha ficou mundialmente conhecido após se casar com a estudante Iolanda, nos seus tenros 15 anos. Foi tema de reportagens em jornais de todo o planeta e concedeu uma entrevista antológica no programa Jô Onze e Meia, no SBT, onde foi triunfalmente apresentado por Jô Soares como o “Garanhão de Itabuna”.

A entrevista com Jô, que levou seu monumental talento para a eternidade, foi acertada após o envio de um exemplar do Jornal A Região por Manoel Leal à produção do programa. O jornal, à época vivendo seu auge, foi o responsável pela divulgação inicial da insólita união.

Como Ferreirinha, já passando os 80 anos e com Yolanda batendo o pé e se negando a acompanhar o esposo, coube a este jornalista (então editor de A Região), levá-lo a São Paulo.

Antes de viajar, Leal comprou uma camisa florida (estilo Jorge Amado) para usar no programa e orientou que se Jô Soares perguntasse o segredo da propalada potência sexual, a reposta era: “muito suco de cacau”.

Na viagem de avião, Ferreirinha foi me contando-repetindo todas as suas peripécias sexuais, a ponto de eu me perguntar se ele teria coragem de dizer tudo aquilo no programa.

Disse e levou Jô Soares e a plateia (composta majoritariamente por estudantes) às gargalhadas, imitando o famoso gesto da posição “receba, galinha”, a sua preferida, antes das núpcias com Yolanda, bem entendido.

Diante de um Jô Soares surpreso com tanta desenvoltura e todos os presentes à gravação encantados com aquele senhor com jeito de menino sapeca, Ferreirinha confirmou que o segredo de levar a jovem esposa à exaustão a ponto de que era ela e não ele quem pedia para parar os arrufos na cama, era mesmo o tal suco de cacau.

Foi o suficiente para Jô Soares pedir: “atenção meus amigos do sul da Bahia, me mandem vários pacotes de suco de cacau!”

Por obra e graça (coloca graça nisso!) de Jô Soares, Ferreirinha ficou conhecido como “O Garanhão de Itabuna”, título do qual se orgulhava e procurava manter, sempre se vangloriando de seus “dotes garanhísticos”, até falecer (lúcido e bem humorado), aos 99 anos, cercado pelo amor de Iolanda do dos familiares.

A entrevista foi um sucesso tão estrondoso que foi repetida entre as melhores do ano. Ferreirinha só não pode usar a camisa amadiana, porque como o voo atrasou, fomos levados diretamente para o estúdio. Durante a entrevista (sem imaginar que a gravação já estava valendo), Ferreirinha dizia a um Jô atônito que precisava vestir a camisa que Leal lhe deu.

Manoel Leal, Ferreirinha, Jô Soares. Deus deixa o céu mais habitável. E esse planetinha tão judiado pelo homo (sic) sapiens cada vez mais pobre de personagens dessa dimensão.

Daniel Thame é jornalista e escritor.

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Nos discursos, tudo resolvido, solucionado, com o excelso poder da caneta governamental em portarias, decretos, leis e medidas provisórias.

 

Walmir Rosário

A cacauicultura, que já teve a primazia de ser a principal matriz econômica do sul da Bahia, sempre andou de mãos dadas com os políticos, com troca de favores em determinados períodos, estes nem sempre cumpridos. E às vezes os políticos tinham razão, haja vista que os esperados votos barganhados nunca apareciam nas urnas conforme os totais aprazados.

Nas cidades do sul da Bahia sempre foi costumeira a dispersão dos votos para quase todos os candidatos – dos vários partidos –, não importando de que regiões venham e quais os compromissos assumidos com as causas regionais. Era um suplício para os comunicadores verificarem as listas da apuração dos votos, dado ao número de candidatos a deputados – estadual e federal – que foram sufragados nas urnas.

E não era nenhuma novidade para nenhum deles na promoção das chamadas “casadinhas” que, se não rendiam votos regionais suficientes para conferir um mandato, pelo menos ajudavam. Políticos e eleitores da casa sempre reclamaram dessa prática, mas o hábito nunca mudou, se transformando apenas em meras reclamações dos perdedores, inconformados com a falta de votos.

E entre tapas e beijos esses relacionamentos conflituosos continuam como costume a ser seguido, pois o bom mesmo é que pinguem os votos nas urnas de todo o estado da Bahia, não importando onde. Eleitos, quando cobrados a honrarem as promessas feitas durante a campanha eleitora, simplesmente dizem não terem o que fazer, pois não foram votados maciçamente, não lhes conferindo poder para brigar em Salvador e Brasília.

Bem, mas essa é só uma pequena parte dos conflitos pós-eleitorais dos deputados sem o prestígio suficiente junto aos governos do estado e federal, ou sem a devido relacionamento com a poderosa mídia. Outros políticos que detêm esses poderes vão além e fazem as coisas acontecerem com mais “barulho”, pois sabem como encaminhar os pedidos, os pleitos de anos sem qualquer solução.

O mundo do cacau é diferente de outras regiões, pois sempre foi rico (ou pelo menos considerado), se preocupando em ganhar dinheiro, deixando a complicada arte da política para os novos amigos da capital ou outras regiões. Tanto é assim que poucas lideranças conseguem se eleger com os votos do sul da Bahia. Muitos dos que já foram precisaram das “casadinhas” com candidatos de outras regiões, com raríssimas exceções.

E desde que existe eleição não é segredo que as contas de chegar dos votos nunca enganaram as duas partes: o político faz de conta que acredita nos votos prometidos e a liderança engana na contrapartida. Muitos destes se contentam apenas sair nas fotos em que fazem com os candidatos, como demonstração de poder, ser “o amigo do rei”, jactando-se serem da cozinha de tais deputados ou autoridades.

Nada mais falso, a exemplo de uma cédula de três reais. E por que se submetem a esse tipo de relacionamento promíscuo? As vantagens advindas do que não está escrito ou pactuado entre eles. Em conversa com alguns políticos ao longo dessas várias décadas de militância na comunicação, ouvi bastante que a política é a arte de ser sabido, pois só assim é que conseguiram se eleger.

E vários diziam abertamente que defender as causas da cacauicultura não daria o resultado esperado na urnas, embora pudessem estar constantemente na mídia regional, estadual e nacional. E não é por menos, já que o cacau não é somente uma importante commodity e sim o fruto emblemático das histórias contadas pelo escritor itabunense Jorge Amado, com ou sem a ideologia.

Marketing melhor não há do que as entrevistas nas emissoras de rádio, televisão, jornais e redes sociais com a cobrança das providências junto às autoridades competentes, apresentando uma extensa lista de reivindicações. E tome-lhe pedido de providências, discurso inflamado no plenário vazio, encontro com ministros, todos devidamente com a cobertura da mídia, para a prestação de contas aos futuros eleitores.

Alguns, até, conseguem furar a agenda presidencial e programam viagem com o presidente da República e ministros à Ceplac, com promessas de soluções importantes e imediatas. Para delírio da população, fotos e imagens televisivas mostram as autoridades examinando pés de cacau infestados por vassoura de bruxa, e cacaueiros sadios, cujos frutos são quebrados na hora para o deleite do paladar de nossas autoridades.

Nos discursos, tudo resolvido, solucionado, com o excelso poder da caneta governamental em portarias, decretos, leis e medidas provisórias. Enquanto não chega a eleição a papelada tramita em Salvador e Brasília, enquanto as notícias ocupam grande espaço na mídia. Mas como não querem nada, os burocratas tomam todas as providências necessárias para que fiquem emperradas, no esquecimento, logo após a eleição.

O que não se faz para conseguir votos…

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

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A Universidade Federal do Sul da Bahia confirmou, hoje (3), para a próxima sexta-feira (6) a inauguração do Campus Jorge Amado, em Ilhéus. Prevista para começar às 14h30min, a cerimônia deve contar com a presença de autoridades regionais, estaduais e federais. Os convidados devem acessar às dependências do Núcleo Pedagógico e do Núcleo de Vivência e Gestão Acadêmica do Campus pela entrada principal da Ceplac, às margens da Rodovia Ilhéus-Itabuna (BR-415).

As obras do novo campus, composto pelo Núcleo Pedagógico, Núcleo de Vivência e Gestão Acadêmica e infraestrutura em geral, foram licitadas em editais de 2015 e 2017 e contou com termos aditivos. O investimento foi de cerca de R$ 61 milhões.

Além dos prédios e drenagem, o montante foi investido em estruturas como a guarita de entrada do campus, vias locais de acesso para veículos, vias de acesso para pedestres e ciclovias, estacionamento, bicicletário, vestiário externo, jardins, bosques e praças e os edifícios para a área administrativa (Núcleo de Gestão Acadêmica e Vivência) e a área pedagógica (Núcleo Pedagógico).

MAIS SOBRE A ESTRUTURA

Projetado em 2015, o Núcleo Pedagógico possui cerca de 6 mil metros quadrados e três pavimentos, com fundação para mais dois. A edificação contempla 24 salas de aula, um miniauditório e 7 laboratórios de ensino multidisciplinares. Esses espaços vão atender os cursos de Primeiro Ciclo de Formação (Bacharelados e Licenciaturas Interdisciplinares) em Ciências, Humanidades e Artes.

A unidade atenderá ainda os cursos do Segundo Ciclo de formação profissional em duas áreas: Engenharias (Engenharia Ambiental da Sustentabilidade; Engenharia de Transportes; Engenharia Sanitária; Engenharia Florestal; Engenharia Agrícola e Ambiental e Engenharia de Aquicultura) e Ciências Sociais (Políticas Públicas; Mídia e Tecnologia e Produção Cultural).

Projetado em 2017 para atender a demanda da área administrativa, com diversas salas para atendimento aos docentes e dicentes, o Núcleo de Vivência e Gestão Acadêmica é uma edificação térrea. O prédio tem fundação para mais um pavimento e cerca de 4.105 metros quadrados. As instalações incluem salas para atendimento na área administrativa, almoxarifados e banheiros.

No local há também espaço para futuro restaurante, lanchonete; sala dos diretórios estudantis, saguões centrais de circulação/espaço interativo para exposição de artes, dança, performances e trabalhos acadêmicos. A Reitoria da UFSB continuará funcionando no prédio do antigo fórum Ruy Barbosa, em frente à Praça José Bastos, no centro de Itabuna.

Obras do campus Jorge Amado serão concluídas no primeiro semestre
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A Diretoria de Infraestrutura da Pró-reitoria de Planejamento de Administração (Dinfra/Tropa) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) anunciou novos prazos para a conclusão das obras dos campi de Jorge Amado, em Itabuna, e Paulo Freire, em Teixeira de Freitas. Pelo novo cronograma apresentado na quarta-feira (15), o campus de Itabuna será concluído em março do próximo ano.

Com 60 mil metros quadrados de área construída, o Jorge Amado tem 79,48% das obras concluídas. O campus deveria ser entregue em dezembro do ano passado, mas os cortes nos repasses pelo Governo Federal comprometeram o cronograma. Por causa da falta de recursos, as obras ficaram seis meses paradas em 2019 e foram retomadas em fevereiro do ano passado.

As obras incluem serviços como de macro e micro drenagem, sistema viário, pavimentação, abastecimento e tratamento de água, estação de tratamento de esgoto com separação das águas residuárias, cobertura em painéis fotovoltaicos para os edifícios, paisagismo com espécies da Mata Atlântica, rede de energia elétrica, iluminação pública, cabeamento estruturado (dados e telefonia), subestação primária e subestação secundária.

De acordo com o projeto, no Campus Jorge Amado, serão instalados o Instituto de Humanidades, Artes e Ciência e Centros de Formação em Tecnociência e Inovação e Agroflorestais, Núcleo Pedagógico, edifício de salas de aulas e laboratórios; Núcleo de Vivência e Gestão Acadêmica, que abrigará a coordenação do campus e o corpo docente, além de áreas de convívio social.

CAMPUS DE TEIXEIRA DE FREITAS

As obras do campus Paulo Freire, em Teixeira de Freitas, no extremo-sul da Bahia, estão ainda mais atrasadas que as do Jorge Amado. Por lá, somente 56,08% do prédio foi concluído até agora. A previsão é que o campus seja concluído em novembro do próximo ano. O prédio está sendo erguido numa área de 9 mil metros quadrados.

Os trabalhos incluem serviços de terraplenagem, rede elétrica, subestações, sistemas eletrônicos, cabeamento estruturado, macro e micro-drenagem, pavimentação, abastecimento e distribuição de água e energia fotovoltaica, que permitirá a redução dos custos na conta energia elétrica.

Isaquias faz o Kamehameha no pódio de Tóquio || Foto Franck Robichon/EFE
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Thiago Dias

Quem visita a Casa de Cultura Jorge Amado, em Ilhéus, vê artigos que pertenceram ao escritor. Lá estão uma máquina de escrever Olivetti, livros, móveis e camisas com estampas florais. Uma das camisas é da marca Kamehameha e foi fabricada no Havaí, segundo a etiqueta da peça. Quando a vi, lembrei do canoísta ubaitabense Isaquias Queiroz. Para receber sua medalha de ouro nos Jogos de Tóquio, ele subiu ao pódio reproduzindo um gesto marcial do anime Dragon Ball, o Kamehameha.

Kamehameha, segundo a Wikipédia, também é o nome do rei que unificou os domínios das ilhas havaianas. Daí a referência na marca da camisa de Jorge. Já em Dragon Ball, Mestre Kame vive numa ilha do Oceano Pacífico, na companhia de uma tartaruga (kame, em japonês). É ele quem ensina o Kamehameha ao protagonista da história, o carismático Goku.

Camisa da marca Kamehameha exposta na Casa de Cultura Jorge Amado, em Ilhéus

Dragon Ball condensa elementos de diversas narrativas míticas, como a do gênio da lâmpada mágica (representado pelo dragão Shenlong) e a transformação dos saiayjins (povo do planeta Vegeta, onde Goku nasceu) no gigante Oozaru, que remete ao mito do lobisomem, especialmente por causa da relação com a lua cheia. Essa mistura deve ter favorecido o sucesso planetário e longevo da história, cuja primeira publicação data de 1984. Outro elemento central, naturalmente, é o carisma do protagonista.

Isaquias tem a mesma simplicidade carismática de Goku, sem falar na força, mas as semelhanças param aqui. Não há magia nas mãos do canoísta, e os treinos dolorosos de Goku são fictícios.

Na final olímpica da canoagem rápida, a explosão muscular que garantiu a média acima de 64 remadas por minuto, impulsionando a canoa brasileira para a vitória, foi o resultado de uma longa preparação, com dois ciclos olímpicos no caminho. Em mais de uma ocasião, entrevistado em Tóquio, Isaquias falou do quanto é doído manter o ritmo veloz e forte da remada. Com o perdão da cacofonia, herói mesmo é o Goku de Ubaitaba, que recebe a visita do filho ilustre neste sábado (14).

Thiago Dias é repórter e comentarista do PIMENTA.

Confira a programação cultural de Ilhéus no dia em que Jorge Amado completaria 109 anos || Foto PIMENTA
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Se estivesse vivo, o escritor Jorge Amado completaria 109 anos de idade nesta terça-feira (10). Para celebrar a data, a Prefeitura de Ilhéus organizou uma programação especial, com intervenções artísticas.

A pintora Jane Hilda Badaró reeditou a exposição “Bahia de Jorge e outros amados mundos”, aberta ao público desde às 9 horas da manhã de hoje, no Teatro Municipal. Depois, às 10 horas, os Djs Bruno Vita e Fábio Tihara, do coletivo Afropanguas, se apresentaram em frente à Casa de Cultura Jorge Amado.

Logo mais, a partir das 16h30min, os músicos Itassucy, Edity, Herval Lemos, Délio Santiago, Edu Neto e Laís Marques vão dar um show no palco da comemoração, montado em frente ao Teatro Municipal.

Grupo de capoeira se apresenta em frente à Casa de Jorge Amado || Foto Eufrasio Pereira Junior

Grupos de capoeira, a contadora de histórias Mirian Oliveira e os grupos Batuka Gegê e Maktub também vão marcar presença na celebração da memória do escritor.

RUY PÓVOAS E GERALDO LAVIGNE FALAM SOBRE A OBRA DE JORGE AMADO

À noite, a partir das 18 horas, a Academia de Letras de Ilhéus vai promover a live “A obra de Jorge Amado”, com mediação do escritor e professor Ruy Póvoas e do poeta Geraldo Lavigne. A transmissão será pelo Instagram (@academiadeletrasdeilheus).