Fraude no INSS derruba ministro da Previdência || Foto Lula Marques/ABr
Tempo de leitura: 3 minutos

O ministro da Previdência, Carlos Lupi, acertou sua saída do cargo, nesta sexta-feira (2), após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Em seu lugar, o Palácio do Planalto anunciou ex-deputado federal Wolney Queiroz, atual secretário-executivo da pasta. O agora ex-ministro, que é presidente nacional do PDT, anunciou a saída do governo em uma postagem nas redes sociais.

“Tomo esta decisão com a certeza de que meu nome não foi citado em nenhum momento nas investigações em curso, que apuram possíveis irregularidades no INSS. Faço questão de destacar que todas as apurações foram apoiadas, desde o início, por todas as áreas da Previdência, por mim e pelos órgãos de controle do governo Lula. Espero que as investigações sigam seu curso natural, identifiquem os responsáveis e punam, com rigor, aqueles que usaram suas funções para prejudicar o povo trabalhador”, escreveu Lupi.

Segundo o Planalto, a exoneração de Lupi e a nomeação de Wolney serão publicadas ainda nesta sexta em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). A troca no comando do Ministério da Previdência ocorre uma semana após a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagrarem uma operação conjunta que apura um suposto esquema de descontos não autorizados de mensalidades associativas em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A investigação aponta que as irregularidades começaram em 2019, durante a gestão de Jair Bolsonaro, e prosseguiram nos últimos anos.

“Continuarei acompanhando de perto e colaborando com o governo para que, ao final, todo e qualquer recurso que tenha sido desviado do caminho de nossos beneficiários seja devolvido integralmente. Deixo meu agradecimento aos mais de 20 mil servidores do INSS e do Ministério da Previdência Social, profissionais que aprendi a admirar ainda mais nestes pouco mais de dois anos à frente da Pasta. Homens e mulheres que sustentam, com dedicação, o maior programa social das Américas”, prosseguiu Carlos Lupi.

MUDANÇAS NO INSS

O caso já havia resultado na exoneração do então presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, e no afastamento de quatro dirigentes da autarquia e de um policial federal lotado em São Paulo.

Deputados de oposição protocolaram, na última quarta-feira (30), um requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os sindicatos envolvidos na fraude do INSS. Pressionado pela oposição, Lupi chegou a prestar depoimento durante sessão da Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família, também da Câmara dos Deputados, realizada na terça-feira (29), mas sua permanência à frente da pasta acabou ficando insustentável.

A PF informou ter reunido indícios da existência de irregularidades em parte dos cerca de R$ 6,3 bilhões que a cobrança das mensalidades associativas movimentou apenas entre 2019 e 2024. Nos dias seguintes, a CGU e o próprio INSS tornaram públicos os resultados de auditorias realizadas desde 2023, que também apontavam inconsistências e problemas relacionados ao tema.

SUSPENSÃO E DEVOLUÇÃO

Logo após a deflagração da operação da PF, o INSS suspendeu todos os descontos oriundos dos acordos com as entidades. Para reaver o dinheiro retroativo aos anos anteriores, a Advocacia-Geral da União (AGU) montou um grupo para buscar a reparação dos prejuízos. Esse grupo se reuniu na tarde desta sexta, na sede da AGU, envolvendo o próprio advogado-geral da União, Jorge Messias; o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção e o novo presidente do INSS, nomeado há dois dias.

Na última quinta-feira (30), em pronunciamento nacional por ocasião do Dia do Trabalhador, Lula prometeu que os prejudicados serão ressarcidos. Informações d´Agência Brasil.

Andrea Mendonça deixa governo de Bruno Reis
Tempo de leitura: < 1 minuto

Membro da Executiva do PDT baiano, Andrea Mendonça pediu exoneração do cargo de secretária do Mar de Salvador (Semar) ao prefeito Bruno Reis (União). De acordo com ela, a solicitação foi enviada por meio de carta ao chefe do Executivo.

A saída de Andrea tem a ver com a decisão do PDT baiano de abrir diálogo com o governador Jerônimo Rodrigues e em respeito “à nova missão definida” pelo partido. A conversa de Jerônimo com o PDT estadual será nesta quarta-feira (30).

Andrea disse deixar a Semar com um conjunto de 25 propostas, parte delas já incorporadas ao Planejamento Estratégico da Prefeitura, especialmente no eixo da Economia do Mar.

– Essa interlocução reafirma o compromisso do partido com Salvador e com o fortalecimento de políticas públicas transformadoras – afirmou Andrea, que também já foi secretária estadual da Agricultura, presidente da Junta Comercial da Bahia (Juceb) e vice-presidente nacional dos Correios.

Ivana Bastos, ao centro, aponta benefícios da Escola Legislativa || Foto Divulgação
Tempo de leitura: < 1 minuto

A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Ivana Bastos (PSD), assinou convênio de cooperação técnica para levar a Escola do Legislativo às câmaras municipais dos 417 municípios do Estado. A intenção é levar a experiência da Escola da Alba para os municípios, ajudando na aproximação entre as câmaras e os diversos segmentos da sociedade.

– A Escola do Legislativo, comandada por Fernanda Guedes, é uma experiência muito exitosa na ALBA – afirma Ivana, para quem a iniciativa contribui para estimular a participação política e exercermos, de fato, a cidadania e o fortalecimento da democracia.

O convênio com a União dos Vereadores da Bahia (UVB) conta com a anuência do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e do Instituto Anísio Teixeira (IAT).

Para Ivana, a grande vantagem dos acordos hoje assinados é a capacidade de compartilhar experiências e conhecimentos entre a ALBA e os vereadores e vereadoras da Bahia. “A política rege as nossas vidas e tudo começa na Câmara Municipal. Aqui temos a UVB representando esse grande exército da política”, disse.

A Escola Legislativa, aponta, pode atuar na formação dos vereadores. “Muitas vezes o vereador, vereadora, é um grande líder político, mas lhe falta formação, conhecimento técnico. Por isso, precisamos capacitar e termos, cada vez mais, melhores gestores. Vamos fazer o maior esforço possível para chegar a todos os legislativos presentes nos 417 municípios da Bahia”.

O convênio é um acordo de cooperação técnica, científica, cultural e de intercâmbio de conhecimentos, com o objetivo também de formar, aperfeiçoar e especializar o quadro de pessoal, tanto da UBV, quanto da Assembleia, por meio da Escola do Legislativo, dirigida por Fernanda Guedes.

Alcides Kruschewsky escreve sobre o papel do turismo ilheense nas Eleições 2026 || Foto PIMENTA
Tempo de leitura: 3 minutos

 

Assim como o país, o eleitorado da nossa cidade está dividido. O centro menos radical, menos ideologizado e mais apartidário, levará a vitória para um lado ou outro. É aí, a depender de resultados concretos, como já opinei, que a disputa será decidida.

 

 

Alcides Kruschewsky Neto

Digo sempre, e não me refiro ao atual governo municipal, que está começando: “Todos se elegem destacando o turismo como potencial e prioridade. Depois colocam o turismo na “prateleira” e o discurso passa a ser o porquê não conseguem fazer: as dificuldades, precatórios, dívidas que consomem as receitas, custeio da máquina, etc”. Essa tem sido a prática.

O último governo local teve sobrevida graças aos investimentos do governo estadual: Hospital da Costa do Cacau, Maternidade, Policlínica, Saneamento Zona Sul, Nova Ponte e duplicação do início da Rodovia Ilhéus-Olivença, principalmente, dos quais extraiu dividendos eleitorais. Mas, no final, o desgaste deixava claro que não conseguiria fazer o sucessor.

Por sua vez, também, o governo estadual cometeu dois erros crassos deixando duas importantes obras paralisadas que afetaram a imagem e o funcionamento da cidade: a continuação da duplicação da Orla Sul (com o embate com os cabaneiros) e o fechamento do canal de esgoto da Avenida Lindolfo Collor, Central de Abastecimento, no Malhado.

Ambas prejudicaram não apenas os comerciantes que ali laboram, mas a população e a mobilidade da cidade como um todo, transformando o sul e as imediações da Central de Abastecimento num caos, com grandes prejuízos e até falências de comerciantes. Caso as obras estivessem em andamento por ocasião das eleições o resultado seria outro, haja vista a diferença entre o candidato eleito e a segunda mais votada.

Com 1.300 votos migrados de um candidato para o outro, a vitória mudaria de mãos. A isso somaram-se outros erros menores e também acertos da coligação vencedora, que foram consolidando a pequena diferença a favor do prefeito eleito.

Portanto, existem fatores que vão impactar a decisão do eleitor ilheense nas próximas eleições, decisivamente. Ainda, ambas as obras citadas, seu prosseguimento e conclusão, terão grande influência no eleitorado, podendo ser “fatal”. Mas, também, o desempenho do governo municipal até lá é outro fator variável de grande influência. Se, por exemplo, a administração municipal captar um grande investimento somará pontos importantes. E se esse investimento for na área turística poderá ampliar o acerto.

As promessas do possível candidato do União Brasil, ACM Neto, têm dois gumes. Por um lado, ele evidencia deficiências estruturais de Ilhéus e se compromete a resolver, se eleito; por outro, dá ao governo estadual a chance de suprir tais deficiências, concretamente, ainda a tempo para as eleições.

Qual será a decisão do governador Jerônimo Rodrigues? Deixar as obras abandonadas, não acrescentar outras soluções como a demanda por uma nova Central de Abastecimento e não se limitar apenas à duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna, e com isso modificar a satisfação do ilheense? Ou irá apostar no que já tem, com o que disputou as eleições municipais, e no conteúdo apenas discursivo e político, onde entra o turismo, para tentar convencer o público a votar nos seus candidatos e na sua reeleição?

O provável candidato, ACM Neto, como oposição, só pode prometer, vender sonhos. Embora outras questões, o inusitado ou o imponderável possa acontecer, acho que esses são questionamentos chave para influenciar as decisões de cada um e formar maioria para as próximas eleições.

Assim como o país, o eleitorado da nossa cidade está dividido. O centro menos radical, menos ideologizado e mais apartidário, levará a vitória para um lado ou outro. É aí, a depender de resultados concretos, como já opinei, que a disputa será decidida.

O setor turístico, daqui até lá, vai chegar às suas conclusões. A meu ver, o desenvolvimento do turismo não sensibiliza apenas o Trade, aqueles que têm no segmento suas atividades econômicas, mas grande parte dos eleitores que veem nesse quesito a forma mais rápida de retorno dos investimentos na geração de resultados como emprego e renda. Esses são os votos influenciados pelo desempenho dos governos nesse setor. É só olharmos há quantos anos esperamos a Fiol e o Porto Sul, para deduzirmos que haverá mais pragmatismo na decisão do ilheense. Portanto, a influência do turismo nessa decisão terá um peso mais ou menos importante, na medida em que dermos mais peso e importância às demandas do setor e fizermos repercutir possíveis conquistas na opinião da sociedade.

Quem resolver melhor essa equação e trouxer o turismo encabeçando as prioridades dará um passo decisivo para colocar a mão na “taça”! Mas não vamos pagar sonhos, mas ações!

Alcides Kruschewsky Neto é presidente da Associação de Turismo de Ilhéus (Atil).

Gestão orienta empresa a manter ônibus exclusivos para o transporte escolar || Foto João Vitor/Ônibus Brasil
Tempo de leitura: 2 minutos

A Prefeitura de Ilhéus voltou a se manifestar sobre o início das medidas emergenciais adotadas no transporte público e reconheceu, em nota, que a empresa Dzset transportou, de forma simultânea, alunos da rede municipal e passageiros beneficiados pela gratuidade temporária concedida a oito comunidades rurais.

Terceirizada do transporte escolar no município, a Dzset assumiu, provisoriamente, oito linhas rurais antes cobertas pela Viação São Miguel, que teve se contrato de concessão encerrado no domingo (13). De acordo com a gestão, a parceria prevê que os ônibus só poderão ser empregados no transporte da população em geral fora do horário em que atendem aos alunos das escolas municipais, regra violada no primeiro dia da operação temporária, nesta segunda-feira (14).

“Diante do fato, a gestão municipal orientou imediatamente a empresa Dzset a seguir os critérios estabelecidos na parceria, que determina o uso exclusivo dos veículos para o transporte escolar nos horários das aulas”, informou a Prefeitura. A parceria não tem custo adicional, conforme esclarecimento do governo (veja mais aqui).

A Prefeitura acrescentou que permanecerá atenta à operação para assegurar o cumprimento das regras estabelecidas e garantir o atendimento aos usuários do serviço público. Leia a nota na íntegra.

Nota Oficial sobre o transporte coletivo nos distritos

A Prefeitura de Ilhéus informa que tomou conhecimento da ocorrência de transporte conjunto de estudantes e adultos em ônibus escolares, nesta segunda-feira (14), em algumas comunidades da zona rural.

Diante do fato, a gestão municipal orientou imediatamente a empresa DZSET a seguir os critérios estabelecidos na parceria, que determina o uso exclusivo dos veículos para o transporte escolar nos horários das aulas. Somente após o atendimento completo aos estudantes, os ônibus devem ser disponibilizados para o transporte da população em geral.

A gestão continuará acompanhando a operação, que ocorre em caráter extraordinário, para assegurar o cumprimento da parceria e garantir o atendimento à população.

Marão e Neto: deputado confirma ingresso do ex-prefeito no Avante || Foto Divulgação
Tempo de leitura: < 1 minuto

O ex-prefeito de Ilhéus Mário Alexandre acertou sua entrada no Avante, segundo informou o deputado federal Neto Carletto. O parlamentar também acabou de chegar no partido, que, na Bahia, é presidido pelo ex-deputado federal Ronaldo Carletto, tio de Neto.

Segundo Neto, ainda não está definido se Marão, como o ex-prefeito é conhecido, será candidato a deputado federal ou estadual. “Mas, o fato é que foi firmado um compromisso com o partido [Avante], e a gente vai caminhar junto”, disse o deputado, neste sábado (12), em entrevista ao Programa Frequência Política, da Rádio Difusora Sul da Bahia.

Prefeito por dois mandatos consecutivos, de 2017 a 2024, Marão fez sua trajetória política no PSD, mesma legenda de sua mãe, a ex-deputada estadual Ângela Sousa. Nas eleições de 2024, o então prefeito bancou a candidatura do ex-secretário municipal Bento Lima a prefeito de Ilhéus, contrariando recomendação do presidente estadual do PSD, o senador Otto Alencar (relembre).

Sem papel definido para as eleições do próximo ano, a tendência é de que o ex-prefeito seja candidato a deputado estadual no lugar da esposa, a deputada estadual Soane Galvão, também do Avante.

Prefeita de Ubaitaba, Gracinha Viana faz balanço dos 100 dias de governo
Tempo de leitura: < 1 minuto

A prefeita de Ubaitaba, Gracinha Viana (Avante), fez um balanço positivo dos 100 primeiros dias de governo. A gestora afirma ter encontrado o município em situação delicada com muito lixo e entulho nas ruas, frota sucateada, ausência de serviços públicos básicos e a infraestrutura dos prédios públicos em situação preocupante em 1º de janeiro.

– Encontramos um cenário de dificuldade, mas não perdemos tempo e, junto com a nossa equipe, fomos priorizando ações e dando respostas à comunidade. Acreditamos que a cidade já respira novos ares, com novos investimentos, mas que ainda precisa avançar e por isso estamos construindo ações e iniciativas diariamente – disse a gestora.

Dentre as ações e investimentos, Gracinha aponta o pagamento do Piso dos Professores, disponibilização de dois ônibus para os estudantes universitários, Festa da Padroeira, estruturação da segurança pública, manutenção das estradas vicinais e criação da Secretaria de Desenvolvimento Rural Sustentável. Ainda elenca a aquisição de ônibus escolar, realização de Feira de Saúde, parcerias com o Sebrae, projetos para a juventude no Cras e atualização da regulação na saúde.

– Já fizemos muito, mas sabemos da responsabilidade de continuar trabalhando. Por isso, além das ações com recursos próprios, estamos firmando parceria com o Governo do Estado e buscando emendas junto aos nossos deputados para trazer mais investimentos para a nossa cidade. São apenas 100 dias, e podem esperar que faremos muito mais – disse Gracinha.

Justiça determina prisão preventiva de Guilherme da Vila Baiana || Foto Instagram/Reprodução
Tempo de leitura: < 1 minuto

Foi parar na Justiça e resultou em caso de polícia a briga familiar envolvendo o empresário Guilherme Tacini Ibanes Serra, conhecido como Guilherme da Vila Baiana, candidato derrotado à Prefeitura de Itacaré em 2024 pelo União Brasil. O juiz Daniel Álvaro Ramos, da Comarca de Uruçuca, que abrange o município de Itacaré, decretou a prisão preventiva de Guilherme após denúncia de ameaças e agressão à mãe dele, que, informa o juízo, encontra-se hospitalizada.

O empresário é acusado de atos de violência física, psicológica, moral e patrimonial, conforme a denúncia. As agressões teriam se intensificado depois da derrota eleitoral do empresário, que ficou em terceiro lugar na disputa pelo comando do município sul-baiano em 2024.

Havia uma medida protetiva solicitada que foi desrespeitada pelo empresário. “No caso dos autos há indícios de descumprimento deliberado da medida protetiva, acarretando na internação da vítima que se encontra hospitalizada, a princípio em função de abalo psicológico desencadeado pelas ameaças e comportamento agressivo do filho”, observou o magistrado. A prisão foi determinada com base na Lei Maria da Penha. O empresário e sua defesa não foram localizados para comentar a ordem de prisão.

Acossado até pelos aliados, ACM Neto anuncia visitas ao interior no final de maio || Reprodução TV Bahia
Tempo de leitura: < 1 minuto

Duramente criticado nas últimas semanas por aliados e ex-correligionários pela frieza no trato político, ACM Neto (UB) resolveu reagir e acaba de anunciar série de visitas a municípios baianos em uma agenda para se reposicionar com vistas às eleições de 2026. A agenda será aberta a partir do final de maio, por Ilhéus, no sul da Bahia, administrada pelo prefeito aliado Valderico Junior (UB).

– O ano de 2025 vai ser um ano de articulação política, de conversa com os partidos, com as lideranças e prospecção e identificação de potenciais candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados, mas também um ano principalmente de muito diálogo direto com a população e um contato permanente com o cidadão baiano, levando essa mensagem de esperança para o futuro – disse ACM Neto.

O distanciamento de Neto do processo político rendeu críticas de aliados, como o deputado estadaul Paulo Câmara (PSDB) e do primo Luís Eduardo Magalhães, e de ex-aliados, a exemplo do prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Júnior Marabá (PP).

– Figuras do grupo são mobilizadas para atacar aliados, enquanto ninguém parece ter espaço. Ninguém recebe o que deveria ser o mais simples: uma ligação, um espaço na agenda – afirmou Luís Eduardo na crítica direta ao primo ACM Neto.

A última pesquisa confiável sobre a disputa ao governo da Bahia em 2026, da Quaest, mostrou ACM Neto em empate técnico com o governador Jerônimo Rodrigues (PT): 42 a 38 (relembre aqui). Em 2022, Neto largou com vantagem superior a 60 pontos no primeiro turno, mas viu Jerônimo quase levar no primeiro turno. A disputa foi liquidada pelo petista na segunda rodada.

Valderico Junior e ônibus em chamas: incêndio virou símbolo de crise do transporte || Fotos Nadson Carvalho e Redes Sociais
Tempo de leitura: 5 minutos

Com três meses à frente da Prefeitura de Ilhéus, o prefeito Valderico Junior (UB) está diante de uma das decisões mais aguardadas do início do governo. O contrato da Viação São Miguel, concessionária do transporte público, vence no próximo dia 13, e cabe ao prefeito decidir se a empresa merece a renovação da concessão.

No debate público, predominam vozes pelo encerramento do vínculo administrativo, com direito a manifestações em vias públicas e discursos acalorados de vereadores. Uma ou outra voz destoa, lembrando as dificuldades que o extenso território ilheense impõe aos empresários do setor.

Ao PIMENTA, Valderico Junior ressaltou a atenção que tem dado ao transporte, o que o levou a participar de ao menos cinco reuniões com representantes das concessionárias. Nelas, cobrou maior cuidado com a manutenção dos ônibus, que, com frequência, envolvem-se em incidentes por falhas mecânicas e má conservação.

O prefeito reconhece que, até o momento, as empresas São Miguel e Viametro não entregaram as melhorias cobradas pela gestão. “Não está acontecendo”. Apesar de reconhecer os problemas, pondera que não pode agir de maneira impulsiva para decidir se renova ou não o contrato da São Miguel. 

Na entrevista, também falou dos desafios para o início do ano letivo nas escolas municipais, as dificuldades decorrentes do bloqueio de recursos da Prefeitura, o enxugamento da folha salarial da Secretaria de Saúde e a interlocução com o governador Jerônimo Rodrigues e com as secretarias estaduais. Leia.

PIMENTA – Após três meses, qual é a síntese deste início de governo?

VALDERICO JUNIOR – Pegamos o município muito debilitado em todas as áreas. Não havia um serviço em pleno funcionamento. O município também sofre com o endividamento de gestões passadas. Só neste ano, cerca de R$ 30 milhões foram bloqueados. Sem os bloqueios, estaríamos em outro patamar. Esse valor representa, por exemplo, talvez metade dos recursos para [reurbanizar] a Soares Lopes, ou um terço de uma reforma na Central de Abastecimento do Malhado. São valores que poderiam ser investidos em obras estruturantes.

Como o senhor avalia os primeiros meses da nova gestão?

Buscamos melhorar a saúde, área mais demandada pela população. Na comparação de dezembro de 2024 com janeiro deste ano, aumentamos os procedimentos médicos em 67%, usando um quarto do orçamento [do mês anterior]. Estou falando de sair de uma folha de R$ 2 milhões para R$ 480 mil. Na educação, a mesma coisa. A gente passa por um processo seletivo e teve que fazer tudo ao mesmo tempo. [A Prefeitura] estava sem contrato para nada, para reformar colégios, estruturas. Ainda tem colégio necessitando de cadeira e várias outras coisas. Temos que ir pontuando, trazendo a legalidade do processo e parando de dar jeitinho. Tinha muito esse negócio em Ilhéus: dá um jeitinho para resolver isso. E não tem que ser assim. Temos que buscar a formatação que a lei exige para servir à população.

_____

População vai precisar de paciência.

_____

Já é possível destacar resultados positivos?

Estamos correndo para dar certo. Na infraestrutura, o secretário Gabriel Cerqueira é um engenheiro brilhante e tem o desejo de nos ajudar. Nesta semana, começamos a fazer asfaltamento na zona sul e no Iguape. Mas, a população vai precisar de paciência. A gente precisa de manilhas, mas ainda não tem licitação para isso. Temos a necessidade de sete a oito ambulâncias do Samu. Pegamos com duas funcionando e já viabilizamos mais três ambulâncias. Estive com os pais de crianças autistas e informei que encontramos  – e já buscamos – uma van para o transporte escolar dessas crianças. A van foi destinada ao município, via emenda parlamentar, mas estava parada em Salvador há quase um ano. Quando soube, fui buscar na hora, porque um equipamento desse serve à população e já vamos fazer a entrega. Também vamos retomar obras travadas no governo passado, destravando verba parada na Caixa.

Duas obras do Governo do Estado em parceria com o município estão paradas, a cobertura do canal do Malhado e a duplicação da BA-001. A nova gestão alinhou com a Conder e com a Seinfra-BA o que precisa ser feito para retomá-las?

São processos distintos. Nossos secretários e engenheiros já estiveram na Conder. Fiz questão de estar presente nessa reunião para demonstrar que estamos tratando de gente, de gestão e não de política. Mostramos que o prefeito está muito interessado que a obra seja finalizada. Identificamos inconsistência no uso dos recursos da obra do Malhado [pelo governo anterior]. O município vai ter que prestar conta da gestão passada. O município já recebeu mais do que executou em obra. As medições estão atrasadas. Na zona sul, a segunda etapa da duplicação da BA-001 é de gerência total do Governo do Estado e a gente tem cobrado, insistentemente, o retorno da obra, até para não prejudicar mais um verão. Vamos fazer de tudo para resolver as duas obras o quanto antes, principalmente a do Canal do Malhado, que prejudica comerciantes e a população de uma forma geral.

_____

Não tenho dúvida de que ele [o governador] poderá fazer um grande trabalho conosco.

_____

O senhor já teve a oportunidade de conversar pessoalmente com o governador Jerônimo Rodrigues?

Não. Estivemos em secretarias, [conversamos com] alguns secretários, já estive com Jusmari [Oliveira, titular da Sedur], que nos recebeu duas vezes. Com o governador, ainda não tivemos a oportunidade. Estou me colocando sempre à disposição para dialogar, porque nós não temos partido nesse momento. Nosso partido é Ilhéus, e essa é minha bandeira.

O governador esteve em Itabuna recentemente e disse ao PIMENTA que essa conversa deve ser agendada para este mês de abril. Tem data marcada?

Não fui comunicado sobre isso. Estou à disposição. Temos feito a nossa agenda, mas, para chegar até o governador, tenho que ter uma pauta muito bem definida e alinhada, porque é assim que deve ser, é o processo. Quero entender primeiro quais os passos que ele pensa para a cidade de Ilhéus. Tenho os nossos pedidos, é claro, não pode ser diferente. Mas, não tenho dúvida de que estaremos em comunicação. Repito, independe de partido, nossa pauta vai ser Ilhéus. Ele tem voto em Ilhéus e nosso grupo também, e a gente quer o melhor para a nossa cidade e a região toda. Não tenho dúvida de que ele poderá fazer um grande trabalho conosco, e cada um sabe o seu papel.

_____

Vou cobrar do estado e do governo federal uma interferência [para a retomada das obras da Fiol].

_____

O senhor teve reunião com representantes da Bamin. O tema foi a paralisação das obras da Fiol?

A empresa veio comunicar ao município a paralisação momentânea da obra e informar que busca um investidor para poder tocar o projeto, que é muito sólido e vai acontecer, não tenho dúvida. Havia a expectativa da venda [do complexo Pedra de Ferro, Fiol e Porto Sul] à Vale, em março, não aconteceu. Por isso, eles estão tirando esses funcionários, metendo o pé no freio, mas continuarão com os projetos ambientais, as contrapartidas e a manutenção [do trecho já construído]. Eu fico triste, porque são de 250 a 300 pais e mães de famílias que vão ficar sem emprego, enquanto a gente precisa que a cidade seja pujante. Me coloquei à disposição e vou cobrar do estado e do governo federal uma interferência, porque a gente não pode deixar um projeto que já tem 60% dos serviços executados ficar parado.

Um assunto incontornável é o transporte público. A decisão de renovar ou não com a concessionária São Miguel já foi tomada? Martelo batido?

O caos do transporte é no Brasil todo. Ilhéus passa por um caos pior. Desde o início da nossa gestão, o município tem cumprido suas obrigações, cuidando das vias urbanas, das estradas rurais. Venho dialogando com as duas empresas. Foram cinco ou seis reuniões com diretores e proprietários, buscando realinhamento e cobrando efetividade. Chegamos ao consenso de que as empresas apresentariam 30 ônibus novos. Não só isso. O compromisso era de mudar tecnologia, ter sinal de wi-fi embarcado e, principalmente, cuidar da frota com a devida atenção, para que a população tenha o serviço prestado. E não é o que está acontecendo. Eu não estou aqui para perseguir ninguém nem para colocar ou tirar alguém. Quero servir da melhor forma à população. Hoje, a maior discussão é sobre o contrato de uma das empresas, que encerra agora no dia 13 de abril. Não posso agir por impulso. Buscamos todos os meios de fiscalizar e cobrar, para que o transporte seja requalificado. A empresa não atendendo, uma ou outra, tomaremos as devidas providências. Estou do lado da população e assim seguirei. Mas, por enquanto, se você me perguntar se está decidido, não está. Está sendo discutido e conversado.

Secretário Adolpho Loyola e a prefeita de Ubaitaba, Gracinha Viana (Avante) em Salvador
Tempo de leitura: < 1 minuto

A prefeita de Ubaitaba Gracinha Viana (Avante) participou, nesta quinta-feira, 27, de uma audiência com o secretário de Relações Institucionais da Bahia (Serin), Adolpho Loyola, em Salvador, para tratar de projetos de infraestrutura do município do sul da Bahia. Também foi discutido patrocínio do Estado para o São João do município, um dos festejos mais tradicionais do estado.

Gracinha considerou a reunião bastante positiva e destacou a ótima relação com o Governo da Bahia. “O governador Jerônimo tem sido um grande parceiro e sensível às demandas de nossa cidade. Temos participado de audiências e solicitado os investimentos necessários”, disse a gestora.

– Adolpho nos recebeu muito bem e sinalizou positivamente sobre o projeto do São João. Também apresentamos projetos importantes em outras secretarias e em breve teremos grandes novidades, que certamente vão transformar a infraestrutura de nossa cidade – afirmou Gracinha.

Bolsonaro durante ato em Copacabana, no Rio de Janeiro || Reprodução Mídia Ninja/Instagram
Tempo de leitura: 6 minutos

 

 

O que é esclarecedor e deve servir como reflexão nesse contexto político que estamos vivendo é que Nós Ainda Estamos Aqui. Eles também continuarão aqui.

 

José Cássio Varjão

No momento em que um punhado de pessoas, desprovidas de erudição, se aglomeram em determinados ambientes públicos para endossar as palavras e as ideias de mentes vazias e, às vezes, sem cognição, que pedem o “esquecimento”, por parte das autoridades, de crimes cometidos por tentativa de ruptura institucional, percebe-se explicitamente que, antes da particular liberdade de escolha de cada brasileiro, está plantada, por parte da elite branca, escravagista, antinacionalista e liberal/econômica, a semente do personalismo político, que teima desde 1930 em nos dividir entre nós e eles, o bem e o mal, de um lado qualquer um, e do outro quem tem nove dedos.

Quando incautas e desocupadas dezoito mil e trezentas testemunhas participam de um cortejo fúnebre, com a devida atenção dispensada ao defunto, e junto dele, seus asseclas, que não irão deixar nem o corpo do finado esfriar, para se apossar do seu espólio eleitoral, constata-se que continuaremos presenciando esse espetáculo dantesco. Ele dá engajamento, dá like e, principalmente, dá recortes distorcidos da realidade, como o da polícia de Claudio Castro, governador do Rio de Janeiro, que estimou essa bizarrice em quatrocentos mil presenciadores.

Os seguidores do irrefletido capitão são pessoas sem discernimento ou autonomia de escolha política, são os mesmos que votaram na UDN, na ARENA, em Fernando Collor, Fernando Henrique, votaram no PSDB, colocaram broche da Ucrânia na roupa, pediram voto impresso e auditável e ainda pedem intervencionismo militar. Nesse caso, por completa falta de entendimento do que foram os atos institucionais, principalmente o AI-5, ou um golpe, dentro do golpe.

Nesse panorama histórico atual, o filme Ainda Estou Aqui, extraído do livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, com mais de 5 milhões de expectadores e com arrecadação de mais de 200 milhões de reais em todo o mundo, não nos deixa esquecer do período cinzento da nossa história, que percorreu um continuum entre as agressões físicas e as prisões, os assassinatos e os desaparecimentos de cidadãos, que só cessaram com a malfadada Lei da Anistia, um acordo entre os poderosos, feito pelo andar de cima da sociedade, convencionado pelas oligarquias que sustentaram o regime, amparadas sob o guarda chuvas da ARENA, que deixou de punir os torturadores, os assassinos e os responsáveis pelos desaparecimentos, como o do ex-deputado Rubens Paiva.

A cultura do país resiste, Ainda Está Aqui, para lembrar que, das mentes brilhantes dos nossos artistas, saíram as vozes dissonantes contra o regime de exceção. Usando de metonímias e anáforas, para construir letras com duplos sentidos e metáforas, Chico Buarque, Adoniram Barbosa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, João do Vale, Ney Matogrosso, entre outros, desafiavam a ditadura brincando com as palavras propositadamente incorretas. Adoniram Barbosa, em Tiro ao Álvaro, usou tauba, automóver, revórver e frechada, para desafiar os censores.

Chico Buarque, para também driblar a censura, criou um heterônimo para a solução do problema e ele se chamava Julinho da Adelaide. O personagem criado por Chico, supostamente, era um compositor de morro carioca que frequentava as páginas policiais. Julinho da Adelaide gravou duas músicas: Jorge Maravilha e Acorda Amor, e ficou tão famoso que, em 7 de setembro de 1974, o escritor Mário Prata (amigo de Chico) fez uma entrevista para o Jornal Última Hora. Os amigos, com o tempo, descobriram, mas os censores não. Os seguidores da turba são semelhantes, às vezes alguns deles não sabem nem o motivo pelo qual estão presentes no aglomerado de pessoas, o importante é estar de verde amarelo, gritar mito e rezar para pneus.

O jornalista Carlos Heitor Cony, imortal da Academia Brasileira de Letras – ABL, preso duas vezes, citava as dificuldades de convivência com a censura, antes e após o AI-5, com o fechamento total da ditadura. “A gente contava com dois fatores, um a favor e um contra. A favor era que os censores eram muito burros e não percebiam certas nuances. Por sua vez, por serem muito burros, às vezes, cismavam com coisas que não tinham nada demais e proibiam uma peça, um artigo ou uma música”.

Uma dessas vozes dissonantes, na plenitude dos seus 82 anos, fez um show apoteótico no Estádio Fonte Nova, em Salvador, no último sábado, dia 15.03.25. Na turnê de despedida da sua gloriosa carreira artística, chamada de Tempo Rei, mais de 40 mil empolgados fãs aproveitaram, por duas horas e trinta minutos, das músicas que marcaram a carreira de 60 anos de Gilberto Gil. Com direito a um estrondoso “Sem Anistia!”, Gil começou sua apresentação cantando Cálice e concluiu com Aquele Abraço.

Composta por Chico Buarque e Gilberto Gil, a música Cálice, lançada há 52 anos, em 1973, teve um impacto profundo e duradouro na MPB, se tornando um símbolo de resistência artística e política, fazendo um trocadilho com a expressão “cale-se”, uma clara referência ao silêncio imposto pelo regime. A letra, repleta de metáforas religiosas (como o cálice da Santa Ceia), criticava indiretamente a repressão e a violência do governo, driblando a censura de forma inteligente. A música se tornou um hino de relutância pacífica, inspirando outros artistas a usarem a arte como forma de protesto. A canção também é um exemplo da sofisticação poética da MPB, combinando elementos religiosos, políticos e sociais em uma letra densa e cheia de significados, sendo frequentemente relembrada em momentos de crise política no Brasil, mostrando que seu impacto transcende o período da ditadura.

Gilberto Gil e Caetano Veloso ficaram presos pela repressão, entre dezembro de 1968 e fevereiro de 1969, em Realengo, no Rio de Janeiro. Foram soltos numa Quarta-Feira de Cinzas com o objetivo, determinado pelos militares, de voltarem a Salvador, fazerem dois shows, para angariar fundos e saírem do Brasil para o exílio. Iriam para Londres. No avião, entre o Rio de Janeiro e Salvador, com um guardanapo e uma caneta na mão, a estrutura de Aquele Abraço saiu do imaginário artístico de Gil para entrar na história da MPB como um símbolo de resistência, de otimismo, de união, alegria e orgulho de ser baiano/carioca, afinal, a Bahia lhe deu “régua e compasso” para lutar contra as adversidades. Aquele Abraço era uma ode ao Rio de Janeiro, ao mencionar ícones culturais como o samba e a Portela, o futebol com o Flamengo (Gil é Fluminense, que tinha derrotado o Flamengo na final do Carioca de 1973), o Carnaval e a Banda de Ipanema, Chacrinha e sua Terezinha, sem se esquecer de Realengo. Aquele Abraço significava gesto passageiro, transitório. Gil sabia que iria voltar e que o regime iria acabar. É como se desejasse falar que Ainda Estaria Aqui, um dia, em breve.

Numa época em que os artistas reagiram à ditadura com a voz e um microfone nas mãos, o jornalismo fazia o mesmo, empunhando uma caneta, que a voz rouca do povo ecoava de dentro das cátedras das melhores universidades do país através de mentes brilhantes, percebemos, deste modo, o quanto somos lenientes nos dias atuais. Só quem não conhece a história pode se conformar com um país que não tenha o Ministério da Cultura, como no governo que essa turma quer trazer de volta.

O que nos move e o que nos faz seguir adiante, lutando contra as arbitrariedades que aconteceram há uns poucos anos no Brasil, é o legado de quem lutou contra um regime ditatorial e sanguinário, em síntese, quem de nós não gostaria de ter “caminhado contra o vento, sem lenço e sem documento?” ou não ter se encantado com as “Cardinales bonitas e a sensualidade de Bardot”, na letra de Caetano e Gil? Quem não gostaria de ser “apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco e vindo do interior”, como Belchior foi? Quem não gostaria de ter “sonhado com a volta do irmão do Henfil, com tanta gente que partiu num rabo de foguete” ou “chorou com as Marias e Clarisses no solo do Brasil”, como Aldir Blanc e João Bosco escreveram e a grande Elis Regina eternizou com sua voz? Quem não quis “botar o bloco na rua, brincar e botar pra gemer” pulando de alegria com Sérgio Sampaio? Quem não “jurou mentiras e seguiu sozinho, assumindo seus pecados”, igual a Ney Matogrosso? Se “viver é melhor que sonhar”, e Belchior sabia “que o amor é uma coisa boa”, por que não sermos os embaixadores dessa mensagem? E não termos medo do “perigo na esquina”, até “porque eles já venceram e o sinal ficou fechado para nós”. Ainda bem “que somos jovens” e vamos seguir nossa luta, nossa caminhada contra o retrocesso que espreita sorrateiramente, cada passo dessa jornada.

O que é esclarecedor e deve servir como reflexão nesse contexto político que estamos vivendo é que Nós Ainda Estamos Aqui. Eles também continuarão aqui.

José Cássio Varjão é cientista político, MBA em Cooperação Internacional e Políticas Públicas; Administração Pública Municipal e Desenvolvimento Local; Administração Pública e Gestão de Cidades Inteligentes; Gestão de Negócios Inovadores e pós-Graduando FESPSP Repensando o Brasil: Sociologia, Política e História.

Pataxós acusam estado de agir na ilegalidade || Foto Tiago Miotto/Cimi
Tempo de leitura: 2 minutos

O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e indígenas pataxós se manifestaram contra a Operação Pacificar, deflagrada nesta semana, no extremo-sul da Bahia, pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-BA). Policiais Civis e militares cumpriram 12 mandados de prisão e sete mandados de busca e apreensão contra o Povo Pataxó, na quinta-feira (20), em aldeias no município de Prado.

O Cimi afirmou que policiais revistaram casas e fizeram disparos de arma de fogo durante a ação na Terra Indígena Barra Velha. Helicópteros e 20 viaturas foram empregados na operação. O Cimi também apontou a presença de policiais sem identificação e denunciou que “fazendeiros e pistoleiros” atuaram junto com as forças de segurança pública. “Fizeram uma espécie de varredura, sobretudo em áreas retomadas no entorno do Monte Pascoal”, diz a nota divulgada pela entidade indigenista.

O Conselho, que é vinculado à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Igreja Católica, acusa a Secretaria de Segurança Pública do Estado de promover a invasão de casas “sem apresentar mandado [de busca e apreensão]”.

Por meio da página Pataxó News, do Instagram, os indígenas afirmaram que 14 e não 12 pataxós foram presos e denunciaram o desaparecimento de outros 25 membros da etnia originária. Também alegaram que a prerrogativa do emprego da força na região é da Polícia Federal e não das polícias Civil e Militar.

No último dia 11, o pataxó Vitor Braz foi assassinado por pistoleiros dentro da Terra Indígena Barra Velha. No mesmo dia, os pataxós reivindicavam, em Brasília, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicasse a portaria declaratória de reconhecimento oficial do território indígena.

O OUTRO LADO

O PIMENTA entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia para obter posicionamento sobre as denúncias dos indígenas. A Pasta afirmou que “reforçou as ações preventivas e de inteligência, através da Força Integrada de Combate a Crimes Comuns Envolvendo Povos e Comunidades Tradicionais, buscando ampliar a manutenção da paz no Extremo Sul da Bahia”.

De acordo com a SSP-BA, a Operação Pacificar cumpriu determinações da Justiça. “Todos os procedimentos foram acompanhados por instituições estaduais e federais”.

A Secretaria também informou que o policiamento segue reforçado na região, por tempo indeterminado.

Jerônimo com o ministro Rui Costa, Augusto, prefeitos e ex-prefeitos e deputados em Itabuna
Tempo de leitura: < 1 minuto

A agenda de quatro dias do governador Jerônimo Rodrigues, no sul da Bahia, começou marcada por entregas em Itabuna e um evento no qual reuniu mais de 40 prefeitos, na noite desta quinta-feira (13). Do jantar promovido pelo prefeito Augusto Castro (PSD), participaram algumas das lideranças do interior do estado, além do ministro da Casa Civil, Rui Costa.

O jantar foi interpretado como demonstração de força política do governador. Dentre os prefeitos, participaram o novo presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso.

Deputados estaduais e federais, prefeitos, vices, ex-prefeitos, como Leo de Nego (Gandu), e o presidente estadual do Avante, Ronaldo Carletto, também participaram do encontro que só terminou na madrugada desta sexta-feira (14), dia em que Jerônimo e Augusto entregam o Novo Hospital de Base, com investimento total de R$ 75 milhões.

O número expressivo, avalia o governo, é reflexo dos recorrentes atendimentos realizados pelo chefe do Executivo, sob articulação da Secretaria de Relações Institucionais (Serin). Durante a agenda em Itabuna, o governador faz entregas que totalizam R$ 342,3 milhões em obras concluídas e em andamento nos últimos dois anos.

Em Itabuna, o governador realizou diferentes entregas nas áreas da saúde, infraestrutura e segurança, contabilizando um total de R$ 342,3 milhões de obras concluídas e em andamento, nos últimos dois anos.

Jerônimo e Gel durante audiência, na Governadoria, nesta sexta-feira || Foto Feijão Almeida/GovBA
Tempo de leitura: 2 minutos

O novo prefeito de Buerarema, Gerivaldo Souza, Gel da Farmácia, do União Brasil, pôs fim, hoje (7), ao isolamento institucional e político de quase dez anos, do município sul-baiano, ao ser recebido, em Salvador, pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT). Gel levou pauta extensa de obras e ações a serem executadas pelo Estado no município.

Prefeito e governador trataram de investimentos e ações estratégicas para Buerarema, segundo afirmou Jerônimo. Durante o encontro, foram entregues uma ambulância, uma van para transporte fora do domicílio (TFD), um veículo para a área da saúde e equipamentos para reforçar o atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

– Discutimos temas essenciais para o município, como educação, saúde, infraestrutura hídrica, abastecimento de água e esgotamento sanitário, estradas vicinais, BAs e BRs, segurança pública, agricultura, cultura, esporte e assistência social. Foi uma agenda produtiva, com atendimentos a demandas importantes, como transporte TFD para pacientes que precisam se deslocar para outros municípios, ambulâncias e um veículo para a área da saúde – disse o governador Jerônimo.

FORTALECIDOS

Após o encontro, Gel da Farmácia falou da sua impressão sobre a audiência na Governadoria:

– Saímos daqui fortalecidos, com a certeza de que estamos construindo um novo caminho para o desenvolvimento da nossa cidade. Tenho plena convicção de que quem ganha com isso é a população. Como representante do poder executivo municipal, volto para minha terra com muita alegria e com a certeza de que este momento será decisivo para os próximos dias – afirmou ele

Gel foi eleito prefeito de Buerarema pelo União Brasil e teve o apoio do então prefeito Vinícius Ibrann, que teve gestão aprovada pela população, porém sem trânsito no Governo do Estado. Vinícius fez oposição firme ao governo estadual. Reclamava, principalmente, da ausência do Estado em Buerarema, município marcado, na década passada, por disputa de terra entre indígenas e pequenos agricultores.

Nos bastidores, é dada como certa a mudança de partido de Gel, indo para uma legenda da base aliada de Jerônimo Rodrigues e dos ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner, todos eles do PT. Jerônimo deverá visitar o município no próximo dia 16 de março.