Terminada a sessão de Anticristo (Antichrist – Dinamarca/ Alemanha/ França/ Suécia/ Itália/ Polônia, 2009), a sensação que fica é a que o eterno conflito entre o talento e a auto-importância de Lars Von Trier (Ondas do Destino, Dançando no Escuro, Dogville) finalmente chegou ao fim – ou pelo menos aqui essa briga tem claramente um perdedor e um vencedor. Se por um lado o início e o final nos deixam claro que o filme assistido é do dinamarquês perturbado, todo o resto do filme dá a impressão de apenas um menino em busca de atenção.
Em Anticristo, mais até do que em outras obras a princípio tão ou mais polêmicas, Lars Von Trier exala a sua vontade de chocar, embora o problema aqui seja o fato de esse desejo iconoclasta ser muito maior que o seu esmero (já que capacidade ele tem) para dar à obra um resultado minimamente bem tratado. E o começo e o fim, que talvez sejam os pontos mais altos do filme, também são a prova de que o homem do Dogma 95 não é mais o mesmo.
O excepcional manipulador, e nem tão bom encenador, dá lugar a um (em parte) estilista (maior que o de costume) que parece funcionar apenas como tal. Quando o filme tem sua assinatura, ela parece borrada, como se escrita por um bêbado, cuja caligrafia única – cheia de referências e com boa carga pessoal, inclusive nos defeitos – nos atinge com a aparência de feita a olhos fechados. Aqui, Lars Von Trier, que sempre chamou a atenção pelo seu caráter a princípio intimista, inicia e finaliza o filme mostrando uma faceta de quem tem algum talento – do que ninguém duvida – mas se apresenta infantil no restante do tempo, com um aspecto de completo desleixo para com o cinema e compromisso único com o chocar, não importa o quão gratuito esse chocarsoe.
Difícil falar mais do filme sem cair numa vala comum de opções para se depreciar o filme de Von Trier, mas é inegável que, aqui, ele parece ter se perdido por completo. Uma pena, em meio ao nadaagressivo e excessivamente auto-importante que Anticristo prima por ser – e o muito melhor que LVT pode fazer.
Desde que vim pra Salvador, a maioria dos filmes a que assisti foram em projeções digitais – o Rain. Se em alguns casos a coisa não incomoda, em outros a passagem da película para o sistema foi patética, com aqueles gigantescos e nada sedutores pixels a me engolir. Os melhores (ou piores, melhor dizendo) exemplos foram Enquanto o Sol Não Vem e (especialmente) Amantes.
Para os que já se sentiram minimamente lesados com isso, vale a “Carta aberta aos responsáveis pela projeção digital no Brasil”: http://www.gopetition.com/online/31415.html.
Filmes da semana:
Diário Proibido (2008), de Cristian Molina (cinema)
Anticristo (2009), de Lars Von Trier (cinema)
Verdade Nua e Crua (2009), de Robert Luketic (cinema)
Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”
A pré-estreia em Salvador de No Meu Lugar (idem – Brasil/ Portugal, 2009), do carioca e também crítico Eduardo Valente, é um expoente dos casos em que o debate pós-sessão consegue ser tão ou mais interessante do que o filme – sem que, para isso, o demérito da obra seja maior que o mérito da discussão.
O enfoque do filme está em três famílias de classes sociais diferentes, interligadas por uma tragédia. Baseado aí, as lembranças imediatas vão de Alejandro González Iñárritu (Babel, Amores Brutos) a Robert Altman (Short Cuts – Cenas da Vida, Nashville). Mas o filme de Valente, caro ao cinema brasileiro como forma de abordar a representação do ser humano e da violência, chama mais atenção pela sua abordagem do que pela sua forma de narrativa.
A resolução da primeira cena, por exemplo, deixa uma sensação de falta de coragem (ou competência) para Valente mostrar sua (in)capacidade de encenador em um momento de tensão. Terminado o filme, contudo, a certeza é de que a recusa do início não só se justifica como potencializa o efeito da obra. Ao deixar sua câmera – e a plateia, consequentemente – alheia ao que acontece, Valente demonstra que o como aquilo acontece é menos importante do que como e o que cada um viveu até chegar ali. A impressão, depois de digerida, é semelhante à do acidente no final de O Desprezo (1963), de Jean-Luc Godard, onde o resultado é muito mais importante do que o diretor mostrar sua capacidade de saber decupar e cortar uma cena de ação.
Aqui, Valente filma o dia-a-dia de seres humanos de carne e osso, sem que precise transformar os momentos ordinários da existência em um romance épico. Ele sabe que falar do viver, aliado ao conviver com outras classes, é uma tarefa cuja profundidade é significativa o suficiente para tornar a própria observação espinhosa. E essa observação – que a princípio pode parecer apática –, se por um lado é focada basicamente em acontecimentos banais (e que algumas vezes são demasiado genéricos), por outro é filmada com uma riqueza de detalhes que transforma essa trivialidade de ações em algo notável, cuja unicidade é trazida – ou reforçada – pelos pormenores. De uma certa tensão sexual, existente em mais de uma das famílias, à resolução (ou falta dela), muita coisa fica sem resposta ou obscura; mas não por negligência ou prolixidade desnecessária – e sim por se admitir a complexidade do que trata.
Esse mostrar o caminho sem ter que finalizá-lo numa linha de chegada talvez seja exatamente o ponto mais positivo de No Meu Lugar. Um filme que trata e se passa no Rio de Janeiro, de um carioca que lá viveu praticamente seus 34 anos de vida, e que fala de uma região e de um bairro que conhece (Laranjeiras) – sem que esse universo se torne excessivamente fechado ou, no outro extremo, recheado de recursos fáceis proporcionados por tudo a que o Rio se liga.
Diferente de um Cidade de Deus e sua aparência de documento oficial-estilizado, e de Tropa de Elite e sua resolução simplória (ainda que sejam filmes interessantes), No Meu Lugar é mais contido por não querer responder e/ou documentar/estilizar em busca de uma auto-importância que ele não necessariamente tem. E, talvez justamente por isso, é mais contundente na sua força como possibilidade de um cinema ligado a política (ainda que o enfoque seja maior no ser humano do que em uma suposta ideologia – o que não é nenhum demérito) sem soar irresponsável e/ou constrangedoramente panfletário. O que Valente faz, no fim das contas, é simplesmente dar ouvidos (e vida) aos personagens e voz a um tipo de cinema – cuja coerência com o naturalismo apresentado é dos maiores altos do cinema brasileiro recente.
Filme: No Meu Lugar (idem – Brasil/ Portugal, 2009)
Poderia (e gostaria de) falar muito mais do debate, mas o tempo é escasso. Ainda assim, bom dizer que o Valente, apesar de um cara com um incrível tesão pela fala, sabe ouvir e respeitar a opinião alheia – e inclusive admitiu que a trilha sonora principal, considerado ponto negativo por um dos espectadores, já havia sido considerada um revés do filme por outras pessoas (o que ele não precisava dizer).
Bom lembrar ainda o fato de a Vídeo Filmes ser uma das produtoras do filme. Video Filmes, de Walter Salles que – junto com seu irmão João Moreira Salles – já havia sido criticado pelo Valente crítico, o que não impediu o diretor de Central do Brasil perceber o potencial do roteiro do filme. É ótimo perceber não só a generosidade (palavra usada pelo próprio Valente) como a maturidade de Salles para separar as coisas. Por incrível (ou não) que possa parecer, a postura de Salles não é regra.
Rápido
Ah, e embora o www.imdb.com diga que o filme tenha 113 minutos (única minutagem disponível lá é a da França), a que assisti, acho, tinha menos – salvo engano, o Valente falou em 90 minutos.
Filmes da semana:
1. No Meu Lugar (2009), de Eduardo Valente (cinema – pré-estreia) (***1/2)
2. Herbert de Perto (2009), de Robert Berliner e Pedro Bronz (cinema) (***)
3. Delicatessen (1991), de Marc Caro e Jean-Pierre Jeunet (cinema) (**1/2)
Ladrão de Casaca (1955), de Alfred Hitchcock (***1/2)
5. Enquanto o Sol Não Vem (2008), de Agnès Jaoui (**) (cinema)
Top 10 de outubro:
10. Amantes (2008), de James Gray (***1/2)
9. O Homem que Incomoda (2006), de Jens Lien (***1/2)
8. A Primeira Noite de Tranquilidade (1971), de Valerio Zurlini (***1/2)
7. Ladrão de Casaca (1955), de Alfred Hitchcock (***1/2)
6. No Meu Lugar (2009), de Eduardo Valente (***1/2)
5. Por um Punhado de Dólares (1964), de Sergio Leone (***1/2)
4. Por uns Dólares a Mais (1965), de Sergio Leone (***1/2)
3. Vicky Cristina Barcelona (2006), de Woody Allen (***1/2)
2. Um Filme Falado (2003), de Manoel de Oliveira (***1/2)
1. Bastardos Inglórios (2009), de Quentin Tarantino (****)
Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”
O Cine Clube Équio Reis, hoje, na Casa dos Artistas de Ilhéus, apresenta sessão dupla nesta quinta-feira, às 15 e às 19 horas. Na primeira, o drama Eliot conta a história de um menino que sonhava ser bailarino. Isso vivendo com uma família totalmente machista no interior da Inglaterra. Depois, também na Inglaterra, uma babá encanta crianças em Mary Poppins. As duas sessões têm entrada franca.
Tempo de leitura: < 1minutoLago no papel do cômico Fabiano.
Leitor do Pimenta e amigo do casal Alice e Fábio Lago informa que o ator ilheense e interprete do personagem Fabiano, da novela global Caras e Bocas, passa bem após cirurgia para reconstituição de três ligamentos que se romperam após o acidente de ontem à tarde (confira).
Lago passeava em Botafogo, no rio de Janeiro, quando foi atropelado por um VW Gol. O ator foi submetido a uma cirurgia no ombro na manhã deste sábado, no Hospital Copa D´Or. O ator pode receber alta neste domingo.
Fábio Lago é uma das grandes atrações da novela Caras e Bocas. Ele interpreta o divertido Fabiano, um baiano que desconfia da relação da sua mulher, Ivonete, com o suposto primo Adenor. Para tirar a dúvida, ele já se vestiu de oriental, freira, baiana e, por último, uma mulata de olhos azuis que segue os passos da mulher…
Antes de um filme de guerra, comédia e drama – ao mesmo tempo –, Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds – EUA/ Alemanha, 2009) é, talvez muito mais do que todos os outros, um filme de Quentin Tarantino. O que não quer dizer exatamente que o resultado não passe de uma repetição de maneirismos em defesa de uma satisfatória e segura egotrip, mas sim que, embora exista em Tarantino um ego gigantesco (e já característico), este parece tão grande quanto a vontade de, enquanto se diverte, testar mais do que nunca seu próprio talento enquanto cineasta.
A primeira cena de Bastardos Inglórios é a mais longa numa abertura dele, mais lento e contido desde a linda apresentação de créditos. A não menos bela – e educadamente tensa – conversa entre o Coronel Hans Landa (Christoph Waltz – extraterrenamente sensacional) e Perrier LaPadite (Denis Menochet – muito bom) remete ao diálogo entre Christopher Walken e Dennis Hopper no ótimo Amor à Queima-Roupa (1993) – roteiro que ele (infelizmente) vendeu para Tony Scott –, com o adendo de aqui Tarantino se arriscar mais; pela duração, pela não interferência de personagens, e por dirigir, logicamente. Numa cena em que duas pessoas conversam durante 20 minutos, é bonito perceber a plateia em silêncio hipnótico por tanto tempo sem que, para isso, a câmera tenha de dar piruetas. QT, completamente hábil em prender a atenção do público na base da escrita e em cuidadosa decupagem, se mostra um puritano do tripé, da steady cam e de gruas – nada de câmera na mão chamando atenção para os seus próprios tremeliques.
Esse mesmo puritanismo – nada novo, mas aqui elevado a enésima potência – Tarantino demonstra no que diz respeito ao cinema como ele vê. E este cinema é película – com direito a uma quase ojeriza pelo digital – e, bem diferente da maioria de Hollywood, respeito à língua e admiração pelo cinema de outros países. O que, convenhamos, é assaz coerente com alguém cuja maior influência é de diretores italianos (de Sergio Leone a Mario Bava) e cuja produtora leva o nome de um filme francês – Bande à Part, de Jean-Luc Godard.
O mesmo respeito, todavia, não é visto no que diz respeito à história – o que não é necessariamente um defeito, e o que vejo como justamente um dos maiores trunfos aqui. Não existem apenas inúmeros filmes sobre a segunda guerra, mas sim incontáveis obras marcantes e estudiosas do tema. No entanto, nenhum filme (que eu me lembre) teve a audácia de se revelar tão (re)escritor da história já conhecida – e reconhecida. E, mais do que uma afronta, essa reconfiguração histórica funciona como um deleite impossível fora do cinema.
Vingança é o pano de fundo, a lembrança de Kill Bill é várias inevitável, mas a descarga é catártica, e chega a remeter, embora de maneira bem rápida e diferente, a Vá e Veja (1985), de Elem Klimov, filme diametralmente oposto sobre (o horror bielorusso n)a mesma segunda-guerra. O diálogo com a obra-prima soviética, porém, não vai além disso, já que o que Tarantino faz é entretenimento – de onde menos se espera. É curiosa sua construção caricata (em harmonia com o espírito do filme) e por vezes lindamente infantil dos próprios conterrâneos, especialmente de Aldo Raine (Brad Pitt – não apenas hilário), natural do Tennesse, como o próprio QT. Tarantinoé absurdamente hollywoodiano no seu fim (entretenimento), mas seu êxito maior é conseguir chegar a esse fim com um tom cinéfilo e zombeteiro; comprometido acima de tudo com o cinema dele – aqui mais do que nos seus outros filmes.
Esse seu tom autoral é visto inclusive no momento em que ele parece pecar por ir onde nunca foi anteriormente, ao tornar a trilha, antes (ou além) de um reforço de estilo, um potencializador de sentimento; trazendo uma aparência surpreendentemente genérica. Abruptos cortes secos (e de atmosfera) dão a certeza de que ele não quer ser piegas, mas não a de que consegue o equilíbrio entre moderação e sensibilidade sem que, para isso, se desvirtue de um filme tão absolutamente estilizado (e num mundo diferente) até ali. Talvez, e aí vai um talvez em caixa alta, seja o próprio Tarantino (re)conhecendo um (enfim) auto-limite: “ei, isso não encaixou tão bem quanto poderia, não sou tão bom aqui quanto no resto”.
A prova de que esse talvez merece ser relativizado vem no final. Quem já leu algo do que Tarantino falou sobre Bastardos Inglórios sabe o que ele acha do filme, e – depois das mais de duas horas completamente apaixonadas – assistir a Brad Pitt dizer o que diz é imaginar as palavras saindo das mãos hiper-ativas de QT, falando em primeira e última instância de si (um tipo de personificação de um cinema) para o mundo – lembranças de Truffaut e Os Incompreendidos e Almodóvar e Má Educação foram imediatas. Com essa última frase, tudo que disse (sobre) e tudo que manifesta em Bastardos Inglórios, Tarantino nos dá a impressão de que, se não atingiu seu limite de talento – se é que isso é possível –, ele realmente fez aqui o filme que resume sua obra. Filme esse que, não por acaso, é uma ode não ao passado histórico, mas à infinita potencialidade cinematográfica de se fazer a própria história.
Numa situação hipotética, se fosse fazer um filme sobre a alarmante diminuição de água potável no mundo, Tarantino, muito provavelmente, enfocaria mesmo (o fim d)a película cinematográfica. Do que ele entende, pelo que ele se interessa, e o que ele ama o suficiente para escolher como protagonista de seus filmes mais ambiciosos – de Bastardos Inglórios à sua vida. É difícil que exista hoje, vivo, algum cineasta com tamanha combinação de audácia, talento e uma espécie de divertimento com o estado eternamente enamorado pelo próprio cinema.
P.s. 1: Ainda não sei precisar o quanto minha precária situação física influenciou no absorver do filme, mas – obviamente – irrelevante ela não foi. Muito dos Bastardos, de bom ou não, pode ter evaporado antes de ser digerido. Ou foi mal digerido…
P. s. 2: Texto escrito sem assistir ao À Prova de Morte (2007), o filme anterior de Tarantino lançado há mais de dois anos em Cannes e ainda inacreditavelmente inédito (comercialmente falando) no Brasil. A última previsão da Europa Filmes – a que tive acesso – falava em dezembro. Espero, mas não garanto.
Elenco: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth
Duração: 153 minutos
8mm
Mais Itália
E Tarantino, deixando claro que os Western Spaghetti (para ele) não se resumem a Leone-Morricone, ainda nos dá o prazer de assistir a Shosanna (Mélanie Laurent – excelente) ao som da trilha de O Dólar Furado (1965), de Giorgio Ferroni. Ah, Itália..
Sem amantes
Um filme como Amantes (2008), de James Gray e com elenco de gente da popularidade do naipe de Gwyneth Paltrow e Joaquim Phoenix, numa quinta-feira às 16h20min, em Salvador. Ou seja, uma sessão deveras acessível. Pois bem, decorridos cinco minutos de projeção, eu era o único na sala – que viu os créditos finais subirem com o dobro do público.
Filmes da semana:
1. Bastardos Inglórios (2009), de Quentin Tarantino (cinema) (****)
2. Besouro (2009), de João Daniel Tikhomiroff (cinema – pré-estreia) (**)
3. Amantes (2008), de James Gray (cinema) (***1/2)
Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”
Agulhão F. não gostou do comentário do prefeito Azevedo em relação à vereadora Rose Castro (“O que ela fez, não se faz” – veja aqui). Segundo o trovador, basta olhar os jornais para saber que a traição faz parte da lógica partidária. “Só quem não sabe disso é Azevedo, porque se faz de tolinho”, brinca:
Trair tem o mesmo jeito
que tem o verbo coçar,
e sabe bem o prefeito
que é bastante começar…
Começa e não para mais,
é só coçar uma vez,
por isso, se Rose fez
o que Rose fez… se faz!…
Traição, se bem conheço,
é o caminho da desgraça:
como se fosse cachaça,
só precisa de começo
pra atingir a embriaguez,
por isso, se Rose fez,
eu cá não a desmereço,
pois todo político faz…
Ainda inexperiente,
Rose tá “virando gente”
e vai fazer muito mais.!…
Tempo de leitura: < 1minutoRenan Silvio Santos será hoemanageado pelos confrades do Alto Beco do Fuxico
A Confraria do Alto Beco do Fuxico lembra, nesta sexta-feira (23 de outubro de 2009), os 10 anos de saudade do confrade Renan Sílvio Santos, falecido em virtude de infarto.
Para lembrar a data, a Confraria do Alto Beco do Fuxico reúne, à noite, no seu quartel-general etílico, os bares Whiskytório e Artigos para Beber, confrades e convidados para realizar uma homenagem póstuma.
Professor e advogado conceituado, Renan Sílvio Santos era uma das figuras mais carismáticas de Itabuna, que soube construir milhares de amigos em toda a sua vida.
Os trabalhos em homenagem à memória de Renan serão abertos pela Confraria do Alto Beco do Fuxico às 18h30min, e no cerimonial estão previstas atividades como uma saudação, lembranças e reminiscências ao amigo, brindadas com muita cachaça, cerveja e sarapatel.
Ainda surfando no anúncio dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e nos sinais de retomada do crescimento econômico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara-se para colecionar mais dividendos políticos, dessa vez nas telas do cinema e em pleno ano eleitoral, quando todos os esforços estarão voltados para eleger a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua sucessora.
Lula, o Filho do Brasil, cinebiografia sobre o petista, será lançado em 1º de janeiro de 2010 com uma estratégia de distribuição que tem como objetivo torná-lo um dos maiores lançamentos do cinema nacional, desde a retomada da produção cinematográfica do País, em 1995.
Para isso, a produção recorrerá a tradicionais bases de sustentação política de Lula, como sindicatos, e a regiões onde ele tem alta popularidade, como no Nordeste. Um universo de 10 milhões de pessoas sindicalizadas poderá comprar ingressos a preços populares para assistir ao filme, que pretende chegar aos rincões do País em 2010.
A estreia será feita em mais de 400 salas, sendo que 88 delas não fazem parte do circuito convencional. O objetivo é levar o filme para públicos populares, fora do mercado consumidor tradicional.
Após uma temporada de 25 dias em Salvador, a Exposição Fotográfica Rio do Engenho: Festas, Saberes e Sabores chega a Ilhéus. Até este sábado (17) pode ser visitada no foyer do Auditório Paulo Souto, na Uesc. A partir do próximo dia 5, a exposição estará no Teatro Municipal de Ilhéus.
Anabel Mascarenhas e Joliane Olschowsky assinam os trabalhos – a curadoria é de Juliana Menezes, Gisane Santana e Mércia Cruz. A mostra retrata a cultura e vivência da comunidade do Rio do Engenho, distrito rural de Ilhéus, e explora o ambiente cultural, a gastronomia, a produção agrícola e a comercialização dos produtos cultivados.
Em Salvador, a exposição – na galeria Nelson Daiha, no Museu da Gastronomia Baiana, no Senac Pelourinho -, teve centenas de visitantes de São Paulo, Minas, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Paraná, além de turistas de alguns países, como Reino Unido, Argentina, França, Alemanha, Austrália, Chile e Dinamarca.
A exposição retrata o dia a dia da comunidade rural de Rio do Engenho, de Ilhéus
O escritor e pesquisador Gustavo Felicíssimo lança, nos próximos dias 22 (Ilhéus) e 23 (Itabuna), seu mais recente trabalho – Diálogos – Panorama da nova poesia grapiúna.
Antes, nessa sexta-feira, ocorre o pré-lançamento durante o 1º Congresso Nacional Linguagens e Representações, que se realiza na Uesc até amanhã.
Em Ilhéus, o lançamento será na Academia de Letras, e em Itabuna, na Biblioteca Plínio de Almeida. Quem for aos eventos poderá ouvir também um texto baseado em nos estudos – Poesia Grapiúna: Da sua fundação aos dias de hoje.
Se a média geral de qualidade dos blockbusters é baixa, menor ainda é a média dos filmes de horror que chega à maioria de multiplexes e derivados. Assim, quando qualquer coisa tem, além de um mínimo de respeito ao espectador, relances de domínio sobre as especificidades de gênero (para dribá-las ou para usá-las), ela pode dar a impressão de ser mais do que é. E um exemplo de filme que me passou exatamente essa sensação foi A Órfã (Orphan – EUA/ Canadá/ Alemanha/ França, 2009), de Jaume Collet-Serra (do A Casa de Cera de 2005).
A apresentação à história é eficiente ao mostrar, além de um sangue que marca, o suposto parto de um bebê “nati-morto” que parece filho do demônio, tornando inevitável a lembrança de O Bebê de Rosemary (1968); onde, é bom diferenciar, o investimento maior era na sugestão, menos no horror do no terror. Aqui, no entanto, quase tudo parece sugado, como referência ou cópia disfarçada, de A Profecia (1976), de Richard Donner. O porém é que, se no caso anterior a questão era uma coisa ligada a uma certa para-normalidade não didaticamente convencível, o mistério aqui persiste até ser revelado palavra por palavra antes do final. Não há espaço para o (que pode ser charmoso e funcional) incompreensível.
Embora não tenha a mesma proposta de Pânico (1996), por exemplo, A Órfã trabalha com várias referências (apesar de em menor quantidade e tom diferente do filme de Wes Craven), mas não consegue fazer com que o filme funcione como uma coisa só. Se por um lado detalhes – ou bem mais – remetem imediatamente a clássicos, e se a princípio assistimos a uma versão interessante do já (bem) feito e filmado, por outro presenciamos o finalizar do filme com uma citação a O Chamado 2 (2005).
Esse percurso, que alguns podem (não sem razão) dizer que se foi do luxo ao lixo, não significa tornar necessariamente o resultado ruim. Mas passa a sensação de que A Órfã usa a voz de outros de maneira decepcionante. Ao invés de estudá-las para se tentar emitir um som treinado e bem referenciado (uma primeira impressão otimista), ela dialoga com elas para alcançar um timbre final apenas afinado – parece faltar talento natural para se ir além.
A personagem “diabólica”, os sustos, um possível humor, a construção do ambiente, da atmosfera, do medo, de possíveis cenas indeléveis, tudo isso não chega a ser mau feito ou constrangedor, mas não vai além do bem executado. Se for para avaliá-lo fora do gênero, ele tende a pecar já que as concessões tendem a se tornar menos indulgentes no que diz respeito à complexidade de personagens; o drama parece pré-programado a ponto de termos de voltar a vê-lo como um filme de terror para buscar alguma relevância nele. Que tem momentos inspirados, é verdade, mas que se tornam pequenos quando pensamos, também, em equivalentes (de ideia ou imagem-som) nas fontes das quais ele bebe.
Filme: A Órfã (Orphan – EUA/ Canadá/ Alemanha/ França, 2009)
Direção: Jaume Collet-Serra
Elenco: Vera Farmiga, Peter Sarsgaard, Isabelle Fuhrman
Duração: 123 minutos
8mm
Inglório
Outra vez de mudança e com tempo naturalmente escasso, o texto dessa semana chega com antecedência. O que vem na contra-mão da ideia inicial, que seria atrasá-lo para poder rabiscar as primeiras sensações após a sessão de Bastardos Inglórios (2009) – de Quentin Tarantino. A sessão não muda – se tudo der certo, verei sim no sábado (17) aqui em Salvador –, mas o texto sobre ele fica pra semana que vem.
Filmes da semana:
1. Antoine e Colette (1962), de François Truffaut (curta) (***1/2)
2. Na Natureza Selvagem (2007), de Sean Penn (**1/2)
3. A Órfã (2009), de Jaume Collet-Serra (**1/2) (cinema)
4. Por um Punhado de Dólares (1964), de Sergio Leone (***1/2)
5. Por uns Dólares a Mais (1965), de Sergio Leone (***1/2)
Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”
De olho no transporte urbano de Itabuna e Ilhéus, Agulhão F. chama a atenção para o sofrimento que muitos ônibus, com seus assentos de metal e plástico, impõem a certa parte do corpo humano, um dissílabo ainda grafado com reservas em blogs de família. E o trovador, desiludido com os governos municipais (que deveriam impor regras às empresas do setor), apela para o imponderável.
Falaí, porta-voz dos passageiros!
A reclamação abundaE esta vive em tormento,pois ao sentar não afunda,por ser bem duro o assento!…Nossa parte mais carnuda,dissílabo proeminente,espera de Deus ajuda,para não ficar dormente!…
Ter argumentos para criticar o estado atual das coisas só não é mais fácil do que cair em uma irritante vala de lugares-comuns na tentativa de fazê-lo. Geralmente, trata-se de repetir discursos e choros, de ser duplamente preguiçoso: primeiro ao abusar de clichês, depois ao nada fazer para ir além deles. Dito isto, é bom assistir a um (ganhador do prêmio ACID – Agência para Difusão do Cinema Independente – em Cannes) O Homem que Incomoda (Den Brysomme Mannen – Noruega/ Islândia, 2006), de Jens Lien, curioso caso de alguém com um jeito realmente especial de falar do viver contemporâneo; ainda que (ou também por isso) a realidade seja muito específica – a norueguesa.
O filme de Lien traz pouca empatia, tem relações (imagino que propositadamente) superficiais e mais um bocado de coisas que imediatamente ligamos à contemporaneidade, capitalismo, egoísmo e todo essa questão que, de um lado ou de outro, tende ao panfletário. Mas um dos grandes trunfos aqui, talvez o maior deles, está nos momentos de um ritmo mais lento, o que nos leva a uma contemplação que nos faz captar uma cena incômoda sem que ela se torne “inassistível”; a beleza é convocada em inusitadas cenas agonizantes – como a dos trilhos.
Não menos interessante é a ironia que o título carrega ao avaliarmos o personagem principal, alguém à margem da sua sociedade basicamente por ter sentimentos e problemas. Naquele mundo, a imperfeição é uma anomalia, e ele é informado de que, ali, todos são felizes – sendo assim, ele não é bem vindo. E embora esse momento assuma um didatismo que o filme conseguia brilhantemente evitar até ali, ele ajuda a representar bem o desespero que imaginamos – ou nem tanto, dado o que vemos depois – ser sentido por ele.
Quando alcança seu final, O Homem que Incomoda volta a mostrar força ao sugerir frieza e crueldade de maneira sutil, dando a cada um a possibilidade de visualizar (já que ouvimos e sentimos) a aflição alheia – que poderia ser a de muitos de nós. Em meio a uma possibilidade grande de cair em emulações fáceis, é difícil mesclar secura e delicadeza em doses razoáveis e de maneira tão equilibrada.
Filme: O Homem que Incomoda (Den Brysomme Mannen – Noruega/ Islândia, 2006)
Direção: Jens Lien
Elenco: Trond Fausa Aurvaag, Petronella Barker, Per Schaaning, Birgitte Larsen
Duração: 95 minutos
Filmes da semana:
Vicky Cristina Barcelona (2008), de Woody Allen (***1/2)
Roleta Chinesa (1976), de Rainer Werner Fassbinder (***)
A Primeira Noite de Tranqüilidade (1971), de Valerio Zurlini (***1/2)
Nós Que Nos Amávamos Tanto (1974), de Ettore Scola (***)
Dançando no Escuro (2000), de Lars Von Trier (***)
O Homem que Incomoda (2006), de Jens Lien (***1/2)
Um Filme Falado (2003), de Manoel de Oliveira (***1/2)
Faça a Coisa Certa (1989), de Spike Lee (**1/2)
Benjamim (2003), de Monique Gardenberg (**1/2)
Femme Fatale (2002), de Brian de Palma (***)
Sorrisos de uma Noite de Amor (1955), de Ingmar Bergman (***)
Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”
Mercedes Sosa está entre os três músicos mais populares da Argentina. Internada em 18 de setembro, a cantora não resistiu a uma doença hepática e, após receber extrema-unção, morreu na manhã deste domingo (4), aos 74 anos. Abaixo, Sosa interpreta Sólo le pido a Dios.
Agulhão Filho (lembra dele?) acha um absurdo trocar voto por dinheiro, como fazem alguns incautos. “É preciso não perder de vista o mercado imobiliário, ainda muito rentável”, diz o esculhambador regional. E manda a quem possa estar interessado no seu voto o que ele cinicamente chama “profissão de fé democrática e pragmática”:
Sou pobre, não sou banqueiro,
porém não durmo de touca,
quero meu pirão primeiro,
se acaso a farinha é pouca…
Recebo feijão, andu
(cuidado com o obsceno!),
toucinho, arroz e angu,
mas meu sonho é um terreno
na Ilha do Urubu!…