Tempo de leitura: 3 minutos

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Vício Frenético (Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans – EUA, 2009), não é uma simples refilmagem, assim como está longe de ser um dos filmes que mais carrega a assinatura de Werner Herzog. O que não quer dizer que a primeira afirmação seja carregada apenas de mérito e a segunda de demérito. Quer dizer sim que aí talvez resida justamente o ponto mais saliente do filme: ele é uma mistura de características teoricamente a favor com outras a princípio contra e que, juntas, chegam a um resultado heterogêneo e anômalo.

A cena de abertura, por exemplo, pode ser vista de basicamente duas maneiras distintas – cada uma com sua razão. Uma delas diz que a atitude altruísta não condiz com Terence McDonagh (Nicolas Cage, com qualidades e defeitos aproveitados), alguém cuja mistura de hedonismo e egoísmo é tão explosiva quanto límpida. A outra avalia sua atitude como uma forma de Herzog (e o roteirista William F. Finkelstein) mostrar como esse heroísmo não passa de um desvio momentâneo de alguém com uma personalidade tão desequilibrada como afetada pelas drogas.

Esse mostrar, todavia, não é explícito nem imediato. Somente com o passar do tempo é que percebemos como a aparente redundância do roteiro – com droga a toda cena – é, na verdade, uma ferramenta que demonstra toda a complexidade daquele mundo (e especialmente daquele personagem) corrompido de e por pessoas corrompidas.

O abordar esse mundo nos remete ao desfecho da versão original (spoiler), com o assassinato de Harvey Keitel. Pela pessoa, pelo tema e pela conterraneidade do diretor, era inevitável a lembrança de Martin Scorsese e o começo de seu Caminhos Perigosos (1973): “Você não paga seus pecados na Igreja, você os paga nas ruas”. No Vício Frenético de Ferrara, o tenente era punido pelo. No Vício Frenético de Herzog, vemos basicamente a mesma cena do fim, na rua, praticamente o mesmo plano, mas a morte não vem. O que vem é, além de (mais) um diálogo carregado de um nonsense de aparência calculada, outra promoção e homenagem que (como a do começo, embora não com a mesma intensidade), traz uma boa dose de ironia.

Nesse final, como especialmente nas cenas alucinógenas, Herzog bate o seu pé – (guardadas as devidas propoções) as maluquices de Klaus Kinski transpostas para Nicolas Cage, as alucinações são do jeito dele, e ele não tem que (ou não quer) punir ninguém pelo comportamento nada ortodoxo. Do que ele sempre soube tratar. Com o adendo de que, travestido de diretor de aluguel (o que de fato não deixa de ser aqui), tem seu feito ainda mais potencializado.

Visto no Multiplex Iguatemi – Salvador, janeiro de 2010.

Vício Frenético (Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans – EUA, 2009)

Direção: Werner Herzog

Elenco: Nicolas Cage, Eva Mendes, Val Kilmer.

Duração: 122 min

Projeção: 1.85:1

8mm

Acabou

Assim como as sessões à tarde durante a semana, acabaram-se as cabines de imprensa pra mim – ainda que seja por uma boa causa. Ou seja, no more textos escritos antes das estreias nacionais.

Mendes

Depois de Os Donos da Noite (2007) e Vício Frenético (2009), Eva Mendes foi perdoada por todas as besteiras que fez antes deles.

Filmes da semana:

  1. Um Convidado Bem Trapalhão (1968), de Blake Edwards (Telecine Cult) (**1/2)
  2. O Sabor da Melancia (2005), de Tsai Ming-Liang (DVDRip) (***1/2)
  3. Todas as Mulheres Fazem (1992), de Tinto Brass (DVDRip) (**1/2)
  4. 4. Procurando Elly (2009), de Asghar Farhadi (Cinema da Ufba) (***)

Curtas

1. Thriller (1983), de John Landis (DVD) (****)

Melhores filmes de janeiro (não incluem os dessa semana):

10. Caminhos Perigosos (1973), de Martin Scorsese (***)

9. Rosetta (1999), de Jean-Pierre e Luc Dardenne (***1/2)

8. O Pecado Mora ao Lado (1955), de Billy Wilder (***1/2)

7. Manhattan (1979), de Woody Allen (***1/2)

6. Amor à Queima-Roupa (1993), de Tony Scott (****)

5. A Aventura (1960), de Michelangelo Antonioni (****)

4. Casablanca (1942), de Michael Curtiz (****)

3. Uma Garota Dividida em Dois (2007), de Claude Chabrol (****)

2. Vício Frenético (2009), de Werner Herzog (****)

1. Lola (1981), de Rainer Werner Fassbinder (****1/2)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

Tempo de leitura: < 1 minuto
O professor do ABC será homenageado pelo conjunto das obras – essa aí, por exemplo, é de gengibre

E o Cabôco Alencar virou bloco de carnaval. Na festa da lavagem do Beco do Fuxico desse ano, o personagem mais famoso do lugar será homenageado com o bloco Escolinha do ABC.

A folia será nessa sexta-feira, a partir das 18 horas, e as camisas do bloco da escolinha são vendidas nas melhores casas do ramo – os bares do Beco, mesmo.

Além da homenagem ao Cabôco, a festa terá a participação de blocos tradicionais, como o Maria Rosa e Casados I…Responsáveis, além do Mendigos de Gravata (bancários) e do Hora Extra (comerciários). A animação é ao som de marchinhas, levadas pela indefectível charanga.

Desnecessário dizer que o ABC da Noite estará fechado na hora da muvuca, como manda a tradição. Quem quiser apreciar a batida mais famosa da Bahia, portanto, deve adquirir o produto com a devida antecedência.

Tempo de leitura: 4 minutos

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Para se fazer um bom musical, como qualquer outro filme essencialmente de gênero, é necessário dominar um setor específico da gramática audiovisual – nem que seja, como acontece em alguns casos, para provar que ela pode ser violada pelo bem do resultado final. Nine (idem – EUA/ Itália, 2009), de Rob Marshall (Chicago), é um curioso caso de filme que parece ter qualidades e defeitos potencializados justamente não só pelo domínio do gênero como pela falta de, na maior parte do tempo. Trata-se, em outras palavras, de um filme bipolar.

Nome a nome, se o elenco (e seu potencial) é absurdo, a sub-utilização dele também o é. Assistir a Daniel Day-Lewis (Guido Contini) se limitar à sua expressão carregada (o que não é pouco), e perceber como o canto não é seu forte, é tão decepcionante quanto ver Penélope Cruz (Carla) numa atuação cuja intensidade nada lembra a memorável atriz de Volver (2006) de Abraços Partidos (2009). A quase sempre arrogante feição de Judi Dench (Lilli) está modesta demais, e quando Nicole Kidman (Claudia) canta, o filme já está tão perdido que parecem vir à mente só as lembranças dela em Moulin Rouge (2001).

Por outro lado, a excelente Marion Cotillard (Luisa Contini) está não menos que ótima, assim como Sophia Loren (a Mamma), a quem todos ainda parecem bater continência de admiração quando a olham em público. Além das duas, são interessantes as sequências cantadas por Fergie (Saraghina) e Kate Hudson (Stephanie).

Essas sequências, inclusive, provam dois pontos que saltitam aos olhos no filme. O primeiro é que o domínio de mise-en-scène de Rob Marshall é inferior à sua capacidade de fazer os cantos fluirem, sua musicalidade é maior que a sua segurança como regente do gênero musical. O outro é que o investimento na pompa da produção é tão grande que a extravagância visual, quando aliada ao apelo de algumas músicas (que funcionam) e contrastado com a falta de um maior domínio de direcionamento do olhar no quadro, torna tudo muito superficial.

Essa superficialidade, de quebra, ainda é ajudada pelo roteiro. Não temos um fio condutor convincente nem alcançamos um caráter verdadeiramente onírico – tudo parece solto. A obsessão com o (1963), Fellini e o cinema italiano não passa a impressão de “nossa, que homenagem bonita”, mas sim a de “nossa, como o cinema italiano tem coisas boas: vamos para ele depois disso aqui?”.

Apesar desses poréns, Nine traz brilho e um certo poder de hipnose que atrai o olhar como pouca coisa. Ele se sustenta não só graças a uma linguagem picotada e estrelas de enésima grandeza, mas também graças a um caráter barroco com detalhe para a opulência – não dos personagens, mas dos atores e da produção.

Ou seja, apesar da falta de densidade além da ideia, não falta verniz em Nine. Em um primeiro olhar a trechos do filme, a certeza é de madeira de lei. Visto de perto, um MDF que tenta se passar por aquela – e às vezes consegue.

Nine (idem – EUA/ Itália, 2009)

Direção: Rob Marshall

Elenco: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Judi Dench, Kate Hudson, Sophia Loren, Nicole Kidman, Fergie

Duração: 118min

Projeção: 2.35:1

8mm

Calculadamente frenético

Era complicado imaginar uma versão decente do ótimo Vício Frenético (1992), de Abel Ferrara, filme cuja película cheirava a uma mistura entre ópio e cocaína, temperada com quadros de nu frontal. Mas eis que a refilmagem de Werner Herzog consegue não só manter a falta de pudores como, incluindo o mérito também para o roteirista William M. Finkelstein, evita o decepcionante moralismo no fim da versão original. Para se ter uma ideia, a impressão é de que o diálogo de Herzog com a obra de Ferrara, às vezes, é menor do que, por exemplo, a ligação com Medo e Delírio em Las Vegas (1995), interessante afetação de Terry Gilliam. Aqui, como no filme estrelado por Johnny Depp, muita coisa pode parecer (e às vezes é) excessivamente gratuito, a princípio. Mas depois de digerido, percebe-se o exemplo de combinação entre talento e transpiração técnica, que só um mestre como Herzog é capaz de conseguir.

Filmes da semana:

  1. 1. Vício Frenético (2009), de Werner Herzog (Multiplex Iguatemi) (****)
  2. 2. Nine (2009), de Rob Marshall (Cabine de imprensa – Multiplex Iguatemi) (**1/2)
  3. Uma Garota Dividida em Dois (2007), de Claude Chabrol (DVDRip) (****)
  4. Amor à Queima-Roupa (1993), de Tony Scott (DVDRip) (****)
  5. Nosferatu – O Vampiro da Noite (1979), de Werner Herzog (DVDRip) (***)

Curtas:

  1. Castanho (2002), de Eduardo Valente (Porta Curtas) (**1/2)
  2. Di Cavalcanti (1977), de Glauber Rocha (DVDRip) (***)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

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Robson foi preso por desacato na capital.
Robson foi preso por desacato na capital.

O itabunense e artista plástico Robson Costa, marido da cantora Margareth Menezes, acabou preso ao desacatar policiais em uma blitz em frente à casa de shows Cais Dourado, na Cidade Baixa, em Salvador.

De acordo com a polícia, Robson, que é irmão do ator Jackson Costa, tentou furar o bloqueio e teria se negado a apresentar documentação. Segundo a coluna Holofote, ele foi preso e levado para a 3ª Delegacia da capital.

Tempo de leitura: < 1 minuto

O ensaísta Gustavo Felicíssimo chora as pitangas. O Botafogo esqueceu as elementares aulas de futebol e levou uma sonora ‘sacolada’ do Vasco em tarde do atacante Dodô, no Engenhão. Justamente Dodô, que dia desses estava fazendo seus belos gols pelo ‘Fogão’ (ou seria Foguinho?).

A lamentar a tragédia da estrela solitária, que apareceu com um tal de El Loco Abreu, Felicíssimo compôs o que segue:

Meus amigos não se espantem
Com a queda do Fogão
Que outra vez virou foguinho
Justamente pro Vascão,
Pois quem viu no brasileiro
Esse time é presepeiro
Dentro ou fora do Engenhão.
Tempo de leitura: 3 minutos

70-mm

Final 3

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

Muito tem se falado, com justiça, de Anna Muylaert e seu É Proibido Fumar (2009). Acessível à maioria sem apelar para imbecilização, ele é uma exceção simples e possível dentro das crônicas urbanas do cinema brasileiro atual. Assim como também é o primeiro filme de Muylaert: Durval Discos (idem – Brasil, 2002).

A história se passa em 1995, quando a defesa do vinil como mercado (independente do som) ainda não soa anacrônica. A resistência da loja que dá nome ao filme acompanha a trajetória de Durval (Ary França), envolvido em uma situação cujo desfecho tende a ser tudo, menos simples.

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O roteiro de Muylaert parece ser tão interessante quanto difícil de fazê-lo palpável. Suas amarras por vezes têm a perfeita ligação do extraordinário com o banal, como a surpresa informada pela TV e que leva ao principal conflito do filme, mas em outras nem tanto – dando a impressão de que foram feitas por um fio menos convincente que necessário para a história acontecer.

Na primeira parte, as atuações parecem estar todas uma nota acima do tom, e embora exista aí uma sintonia, esse exagero quase teatral e que flerta com cômico não se encaixa tão bem com o rumo tomado pelo filme. Na segunda parte, quando um certo desespero casa com esse tom, o maior porém talvez seja uma reviravolta cuja morte envolvida parece difícil de engolir num pensamento mais racional. Por outro lado, como ser 100% racional numa situação tão inimaginável, e sem o devido tempo para se pensar?

O desfecho do filme traz uma melancolia que vai muito além, por exemplo, do fim dos discos de vinil como indústria – não soando apenas como a nostalgia pela nostalgia. É uma aflição que envolve a perda da inocência, e traz uma sensação de egoísmo compreensível e inerente ao ser humano, ainda que um ente deveras querido seja prejudicado – o que não é fácil de se dizer, mas Muylaert consegue. Nesse momento, antes de optar por um didatismo talvez desnecessário (e que ela evitou em É Proibido Fumar), ela tem delicadeza suficiente para deixar a tragédia ser completada pela cabeça de um. Ainda que mostre sinais de alguém que ainda pode evoluir (e o fez), também mostra a beleza de uma angústia que incomoda.
Durval Discos (idem – Brasil, 2002)

Direção: Anna Muylaert

Elenco: Ary França, Etty Fraser, Isabela Guasco, Marisa Orth

Duração: 93 minutos

Projeção: 2.35:1
Filme visto em DVDRip – Salvador, janeiro de 2010.

8mm

O Ouro do Globo

Não vi o Globo de Ouro (ô saudade da TV a Cabo…) mas, não tendo visto alguns filmes, odiei – Avatar e Se Beber, Não Case? Embora, por outro lado, depois do ano da maior crise econômica mundial em décadas, nada mais americano do que premiar filmes que, antes de qualquer outra coisa, ficaram marcados pelo retorno financeiro.

Filmes da semana:

1. Durval Discos (2002), de Anna Muylaert (DVDRip) (***)

2. Cartola – Música para os Olhos (2007), de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda (DVDRip) (***)

3. Um Namorado para minha Esposa (2008), de Juan Taratuto (**1/2) (Cine Vivo)

4. Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar (2009), de Christophe Honoré (***) (Cinema da Ufba)

5. A Teta Assustada (2009), de Claudio Llosa (Cinemark) (**1/2)

6. Amor sem Escalas (2009), de Jason Reitman (Multiplex Iguatemi – cabine de imprensa) (**1/2)

7. O Franco Atirador (1978), de Michael Cimino (DVDRip) (**1/2)

Curtas:

1. A Padeira do Bairro (1963), de Eric Rohmer (DVDRip) (***)

2. O Encontro (2002), de Marcos Jorge (Porta Curtas) (**)

3. Vinil Verde (2004), de Kleber Mendonça Filho (Porta Curtas) (***)

4. Noite de Sexta, Manhã de Sábado (2007), de Kleber Mendonça Filho (Porta Curtas) (****)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

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O ano de 2009 caminhava para o precipício quando o jornalista Boris Casoy, do Jornal da Band, ‘ao vivo e se mexendo’, agiu de forma preconceituosa contra os garis (relembre aqui).

O rapper Garnett preparou uma resposta daquelas ao “Isso é uma vergonha”. Confira, direto do Que mundo doido!

(Antes de mais nada – e apesar das semelhanças, esclarecemos que Garnett não possui qualquer parentesco com o advogado Lucílio Casas Bastos).

Clique no play!

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O professor e escritor Jorge Araújo no Universo Paralelo.

“A já um tanto prateada barba do professor Jorge de Souza Araujo (foto) esconde um dos nomes mais significativos da literatura produzida no Brasil. Não por coincidência (Jung diz que não existe coincidência, existe sincronicidade), é uma barba que nos lembra o muito citado e pouco lido Karl Marx: Jorge é militante marxista e, nesta condição, arriscou-se ter as unhas arrancadas – ou ser submetido a pau-de-arara, choque elétrico, afogamento e mimos outros com que a “Gloriosa Revolução de 64” tratava seus desafetos.

Se, à época, não fosse imberbe, arriscar-se-ia a ter a barba cortada a biscó, pois estas eram as regras do jogo – e os ditadores nos queriam todos devidamente depilados, pois barba grande e cabelo idem eram sinais inequívocos da intenção de derrubar o governo. Esse sertanejo de Baixa Grande, para o bem de todos nós, passou ao largo da tortura, sem abdicar de suas convicções: se perdeu anéis, ao menos manteve intatos os dedos, as unhas e o buço emergente, de grande futuro.”

Clique aqui e confira a íntegra da coluna Universo Paralelo desta semana, que também destaca a obra de outra figura magnífica, Elis Regina, que nos deixou há 28 anos. Está imperdível!

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CORNOS VINGADORES

Armando Nuvem (com os pés no chão e a cabeça no sobrenome)

Tem corno que se deprime, fica  ensimesmado, macambúzio…  Outros ficam valentes, partem pra briga, sacam a peixeira. Ainda há aqueles que se revelam grandes poetas e compositores chifrudos e conseguem extrair algum lirismo de sua dor. Lupicínio Rodrigues, o maior corno que a música brasileira já produziu, era mestre nessa arte.

O professor, filósofo, cantor e compositor itabunense Fernando Caldas faz uma espécie de Lupicínio pós-moderno e sem preconceitos. Ele criou um estilo dor-de-cotovelo diferenciado, que não chora as pitangas, mas se propõe – de maneira sui generis –  a lascar com o time do “sucessor” e também da adúltera.

Na letra de “O vingador”, FC não conta conversa. Avisa, sem cerimônia: “Eu vou comer o seu marido, só pra lhe sacanear”. O cabra é destemido e parece ter coragem de mamar em onça.

Assista ao vídeo e confira o B.O.:

UMA CARTA MUITO ESTRANHA

Por razões que a própria razão desconhece, sempre travo contato com figuras muito doidas, que se acham entendidas em tudo e, portanto, capazes de resolver todos os problemas. Agora mesmo, acabo de receber carta de uma ONG cuja sigla é “MeuCacete”, que seria a denominação concentrada do Movimento Especial Unido dos Cidadãos Anônimos Cheios de Estupendo Tesão…

O cidadão que assina pela entidade – e pede para ter sua identidade mantida em segredo (o movimento é uma variação do A.A.) – se diz preocupado com a situação do prefeito de uma importante cidade do sul da Bahia. Motivo: o tal prefeito tem um louvável vício em mulher, algo que para mim sempre pareceu muito correto e saudável.

Não é dessa forma, porém, que MeuCacete encara a situação. Na visão do movimento, o problema do tal prefeito é grave, pois o homem é insaciável e chega ao ponto de comprometer a sua administração por conta de rabos de saia bem fornidos.

O MeuCacete quer montar uma estratégia para levar o prefeito a participar de suas reuniões e passar a ter uma vida sexual equilibrada. Afirma que a missão, mesmo sendo árdua, é possível e, mais do que isso, necessária.

***

O RIO ESVERDEOU

A cor de bílis do Rio Cachoeira está de dar nó nas tripas. Tanto que me inspirou uns versos enjoados, que compartilho aqui com meus queridos leitores (um Dramin, por favor!):

Oh, cloaca máxima
Virada pro mar azul
O urubu diz à garça
E a garça ao urubu
Mui estúpida  essa raça
Vão todos tomar no *x@q/:§*

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NILTINHO SE RECUPERA

Após a crise da puberdade, Niltinho está fazendo terapia. Passou a tomar uns remédios bem fortes e diz que anda vendo estrelas. A pombinha que o garoto cria ficou nervosa com o comportamento dele e já tentou escapulir da gaiola, mas o milho alpiste é farto e pomba é bicho esperto, diferente dos papagaios, que no máximo repetem umas bobagens, mas têm a mente fraca.

Ainda bem que Niltinho arranjou uns amigos bem espertos, pois agora ele não resolve nada e os colegas, muito solidários, providenciam tudo para ele.

Felizmente, ainda existe “gente boa” no mundo.

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PARA NÃO BATER O MOTOR

O vereador motorizado abandonou seu velho reduto e mudou-se para um sítio, longe dos murmúrios, choradeiras e invasões de privacidade.  Nem com  a sua possante máquina 4.0 totalflex ele aguentou a pressão.

Antes, não deixavam sequer o homem dormir em paz. Hoje, ele acorda com o canto dos pássaros.

***

DONOS DO PEDAÇO

Tomar uns gorós, sem exagero, até faz bem, mas ocupar o espaço do pedestre não tá com nada. Em quase todos os bairros de Itabuna, a invasão acontece, sem que a Prefeitura faça nada para coibir.

É esculhambação geral, dos bairros ao centro da cidade. Um bom exemplo é  o quarteirão onde fica o Sindicato dos Bancários, na Rua Duque de Caxias. Por lá, quem anda a pé não tem vez.

***

SACOLA CHEIA

Dona de casa assustou-se com a barata que desfilava no setor de carnes e frios de um supermercado do bairro da Conceição. Falou com o funcionário, que fez pouco caso: segundo o cidadão, o inseto denunciado seria o menos alarmante dos animais a trafegar pelo local.

Ratazanas cevadas seriam frequentadoras assíduas.

Tempo de leitura: 3 minutos

70-mm

uma e meia

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

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Em seus dois primeiros longas – Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998) e Snatch – Porcos e Diamantes (2000) –, Guy Ritchie conseguiu despertar alguma curiosidade como alguém com um diferencial dentro da explosão de adeptos da geração MTV. Mais de dez anos depois, contudo, ele consegue a incrível e infeliz façanha de, reiterando e – teoricamente aprimorando – algumas de suas características como diretor, fazer provavelmente o seu pior filme: Sherlock Holmes (idem – EUA, 2008).

Em todo o tempo, Guy Ritchie dá indícios de que não acredita em ninguém. Robert Downey Jr., com um carisma sem igual para personagens excêntricos e enigmáticos (como Holmes), nunca tem tempo de tela suficiente; as gags do roteiro são tão apressadas que, se comparadas aos geralmente picotados sitcom’s da atualidade, fazem estes últimos parecerem arrastados filmes mudos; e as sacadas de Holmes, de tão explicitadas, se transformam em simples explicações, que conseguem o feito de ser didáticas (por explicar tim-tim por tim-tim) e, ao mesmo tempo, confusas – pela rapidez e pelo fato de aparecerem a todo momento.

Como se não bastasse a mania de explicar e acelerar tudo, temos uma história que funciona bem até ligada no piloto automático sem, aqui, o que de melhor é inerente a ela – o mistério e o poder da sugestão. Guy Ritchie satisfaz aquele que quer dizer que Holmes é inteligente (mesmo que não faça ideia do que está vendo), mas não o outro que prefere perceber por si só essa inteligência.

Com 42 anos ainda incompletos, Guy Ritchie é um exemplo de cineasta jovem e já preso ao passado de sua formação – ou pelo menos a que chega na tela. Com seus recursos fáceis e os vícios cada vez mais específicos de sua época que de sua pessoa, ele consegue deixar sua marca cada vez mais forte: a de uma cineasta eternamente “jovem” – e bobo.

Ps: Terminada a cabine de imprensa, as duas pessoas com quem falei sobre o filme estavam bem felizes com o que viram. Até que tentei (embora não muito), mas não consegui entender.

Sherlock Holmes (idem – EUA, 2009)

Direção: Guy Ritchie

Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams

Duração: 128 minutos

Projeção: 1.85:1

8mm

LOLA

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Ainda me faltam ver coisas de Rainer Werner Fassbinder – afinal de contas, são mais de 40 filmes em 16 anos de carreira –, mas é provável que poucas voltem a deixar as marcas de Lola. Da abertura, com os cabelos da dita cuja em paralelo com um diálogo baseado em raciocínio sobre poesia e tristeza, até o sarcástico final; passando pela cena em que Lola parece dançar possuída depois de ser vista por quem não podia, num plano sequência que dá a impressão de ser filmado e atuado por seres (com talento) sem paralelo entre os terráqueos. Maravilha de filme.

Sem luz

Primeiro veio Viver a Vida, agora Tempos Modernos; antes Godard, depois Chaplin. Qual será a próxima heresia em nomes de novela da Globo? O Iluminado? Soberba? Kubrick e Orson Welles já se reviram…

Filmes da semana:

  1. Sweeney Todd: o Barbeiro Canibal (2006), de Dave Moore (**)
  2. Lola (1981), de Rainer Werner Fassbinder (****1/2)
  3. Casablanca (1942), de Michael Curtiz (****)
  4. Código Desconhecido (2000), de Michael Haneke (***)
  5. Deserto Vermelho (1964), de MichelangeloAntonioni (**1/2)
  6. Caminhos Perigosos (1973), de Martin Scorsese (***)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

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Nico Rezende é atração no Hotel Tarik, hoje.
Nico Rezende é atração no Hotel Tarik, hoje.

Daqui a pouco, às 19h, quem se apresenta no Boteco do Carioca, no Hotel Tarik, é o cantor Nico Rezende, com participação especial do sul-baiano Marcelo Ganem.

Sumido das paradas musicais, Nico Rezende fez muito sucesso na década de 80 cantando músicas como “Transas”, “Perigo” (eternizada na voz de Zizi Possi) e “Esquece e vem”, notadamente românticas.

Antes do cantor paulista entrar em cena, haverá também o lançamento da Feijoada do Tarik, evento que vai para a sua oitava edição e atrai a nata da política baiana. Neste ano, a feijoada acontecerá no dia 6 de fevereiro, às 13h.

Tempo de leitura: 4 minutos

70 MM

duas estrelas

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

O começo de Lula, o Filho do Brasil (idem – Brasil, 2009), de Fábio Barreto, lembra um faroeste: muito de imagens em busca de expressividade e auto-suficiência, pouco ou nada de diálogo. Até a longa apresentação dos créditos remete, com boa vontade, a Era uma vez no Oeste (1968), de Sergio Leone. Com essa atmosfera, o tom caricato e maniqueísta do início ainda soa como possível integrante de um mundo palpável, que pode existir na tela – e somente nela. O porém é que depois da primeira fala, e da primeira ação mais grosseira, esse mundo passa a ser outro. Não é o dos rostos e expressões em primeiro plano como uma forma de estilização e ritmo, mas sim a súplica – com frases prontas – pela sua lágrima; ou, no mínimo, pela sua admiração pela história do personagem.

Nesse ponto, inclusive, está provavelmente o maior problema do filme: o que está na tela é sempre menos forte do que está por trás dela. A vida de Lula que passa pelo projetor é a mesma conhecida pela maioria, com a diferença de que, filmada, ela tem seus percalços sublinhados pelo roteiro, pelo tempo dado a eles, e pela trilha sonora. É uma maneira de fazer melodrama, não há dúvidas, mas esse melodrama, pelo que chega à tela, peca não apenas pela repetição do mesmo – a história conhecida –, mas também (principalmente) pela gordura.

Em O Pianista (2002), Roman Polanski filma uma queda de maneira frontal e seca, sem soar apático e sem sublinhar o ato – específico mas apenas mais um dentro de todo o horror do holocausto. Em Lula, Fábio Barreto filma uma cena quase idêntica, como se ela (não a sua natureza, mas ela em si, como um acontecimento único), fizesse parte de um top-5 dos maiores absurdos da história humana – o que só pode ser aceito por um ingênuo de história e de cinema.

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Lula – bom diferenciar o filme do personagem – sustenta sua parte melodramática nessas catástrofes, sentidas na pele ou presenciadas por ele, mas sua parte histórica de construção de indivíduo está, muito e infelizmente, nos diálogos. Por mais que talvez, salientando o talvez, a transição do Lula com tendências burguesas para o sindical tenha sido feita de forma tão simplória, ver isso filmado dessa maneira soa até menos reducionista que preguiçoso.

Não dá pra cravar, contudo, que Lula é um desastre completo. Curiosamente, uma cena forte também é, como a abertura, curta e marcada pelo silêncio. Nela, um militar chega onde Lula se encontra, no mesmo instante em que o hoje presidente assiste a um companheiro ser espancado pela polícia. Lula basicamente não abre a boca, o pano de fundo e os olhares dizem muito mais do que eles com palavras – e falam muito mais a respeito do período. É simples, e a tensão está ali.

Infelizmente, todavia, as duas sequências são exceções. E o resto é engodo do mais de um mesmo sustentado nunca pelo filme, mas pelo tema. Da busca pelas emoções, que nunca alcançam o nível de um bom cinema de lágrimas (choro de biografado não conta), até a abrangência megalomaníaca de toda a vida de alguém tão marcante em “apenas” 130 minutos. Que terminam, curiosamente, com o presidente em segundo plano – como o cinema em todo o tempo.

Ps óbvio, mas importante: o texto é uma crítica sobre o filme, não sobre o presidente.

Lula, o Filho do Brasil (idem – Brasil, 2009), de Fábio Barreto

Direção: Fábio Barreto

Elenco: Rui Ricardo Dias, Glória Pires, Juliana Baroni, Cléo Pires

Duração: 130 minutos

Projeção: 1.66:1

8mm

Freud

Christoph Waltz, premiado ano passado em Cannes pelo que fez como o Coronel Hans Landa em Bastardos Inglórios, interpretará Sigmund Freud no próximo filme de David Cronenberg (A Mosca, Marcas da Violência) – o The Talking Cure. Freud, esperto como é, não vai querer explicar nada; vai é assistir.

Cléo

Ainda quero ver Cléo Pires, no cinema, numa atuação em que ela simplesmente não sorria. Acho que pode dar muito bom – embora também ache que devo ser exceção; ou ingênuo, se acreditar que isso pode acontecer.

Filmes da semana:

  1. O Pecado Mora ao Lado (1955), de Billy Wilder (***1/2)
  2. Manhattan (1979), de Woody Allen (***1/2)
  3. Rosetta (1999), de Jean-Pierre e Luc Dardenne (***1/2)
  4. 4. Lula, o Filho do Brasil (2010), de Fábio Barreto (Cinema do Museu) (**)
  5. 5. Sherlock Holmes (2009), de Guy Ritchie (Multiplex Iguatemi – Cabine de imprensa) (**)
  6. A Aventura (1960), de Michelangelo Antonioni (****)
  7. Segunda-feira ao Sol (2002), Fernando León de Aranoa (**)

Top-10 dezembro – não contam os dessa semana:

10. É Proibido Fumar (2009), de Anna Mullayert (***)

9. Atividade Paranormal (2007), de Oren Peli (***)

8. Uma Mulher é uma Mulher (1961), de Jean-Luc Godard (***)

7. Crash – Estranhos Prazeres (1996), de David Cronenberg (***1/2)

6. Instinto Selvagem (1992), de Paul Verhoeven (***1/2)

5. Polícia, Adjetivo (2009), de Corneliu Porumbiu (***1/2)

4. Ervas Daninhas (2009), de Alan Resnais (****)

3. A Bela Junie (2008), de Christophe Honoré (****)

2. Abraços Partidos (2009), de Pedro Almodóvar (****)

1. O Poderoso Chefão Parte II (1974), de Francis Ford Coppola (****1/2)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

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Do Bahia Notícias

O evento “Verão Chicleteiro”, que seria realizado na próxima quinta-feira (7) no Centro de Convenções de Ilhéus, no sul do estado, com a participação da banda Chiclete com Banana, foi suspenso por uma decisão judicial. A juíza Maria Jacy de Carvalho, da 9ª Vara Cível de Salvador, intercedeu pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), órgão federal que resguarda o direito autoral, contra a empresa Ricardo Hafner Produções Artísticas quanto à falta de pagamento prévio para a autorização do órgão na realização do evento.

Segundo advogados ligados ao caso, a expectativa de público do evento é de 4 mil pessoas que pagariam, cada uma, R$ 50 pelo ingresso, o que totalizaria cerca de R$ 200 mil de arrecadação final. Segundo a lei que rege o Ecad, para que a autorização prévia do órgão seja concedida, a produção da festa deveria ter pago 10% deste total, o que não aconteceu.

Caso os organizadores do Verão Chicleteiro desobedeçam a ordem e façam o show sem pagar o Ecad, a aparelhagem de som pode ser lacrada pela polícia no dia do acontecimento. A Ricardo Hafner Produções Artísticas também deveria dinheiro ao Ecad em outros eventos há pelo menos dois anos, de acordo com os advogados.

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Quem assistiu, gostou. Mas o filme Lula, o filho do Brasil não encontrou eco por estas plagas. A média é de 70 pessoas, por sessão, no Starplex Cinemas, em Itabuna. Não chega a um terço dos ingressos disponíveis para cada sala de exibição.

Talvez seja reflexo do feriadão de Ano Novo. Ou não.

(Um amigo deste blog diria que essa baixa audiência da película é reflexo da pequena insatisfação dos cinéfilos com o majestoso Starplex).

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Milagres acontecem? Bom, pelo menos em Itabuna, sim. O filme Lula, o filho do Brasil já está rodando no Starplex Cinemas (Jequitibá Plaza Shopping, às 18h40min e 21h). E por que o milagre? Dificilmente o Starplex participa das estreias nacionais.

Muitas vezes, a empresa mineira responsável pelas salas de cinema roda filme com atraso de uma a duas semanas em relação às grandes salas. Alguns dizem que essa estratégia é utilizada geralmente por empresas em dificuldades, pois as películas adquiridas fora do período de estreia nacional ficam, digamos, mais em conta. Abaixo, trailer do filme-endeusamento do presidente brasileiro de maior popularidade que se tem notícia.