Zé Lezin retorna a Itabuna em show para celebrar 40 anos de carreira
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Boas risadas garantidas com o novo show de humor de Zé Lezin, neste domingo (26), em Itabuna. A apresentação será às 19H, na Terceira Via Hall. O show é uma celebração aos 40 anos de estrada de um dos maiores nomes do humorismo brasileiro.
O novo show é seleção de histórias e causos hilários de quatro décadas de sucesso por todo o país. Ele reeditou piadas consagradas em 40 anos de recorde de bilheteria. Não tem mistério no que faço. “Na verdade, é porque faço com amor, com um carinho enorme pelas pessoas que acompanham minha carreira desde o início e pelos novos fãs do matuto”.
INGRESSOS
Os ingressos podem ser adquiridos pela internet, por meio do site da Simpla (clique aqui) ou na loja da Seven Multimarcas, no Shopping Jequitibá. Outra opção para compra de ingresso é na bilheteria do evento.
O ingresso custa R$ 70,00 (inteira), mas quem desejar comprar casadinha vai desembolsar apenas R$ 100,00 por dois ingressos. A organização do show de humor informa que estudantes, idosos, pessoas com deficiência e jovens de 15 a 29 anos comprovadamente carentes (inscritos no CAD Único) podem pagar meia.
SERVIÇO Zé Lezin – Novo Show! 40 Anos de Humor Quando: 26 de novembro (domingo), às 19h Onde: Terceira Via Hall Valor: R$70,00 (inteira) e R$35,00 (meia) | R$100 (Casadinha) Classificação: 14 anos Realização: Manu Berbert Produções e Carambola Produções
Atualização às 18h – Na tarde deste domingo (26), a produção informou o adiamento do show de Zé Lezin devido a questões de logística do humorista. Uma nova data da apresentação será anunciada. Quem adquiriu ingresso e deseja o estorno, deve entrar em contato com a plataforma, caso tenha sido adquirido pelo Sympla, ou no ponto de venda.
Ize Duque apresenta Memória, seu primeiro álbum solo
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Show de lançamento será neste sábado (25), às 19h, no Centro de Cultura Adonias Filho
A música tem papel destacado no cotidiano das igrejas evangélicas, pois é veículo de coesão social, louvor a Deus e educação. Essa tríade é evidente, por exemplo, entre os batistas, que mantêm a tradição de iniciar as crianças na música ainda na primeira infância. Foi assim com a cantora e compositora Ize Duque. Ela começou a cantar nas atividades da Igreja Batista de Ubaitaba, no sul da Bahia, onde cresceu.
“Aos seis anos, eu já tinha uma rotina de ensaios, com a responsabilidade de me apresentar em eventos religiosos, calendarizados. Costumo dizer que fui me formando uma cantora mirim, muito influenciada pela minha mãe e pela minha avó”, disse a cantora ao PIMENTA, por telefone.
A avó materna de Ize, Janice, gravou um disco autoral de músicas evangélicas em 1984. “Quais mulheres da região tiveram essa oportunidade?”, se pergunta Ize. Segundo ela, o feito de Janice foi viabilizado por uma construção coletiva da comunidade evangélica de Ubaitaba. Além de compositora e cantora, Janice tornou-se referência do ensino de música na cidade. Nancy, mãe de Ize, seguiu os mesmos passos. Autodidata, toca vários instrumentos e foi regente do coral da Igreja.
Para Ize, a tradição familiar demonstra que seu vínculo com a música tem dimensão ancestral. “A música é o nosso grande legado. Tem tudo a ver com minha história essa questão de honrar a ancestralidade, porque a minha família é de origem preta, de poucos bens. Costumo dizer que o grande bem que minha avó e minha mãe me legaram é a música”.
MEMÓRIA
Radicada em Itabuna há mais de 15 anos, Ize divide o palco e a vida com o marido, o guitarrista Jonnie Walker. Eles compõem juntos desde a banda Pastilhas, que formaram com o baterista Juliano Chucri e o baixista Diego Pereira. A banda deu um tempo, mas Ize e Jonnie continuaram compondo. Com o amadurecimento dos últimos dez anos, Ize decidiu registrar oito composições desse percurso em Memória, seu primeiro álbum solo.
Segundo a artista, é uma obra identificada com a cultura do sul da Bahia e, ao mesmo tempo, inserida no mundo globalizado. “Nosso som tem rock, blues, mas também estão ali os instrumentos de matriz africana. O agogô, o tambor, o chocalho, a rabeca estão presentes no som para localizar a gente”.
SERVIÇO
O show de lançamento de Memória será hoje (25), às 19h, no Centro de Cultura Adonias Filho, no Centro de Itabuna. O ingresso custa R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada). É possível comprar pela internet ou na bilheteria do evento.
Na compra, há a opção de incluir o livro encarte do álbum junto com o ingresso, com preço promocional. Fruto de parceria da diretora de arte Mariana Carvalho com o fotógrafo Pabulo Soares, ele traz as letras e cifras das canções. Confira tudo aqui.Já este link traz o álbum em diferentes plataformas digitais. Basta escolher a preferida e apertar play.
Várias atrações abrem a segunda edição do Blues Jazz Festival Serra Grande nesta sexta-feira (24). O bucólico balneário a menos de uma hora de Ilhéus, no sul da Bahia, vai reunir músicos da cena instrumental e ofertará oficinas e ações de cuidados ambientais em programação que dura até o próximo domingo (26).
Durante os três dias do festival, que abrange uma fusão de estilos, o público terá a oportunidade de apreciar o trabalho de músicos locais e de outras regiões da Bahia, apresentando tanto criações autorais quanto releituras de clássicos.
O evento também contará com oficinas ministradas por profissionais experientes, proporcionando uma
chance para diversos públicos aprimorarem novas habilidades, como dança, musicalização infantil, criação de instrumentos com materiais reciclados e participação em cortejos culturais.
Na sua grade, estão nomes como Geleia Solar, banda base da JAM no MAM, do Solar do Unhão, o grupo Saravá Jazz Bahia, fundamentado no jazz e que contempla elementos da cultura afro-brasileira, o guitarrista e compositor Mou Brasil, que lançou em 2013 seu álbum Farol, listado entre os melhores discos brasileiros, Os Skanibais,
primeira banda de Ska da Bahia, big band de músicos instrumentistas criada em 2013, ambos de Salvador.
Além destes nomes, o contrabaixista Stephan Kurmann, um dos mais conhecidos músicos da Suíça, parte integrante do cenário do jazz na Europa, o guitarrista mineiro Eugênio Aramuni, além da mescla com músicos locais, como
Javali Blues Band, Choro das lobas, Família Caribé e Putorkestra, entre outros. O evento tem apoio da Prefeitura de Uruçuca.
PROGRAMAÇÃO
SEXTA-FEIRA (24)
MANHÃ
10h: Instrumento reciclável, Palazini Oda: Floresta Viva
10h: Juntos contra o monstro do lixo, Juan Ambientalista: Quiosque do Arapyaú
TARDE
17h: Abertura Praça Alimentação
18h: Mistério do canto das baleias na Serra
NOITE
DJ – Bruno Vita
19h: Institucional | Homenagem Matuto
20h: Geleia Solar
21h30: Performance fogo
22h: Eugênio Aramuni | Stephan Kurmann | Ricardo Matos
23h30: Saravá Jazz Bahia
SÁBADO (25)
MANHÃ
10h: Trame nas Astes, Angolinha: Quiosque do Arapyaú
10h: Introdução ao Blues, Bô Bernardi: Casa Azul
TARDE
15h: Tecendo e trançando arte – turbantes, Nina Vieira: Casa Azul
15h: Vivência de pandeiro, Ju Maracá: Quiosque Arapyaú
16h: Técnica vocal, canto coral, Nara Matarelli: Quiosque Arapyaú
16h: Cantoterapia, Lucas Moreira: Casa Azul
17h: Abertura Praça Alimentação (DJ)
NOITE
20h: Mou Brasil
21h30: Zambiapunga
22h: Skanibais
23h30: Apresentação tecido: Ivana Nistico | Guadalupe Tampone
00h: Javali Blues Band
DOMINGO (26)
TARDE
17h: Abertura Praça Alimentação
NOITE
Orixafricano DJ Set
18h: Choro das lobas
19h: Família Caribé
20h: Putorkestra++
Banda norte-americana se apresenta nesta sexta-feira (24) no Festival
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A segunda edição do Festival de Reggae de Itacaré começa nesta sexta (24) e segue até sábado (25), na Praça São Miguel, com shows abertos ao público a partir das 21h. A banda Groundation, atração mais esperada do evento, fará a terceira apresentação da primeira noite de festa, depois de Mussutaíba e Jeremias Gomes. Após o show do grupo norte-americano, a Bruta Raça assume o palco.
A Orquestra de Reggae de Cachoeira abre a programação de sábado, na companhia de um convidado mais que especial, Sine Calmon. A segunda noite ainda terá os shows de Rogério D’Lucca, Nengo Vieira e Ethiopia Federation.
Ordem dos shows nas duas noites do Festival
Criado em 2022, pela Prefeitura de Itacaré, o Festival tem curadoria da produtora Putzzgrillo e faz parte do calendário anual de eventos do paraíso sul-baiano, explica o secretário municipal de Cultura e Turismo, Marcus Japu, em entrevista ao PIMENTA.
CASA CHEIA
A Praça São Miguel e seu entorno comportam oito mil pessoas, estima o secretário. São esperadas mais de 15 mil pessoas em cada noite do Festival, considerando também o movimento na Orla, Pituba e Passarela da Vila. “Nós temos seis mil leitos de hotéis, pousadas e hostels lotados”, comemora.
Nesse momento, Itacaré tem seis hotéis em construção, segundo Japu. Além disso, a Secretaria de Cultura e Turismo iniciou o levantamento das habitações alugadas por meio de aplicativos como o Airbnb, mercado em franca expansão na cidade.
Vinícius Briglia fala sobre plano da Setur para remake de Renascer
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A Prefeitura de Ilhéus pretende usar as redes sociais para ampliar a visibilidade que o remake da novela Renascer, da TV Globo, dará aos atrativos do município. “Nosso maior divulgador vai ser a televisão, que vai transmitir tudo, diariamente, em rede nacional, mas a gente também vai explorar isso”, disse ao PIMENTA o superintendente municipal de Turismo, Vinícius Briglia.
A novela estreia em janeiro de 2024, na faixa das 21h. Segundo Vinícius, as filmagens em Ilhéus duraram 20 dias e tiveram apoio da Secretaria Municipal de Cultura. As gravações passaram por cenários icônicos de Ilhéus, como o Centro Histórico, mas também por lugares menos conhecidos do grande público, a exemplo do Rio do Engenho.
A ideia é reforçar a exposição dos destinos turísticos na internet. “‘A novela veio filmar aqui, venha conhecer’. “Gostou da cidade? Venha conhecer”, exemplificou o superintendente, sugerindo o tipo de mensagem poderá ser disseminada na campanha.
A gestão ilheense negocia com a Globo um lançamento da novela, aberto ao público, no Centro Histórico, antecipou Vinícius Brigla ao PIMENTA. Se a proposta for adiante, a cerimônia deverá ter a presença de atores do elenco.
ILHÉUS GANHA MAIS 30 CAPÍTULOS EM REDE NACIONAL
Sucesso de 1993, o roteiro original de Renascer foi escrito pelo dramaturgo e novelista Benedito Ruy Barbosa. A versão adaptada da obra, que deve ir ao ar na segunda quinzena de janeiro próximo, é de Bruno Luperi, neto de Benedito. Marcos Palmeira, Humberto Carrão, Juliana Paes e Vladmir Brichta fazem parte do elenco do remake.
Mesmo antes da estreia, a Globo decidiu aumentar o número de capítulos da novela de 167 para 197. A expectativa da emissora é estender o enredo até setembro. Serão cinco semanas a mais para Ilhéus em rede nacional, na comparação com o primeiro roteiro.
Mulheres no ato do Dia da Consciência Negra, no Rio de Janeiro || Foto ABr
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Que a força guerreira de Zumbi dos Palmares esteja presente e nos ajude nesta luta, hoje e sempre!
Julio Cezar de Oliveira Gomes
Hoje, data em que ocorreu o assassinato de Zumbi dos Palmares durante a defesa do maior quilombo que existiu no Brasil, celebramos o Dia Nacional da Consciência Negra, uma merecida e necessária homenagem que busca enaltecer a luta pela vida e liberdade da população negra e escravizada, luta protagonizada heroicamente por ela mesma.
Atualmente, a data é feriado em seis estados brasileiros: São Paulo, Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio de Janeiro. Estranhamente, no estado da Bahia, tão importante para a cultura e sobrevivência das populações de origem africana no Brasil, ainda não houve o reconhecimento institucional da extrema importância que esta data tem, reconhecendo-lhe a condição de feriado estadual.
Mas o que concretiza, hoje, a luta pela liberdade, consciência e dignidade da população afrodescendente no Brasil?
Ao lado de todas as belíssimas e indispensáveis manifestações culturais que marcam a data e, aqui na Bahia, o Novembro Negro; além de todas as festas, eventos e painéis expondo a importância e o significado de Zumbi como protagonista do seu povo, faz-se necessárias políticas públicas e ações cotidianas capazes de erguer aqueles que ainda são a maioria dos que passam necessidades, dos que não têm acesso aos serviços públicos, daqueles que recebem as piores remunerações realizando os mais árduos trabalhos e que lotam as prisões, as favelas, as filas da indigência: a população afrodescendente.
Precisamos, para a superação das desigualdades históricas e estruturais da sociedade brasileira, da continuidade de políticas públicas como o Bolsa Família e do acesso ao ensino superior, via Prouni e Fies. Precisamos do fortalecimento dos direitos trabalhistas e previdenciários. Precisamos da afirmação dos direitos das mulheres e das redes de proteção a elas, pois são as não brancas as mais agredidas e mais assassinadas; precisamos de políticas específicas, de cotas para pretos no serviço público e nas instituições e instâncias representativas de nosso Brasil, entre outras ações relevantes.
Mas, precisamos também que cada jovem, cada mulher, cada pessoa afrodescendente se arme do espírito de luta de Zumbi e faça com ainda mais sangue no olho, fé e esperança a parte que lhe cabe: que os jovens estudem de verdade, aproveitando ao máximo as oportunidades que a escolarização e a instrução proporcionam; que as mulheres se valorizem, não se permitindo a relacionamentos que degradam sua dignidade; que todos se afastem da droga e do crime, que apesar do prazer momentâneo e do dinheiro que, respectivamente, proporcionam, terminam invariavelmente com a doença, a exclusão brutal e a morte prematura, em um verdadeiro show de horrores.
Ao mesmo tempo que devemos denunciar todos os tipos de violência a que a população negra está submetida e cobrar das autoridades e do governo que façam a sua parte, é indispensável que cada pessoa do povo afrodescendente e mestiço, nas variadas cores que encontramos na população brasileira, faça a sua parte: estude, trabalhe, conduza-se com responsabilidade, com dignidade e fique longe do crime, das drogas, de todos excessos que embriagam e matam, destruindo vidas, famílias e nações. Que a força guerreira de Zumbi dos Palmares esteja presente e nos ajude nesta luta, hoje e sempre!
Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.
Com tema “Cabaré Afro Latino Caribenho”, o último Cabaré Makutb deste ano tem, neste sábado (18), performances e dinâmicas inspiradas nessas culturas, mas sem deixar de lado toda a brasilidade e, claro, muita baianidade. As apresentações começam às 20h30min na sede do Grupo Teatro/Circo Maktub, no bairro Nossa Senhora da Vitória, zona sul de Ilhéus. A classificação indicativa é 18 anos e as entradas serão na modalidade Pague Quanto Quiser a partir de R$ 10.
Desde outubro de 2022, o Cabaré Maktub já passeou por várias temáticas, homenageando os anos 70 e 80, Forró Fogo no Cabaré e também pelo Folclore Brasileiro. Além das Drags do Maktub, Palhaços do Maktub e As Madallenas, cada noite conta com convidados de diferentes lugares do mundo.
Dentre os convidados estão o muralista chileno Cláudio Edworld, palhaço Franco Shanahan, Belly Dancer Aishagaby, cantor e dançarino Prince Macauley, cantora Jennifer Marx e dançarina sul-mato-grossense Angela Mendes. Para a sétima e última edição do ano, estão confirmados dois novos nomes: Washington Badé e Will Sabetudo.
De acordo com os organizadores, cada edição é um encontro para celebrar linguagens artísticas em performances e interações com público. As noites festivas são embaladas pela Drag DJ Sindel Blade, ícone das baladas regionais. Uma das motivações é colocar em prática convenções da linguagem Cabaré, estilo de espetáculo que dialoga com várias áreas artísticas e a experimentação de números para apresentações posteriores, conforme afirma os diretores do Cabaré Maktub.
O sétimo Cabaré Maktub vem brincadeiras que são sucesso em todas as edições, além de novidades, como Banheira da Gaga e Camisa Molhada. “Todas e todos estão convidados a se divertirem com a gente. Para isso, recomendamos o uso de roupa de banho”, explica o diretor artístico Fábio Nascimento, que dá vida à dona da festa, Madame Brigitte Gioconda. Além das apresentações, haverá a venda de comidas e bebidas no local.
Quando a letra de Missa do Rosário dos Pretos acaba, um saxofone entra em cena. Durante a execução dessa parte da música no show de pré-lançamento do álbum C’est la Vida, em Ilhéus, Ricô puxou um coro, e a plateia o acompanhou. Nesse momento, olhou para um amigo que assistia a tudo diante do palco, o professor e músico Wilfredo Lessa. A troca de olhares sinalizava que eles já esperavam a resposta do público ao ouvir a canção pela primeira vez. Para se ter ideia do nível de interlocução que mantêm, numa entrevista ao PIMENTA, Ricô chamou Wilfredo de guru.
Agora, com o disco disponível em todas as plataformas digitais, o site recorreu ao guru para discutir aspectos do primeiro álbum solo de Ricô, que é baixista da banda OQuadro e forma o duo Ziminino com Rafa Dias (RDD).
“Se você ouvir Fogos de Artifício para o Precipício à Vista, primeira composição de Ricô para OQuadro, os elementos que vão gerar esse atual momento dele já estão ali”, inicia Wilfredo Lessa. Para ele, com essa estreia, a banda expandiu sua linguagem musical a partir de um contraponto construtivo. “Tanto que a música virou um hino, todo mundo canta, os fãs d’OQuadro adoram”.
No seu amadurecimento, continua Wilfredo, Ricô traz a influência do trip hop inglês em diálogo com a música popular brasileira. “É uma onda mais ligada à MPB, mas também voltada para a modernidade, para Massive Attack, Portishead, Everything but the Girl, bandas que influenciaram a gente nos anos 90, 2000”.
Também ressalta a importância do contato especial que Ricô estabeleceu com a obra de Marcelo Yuka (1965-2019), com quem trabalhou no projeto F.U.R.T.O, criado pelo músico carioca após deixar O Rappa.
– Ele gravou os baixos do último disco de Yuka. É o nosso amigo que foi mais próximo a ele, quando morava no Rio. É muito significativo, porque, se você pensar n’O Rappa com Yuka compositor, as temáticas do disco de Ricardo também estão ali: um sentimento antissistema, de busca por justiça, integração com a negritude, com a nossa vontade diaspórica de poder, de ascensão, de mostrar que é possível. E um confronto com a violência, quando ele diz: “Só peço que não me mate, brother”.
ATABAQUES NO COMBATE
O álbum C’est la Vida manifesta uma espiritualidade que não fecha os olhos para “as questões de fogo” do Brasil e do mundo, aponta Wilfredo. “É um amadurecimento de uma geração que está buscando paz espiritual, mas não deixa de entender a vida social como luta, como um lugar de batalha, de combate contra a opressão”.
Para ilustrar seu raciocínio, o professor de inglês recorreu à expressão “atabaques no combate”, da música Intermitência, de Ziminimo. Segundo ele, essa é uma boa síntese de um movimento de espiritualização, de busca do autoconhecimento, que não se desconecta dos conflitos em marcha na sociedade.
Com rara habilidade para encadear referências sem perder o fio da meada, Wilfredo Lessa fez uma leitura psicossocial do show de pré-lançamento citado anteriormente. “Foi uma celebração. Para minha geração, pessoal dos anos 90, foi mágico, porque a gente sonhou ouvir Massive Attack, Portishead, com aquele tipo de sonoridade eletrônica e, ao mesmo tempo, visceralmente física, numa música que tivesse um valor espiritual”.
O som de Ricô, segundo Wilfredo, materializa o que, de alguma forma, já estava sendo concebido em meados dos anos 90, quando a cena ilheense ganhava bandas como Ruanda e, depois, OQuadro. Por isso, afirma, C’est la Vida é obra de coroação geracional.
“É a realização de um sonho da minha geração inteira, que alguém tivesse a capacidade de fazer aquele som e, claro, ter respaldo melódico, harmônio e de letra para dizer as coisas que a gente sente, para trazer essa angústia para fora. Uma das coisas mais importantes do trabalho de Ricardo é a maneira como ele lida com a angústia da pós-modernidade, com a maneira como nós estamos perdidos emocional e mentalmente dentro desse mundo de múltiplas escolhas”.
VOLTA AO BRASIL
Ricô mora na França com a família. Ele antecipou ao PIMENTA que desembarca em Ilhéus no dia 20 de novembro. Na volta ao País, o primeiro show confirmado será com Ziminino, no dia 5 de dezembro, no Rio de Janeiro. Para mais informações sobre a agenda, confira no Instagram (rico_thebass). O álbum C’est Vida pode ser ouvido em qualquer plataforma, a exemplo do canal do artista no YouTube.
Peça discute impacto das palavras sobre as crianças
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O projeto Diálogos Artísticos promove apresentações do espetáculo Um Corpo de Palavras em escolas no sul da Bahia. Desde outubro, estudantes de Ilhéus e Uruçuca assistem à peça de teatro de sombras. Neste mês, a programação ocupa escolas públicas de Itabuna e Itacaré. Em cena, uma reflexão sobre o modo como as palavras podem machucar e traumatizar as crianças.
A experiência na Escola Indígena Amotara, em Olivença, foi compartilhada por Inaí Tupinambá, mãe de quatro estudantes que assistiram ao espetáculo e participaram da roda de conversa. “Em casa, procuramos não usar termos que deixam eles para baixo, mas, às vezes, outras pessoas podem falar. Eu tive uma infância em que ouvi muitos termos assim, e esta foi uma oportunidade de abrir mais a minha mente e passar a falar com eles: ‘erga a cabeça, não deixe que os outros falem de você, seja você sempre’, relata.
Atuante na mesma escola, a educadora Geisa Penna ressalta que o espetáculo aborda as particularidades do trabalho pedagógico com os pequenos. “No momento em que o espetáculo começa a falar, de forma lúdica, sobre o que as crianças escutam no cotidiano, isso mostra para os estudantes que o que importa é ser o que se é, entender o que sente, e não tomar para si aquilo que o outro diz”, avalia.
O projeto foi contemplado pelo edital Diálogos Artísticos – Bicentenário da Independência na Bahia e tem apoio financeiro da Fundação Cultural do Estado da Bahia, unidade vinculada à Secretaria de Cultura (Funceb/SecultBa). Para conferir a programação nas escolas de Itabuna e Itacaré, acesse o perfil da dramaturga e diretora Naiara Gramacho no Instagram (@naiaragramacho.arte).
O cantor e compositor Gerônimo se apresenta no encerramento da 6ª Festa Literária de Ilhéus, nesta sexta-feira (10), às 19h, no Teatro Municipal. Com entrada franca, o show Raízes Sonoras terá participação especial de Itassucy e Banda.
Amanhã, a programação musical do evento começa mais cedo, às 12h, na Praça Pedro Mattos, em frente ao Teatro, com apresentação de Diego Schaun. Às 18h, o palco será de Dois Sopros, dueto formado por Juvino Filho e Zezo Maltez. O evento é promovido pela Academia de Letras de Ilhéus (ALI).
POVOS ORIGINÁRIOSManto Tupinambá do século 17 || Foto Roberto Fortuna/Museu Nacional da Dinamarca
A edição deste ano da Festa é dedicada aos povos originários. O escritor, professor, ator e ativista Daniel Munduruku proferiu a conferência de abertura, ontem, no Teatro Municipal. Um dos momentos mais aguardados do evento é o bate-papo sobre o Manto Tupinambá, marcado para sexta-feira (10), às 16h, no mesmo local, com Cacica Valdelice, Jéssica Tupinambá e Diádiney Almeida.
Foi Valdelice quem se dirigiu, em carta do povo tupinambá, ao Museu Nacional da Dinamarca, relatando a importância da volta do Manto Tupinambá ao Brasil. A instituição europeia guardava a peça desde 1689, segundo registros oficiais, e o doou ao Museu Nacional no Rio de Janeiro. Para os tupinambá, o Manto é mais do que um objeto, segundo Valdelice.
“Os sonhos dos nossos ancestrais, que são também os nossos, seguem vivos. Amotara preservou em sua memória a lembrança da existência de um Manto Sagrado para o nosso povo. Nossos Mantos são ícones da nossa espiritualidade e, por isso, acreditamos que devem estar de pé e vivos, próximos ao seu povo de origem”, escreveu a liderança, na carta de 29 de julho de 2022.
Valdelice é líder de uma das 23 aldeias do povo tupinambá, que se estendem pelos municípios de Ilhéus, Una e Buerarema, no sul da Bahia. Desde 2009, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) concluiu o relatório de reconhecimento e delimitação do território indígena, que ainda aguarda a portaria declaratória do Ministério da Justiça.
Edson Gomes e Olodum são atrações musicais do Novembro Negro
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O cantor e compositor Edson Gomes e a Banda Olodum vão se apresentar em Ilhéus, em show aberto ao público, na próxima terça-feira (14), a partir das 19h, na Avenida Soares Lopes. Marcado para a véspera do Feriado da República, o evento faz parte da programação do Novembro Negro 2023, da Secretaria Municipal de Cultura.
As ações deste mês, segundo a pasta, têm como marco histórico o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, em referência à data atribuída à morte de Zumbi dos Palmares, que liderou um dos maiores focos de resistência à escravidão, no Brasil colônia do século de 17.
Com base em dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Prefeitura de Ilhéus informa que 78% dos moradores do município são descendentes da Diáspora Africana. De acordo com o músico e comunicador Cijay, da Superintendência de Comunicação, a programação cultural deste ano será a maior já dedicada ao mês da Consciência Negra na Princesinha do Sul.
Mano Brown agradece título de Doutor Honoris Causa || Imagem UFSB
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As mãos entrelaçadas, com os dedos procurando uns aos outros, indicavam uma tensão diferente nos gestos de Mano Brown, durante a sessão em que a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) o concedeu o título de Doutor Honoris Causa, nesta quarta-feira (1º), no Teatro Candinha Doria, em Itabuna.
Ele estava num palco, território que habita como poucos, mas o papel de homenageado da noite mobilizava mais o homem que o artista. Talvez por isso tenha iniciado o agradecimento recordando a trajetória da mãe, Ana Pereira Soares, que faleceu em dezembro de 2016, aos 85 anos.
Dona Ana nasceu em Riachão do Jacuípe, no interior da Bahia, e migrou para a cidade de São Paulo, onde deu à luz Pedro Paulo Pereira Soares, em 22 de abril de 1970.
– Para mim, voltar para a Bahia e receber esse título é muito simbólico, porque minha mãe saiu da Bahia, do interior da Bahia, humilhada. Ela saiu se sentido a pior de todas. Foi para São Paulo, chegou lá com 15 anos e a vida nunca foi fácil. Eu queria que minha mãe estivesse viva para ver isso agora, porque, se tem uma pessoa que tinha tudo para ser errado na vida, sou eu – disse Mano Brown.
“TINHA QUE SER NA BAHIA”
Brown e a reitora Joana Guimarães na solenidade desta quarta, em Itabuna || Imagem UFSB
Dos principais compositores da musica popular brasileira, o rapper rendeu homenagens a KL Jay, Ice Blue e Edi Rock, seus companheiros há 35 anos nos Racionais MC’s. “Sempre fui um cara solo, filho único, e encontrei neles irmãos. Hoje nós família. A maior herança que os Racionais têm é se amar e estar os quatro juntos até hoje. Sem eles, eu jamais seria Mano Brown”.
O músico lembrou que, ao chegar em São Paulo, sua mãe foi acolhida por comunidades de terreiro da periferia da cidade, onde ele nasceu e foi criado. O convívio com essas pessoas foi definidor do seu caráter, segundo Brown.
– Fui um cara criado em terreiros, em pelo menos quatro terreiros de candomblé. Dona Maria Luiza, Tia Zeza, Tia Nina, Pai Isac. Formaram nosso caráter de lutar pela vida, de ser homem no melhor sentido da palavra, porque homem tem muitos defeitos. [Quero] agradecer à Bahia por esse reconhecimento, tinha que ser na Bahia mesmo – emendou, arrancando aplausos de um Candinha Doria lotado.
A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) definiu data e horário de entrega do título de Doutor Honoris Causa ao compositor e rapper Mano Brown, dos Racionais MC´s. Será na próxima quarta-feira (1º), a partir das 17h, no Teatro Municipal Candinha Doria, em Itabuna, no sul da Bahia. De acordo com a instituição, o evento será aberto ao público.
A UFSB decidiu pela concessão do título a Pedro Paulo Soares Pereira, Mano Brown, durante reunião do Conselho Universitário em 16 de agosto deste ano (reveja aqui), a partir de proposta feita pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex).
CELEBRAÇÃO
Mano Brown é dos nomes consagrados da cena nacional do hip hop. Segundo a instituição, a homenagem busca “celebrar a importância do gênero musical como forma de expressão da população negra periférica”.
No roteiro da solenidade da próxima quarta, ocorrerá uma apresentação cultural de abertura, seguida da solenidade, uma exibição de documentário e a apresentação cultural de encerramento. A homenagem também integra as comemorações dos 10 anos de criação da UFSB.
À época da aprovação pelo Consu da Universidade, a reitora Joana Guimarães assim se manifestou sobre a concessão do título:
– A titulação aprovada, por unanimidade, pelo Conselho Universitário da UFSB, reflete a importância dada pela nossa comunidade ao trabalho desenvolvido pelo Mano Brown, na arte, na cultura e especialmente na interlocução com jovens negros e negras de periferia, que veem na sua música uma forma de expressão que lhes dá voz, quando a sociedade lhes nega.
A cantora Cyva, do Quarteto em Cy, morreu aos 85 anos de idade, neste domingo (22). A morte foi anunciada pelas redes sociais do grupo vocal.
– É com imenso pesar que noticiamos a passagem de Cyva, integrante e fundadora do Quarteto em Cy. Cyva participou de toda a carreira do grupo, desde 64, todas as formações. Grande líder, uma irmã e tia generosa com todos, uma amiga sensível. Vai fazer muita falta!.
Em abril deste ano, morreu a cantora Cynara, aos 78 anos de idade, que estava internada no Hospital Prontocor, na Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro. A cantora Cybele morreu em agosto de 2014, aos 74 anos de idade, vítima de isquemia pulmonar, em casa, quando se recuperava de uma pneumonia.
BAIANAS DE IBIRATAIA
O grupo vocal era formado pelas irmãs Cybele, Cynara, Cyva e Cylene, todas baianas da cidade de Ibirataia. Originalmente conhecido como As Baianinhas, o grupo já tinha adotado o nome de Quarteto em Cy quando estreou no Rio de Janeiro, em 1964, em uma boate do Beco das Garrafas, em Copacabana, na época reduto da bossa nova e da música popular brasileira (MPB).
Fábio Lago, Jorginho Nascimento, neto de seu Oreco, e Duda Santos || Fotos Camila Maltez
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Camile Maltez
Os atores Fábio Lago e Duda Santos participaram, na terça e quarta-feiras (17 e 18), de workshop com o Bumba Meu Boi de Seu Oreco para as gravações do remake de Renascer, da TV Globo. O encontro foi na localidade de Urucutuca, zona rural de Ilhéus. O grupo folclórico é o mesmo que participou da primeira versão da novela, em 1993, e deu enredo a história de amor de José Inocêncio.
Após 30 anos, Renascer volta a ser gravada na região cacaueira e será exibida em horário nobre. O ator ilheense Fábio Lago dará vida ao polêmico Venâncio, pai de Maria Santa, vivida pela atriz Duda Santos, e grande amor do protagonista José Inocêncio. O personagem vivido por Fábio tem grande orgulho de ser a cabeça do boi do Boi Bumbá e todo o enredo começa com as apresentações do grupo fictício.
Bumba Meu Boi de Seu Oreco é mantido em remake de produção global || Foto Ingrid Reis
TRADIÇÕES CULTURAIS
A produção da novela fez questão de manter todas as tradições culturais abordadas com o grupo na primeira versão e promoveu a imersão dos atores com a comunidade local e o Bumba Meu Boi de Seu Oreco. “É um privilégio estar aqui na minha terra e poder viver toda essa potência que é o bumba e a cultura popular. É o meu papel enquanto artista voltar aqui e fazer parte desse mundo real e único do nosso folclore. E que é daqui, de Ilhéus!”, comemora.
Fábio Lago também descreve o momento dele com toda a efervescência no município sul-baiano com as gravações de Renascer:
– Estou vivendo uma experiência inesquecível. Que o bumba nos norteie nesta festa com alegria, brincadeira! E leve isso para a novela, para os olhares dos brasileiros. Vejam o bumba, vejam as manifestações culturais daqui e da sua cidade, façam parte, valorizem a cultura popular – recomenda o ator ilheense.
Workshop põe elenco global em contato com a cultura sul-baiana || Foto Ingrid Reis
NOVA GERAÇÃO DO BUMBA
O Bumba Meu Boi de Seu Oreco foi idealizado e criado por Aurelino Alves Galdinho, Seu Oreco, falecido em 2018. Ele chegou à comunidade de Urucutuca ainda menino para trabalhar na antiga Estrada de Ferro da região, e trouxe a tradição da brincadeira do boi.
Ele costumava contar que a manifestação cultural começou com o seu avô, e foi passada de geração em geração. Assim, seguindo o costume, Jorginho Nascimento, neto de Seu Oreco, assumiu a liderança, garantindo a manutenção da tradição da cultura popular.
Ilheense Fábio Lago, o Venâncio, com Duda Santos, que viverá a personagem Maria Santa || Foto Camile Maltez
“Na época das gravações da primeira versão da novela, vovô Oreco ainda era vivo e movimentou toda a região para dar vida ao bumba meu boi do pai de Maria Santa. Agora, tanto tempo depois, estamos de volta passando a nossa cultura e brincadeira para Fábio e toda a equipe”, destaca Nascimento.